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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

E O MEU VOTO VAI PARA…


 …Bem!...é mais fácil dizer para onde não vai.

Não vai NUNCA para o André nem para o Cotrim, nem na primeira, nem na segunda volta e, se por azar e desgraça da nossa democracia (Lagarto!Lagarto!Lagarto) as emanações locais, respectivamente, de um Trumpezinho ou de um Mileizinho, fossem à segunda volta, votaria em branco, ou ainda pior.

Na primeira volta o meu voto também não vai, de certeza, nem para o Almirante nem para o  “pequenote”, embora tenha de votar num deles se forem à segunda volta contra um dos anteriores, enfrentando outra escolha difícil se os dois forem à “final”.

A minha dúvida está entre um Filipe, o único candidato capaz mas sem possibilidade de ir à segunda volta ou, se alguma vez por milagre, coisa pouco aceitável para um “comunista”, lá chegasse, teria de enfrentar o inferno na Terra e teria uma presidência ingovernável, e o cinzentão Seguro, o único candidato da esquerda que pode chegar a uma segunda volta e em quem votarei, se aqui chegar, contra qualquer um dos quatro cavaleiros do apocalipse acima mencionados.

Escolher entre estes dois vai ser o meu dilema, numa decisão que só tomarei, como acontece com cada vez mais frequência, na hora de me abrigar para colocar a cruzinha no boletim.

E tenho dito!

sexta-feira, 8 de novembro de 2024

Democracia e (ou?) Trumpismo!


Mais de 73 milhões de norte-americanos, pouco acima de 50% dos votantes, numa população de mais de 330 milhões, votaram em Trump e deram-lhe a vitória.

Com capacidade eleitoral estavam cerca de 240 milhões, tendo votado pouco mais de 140 milhões, dos quais cerca de 3 milhões votaram noutros candidatos que não os dois principais.

É assim a democracia, onde uma “grande minoria” de 22% (em relação à população total) ou de 30 % (em relação aos que têm capacidade eleitoral) pode obter o poder absoluto.

Contudo, quanto mais conhecemos a forma como funciona o sistema eleitoral norte-americano e o seu financiamento, mais perplexos ficamos sobre a verdadeira “democracia” e a “justiça” desse sistema, onde só dois partidos têm oportunidade de vencer, não possibilitando qualquer representatividade de minorias.

Claro que em França e na Grã-Bretanha, como vimos recentemente, a situação não é muito diferente.

É o problema dos sistemas de círculos eleitorais muito restritos, como nestes países europeus, ou do voto indirecto para um colégio eleitoral, como nos Estados Unidos, onde quem tem mais votos, mesmo pela diferença de um único voto, arrecada toda a representividade, dequilibrando a balança da equidade democrática.

Se juntarmos a isso o poder cada vez maior do sistema financeiro sobre os órgãos de comunicação social desse país, outro dos pilares que geralmente se lhe associa, o da “liberdade de expressão”, nos deixa cada vez mais perplexo.

Também por causa disso, nas democracias mais sólidas, existe todo um sistema de contrapesos que impede que uma "imensa minoria" se transforme em poder absoluto. 

Geralmente o que permite algum contrapeso no sistema norte-americano é a separação de poderes, mas alguns desses, como o judicial, estão cada vez mais dependentes do poder político e financeiro, só assim se explicando que Trump nunca tenha sido preso, pelos vários crimes de que é acusado.

Sobra alguma independência dos vários Estados Federais e o forte peso do tradicional associativismo de cidadania, sem esquecer que mais de 70% dos norte-americanos não estiveram com Trump.

Se a tudo isso associarmos o facto de o partido de Trump controlar todos os órgãos políticos (o senado e o congresso), e que esse candidato assumir a ruptura com todo o sistema político democrático norte-americano, a sua vitória, se bem que democrática, não deixa de ser preocupante para quem acredita nos valores de uma democracia saudável, da liberdade, do humanismo, da igualdade e do equilíbrio económico-social.

É a democracia a funcionar, sim senhor, mas também foi a democracia que levou Hitler ao poder, sem esquecer que foram “democracias”, algumas até menos viciadas que a norte-americana, que levaram ao poder Putin, Milei, Bolsonaro ou Órban, e que vai ser a democracia que está à beira de levar ao poder uma Le Pen…

Tempos complicado se avizinham.

Mas, como dizia um amigo meu, já desaparecido, quando os resultados eleitorais não nos agradavam, “não te preocupes, muitos dos que votaram neles [em Trump neste caso] vão sofre mais as consequências nrgativas das sua políticas que tu ou eu”.

terça-feira, 5 de novembro de 2024

Breve reflexão sobre as presidenciais norte-americanas por Pedro Caldeira Rodrigues (jornalista)


"À parte do superficial espetáculo mediático, de um efetivo entretenimento, 
diversos e atentos observadores têm assinalado qual a escolha obrigatória que se coloca aos eleitores norte-americanos nas eleições presidenciais de 5 de novembro de 2024: uma avalanche suprematista, reacionária e autoritária protagonizada pelo candidato do Partido republicano e ex-presidente Donald Trump, ou o prosseguimento de um império neoliberal assolado por fortes desigualdades sociais e pelas bombas norte-americanas que há mais de um ano caem sobre Gaza, e
depois sobre o Líbano.

Diversos académicos e intelectuais de renome interrogam-se crescentemente sobre a sanidade da democracia norte-americana, também devido aos crescentes custos das campanhas que impõem uma espécie de plutocracia e que sugere serem os doadores, os financiadores, quem escolhe antecipadamente o futuro ocupante do Gabinete Oval.

Outros consideram que as instituições estão impregnadas de racismo, fanatismo, corrupção, com opiniões polarizadas num país fraturado. A direita radical insurge-se contra uma elite estatista que acusa de ter falsificado as eleições de 2020, a esquerda militante considera o processo eleitoral antidemocrático devido ao peso de um Colégio eleitoral que favorece os estados pouco povoados.

Começou a evocar-se o espetro da guerra civil, debateu-se o facto de a Constituição ser omissa sobre a possibilidade de reeleição de um Presidente condenado, a dessacralização de instituições profundamente abaladas após o assalto ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021, o controlo do Supremo Tribunal pelo “trumpismo”, ou o recuo no direito de a mulher decidir sobre o seu próprio corpo.

Trump e a constelação que o rodeia preenchem listas de inimigos, apoiados pelos representantes do “capital inovador” e proprietários de redes sociais, onde se destaca Elon Musk. MAGA (Make America Great Again), é o seu slogan, assente na obtenção de dinheiro por todos os meios, também pela exploração desenfreada das riquezas naturais.

Depois, mobilizar o Exército contra os “inimigos internos” e os migrantes, expulsar muitos milhões, perseguir os media e o pensamento desalinhado. A sua rival democrata acusou-o, literalmente, de “fascista”.

Mas após a sua apressada nomeação pelo Partido democrata devido às crescentes deficiências cognitivas de Joe Biden, Presidente em exercício, Kamala Harris não hesitou em convocar centenas de figuras conservadoras ou antigos colaboradores ou colaboradoras de ex-presidentes republicanos, onde se incluem o ex-vice-presidente Mike Pence, um evangélico tradicionalista, John Kelly, chefe de gabinete na presidência de Trump ou Dick Cheney, antigo vice-presidente
neoconservador de George W. Bush, mentor das guerras dos EUA no Afeganistão e Iraque após o 11 de setembro de 2001 e dos programas de torturas secretas da CIA.

Nas primárias do Partido democrata de 2019, onde ocorreu contra Biden e o veterano “esquerdista” Bernie Sanders, Kamala apresentou um programa virado para as classes médias e parte do setor empresarial, com promessas dirigidas à sua esquerda, em particular segurança social para todos ou um New Deal verde.

Entretanto, mudou de posição, e durante campanha eleitoral para as presidenciais recuou na promessa de proteção social global, prometeu expandir o muro fronteiriço, permitir novas prospeções petrolíferas, omitindo as questões climáticas. E foi incapaz de sublinhar uma efetiva e positiva “grande alteração” ocorrida nos últimos quatro anos.

O duo Biden-Harris foi também totalmente cúmplice dos implacáveis bombardeamentos israelitas sobre Gaza que se seguiram ao violento ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 no sul de Israel. Enquanto os protestos eram duramente reprimidos, sobretudo nas universidades, e que denunciavam a mortífera cumplicidade com Israel de Biden, apelidado de “Genocide Joe”, Kamala Harris demonstrava firmeza no apelo à libertação dos reféns israelitas que permanecem em Gaza mas reservas em apelar a um cessar-fogo imediato, e argumentava com o “direito de Israel a defender-se” para justificar o contínuo envio de armamento.

Como na contestação à guerra do Vietname ou ao ‘apartheid’, a causa palestiniana mobilizou os espíritos, fomentou novas solidariedades entre estudantes com diversas perspetivas, judeus e muçulmanos, e causou embaraço na liderança do Partido democrata. As universidades norte-americanas envolvidas nos protestos afirmaram-se como contrapoderes e bastiões de um pensamento livre num país que foi perdendo o hábito de lidar com opiniões divergentes. Uma população atomizada e sob tutela, sintomas de uma democracia doente, carente de revitalização. “Uma primavera americana que arrisca tornar-se num longo outono”, na expressão de Thomas Dodman, professor na universidade Columbia, Nova Iorque.

O apoio, na prática incondicional, da administração Biden-Harris ao genocídio em Gaza e à deriva extremista, colonial e expansionista do Executivo israelita poderá ser determinante para o resultado final em 5 de novembro. Mesmo sabendo que com o regresso de Trump à Casa Branca – apoiado pela influente e milionária corte de teleevangelistas e cristãos sionistas –, Benjamin Netanyahu terá novo alento para prosseguir a “limpeza”, o projeto do Grande Israel e a concretização da profecia bíblica do “regresso do Messias à Judeia e Samaria”, a designação que atribuem à Cisjordânia ocupada".

Pedro Caldeira Rodrigues

4 novembro 2024

quinta-feira, 13 de junho de 2024

Resultados das Europeias de 9 junho 2024 no Concelho de Torres Vedras

                                                     

Resultados TOTAIS

Abstenção – 54,4% -  38 441 eleitores

Brancos –  1,4% 435 votantes

Nulos – 0,9% - 283

Distribuição de Votos

PS - 30,4%  - 9.787 votos

AD - 30,8% - 9.930

CH - 10,6% - 3.404

IL - 10,1% - 3.241

BE - 4,5%  - 1.442

CDU - 4,0% - 1.300

L - 3,8% - 1.219

ADN - 1,4%  - 443

PAN - 1,3%  - 417

VP - 0,2% - 73

E - 0,2% - 58

RIR - 0,2%  - 52

MAS - 0,1% - 34

MPT - 0,1% - 34

PTP - 0,1% - 22

NC - 0,1% - 27

 

Freguesia de A Dos Cunhados

Abst –  55,9% - 5 297

B – 1,3% - 55

N – 0,6 – 26

Distribuição de Votos

PS - 27,6%  - 1.153 votos

AD - 32,7% - 1.370

CH - 13,9% - 582

IL - 9,9% - 414

BE - 3,7% - 155

CDU - 2,9% - 121

L - 3,8% - 160

ADN - 1,4% - 58

PAN - 1,4% - 57

VP - 0,1% - 6

E - 0,1% - 2

RIR - 0,1% - 6

MAS - 0,1% - 4

MPT - 0,1% -4

PTP - 0,1% - 3

NC - 0,1% - 4

 

CAMPELOS

Abst – 61,9 – 1941

B – 1,7 – 20

N – 0,4 – 5

Distribuição de votos

PS - 24,0% - 287

AD - 37,6% - 449

CH - 15,8% - 188

IL - 7,7% - 92

BE - 3,4% - 40

CDU - 2,8% - 33

L - 1,8% - 21

ADN - 2,4% - 28

PAN - 1,1% - 13

VP - 0,5% - 6

E - 0,1% - 1

RIR - 0,1% - 1

MAS - 0,2% - 2

MPT - 0,3% - 3

PTP - 0,1% - 1

NC - 0,2% - 2

 

RAMALHAL

Abst – 55,5 – 1 661

B – 1,4 - 18

N – 1,7 - 23

Distribuição de votos

PS - 34,5% - 459

AD - 25,8% - 344

CH - 12,5% - 166

IL - 8,2% - 109

BE - 4,0% - 53

CDU - 5,2% - 69

L - 3,2% - 43

ADN - 1,8% - 24

PAN - 0,9% - 12

VP - 0,1% - 1

E - 0,3% - 4

RIR - 0,1% - 1

MAS - 0,1% - 1

MPT - 0,2% - 3

PTP - 0,2% - 2

NC - 0,0% - 0

 

MAXIAL

Abst – 64,1 – 1 901

B – 1,4 – 18

N – 1,7 - 23

Distribuição de votos

PS - 38,8% - 413

AD - 24,4% - 260

CH - 10,6% - 113

IL - 6,8% - 72

BE - 4,3% - 46

CDU - 6,5% - 69

L - 3,2% - 34

ADN - 1,0% - 11

PAN - 1,4% - 15

VP - 0,0% - 0

E - 0,8% - 8

RIR - 0,2% - 2

MAS - 0,0% - 0

MPT - 0,2% - 2

PTP - 0,0% - 0

NC - 0,2% - 2

 

SILVEIRA

Abst – 43,2 – 3613

B – 1,4 – 64

N – 0,7 - 31

Distribuição de votos

PS - 30,8% - 1.464

AD - 31,1% - 1.477

CH - 9,9% - 469

IL - 10,3% - 488

BE - 4,3% - 203

CDU - 3,5% - 164

L - 4,5% - 215

ADN - 1,5% - 69

PAN - 1,3% - 63

VP - 0,2% - 11

E - 0,2% - 10

RIR - 0,1% - 5

MAS - 0,1% - 3

MPT - 0,0% - 2

PTP 0,0% - 1

NC 0,1% - 5

 

Ponte Do Rol

Abst – 57,2 – 1 229

B – 1,1 – 10

N – 1,9 - 17

Distribuição de votos

PS - 31,1% - 286

AD - 31,9% - 293

CH - 10,8% - 99

IL - 11,1% - 102

BE - 3,0% - 28

CDU - 3,0% -28

L - 2,4% - 22

ADN - 2,2% - 20

PAN - 0,8% - 7

VP - 0,1% - 1

E - 0,2% - 2

RIR - 0,1% - 1

MAS - 0,1% - 1

MPT - 0,0% - 0

PTP - 0,0% - 0

NC - 0,2% - 2

 

S.PEDRO

Abst -53,2 – 12 206

B – 1,3 – 141

N – 0,8 - 88

Distribuição de votos

PS - 29,3% - 3.157

AD - 29,5% - 3.181

CH - 9,0% - 972

IL - 12,1% - 1.307

BE - 5,4% - 583

CDU - 4,8% - 514

L - 4,3% - 468

ADN - 1,0% - 112

PAN - 1,5% - 164

VP - 0,3% - 27

E - 0,1% - 14

RIR - 0,1% - 14

MAS - 0,1% - 8

MPT - 0,1% - 8

PTP - 0,1% - 9

NC - 0,1% - 6

 

CARVOEIRA

Abst – 52,8 – 1082

B – 1,6 – 15

N – 0,9 - 9

Distribuição de votos

PS - 32,1% - 311

AD - 26,0% - 252

CH - 11,5% - 111

IL - 8,9% - 86

BE - 5,6% - 54

CDU - 7,1% - 69

L - 2,9% - 28

ADN - 1,1% - 11

PAN - 1,3% - 13

VP - 0,2% - 2

E - 0,1% - 1

RIR - 0,2% - 2

MAS - 0,0% - 0

MPT - 0,0% - 0

PTP - 0,1% - 1

NC - 0,2% - 2

 

S.PEDRO DA CADEIRA

Abst – 57,5 – 2580

B – 1,8 – 35

N – 1,4 - 27

Distribuição de votos

PS - 31,9% - 608

AD - 31,0% - 592

CH - 11,0% - 209

IL - 8,3% - 158

BE - 3,9% - 75

CDU - 2,2% - 41

L - 3,8% - 73

ADN - 1,6% - 31

PAN - 1,2% - 22

VP - 0,5% - 9

E - 0,1% - 2

RIR - 0,4% - 8

MAS - 0,4% - 8

MPT - 0,2% - 4

PTP - 0,0% - 0

NC - 0,1% - 1

 

VENTOSA

Abst  - 58 – 2 558

B – 1,7 – 32

N – 1 - 18

Distribuição de votos

PS - 30,8% - 571

AD - 36,6% - 678

CH - 9,9% - 183

IL - 7,1% - 131

BE - 3,7% - 69

L - 2,8% - 51

CDU - 2,7% - 49

ADN - 1,5% - 28

PAN - 0,8% - 15

VP - 0,1% - 2

RIR - 0,3% - 5

MAS - 0,2% - 3

MPT - 0,2% - 4

E - 0,3% - 6

NC - 0,1% - 2

PTP - 0,1% - 2

 

FREIRIA

Abst – 59,9 - 1255

B- 1,6 - 13

N – 1,3 - 11

Distribuição de votos

PS - 29,3% - 246

AD - 39,2% - 329

CH - 10,4% - 87

IL - 6,8% - 57

BE - 2,9% - 24

L - 2,6% - 22

CDU - 2,0% - 17

ADN - 2,0% - 17

PAN - 0,8% - 7

VP - 0,2% - 2

RIR - 0,1% - 1

MAS - 0,2% - 2

MPT - 0,1% - 1

E - 0,1% - 1

NC - 0,1% - 1

PTP - 0,1% - 1

 

TURCIFAL

Abst – 56,4 – 1 712

B – 0,8 – 10

N – 0,7 – 9

Distribuição de votos

PS - 31,5% - 417

AD - 30,2% - 400

CH - 9,1% - 120

IL - 11,3% - 150

BE - 5,0% - 66

L - 3,4% - 45

CDU - 4,3% - 57

ADN - 1,5% - 20

PAN - 1,4% - 19

VP - 0,2% - 2

RIR - 0,2% - 3

MAS - 0,1% - 1

MPT - 0,1% - 1

E - 0,3% - 4

NC - 0,0% - 0

PTP - 0,1% - 1

 

RUNA

Abst – 55,8 - 1712

B – 1,1 - 12

N – 1,1 - 12

Distribuição de votos

PS - 37,2% - 415

AD - 27,3% - 305

CH - 9,4%  - 105

IL - 6,7% - 75

BE - 4,1% - 46

L - 3,3% - 37

CDU - 6,2% - 69

ADN - 1,3% - 14

PAN - 0,9% - 10

VP - 0,4% - 4

RIR - 0,3% - 3

MAS - 0,1% - 1

MPT - 0,2% - 2

E - 0,3% - 3

NC - 0,0% - 0

PTP - 0,1% - 1


sexta-feira, 15 de março de 2024

O Respigo da Semana :

 

O milhão do contra

Por Miguel Esteves Cardoso

“Com que então o Chega obteve um milhão de votos?

Ficámos assim a saber que há um milhão de portugueses que são do contra.

É deprimente? É. Um milhão é muita gente. Mas é um erro tentar apanhar esses votos. São votos do contra. São votos anti-sistema. Só passarão para o PSD ou para o PS no dia em que o PSD ou o PS se transformem em partidos do contra. Que será nunca.

Para o milhão de portugueses que votou no Chega — e para o próprio Chega – os votos obtidos pelo Chega foram uma desilusão e uma derrota.

Queriam ganhar as eleições. Ou ser o segundo maior partido. Não queriam ter menos de 25 por cento. Queriam ir para o governo. Não queriam ficar de fora.

Não tiveram nem 25 nem 20 por cento: só tiveram 18. Desses 18, muitos são abstencionistas que, insatisfeitos com o mau resultado, voltarão para a abstenção e tão depressa não cairão noutra.

A verdade é que o Chega nunca mais terá uma oportunidade como esta. Ver-se-á aflito para segurar o milhão do contra.

São estas as contas que os partidos com inveja dos votos do Chega têm de fazer. É escusado ir atrás dos eleitores do contra. Eles não estão apenas zangados: são mesmo do contra. E agora estão mais zangados ainda: votaram para ganhar. E perderam.

Contra os 20 por cento do Chega, há os 80 por cento que votaram nos partidos que são contra o Chega. Todos os votos em partidos que não são o Chega são votos contra o Chega. E todos os votos do Chega são votos contra os outros partidos.

Contra esses 20 por cento, há os 60 por cento da AD e do PS: o bipartidarismo vale três vezes mais. A moderação vale três vezes mais. O centro vale três vezes mais.

Imagine-se se a AD e o PS se recusavam a formar governo e calhasse ao Chega tentar formar governo. Que poderia fazer um partido só com um milhão de votos, isolado e odiado pelos outros partidos e pelos outros eleitores?

Quem é que poderia querer aliar-se a um tal governo? Ninguém.

Os partidos do contra só sabem ser do contra. Não servem para mais nada”.

(in Público de 12 de Março de 2024)

segunda-feira, 11 de março de 2024

O Ressentimento dá votos


Em momentos como este, recordo-me muitas vezes de uma conversa com o meu saudoso amigo Carlos Cunha : numa dada ocasião, não me lembro qual, em que lamentava determinado resultado eleitoral, respondeu-me: “ Estás preocupado? Descansa, que a maior parte dos que votou neles vai sentir e sofrer mais na pele o que eles vão fazer, do que tu ou eu”.

Como dizia Paulo Raimundo em plena campanha, “não confundimos os eleitores desse partido com o dito partido”, ou, como afirmou ontem Pedro Nuno Santos, “não existem em Portugal 18% de portugueses racistas e xenófobos”.

O que aconteceu foi que esse partido explorou os sentimentos mais primários que cada um de nós sente perante as injustiças do mundo.

Usando a propaganda das redes sociais com eficácia, a demagogia do combate à corrupção (o pior cancro da democracia), o abandono de partes significativas da população à voragem das elites económico/politico/sociais, esse partido conseguiu federar todos os descontentamentos acumulados por governações desastrosas, num mundo onde as grandes decisões económicas e financeiras, que afectam a vida de cada cidadão, estão entregues a instituições não eleitas e sem controle pelos cidadãos, seja o BCE, a Comissão Europeias, ou…o Ministério Público.

Claro que esse partido não tem nada para oferecer ou gente capaz de ir além da propaganda demagógica e da exploração de ressentimentos e sentimentos de intolerância social.

Como partido que fez do combate à corrupção o principal tema da sua campanha, não deixa de ser curioso que tenha , entre os seus principais apoiantes e dirigentes, um “preso por violência Xenófoba”, um líder de uma “rede de tráfico de armas”, detido pela PJ, um “candidato que disparou para matar” acusado pelo Ministério Públio, um segurança do líder “julgado por agressão” e por “sequestro, falsificação de documentos e roubo”, agressões ocorridas numa discoteca nocturna de Torres Vedras, o responsável por uma imobiliária insolvente, com uma dívida de 300 mil euros, um vice-presidente de uma distrital condenado por pequenos furtos e burlas, entre os quais a caixa de esmolas de uma Sé Catedral, outro acusado por ameças a jornalistas e ainda um outro condenado por violência doméstica, sem esquecer um conhecido líder de uma extinta organização terrorista que cometeu crimes de sangue (leiam a reportagem de investigação “A Grande “família” do Chega” publicada no jornal Público de 25 de Fevereiro último).

Infelizmente, guiados pelas redes sociais, vivemos num mundo onde a boçalidade rende mais votos que o debate racional, onde a velocidade de imagens e textos decontextualizados influenciam mais uma opinião que umas horas de leitura atenta, onde o ter conta mais do que o ser, onde todos se atropelam pelos “15 segundos de fama”  e pelo exibicionismo balofo de pequenas vaidades pessoais, onde quem pensa de forma diferente da nossa não é um adversário com quem se dialoga de forma civilizada, mas passa a ser encarado como inimigo contra o qual devemos descarregar toda a nossa raiva intolerante, “valores” inteligentemente explorados para minar a democracia em proveito próprio (será bom recordar que Hitler chegou ao poder através do voto democrático).

Nuno Ramos de Almeida escreveu hoje no Diário de Notícias:

“Foram precisas muitas gerações a lutar, muitas centenas de pessoas presas e torturadas e muitos mortos para termos conquistado a liberdade de palavra e de votar livremente.

“Pela primeira vez, desde há quase meio século, temos um partido claramente contra a revolução democrática com uma grande votação. Não quer dizer que os seus eleitores sejam admiradores do fascismo, quer dizer que muitas promessas desta revolução, interrompida a meio, não foram cumpridas.

“Vivemos, há dezenas de anos, num sistema em que a maioria das decisões económicas estão fora da decisão democrática.

“As pessoas sentem necessidade de protestar contra um sistema que dá sempre quase tudo aos mesmos, embora o seu proteste falhe, no meu entender, o alvo: não são os imigrantes, os ciganos ou as populações dos subúrbios que são culpadas deste falhanço (…). Continuamos a precisar de um sistema mais justo e igualitário que dê a toda a gente o que merece e é necessário”.

Também nos merece a atenção a opinião de António Brito Guterres, nas páginas do mesmo jornal, analisando os “ressentimentos” que estiveram na base do resultado eleitoral da direita intolerante:

“O Chega é de extrema-direita, fruto da visão dos seus ideólogos, mas a maior parte dos seus votantes não o são (…). O ressentimento explorado pelo Chega é cúmplice das atuais hegemonias económicas e um aliado para a sua perpetuação. É um garante de que o bolo cada vez maior da precariedade entre nós não aja numa consciência colectiva que poderia ameaçar o poder instituído.

“A riqueza aumenta, mas concentra-se num grupo cada vez mais restrito de pessoas. Os lucros atingem valores recorde, mas o risco de pobreza sem transferências sociais mantém-se superior aos valores de 1994. O Chega não vai resolver esta décalage, é um aliado sistémico para a sua expansão.

“Querem verdadeiramente combater o Chega? Saiam dos gabinetes, criem saber político instalado, deixem a população participar verdadeiramente, e filiem as pessoas como comandantes de uma mudança social”.

O ressentimento, a intolerância, a desinformação, a xenofobia, não vão construir nada de novo para o país e para as pessoas, vão funcionar apenas como uma válvula de escape para as frustrações colectivas ou pessoais, que nos desviam da verdadeira resolução dos problemas importantes que  temos de enfrentar, na habitação, na educação, na saúde, na solidariedade social, num mundo cada vez mais violento e desigual.

Uma travessia no deserto, à esquerda, pode ser benéfico, se esta souber reflectir sobre os seus erros e conseguir responder aos verdadeiros anseios das pessoas, mesmo daquelas que votaram na extrema-direita.

A democracia tem essa vantagem, não acaba no dia das eleições, respeita as minorias e a liberdade e funciona para além do voto, todos os dias, na sociedade e, como se costuma dizer, existem mais marés que marinheiros, ou, rematando como Carmo Afonso na sua crónica de hoje no jornal Público, o “dia de hoje é de festa para alguns e de profundo pesar para outros (…). É o jogo da democracia. Digo-vos que nem a festa nem o pesar nos podem dispensar de pensarmos bem nisto tudo”.

 

 

 

 

 

 

quinta-feira, 7 de março de 2024

Eu, Indeciso, me confesso…vou votar à esquerda!


Pela primeira vez, em 50 anos de democracia, só vou decidir o sentido do meu voto quando estiver dentro da cabine de voto, frente ao boletim de voto.

Mas o facto de estar indeciso sobre esse voto, não quer dizer que não saiba qual a tendência onde vou votar.

Um dos problemas é viver num distrito que, elegendo 48 deputados, dá mais possibilidades a recorrer menos ao “voto útil” e escolher partidos mais pequenos. Estivesse eu num distrito que elege dois ou três deputados e já tinha feito a minha escolha, sempre à esquerda, mesmo que tivesse que engolir sapos.

E já agora, votar à esquerda porquê?

A ideia de uma educação para todos, de um SNS, de uma maior redistribuição da riqueza, dos direitos do trabalho e sociais, do direito à habitação e a transportes público, a defesa eficaz do ambiente, porque esta só se faz combatendo o lado mais selvagem do capitalismo, é de esquerda, mesmo que, na prática, esta cometa erros, indecisões, incoerencias na defesa desses princípios, e embarque em  negociatas menos claras.

Também é bom não esquecer que a única ditadura que tivemos nos últimos cem anos em Portugal foi de direita e que foi à esquerda que ela foi combatida, com uma ou outra excepção.

Sá Carneiro, que foi uma dessas excepções, já nada tem a ver com a actual direita que o diz representar, envergonhando a sua memória todos os dias (basta ler o muito que ele escreveu e ouvir os discursos e a práticas de um Passos Coelho, de um Cavaco ou de um Durão Barroso…).

O que a direita tem a oferecer é, uns saudosismo salazarista, xenofobia e intolerância, outros entrega de serviços públicos ao lucro privado, benefícios fiscais aos grande grupos económicos (reduzir o IRC beneficia principalmente os grandes empresários) e, embora não o digam hoje, mas sempre praticaram no passado, cortes nos direitos sociais e do trabalho e entrega dos serviços público à voragem dos privados.

Mesmo que agora venham com falinhas mansas, de que “vão aumentar salários e pensões e reduzir impostos”, diz a experiência que, à primeira oportunidade, lá estaremos todos a perder direitos sociais  e a sofrer cortes nas pensões e nos salários.

Claro que subscrevemos muitas das críticas que são feitas a cada um dos partidos de esquerda, que não estão isentos, cada um à sua maneira, de responsabilidades em muitas situações que estão mal na sociedade e na economia portuguesa, mas a solução não aquela que a direita preconiza.

Como se costuma dizer, “para pior já basta assim”.

Por isso eu, indeciso me confesso...mas vou votar à esquerda.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

Eleições 2024 - Evolução das Sondagens

 


 (Fonte : Marktest)
As Sondagens valem o que valem, mas deixamos aqui registado um gráfico que resume a evolução dos resultados obtidos pelas mais credenciadas agências de sondagens portuguesas.


quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

Personalidades pedem compromissos à esquerda com "prazos e objetivos" : “Queremos ver as contas certas de medidas urgentes”


2024 é um ano perigoso. Preocupa-nos a banalização do mal em genocídios que vão escalando. Preocupam-nos as regressões em direitos humanos fundamentais, como o de asilo e de proteção contra as guerras. Preocupa-nos a ascensão da extrema-direita na Europa, nos Estados Unidos, na Argentina e noutras regiões. Preocupa-nos que a voz do Secretário-geral da ONU não seja ouvida para um combate poderoso por uma transição climática justa.

Olhamos por isso para as eleições de março como a exigência de um novo impulso para que Portugal seja um pilar da luta contra a desesperança. Para que, no 50º aniversário do 25 de Abril, seja mobilizada a confiança numa democracia dedicada a criar igualdade e qualidade na saúde e na educação, transparência na vida pública e uma estratégia económica e social inclusiva em que as pessoas não sejam apenas números.

Nesse sentido, apelamos aos partidos de esquerda para que apresentem as suas propostas e divulguem os compromissos que estão dispostos a fazer para resolver problemas que atormentam o país, da precariedade à corrupção, da degradação de serviços públicos à pobreza dos idosos e crianças, da educação aos cuidados de saúde, do funcionamento da justiça à estabilidade nas escolas, das desigualdades entre homens e mulheres e discriminação das minorias étnicas à liberdade da comunicação social e à criação cultural. E divulguem também os mecanismos de controlo que se propõem estabelecer para que nos seja permitido controlar a execução desses mesmos compromissos.

Queremos contas certas de prazos e objetivos desses compromissos, pois sabemos que a democracia não é um jogo político que se faz depois das eleições – a democracia é a decisão informada e exigente nas eleições. A democracia somos nós, o Povo, e só assim podemos vencer as ameaças deste tempo perigoso.

Pilar del Rio, presidente da Fundação Saramago (aqui a título pessoal, como todas as pessoas que assinam)
Eduardo Paz Ferreira, jurista, professor universitário jubilado

Adelaide Chichorro Ferreira, professora universitária
Adelino Gomes, jornalista
Alexandre Delgado, compositor
Alexandre Manuel, jornalista e professor universitário
Alfredo Caldeira, investigador
Álvaro Garrido, diretor da Faculdade de Economia de Coimbra
Álvaro Siza Vieira, arquiteto
Ana Benavente, socióloga
Ana Cardoso Pires, tradutora
Ana Garrett, inspetora do Ministério da Educação
Ana Godinho, professora do ensino secundário
Ana Gomes, diplomata, foi eurodeputada
Ana Maria Bettencourt, professora do ensino superior
Ana Maria Santa-Marta, bancária, reformada
Ana Parada Costa, técnica superior
Ana Paula Arnaut, professora universitária
Ana Paula Vicente, psiquiatra
Anabela Mota Ribeiro, jornalista, escritora
André Carmo, dirigente sindical e professor universitário
Antónia Coutinho, professora universitária FCSH-UNL
António Chora, operário, foi coordenador da CT da Autoeuropa
António Manuel Nunes dos Santos, professor jubilado na FCT-UNL
António Marçal, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Judiciais
António Valadas da Silva, jurista
Arminda Barbosa, secretária de direcção
Áurea Bastos, dirigente sindical
Baceló de Carvalho (Bonga), músico
Bárbara Bulhosa, editora
Bernardo Vilas Boas, médico, dirigente sindical
Carlos Bastien, economista, professor universitário aposentado
Carlos Branco, general
Carlos Costa Brito, engenheiro
Carlos Fino, jornalista
Carlos Fiolhais, professor universitário
Carlos Lobo, professor universitário, foi SE Assuntos Fiscais
Carlos Passos, diretor comercial
Carlos Reis, professor emérito da Universidade de Coimbra
Carlos Trindade, membro da Executiva da CGTP e presidente do STAD
Carlos Vargas, jornalista
Catarina Martins, foi deputada
Céu Gonçalves, técnica superior da FEUP
Conceição Antunes, professora universitária, FCUP
Constantino Sakellarides, médico
Cristina Branco, cantora
David Carvalho Martins, jurista
David Duarte, jurista, professor universitário
Diana Andringa, jornalista
Domingas Rocha de Vasconcelos, arquiteta
Domingos Machado, médico urologista
Eduardo Vera-Cruz Pinto, jurista, diretor da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa
Eliana Madeira, técnica de projectos de intervenção social
Fernanda Henriques, professora emérita da Universidade de Évora
Fernando Alves, jornalista
Fernando Gomes da Silva, foi Ministro da Agricultura
Fernando Nunes da Silva, urbanista
Fernando Pires de Lima, dirigente sindical
Fernando Rosas, professor jubilado de história
Francisco Fanhais, músico
Francisco George, médico, foi DG da Saúde
Francisco Ramos, economista, foi SE da Saúde
Francisco Teixeira da Mota, advogado
Henrique Sousa, investigador social
Irene Lima, música/violoncelista
Isabel Allegro de Magalhães, professora universitária em literatura comparada
Isabel do Carmo, médica
Isabel Franco, professora
Isabel Soares, diretora de escola
Jacinto Lucas Pires, escritor
Januário Torgal Ferreira, bispo emérito das Forças Armadas e da segurança
Joana Bordalo e Sá, médica oncologista, dirigente sindical
Joana Espain de Oliveira, professora universitária na FCUP
Joana Lopes, professora universitária e gestora reformada
Joana Neto Mestre, jurista
Joana Pereira Leite, professora universitária, economista
João Cravinho, foi ministro das Obras Públicas
João Figueira, professor na Universidade de Coimbra
João Goulão, médico, especialista em toxicodependência
João Leal Amado, professor de direito do trabalho na U Coimbra
João Nabais, advogado
João Proença, médico, dirigente sindical
João Teixeira Lopes, sociólogo, professor universitário
Jorge Pinto, sindicalista, membro de uma comissão de trabalhadores
José António Santos, jornalista
José Aranda da Silva, farmacêutico, ex-bastonário da Ordem, foi DG no M Saúde
José Carlos Vasconcelos, jornalista, diretor do Jornal de Letras
José Feliciano Costa, professor, dirigente sindical
José Gil, professor de filosofia na FCSH-UNL
José Jaime, professor, diretor de escola secundária
José Luís Peixoto, escritor
José Manuel Pureza, professor universitário, foi vice-presidente da AR
José Rebelo, professor emérito do ISCTE
José Reis, professor universitário
José Teófilo Duarte, gráfico
José Vítor Malheiros, jornalista
Júlio Machado Vaz, médico
Leonor Caldeira, advogada
Luís Simões, jornalista, sindicalista
Luísa Cerdeira, professora universitária em ciências da educação
Luísa Costa Gomes, escritora
Luísa Teotónio Pereira, dirigente associativa
Manuel Alberto Valente, escritor e editor
Manuel Brandão Alves, economista, professor universitário aposentado
Manuel Carvalho da Silva, sociólogo, sindicalista
Manuel Sarmento, professor universitário em ciências de educação
Manuela Pereira Pinto, professora do ensino secundário, aposentada
Manuela Ribeiro Görtz, médica oncologista, aposentada
Manuela Goucha Soares, produtora
Manuela Vasconcelos, técnica superior da função pública, aposentada
Marcelo Teixeira, editor
Maria Adelaide Martinez, professora do ensino secundário, aposentada
Maria Amélia dos Santos Costa, professora do ensino secundário, aposentada
Maria Augusta Babo, professora da FCSH/UNL
Maria Conceição Lobo Antunes, professora aposentada da FC-UNL
Maria Edite Pereira, aposentada
Maria Emília Brederode Santos, membro do Conselho Nacional de Educação
Maria João Gonçalves, arquiteta
Maria do Loreto Couceiro, professora da FCT-UNL
Maria Natália Coelho, professora do ensino secundário, aposentada
Miguel Oliveira, arquitecto
Maria Rosário Gama, professora aposentada
Maria Teresinha Tavares, geóloga, trabalhadora do Graal
Miguel Gonçalves Mendes, cineasta
Miguel Oliveira, arquitecto
Miguel Real, professor, escritor
Patrícia Alexandra Correia Sousa, hematologista, dir. de serviço do IPO de Coimbra
Paulo Pedroso, sociólogo, foi ministro do Trabalho e da Solidariedade
Paulo de Sousa de Vasconcelos, professor do ensino superior
Pedro Abrunhosa, músico
Pedro Diniz de Sousa, investigador em ciências sociais
Pedro Messias, bancário, dirigente sindical
Pedro Pezarat Correia, general, militar de Abril
Regina Carmona, médica, foi diretora no M Saúde
Renato do Carmo, professor universitário
Rodrigo Sousa Castro, coronel, militar de Abril
Rogério Nogueira, trabalhador da Autoeuropa, coordenador da CT
Rogério Roque Amaro, professor universitário
Rosa Monteiro, foi SE da Igualdade
Rosária Martins de Campos, professora do ensino secundário
Sérgio Godinho, músico, escritor
Sofia Branco, jornalista
Tatiana Levy, escritora
Teresa Beleza, jurista, professora
Teresa Cadete, professora universitária na FLUL
Teresa Coelho Moreira, professora universitária
Teresa Paixão, diretora televisiva
Teresa Vasconcelos, professora do ensino superior
Teresa Veiga Furtado, professora de artes na Universidade de Évora
Ulisses Garrido, sindicalista
Virgínia Ferreira, professora universitária
Viriato Soromenho Marques, professor universitário de filosofia
Vítor Nogueira, economista
Vitorino, músico

 

terça-feira, 19 de abril de 2022

Obviamente…Macron!


Aproxima-se a data da 2ª volta das eleições presidenciais francesas.

O seu resultado final pode ser decisivo para o futuro da Europa, naõ só da União Europeia, mas também para o desfecho da Guerra criminosa de Putin contra a Ucrânia.

Houve duas eleições, fora de Portugal, que sempre segui com atenção, desde que me lembro de seguir as notícias do mundo: as eleições norte-americanas e as eleições francesas.

De facto, não só esses dois países são os “pais da democracia”, como, em ambos, domina o presidencialismo, daí o interesse.

Acresce que, actualmente, as candidaturas à 2ª volta nas eleições francesas confrontam dois modelos opostos de sociedade.

Não simpatizo particularmente com Macron, pela forma como lidera com o mundo do trabalho e com os direitos sociais, um politico arrogante, próximo das teses neo-liberais e do mundo eticamente corrupto da alta finança.

Se votasse em França, na primeira vitória teria votado, provavelmente, no ecologista Yannick Jadot ou, como estratégia, em Mélenchon (apresentado, erradamente, como “extremista de esquerda”, quando se limita a defender o Estado Social e ideias de Miterrand…mas isso é outra conversa).

Mas, nas actuais circunstâncias, Macron é, no mínimo, o garante de uma sociedade democrática e livre e é o único político com capacidade para liderar uma Europa que enfrenta os seus fantasmas do fundamentalismo populista e da guerra criminosa.

Pelo menos, com Macron, apesar do seu desprezo pelo Estado Social e pelos direitos sociais, ela manterá a democracia e a liberdade que nos garantem que ele pode ser combatido e que…deixará o poder no fim deste mandato

Le Pen representa, exactamente, o pior da Europa, o racismo, o nacionalismo conservador e retrógado, a arrogância dos fanáticos, o neo conservadorismo demagógico e, pior ainda, a sua hipotética vitória nestas eleições, vai abrir caminho a todos os extremismos populistas e reaccionários que espreitam o poder europeu, juntando-se aos que já lá estão (na Hungria, na Polónia e em vários países do leste).

Além disso, é uma aliada do fascista Putin, de quem, aliás, tem recebido apoio financeiro.

Uma vitória de Le Pen coloca o maior exército europeu numa posição, no mínimo, de neutralidade em relação ao criminoso e violento exército russo, deixando a Europa “desarmada” e cada vez mais dependente dos Estados Unidos, onde não é seguro que não se registe o regresso dos republicanos, Trump ou outro ainda pior.

Seria, este ano, uma segunda tragédia para a paz, a democracia e a liberdade na Europa.

Por isso, se fosse francês, obviamente votaria, mesmo que tivesse de  “engolir um sapo”, em Macron!

segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Legislativas 2022 – “perdas e ganhos”


Nenhuma sondagem, ao longo da última semana, previu uma maioria absoluta para o PS, nem um resultado tão penoso para o PSD.

Quase todas acertaram, no limite, nos resultados dos restantes partidos, mas todas indicavam uma possível maioria de direita no parlamento, fosse qual fosse o resultado, o que não se concretizou.

Tendo sido esta eleição a que registou uma das mais baixas abstenções de sempre nas últimas duas décadas, 42%, e se tivermos em conta mais de um milhão de “votos fantasma”, o que reduz, na realidade, os números da abtenção real para perto dos 30%, também fica desmentida a versão segundo a qual a “maioria silenciosa” que se costuma abster é de “direita” ou mesmo de “extrema-direita”, pois uma redução da abstenção favoreceu o PS e não beneficiou assim tanto o Chega, como se temia.

Quase tudo o que o BE e a CDU perderam em percentagem contribuiu para a maioria absoluta do PS.

Por sua vez terá havido uma percentagem mínima do PS, o voto mais centrista, que voou para o PSD, o que justifica que este partido, apesar de derrotado, tenha crescido em votos e percentagem em relação às legislativas de 2019.

Se somarmos a percentagem do IL e do CDS em 2019 e 2022, ela mantem-se quase idêntica, mostrando que agora houve uma transferência maciça de votos do CDS para o IL.

Este último cresceu, mesmo assim, cerca de 1% para além dessa transferência, votos que terá ido buscar ao PSD.

O Chega terá crescido, em parte com votos oriundos do PSD e do CDS, mas, talvez e principalmente, de alguma abstenção.  

O LIVRE conseguiu aumentar a sua votação, em grande parte com votos oriundos do BE, mas também à CDU e até ao PS.

Uma incógnita é saber para onde se esfumaram os votos do PAN, talvez equitativamente pelo PS e pelo LIVRE.

Embora uma eleição não seja um campeonato de futebol, como muitos comentadores procuram fazer crer, o que é verdade é que houve vencedores e derrotados, embora o exercício da democracia, seja qual for o resultado, é sempre uma vitória.

Diríamos até mais: houve “grandes vitórias”, “vitórias de Pirro”, “pequenas vitórias”, “pequenas derrotas” e “grandes derrotas”.

GRANDES VITÓRIAS:

O PS foi o grande vitorioso da noite, duplamente vitorioso, diga-se em abono da verdade. Para além de vencer as eleições, conseguiu uma maioria absoluta, a segunda da sua história. Ao contrário da maioria de Sócrates, esta maioria só foi possível com o voto útil de esquerda.

Ao contrário de Costa,  Sócrates beneficiou do voto do centro e do centro-direita, tendo governado, por isso, à direita, contra funcionários públicos, sindicatos e trabalhadores, com uma prática de destruição de direitos sociais, com o resultado que se conhece.

Costa já percebeu que deve a sua maioria a um eleitorado diferente do que deu a vitória a Sócrates, e terá de lutar, internamente, como a tralha socrática que já começa a levantar a cabeça, procurando beneficiar com a situação e...como os fundos do PRR.

Outro dos vencedores da noite foi o CHEGA, que se tornou a terceira força política, embora não conseguindo os almejados “10%”.

VITÓRIA DE PIRRO

O CHEGA é assim o primeiro “candidato” à “vitória de PIRRO”, pois nada pode fazer num parlamento de maioria absoluta de um partido à esquerda, a não ser o “chavascal” do costume, agora multiplicado por 12, ainda por cima um partido sem programa, a não ser uma federação de descontentamentos, “formados” em fake news e nalguma ideias aberrantes, um autêntico saco de lacraus, cujo espectáculo, agora público no parlamento, não será agradável de se ver e vai por a nu, durante 4 anos, as suas próprias contradições.

A outra vitória de Pirro vai para o Presidente da República, que, apesar de desejar a estabilidade que este resultado permite,  fica com pouco poder de manobra perante um governo de maioria absoluta.

UM PEQUENA VITÓRIA.

O IL é “candidato” à “pequena vitória” do dia, já que, conseguindo o feito de ficar à frente da CDU e do BE, fica atrás do CHEGA e também fica sem poder de influência, de que podia beneficiar, se, quer o PS, quer o PSD, ganhassem estas eleições sem maioria absoluta.

O IL foi buscar quase todos os seus votos ao CDS, funcionando como reservatório do voto de protesto dos eleitores democratas-critãos, e talvez alguns votos ao PSD, por simbolizar a tendência “passos coelhista”, descontente com o rumo social-democrata do PSD de Rui Rio. Tem 4 anos para mostrar que é mais do que o partido “engraçadinho” e “arejado” com as antigas ideias de sempre do neoliberalismo do século XIX.

Outra pequena vitória foi a do LIVRE, que, apesar da desastrada prestação da candidata que elegeu na última legislatura, tem agora uma oportunidade de mostrar que não é apenas um BE mais arejado, mas que tem, de facto, uma visão nova para a esquerda. Rui Tavares, mesmo num parlamento de maioria absoluta e estando isolado, pode fazer a diferença nesta legislatura.

UMA PEQUENA DERROTA

O PSD não sofreu assim uma derrota tão esmagadora como pode parecer, pois até conseguiu aumentar o número de votos e a percentagem, consolidando-se como alternativa de direita ao PS. Pode-se dizer que foi “uma pequena derrota” para o partido, mas uma “grande derrota” para Rui Rio.

Uma pequena derrota foi, apesar de tudo, a do PAN, que, mesmo assim, conseguiu eleger um deputado, voltando à fórmula inicial, sendo um partido cujas causas é importante que tenham voz no parlamento.

UMA GRANDE DERROTA

Vamos agora às grande derrotas, que podemos dividir em grandes derrotas “esmagadoras”  e Grandes derrotas que podem ser "conjunturais".

A primeira grande derrota esmagadora vai para o CDS que, pela primeira vez na sua história, não tem representação no parlamento, uma tragédia para uma direita civilizada e democrática, tanto pior que essa tragédia ter contribuido para a ascensão de dois partidos radicais, antissociais e antissistema, cada um à sua maneira, o CHEGA e IL.

A segunda derrota esmagadora vai para o BE, o mais penalizado com a sua opção em relação ao orçamento e ao derrube da geringonça, derrota que só não será conjuntural se nada aprender com o que se passou, podendo começar a perder força, quer para o PS, quer para o LIVRE.

Uma derrota que pode ser conjuntural, mas que também pode revelar-se fatal, é a da CDU, perdendo quase toda a sua influência. Se teimar em adiar a sua renovação ,não rejuvenescendo a sua liderança, recusando e aceitar o regresso de dissidentes, como Carlos Brito e sem alterar a sua postura sobre o que foi o comunismo real e o seu silêncio em relação a regimes como o da Rússia de Putin, o chinês, o venezuelano ou o norte-coreano, provavelmente começa aqui um doloroso e injusto processo de auto destruição.

Não podemos esquecer outros derrotados, a maioria dos pequenos partidos, algumas com alguma esperança de visibilidade, como o VOLT, o Aliança, o MAS, mas que se tornaram quase irrelevantes.

Em Portugal abre-se assim um novo ciclo, que se espera de estabilidade, mas que prove, como diz Costa, que as maiorias absolutas não são um prejuízo para a democracia.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

“Previsões” sobre umas eleições imprevisíveis:


Partidos

Sondagem Católica

Sondagem ISCTE

 

Deputados

 

 

PS

36%

95-105

35%

92-106

PSD

33%

89-99

33%

87-101

BE

6%

6-13

5%

4-10

CDU

5%

4-10

6%

6-12

IL

6%

5-10

6%

7-13

CH

6%

7-9

6%

6-12

CDS

2%

0-2

1%

0-1

PAN

2%

1-2

2%

1-3

Livre

2%

1-2

1%

0-1

Outros/brancos/nulos

2%

0

5%

0

 Há muitos anos que não se disputava um acto eleitoral cujo resultado final é tão imprevisível

Embora todas as sondagens apontem para uma vitória tangencial do PS, existe um empate técnico que permite ao PSD acalentar a esperança de vencer estas eleições.

Se tivermos em conta que nenhuma sondagem credível errou, até hoje, por mais de 2%, a vitória tangencial do PS parece garantida, já que, naquelas que são as mais credíveis (a da Universidade Católica e a do ISCTE, mais a primeira que a segunda – Ver em cima) colocam o PSD a mais de 2% de diferença.

Há que recordar também que, historicamente, a CDU costuma ter pior resultado do que nas sondagens, já que existe algum receio de algumas pessoas em se declararem apoiante dessa força política. Situação idêntica pode-se registar em relação ao CHEGA, por razões diferentes, vergonha em declarar-se apoiante de um partido xenófobo e extremista. Por isso o rsultado final dessas duas forças até pode ser significativamente melhor do que aquele que é declarado nas sondagens.

Mas existem outros factores que podem baralhar a situação, como seja a atitude dos quase um milhão de confinados, a atitude dos mais velhos, cuja abstenção parece beneficiar a direita, e a dos mais novos, a votar pela primeira vez, cuja ida às urnas parece beneficiar o Iniciativa Liberal, o Bloco de Esquerda (já não tanto como anteriormente), o PAN ou até o LIVRE.

Há ainda que contar que, como a eleição não é nacional,  mas por círculos eleitorais, até pode acontecer que o partido com mais votos a nível nacional não obtenha o primeiro lugar na distribuição de deputados, situação que também é verdadeira para os partidos mais pequenos, beneficiando os que tem maior concentração eleitoral nos grandes círculos urbanos (principalmente Lisboa e Porto, como acontece com a Iniciativa Liberal e o Livre), ou em certas zonas geográficas (como acontece com a CDU no Alentejo).

Pode assim acontecer que, mesmo com percentagens inferiores, uns partidos consigam eleger mais deputados que partidos que obtenham percentagens superiores, mas cuja votação esteja mais dispersa (como como pode acontecer com o BE, o Chega, o PAN e o CDS).

Para o PS, uma grande vitória seria obter uma maioria absoluta, situação que parece improvável. Uma vitória significativa seria, sem maioria absoluta, só necessitar de negociar, ou com um partido, ou apenas com o PAN ou o Livre, os único que lhe dão garantias de estabilidade, embora a CDU ou o BE, mudando de atitude, também possam entrar nessa equação. No mínimo espera-se que seja o vencedor, mesmo de forma tangencial.

Para o PSD, a grande vitória será…ganhar mesmo!, seja ou não uma vitória tangencial, mas já pode cantar vitória se, perdendo, não ficar muito distante do PS, ou se, até perdendo, vier a liderar uma direita maioritária no parlamento.

Uma vitória para o BE seria ficar em terceiro lugar, mas, mesmo assim, é provável que veja a sua representação parlamentar muito reduzida.

Para a CDU seria igualmente uma vitória ocupar essa posição, ou, no mínimo, ficar à frente do CHEGA e o IL. Ao que parece, e seja qual for o resultado, não será tão penalizado como se temia no principio.

Para o Iniciativa Liberal uma vitória é ficar acima dos 6% e eleger um mínimo de 5 deputados, vitória ainda maior se conseguir ficar `frente do BE e/ou da CDU, maior ainda se depender de si a formação de um governo de direita.

O CHEGA colocou a fasquia muito alta, nos 7% e no terceiro lugar. Mesmo que seja um dos partidos a subir na votação e na representação parlamentar, o facto de insistir naquela fasquia, caso esta não seja conseguida, vai reduzir a sensação de vitória .

Para o PAN e o CDS, a situação avizinha-se dramática, já que parecem ser os partidos que, juntamente como o BE, mais votantes podem perder para o voto útil, no caso do CDS perdendo também para novas formações politicas da direita como o CHEGA e o IL.

Qualquer resultado que seja o dobro do previsto em sondagem pode ser, pelo contrário, considerado uma vitória para esses dois partidos.

O LIVRE já vem sendo anunciado como um dos vencedores da noite, bastando para isso conseguir eleger 2 deputados, feito tanto mais relevante, quanto foi prejudicado com a prestação da candidata eleita por esse partido nas anteriores legislativa. Uma derrota é não eleger ninguém.

Existem ainda alguns partidos que, não entrando na equação, podem surpreender, como, à direita do Aliança, ao cento o VOLT e até, à esquerda, de um renovado MAS.

Está quase tudo em aberto, e, por isso…prognóstico só…no final do jogo!