Pesquisar neste blogue

Mostrar mensagens com a etiqueta A Igreja. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta A Igreja. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 6 de maio de 2025

Eu e os Papas


Não sou católico praticante, mas, tendo sido baptizado, sou “oficialmente” cristão.

Criado e educado num país de maioria cristã  e tendo frequentado uma escola onde os ditos “valores” do cristianismo eram impostos por um regime que tinha o catolicismo conservador como um dos seus pilares, a minha educação não foi indiferente aos valores cristãos.

Aí começou a minha contradição, pois, alinhando com valores que me habituei a associar com o cristianismo, como os da solidariedade, da defesa dos mais fracos, do pacifismo, do combate às desigualdades, do respeito pelo próximo, não era isso que via ser praticado por muitos “ditos” católicos que conhecia, nem por um regime que se dizia de base católica, nem pela hierarquia da Igreja.

Apesar de dever muito do meu entusiasmo e respeito pela natureza, pelo património e pela história local às aulas de Religião e Moral do saudoso padre Joaquim, as contradições que acima referi nunca me fizeram repensar a minha atitude em relação à Igreja.

Deve-se referir que o padre Joaquim era uma excepção, não só nas aulas, onde em vez de nos impingir o livro único do catolicismo oficial e conservador, imposto por uma hierarquia dominada pelo Cardeal Cerejeira, um dos braços direitos do ditador Salazar, pelo contrário, nos tirava da sala de aula e levava a visitar o património e conhecer o ambiente natural, ou ocupava as aulas com recurso a meios audiovisuais, uma raridade pedagógica na altura, mas também como fundador e director do jornal “Badaladas”, abrindo as suas páginas ao debate e à colaboração de conhecidos oposicionistas, sendo por isso alvo do aparelho repressivo do Estado Novo, pela censura e pela vigilância da PIDE, como descobri em futuras investigações nos arquivos.

Percebi mais tarde que o padre Joaquim era diferente do clericalismo então dominante porque tinha estado ligado à Juventude Operária Católica e era um seguidor da abertura do Concílio Vaticano II, uma iniciativa do Papa João XXIII.

O meu pai, que tinha deixado de acreditar na Igreja ainda na infância, como reacção ao cinismo e hipocrisia da hierarquia da altura, revelava, pelo contrário uma grande admiração pelo papa João XXIII e pelas suas encíclicas, que na altura representaram uma ruptura com uma Igreja que por cá era cúmplice de uma ditadura e com o seu antecessor, o papa Pio XII que governou a Igreja entre 1939 e 1958, foi conivente como o fascismo e o nazismo, por muito que recentemente alguns tentem branquear a sua acção.

Infelizmente o papa João XXIII governou a Igreja por pouco tempo, entre 1958 e 1963. Mas a sua acção deixou marcas que os seus sucessores não conseguiram travar. Recorde-se que o papa Paulo IV (1963-1978) conseguiu irritar as autoridades do Estado Novo, primeiro quando, em visita a Fátima em 1967, se recusou ir a Lisboa encontrar-se com Salazar que, contrariado, teve de ser ele a deslocar-se a Fátima para estar com o papa, depois quando, em 1970, recebeu no Vaticano os líderes  dos movimento de libertação que combatiam em África, acontecimento que foi abafado pela censura.

Houve uma nova esperança de abertura com a eleição do papa João Paulo I, mas que viveu e governou poucos dias, e cuja morte foi tema de muitas teorias da conspiração, que, aliás, estiveram na origem da temática do último filme da série “O Padrinho”.

Foi então nomeado, pela primeira vez em muito tempo, um papa não italiano, João Paulo II, que esteve na origem de um dos pontificados mais longos, entre 1978 e 2005. Popular no seu contacto com os fiéis, manteve e reforçou o conservadorismo e imobilismo nos valores e princípios da Igreja. Sucedeu-lhe Bento XVI, um retrocesso na aparente abertura populista do anterior papa,  e que, incapaz de lidar com os escândalos financeiros e da pedofilia no seio da Igreja, tomou a decisão de, pela primeira vez em séculos, abdicar em 2013.

Foi então que o mundo foi surpreendido com a eleição do papa Francisco, o primeiro papa não europeu. A sua acção agitou as águas de um clericalismo conservador e bolorento, assumindo a defesa coerente dos valores que associamos à vida de Cristo, como os da critica aos poderosos, a defesa na natureza, o pacifismo, a defesa dos desvalidos, não apena pela retórica, como era o máximo que faziam os seus antecessores, mas pela prática.

Isto custou-lhe muita inimizades no seio da hierarquia e de muitos católicos conservadores e, pelo contrário, granjeou admiração mesmo fora da Igreja e entre ateus.

Foi um papa que assumiu de forma coerente os valores que associo a Cristo, ao contrário do que ainda hoje acontece com muitos ditos católicos.

A hipocrisia dominou a presença de líderes mundiais no seu funeral, mas Francisco, mesmo na morte, deu a volta aos poderosos que não puderam estar presente em Santa Maria Maior, lugar que ele escolheu para o seu túmulo, uma escolha também por si com um grande simbolismo, já que esta se situa num lugar muito frequentado por sem-abrigo e imigrantes.

No Conclave que agora se inicia confrontam-se várias tendências, a dos que querem por um ponto final às reformas iniciadas por João XXIII e aceleradas por Francisco, a dos que querem continuar a acção de Francisco, mas mantendo pontes para evitar a ruptura com os conservadores, e a dos que querem continuar e acelerar as mudanças anunciadas por Francisco, custe o que custar.

No primeiro grupo estão a maior parte dos cardeais norte-americanos (com destaque para Joseph Tobin ou o trumpista Raymond Burke), alemães (como o tenebroso Gerhard Muller), holandeses, paradoxalmente parte dos africanos (não todos), e o pior de todos, o Hungaro Péter Erdo.

A maioria está algures entre o segundo e o terceiro grupo

No segundo grupo destaca-se Pitro Parolin e vários cardeais italianos, parte dos cardeais portuguese, um cardeal suíço e um espanhol, o africano, do Gana, Peter Turkson, ou o maltês Mario Grech.

No terceiro grupo está a maior parte dos cardeais franceses, o espanhol Cristóbal Romero, o filipino Luis Tagle, o italiano Matteo Zuppi e o nosso Tolentino de Mendonça.

Mas pode acontecer sempre uma surpresa e não ser escolhido nenhum destes nomes.

Pela nossa parte, já tendo por aqui dito que só havia dois líderes credíveis a nível mundial, António Guterres e o papa Francisco, esperamos que a sucessão deste último não isole ainda mais o Secretário Geral da ONU e seja escolhido alguém que seja continuador da luta de Francisco contra as desigualdades e defensor do pacifismo.

domingo, 3 de maio de 2020

…realizar as cerimónias do 13 de Maio em Fátima?...e porque não?



Um dos argumentos mais demagógicos usados para criticar a realização das celebrações do 1º de Maio na Alameda, organizadas pela CGTP, foi a absurda comparação com as cerimónias religiosas do 13 de Maio.

Houve até um comentador espertalhão do jornal “Público” que “descobriu”, no decreto do Estado de Emergência, a referência a uma única data como excepção, o 1º de Maio, contribuindo para alimentar aquela comparação.

Sucede, contudo que o Estado de Emergência terminou…ontem!...e para o 13  de Maio ainda faltam quase 15 dias.

Ontem também, a Ministra da Saúde, numa rasteirosa entrevista que a SIC lhe fez, acabou por afirmar o óbvio: (afinal) até se podem realizar as cerimónias do 13 de Maio, desde que respeitem as normas e as recomendações da Direcção Geral de Saúde (DGS), tal como sucedeu com o 1º de Maio.

Ou seja, é totalmente aceitável a realização das cerimónias em Fátima no 13 de Maio, desde que sigam o exemplo do que se fez na Alameda durante o 1º de Maio, isto é, respeitar o distanciamento de 2 metros, através de sinalização no chão, usar máscaras (apesar de não serem obrigatórias ao ar livre), ter à disposição quantidades significativas de soluções de álcool gel, duração curta da cerimónia e não ter uma presença superior a cerca de mil pessoas (a Alameda das peregrinações e a Alameda de Lisboa têm, mais ou menos, a mesma dimensão).

O número de mil até um número por alto, comparativamente com o número de pessoas no 1º de Maio (o “Público” aponta para 600 pessoas, a RTP1 para 500 e a SIC, sempre exagerada e excessiva, para mil).

Além disso, deve ser tudo organizado em conjunto com a DGS e as forças de segurança e, quem organiza, deve tentar evita ao mínimo, tanto em espaço como em tempo, as inevitáveis aglomerações no momento da chegada e da partida dos peregrinos, até porque o vírus só se transmite por superfícies contaminadas ou se alguém espirrar ou tossir de forma significativa, pois uma simples conversa só se torna perigosa se, não havendo espirros ou tosse,  as pessoas estiverem a falar ou muito juntas mais de 10 a 15 minutos.

A forma como a CGTP organizou o 1º de Maio elevou muito a fasquia da realização de futuras concentrações, pelo menos enquanto durar este período de contenção.

Mas a vida não para, como nunca parou noutras ocasiões históricas semelhantes.

Convém ainda recordar que vivemos num Estado laico, cabendo à Igreja a decisão e a organização da realização das cerimónias, desde que garanta as recomendações da DGS e preserve as condições de Saúde Pública, tal como o fez a CGTP no 1º de Maio.

Claro que existem sempre riscos imprevisíveis, mas a vida é mesmo assim.

Como baptizado, agnóstico não praticante, não alinho em fundamentalismos, quer dos que viram o “diabo” nas cerimónia do 1º de Maio, e andaram de régua e esquadro mental a medir a distância e os aglomerados, quer de qualquer tentação de alinhar num anticlericalismo primário em relação à realização das cerimónias do 13 de Maio.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

"Não Matem os Velhinhos" (??!!)


Estava a pensar escrever um post sobre a forma vergonhosa, intolerante e ignorante como se está a tentar lançar o debate sobre a aprovação dos projectos sobre a Eutanásia.

Afinal, em 2018, já escrevi, AQUI, no meu blog Pedras Rolantes, o essencial sobre o meu pensamento e opinião em relação o tema, com a diferença de, ao contrário daquilo que pensava na altura, já ter havido o tempo mais que necessário para se debater e esclarecer o tema.

Ao contrário do que escrevi na altura, hoje  o Parlamento tem toda a legitimidade para debater e legislar sobre o assunto.

Lamentável é o modo como a Igreja e alguma gente tenta fazer deste tema uma guerra de religião ou de ideologias, entre os "maus" que "querem" vulgarizar uma "cultura da morte" e "matar velhinhos" e os "bons", "defensores da vida" a todo o custo, mesmo a custo  da dignidade humana e da liberdade individual de acabar com a sua degradação irreversível.

Em relação às instituições da Igreja, com muitos telhados de vidro no que se refere à "defesa" da dignidade humana e da vida, o que me surpreende é que nada aprenderam com a atitude tolerante do actual papa Francisco.

Uma coisa são os valores da Igreja, outra coisa é tentar a sua imposição com o recurso à mentira e à ignorância, fazendo disto uma guerra religiosa.

Uma coisa é apelar à coerência na aplicação desses valores entre os católicos, (apesar de, no que respeita à dignidade humana, para muitos católicos nem todos os valores apregoados por Cristo têm o mesmo peso e valor....), outra é tentar impor esses valores a toda a sociedade.

A Igreja tem direito de julgar com base nos seus valores. O que não pode é impor que os seus valores sejam impostos por lei, levando à prisão quem pratique ou ajude a praticar a eutanásia, como acontece actualmente.

Sinceramente, pensava que a nossa Igreja já tinha evoluído alguma coisa.

Afinal estou enganado.

Por cá, pelos vistos, a "nossa" Igreja ainda está a anos luz da abertura do papa Francisco.

Apesar de saber que o Papa não defende a Eutanásia, tenho a certeza que faria o debate e a defesa das suas ideias com outra tolerância e sem recorrer à mentira.

A Eutanásia, e a legislação em debate, não se discute com um "Sim" ou um "Não", num referendo, sujeito a toda a demagogia e primitivismo ignorante de comentadores de bancada e redes sociais, como já se percebe da argumentação dos defensores do  referendo, até porque a Eutanásia é um assunto que só se colocará numa minoria de casos.

Misturar os cuidados paliativo, o acto médico de desligar uma máquina, o direito dos médicos à objecção de consciência, o testamento vital, tudo questões que já estão devidamente legalizadas, com o que está em causa com os projectos de lei em causa é fomentar a ignorância e a intolerância, e a própria degradação da vida de muita gente que espera por uma solução.

Despenalizar é a única maneira de impor regras, quando estão esgotados os recursos acima mencionados,  evitando que um acto de humanidade mande para a prisão, tal como qualquer vulgar assassino, quem hoje, sem condições, recorre à eutanásia.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

O que os conservadores da Igreja podiam aprender com o fim da União Soviética


Nos últimos meses acentuou-se o ataque da ala conservadora da Igreja contra o Papa Francisco (Conservadores ao ataque ).

Na liderança desse movimento está o bispo norte-americano Carlo Maria Viganò, em aliança estratégica com o movimento Tea Party e o líder ideológico da extrema-direita norte-americana, Steve Bannon, que estiveram por detrás da vitória de Trump, sem esquecer o histórico reacionário Cardeal Raymond Burke (Quem são os inimigos do papa. Leia-se também do El País de Agosto, edição brasileira, publicado em Agosto último AQUI).

Seria bom, para além do simples bom senso, que esses conservadores, que querem “salvar”  a Igeja da abertura levada à prática pelo Papa Francisco, na continuação da obra iniciada na década 1950 por João XXIII, aprendessem alguma coisa com a História.

O Comunismo, a mais forte ideologia que  “concorreu” com a Igreja no século XX, na tentativa de cativar a “alma” e a “fé” dos deserdados, e que se revelou o maior logro do século passado, pela forma como os seus valores se afastaram da realidade imposta a ferro e fogo por legiões de burocratas, sem esquecer os crimes associados, conheceu, no final desse século, uma tentativa de renovação e abertura iniciada quando Gorbachev se tornou secretário Geral do PCUS, em Março de 1985.

Muitos viram em Gorbachev um sinal de esperança em renovar o comunismo, recuperando os valores em que essa ideologia se baseou, em defesa dos mais fracos e dos deserdados contra os crimes do capitalismo, tentando mostrar que era possível conciliar a liberdade e a democracia com a melhoria das condições sociais das populações.

Desde logo Gorbachev teve de enfrentar, dentro do seu próprio partido, a oposição dos burocratas bem instalados que não queriam deixar cair o poder que tinham construído à sua volta, mesmo que à custa de renegarem os princípios do socialismo e do comunismo que diziam defender.

Rapidamente começaram a conspirar contra Gorbachev  e a Perestroika (“reestruturação”) e a Glasnot (transparência) que ele defendia para a renovação do movimento comunista.

O ponto alto da conspiração dos “conservadores” foi o golpe de Estado de 19 e 21 de Agosto de 1991.

Como era obvio, o movimento de abertura iniciado por Gorbachev já não tinha retorno, pois as sementes de esperança já se tinham enraizado entre os povos de leste, e foram derrotados rapidamente.

O resultado da irresponsabilidade desses “conservadores” foi terem arrastado toda a ideologia socialista com eles, abrindo caminho à expansão do extremo oposto, a ideologia neoliberal, com as trágicas consequências que todos conhecemos e sentimos hoje na pele.

Os conservadores que agora tentam conspirar contra o Papa Francisco deviam aprender com esse acontecimento e perceberem que, ao tentarem destruir a obra de abertura deste papa, correm  o risco de arrastarem com eles toda a Igreja, destruindo todos os valores que dizem defender.

Os povos, tenham sido os que viviam sob domínio soviético ou sejam os que acreditam nos valores da Igreja, não abdicam facilmente da esperança de liberdade e renovação e  nunca perdoarão àqueles que os tentam enganar e retornar a uma visão conservadora da realidade.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

O S. João em Runa no século XIX

(Fotografia da página do Facebook da Igreja paroquial de S. João Baptista de Runa)

sábado, 13 de maio de 2017

Viva Francisco!


Não sou católico, apesar de ser baptizado.

Mas também nunca alinhei em qualquer anti-clericalismo primário.

Já o disse várias vezes que, apesar de não ser católico nem praticante, não nego que muitos dos meus valores são cristãos.

E é exactamente em nome dos valores cristão de humanidade e de combate às desigualdades, tal como os interpreto, que sempre desconfiai do catolicismo, principalmente quando olho à minha volta e vejo o que fazem, no dia a dia, muitos dos que se apresentam como muito devotos, muitos deles negando todos os dias, nas suas práticas socias e económicas, aquilo que são para mim os valores cristãos que me foram transmitidos e que me parecem estar presente no exemplo de Cristo.

Por isso sempre vi, com honrosas excepções, na hierarquia católica, nomeadamente na sua sede do Vaticano, a negação dos valores cristãos, tal como eu os interiorizei.

Reconheço hoje que, pela primeira vez, temos hoje a liderar a Igreja um Papa que representa, de forma genuína e corajosa , os verdadeiro valores que Cristo nos ensinou.

Além disso, no deserto de líderes mundiais verdadeiramente humanos e decentes, o Papa Francisco é uma voz isolada, um raro exemplo, nos nossos tempos, de um grande líder no qual a humanidade se pode rever e no qual os mais fracos encontram um combativo defensor .

Por tudo isso, aqui deixo uma saudação ao Papa que agora nos visita:

Viva Francisco!

segunda-feira, 3 de abril de 2017

A história dos irmãos comunistas que salvaram a capela de Nossa Senhora


Fui hoje apresentado a um velho militante comunista, natural de uma aldeia do concelho de Torres Vedras, mas que saiu deste concelho poucos anos depois do 25 de Abril, tendo vivido num concelho do Alentejo, no qual chegou a desempenhar o cargo de vereador.

Não vou aqui identifica-lo, nem a ele nem à aldeia onde se passou  a saborosa história que ele me contou, e que vou tentar reproduzir aqui.

Ele e os irmãos já eram comunistas antes do 25 de Abril e, na sua noção muito peculiar de comunismo, procuraram contribuir para melhorar as condições de vida dos habitantes de uma aldeia que vivia isolada, no topo de uma serra, das muitas que enxameiam este concelho, sem estrada, sem àgua e sem luz.

Para isso estiveram na origem da criação de uma Comissão de Melhoramentos ( já que no regime anterior não se podiam designar pelo “revolucionário” nome de Comissão de Moradores) e tentaram tomar várias medidas para atenuar a dureza do isolamento dos aldeões, homens do campo que trabalhavam nas terras das quintas próximas.

Começaram por construir a sede da Comissão, equipada com uma televisão, que funcionava com gerador, para que os seus habitantes, que não tinham luz em casa, pudessem ter alguns momentos de lazer no intervalo da sua dura labuta diária.

Depois tentaram melhorar os caminhos de acesso, quer à então vila, quer à aldeia sede de freguesia vizinha, para facilitar a deslocação para o trabalho e para a escola, levar a àgua à aldeia, nas difíceis condições de uma aldeia situada num sitio bastante alto, trabalho que encontrou uma situação mais favorável após o 25 de Abril, altura em que se tornou também possível fazer chegar a iluminação à aldeia.

Conhecendo o carácter dinâmico dos irmãos comunistas, e apesar de não professar das suas ideias, uma prima deles, devota da Nossa Senhora padroeira da aldeia, pediu-lhes que usassem os seus conhecimentos e a sua capacidade de trabalho para salvarem a capela que corria sérios riscos de derrocada.

Estes prontificaram-se a ajudar, em parte porque ajudar os vizinhos estava na sua noção se “comunismo”, em parte para desmentir a ideia que muitos faziam do seu comunismo, e, em parte, porque tinha circulado a notícia, talvez falsa, segundo a qual uns comunistas do norte do país tinham deitado a baixo uma outra capela.

Contudo, eles propuseram que não fossem eles a surgir publicamente como autores da iniciativa, porque, por um lado muitos desconfiavam dos irmãos “comunistas”, e, por outro, para salvar a capela e construir um  muro de protecção, era preciso derrubar umas árvores e construir um muro na propriedade de um rico proprietário local, pouco dado a colaborar com comunistas.

E foi assim que propuseram à prima que, juntamente com a esposa do irmão que nos contou a história e outras duas devotas da aldeia, formassem uma comissão de mulheres da Igreja que angariassem fundos para obra e se deslocassem ao tal proprietário a  pedir para que ele deixasse cortara as árvores, cujas raízes estavam a destruir as paredes da capela, e permitisse a construção do muro que evitasse a queda eminente do edifício.

O tal proprietário foi convidado a visitar a capela. Este, ao entrar, e depois de se ajoelhar perante a imagem da Santa, anuiu em fazer tudo o que pudesse para “salvar a Nossa Senhora”.

Após conseguirem o apoio do dono das terras junto à capela, os quatro irmãos comunistas angariaram materiais e voluntários, arrancaram as árvores que estavam a arruinar a capela e construíram um grande muro para proteger um dos raros monumentos da aldeia, símbolo da sua identidade.

Foi com apreensão que esperaram pelo inverno pois, se algo corresse mal e a capela, apesar da obras que eles conduziram, sofresse alguma ruina, diriam sempre que foram os “comunistas” que não fizeram nada para a salvar ou, pior ainda, tinham sabotado a obra.

Para alegria de todos, a capela, não só sobreviveu a esse inverno, como hoje, 40 anos depois, e para orgulho do meu interlocutor, continua de pé sem a mais leve beliscadura.

O “irmão comunista” que hoje, à mesa de um café, me contou esta história, conta reunir esta e outras histórias da sua aldeia, mas não resisti a antecipar-me e contar este pequeno episódio.
(Parte da História que contámos pode ser vista AQUI)

quarta-feira, 18 de maio de 2016

A “Guerra” Ensino Público/Ensino Privado…ou…vamos privatizar o que é… privado!!???


Toda esta polémica sobre os subsídios estatais a algumas escolas privadas já começa a “cheirar mal”.

A forma irresponsável e oportunista como o tema tem sido abordado por alguns políticos, comentadores e por parte da comunicação social, tem sido muito pouco esclarecedora e limita-se a lançar “areia para os olhos” dos incautos e ignorantes.

Claro que a forma como o Ministério da Educação geriu o tema também se revelou desastrada, pondo-se a jeito para os disparates que tivemos de ouvir de Passos Coelho e outros fiéis.

Em primeiro lugar o tema relaciona-se com a situação de menos de 80 escolas privadas, num universo de quase…três mil!!!!.

E em relação àquelas 80, só pouco mais de trinta é que serão afectadas pelas medidas que o Ministério actual pretende tomar, corrigindo os abusos cometido no governo anterior com o aval do ministro Nuno Crato.

Não deixa de ser curioso que aqueles que passam a vida com a boca cheia das palavras “privatização” e “privado” e a falar contra o “Estado” venham agora pedir que o Estado financie actividades privadas.

Se Passos Coelho encontrou no tema a sua boia de salvação e a prova de vida de que precisa para sobreviver ao descalabro da sua governação e da sua falta de ideias para o país, já se percebe menos a atitude da Igreja.

É que o que está em causa não é o financiamento das escolas privadas que prestam um serviço público de qualidade, mas de escolas que concorrem directamente com escolas públicas, financiadas por fundos …públicos!!!

É caso para se dizer que é tempo de “privatizar”, de uma vez , por todas, o que é “privado”, ou não estão de acordo comigo, ó pessoal da “direita radical neoliberal”?

Quanto à atitude da Igreja, só se percebe face à sua recente desorientação “ideológica” pernte os desafios que o actul Papa Francisco tem vindo a colocar aos status quo dessa mesma Igreja.

Antes de Francisco, a Igreja portuguesa até gozava de uma imagem de liberal e “progressista”. A partir de Francisco parece ter sido ultrapassada pela “esquerda” pelo próprio Papa. Mas isto é outra história, que, contudo, pode explicar o envolvimento das mais altas figuras da Igreja portuguesa nesta polémica.

Por último, uma palavra  de solidariedade para como Mário Nogueira e para os sindicatos dos professores, (mesmo discordando de alguma retórica e de algumas das suas actuações), face à forma descabelada como têm sofrido os mais ignóbeis ataques públicos , a pretexto do debate entre escola pública e privada.
É caso para perguntar: a quem interessa fazer desta questão uma guerra entre ensino público e ensino privado?

Aconselhamos, a todos  que se queiram informar melhor sobre o tema, a leitura dos seguintes textos:



- “Dinheiros públicos, vícios privados”, por Manuel Loff, in Público de 14 de Maio de 2016;


Ainda do lado daqueles que defendem  escola pública, não podemos deixar de referir a opinião da antiga Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues.

Podemos não ter concordado com a sua actuação enquanto Ministra da Educação, e discordámos veementemente na altura, mas não há qualquer dúvida que ela conhece profundamente o sector e tinha um projecto coerente para a educação, mesmo que se discorde dele, no todo ou em parte.

Por isso a sua opinião é fundamental para perceber o que está em causa:


Num perspectiva diferente, mas inteligente ( o que tem sido raro entre os que contestam o Ministro da Educação), aconselhamos a leitura do seguinte texto:

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

No passado dia 10 de Novembro o Vaticano distinguiu o projeto do Campo Arqueológico de Mértola .

A notícia já tem uns dias, foi publicada por alguma imprensa escrita, como no jornal Público  AQUI, mas passou práticamente despercebida da comunicação social que "faz opinião".

Foi o  Papa Francisco que anunciou, numa mensagem enviada à Academia Pontifica, no Vaticano, numa sessão onde estava presente o arqueólogo Claudio Torres, realizada no passado dia 10 de Novembro, que o Campo Arqueológico de Mértola tinha recebido o Prémio Das Academias Pontifícias do Vaticano, este ano dedicado aos primeiros anos do cristianismo.

"Apraz-me entregar o Prémio (...) à associação portuguesa Campo Arqueológico de Mértola pelas campanhas arqueológicas conduzidas nos últimos anos e pelos extraordinários resultados obtidos", escreveu o Papa Francisco nessa mensagem.

Depois de quatro anos de cortes e de desinvestimento na investigação e na cultura em Portugal, e, de forma mais grave,  desinvestimento nas àreas da ciências sociais e humanas, esta é uma boa notícia e um  justo prémio para homens, como Claudio Torres, que continuam, muitas enfrentando incompreensões e dificuldades várias, a apostar na investigação histórica e arqueológica.

Podem ler a notícia em baixo:

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Lancem um imposto sobre o disparate!! : Lobo Antunes defende que não havia opressão intelectual na Acção Católica no Estado Novo.

O Dr João Lobo Antunes é um eminente neurocirurgião aposentado, um cientista de valor inquestionável, mas que políticamente sempre foi um ultra reaccionário. Daí não vem mal nenhum ao mundo. Ainda vivemos em liberdade e e em democracia e cada um é livre de dizer os disparates que lhe apetece.

Felizmente, para todos nós, João Lobo Antunes dedicou-se à medicina e não à política e, na sua profissão, os portugueses devem-lhe muito.

Contudo o dr. Lobo Antunes, quando se põe a fazer comentários políticos ou a reescrever a "história", só diz asneiras e falsas verdades e pensa que a História se resume ao seu umbigo e á sua experiência de vida.

Dizer que não havia opressão intelectual no Estado Novo sobre as opiniões que a Igreja tinha é uma meia verdade. De facto, no geral, e até aos anos 60, a Igreja era um dos pilares do Estado Novo e por isso até se podia dar ao luxo de,  de forma inócua, fazer umas críticas pontuais ao regime, que não o beliscavam e até serviam para dar uns ares "democráticos" ao salazarismo. Talvez fosse a isso que Salazar se referia ao dizer que o Estado Novo era tão democrático e livre como a democrática Inglaterra (mais ou menos por estas palavras)!!!!.

Contudo, quando essas opiniões não eram tão inócuas para o regime como eram as da Acção Católica, muitos católicos sofreram na pele a "tolerância" do regime, que o digam o Bispo do Porto, mal usado nas declarações de Lobo Antunes, que conheceu o exílio por causa das suas opiniões, ou os participantes na vigília da capela do Rato, ou os padres africanos que foram perseguidos por denunciarem os crimes do colonialismo.

As palavras de Lobo Antunes são mesmo uma ofensa para esses católicos que desafiaram o regime e foram penalizados por isso nas suas vidas.

Ainda mais grave que as palermices ideológicas do Dr. Lobo Antunes,são alguns dos comentários que foram postados na página da Antena 1 sobre essa notícia, que té envergonharão o próprio médico, revelando de que forma o branqueamento que tem vindo a ser feito sobre o regime do Estado Novo está a produzir os seus efeitos nefasto contra o regime democrático.

Os que nos procuram impor o clima de austeridade em que vivemos começam a perceber que só nos conseguem impor o seu programa destruindo a democracia, e por isso essa gente começa a ter necessidade de opiniões "prestigiadas" como as de Lobo Antunes para justificar os ataques ao regime democrático e convencer-nos da "bondade" de um regime ditatorial como foi o salazarismo.


quinta-feira, 13 de março de 2014

A propósito da morte de D. José Policarpo...



Se olharmos para a evolução da Igreja portuguesa nos últimos dezasseis anos, aqueles que correspondem ao  “mandato” de D. José Policarpo como patriarca de Lisboa, o balanço é genericamente positivo, do ponto de vista de um cidadão que, como eu, não sendo católico, reconhece a influência social e cultural da Igreja na história portuguesa.


De facto, nas últimas décadas, a Igreja portuguesa esteve alguns passos à frente do conservadorismo histórico e dominante na hierarquia católica, revelando um espírito aberto aos grandes debates sociais e culturais contemporâneos, mantendo-se contudo fiel a princípios com os quais pessoalmente não me identifico, como, por exemplo, nas questões mais polémicas do aborto ou da homossexualidade.

Mas a Igreja tem sabido ser uma voz activa na defesa dos mais desfavorecidos e no combate às desigualdades socias, e esta evolução deu-se em Portugal duranta a liderança de D. José Policarpo.

Esta percepção de uma certa dose de progressismo social por parte da Igreja portuguesa actual foi, contudo, abalada durante as últimos anos, em parte porque D. Policarpo se pautou, nos últimos tempos por declarações polémicas, remando contra a própria evolução que a Igreja conheceu, colocando-se muitas vezes ao lado da retórica “social” do actual governo , justificando as injustiças cometidas em nome da troika ou a retórica argumentativa  dos portugueses que “viviam acima das suas possibilidades” , em parte porque a chegada de um papa como o papa Francisco ultrapassou pela “esquerda” a própria imagem progressista da Igreja portuguesa.

Seja como for, a Igreja portuguesa nunca mais será a mesma depois da passagem de  D. José Policarpo pelo patriarcado de Lisboa.

Em sua homenagem aqui deixamos um texto de , Sérgio de Almeida Correia hoje publicado no blogue "Delito de Opinião":

Um pouco mais sós - Delito de Opinião(clicar para ler)

terça-feira, 23 de julho de 2013

A FOTO DA SEMANA ...Finalmente temos um Papa que acredita em Deus e nas pessoas...

Não sou religioso nem crente, mas reconheço que só uma pessoa com coragem e que acredita em Deus e nas pessoas é que se arrisca a andar no meio da multidão como o fez ontem o Papa Francisco pelas ruas do Rio de Janeiro...uma viajem arrepiante e que o coloca com estadista a anos luz daquilo que temos por cá...

terça-feira, 9 de julho de 2013

O GOVERNO FOI À MISSA...




O governo (ou ex-governo, ou novo ex-governo, ou futuro ex-governo, ou ex-ex-governo????...) foi à missa e ouviu fartos aplausos.

Tudo aconteceu na cerimónia de homenagem ao novo cardeal de Lisboa.

A mim, que não sou crente, faz-me confusão manifestações destas em cerimónias deste tipo, tanto mais que conheço e admiro o homenageado, pouco dado ao folclore da política.

Por isso tudo essa manifestação pareceu-me orquestrada pelo bem oleado sector de agitprop deste governo, que tem na comunicação social, na maioria dos comentadores e nalgumas elites políticas os seus mais fies serventuários.

Ora o homenageado era a D. Manuel Clemente e não o primeiro-ministro ou ao presidente da República.

Manifestações como aquela são tudo menos espontâneas e implicam uma programação bem  organizada.

D. Manuel Clemente não merecia tamanha falta de respeito.

A única compensação disto tudo foi o facto de o homenageado ter conseguido uma ovação bem maior do que as outras duas tristes figurinhas da nossa política.

E já agora, se pensam que têm em D. Manuel Clemente um aliado, é melhor começarem a desenganarem-se. 

Ao contrário dessas figurinhas políticas, D. Manuel Clemente é um homem que está com  o povo e contra as malfeitorias que esses políticos fazem contra os cidadãos e, acima de tudo, um homem culto e progressista.

Em Portugal tem acontecido nos últimos tempos um fenómeno curioso, e diferente do passado: uma hierarquia da Igreja (Bispos e Conferência episcopal) que toma medidas e argumenta contra o capitalismo selvagem (muito na linha do actual papa) e se põe ao lado dos desfavorecidos, enquanto uma certa elite católica (Universidade Católica, Rádio Renascença…) continua na senda do passado, ao lado dos poderosos de sempre.

O que aconteceu nos Jerónimos só aconteceu porque foi essa elite, e não o povo católico, que se manifestou de forma desavergonhada na cerimónia.

Mas não tenham ilusões. D. Manuel Clemente não é um dos vossos.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Hoje era o dia do feriado do Corpo de Deus.

 (Fonte: Público)
Hoje era dia de feriado, o Dia do Corpo de Deus. 

É também o primeiro feriado a sentir o efeito da decisão deste governo em cortar quatro feriados em Portugal, tudo em nome do "desenvolvimento" e da "eficácia" economica.
De lamentar, igualmente, foi a cedência da Igreja aos argumentos do governo para aceitar cortes nos feriados. 

Ora, em pleno século XXI, a produtividade e a eficácia da economia não dependem da quantidade do trabalho, mas da sua qualidade e rentabilidade.

Ao que parece, mesmo com cortes nos feriados, cortes nos salários, aumentos do horário de trabalho, a situação financeira e económica do país vai continuara a agravar-se nos próximos anos.

Estou curios por conhecer um estudo económico que comprove a utilidade da extinção dos feriados.

A demagogia desta gente não tem limites...


sexta-feira, 15 de março de 2013

O LADO "NEGRO" DO PAPA "BRANCO"...



Não sendo crente, embora baptizado, considero que a eleição de um novo papa é importante pela influência que as suas acções podem ter em sociedades, como a portuguesa, onde cerca de 80% dos seus habitantes se declaram católicos.


Existem sempre duas áreas onde a acção e a influência de um líder da Igreja me merece especial atenção: a relação com a sociedade e a politica, por um lado, e a relação como os valores e os costumes, de outro. 


Empiricamente costumo avaliar a maior ou menor simpatia pessoal pelos membros da Igreja com base naqueles dois critérios. A Igreja hoje, pelo menos em Portugal, tem uma atitude muito mais progressista em termos sociais do que noutros tempos e tem tido um papel importante na denuncia dos efeitos da austeridade sobre a vida dos cidadãos, para além de ter um papel importante no apoio aos mais desfavorecidos.


Já no que respeita aos valores e costumes, nomeadamente em temas como o aborto,  a eutanásia ou a homossexualidade, estou radicalmente em oposição com aquilo que essa igraja defende, embora reconheça que, neste campo, me parece que a Igreja portuguesa tem, apesar de tudo, uma atitude mais ponderada que aquela que nos chega do Vaticano e de outras Igrejas.


Por tudo isso fui daqueles que recebi com alguma simpatia inicial a nomeação do cardeal argentino como papa. Na impressão do momento pareceu-me uma pessoa ponderada, com sentido de humor, revelando alguma humildade, fazendo-me lembrar a postura de um João XXIII ou de um João Paulo I.


Contudo, à medida que se foi conhecendo as atitudes passadas do novo Papa, comecei a duvidar dessa primeira impressão.


Uma das situação mais obscuras desse passado prende-se com a sua relação com a ditadura militar argentina no final do século passado.


Penso que essa deve ser uma das primeiras situações que o novo papa deve aclarar para ganhar maior credibilidade junto de crentes e não crentes.


Até lá deixamos aqui algumas notícias sobre esse passado, referido por várias fontes latino-americana. Embora não abonando muito a favor do seu passado, não deixam de ser significativas, contudo, as afirmações do antigo padre  brasileiro, Leonardo Boff, a figura mais mediática da chamada Teologia da Libertação, em defesa do passado do papa Francisco:

- a crónica de Horacio Verbitsky sobre o passado do actual papa pode ser lido AQUI;

- Estela de La Cuadra, tia de um bébé desaparecido durante a ditadura militar, denuncia AQUI a atitude cobarde do actual papa em relação ao pedido de ajuda da sua famíla na época da ditadura militar argentina;

- a imprensa argentina, afecta à actual presidente, denuncia AQUI a atitude do agora papa em relação á ditadura militar;

- e, por último, as afirmações de Boff em defesa do papa e contestando aquelas acusações.