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terça-feira, 26 de outubro de 2021

Adeus “Esquerda”!!!??


Fixem esta data: Dia 25 de Outubro de 2021.

Este foi o dia em que a esquerda portuguesa fez haraquíri.

A história do suicídio da “esquerda” portuguesa não começa hoje.

Começou quando, no início desta legislatura, o PS resolveu dificultar um acordo escrito com, pelo menos, um dos partidos à sua esquerda, jogando no medo destes em serem penalizados por não deixarem passar orçamentos pouco ambiciosos, do ponto de vista social, e com medo de confrontar os burocratas de Bruxelas.

Ficou evidente que esta legislatura não chegaria ao fim quando o BE resolveu colocar-se ao lado da direita para votar contra o anterior orçamento.

O PCP cedeu então na abstenção, convencido que iriam ser cumpridas algumas das medidas com ele negociadas, mas que o governo se foi “esquecendo” pelo caminho, ficando por cumprir muto desse orçamento.

Em relação a este orçamento para 2022, já se percebia que havia um impasse e uma desconfiança mútua entre os partidos da esquerda, situação que culminou na confirmação de que este orçamento não vai passar com os votos à sua esquerda.

A catadupa de medidas apressadas, apresentadas nos últimos dias pelo PS, para tentar agradar à sua esquerda, mais não eram do que o início da campanha eleitoral, por parte desse partido, para entalar os partidos à sua esquerda, que ficam com o ónus de derrubarem o governo mais à esquerda que tivemos desde o 25 de Abril.

Claro que, pelo meio, estava o desejo de alguns sectores do PS, a tralha socrática, com o incendiário Carlos César à cabeça, de controlar a “BazuKa” e de beneficiar, com esta, as suas habituais clientelas .

Mas, à esquerda, havia sempre a possibilidade da abstenção, quanto a mim a única forma de saírem “airosos” desta situação.

Agora, mesmo que possam ter razão nas críticas ou em sentirem-se enganados, os partidos à esquerda do PS vão ficar com o ónus, entre a maior parte do eleitorado de esquerda, de terem optado por uma situação bem pior que é a que vai resultar do chumbo deste orçamento.

Existem 3 alternativas, todas piores para a esquerda, para os trabalhadores, para os pensionistas e para os cidadãos comuns em geral.

A primeira alternativa é as eleições darem um resultado ainda mais complexo de ingovernabilidade, mas favorável ao malfadado centrão das negociatas e da corrupção, com capacidade de desbaratar, a seu favor e da sua clientela habitual, os fundos da “Bazuka”.

A outra alternativa é um PS com maioria absoluta, igualmente marcando o regresso da tralha socrática, das negociatas e da corrupção, igualmente com capacidade de desbaratar a favor da sua clientela os fundos da “Bazuka".

A terceira alternativa é o regresso da direita “além-da-Troika”, revanchista, desejosa de retomar as medidas antissociais que foram interrompidas pelo primeiro governo de Costa, a direita das negociatas e da corrupção, desbaratando os fundos da “Bazuka”, desta vez apenas a favor do poder financeiro e das grandes empresas, pois o que temos à direita não é, nem o PSD liberal, a roçar alguns princípios da social-democracia, do tempo de Sá Carneiro, nem o CDS, democrata-cristão, com preocupações sociais, do tempo de Freitas do Amaral.

Pelo contrário, à direita o que vamos ter, muito provavelmente, é um radical como Paulo Rangel, à frente do PSD, e um extremista, como Nuno Melo, à frente do CDS, com um discurso para agradar à extrema-direita, com o desejo de privatizar tudo, da escola pública à saúde, de agradar ao corrupto sistema financeiro que rege a União Europeia, de agradar aos defensores das politica “austeritárias” da União Europeia, que estão de volta, para continuar na senda, iniciada nos tempos do  “ir além da Troika”, de destruir tudo o que lhes cheire a “Estado Social”, de combate às desigualdades ou de serviço público.

Por isso, tudo o que vier, como resultado do chumbo deste Orçamento, é sempre pior.

Infelizmente, ao contrário da direita, que se divide quando está na oposição, mas se sabe unir, no essencial do seu projecto antisocial, quando chega ao poder, a esquerda, que se une no “protesto” quando está na oposição, tem dificuldade em unir-se, com pragmatismo, para executar as suas políticas sociais, quando chega ao poder, como estamos a assistir mais uma vez.

Claro que nem tudo será negativo com a antecipação de eleições.

Em primeiro lugar, prevendo-se uma situação de grande instabilidade económica e social que se vai viver, um pouco por todo o mundo, e na União Europeia, nos próximos anos ( em resultado da tempestade perfeita, que combina os trágicos efeitos socias da pandemia, com a degradação ambiental sem fim à vista, motivada e acentuada pelos grandes interesses financeiros ligados ao sector energético, com o agravamento da própria crise energética, com o regresso das politicas orçamentais autotitárias da “troika” à União Europeia, com as crescentes tensões político-militares entre a China e os Estados Unidos e a Rússia e a União Europeia...) que vai provocar o aumento do descontentamento e das desigualdades sociais, com um impacto muito maior em países com uma economia frágil, como a portuguesa, o regresso de partidos, como o PCP e o BE à oposição poderá evitar que todo esse descontentamento fique refém do populismo e do oportunismo de extrema-direita, voltando alguma esquerda a absorver e a enquadrar esse crescente descontentamento num combate mais consequente e positivo contra aqueles males crescentes.

Em segundo lugar, em democracia, o voto é sempre soberano e, perante a desagregação das relações entre os partidos à esquerda nos últimos dois anos, nada melhor do que clarificar a situação com a força e a legitimidade do voto.

Lamento que a esquerda, mais uma vez, não se consiga entender no essencial.

Lamento que, mais uma vez, a esquerda não se consiga unir no essencial para por em prática uma verdadeira política social, de combate aos salários baixos, às desigualdades sociais e de progresso que beneficie quem trabalha .

Provávelmente não voltaremos a ter oportunidade de ver aplicadas essas políticas sociais nas próximas décadas e, seja qual for o resultado eleitoral, vamos assistir à degradação de salários e de pensões, dos serviços de saúde e de educação, dos direitos socias e laboriais.

Mas, em democracia, não há que dramatizar.

Vá-se a voto, e clarifique-se a situação porque o voto é a arma do Povo!

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

Tragédias de um Orçamento.


Por vezes, interrogo-me se a actual geração de jornalistas estudou numa escola de jornalismo ou, se não terá estudado, antes, numa escola de produção de telenovelas!!!

A forma como se tem vindo a dramatizar a apresentação do próximo Orçamento de Estado, mais parece, de facto, uma telenovela do que um trabalho lúcido de informação, como seria de esperar por parte dos órgãos de comunicação social.

Ou talvez a escola seja a escola do ministro da propaganda nazi, Goebels, aliás um excelente professor para quem quer aprende como funcionam, eficazmente, a propaganda e a publicidade.

Uma das técnicas desta “escola” é aquela, segundo a qual, uma mentira várias vezes repetida se torna verdade, ou, adaptando aos dias de hoje, várias frases descontextualizadas e meias verdades repetidas até à exaustão e ampliadas pelo megafone de vários comentadores encartados, acaba por condicionar a própria realidade.

Aquilo que sempre foi perfeitamente normal na apresentação de orçamentos, em especial quando não há governos de maioria absoluta, como aconteceu em mais de 3/4 de governos democráticos, que é apresentar um projecto, que depois pode ser alterado após negociações, sempre duras, entre os partidos parlamentares, foi transformado numa novela tágico-cómica, como, aliás, se tem transformado qualquer caso e casinho nos últimos tempos.

O problema é quando esse ambiente de doidos,  criado por uma comunicação social ávida de escândalos e espectáculos para aumentar audiências, contamina a vida política dos partidos ditos “sérios”.

É ver o frenesim que reina nos partidos da direita tradicional, só com a possibilidade remota de voltarem ao poder nos próximos tempos (principalmente, o de controlarem os dinheios da "bauka", que é o que os move....).

Pode-se dizer que a direita anda com a pontaria desafinada, pois se alguém foi atingido pela agitação provocada à volta do Orçamento, não foi o orçamento, mas a liderança e o  interior dos próprios partidos de direita.

O aparecimento de dois candidatos, um no CDS, outro no PSD, ambos com experiência política e pessoas cultas, mas com um discurso extremista, fanaticamente ideológico e revanchista, não augura nada de bom para o futuro desses partidos, a não ser retirar campo de manobra à extrema-direita.

Se ambos ganharem a liderança desses partidos, o PS vai agradecer, pois o voto centrista vai fuigir desses partidos.

À esquerda espera-se, pelo contrário, bom senso. Para quem acha, dentro do BE e do PCP,  que estes perdem pelo facto de facilitarem a vida ao orçamento socialista, a realidade das últimas presidênciais e das autárquicas, aí está para o desmentir, ao contrário da falácia de algum jornalismo e de alguns comentadores, interessados em provocar o caos à esquerda.

Basta ver o que aconteceu a esses dois partidos à esquerda do PS, pelo facto de terem tomado decisões diferentes em relação ao último orçamento.

O BE, que votou contra o orçamento, pensando beneficiar à custa do PCP e do afastamento em relação ao PS, teve duas estrondosas derrotas nesses actos eleitorais, perdendo quase tudo o que tinha conquistado no tempo da geringonça.

Pelo contrário, o PCP, que aprovou o orçamento, tendo perdido alguma coisa, perdeu pouco, e aguentou-se, estabilizando dentro do histórico. Mesmo onde perdeu ou não conseguiu aumentar, como em Loures ou em Almada, continua uma força política considerável e com capacidade de  dar cartas por muito tempo.

No caso das presidênciais e das autárquicas em Lisboa, mais no segundo que no primeiro caso, até conseguiu um bom resultado com João Ferreira.

As perdas do PCP não se devem à sua “aliança” com o PS, mas a uma crise mais estrutural, de falta de renovação e de adaptação aos novos tempos. 

Foi, pelo contrário, a sua capacidade de negociação, ganha com a "geringonça", que travou a sua perda de influência e lhe pode dar, no futuro, um novo alento.

Espera-se, por isso, que à esquerda, ao contrário do frenesim que vai à direita, reine o bom senso.

Este Orçamento não é o ideal, se houver bom senso ainda pode ser aperfeiçoado nas negociações à esquerda, mas a alternativa é a realização de eleições antecipadas, que iriam beneficiar o PS (e o Chega), aprovando-se depois um orçamento menos social, e para o qual o PS, sentindo-se traido pela sua esquerda, seria tentado a negociar à direita, ou, na hipótese remota de uma vitória da direita, um orçamento revanchista, do ponto de vista social, e integrando o resto do “ir além da Troika” que não foi cumprido, com prejuízo para reformados, trabalhadores, pequenas e médias empresas, do país em geral.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

LIVRE…DESCALABRO!



Confesso que me identifico com muito do que escreve e defende Rui Tavares, responsável pela criação do LIVRE.

Nas últimas eleições até torci para que esse partido conseguisse representação no Parlamento.

Penso, até, que, em termos programáticos e ideológicos, me identifico mais com o Livre do que com os outros partidos da esquerda.

Só não votei Livre nas últimas eleições por recear que o meu voto ficasse perdido e por isso votei “útil” na CDU.

Infelizmente a representação desse partido no Parlamento têm-se revelado uma autêntica desilusão.

O último episódio é a actual desorientação sobre o sentido de voto no Parlamento.

Há dois dias, depois de confirmada a abstenção da CDU e do PAN, faltava apenas um voto para garantir a aprovação do Orçamento.

Tinha sido a altura ideal para o LIVRE indicar o seu sentido de voto, surgindo então como partido imprescindível.

Infelizmente deixou-se ultrapassar pelo BE e pelo PEV que, no dia seguinte, ao indicarem o seu sentido de voto, tornaram o LIVRE irrelevante.

…Ainda agora não se percebe qual vai ser o sentido de voto desse partido.

Mais uma desilusão à esquerda!


quarta-feira, 30 de maio de 2018

Os três “D’s” do debate sobre a Eutanásia: Dúvidas, Disparates e Decisões.




DÚVIDAS

Confesso que, no início do debate sobre a votação dos projectos sobre a despenalização da Eutanásia, assaltaram-me algumas dúvidas, muito idênticas às que foram formuladas por Vicente Jorge Silva na sua crónica editada no Público no último Domingo.

Intitulada “Vida e morte: as Fronteiras da liberdade”, o jornalista confessava –se “profundamente dividido sobre a questão da eutanásia” em debate  no Parlamento:

 “ Por um lado, não tenho qualquer dúvida de que quero morrer com dignidade e, se não tiver alternativa ou não for capaz de o fazer sozinho, antecipar a minha morte com ajuda médica em caso de sofrimento insuportável ou degradação irreversível das minhas condições de vida. Mas, por outro lado, não consigo generalizar e tornar objecto de uma lei o que tenho certo para mim próprio, porque não consigo antever todas as circunstâncias concretas em que, supostamente, a escolha de uma morte assistida se fará segundo a vontade de cada um. Mais: receio que essa generalização banalize aquilo que, de todo, não o deveria ser e possa prestar-se a abusos macabros por parte de terceiros, como já terá acontecido noutros países onde a prática de eutanásia é legalmente autorizada”.

E continuava o articulista : “Ora, face à minha divisão interior, confunde-me a ligeireza com que uns pretendem fazer aprovar apressadamente, sem um prévio debate aprofundado, uma lei tão delicada sobre as fronteiras entre a vida e a morte. Tal como me desgosta a argumentação, de uma intolerância maniqueísta, exibida por outros e que ultrapassa a esfera das convicções religiosas, como se a eutanásia pudesse equivaler, em qualquer circunstância, a um homicídio puro e simples (atitude essa reflectida na tomada de posição, com laivos de chantagem política, pelo anterior Presidente da República, Cavaco Silva).
“A este respeito, tenho dificuldade em perceber com clareza a fronteira que alguns ferozes opositores da eutanásia estabelecem entre a interrupção do tratamento dos doentes em fase terminal, considerada legítima, e o recurso a uma morte assistida para obviar, precisamente, a essa situação considerada irreversível. Há aqui, parece-me, uma certa hipocrisia ideológica que cuida mais das aparências dos rituais do que do efeito final dos procedimentos”.

E concluía Vicente Jorge Silva:

“Não se trata de ficar no meio onde residiria falsamente a virtude, mas de interiorizar a complexidade de um debate que não ganha nada em decorrer de forma precipitada. Sei o que quero para mim, se porventura for confrontado com a hipótese de não morrer com dignidade, mas considero abusivo legislar à pressa para ficar confortado com uma opinião e uma opção de natureza pessoal. Estão em causa as fronteiras da liberdade”.

Contudo, consultando o mesmo jornal Público na 6ª feira anterior, onde se comparavam os 4 projectos em debate e os conteúdos mais significativos de cada um, as minhas dúvidas dissiparam-se.

Na maior parte desses projectos estava bem claro quem se podia “candidatar” à eutanásia, doentes em sofrimento extremo, com doença incurável e terminal, maiores, em pleno uso das suas capacidades mentais, conscientes até ao momento da eutanásia, após pedido devidamente analisado, aprovado e acompanhado por uma equipa multidisciplinar, decisão sempre reversível e dando aos médicos o direito de objecção de consciência.

Interessante ainda para a minha decisão de apoiar os projectos em discussão foi a leitura da crónica de Bárbara Reis, no mesmo jornal, publicada em 25 de Maio, intitulada “a eutanásia segundo Séneca, o sábio da morte”, de onde retiro algumas frases desse clássico: “Viver não é uma coisa boa em si mesmo, mas sim viver bem”, e assim “sábio é aquele que vive até onde deve, não até onde pode”, ou “A vida é como uma história: o importante é como é feita, não se é comprida. Mas dá-lhe um bom fim” e concluía: “achas que há alguma coisa mais cruel a perder na vida do que o direito de acabar com ela”?.

A minha dúvida não é sobre o direito individual de cada um decidir a eutanásia, mas se a questão não deve ser mais debatida antes de uma decisão final, que só pode ser a sua despenalização com os critérios apontados nos 4 projectos.

DISPARATES

Triste de ver foi o rol de dispartes                que ouvimos nos últimos dias, principalmente por parte dos opositores à eutanásia, em que a frase que circulou na manifestação de ontem, “Não matem os velhinhos” é o coroar de tanta ignorância.

Apoiar ou não a despenalização da eutanásia pode ser uma questão de consciência, mas daí a recorrer à chantagem ideológica, como o fez Cavaco Silva, transformar essa questão num problema religioso, como o fizeram, pressionando o poder politico, os líderes religiosos em Portugal, ou atirar areia para os olhos, explorando a ignorância generalizada sobre o tema, merece-nos o mais veemente repudio.

Ouvir dizer que o Estado não se pode meter numa questão de liberdade individual, como li, é atirar areia para os olhos, como se o problema não fosse o facto de o Estado, através da lei, poder condenar como criminosos comuns os profissionais de saúde e os familiares que auxiliem quem, assumindo essa mesma liberdade individual, recorra à eutanásia.

Ao contrário do que ouvi gritar e escrevinhar, ninguém é obrigado a   recorrer à Eutanásia, nem esta se confunde com cuidados paliativos ou testamento vital.

Pegando em dois exemplo extremos, Alejandro Amenábar (cuja situação foi o tema do filme “Mar Adentro”) ou o físico Stephen Hawking, o Estado só tem de garantir que a opção de Amenábar seja levada a bom termo, sem criminalizar ninguém, ou a opção de Hawking de continuar a viver e a lutar até ao fim, garantindo um eficaz acompanhamento médico. O resto são balela beatas.

DECISÕES

O parlamento decidiu reprovar todos os projectos.

As desculpas foram muitas, desde a consciência de cada um, o medo de perder um lugar na lista do “partido” nas próximas eleições,  até à disciplina partidária mais autoritária.

Outros desculparam-se com o facto de o tema não constar dos programas eleitorais, os mesmos que, noutras circunstâncias, quando se tratou de retirar direitos económicos e sociais, de cortar nas obrigações do Estado Social , salvar os especuladores financeiros, ou impor a austeridade dos últimos anos, tudo actos que não constavam dos respectivos programas, não hesitaram nem um momento em avançar com medidas que não constavam em programas eleitorais.

Invocar o facto de “não constar” nos programas eleitorais é passar um atestado de menoridade aos deputados e ao Parlamento.


Foi também triste de ver a atitude do PCP, que se dividiu entre justificações próximas da beatice e o desrespeito pela liberdade individual, à qual esse partido, que revela grande dificuldade em acompanhar os tempos, sobrepõe uma mítica “liberdade colectiva”.

Penso. Contudo que o tema deve continuar em cima da mesa para ser debatido com serenidade.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

O regresso da velha direita boçal, caciqueira, trauliteira e radical


Já aqui exprimi as minhas dúvidas e até desconfianças sobre o êxito da formação do actual governo de esquerda, embora lhe deseja que tudo corra pelo melhor, para bem do país e dos portugueses que trabalham e cumprem com os seu deveres.

Assistimos a quatro anos de radicalismo neoliberal de direita, que destruiu a classe média,  e o próprio centro político, aumentou as desigualdades sociais até níveis nunca vistos na história recente deste país, pelo menos na sua história democrática, aumentou a precariedade no emprego, lançou na pobreza milhares de portugueses, crianças incluídas, fez o PIB nacional recuar décadas, vendeu ao desbarato os poucos bens públicos, tudo em beneficio dos infractores da especulação financeira e dos foragidos ao pagamento de impostos que lançaram o país na mais grave crise económica, social e financeira que o país conheceu.

Nos últimos meses assistimos a essa mesma direita neoliberal num afã de distribuição de empregos e nomeações por centenas de fiéis, sendo o caso SérgioMonteiro “apenas” a mais escandalosa “cereja em cima do bolo”.

E quando não andaram a garantir a carreira e o emprego dos amigos, andaram a falsificar ou esconder estatísticas que lhe eram eleitoralmente ( e, quem sabe, criminalmente) desfavoráveis, como a história da “redução” da taxa de IRS.

E tiveram ainda tempo para “armadilhar” ao máximo, com a ajuda de Cavaco,  o caminho que este governo vai ter de percorrer para inverter a trágica situação do país.

Se tudo isso não chegasse para provar que a manutenção do  governo de direita estava a conduzir o país para um desastre irreversível, aí está a prova da atitude dessa mesma direita, agora na oposição.

O seu verniz disfarçado atrás de vozezinhas paternalistas e falinhas mansas, de fatinhos feitos à medida e gravatas reluzentes, disfarçando a sua falta de patriotismo e revanchismo de bandeira portuguesa à lapela, estalou totalmente neste dois últimos dias.

O que assistimos estes dias, no debate parlamentar,  é a uma direita troglodita, mal educada, sem respeito pelo parlamento, revanchista, caciqueira,  trauliteira e radical.

Se outra razão não existisse para afastar esta gente do poder, aquilo a que estamos a assistir no parlamento é, para além de grave, a melhor prova da urgência em manter essa gente, por muitos e longos anos, longe do mesmo poder.

Mesmo todos aqueles que, como eu, à partida, tinham algumas dúvidas sobre a sobrevivência (ou mesmo sobre a legitimidade) deste governo de esquerda, fica bem evidente que, a partir de agora temos de fazer tudo para o maior êxito desse governo.

Para bem de todos nós, esta direita do radicalismo neoliberal, que destruiu o centro político, não pode regressar ao poder.

Seria bom, para todos nós, que dentro do PSD surgisse alguém para por cobro ao poder dessa gente e voltasse a colocar esse partido no centro-direita, pelo menos por respeito para com a memória de Sá Carneiro.

domingo, 19 de julho de 2015

Finalmente uma boa notícia do Parlamento Português : Sem-abrigo tomam a palavra na Assembleia da República

Temos vindo a assistir nos últimos tempos, quer na Europa quer em Portugal a acontecimento que em nada contribuem para dignificar as classes políticas europeias e desgastam e descredibilizam a democracia.

O Parlamento português tem sido palco ao longo destes últimos anos de demasiados episódios que só têm contribuído para desacreditar essa instituição, muito por culpa da má qualidade e oportunismo da maioria dos seus deputados, designadamente os dos "centrão" e pelos muitos casos de corrupção ética que têm vindo a lume.

Por isso é de realçar uma notícia que contribui para dignificar esse mesmo parlamento e que nos faz ter ainda alguma esperança no funcionamento dessa instituição que, sendo a casa da democracia, devia dar mais bons exemplos como o que é referido na reportagem de Maria João Lopes ontem editada no jornal Público, e que pode ser lido clicando no seu título em baixo.

Há contudo uma situação a manchar a boa notícia, o facto de a maioria dos partidos políticos com assento no parlamento não se terem feito representar, apesar de terem sido convidados.

A iniciativa foi realizada pelos grupo parlamentar do Bloco de Esquerda e contou com a presença de uma deputada eleita pela CDU, a líder da bancada dos Verdes Catarina Martins.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Quando a Esquerda dá tiros no pé : A Polémica à volta da exposição de bustos presidenciais na AR.


Um exposição de bustos presidenciais em barro, inaugurada na semana passada,organizada pela câmara de Barcelos e aprovada para ser  exposta nos corredores da Assembleia da República, motivou uma reacção intempestiva e desproporcionada por parte dos partidos da esquerda parlamentar .

De acordo com a notícia do jornal Público, que pode ser lida na integra em baixo, tudo começou "com um protesto do PCP numa comissão, seguiu-se um debate em plenário e acabou com uma reunião de emergência da comissão de Educação [na passada 4ª feira]. O dia terminou como começou: A exposição mantém-se".

Numa semana com tantos problemas na educação e com um país a saque e desgovernado, a esquerda parlamentar não encontrou nada mais interessante para fazer e perder tempo do que andar a discutir uma inócua exposição de bustos e "múmias".

Esteticamente a dita exposição é um autentico monumento ao mamarracho, os textos não passam de um mero desfilar do curriculo burocrático sobre as "individualidades" em exposição, mas isso não me parece que merecesse tanta atenção por parte dos senhores deputados.

Também não percebo porque é uma exposição que tem por tema o centenário da República e recordar os que ocuparam os mais "altos cargos da nação" durante os últimos cem anos deve ser alvo de qualquer censura. 

A desculpa de branqueamento do "fascismo" também não pega. Esconder que quase metade do regime republicano foi passado em ditadura, isso sim, seria branquear o regime deposto em 25 de Abril.

Referir que na casa da democracia apenas devia ter lugar a recordação daqueles que foram eleitos democraticamente também não pega, já que apenas os últimos quatro presidentes (Eanes, Soares, Sampaio e Cavaco)  foram eleitos pelo voto popular. 

Durante a República os presidentes eram eleitos pelo parlamento e a única excepção foi a do "democratico" Sidónio Pais, o único a ser eleito por voto "univesal" (com o maior corpo de eleitores até então) embora ..como candidato único. E o mesmo aconteceu com a primeira eleição de Carmona. 

Durante o Estado Novo, realizaram-se vários simulacros de eleições para os respectivos presidentes da República, farsa que terminou definitivamente em 1958 quando o candidato do regime, Américo Tomás, e o seu protector Salazar, apanharam um valente susto com Humberto Delgado. A partir daí Américo Tomás foi sucessivamente reconduzido por uma assembleia corporativa fiel ao regime.

Já em democracia, os dois primeiros presidentes da República, Spínola e Costa Gomes, também não foram eleitos para o cargo.

Por tudo isso  parece-me disparatado perder tempo a discutir essa exposição.

Mesmo que a sua qualidade estética e os textos que a acompanham sejam duvidosos, a censura a um evento destes é bem pior.

Mais uma vez a esquerda portuguesa volta a dar um tiro no pé.


quinta-feira, 6 de março de 2014

Porque me vou abster nas eleições para o parlamento europeu

(este é o verdadeiro "parlamento europeu")

Sempre votei desde que obtive o direito ao voto, o que aconteceu após o 25 de Abril.

As minhas opções sempre foram variadas, do voto em branco, ao voto no PPM, exactamente numas eleições europeias, onde o candidato monárquico ele o Miguel Esteves Cardoso.

Maioritariamente sempre votei à esquerda, do PS ao BE, passando, quase sempre, pela CDU.

Sempre considerei que a abstenção não só não tinha qualquer utilidade prática, como era uma atitude antidemocrática e conformista…até hoje!

Agora que estão à porta as eleições europeias, estou fortemente empenhado em optar pela abstenção.

E porquê?

Porque me recuso a participar numa farsa, numa caricatura “democrática”.

Em primeiro lugar o Parlamento Europeu, que é a única instituição europeia democrática, não tem qualquer poder para decidir sobre o futuro da Europa, deixando que instituições anti-democráticas, como o Conselho Europeu, a Comissão Europeia, o Eurogrupo, o BCE ou essa figurinha ridícula que é o Presidente da União Europeia (!!!!) continuem a dominar os destinos dos cidadãos europeus, sem nunca se submeterem ao voto popular.

Se acrescentarmos a aversão das instituições europeias ao direito de os povos referendarem os Tratados que decidem do seu futuro e a farsa continuada de repetir os referendos até à exaustão, quando estes não lhes correm de feição, temos a “democracia” resumida à simples formalidade.

Ainda por cima, a maior parte dessas instituições europeias anti-democráticas que dominam a Europa, apenas respondem perante os “mercados”, isto é, os especuladores financeiros, os banqueiros, as agências de rating, os accionistas das grandes empresas.

O parlamento europeu serve apenas para dar uns ares “democrático” para aquelas instituições  continuarem a  impor a “legitimidades” das medidas de austeridade aos seus cidadãos, mantendo fortes desigualdades sociais e económicas no seu seio, mantendo desigualdades fiscais e financeiras gritantes entre países do norte e do sul, retirando direitos sociais, assaltando as poupanças dos cidadãos para salvarem o seu corrupto sistema bancário (como aconteceu em Chipre), mantendo e apoiando no seu seio governos xenófobos e autoritários como o da Hungria.

As decisões sobre o futuro da Europa são todas tomadas nas costas dos cidadãos europeus, nos gabinetes dos grandes bancos e das grandes empresas, às escondidas de todos e a “democracia” destas eleições  é apenas um pró-forma, para distrair jornalistas e incautos.

Exibindo o berloque que é o Parlamento Europeu, passam a vida a exigir democracia aos outros, quando, mesmo figurões corruptos e autoritários como um Putin têm mais legitimidade democrática do que qualquer comissário europeu ou “presidente” da União Europeia. Aquele, ao menos, foi eleito pelo voto popular. A um Durão Barroso nenhum cidadãos europeu, a não ser que seja um burocrata da UE, teve o direito de escolher.

As eleições europeias ainda podiam servir, internamente, para apresentar um cartão vermelho a este governo, mas para isso era preciso que se perfilasse uma alternativa credível. Ora, por um lado a esquerda apresenta-se a estas eleições fortemente fragmentada e, por outro lado, entre um Francisco Assis ou um Paulo Rangel não existe qualquer divergência de fundo sobre o modelo europeu. Aliás, à falta de diferenças assinaláveis, ambos já começaram a campanha com meros ataques pessoais ou políticos, sem revelarem qualquer nova ideia para a Europa.

Neste momento é isto que eu penso das eleições do Parlamento Europeu e por isso vou fazer campanha pela abstenção.

Penso que se se registar uma grande abstenção , ultrapassando os 65%, a própria União Europeia e as suas instituições perdem legitimidade para continuarem a impor mais austeridade a quem trabalha e para “roubarem” legalmente os seus cidadãos e então talvez existam condições para os cidadãos europeus seguirem o exemplo dos cidadãos da Ucrânia e correrem com esta gente que  governa a Europa.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Ainda Há Portugueses Dignos: José António Pinto deixou medalha de ouro no Parlamento em sinal de protesto

Aconteceu ontem no Parlamento e apenas mereceu destaque na Antena 1 e nalguma imprensa escrita (as televisões, como é seu hábito, nem se deram ao trabalho de destacar o facto, como ele merecia).

José António Pinto, assistente social do Porto, que se deslocou ao Parlamento para ser medalhado, em reconhecimento pelo seu trabalho junto dos mais desfavorecidos, no Dia dos Direitos do Homem, recusou a medalha, aproveitando a ocasião para manifestar a sua indignação pela situação no país:

"Deixo ficar esta medalha no Parlamento se os senhores deputados me prometerem que, futuramente, as leis aprovadas nesta casa não vão causar mais estragos na vida daqueles que, por terem deixado de dar lucro, são hoje considerados descartáveis»

(...)

"Quero emprego com direitos para criar riqueza, quero que a dignidade do homem seja mais valorizada do que os mercados, quero que o interesse coletivo e o bem comum tenham mais força do que os interesses de meia dúzia de privilegiados".

Podem ver a reportagem em baixo, da autoria da jornalista Maria Flor Pedroso,retirada do Jornal de Notícias on-line, bem como a reportagem rádiofónica da Antena 1, da autoria da mesma jornalista, e ainda a opinião do blogue "Um Jeito Manso":



"José António Pinto deixou medalha de ouro no Parlamento em sinal de protesto


10 Dez, 2013, 14:35 / atualizado em 10 Dez, 2013, 14:39


"José António Pinto deixou esta tarde na Assembleia da República a medalha de ouro comemorativa do 50º aniversário da declaração Universal dos Direitos Humanos, que lhe tinha sido entregue como reconhecimento pelo seu trabalho no Porto. O assistente social da Junta de Freguesia de Campanhã afirmou que trocava a medalha por outro modelo de desenvolvimento económico.

"A sala irrompeu em palmas e ainda ouviu José António Pinto instar os governantes a estancarem “imediatamente este processo de retrocesso civilizacional que ilumina palácios, mas ao mesmo tempo deixa pessoas a dormir na rua”.


“Não quero medalhas, quero que os cidadãos deste país protestem livremente e de forma digna dentro desta casa e quando reivindicam os seus direitos por uma vida melhor não sejam expulsos pela polícia destas galerias”, acrescentou.

"Neste Dia Internacional dos Direitos Humanos, o Parlamento distinguiu também Farid Walizadeh com a medalha de ouro comemorativa do 50º aniversário da declaração Universal dos Direitos Humanos. O jovem refugiado afegão de 16 anos está em Portugal desde janeiro e já é campeão nacional de boxe. 

"O Prémio Direitos Humanos 2013 foi entregue à Federação Nacional de Cooperativas de Solidariedade Social (Fenacerci) pela defesa dos interesses e direitos das pessoas com deficiência e pela sensibilização da opinião pública em relação a este tema.

(com Sandra Henriques)


ou AQUI.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Parlamento tem sido centro de corrupção em Portugal.



No dia em que toma posse um novo parlamento, seria importante que se virasse uma nova página e que situações, como as que são denunciadas no artigo do Expresso, deixasssem de acontecer em Portugal, para bem da Democracia.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A Infamia faz o seu caminho: Chuva de críticas à anulação da sessão do 25 de Abril.

Chuva de críticas à anulação da sessão do 25 de Abril - Política - PUBLICO.PT(clicar para ler notícia).

Ficamos a saber que, nos próximos dois meses, os srs. deputados estão de férias. Só assim se percebe a desculpa esfarrapada para não abrirem o Parlmento para as comemorações do 25 de Abril.
Mais uma notícia para juntar à infâmia em que se tornou a política nacional graças à actual geração rasca que lidera a política nacional.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

... mais uma "boca para alimentar"!


Dizem os defensores desse pagamento que a artista, aliás, deputada, vivia em Paris antes de ser eleita.

Mas será que alguém a obrigou a candidatar-se? Um cidadão normal, quando faz uma opção de vida, assume a responsabilidade e os riscos da mesma. Não era isso que devia ter acontecido com Inês de Medeiros quando decidiu concorrer a deputada?

Não vou aqui discutir a imoralidade dessas ajudas de custo aos deputados ( eu, como professor, tive um ano de dar aulas a mais de trezentos quilómetros de casa e tive de pagar do meu bolso a estadia e as viagens…).

Desculpem a ignorância mas Inês de Medeiros concorreu a deputada pelo círculo da emigração? Parece que não, que foi eleita pelo círculo de Lisboa.

Então, quando concorremos por um círculo não temos de indicar uma morada nesse círculo? Parece que não, pois, pelo que andei aí a investigar, a lei eleitoral é omissa sobre a obrigação de um deputado indicar a morada no círculo pelo qual é eleito.

Também na biografia publicada sobre a deputada na página do parlamento não é indicada qualquer morada, nem em Lisboa, nem em Paris, como acontece aliás, com as páginas biográficas dos restantes deputados.

Ou seja, esta é mais uma daquelas “lacunas legais” que abre um precedente que, sendo eticamente condenável , é…legal!

…haja decoro!