sexta-feira, 22 de março de 2019

O Cartoon da Semana


Jacinda Ardern – Um exemplo para o Mundo.

Jacinda Ardern ,  primeira ministra da Nova Zelândia, revelou-se um exemplo do grande estadista democrático, num mundo dominado por líderes cada vez mais medíocres, incompetentes e corruptos. 
A forma como lidou com os ataques terroristas de que o seu país foi alvo, revelou o conjunto de atitudes que é necessário tomar neste tipo de situações: coragem, determinação, frontalidade, e humildade, fugindo aos lugares comuns do costume.
Sem demagogia, sem aproveitamento politico de tragédias e sem retórica securitária barata, tomou uma atitude frontal, inovadora, inteligente e certeira para enfrentar a ameaça terrorista quando afirmou : “Ele é um terrorista, um criminoso, um extremista, mas quando eu falar, ele não terá nome. E imploro-vos: falem dos nomes dos que perderam a vida em vez do homem que as levou. Ele pode ter procurado notoriedade mas na Nova Zelândia não lhe vamos dar nada – nem mesmo o nome”.
Nem se desculpou com o facto daquele acto bárbaro ter partido de um estrangeiro:  “Sim, a pessoa que cometeu esses actos não era daqui, não foi criado aqui. Não encontrou a sua ideologia aqui. Mas isso não quer dizer que esses mesmos ideais não vivam aqui. Eu sei que enquanto nação queremos dar todo o conforto que pudermos à comunidade muçulmana nestes tempos tão negros (…) Eles são nós”
A frontalidade e a coragem de Jacinda Ardern, agora revelada ao mundo, já é de há muito conhecida pelos cidadãos da Nova Zelândia.
Líder do Partido Trabalhista da Nova Zelândia, conseguiu fazer o partido renascer das cinzas e tornou-se primeira ministra dirigindo uma “gerigonça” local em aliança com os Verdes, já que o ultra reacionário Partido Nacional, que teve mais deputados eleitos nas eleições de 2017, ficou em minoria com essa “maioria de esquerda”.
O Partido Nacional é o seguidor local de Donald Trump, com um discurso xenófobo e islamofóbico idêntico ao do presidente dos Estados Unidos.
Este mesmo partido tem dirigido desde então, com o apoio local de alguma comunicação social, uma campanha negra contra Jacinda, nomeadamente contra as opiniões da primeira ministra a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo, a favor do aborto e a favor de medidas ambientais, e de medidas sociais a favor dos trabalhadores e dos mais desfavorecidos.
Chegando ao poder com 37 anos, a sua gravidez chegou mesmo a ser usada na campanha negra contra ela preconizada por aquela gente.

Numa entrevista a uma estação de rádio, chegou a ser questionada por um jornalista  sobre esse facto, afirmando este  que os neozelandeses tinham “o direito de saber” se existia a possibilidade de a potencial futura primeira-ministra tirar uma licença de maternidade. “Se for o patrão de uma empresa, precisa de saber esse tipo de coisas acerca da mulher que estou a empregar. É aceitável que um primeiro-ministro tire licença de maternidade quando está em funções?”.
A reposta de Jacinda ficou célebre naquele país: “É uma decisão das mulheres e [a maternidade] não deve predeterminar se recebem ou não oportunidades de trabalho”.
Segundo revelou uma notícia do jornal Público, quando “anunciou que iria ser mãe, em 2018, esclareceu de imediato que iria ser “primeira-ministra e mãe” e que seria o seu namorado, Clarke Gayford, apresentador televisivo de um programa de pesca, quem ficaria em casa com o bebé. "Não sou a primeira mulher a trabalhar e a ter um bebé. Sei que estas são circunstâncias especiais, mas irão existir muitas mais mulheres a fazê-lo e muitas já o fizeram antes de mim”.

Foi aliás ao enfrentar essa situação que Jacinda Ardern se tornou pela primeira vez conhecida fora da Nova Zelândia, quando apareceu, em plena Assembleia Geral das Nações Unidas a amamentar a filha, tudo porque, sendo uma acérrima defensora de medidas para fazer frente às alterações climatéricas, achou que a sua presença era fundamental nessa assembleia para defender as suas ideias, já que estavam presentes os negacionistas liderados por Trump.
Num mundo cada vez mais liderado por gente medíocre ou incompetente, a postura de Jacinda é uma lufada de ar fresco e uma mensagem de esperança para quem acredita que a democracia ainda pode gerar grandes lideres a uma humanidade carente de figuras politicas honestas, com convicções, justas e corajosas.