quarta-feira, 28 de março de 2018

Como desviar as atenções da consequência do Brexit

Em situações mal esclarecidas e pouco claras, como a tentativa de assassinato de um antigo espião russo em solo britânico, a pergunta que faço, em primeiro lugar, é: a quem interessa essa acto?

Até agora não existem provas credíveis sobre a origem desse crime ignóbil, embora a resposta mais óbvia e mais fácil seja acusar Putin por estar detrás desse atentado às relações internacionais.

Quando, sem provas credíveis, se lança de imediato uma acusação, não baseada em provas credíveis e concretas, recorrendo à velha técnica segundo a qual “uma mentira várias vezes repetida se torna verdade”, com acusações ao “suspeito do costume”, devemos manter todas as nossas reservas sobre qualquer conclusão apressada.

É sempre bom recorrer aos exemplos da História, como o caso do incêndio do Reichtag ou, bem mais recente, o caso das célebres armas de “destruição maciça” de Saddam.

Em ambos o caso a técnica foi a mesma:

- encontrar um acusado “credível”, os “comunistas” no caso alemão [até puseram no lugar um louco de passado comunista], um ditador sanguinário, no caso do Iraque;

- apresentar “provas” “credíveis”, que consigam enganar toda a gente, explorando receios e preconceitos ideológicos, repetindo a “mentira” da “prova” até esta se tornar verdade;

- diabolizar os que duvidam dessas “provas”, acuasando-os de serem mal informados ou aliados de ideologias assassinas e de ditadores, impedindo assim, pela “superioridade moral”, qualquer tentativa de análise contrafactual.

Em situações como a do caso britânico, a pergunta não deve ser se Putin era capaz de o fazer, mas em que é que esse acto o beneficiava, a não ser que se considera Putin um idiota.

A resposta a esta última questão é a de que Putin era capaz de o fazer, mas em nada podia beneficiar com esse acto, porque, pode-se não gostar de Putin e de tudo o que ele representa, e nós já aqui escrevemos várias vezes que não gostamos, mas ele não é um idiota.

O crime ocorreu em plena campanha eleitoral russa, e a sua divulgação só podia prejudicar a sua eleição.

Por outro lado, numa situação de crescente isolamento da Rússia, devido ao caso Ucraniano e à sua intervenção na Síria, não lhe interessava agravar essa situação.

Por último, se Putin estivesse interessado em mostrar a sua força face ao “ocidente” tinha outras formas mais sofisticadas e credíveis de o fazer.

Até agora não existe uma prova credível do envolvimento russo nesse condenável acontecimento e tudo o que tem acontecido é atirar areia aos olhos da opinião pública.

Então quem ganha com esta situação?

Sem duvida o poder politico britânico, que assim pode desviar as atenções do descalabro a que está a conduzir o país, numa altura em que decorrem as negociações do Brexit.

Claro que isto não quer dizer que tenham sido os serviços secretos britânicos. Mas existe um claro aproveitamento politico de certos sectores políticos britânicos para ganharem credibilidade internacional à custa deste lamentável caso.

Por detrás deste caso podem estar serviços secretos de países inimigos da Rússia,  máfias russas, "putinistas" descontrolados, adversários internos de Putin ou quem queira agravar a já de si pouco credivel diplomacia russa.

Tudo é possível, mas só um inquérito independente, que explore, sem preconceitos, todas as hipóteses, e sem explorar apenas a pista dos “suspeitos do costume” é que pode tornar credível uma explicação para a situação.

Até lá, todas as conclusões e todos os aproveitamentos políticos da situação só servem para destruir [convenientemente ?...} provas e agravar a já de si muito perigosa situação internacional.

segunda-feira, 26 de março de 2018

Da Guerra esquecida do Iémen, à guerra esperada contra o Irão

A situação na Síria tem feito esquecer,de forma conveniente diga-se, a tragédia do Iémen

De forma "conveniente", porque, neste caso, quem mata crianças é um "amigo" do "ocidente" e de Israel, a Arábia Saudita.

Se a guerra na Síria tem sido humanamente devastadora e criminosa, com responsabilidades do regime criminoso de Assad e da Rússia de Putin, mas também com a "colaboração" do ocidente e de um país da NATO, a Turquia, a guerra no Iémen é uma "Síria" ao "quadrado", pouco se sabendo sobre o que aí se passa, porque, desta vez são os "amigos" do "ocidente" os grandes responsáveis pela carnificina. 

Num Médio Oriente envolvido em conflitos cada vez mais descontrolados, criminosos e sangrentos, já só falta que os novos falcões nomeados por Trump nomeados para a sua administração, declarem uma "esperada" guerra contra o Irão, nem que seja para distrair a opinião pública dos casos sexuais do presidente norte-americano e da contestação crescente contra a influente Associação defensora de armamento vendido a civis.

quarta-feira, 21 de março de 2018

Ainda há espaço para celebrar a poesia?



Hoje é o Dia Mundial da Poesia.

Um dia depois de chorarmos a morte do último rinoceronte branco, símbolo de uma humanidade incapaz de preservar um planeta perdido para consumos egoístas, ainda há espaço para celebrar a poesia?

Quando se repetem imagens de atentados no Afeganistão, de crianças mortas na Síria, de perseguições à liberdade, de vidas indignas, ainda há espaço para celebrar a poesia?

Num mundo governado por nomes sem rima como Putin ou Trump, Erdogan ou Orban, Maduro ou Temer, pergunto-me se ainda há espaço para celebrar a poesia?

Numa Europa que rima com cifrão e corrupção, ainda há espaço para celebrar a poesia?

Talvez, se procurarmos a rima pela nossa janela e o verso pelos nossos sonhos.

Sim, ainda há espaço para celebrar a poesia, o último grau de esperança para  reencontrar a nossa humanidade perdida.

segunda-feira, 19 de março de 2018

Putin, um “Frankenstein” criado pelo “ocidente”.



Foi o "ocidente" que "criou" Putin.

Em muitos aspectos, a ascensão de Putin tem paralelo com a ascensão de Hitler nos anos 30.

Claro que os tempos são diferentes, a retórica é diferente e, felizmente, Putin não é (ainda?!!!) um “novo Hitler”.

Mas os erros cometidos pelo “ocidente” com a Rússia pós-soviética foram muito semelhantes com os erro cometidos pelos aliados vencedores da primeira-guerra em relação  à Alemanha.

Os “aliados” humilharam a Alemanha com o tratado de Versalhes. O “ocidente” humilhou da mesma maneira a Rússia derrotada na “Guerra Fria”.

A forma como o “ocidente” expandiu a NATO para as fronteiras da Rússia e como apoiou todos os movimentos de autonomia para criação de Estados falhados (como a Bielorrússia, a Geórgia, o Cazaquistão, a Moldávia ou a Ucrânia, entre outros) à custa da desagregação da Rússia, contribuiu para a humilhação dos russos. Curiosamente os argumentos usados pelo “ocidente” a favor dessas independências contra-natura, tanto no caso Russo, como no caso da Jugoslávia, parece que já nãos servem a esse mesmo “ocidente” nos casos da Catalunha, da Flandres ou da Escócia (embora as opiniões tenham vindo a mudar neste último caso, mas agora porque querem humilhar  a Grã-Bretanha do Brexit…).

Também a forma como o ”ocidente” pactuou com o descalabro económico da Rússia pós-soviética, negociando com os oligarcas e as máfias que se expandiram à custa da corrupção e do descalabro social e económico desse país, em muito contribuíram para desacreditar o “modelo ocidental”.

Curiosamente os políticos e empresários ocidentais nunca se interrogaram sobre a origem desses oligarcas e das suas fortunas, a maior parte deles, curiosamente, antigos responsáveis pelo aparelho de estado soviético, agora convertidos ao capitalismo selvagem.

Com o desemprego e a pobreza a expandirem-se rapidamente pela Rússia, chegando mesmo a assistir-se a um fenómeno raro na transição do século XX para o século XXI, como o drástico retrocesso na esperança média de vida nesse país, era óbvio que, tal como aconteceu na Alemanha pós-primeira guerra, o caminho estava aberto para o aparecimento de um “salvador”.

Que essa “salvador” seja, por agora, Putin, até é uma sorte para o “ocidente”.

Hoje, mesmo com fraudes pontuais, é obvio que Putin tem o apoio da maior parte dos russos que, mesmo repudiando o comunismo e a era soviética, já colocam Estaline num pedestal, sendo até muito mais popular que Lenine ou Gorbachev.

Até no caso da anexação da Crimeia e da participação da guerra da Síria podemos ver, pesem as diferenças, semelhanças com a história da ascensão de Hitler ao poder.

Na Crimeia podemos ver semelhanças com a crise dos Sudetas, quando Hitler ocupou parte da Checoslováquia dominada por populações de origem alemã.

Na Síria “repete-se” a situação da Guerra Civil espanhola, usada pelos nazis para ensaiar novo tipo de armas, tal como acontece hoje na Síria como os russos.

Recorrendo à humilhação , à corrupção e até à manipulação informativa ( tal como repetem hoje em relação à Grã-Bretanha do Brexit) os políticos ocidentais parece que desconhecem a história do continente  e da civilização que dizem defender, chocando os “ovos das serpentes” que um dia, se não arrepiarem caminho, nos podem “devorar” a todos!

sexta-feira, 16 de março de 2018

Última intervenção de Marielle Franco antes de ser executada no Rio de Janeiro

Assassinada no passado dia 14 de Março, Marielle Franco (1979-2018) era uma das mais conhecidas defensoras  dos Direitos Humanos e da causa feminista no Brasil.

Militante do Partido Socialismo e Liberdade tinha sido eleita vereadora da Câmara do Rio de Janeiro nas eleições municipais de 2016.

Era uma das criticas da polémica intervenção militar nos bairros mais problemáticos, denunciado os abusos da policia e dos militares.

Nascida num bairro problemático, começou a trabalhar aos 11 anos e formou-se na área de sociologia, com um mestrado.

O seu assassinato terá sido encomendado, sendo baleada por quatro vezes na cabeça, quando saia de uma sessão pública. O motorista que a acompanhava, Andersen Gomes foi igualmente assassinado.

Segundo a organização Human Rights Watch, este assassinato demonstra a "impunidade existente no Rio de Janeiro" e o "sistema de segurança falido" do estado brasileiro.

Quem procurar pelo seu nome no Youtube encontra várias mensagens de ódio contra Marielle, algumas já postadas após a sua morte.

Aqui divulgamos uma das suas últimas intervenções públicas:

Debate sobre a Requalificação da Praia Formosa, em Santa Cruz

quinta-feira, 15 de março de 2018

Sai a “pomba” entram os “falcões”.



Muitos analistas consideravam o secretário de Estado norte-americano Rex Tillerson como uma “pomba” entre “falcões”, e era a "prova" de que a politica internacional de Trump, apesar de toda a retórica agressiva deste,  ia continuar a respeitar os seus aliados e os seus compromissos.

Ao substituir Tillerson por Mike Pompeo, todos os que ainda tinham alguma esperança na prevalência do bom senso nas relações internacionais com a actual administração norte-americana se esboroam.

Pompeo é um ultra-conservador, membro activo da NRA ( a poderosa associação defensora do armamento de civis) e do Tea-Party , apoiante das politicas ambientais de Trump e da linha dura contra o Irão e defensor do rompimento do acordo nuclear com este país.

Por outro lado, depois de Pompeo liderar a CIA durante um ano, o presidente nomeou para liderar esta agência outra figura controversa, Gina Haspel, conhecida responsável por uma organização encarregue das actividades secretas e sujas da CIA, o Serviço Clandestino Nacional, e que liderou uma prisão secreta daquela organização na Tailândia, responsável pelo uso da tortura contra suspeitos de terrorismo, tendo, aliás, mandado destruir as gravações dessas sessões.

Depois da retórica belicista, com estas nomeações parece que Trump vai passara à acção.

Adivinham-se tempos [ainda mais] perigosos.

quarta-feira, 14 de março de 2018

Stephen Hawking ( 1942- 2018) :O “Gigante” já não vive entre nós


Faleceu hoje, aos 76 anos, Stephen Hawking, o maior pensador da nossa geração.

Nos útimos cem anos a obra e as descobertas revolucionárias de Hawking só são comparáveis à obra de Albert Einstein.

Mas, para além dos seus conhecimentos e do grande contributo que deu para a ciência e o avanço da humanidade, ele foi um exemplo para muita gente, pela coragem com que enfrentou e combateu uma grave doença, diagnosticada quando tinha apenas 21 anos, e que limitou gravemente a sua qualidade de vida.

A esclerose lateral amiotrófica que o vitimou paralisou-lhe os músculos do corpo, situação agravada mais tarde quando perdeu a capacidade de falar, na sequência de uma pneumonia contraída numa vista ao CERN da Suíça.

Com a colaboração de colegas cientistas e revelando uma forte força de vontade, passou a comunicar através de um sintetizador de voz e foi através desse recurso que conseguiu escrever e estudar.

Quando a doença lhe foi diagnosticada deram-lhe dois meses de vida, situação que ele conseguiu contrariar com uma enorme força de vontade, tendo viajando pelo mundo e vivendo  sendo pai de três filhos e avô de três netos.

Nem todas as suas teorias estão isentas de polémica, algumas nunca foram cientificamente comprovadas e alguns investigadores acusavam-no de se comportar muitas vezes mais como estrela pop do como cientista.

Com a morte de Hawkings morre um dos últimos gigantes da humanidade, “espécie” cada vez mais rara neste século XXI, um século que foi prometedor mas que se tem revelado um período fértil para a proliferação de “liliputes” de todo o género e em todas as áreas.

Por isso, esta é uma grande perda para a Humanidade e para a Ciência.

Aconselhamos a todos, para além da leitura ou releitura da sua obra, ou de uma visita ao filme autobiográfico “Teoria de Tudo”, uma visita ao seu site oficial AQUI.



Stephen Hawkings e Jóhann Johansson , o "reencontro" !

O que há de comum entre Stephen Hawking, hoje falecido, e o compositor islandês Jóhann Johansson?

- O filme "Teoria de Tudo" (2014), do inglês James Marsh!

Hawking foi o biografado nesse filme e Johanson foi o responsável pela banda sonora, recebendo por isso um Globo de Ouro e sendo nomeado para os óscares em 2015.

Em comum também tiveram o ano da morte.

 Johansson, compositor nascido em Reykiavik em19 de Setembro de 1969, (ver mais AQUI) faleceu, com apenas 48 anos, em Berlim no último dia 9 de Fevereiro deste ano, depois de nos ter deixado 15 albuns e sendo responsável pela banda sonora de vários filmes. Pouco mais de um mês depois falecia, aos 76 anos, o famoso cientista Hawkings.

Hoje, quem sabe, talvez se voltem a encontrar, Johanson ao piano e Hawking falando-lhe da "Teoria de Tudo".

Que descansem em paz!:

terça-feira, 13 de março de 2018

“desdiabolizar” o CDS



Nos idos de 74, quando apareceu o CDS, para o pessoal das esquerdas, entre os quais me incluía ( e incluo), sendo que estão  era tudo de “esquerda” , não existindo nenhum grupo político que não incluísse alusões ao “socialismo” ou, no mínimo, ao “social”, aquele partido surgiu como o partido mais à direita, mesmo que o pretendesse disfarçar com o tal “Social” (Centro Democrático Social).

Apesar do “disfarce” do “Social”, nós, os “esquerdistas”, não tínhamos ilusões, e todos o encostávamos à “extrema-direita” (com os seus concorrentes directos, o PDC [Partido Democrata-Cristão], o Partido Liberal e, algum tempo depois, os clandestinos e terroristas do ELP e do MDLP) .

Quem na altura olhasse para os líderes locais e nacionais desse partido, aquela classificação do CDS como a “direita da direita” era confirmada por nele se encontrem, em grande maioria, os “órfãos” do Estado Novo e da União Nacional.

Com a evolução da nossa democracia e com o atenuar da intolerância e do radicalismo ideológicos que marcaram os primeiros tempos da democracia, fomos-nos habituando a integrar aquele partido na esfera democrática, tendo para isso contribuído a então muito discutível atitude de Mário Soares de formar um governo de coligação com o CDS.

Pessoalmente, perdi os complexos em relação àquele partido, por um lado quando a ele se ligaram alguns amigos meus e, em especial num determinado momento, aí pelos idos de 80, quando assisti a uma aula de Adriano Moreira, uma das melhores a que assisti, tendo convivido com ele durante um almoço que se seguiu àquela aula.

Hoje, se lermos as opiniões de lideres históricos daquele partido, como Freitas do Amaral ou Bagão Félix, para além do acima referido Adriano Moreira, soa-nos ridícula a classificação do CDS como partido da extrema-direita, tão ridículo como chamar ao PCP ou ao Bloco de Esquerda partidos de extrema-esquerda.

Isso não quer dizer que o CDS não esteja nos antípodas políticos dos nossos valores de esquerda, nem que os seus militantes neguem o seu posicionamento politico à direita.

Talvez porque a deriva direitista do PSD tenha sido tão acentuada com a presidência de Passos Coelho, muitas das propostas programáticas que o CDS aprovou no congresso do passado fim-de-semana acabam por o colocar mais à “esquerda” do que o passos-coelhismo, recuperando algumas das preocupações sociais que eram apanágio, apesar da prática contrária dos seus governos, da história do PSD, prática essa destruída por Passos Coelho e que agora, com imensa dificuldade, Rui Rio procura recuperar.

As próprias questões fracturantes, que anteriormente muito distinguiam a direita da esquerda, como as questões de género ou das opções sexuais , deslocaram-se hoje para o interior do CDS.

Não sei se foi a direita que, perante o trauma da “troika”, virou “à esquerda” para disfarçar o seu colaboracionismo, se foi a esquerda que se “centrou” com a “geringonça”, mas é um facto que o CDS aprovou neste congresso muitas propostas que até podiam ser subscritas pela esquerda, como as preocupações com o ambiente ou a defesa de uma regionalização que combata a desertificação do interior.

Deve-se, aliás, a Assunção Cristas uma das frases mais emblemáticas do congresso e que até podia ser subscrita por qualquer homem ou mulher de esquerda, ao recusar  responder a mais “questões sobre como concilio trabalho e família, até ao momento em que a questão seja colocada aos homens que são pais e têm uma vida profissional e pública activa”.

A prestação de Assunção Cristas neste congresso até quase fez esquecer as responsabilidade do CDS e da própria Cristas no descalabro social provocado pelo governo “troikista”  liderado por Passos Coelho ou o facto de, nesse governo, ao ser solidário com ele, ter abandonado à sua sorte o eleitorado que sempre reivindicou, o da classe média e  dos pensionistas, os mais atingidos por esse governo.

Ao contrário do PSD, o CDS soube demarcar-se da herança desse ignóbil governo, surgindo assim como alternativa “credível” de direita ao próprio PSD, ainda desorientado pelo que lhe aconteceu e continuando preso àquela trágica herança.

Foi pena que a esquerda à esquerda do PS se tivesse prestado ao triste espectáculo de recusar o convite para assistir ao congresso. De uma vez por todas, seria importante que a esquerda deixasse de diabolizar o CDS e, para melhor o combater, o começasse a levar a sério.

Mais do que com Rui Rio, a esquerda tem agora um adversário de peso no CDS e é bom que não se deixe adormecer à sombra dos êxitos da “geringonça”.

sexta-feira, 9 de março de 2018

quarta-feira, 7 de março de 2018

Sou da Geração Tv ..mas pouco!



Comemora-se hoje o 61º aniversário do inicio das emissões regulares de televisão em Portugal.

Tendo nascido pouco mais de um ano antes dessa data, posso dizer que faço parte da “geração tv”, já que, sempre me lembro da existência desse meio de comunicação.

Contudo, considero-me mais “filho da rádio” do que da televisão, pois, até meados da década de 70 as emissões de televisão só se iniciavam no final da tarde, e, durante todo o dia, a nossa companhia era a rádio.

Enquanto criança, lá em casa não nos deixavam ver televisão depois das 10 da noite, a não ser em dias especiais, nos dias do festival da canção, das grandes finais do futebol ou em emissões históricas, como a da chegada do homem à Lua.

Inicialmente lembro-me de ver pela primeira vez televisão nos cafés locais, nomeadamente no “Sagres”, que ficava na Avenida, a seguir ao “Napoleão”, onde a família se deslocava regularmente nas tardes de Domingo.

Mais tarde via televisão na casa dos meus avós, também aos domingos, único dia da semana em que a televisão abria à tarde, entre a programação infantil e cinematográfica, tudo, recorde-se, a preto e branco, situação que durou até 1980, também num dia 7 de Março.

Depois, finalmente, os meus pais lá compraram uma televisão para casa, então um investimento vultoso, pago a prestações.

Então, sem preocupações cronológicas, lembro-me dos filmes de Joselito, dos clássicos do cinema português, do Feiticeiro se Oz ( a preto e branco, claro), dos desenhos animados da Disney, do Perna Longa, do Bip.Bip…, de programas como o ZIP ZIP, dos concursos televisivos, num dos quis a minha mãe foi uma das concorrentes, tendo ficado em segundo lugar (chamava-se, que me lembre, “Grande Poeta é o Povo” e era apresentado por Artur Agostinho), dos grandes jogos do futebol europeu,  do mundial de 1966, dos Jogos Olímpicos (os de Tóquio em 1966 são os primeiros de que me lembro), das “conversas em família” de Marcelo Caetano, das sempre emocionantes edições em directo da missão Apolo, dos grande funerais de figuras publicas, como o de Salazar, dos Festivais da Canção e das emissões (em diferido) dos Óscares.
Apesar de tudo, as minhas memórias desses tempos são mais radiofónicas do que televisivas, como aconteceu com o 25 de Abril.

Enfim, nasci com a televisão, mas a minha memória partilho-as com outros meios de comunicação como a rádio, as revistas, ou os jornais.

Hoje a televisão é cada vez mais ruido do que (in)formação, com a honrosa excepção dos canais públicos.

A Vida Torriense nos Caracteres da Imprensa Local (finais do Século XIX) (1885-1890) - Março de 1888.