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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Presidenciais, a semana decisiva.


Se dúvidas houvesse sobre a forma como a presidência de Cavaco Silva contribuiu para o desprestígio do cargo presidencial, a forma morna e desinteressante como decorre a campanha presidencial aí está para o provar.

Já aqui o dissemos que, depois de Cavaco Silva, qualquer candidato serve e até o Tino de Rans daria um “bom” presidente.

Mas, se subirmos a fasquia, isto é, se usarmos como comparação os três presidentes eleitos antes de Cavaco, isto é, Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio, então o leque de candidatos com qualidades reduz-se imenso e, quanto a nós, apenas quatro estão em condições de se compararem com esses três.

São eles, Sampaio da Nóvoa, Marcelo Rebelo de Sousa, Marisa Matias e Maria de Belém.

Nesta primeira semana de campanha, Marcelo Rebelo de Sousa mostrou-se igual a si próprio, popularucho quanto baste, procurando fazer esquecer que é o candidato da direita neoliberal  revanchista, que, ao votar nele, engole ao mesmo tampo um grande sapo, e, se dúvidas houvesse, Passos Coelho apareceu a recordar em quem vai votar.

Maria de Belém foi a grande desilusão. Mostrou-se pouco credível, muito “aparelhista”, sem convicção, mais preocupada nos ataques pessoais  a Sampaio da Nóvoa do que em apresentar ideias novas.

A grande revelação, pela positiva, foi a candidata Marisa Matias, com intervenções de grande qualidade, humilde quanto baste,  incisiva e credível, mostrando que o Bloco de Esquerda é o partido que produz os candidatos mais inovadores para o futuro do país. Contudo, não me parece que seja a candidata em melhor posição para bater o candidato da direita na segunda volta.

Por último, o candidato em quem vamos votar, Sampaio da Nóvoa, tem vindo a fazer uma campanha em crescendo, ganhando a visibilidade que lhe faltava e mostrando que é um candidato credível que, sendo de esquerda, é capaz de dialogar e lançar pontes ao centro e ao centro-direita, sendo assim melhor candidato para disputar a segunda volta contra Marcelo.

Entre os restantes candidatos, Edgar Silva tem sido outro candidato que tem desiludido, não sendo de estranhar que nem o eleitorado tradicional do PCP ele venha a conseguir garantir, enquanto Tino de Rans se destaca pela sua genuinidade.

O resto é paisagem…

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Obviamente, Sampaio da Nóvoa!


Numa situação rara na política portuguesa recente, os candidatos que concorrem à presidência da República são, na sua totalidade, pessoas decentes.

Daí, para além das questões ideológicas que os podem distinguir, a dificuldade de escolha.

Marcelo Rebelo de Sousa, que surge em vantagem nas intenções de voto, não deve essa vantagem ao facto de ser melhor do que os outros, mas ao facto de ter beneficiado, ao longo destes últimos anos, de maior visibilidade na comunicação social.

Intelectual e politicamente existem muitos outros candidatos que estão tão ou mais capacitados do que Marcelo para ocuparem o lugar em disputa.

Além disso o apoio que recebe dos partidos da direita limita a independência da sua candidatura.

A própria personalidade de Marcelo é uma incógnita, já que ele é um mestre em dissimular as suas próprias intenções políticas, muito marcado pela política espectáculo da sua carreira como comentador e, por isso, se não me assusta, não me cativa como candidato.

Maria de Belém, a outra candidata forte nestas eleições, beneficia de uma longa experiência política e de uma promissora experiência governativa, o que é uma vantagem, mas, na actual conjuntura, pode ser um óbice.

A desvantagem dessa situação vem  do facto de, mesmo os melhores políticos, como é o caso dessa candidata, viverem num mundo diferente da realidade, uma realidade que inclui os poderes políticos e financeiros, uma elite cada vez mais afastada da vida das pessoas, e que da vida fora da política ou dos negócios apenas conhece as estatísticas, resumindo cada cidadão a um número dessas estatísticas.

Além disso é uma figura demasiado cinzenta e autoritária e gente cinzenta e autoritária já nós aturamos na presidência há dez anos.

E é assim que chegamos a Sampaio da Nóvoa.

Não foi criado pela comunicação social nem no carreirismo político, foi “criado” com muito trabalho, numa área exigente, a do ensino universitário, revelando capacidades de liderança enquanto reitor  da Universidade de Lisboa ,combinando uma postura humilde, que o aproxima do comum dos cidadãos , com o conhecimento profundo da realidade portuguesa e, naquilo que é cada vez mais raro nos políticos portugueses , pensando a sociedade portuguesa para além dos lugares comuns ou da imediatismo.

(Sobre o essencial do seu pensamento, aconselhamos a leitura AQUI do seu discurso enquanto presidente da comissão organizadora das comemorações do 10 de Junho em 2012).

Precisamos de ser representados, no mais alto cargo da República, por alguém que seja diferente, criativo, culto,  independente, que respeita os cidadãos e ponha o interesse destes acima dos interesses da baixa política ou do sector financeiro, que conheça o país, a sua história, a sua cultura, e que nos puxe para a frente, com firmeza, mas com humildade.

Alguém que dê cor à Presidência da República.

Por tudo isso, aqui declaramos oficialmente o apoio do administrador deste blog à candidatura de Sampaio da Nóvoa.