Os dias que rolam, numa visão plural, pessoal e parcial de um mundo em rápida mutação. À esquerda, provocador e politicamente incorrecto, mas aberto à diversidade...as Pedras Rolam...
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sexta-feira, 17 de março de 2023
sexta-feira, 18 de outubro de 2019
Pela Catalunha!
O direito de um povo, com a sua própria cultura , a sua língua e a sua história, a tornar-se
independente, é um direito humano e internacional.
Esse direito não pode ser confundido com o nacionalismo xenófobo que
cresce por aí.
O velho e retrógrado nacionalismo não é aquele que defende a maior
parte dos catalães. Pelo contrário, esse velho nacionalismo está presente em Espanha,
mas entre os defensores de uma “Espanha Una e Indivisível”.
O povo da Catalunha tem direito a escolher se quer ser independente ou
se quer continuar a ser uma região autónoma dentro desse país que é a Espanha.
Contudo esse direito a escolher tem-lhe sido negado.
Se querem realizar um referendo, o governo espanhol impede-o. Se querem
decidir com base nas instituições democráticas, isto é, no seu parlamento, o
governo espanhol não reconhece essa decisão.
Ou seja, o governo espanhol não tem permitido saídas democráticas e
institucionais para a situação.
Pelo contrário, lança achas na fogueira, como aconteceu agora ao
condenar com penas exageradas os líderes do patriotismo catalão, num momento em
que o assunto parecia cair no esquecimento.
A responsabilidade pela radicalização da situação catalã é toda do
governo espanhol e dos seus partidos tradicionais, que têm sido incapazes de
lidar com a situação de forma democrática e racional.
Seja qual for desfecho desta situação, não há que esquecer o essencial:
os catalães têm de poder optar pelo seu futuro, seja através das suas
instituições legitimamente eleitas, seja através de um referendo.
E em relação à posição da União Europeia neste assunto, esta não pode
defender a soberania da Letónia, da Estónia e da Lituânia, a desagregação da
Jugoslávia em vários Estados independentes, a separação da Checoslováquia ou
incentivar a independência da Escócia e da Irlanda do Norte para combater o “Brexit”,
e fechar os olhos em relação ao que se passa na Catalunha.
Deixem os catalães escolher, enquanto ainda existe espaço para que essa
escolha seja feita democrática e livremente.
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segunda-feira, 30 de setembro de 2019
¿Pintas o dibujas? Um Exposição da BD espanhola na Corunha
BêDêZine: ¿Pintas o dibujas? (clicar para ler e ver).
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quinta-feira, 26 de setembro de 2019
A “Praça do Humor” na Corunha (Galiza)
BêDêZine: A “Praça do Humor” na Corunha (Galiza): Existe na cidade da Corunha uma curioso espaço. Trata-se da Praça do Humor, uma homenagem à arte de fazer rir e da caricatura nas suas mais diversas vertentes (clicar em cima para ver e ler mais).
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segunda-feira, 29 de abril de 2019
Eleições em Espanha: a “esquerda” convenceu…mas vencerá?
As eleições em Espanha deram uma vitória significativa ao PSOE, mas o
seu resultado deixa muitas interrogações em aberto em relação ao futuro
politico daquele grande país.
De facto o PSOE, que se encontrava em declínio, encontrou um novo fôlego que se deve, em grande parte, ao facto de ter virado à esquerda e ter afastado os velho barões, muitos deles
envolvidos em escândalos de corrupção.
Conseguiu assim travar o avanço do PODEMOS, que foi um dos derrotados
da noite, embora se mantenha em condições de participar numa grande coligação
de esquerda.
Se o PSOE trair os seus eleitores, aliando-se aos oportunistas do
“Ciudadanos”, o PODEMOS pode voltar a recuperar o seu peso perdido.
No total, toda a esquerda (incluindo os pequenos partidos regionalista,
com destaque para a Esquerda Republicana da Catalunha que elegeu 15 deputados),
tem, no seu conjunto, a maioria absoluta do parlamento espanhol.
À direita o PP foi o grande derrotado, ao optar por uma estratégia de
viragem à direita, aproximando-se da extrema direita, de onde, aliás, nasceu
como partido.
Aquele que era o tradicional espaço do PP, um partido muito mais
direitista do que os nosso partidos da direita, com origem no velho franquismo,
envolvido em graves processos de corrupção, fragmentou-se em três partidos.
O “novo” Ciudadanos, um partido
de oportunistas e neoliberais, foi um dos vencedores da noite.
Outro vencedor foi o partido da extrema direita VOX, mas sem conseguir
o que almejava, 70 deputados eleitos, e ficando longe daquilo que muitos
vaticinavam, os 30 deputados, ficando-se pelos 24.
A extrema direita espanhola, que até agora se acolitava no seio do PP,
consegui agora autonomizar-se, rompendo a excepção ibérica em relação ao avanço
dessa tipo de partidos.
(Em Portugal o VOX, que só encontra paralelo no partido do Ventura,
encontrou um estranho aliado, o deputado e candidato europeu do CDS Nuno Melo).
Está nas mãos do PSOE a difícil tarefa de conciliar a esquerda,
resolver o problema catalão, desmascarar os oportunistas do Ciudadanos, travar
o avanço da extrema direita e resolver a difícil situação económica e social
que a Espanha enfrenta.
A esquerda convenceu o eleitorado espanhol, que, contrariando outra
tendência, ocorreu em massa às urnas de voto (mais de 75% de votantes),mas ainda
lhe falta muito para se declarar vencedora.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2018
A extrema-direita à nossa porta.
A Andaluzia é uma das regiões espanholas que partilha uma grande parte
da nossa fronteira com a Espanha e é uma das regiões que, a par da Galiza, mais
contactos mantém com Portugal.
A população dessa província espanhola , 8 milhões de habitantes, é
quase tanta como a totalidade da população portuguesa e elegeu um número inédito
de deputados da extrema-direita, do partido Vox, para o parlamento local, dando
assim um forte incentivo ao crescimento nacional desse partido, recém criado, e
que dá voz à extrema direita espanhola, até agora muito marginal ou dissolvida
no PP.
Para os comentadores que, até há pouco tempo, juravam a pés juntos que
a Península Ibérica não seria contaminada pelo fenómeno do populismo da extrema-direita,
argumentando como justificação para isso a vacina dos povos ibéricos contra essa
mesma extrema direita, por causa de se terem livrado recentemente de duas
ditaduras dessa área política, o resultado do Vox destruiu esse argumento.
O crescimento da extrema direita por cá só espanta quem anda mal
informado e afastado das “massas”.
Basta ouvir as conversas de rua e ler os comentários das redes sociais
para se perceber que o caminho está aberto para o aparecimento de um qualquer “salvador”
e populista da extrema-direita.
Em Espanha foi o descalabro do PSOE e do PP que muito contribuíram para
o “fenómeno”.
Na Andaluzia os socialistas, que dominavam a região há 36 anos,
apesar de ganharem as eleições, perderam centenas de milhares de votos,
principalmente par a abstenção, e não têm maioria para governar, face à soma
dos partidos da direita (“Cidadanos”, PP e Vox), estando o caminho aberto para
uma “geringonça” de direita, com o Vox a crescer em protagonismo e a lançar-se
para um bom resultado a nível nacional já nas eleições para o parlamento europeu.
O PSOE da Andaluzia representa o que há de mais corrupto nesse partido
e apresentaram uma candidata que é uma espécie de equivalente local de José
Sócrates!
Por sua vez a facção liderada pela candidata local, a principal
adversária interna de Pedro Sanchez, representa a tendência socialista que, um
pouco por toda a Europa, abdicou dos seus princípios para se render ao poder
financeiro e ao neoliberalismo, com o resultado que todos conhecemos.
Fartos dessa gente, os eleitores da Andaluzia quiseram varrer o PSOE,
dando assim aval ao crescimento do extrema-direita.
Mas também o PP e o “Cidadanos” saíram derrotados da contenda, o
primeiro deixando fugir grande parte do seu eleitorado para a extrema-direita.
O Vox tem, aliás, origem numa cisão do próprio PP, que deixou cair a máscara
democrática, mostrando que a origem do próprio PP enraíza na falange franquista.
O “Cidadanos” que nunca se demarcou do próprio PP, mostrando que não
passa de um PP.2, ficou também muito aquém do seu objectivo, que era o de
ultrapassar o PP, começando provavelmente aqui o esvaziamento de um projecto “cheio
de nada”!
Claro que o Vox ficou longe dos três mais votados, mas o simples facto
de conquistar 12 lugares no parlamento andaluz vai dar-lhe uma visibilidade
nacional que o irá catapultar para outros voos.
A corrupção que tem minado os regimes democráticos, devido à rendição
dos partidos históricos aos mais obscuros interesses financeiros, a forma como
a União Europeia lidou com a crise financeira, lançando no desespero milhões de cidadãos só para salvar esse mesmo sector financeiros e os “mercados”, e o
grave problema da emigração, despoletado pela forma como o ocidente lidou com
África e o Médio Oriente nas últimas décadas, contribuindo para a miséria do
continente negro e as guerras no mundo de maioria muçulmana, contribuíram para acordar
o monstro adormecido que era até há pouco tempo o populismo de extrema-direita.
Portugal passa a ser um caso isolado, até na Península Ibérica, mas o vírus
que já anda à solta nas redes sociais, não demorará muito a espalhar-se pela
frágil democracia portuguesa.
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quarta-feira, 20 de dezembro de 2017
Seja qual for o resultado: …que viva a Catalunha, Rajoy nunca mais!
Portugal deve à Catalunha o facto de ser um país independente (…para o
bem e para o mal…!!).
Além disso, a Catalunha é uma das regiões mais criativas e
culturalmente dinâmica de toda a Península Ibérica.
O actual processo politico tem provocado grande instabilidade e
divisões insanáveis na sociedade catalã e está a destruir toda a dinâmica dessa
grande nação.
Por tudo isso, desejo que o actual processo eleitoral resulte num virar
de página na insustentável situação catalã, principalmente porque os catalães
merecem mais do que aquilo que lhes está a acontecer.
Provávelmente o resultado das eleições de amanhã não vai alterar o
equilíbrio de forças que se vive actualmente naquele país, com a sociedade
dividida salomonicamente entre “unionistas” e “independentistas”.
Se os “independentistas” mantiverem a maioria anterior e vencer um dos
seus partidos, o impasse vai-se manter e única solução é a negociação.
Esta situação será uma derrota para Rajoy e este só terá um caminho:
demitir-se e convocar eleições para a Espanha.
Se, pelo contrário, os “unionistas” tiverem maioria, mesmo parcial, a
situação vai agravar-se e o diálogo vai tornar-se impossível, com Madrid a
fazer gato sapato dos catalães, radicalizando os independentistas, conduzindo a
situação a um desfecho imprevisível.
Mas, se os “unionistas” vencerem, vão ficar a dever essa vitória ao
crescimento eleitoral do “ciudadanos”, um partido da direita neoliberal, o mais
falacioso partido do actual panorama politico espanhol, e só poderá vencer à
custa da redução do PP e do PSOE à irrelevância politica.
Assim, esta será uma vitória de Pirro para Rajoy, que
ganhará…perdendo…e, a prazo, Rajoy só tem um caminho…a demissão e a convocação
de eleições antecipadas para a Espanha.
Resta, no meio da confusão, a inesperada serenidade do “Podemos” que,
nestas eleições, se perfila como partido charneira entre independentistas e
unionistas, o único que pode ter condições para aproximar as duas posições.
Assim, se nem “independentistas”, nem “unionistas” tiverem maioria absoluta, a
votação do Podemos será decisiva e a única a ter alguma utilidade.
Aconteça o que acontecer, o que desejamos para amanhã é …que viva a
Catalunha… e seja o inicio do fim de Rajoy…
terça-feira, 31 de outubro de 2017
A História “repete-se” na Catalunha, primeiro como tragédia (em 1934),depois como farsa(em 2017).
Foi Karl Marx que escreveu que a história se repete duas vezes,
a primeira como tragédia e a segunda como farsa.
Não creio muito nas teorias da “repetição da história”, mas os
acontecimentos na Catalunha parecem confirmar aquela velha e estafada máxima.
Se for verdade que o governo da Catalunha e o seu presidente
Puigdemont, demitido por Madrid, se encontra na Bélgica para pedir asilo politico, estamos perante mais um estranho acto desta “ópera bufa” em que se
transformou a “independência” da Catalunha.
Esta iniciativa do “governo da Catalunha”, agora no “exílio”, foi
antecipada por outra farsa, liderada pelo comediante-mor de toda esta situação,
o incompetente Rajoy e o seu partido, filho legítimo do franquismo, ao nomear
para “governanta” da Catalunha uma das figuras mais odiadas na Catalunha, ( e
numa grande parte da Espanha), a autoritária, a carreirista,e se não
comprovadamente corrupta,a eticamente condenável Soraya Sáenz de Santamaría, braço direito de
Rajoy (houve noticias, não confirmadas, mas também
pouco claras, segundo as quais ela seria neta ou familiar do general franquista J. António Sáenz de
Santamaría, responsável pelos últimos fuzilamentos do franquismo em 1975).
Recorde-se que o seu partido, o PP, representa apenas 8% dos
eleitores catalães.
Convém também recordar que esta triste história não teve
inicio este mês, mas é a consequência da própria acção de Rajoy e do PP que, em
2006, numa acção que teve Soraya como principal protagonista, rasgou o estatuto
autonómico da Catalunha, aprovado em referendo e já aprovado pelo Senado, mas
que foi desvirtuado, iniciando-se assim a crescente tensão entre a Catalunha e
o poder central.
E também convém recordar que essa história não termina hoje.
Toda a situação que se tem vivido em Espanha trouxe ao de
cima o pior dos seus políticos e da sua comunicação social.
O rei foi o primeiro a ser atingido pela crise, mostrando-se
uma figura incapaz de unir os espanhóis e desbaratando o património politico construído pelo seu pai,
que tinha feito da monarquia uma instituição respeitada. Em vez de unir e
pacificar tem contribuído para atear o fogo do nacionalismo, quer o da
extrema-direita franquista, quer o regionalista.
O PP e Rajoy, por sua vez, fizeram estalar o verniz “democrático”
e ”liberal” em que se escondiam a sua verdadeira natureza autoritária de raiz
franquista.
A total desorientação do PSOE, que já vinha de trás, na total
incapacidade que havia demonstrado em dialogar à esquerda, vai implodir, à
medida que os acontecimentos venham a avançar, revelando-se um partido sem
alternativas credíveis, fazendo pouco mais do que de moleta de Rajoy.
O "Ciudadanos" demonstrou a sua verdadeira natureza de partido
direitista, mas que pode ser um dos beneficiados pela desorientação do PP e do
PSOE, tornando-se a única alternativa credível ao eleitorado dos partidos do
centrão espanhol.
O próprio Podemos sai beliscado deste processo, dividindo-se
entre defensores da independência e os que a consideram precipitada, embora
esta última facção ainda seja a dominante.
Pelo contrário, todos os partidos regionalistas vão sair
reforçados deste conflito, o que vai gerar um novo impasse nas eleições
catalães de 21 de Dezembro e reforçar, à distancia, o nacionalismo basco, cujos partidos
votaram contra o Senado na aplicação do artigo constitucional 155 que travou o independentismo
catalão.
A única solução para o conflito seria a realização de um
referendo na Catalunha que clarificasse a vontade dos catalães.
Não deixa de ser curioso que sejam os que se opõem ao
referendo que afirmam que a “maioria” dos catalães está contra a independência.
Então, se é assim, porque temem o referendo clarificador? É que a melhor e
maior sondagem é que é feita em actos
eleitorais democráticos.
O que provavelmente vai acontecer é que as próximas eleições
na Catalunha mantenham ou reforcem o poder dos partidos independentistas,
voltando tudo à mesma.
A não ser que o governo espanhol opte pela repressão, pura e
dura, proibindo partidos políticos e candidaturas. Neste caso a União Europeia tem
a última palavra, a não ser que queira perder toda a sua autoridade e legitimidade
para criticar a falta de democracia noutros lugares ou o direito à
autodeterminação dos povos noutras partes do mundo.
A União Europeia também tem responsabilidades em toda esta
situação:
- por um lado, pelo modo como levou ao descrédito as instituições democráticas, desrespeitando as próprias Constituições nacionais e as escolhas politicas que não fossem do seu agrado, para aplicar, a seu belo prazer, a austeridade do “ajustamento” e as "reformas estruturais", principalmente nos países do sul;
- por outro lado, pela forma como abandonou os principio solidários da subsidiaridade, para agradar aos “mercados”, em detrimento dos cidadãos, e pela forma como desvirtuou a importância das regiões, em detrimento do aumento do poder dos Estados, com o único objectivo de beneficiar a super-nação Alemã e os seus interesses.
Os nacionalismo e populismos de toda a espécie, em crescendo na União Europeia, são "filhos" legítimos dessas politicas.
- por um lado, pelo modo como levou ao descrédito as instituições democráticas, desrespeitando as próprias Constituições nacionais e as escolhas politicas que não fossem do seu agrado, para aplicar, a seu belo prazer, a austeridade do “ajustamento” e as "reformas estruturais", principalmente nos países do sul;
- por outro lado, pela forma como abandonou os principio solidários da subsidiaridade, para agradar aos “mercados”, em detrimento dos cidadãos, e pela forma como desvirtuou a importância das regiões, em detrimento do aumento do poder dos Estados, com o único objectivo de beneficiar a super-nação Alemã e os seus interesses.
Os nacionalismo e populismos de toda a espécie, em crescendo na União Europeia, são "filhos" legítimos dessas politicas.
Na Catalunha a sua história vive a fase de “comédia”, mas a
tragédia pode estar à espreita, pois os políticos espanhóis e europeus, e a
própria comunicação social (veja-se o triste caso do El País), pela forma como se comportaram
em todo este processo, não merecem um pingo de credibilidade por parte dos cidadãos.
...A História continua!!
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sexta-feira, 27 de outubro de 2017
Pelo direito dos catalães escolherem o seu destino
Mais um dia onde as saídas se estreitam cada vez mais, onde as posição
se continuam a extremar, não se vislumbrando uma saída racional e justa para a
situação.
A falta de diálogo e de espírito democrático conduzem a Catalunha e a
Espanha para o abismo.
Parece que a Espanha e os seus líderes nada aprenderam com 40 anos de
democracia.
E a solução é democrática: eleições para a Catalunha e para a Espanha,
seguidas de um referendo na Catalunha onde a sua população possa escolher
livremente o que pretende, se mais autonomia, se a independência.
A não ser que se assista a mais uma reviravolta de ultima hora, não
parece que é essa a solução que se avizinha.
Mais uma vez os burocratas de Bruxelas lavam as mãos do assunto,
abandonando espanhóis e catalães à sorte de políticos incompetentes.
Espero estar cá no dia em que a situação se repita, mas desta vez na
Escócia, para poder comparar os dois pesos e as duas medidas de muitos,
comentadores e políticos, usados para argumentar, dessa vez a favor de uma
Escócia independente que vingue o Brexit, mas invertendo o argumentário que
usam contra o direito da Catalunha escolher o seu destino.
Pela minha parte, não sei o que é melhor para a Catalunha e para a
Escócia, mas sei que catalães e escoceses sabem, e isso, só o diálogo e a
democracia, e o direito à autodeterminação de cada povo, podem resolver.
…tudo o que falta no debate sobre a Catalunha!
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sexta-feira, 13 de outubro de 2017
Os amigos de Rajoy
Estas são algumas das imagens do 12 de Outubro que a imprensa espanhola tentou esconder.
Confessamos que foi dificil recolhê-las e separá-las de imagens mais antigas.
Com alguma pesquisa em jornais espanhois e sites menos comprometidos reunimos aqui algumas das fotografias das manifestações da extrema-direita em Barcelona, (algumas noutras cidades espanholas) ontem dia 12.
Estes são os amigos inconvenientes dos unionistas, mas que se têm vindo a aproveitar do conflito catalão e do discurso cada vez mais radical e nacionalista do governo espanhol.
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quarta-feira, 11 de outubro de 2017
Os patriotas estão em Barcelona, os nacionalistas em Madrid
Dizem que o General De Gaulle afirmou um dia que o “patriotismo é
quando o amor pelo seu próprio povo vem primeiro e o nacionalismo, quando o ódio
pelos demais povos vem primeiro”.
Li algures que essa frase não pertencia a De Gaulle, que a citou o adaptou doutro autor que não consegui identificar. Mas o que interessa é o seu conteúdo, que distingue patriotismo ( e Nação, diremos nós…) de nacionalismo.
Li algures que essa frase não pertencia a De Gaulle, que a citou o adaptou doutro autor que não consegui identificar. Mas o que interessa é o seu conteúdo, que distingue patriotismo ( e Nação, diremos nós…) de nacionalismo.
Nos dias que correm é importante distinguir o sentido dessas palavras,
em vez de as tentar misturar no mesmo significado, como o fazem, por um lado os
fascistas xenófobos em crescimento por essa Europa fora ( mas que,
curiosamente, escondem o seu ideal fascista, consciente ou inconscientemente,
atrás do seu “nacionalismo”) e por outro, todos aqueles que procuram rotular pejorativamente
de “nacionalistas” todos aqueles que criticam os excessos da globalização, o “austeritarismo”
das instituições Europeias e a sua politica a favor do sector financeiro (os
célebres “mercados”) contra os cidadãos
europeus, metendo tudo no mesmo “saco” do “populismo” (outro conceito
abusivamente utilizado por estes).
A confusão tem vindo agora a ser ainda mais acentuado pelos mesmos
comentadores, jornalistas e políticos na forma como tratam a situação Catalã.
E o que confunde ainda mais essa gente é o facto de os catalães afirmarem
o seu patriotismo defendendo o direito a terem uma “nação”, ao mesmo tempo que
defendem o seu direito de se manterem na União Europeia, fazendo tudo de forma
democrática (mas não “legalista”) e pacífica.
É ainda mais curioso ver, ao lado dos defensores da “legalidade
democrática” e do “direito” da Espanha sobre as nações ibéricas, todos os
fascistas e nacionalistas espanhóis, cantando os velhos hinos fascistas e desembainhando
as velhas bandeiras do franquismo, marchando ao lado dos “democratas” do PP,
dos “Cidadanos” ou do envergonhado PSOE, mesmo que, no domingo em Barcelona,
tenham sido “aconselhados” a disfarçar esses símbolos.
E eu pergunto-me: onde está o “nacionalismo”? entre os defensores da “Espanha
Una e indivisível” ou entre os defensores do direito dos Catalães a construírem
a sua “pátria”?
Mas não me admiro com os que confundem tudo, pois são os mesmos que
classificam toda a esquerda como “extrema-esquerda”, classificação tão absurda,
no caso de Portugal (PCP e BE), da Espanha (Podemos e IU) , da França
(Mélanchon) , da Grécia (Syriza) ou até da Grã-Bretanha (Corbyn) e Estados
Unidos(Sanders), como o seria o de classificar o CDS ou o neoliberalismo de
extrema direita.
Uma coisa é ser extremista, outra é ser radical. Existe uma esquerda
que, para ser coerente com os seus valores, deve ser “radical” ( mas não intolerante,
antidemocrática ou antiliberal), assim como existe uma direita radical (mas não
extremista ou intolerante) no seu conservadorismo ou no seu neoliberalismo.
A confusão de conceitos foi sempre usada historicamente pelos fascistas
de todas as tendências (como no pretenso “socialismo” do “nacional-socialismo” )
para melhor fazerem chegar a água ao seu moinho.
Que a mesma confusão seja alimentada por gente “democrática” e “liberal”
já nos parece mais grave, como é grave que, nessa confusão alinhe alguma
imprensa de referência ( em Espanha é triste ver o rumo de um jornal como o El
País…).
Para desmentir todo o tipo de atoardas contra catalães, estes têm vindo a demonstrar uma
grande resiliência face a todo o tipo de provocações e atitudes intolerantes
lançadas pelo governo de Madrid (com o beneplácito da coroa e o silêncio cúmplice
do PSOE), revelando a sua grandeza e que, mais uma vez, são os primeiros a saber recuar para evitar o
desastre, e estender a mão aos “adversário”, colocando agora a batata quente
nas mãos do intolerante Rajoy.
Saberá Rajoy (… e o rei …e o PSOE) estar à altura dos acontecimentos?
Duvido.
Até aqui o “extremismo”, a “intolerância” e o “nacionalismo” tem estado
do lado do PP ( …e do rei …e do silêncio cúmplice do PSOE) e o desejo de
decidir democraticamente, em diálogo e com abertura, tem estado, mesmo com erros pontuais, do lado dos
catalães.
Os patriotas estão na Catalunha. Os nacionalistas em Madrid!
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segunda-feira, 9 de outubro de 2017
Numa Catalunha Dividida, uma única solução democrática: REFERENDO!
A situação na Catalunha parece cada vez mais complicada de gerir, sendo evidente que existe uma profunda divisão na sociedade catalã entre independentistas e "unionistas" (defensores da "Espanha una e indivisível") e o que se passar nos próximos dias vai ter repercussões nas restantes regiões espanholas, principalmente no País Basco.
Até agora a irracionalidade tem marcado as decisões políticas, com a agravante da comunicação social espanhola ter perdido todo o sentido de isenção, como acontece com as televisões ( ver também AQUI) e os ditos jornais de referência, com o "El País" a liderar a "poucavergonhice" da falta de isenção.
Vimos há dias uma grande manifestação, não tanto assumidamente a favor da independência, mas de solidariedade para como as vítimas da intervenção musculada da Guarda Civil em Barcelona, defendendo igualmente o direito democrático de os catalães escolherem livremente o seu futuro.
Dias depois uma outra grande manifestação, com gente de branco, onde se misturaram independentistas e defensores da manutenção da ligação a Espanha, exigiam o que cada vez mais gente exige, o diálogo entre as partes.
(Veja-se, a propósito, AQUI o modo como alguns "nacionalistas espanhóis", mesmo assim, tentaram boicotar esse evento)
Mariano Rajoy continua na sua via cega a caminho do desastre, ele que dirige o partido responsável por se ter chegado aqui ao vilependiar um estatuto de autonomia anteriormente referendado e confirmado pelo parlamento espanhol.
Ontem foi a vez dos defensores do "Estado único e indivisível" se manifestarem em Barcelona, sendo, das três manifestações, a que recorreu,de forma continuada, aos mais fortes ataques pessoais aos adversários e aos slogans mais violentos e radicais, ( ver AQUI a atitude violenta de alguns) não sendo de estranhar que grande parte desta manifestação tivesse contado com gente da fora da Catalunha, despejada em Barcelona em autocarros fretados para o efeito e onde contaram com a presença, mal disfarçada, de gente de extrema-direita (Leia-se mais AQUI).
Não deixa de ser curiosa a maneira como alguns comentadores e jornalistas tentam confundir a opinião pública, tentando meter no mesmo saco os "independentistas" catalães e o nacionalismo xenófobo da extrema-direita em crescimento por essa Europa fora (como o fez, despudoradamente o El País) quando, de facto, o verdadeiro extremismo nacionalista é o dos que defendem o mito da Espanha Una e Indivisível, e que sempre engoliram mal a criação do estatuto de autonomia para algumas regiões espanholas, e que agora se escondem atrás da retórica e de Rajoy e do seu PP, aliás, um partido que tem as suas origens no franquismo.
O que não há duvida é que há uma divisão na sociedade catalã sobre o próximo passo a dar, agravado pela chantagem de sectores financeiros e dos burocratas de Bruxelas.
Quanto a mim, num país democrata, no sei da União Europeia, a única hipótese de resolver a situação a bem é recorrendo à via democrática, ou seja, organizar um referendo onde a vontade do povo catalão seja ouvida, ou seja, exactamente o contrário de tudo aquilo que o governo de Madrid tem vindo a fazer.
Aguardam-se, esta semana, cenas dos próximos capítulos.
quarta-feira, 4 de outubro de 2017
Filipe VI estampa-se na primeira curva
Costuma dizer-se que é nas curvas apertadas que se revelam os bons
condutores.
Essa frase pode ser aplicada à qualidade dos políticos.
O novo rei de Espanha, Filipe VI, na primeira crise grave do seu
reinado, a crise catalã, revelou-se um condutor irresponsável e perigoso.
Não só demorou demasiado tempo a
tomar posição, deixando passar em claro a brutalidade policial desencadeada
contra os catalães, que defendiam o legitimo direito de votarem e escolher o
seu destino, como resolveu tomar partido e lanchar achas na fogueira.
No seu discurso, as acusações pelos graves acontecimento foram todos
para um único lado, esquecendo-se das responsabilidades originais de Rajoy e do
PP, reforçando o argumento deste último e diabolizando os catalães.
Um rei que diz defender um Estado indivisível devia tratar os súbditos todos
por igual e funcionar como elemento apaziguador e conciliador.
No mínimo esperava-se que apelasse ao diálogo entre as duas partes.
Mas aquilo que fez foi legitimar a arrogância e a brutalidade de um dos
lados e aprovar implicitamente medidas excepcionais para a Catalunha, cujo
desfecho vai ser trágico para a Espanha, para a Catalunha e para a Europa.
Com essa atitude, pode manter o território da Catalunha, mas já perdeu os catalães.
Com o seu discurso e a suas atitudes Filipe IV desbarata o trabalho do
seu pai, legitimando uma monarquia imposta pelo franquismo.
É caso para dizer que Filipe VI parece querer passar para a história do
século XXI como Luis XVI para o século XVIII ou Nicolau II para o século XX...um
falhado!
Os espanhóis mereciam um rei mais “marcelo” e menos “cavaco”.
domingo, 1 de outubro de 2017
Força Catalunha
O direito dos povos à autodeterminação é um dos Direitos Humanos
consignado na Carta das Nações Unidas.
Esse direito no seio de um país democrático só se pode manifestar de
uma maneira, pela consulta democrática ao povo e nação que o reivindica.
O Estado espanhol, liderado por um partido, o PP, legítimo herdeiro ideológico
do regime franquista, liderado por um dos políticos mais incompetentes e
irresponsáveis que a Espanha democrática conheceu, o mesmo partido responsável
por tomar medida em relação ao estatuto autonómico que contribuiu para extremar
posições, está a ultrapassar todas as marcas admissíveis num regime europeu e
democrático.
Escudando-se em leis absurdas e inadequadas, o governo de Madrid está a
reagir de forma absurda e antidemocrática ao legitimo direito do povo da Catalunha
de escolher o seu futuro.
Um regime democrático não pode negar o próprio direito democrático e
nenhuma lei pode estar acima ao direito à manifestação democrática do desejo de
um povo.
A única maneira, em democracia, de evitar o extremar de posições e de
evitar o apoio a um independentismo mais radical seria o de permitir a
organização de um referendo democrático onde se pudesse oscultar a legitima
vontade dos habitantes da Catalunha.
Ora o que estamos a assistir é a uma ataque à democracia por parte dum
governo de um pais democrático, com a conivência de uma comunicação social, a
espanhola, totalmente manipulada, e com
a conivência do maior partido da oposição, o PSOE e do silêncio cúmplice da
monarquia.
Sabe-se, aliás, que as noticias que hoje circulam na comunicação social espanhola são
totalmente manipuladas, uma vergonha para essa mesma comunicação social, que inclui
órgãos de referência como o “El País” e o “El Mundo”.
E esse referendo só pode ser feito na Catalunha, consultando os
catalães, e não em toda a Espanha, como, absurdamente, alguns defendem. Era o
mesmo que defender que todos os britânicos participassem no referendo pela independência
da Escócia, que os russos participassem em referendos pela independência dos
países bálticos e da Ucrânia, ou os
turcos referendassem a independência dos curdos, absurdo ainda maior num país
democrático e no seio da União Europeia.
Também é absurdo o argumento de alguns contra o desejo de autonomia da
Catalunha, misturando o nacionalismo autonomista destes com o populismo
nacionalista que grassa pela Europa, confundindo “nacionalismo” com “Nação” e
patriotismo. Esquecem-se que o
nacionalismo populista é o do governo espanhol que recupera o velho slogan
franquista da “Espanha Una e Indivisível”.
Por outro lado, numa Europa das Nações, como o é a União Europeia, mas
onde as decisões que a todos dizem respeito são tomadas por uma elite de
burocratas, geralmente contra os próprios cidadãos, a única forma de ganhar
força negocial a favor dos povos dessas nações é negociar directamente com
esses burocratas, e só as “nações” e os seus representantes o podem fazer,
situação de aumenta o desejo de essas “nações” (como a Catalunha, o País Basco,
a Escócia e os flamengos, entre outros) tomarem o poder nas suas mãos e
negociarem directamente com o centro da União.
Não deixa também de ser curioso ver os mesmos que se opõem ao direito
dos catalães escolherem o seu destino , defenderem o direito da Escócia à autodeterminação,
apenas porque estes defendem a
integração na UE contra o “brexit”. Dois
pesos e duas medidas. Pura hipocrisia.
Os catalães tem todo o direito a escolher o seu destino, e o único modo
de o fazer é através de uma consulta democrática.
A independência será o melhor destino desse povo? Não sei. Mas os
catalães sabem!
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quinta-feira, 21 de setembro de 2017
A Catalunha como perplexidade
Não tenho opinião formada sobre a situação na Catalunha ou sobre o seu
direito à Independência.
Claro que, numa perspectiva histórica e cultural, a Catalunha tem
razões fortes para se considerar uma nação.
Contudo, na actual conjuntura política, quer a espanhola, quer a
europeia, as razões são mais complexas e menos visíveis.
O que me deixa perplexo na actual situação não é tanto o confronto
entre Madrid e Barcelona, mas a forma como esse acontecimento está a ser debatido
e tratado na comunicação social, nomeadamente na portuguesa.
A primeira perplexidade prende-se com a forma como essa mesma
comunicação social tem relegado para segundo plano a gravidade do que está a acontecer
na Catalunha. Se o mesmo acontecesse na Venezuela ou em Angola, tenho a certeza
que o destaque seria outro.
Em segundo lugar, fico perplexo pela diferença de pesos usada no debate
sobre o direito à independência da Catalunha.
Os mesmo que rejubilaram, e bem, com a independência dos Estados Bálticos
em relação à Rússia ou, e mal, com a desintegração da Jugoslávia, ou mudaram de
posição, após o Brexit, em relação ao
mesmo direito à independência da Escócia, classificam agora como uma ameaça a independência da Catalunha.
Em terceiro lugar, fico perplexo pela diferença de pesos usada quando a
mesma atitude antidemocrática é aplicada por Madrid contra a Catalunha ou por
Maduro contra a oposição venezuelana.
O acto irresponsável e arrogante ontem desencadeado por Madrid contra
as autoridades catalães não é muito diferente das atitudes que Maduro toma em
Caracas ou o MPLA em Luanda.
Em quarto lugar, fico perplexo quando se justifica a atitude de Madrid
de impedir um acto democrático e de livre escolha, através de um referendo,
como aquele que os catalães pretendem levar a efeito no próximo dia 1 de
Outubro, recorrendo ao argumento do “cumprimento da lei”.
Talvez seja bom recordar que os estados bálticos, os estados balcânicos
e quase todas as nações do mundo se construíram contra a “lei” de quem os
dominava.
Por outro lado, é em nome da “lei” que Maduro persegue os opositores
ou, num exemplo mais extremo, foi em nome da “lei” que os nazis cometerem todas
as suas atrocidades.
Num estado democrático, como é o espanhol, conflitos como este
resolvem-se democraticamente, isto é, com um referendo onde os catalães possam escolher. Aliás, se como dizem os detractores da independência da Catalunha, a maior parte dos cidadãos da Catalunha não concordam com a independência, então estão com medo de quê??.
Mas Rajoy, que conduziu irresponsavelmente todo o processo, nunca parando de dar tiros no pé e de extremar posições, já demonstrou várias vezes que a democracia só existe quando
serve os seus interesses ideológicos, ou não fosse ele, e o seu partido, os “legítimos”
herdeiros do regime franquista…
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quarta-feira, 20 de setembro de 2017
Solidários com a Catalunha
Rajoy deu um tiro no pé e lançou a democracia espanhola na lama...
O comportamento de Rajoy não é muito diferente do de Maduro e lança a Espanha no caos e vai contribuir para reforçar o independentismo.
Pelo direito democrático de decidir o futuro, estamos com os catalães nesta hora trágica.
Podem seguir os acontecimentos AQUI e AQUI.
O comportamento de Rajoy não é muito diferente do de Maduro e lança a Espanha no caos e vai contribuir para reforçar o independentismo.
Pelo direito democrático de decidir o futuro, estamos com os catalães nesta hora trágica.
Podem seguir os acontecimentos AQUI e AQUI.
A crise política da Catalunha vista em cartoon´s
BêDêZine: A crise política da Catalunha vista em cartoon´s (clicar para ver)
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quarta-feira, 21 de junho de 2017
Francesc Boix, o fotógrafo do inferno
A FORMA E A LUZ: Francesc Boix, o fotógrafo do inferno: Francesc Boix foi o único cidadão ibérico a depor como testemunha de acusação no célebre Julgamento de Nuremberga. (clicar para ler e ver mais).
quarta-feira, 21 de setembro de 2016
O pessimismo realista de Arturo Pérez-Reverte.
O escritor espanhol Arturo Pérez-Reverte esteve em Portugal para participar no Festival Internacional de Cultura em Cascais e promover o seu mais recente romance, dando uma interessante entrevista hoje editada nas páginas do jornal "Público", que pode ser lida integralmente AQUI.
Nessa entrevista, que navega entre excelentes ideias para pensarmos e um pessimismo demasiado negro, mas realista à luz dos nossos dias, Reverte defende, por exemplo, que repensemos, portugueses e espanhóis, o papel da Peninsula no mundo, defendendo um federalismo ibérico como resposta à decadência desse outro federalismo decadente, o Europeu, já que, para ele, a Liberdade está a morrer no velho continente, muito por culpa da classe política medíocre e ignorante da sua história que hoje lidera o projecto europeu.
O seu pessimismo leva-os a profetizar que o ocidente vai perder a guerra com o islão e o regresso do fascismo e do nazismo à Europa nos próximos 20 anos.
Reverte mostra-se aliás muito critico em relação a todas as religiões, vendo na literatura o último refúgio a uma sociedade imbecilizada e governada por imbecis ("Não escrevo para que o mundo seja melhor.Eu escrevo romances em legítima defesa").
Da obra de Pérez-Reverte, escritor espanhol nascido em 1951 e que teve uma carreira premiada e reconhecida como repórter de guerra antes de se tornar escritor, conheço a sua trilogia sobre as Invasões Francesas na Península Ibérica, escritas como autênticas, bem documentadas e intensas "reportagens de guerra".
Refiro-me às obras "O Husardo" (de 1986, editada em Portugal em 2006), " A Sombra da Águia" ( de 1993, com edição portuguesa em 2009) e "Um Dia de Cólera" (de 2007, em português no ano seguinte).
"O Husardo" descreve a história de um soldado hussardo combatendo em Espanha, um libelo intenso sobre a guerra, onde se encontra uma das mais brilhantes descrições de uma batalha, baseando-se o autor na sua própria experiência de repórter de guerra.
"A Sombra da Águia" baseia-se numa história real, a de um grupo de prisioneiros espanhóis obrigados a combater no exército napoleónico na frente russa, em 1812, e que, ao tentarem desertar para o lado russo, provocam um mal entendido, que será interpretado por Napolão como uma acto heroico, uma história escrita com ironia corrosiva.
"Um Dia de Cólera", quanto a mim o melhor livro da trilogia, descreve os célebres acontecimentos do 2 de Maio de 1808, com os fuzilamentos em Madrid, baseando-se numa ampla investigação histórica e onde se faz uma rigorosa reconstituição das ruas de Madrid naquela data.
Existe ainda uma outra obra, não editada em Portugal que tem as Guerras Napoleónicas como tema, mais narrativa e menos ficcionada, "Cabo Trafalgar", de 2004, sobre a célebre batalha marítima.
Nessa entrevista, que navega entre excelentes ideias para pensarmos e um pessimismo demasiado negro, mas realista à luz dos nossos dias, Reverte defende, por exemplo, que repensemos, portugueses e espanhóis, o papel da Peninsula no mundo, defendendo um federalismo ibérico como resposta à decadência desse outro federalismo decadente, o Europeu, já que, para ele, a Liberdade está a morrer no velho continente, muito por culpa da classe política medíocre e ignorante da sua história que hoje lidera o projecto europeu.
O seu pessimismo leva-os a profetizar que o ocidente vai perder a guerra com o islão e o regresso do fascismo e do nazismo à Europa nos próximos 20 anos.
Reverte mostra-se aliás muito critico em relação a todas as religiões, vendo na literatura o último refúgio a uma sociedade imbecilizada e governada por imbecis ("Não escrevo para que o mundo seja melhor.Eu escrevo romances em legítima defesa").
Da obra de Pérez-Reverte, escritor espanhol nascido em 1951 e que teve uma carreira premiada e reconhecida como repórter de guerra antes de se tornar escritor, conheço a sua trilogia sobre as Invasões Francesas na Península Ibérica, escritas como autênticas, bem documentadas e intensas "reportagens de guerra".
Refiro-me às obras "O Husardo" (de 1986, editada em Portugal em 2006), " A Sombra da Águia" ( de 1993, com edição portuguesa em 2009) e "Um Dia de Cólera" (de 2007, em português no ano seguinte).
"O Husardo" descreve a história de um soldado hussardo combatendo em Espanha, um libelo intenso sobre a guerra, onde se encontra uma das mais brilhantes descrições de uma batalha, baseando-se o autor na sua própria experiência de repórter de guerra.
"A Sombra da Águia" baseia-se numa história real, a de um grupo de prisioneiros espanhóis obrigados a combater no exército napoleónico na frente russa, em 1812, e que, ao tentarem desertar para o lado russo, provocam um mal entendido, que será interpretado por Napolão como uma acto heroico, uma história escrita com ironia corrosiva.
"Um Dia de Cólera", quanto a mim o melhor livro da trilogia, descreve os célebres acontecimentos do 2 de Maio de 1808, com os fuzilamentos em Madrid, baseando-se numa ampla investigação histórica e onde se faz uma rigorosa reconstituição das ruas de Madrid naquela data.
Existe ainda uma outra obra, não editada em Portugal que tem as Guerras Napoleónicas como tema, mais narrativa e menos ficcionada, "Cabo Trafalgar", de 2004, sobre a célebre batalha marítima.
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