Mostrar mensagens com a etiqueta Conselho de Concertação Social. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Conselho de Concertação Social. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

TSU – Chantagem Irresponsabilidade e Oportunismo



Fazer da redução da TSU condição para aumentar miseravelmente um já de si  miserável ordenado mínimo nacional até se percebe, vindo dos representantes dos Patrões (…sim, Patrões…Empresários é outra coisa, rara por estas bandas…).

A TSU foi usada, de forma chantagista por esses patrões para assinarem um acordo de concertação social. Uma atitude miserável, mas à qual já nos habituamos. E os próprios patrões, habituados que estavam a mandar nas decisões do anterior governo, apesar de terem à frente da Concertação Social um grande senhor, um dos últimos social-democratas do PSD, Silva Peneda, que lhes fez frente e refreou-os muitas vezes, tudo fizeram, nos seus costumados modos arrogantes, usando comentadores e alguma comunicação social em seu favor, para encostar o governo socialista à parede.

A este apenas restou aceitar a chantagem para conseguir a garantia de um aumento do salário mínimo. mesmo que miserável, à custa da redução da TSU para o patronato, medida que tinha sido iniciada pelo governo de Passos Coelho.

Como seria óbvio e coerente, CGTP, BE e PCP estão contra.

O que não se esperava era o oportunismo político de Passos Coelho, que procura, em mais uma das suas patéticas e miseráveis atitudes politicas, aproveitar-se das divergências que aquele acordo gerou entre a actual coligação que sustenta António Costa, para dando o dito por não dito, renegar os valores que sempre defendeu e uma medida que ele iniciou, vendo aqui uma oportunidade para agitar as águas e tentar sobreviver à sua própria decadência política.

Ou seja, pura politiquice no seu mais abjecto sentido…

Vai ser curioso ver o PSD a fazer campanha contra o patronato na Assembleia da República …

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Miserabilismo terceiro-mundista :" Patrões recusam aumento do salário mínimo para 530 euros"

AQUI por várias vezes nos referimos ao miserabilismo do discurso dominante sobre o salário mínimo.

Andam por aí  alguns comentadores muito preocupados com o "terceiro-mundismo" da existência de um governo apoiado numa maioria de esquerda, mas nunca os vimos preocupados com o verdadeiro miserabilismo terceiro mundista dos salários e pensões dos portugueses, ou, quando abrem a boca para comentar o assunto, é sempre para defenderem esta situação.

Já demonstramos também aqui que um salário inferior a 600 euros corresponde a menos de 30 euros de salário diário, por 8 horas de trabalho, ou menos de 3 euros à hora.

Ainda por cima o salário mínimo não é uma excepção repugnante do mercado do trabalho, é uma regra que atinge quase 20% dos trabalhadores portugueses, sem esquecer casos ainda mais graves que não estão contabilizados, juntando-se a tudo isso a precariedade e insegurança em que vive a maior parte dos trabalhadores (ou os "colaboradores" da novilíngua neoliberal).

Parece-me indigno e até vergonhoso que ainda seja preciso andar a justificar permanentemente e a realizar reuniões intermináveis para conseguir convencer comentadores, economistas, políticos e representantes do grande patronato da justeza de um já de si ridículo aumento do salário mínimo nacional, quando os mesmos se mantém silenciosos sobre o escândalo de certos salários que por aí se praticam, como é o caso do ex-secretário de Estado Sérgio Monteiro que vai auferir um salário de 30 mil euros pagos pelos contribuintes para fazer um trabalho que está a ser feito por outras duas entidades...e este é apenas uma pequena ponta do iceberg ..

Vamos lá a ter um pouco de vergonha na cara!!!

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

São as pessoas, ó economistas, comentadores e governantes estúpidos!


Já alguém definiu esta crise como o roubo mais bem organizado ao bolso dos cidadãos.

Os responsáveis estão identificados: os especulativos sectores financeiros, os accionistas das grandes empresas preocupados exclusivamente com o lucro chorudo e imediato, os corruptos de toda a espécie (com são em Portugal os casos BPP, BPN, os off-shores,os  branqueamentos de toda a espécie, a  fuga aos impostos, e etc…), os políticos que deixaram de representar os cidadãos e se tornaram meros lacaios e executantes dos interesses dessa gente, tudo misturado com as opções económicas erradas e irresponsáveis dos últimos anos( auto-estradas a mais e mal planificadas, PPP´s, monopolização privada de bens públicos, urbanização caótica, destruição do aparelho produtivo, benesses e contratação de incompetentes “boys” para gerirem os bens públicos, adesão apressada ao euros, disseminação anárquica de grandes superfícies… ), tudo isto com a criminosa conivência da Comissão Europeia.

Agora que o dinheiro se acabou querem fazer-nos quere que fomos nós, os cidadãos trabalhadores e produtivos, que “andámos a viver acima das nossas possibilidades”!!!. …que é preciso acabar com o estado social, que é preciso cortar no investimento em cultura, em educação e em saúde.

Os sacrifícios e a austeridade, se, nas actuais circunstâncias criadas por aquela gente, é uma situação inevitável, podiam ser aceitáveis se não continuassem a ser sempre os mesmos, os trabalhadores e as empresas produtivas, e os socialmente mais vulneráveis, os pobres, os desempregados, os jovens, os reformados, a pagar para que toda a aquela gente continue a beneficiar de salários e reformas douradas, de lucros que, mesmo em queda, continuam a ser lucros fabulosos, continuando a escapar à justiça e aos sacrifícios que tanto exigem aos outros.
O argumento com que justificam esta desigualdade de tratamento é o de que, por um lado não existe outro caminhos e, por outro, como essa gente é minoritária e “está no mercado”, cortes nas suas reformas , nos seus ordenados, nos seus privilégios, nos seus lucros e nos seus luxos, não alteravam nada, nem eram compatíveis com as “necessidades” dos “mercados”.

Mas como se vê no caso da Islândia, existem alternativas. Aí os sectores financeiros e especulativos e os políticos que os apoiaram, foram banidos de qualquer apoio financeiro, tiveram que arcar com as perdas financeiras que resultaram da sua irresponsabilidade e, em muitos casos, tiveram que responder em tribunal pela sua responsabilidade na crise. Com essa atitude o governo islandês  teve o apoio dos seus cidadãos para as medidas de saneamento financeiro e para as reformas necessárias para a recuperação do país, o que, aliás, já está a acontecer a bom ritmo.

Claro que a Islândia tem várias vantagens em relação a Portugal: tem cidadãos atentos, activos e interventivos, não está sujeita às politicas financeiras cegas e irresponsáveis impostas pela srª Merkel, pela Comissão Europeia ou pelo BCE.

Por sua vez, por cá, a CGTP, com se pode ver no artigo em baixo transcrito, apresenta um conjunto de medidas alternativas à austeridade cega que o governo continua a insistir a impor aos trabalhadores, deixando de fora, ou beliscando apenas ao de leve, os sectores financeiros e as grandes fortunas.

A CGTP propõe um taxa de 0,25% (sim, apenas 0,25%) sobre as especulativas transacções financeiras, que permitiria uma receita de cerca de dois mil milhões de euros, uma sobretaxa de 10% sobre os dividendos distribuídos pelas grandes empresas aos seus accionistas, (que estão isentos…10% é uma taxa modesta se comparada com os 20 a 30% que muitos trabalhadores pagam de IRS…), que permitiria arrecadar cerca de 1600 milhões de euros, a criação de um escalão de IRC com uma taxa de cerca de 33% para as empresas com mais de 20 milhões de euros de lucro, que permitia arrecadar mais mil milhões de euros. Por último propõe um combate mais eficaz à evasão fiscal, tendo por objectivo imediato reduzir em 2% o peso da economia paralela na economia, o que permitiria arrecadar mais algumas centenas de milhões de euros.

Se acrescentarmos a estas propostas o aumento de imposto sobre tabaco e bebidas alcoólicas proposto pela CIP, e uma taxa de 0,3% (equivalente à taxa mínima de IMI) sobre o património financeiro, defendida num estudo editado no passado dia 21 nas páginas do jornal Público, o qual permitiria arrecadar mais 2500 milhões de euros, o governo e a troika deixam de ter argumentos para continuar a insistir no seu modelo de austeridade, que já deu provas de ser errado, como o demonstram  todos os números após dois anos de austeridade, o qual só tem levado ao aumento de desemprego e falências, redução das receitas fiscais aumento da recessão muito para além do previsto, sem qualquer resultado na redução do deficit, antes pelo contrário, sendo a situação Grega um bom exemplo do que resultará da insistência dessas políticas para Portugal .

Podíamos acrescentar que o governo podia insistir junto do BCE e da Comissão Europeia para que fossem tomadas medidas políticas contra a especulação da dívida por parte das agências de rating e contra os off-shores.

Infelizmente este governo parece cego surdo e mudo, visando apenas ir buscar aos mesmos de sempre por outra via o que não conseguiu, por pressão da rua, através da sua proposta para a TSU. Infelizmente, também, este governo não tem coragem para enfrentar os poderes instalados do FMI, do BCE, da Comissão Europeia e da sr. Merkel e dos obscuros interesses financeiros que mexem os cordelinhos dessas instituições.

Para além da agenda neoliberal que está por detrás da atitude deste governo em “ir além da troika”, uma atitude de puro oportunismo político, a insistência do governo nas suas medidas de austeridade já começa a raiar a simples estupidez.

Se, da reunião do Conselho de  Concertação Social de hoje não sair a aceitação de algumas das medidas propostas pela CGTP, então essa estupidez vai ficar confirmada e este governo não pode querer continuara  ter paz social. Por outro lado, a proposta da CGTP retira argumentação ao governo e aos comentadores e economistas que continuam a defender este tipo de austeridade, por “falta de alternativas”. Agora existe um projecto alternativo. Se a esquerda for inteligente, tem na proposta da CGTP uma boa base de trabalho para um projecto alternativo a estas políticas estúpidas e descaradas.

Parafraseando alguém, “são as pessoas, ó governantes, economistas e comentadores estúpidos!”.