sexta-feira, 31 de março de 2017

A Foto da Semana

(Fotografia de Kevin Frayer/Getty Image)
Um mecânico de bicicletas de Pequim no meio de bicicletas para reparar.

quarta-feira, 29 de março de 2017

“Brexit” ou “Eurexit”?



A Grã-Bretanha assume hoje a sua saída da União Europeia, um processo que ainda vai demorar cerca de dois anos a concretizar-se plenamente.

Embora todas as análises considerem que vai ser a Grã-Bretanha a sofrer as piores consequências pela decisão, nada garante que assim seja.

Os países mais desenvolvidos da Europa estão fora da União Europeia, com são o caso da Noruega e da Suiça.

Por sua vez o único país que conseguiu ultrapassar a crise financeira e resolve-la de forma adequada e a favor dos cidadãos foi outro país que está fora da União Europeia (EU), como foi o caso da Islândia (que, aliás, desistiu do processo de adesão à União Europeia).

Por isso não é liquido que, a médio prazo, a Grã-Bretanha não venha a beneficiar da sua saída da EU.

Aliás, penso que é esta hipótese que mais preocupa os burocratas do Politburo de Bruxelas, pois uma Grã-Bretanha que a prazo venha a crescer e a melhorar as suas condições socias e económicas seria um “mau exemplo” para os burocratas de Bruxelas e podia entusiasmar outros países, sujeitos ao garrote “austeritário” de Bruxelas, a rebelarem-se a exigirem, ou um novo rumo para a Europa ou a saída da organização.

É essa preocupação que justifica a atitude de alguns desses burocratas, procurando hostilizar os britânicos e tornar a separação uma separação altamente litigiosa e conflituosa, dificultando ao máximo a saída, pois precisa que esse acto sirva de exemplo a qualquer tentativa de rebeldia no seio da EU.

Claro que os motivos que levaram a Grã-Bretanha a sair não são bons motivos, mas, se o resultado for o contrário do que é vaticinado por comentadores e políticos fiéis à ortodoxia de Bruxelas, o “Brexit” pode transformar-se, a prazo, num “Eurexit”.

"Brexit" em cartoon´s

terça-feira, 28 de março de 2017

Contra as "troikas" a o Politburo de Bruxelas, Eu, EUROPEU me confesso


A minha cultura, as minhas memórias, os meus valores e as minhas convicções são todas “europeístas”.

Nasci num país que ligou a Europa ao mundo, nem sempre pelas melhores razões e raramente da forma mais humana.

Nasci num país e fui criado num regime que copiou os tiques e os métodos de uma ideologia que nasceu na Europa, o fascismo  ( como nasceram na Europa o anarquismo, o liberalismo, a democracia, o comunismo, a social-democracia...).

Nasci num país e fui criado num regime que, na minha juventude, era ainda a última encarnação de uma atitude europeia face a outros povos, uma regime colonialista que sonhava com a preservação de um Império.

Nasci num país que tinha como religião oficial o cristianismo e onde a Igreja, para o bem e para o mal, tinha um poder imenso sobre os valores incutidos e o quotidiano de todo um povo.

Nasci e vivi num  país outro que lutou pelo ideal democrático e liberal ou partilhou ideologias alternativas ao Estado Novo, todas, para o bem e par o mal, criadas e fomentadas no espaço Europeu.

Muito da cultura que me incutiram na infância e na juventude, ora como modelo, ora com contraponto a esse modelo, foi toda ela uma cultura europeia ou “ocidental”, na musica, na literatura, no cinema, na banda-desenhada, nas artes plásticas…
 
Por isso não alinhei na euforia provinciana à volta da adesão a um dos modos possíveis de ser Europeu, pertencer à então CEE, como aconteceu em 1986.

Na altura existiam outros organismos parecidos, a EFTA, mais a norte e dominada pela Grã-Bretanha, e da qual o Estado Novo salazarista tinha sido um estado fundador e o COMECON, o equivalente económico nos estados do leste da Europa, ditaduras ditas “democracias populares”, lideradas pela União Soviética.

Curiosamente a EFTA ainda existe, formado apenas por 4 países, mas que são os países mais prósperos da Europa, a Noruega, a Islândia, a Suiça e o  Liechtenstein.

Para mim sempre pertencemos, para o bem e para o mal, à história, cultura e sociedade Europeias, um conjunto mais vasto e abrangente e culturalmente mais diverso e rico do que a actual União Europeia.

Por isso também não embarco na actual confusão reinante de rotular toda e qualquer crítica à deriva anti-democrática e anti-social reinante nas decisões tomadas pelas instituições “europeias”, como sendo “populismo” ou “eurocepticismo”.

Criticar o modelo “austeritário” imposto pelo politburo de Bruxelas, criticar a falta de democracia reinante nas instituições europeias, ou criticar as desigualdades crescentes provocadas pela forma como o “euro” foi implementado,  não é ser “euroceptico” ou “populista”, mas é, pelo contrário, alertar para os verdadeiros perigos que um projecto, com uma origem generosa de defesa na abertura de  fronteiras, no combate às  desigualdades sociais e na garantia de direitos sociais humanos e políticos, está a correr às mãos da actual elite que a dirige, cativada pelo corrupto poder financeiro.

De facto, é essa mesma deriva “austeritária” e “financista” que leva a fenómenos como o “Brexit” e está a gerar e a dar força ao verdadeiro populismo, que tem um nome que muitos temem pronunciar: neo-fascismo.

Criticar e encontrar alternativas a essa deriva da União Europeia, protagonizada por instituições burocratizadas  e reféns do poder financeiro,   e pelas suas actuais elites coniventes com  esse poder, é a única maneira de salvar um projecto que tem potencialidades para melhorar a vida dos cidadãos europeus e para se tornar uma verdadeira alternativa que, como o fez noutras alturas, combine a democracia e a liberdade com o combate às desigualdades sociais e a manutenção de direitos sociais, universais e humanistas.

Continuar na deriva actual, isso sim é condenar o projecto europeu à sua destruição e abrir caminho às derivas “populistas” xenófobas e neo-fascistas, fazendo a Europa regressar às suas guerras fratricidas de sempre.

Por isso, parem de me chamar “populista” e “eurocéptico” cada vez que defender uma Europa mais justa e humana, ou criticar a deriva “austeritária” imposta pelo “politburo” de Bruxelas.

Ser Europeu é defender a democracia, a liberdade, a justiça social e os direitos socias.

sábado, 25 de março de 2017

As única palavras lucidas no 60 º aniversário do projecto europeu


Dos burocratas do politburo de Bruxelas hoje reunidos em Roma, para comemorar um projecto que eles andam entretidos a destruir, pouco mais se espera que retórica e fotografias de circunstâncias.

As únicas palavras que os cidadãos europeus, vítimas dessa gente, gostariam  de ouvir foram proferidas por alguém que não pertence à triste liderança da União Europeia, e foram estas:

“O primeiro elemento da vitalidade europeia é a solidariedade. O espírito de solidariedade é hoje, e mais do que nunca, necessário, perante as forças centrifugas e a tentação de reduzir os ideais fundadores a práticas económicas e financeiras (…).Quando uma instituição perde o seu sentido de direcção e deixa de olhar para a frente, entra em regressão e, se ele se prolongar, morre”.

Não, a frase não foi dita por um “perigoso esquerdista” ou por um “perigoso eurocéptico”.

Foi dita por um dos únicos lideres lúcidos do ocidente, o papa Francisco, ontem ao receber os burocratas da União Europeia.

Será que eles  as perceberam???

O Respigo da Semana : "Em Roma já não sobra nada" por Francisco Louçã


"Em Roma já não sobra nada
por Francisco Louçã
Djisselbloem parece ser tudo o que a União Europeia tinha para dar. Tem sido ele quem faz, pois é uma marreta de Schauble, que cuida do controlo político sobre o euro através dessa instituição sem regras, o Eurogrupo. É ele, o dogma de uma política económica destruidora. É ele, a transumância política entre socialistas e a direita, nesse nevoeiro em que se tornou a “governança” europeia. Ou, como escrevia Viriato Soromenho Marques, europeísta lúcido, esta gente é a figuração de “um dos problemas europeus, sem remédio aparente, o défice de competência política e o excesso de cabotinismo que reina no fervilhar das chancelarias”.

A esse cabotinismo respondeu António Costa com um ultimato em tempo certo: demita-se, ou o euro não tem futuro. Só que pode parecer ou exagerado ou ambíguo. Se Djisselbloem sair, e vai sair dentro de alguns meses para salvar as aparências, outro virá para um caminho que poderá ser semelhante. O que é que então quer dizer que o euro não tem futuro – é por ter um cabotino à frente do Eurogrupo (a obedecer à Alemanha) ou é por seguir uma política cabotina (que a Alemanha impõe)? No dia da triste festa de Roma, não creio que haja outra pergunta.

Será então que o ministro holandês se limitou a exagerar os seus preconceitos, em contraste com a frieza equilibrante dos burocratas europeus, nada dados a exageros? A experiência diz que não. Afinal, tivemos a Grécia (vendam as ilhas, dizia um ministro alemão). Afinal, temos Guenther Oettinger, o comissário europeu promovido para dirigir o Orçamento e que exigia que os países endividados ficassem com a bandeira a meia haste (além de outras aleivosias racistas). Afinal, temos Juncker, que afirma que a França deve ser isenta das obrigações dos Tratados por ser a França. Se portanto nos perguntamos se Dijsselbloem é simplesmente uma anedota que se pode descartar com o abanar da mão, a prudência pede que se olhe para a floresta e não só para a árvore: o homem foi simplesmente a voz do governo europeu.

Terá sido por isso mesmo que Sampaio já se tinha erguido, aqui no PÚBLICO, contra o caminho do desastre: uma “corrida para o abismo”, com o “ponto de não retorno” do Brexit, tudo agravado pela inviabilidade de 10-15 anos de austeridade impostos pelo Tratado Orçamental aos países periféricos, a que ainda acresce a “gestão desastrosa” da questão dos refugiados e “uma clara acumulação de dificuldades, problemas mal resolvidos e alguns estrondosos insucessos” e, em consequência, “o esboroamento a olhos vistos da confiança na União Europeia, nas suas instituições e nos seus líderes”. O “esboroamento”, nada menos.

Mais, acrescentava o ex-Presidente, isto não vai ser corrigido: “o pior é que, de facto, ninguém parece acreditar que Bruxelas (ou Berlim) tenha qualquer iniciativa nos próximos meses para responder à crise da eurozona, para alterar a ortodoxia financeira dos credores ou para criar as condições institucionais e orçamentais que tornem possíveis programas de reforma nas economias mais frágeis”. O teste está a ser feito na Cimeira que decorre este fim de semana em Roma: haverá palavras de circunstância sobre o atentado de Londres e sobre os 60 anos da fundação, enquanto os cinco cenários de Juncker serão misericordiosamente enterrados e não haverá nada sobre como deve a União superar a desunião e o desprezo pela vida dos desempregados, ou dos trabalhadores, ou dos jovens. Afinal, o dijsselbloismo tem triunfado sem oposição nas cimeiras europeias.

Claro que em Portugal, apesar da indignação espraiada até entre os partidos de direita contra “as mulheres e os copos”, ainda sobrou a brigada conservadora que veio defender Dijsselbloem. Helena Garrido já tinha dito que o chefe dele, Schauble, tinha razão, aliás os chefes têm sempre razão e, se anuncia que vem um resgate, é porque sim e até é um favor que nos faz. Camilo Lourenço, um homem do CDS, alinhou imediatamente com Dijjselbloem, que andava tudo a exagerar e no fundo o homem tem razão.

José Manuel Fernandes reconhece, pesaroso, que a frase é “infeliz”, para logo também concluir que tem razão. Mais ainda, entusiasmado com a ideia, Fernandes ensaia no Observador a sua própria versão do dijsselbloemês, advertindo-nos paternalmente: “a próxima vez que um filho vosso (ou um irmão) que está em riscos de chumbar o ano vos vier pedir dinheiro para ir ‘com a malta’ para ‘a noite’ na véspera de um exame decisivo, passem-lhe logo o cartão do multibanco e o respectivo código, não vá ele acusar-vos de ‘moralismo’ e ‘preconceitos’, talvez mesmo de ‘xenofobia’, porventura de ‘racismo’ e ‘sexismo’. Como sabem, assim ele irá longe na vida”. Este catálogo de pecados é maravilhoso e serve para explicar porque é que Dijsselbloem, no fim das contas, é como o nosso pai quando cuida de nós e não cede à tentação de nos deixar ir para a “noite”. Os conservadores continuam a lastimar a falta do Diabo, que vinha e não veio, e ficam-se por agora pela certeza de que “copos e mulheres” ou os “copos” e a “noite” na “véspera de um exame decisivo” nos levam pelo caminho da condenação aos infernos.
 
Ainda não perceberam que de inferno sabemos todos muito, vivemos a caminho dele desde que Passos Coelho nos explicou que, com a troika, precisamos mesmo de empobrecer – sem “copos” e sem “mulheres”, diria o presidente do Eurogrupo."

quinta-feira, 23 de março de 2017

A Banalização do Terror


A Europa foi, ontem, alvo de mais um ataque terrorista.

Londres foi desta vez o alvo, mas sentimos que este tipo de ataque, sem necessidade de grandes recursos, executado por um fanático isolado, pode acontecer em qualquer grande cidade da Europa e do mundo.

A repetição e sequência deste  tipo de ataques levante, desde logo, três questões: em primeiro lugar, o terrorismo corre o risco de se tornar uma coisa banal, com o qual temos de viver no dia a dia das grandes cidades; em segundo lugar, começa a ser questionável se o tipo de tratamento que a comunicação social dá a este tipo de actos terroristas não é ele mesmo gerador desse tipo de actos, pelo espectáculo feito à sua volta e pela capacidade de multiplicação de imitadores que o espectáculo pode provocar, pelo o desejo de “15 minutos de fama” e de visibilidade que essa actuação permite à causa jhiadista ou  à mera  irrelevância da vida de um louco solitário; em terceiro lugar a diferença de tratamento que se dá quando o ataque terrorista é em solo europeu ou vitima europeus  e ocidentais, em relação à pouca atenção que merece um ataque, por vezes muito mais violento ou mortífero, quando tem lugar, quase diárimanete, em África ou no Médio-Oriente e vitima “apenas” africanos e àrabes.

A publicidade é o principal objectivo desses actos de terror, e por isso era importante repensar a forma como esses acontecimentos são divulgados.

Um outro problema é todo um conjunto de questões que vou colocando aqui de cada vez que se repete mais um acto bárbaro como o que ensombrou ontem a cidade de Londres e que continuam sem resposta: quem financia o Daesh?; quem os arma?; como é possível que a internet continue a funcionra como centro de divulgação e recrutamento para a causa jhidaista? qual o papel de países como a Turquia, um país da NATO, e da Arábia Saudita, um aliado tradicional do “ocidente”, já para não falar no papel ambíguo de Israel, no meio de tudo isto?...

Em recente documentário exibido num canal por cabo, julgo que no “Odisseia”, levantava-se alguma ponta do véu, confirmando-se o papel da Turquia na canalização de matéria processada pelo “Estado Islâmico”, como o petróleo e o algodão, que estão na base de parte do seu financiamento, negócio com o qual lucram muitas empresas ocidentais ligadas o petróleo e à industria têxtil, não sendo de estranhar se todos nós, quando colocamos gasolina no carro ou compramos roupa não estamos indiretamente a financiar o Daesh.

… e já para não falar no envolvimento, directo ou indirecto, do sector financeiro mundial e da industria de armamento no “apoio” ao Daesh, como, noutros tempo ou noutras áreas geográficas, “apoiam” ditaduras e a degradação social, desde que o lucro fácil esteja garantido.

Por isso é bom que a repetição de actos terrorista não  nos levem a  banalizar esse mal e a deixar de tentar perceber e exigir saber quem está por detrás dessa gente.

Por agora, o populismo de extrema direita é o beneficiário mais visível da barbaridade desses actos…mas não é o único…

…Dêem menos espectáculo e investiguem mais, senhores jornalistas!!

Mais um dia de terror na Europa nas primeiras páginas da imprensa































Cartoon's e desenhos contra o terror em Londres

quarta-feira, 22 de março de 2017

O sr Djisselbloem coloca mais um prego no "caixão" da União Europeia



Djisselbloem, o “credível” líder do Eurogrupo, (titular de um mestrado inventado…), o “lulu” de Wolfgang Schäuble, que levou o seu partido a uma humilhante derrota eleitoral, continua a contribuir para a subida eleitoral da extrema-direita euroceptica.

Metaforicamente ou não, de forma boçal ou mais velada, não duvido, seguindo a sua actuação ao longo do tempo como líder do Eurogrupo, que o sr. Djsselbloem pensa mesmo que os países do sul andam a desbaratar o dinheiro que ele nos “deu” (???) em mulheres e vinho.

Contudo, já há quem ande por aí a desvalorizar as hipotéticas palavra do arrogante Djisselbloem, comoo site “Os Truques da Imprensa Portuguesa” (ver em baixo o texto desse site).

Contudo . a interpretação algo rebuscada que aquele site faz das palavras daquela triste figurinha que lidera o Eurogrupo, não atenua nem um pouco a indignação que devemos sentir por aquelas palavras.

Apesar da tentativa esburacada de tentar branquear a costumada boçalidade de Djsselbloem, este estava mesmo a referir-se aos países do sul.

Mas até podia dar de barato a justificação que o site dá para o desvario do ainda Ministro das Finanças Holandês.

Mas foi o próprio Djsselbloem a lançar achas para a fogueira, na sua desastrosa intervenção no parlamento europeu.

A polémica não teria atingido a dimensão que está a tingir só  por causa do artigo, que até tinha passado quase despercebido do publico em geral, se não se tivesse registado a intervenção dessa triste figurinha, símbolo da actual elite política europeia, naquele parlamento.

Confrontado com esse artigo por um deputado espanhol, que interpretava aquela frase como uma acusação aos países do sul, a tal interpretação que o site “truques da imprensa…” contesta, o sr. Djsqualuquercoisa podia ter respondido com os argumentos do “truques…” e a coisa morria aí.

Mas não, ele, de uma forma talvez um pouco atabalhoada e confusa, talvez depois de uma noite de copos e “mulheres”, não só não desmentiu o deputado espanhol, como confirmou aquela interpretação.

Ou seja, pode ser verdade que no dito artigo o líder do Partido Trabalhista holandês humilhado nas últimas eleições nesse país, não tenha dito exactamente que os países do sul andaram a gastar dinheiro em bebidas e mulheres, mas acabou por confessar que era mesmo isso que pensava.

Isto é, o sr Djsselbloem, confrontado com uma interpretação que até podia ser abusiva sobre uma metáfora boçal e de mau gosto (como é seu timbre), em vez de explicar com argumentos idênticos aos usados por aquele site, reagiu como se pensasse : “boa idéia, era mesmo isso eu eu queria dizer e não o disse no artigo porque não me expressei abertamente”.

Pessoalmente não é esta polémica que altera o que penso, desde sempre, dessa figurinha. Um arrogante e boçal líder de uma instituição como o Eurogrupo, que tem agido de forma ilegítima,  e contribuído para  agravar a crise financeira na Europa, para destruir a solidariedade europeia e que todos os dias dá argumentos ao populismo euroceptico da extrema-direita.

Se esse senhor fosse um homem com ética, teria posto o seu lugar à disposição assim que foram conhecidos os resultados do seu partido nas eleições holandesas.

Por tudo o que fez nesse cargo e pela forma como continua agarrado ao cargo, para mim, como cidadão europeu que sempre votou e pagou os seus impostos e que sofreu na pela a austeridade mal conduzida por aquela instituição anti-democrática, as palavras de  Djsselbloem não têm qualquer valor e só continuam a arrastar o Eurogrupo para a total ilegitimidade e, o que é mais grave, a União Europeia para a desagregação.

Escreve esse site o seguinte:

“Não há nada que una mais um povo que ser insultado por estrangeiros. O português não é diferente e a imprensa sabe-o.

“Vem isto a propósito das declarações de Djisselbloem, presidente do Eurogrupo.

“Disse Djisselbloem (tradução do Público): “Na crise do euro os países do Norte mostraram solidariedade para com os países do Sul. Como social-democrata, a solidariedade é para mim extremamente importante. Mas quem a pede, tem também deveres. Não posso gastar o meu dinheiro todo em bebida e mulheres e depois disso ir pedir a vossa ajuda. Este princípio vale para o nível pessoal, local, nacional e também europeu”.

“Nos ecos desta frase (um pouco por toda a Europa), omite-se convenientemente, em muitos deles, a última frase. Para nós, faz toda a diferença.

“Vejamos: Djisselbloem estava a dar uma entrevista e tinha como tal um interlocutor direto. Deu-lhe um exemplo: não posso gastar O MEU dinheiro em bebida e mulheres e depois pedir a VOSSA ajuda. E indicou que este princípio governa (ou deve governar) não só as relações pessoais (como era o exemplo que ele estava a dar) mas todas as outras.

“É claríssimo, com a citação completa, que Djisselbloem não acusou os países do sul de gastar dinheiro em mulheres e copos. Djisselbloem utilizou uma metáfora, que se aplica nas relações pessoais (e que cada um de nós a poderia ter dito e concordará com ela quando aplicada nesse tipo de relações pessoais).

“Foi, porventura, uma metáfora infeliz, por dever saber que a imprensa não perdoa. A metáfora de Djisselbloem depressa se transformou numa acusação literal: “Djisselbloem diz que os países do sul gastaram o dinheiro todo em bebida e mulheres”. De facto, quem é que não se insurge contra uma frase estúpida destas? Nem sequer faz sentido!

“Entretanto, a imprensa portuguesa já cita, alterando, uma nova frase: “Não SE PODE gastar em mulheres e álcool”. Ora, nesta formulação e sem a última frase, a ideia de que Djisselbloem estava a utilizar um exemplo (e não a acusar) desaparece por completo.

“Tivesse Djisselblom sido mais cauteloso e passasse a mesma mensagem com outra metáfora: “Não posso furar os pneus da minha bicicleta e depois pedir ajuda para a arranjar”. Já imaginaram os títulos? “Djisselbloem acusa os países do Sul de estragarem as suas bicicletas de propósito.” Hum, não ia soar bem.

“Aceita-se a crítica do que está por detrás das palavras de Djisselbloem: a ideia de que os países do Sul gastaram mais do que deviam, de que os países do Norte são uns coitados que nos sustentam. Essa ideia, muitas vezes apregoada, merece ser debatida, discutida e rebatida.

“Agora: Djisselbloem não acusou os países do sul de gastarem dinheiro em mulheres e copos. Simplesmente, não o fez. E a imprensa que nos vende isto sabe-o bem, mas assim vende mais”.
 

quinta-feira, 16 de março de 2017

O Eurogrupo "perde" as eleições na Holanda


São muitas as leituras que se podem fazer das eleições holandesas.
A maioria dos comentadores aponta apenas no sentido da “derrota” da extrema-direita.
Uma “derrota” que, bem analisada, não é assim tão evidente, já que o partido de extrema-direita foi o segundo partido mais votado e um dos que mais cresceu na Holanda, elegendo 20 deputados, mais cinco do que nas eleições anteriores.
Ou seja, os que se apresaram, com base em sondagens à boca da urna, em anunciar a “morte” da extrema direita, revelaram mais uma vez não perceber as raízes do populismo e arriscam-se a continuar a sofrer dissabores nas eleições que se seguem.
Mas a maior derrota foi a do Partido Trabalhista, ao qual pertence o arrogante líder do Eurogrupo, o até aqui ministro das finanças dos Países Baixos Jeroen Dijsselbloem.
De segunda maior força política na Holanda, o partido trabalhista holandês ficou em 7º lugar nas eleições, elegendo apenas 9 deputados, perdendo um total de 29 deputados.
Dijsselbloem é o rosto da austeridade que foi imposta aos holandeses nos últimos anos, mas é também o rosto do” austeritarismo” que marcou a acção ilegítima do eurogrupo contra os cidadãos europeus e um dos grandes responsáveis pelas divisões no seio da União Europeia que fomentaram o crescimento do populismo de extrema-direita.
Por isso, os verdadeiros derrotados nestas eleições forma os defensores da austeridade europeia, em especial o bando do Eurogrupo, derrota que não foi ainda mais marcante  porque a dispersão do eleitorado holandês disfarçou a queda também abrupta do partido conservador de Mark Rutte, que só ficou em primeiro, apesar de ter perdido 8 deputados, a segunda maior queda partidária destas eleições, graças a essa dispersão de deputados por 13 partidos.
O facto positivo foi a grande subida da “Esquerda Verde” que elegeu 15 deputados e a manutenção da grande votação no Partido Socialista, com 14 deputados.
Outro partido de Esquerda, o Partido pelos animais, elegeu 5 deputados, registando uma grande subida nas eleições.

terça-feira, 14 de março de 2017

Afinal as acusações a Sócrates existem ou não???!!!!


Sou daqueles a quem José Sócrates nunca inspirou um pingo de confiança.

Sócrates, o político, muito antes de ter sido badalado pelas más razões que agora vão sendo conhecidas, sempre representou, para mim, o pior da política: um político carreirista, deslumbrado pelo poder e pelo dinheiro, um exemplo acabado do célebre queirosiano Conde de Abranhos adaptado ao século XXI e às novas tecnologias.

Por isso nenhuma das acusações que vieram a lume contra ele me surpreenderam.

O que me surpreendeu foram duas coisas:

em primeiro lugar, não sendo o percurso de José Sócrates muito diferente do percurso de tanto político do centrão formado na abundância de fundos europeus e no crescente domínio do mundo financeiro sobre a política , surpreende-me que, até hoje, apenas sobre ele recaiam as atenções da justiça e dos media… “Cadé “ do Cavaco do BPN, do Coelho da Tecnoforma ou do Portas dos submarinos, para não recuar mais no tempo????;

em segundo lugar, fico estupefacto que a justiça esteja a trabalhar a contra-relógio esta semana, até à próxima 6ª feira, para o poderem acusar!!!! Mas afinal o homem esteve tanto tempo preso sem haver já suficientes provas para o acusarem? …e , passado este tempo todo, continuam sem ter acusações suficientes para o levarem a tribunal????

Parece-me bem que esta história anda mal contada, ou porque já se aperceberam que, para o acusarem, têm de acusar meio mundo do regime político do centrão, ou que, graças ao bom trabalho de alguns gabinetes de advogados que trabalham para o Estado, tudo aquilo que é eticamente condenável no mundo dos negócios em que se moveu Sócrates é perfeitamente legal e escapa à justiça, ou porque existem valores ainda mais altos ( a nível da União Europeia?)  que podem ser atingidos se acusarem Sócrates, ou um pouco de tudo isto...

Continuo a aguardar “cenas dos próximos capítulos”….

João Abel Manta, o cartoonista do 25 de Abril com exposição em Torres Vedras

BêDêZine: João Abel Manta, o cartoonista do 25 de Abril: João Abel Manta, nascido em 1928, filho de pintores e formado em aquitectura, homem da oposição a Salazar, destacou-se como um dos mais importantes cartoonistas portuguese da segunda metade do século XX. Os seus trabalhos vão estar em Torres Vedras a partir do próximo dia 18 de Março... (clicar para ler mais).

Exposição de Cartoon´s de João Abel Manta em Torres Vedras

quinta-feira, 9 de março de 2017

Quando a “censura” , em nome da “liberdade”, legitima os inimigos da liberdade


 
Um dos combates que marcou a minha geração foi o combate contra a “censura”.

Sou daqueles que penso que todos têm direito à sua opinião, mesmo aqueles que emitam as mais disparatadas e boçais opiniões.

Claro que a liberdade tem um limite, que é quando interfere com a liberdade dos outros, ou, por outras palavras, “a minha liberdade termina quando começa a liberdade dos outros”, uma frase que li uma vez, por alturas do PREC,  numa tarjeta colada no carro de um democrata torriense, o sr. João Carlos, frase essa atribuída ao Bispo do Porto, D. António, o que ousou enfrentar Salazar, que é a inversão da frase mais positiva de Hegel que defendia que “a minha liberdade começa quando encontro a liberdade do outro”.

Para definir o limite dessa interferência sobre  a livre opinião, para além do bom senso, existem as leis.

Por isso também não sou daqueles que começa logo a gritar  contra a “censura” quando obrigam os responsáveis por actos e opiniões que ofendem terceiros, muitas vezes assentes em mentiras puras e na mais abjecta boçalidade,  são obrigados a responder e a pagar por esses actos.

Aquilo que se passou na Faculdade de Ciências Humanas e Sociais (???) da Universidade de Lisboa é um verdadeiro acto de censura, ou, pior ainda, um acto de censura baseado na cobardia da direcção daquela faculdade.

Não simpatizo com as ideias de Jaime Nogueira Pinto. Aliás, encontro-me mesmo nos antípodas da sua ideologia.

Mas, discordando-se radicalmente dele, Jaime Nogueira Pinto é uma pessoa culta, que sabe fundamentar as suas opiniões, defendendo-as sem a boçalidade que outros usam para defender as mesmas ideias políticas daquele professor, e, apesar das suas opiniões, considero-o um pessoa aberta a debater e ouvir opiniões diferentes, como se prova pelo facto de participar num programa semanal de rádio, na Antena 1, com o feliz título de “Radicais Livres”, juntamente com o histórico líder comunista Ruben de Carvalho.

Por isso não me parece que viesse qualquer mal ao mundo se Jaime Nogueira Pinto realizasse uma conferência na sede daquela instituição, desde que, por um lado, ninguém fosse obrigado a assistir à mesma ou, assistindo e discordando, pudesse manifestar as suas divergências  em diálogo aberto, como deve ser obrigação num acto público realizado num espaço universitário.

Claro que  não somos  ingénuos e sabemos que o grupo (??) promotor da iniciativa , um tal "Nova Portugalidade", defende as mais abjectas ideias políticas neo-salazaristas (ler clicando na frase).

Infelizmente, quer a Associação de Estudantes daquela escola, que dizem conotada com o Bloco de Esquerda, ao ameaçar boicotar o evento, (embora em declarações ao jornal I, que podem ser lidas no link em cima, desmintam essa atitude),quer, PRINCIPALMENTE, a direcção da escola, ao ceder ao medo, saíram muito mal desta situação e deram visibilidade desmesurada a um grupo de fanáticos da direita radical, contribuindo para "legitimar" os inimigos da liberdade e da democracia que quiseram calar.

Mas, o pior de tudo, é o aproveitamento que alguns sectores estão a fazer da situação para atacarem o actual momento político, chegando a ridículas comparações como o PREC.

Diga-se em abono da verdade que o próprio Nogueira Pinto tem sido o primeiro a desvalorizar a situação e a colocar “água na fervura”.
 
Louve-se também a atitude corajosa e generosa da Associação 25 de Abril, cedendo o seu espaço para a realização dessa conferência.

E já agora, para aqueles que passam a vida com o PREC na boca, vou contar um episódio que se passou durante essa época, em 1975, e que prova que o recurso à censura não é apanágio da alguma esquerda, mesmo a considerada mais radical.

Em 1975 uma coligação de partidos de esquerda radical e extrema-esquerda ganhou a uma lista da UEC (estudantes do PCP) as eleições para a Associação de Estudantes do Liceu de Torres Vedras.

Dessa lista faziam parte militantes da extrema-esquerda (MRPP e PCP(m-l) , da esquerda radical (LUAR, PRP, UDP, Anarquistas, LCI) e vários independentes de esquerda, alguns saídos recentemente das fileiras da Juventude Socialista e muitos deles os únicos militantes conhecidos, em todo o concelho, de alguns desses micro-partidos.

Pois uma das primeiras decisões dessa associação “radical” foi colocar alguma ordem na utilização dos espaços da escola para propaganda política. Fez-se um levantamento de todos os partidos existentes, da extrema-direita à extrema-esquerda, e dividiu-se o espaço existente para colocar propaganda, cartazes e jornais pelo número de partidos e tendências existentes, onde, quem quisesse representar essas forças políticas , podia colocar a propaganda. Houve partidos que nunca colocaram nada, por não terem quem os representasse na escola. Noutros casos, a mesma pessoa, como aconteceu comigo, colocava propaganda de partidos diferentes com os quais simpatizava (eu colocava propaganda do MES, da LUAR, do PRP e dos Anarquistas…).

Uma outra iniciativa (estávamos nas vésperas das primeiras eleições livres) foi realizar um grande debate sobre a vida política nacional, convidando representantes de todos os partidos políticos. Conseguimos a presença de Afonso Moura Guedes, pelo PSD, Alberto Avelino, pelo PS, um representante da FSP, organização surgida da cisão de Manuel Serra no Congresso do PS de Janeiro de 1975, um representante do PRP (penso que Pedro Goulart),da  LUAR (penso que o Fernando Pereira Marques) e o histórico líder anarquista Emidio Santana.

Três partidos declinaram o convite, o CDS, receando enfrentar uma assembleia hipoteticamente hostil e desfavorável, o PCP, porque recusava  sentar-se ao lado de um representante do MRPP….  e o MRPP…porque se recusava a estar em igualdade de circunstâncias com um representante dos “social-fascistas” do PCP!!!!

Seja como for, foi uma assembleia a transbordar de alunos e professores que participou num longo e animado debate, conseguindo unir tendências políticas que raramente, naquela altura, se juntavam para debater publicamente a situação do país e apresentarem as suas propostas.

… e tudo isto organizado e promovido por uma associação de estudantes da “esquerda radical”, em pleno PREC!.

Por estas e por outras é que não podemos admitir actos de censura como o que teve lugar naquela Faculdade, seja qual for a sua origem, pois só contribuem para dar legitimidade aos verdadeiros inimigos da liberdade e da democracia.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Hoje, Dia Internacional da Mulher, o feminismo [ainda] continua actual


Estamos em 2017 e chegamos à conclusão, hoje dia 8 de Março, dia Internacional da Mulher, que o feminismo ainda faz sentido.

Olhando para os números divulgados frequentemente pela comunicação social, ser homem e mulher ainda faz a diferença quando se trata de progredir numa carreira profissional, de desigualdade salarial para o mesmo emprego, ou mesmo de desenvolver tarefas domésticas.

Claro que a situação actual evoluiu muitos nas últimas décadas.

Em  Portugal, antes de 1968, só as mulheres que fossem chefes de família (viúvas) e tivessem estudos médios ou superiores é que tinham direito a voto. Não que fizesse grande sentido no seio de uma ditadura onde se realizavam “eleições” manipuladas, mas mostrava bem a situação de inferioridade em que viviam as mulheres.
 
Outras situações eram bem piores. Homens e Mulheres tinham direitos diferentes face à lei, em prejuízo da mulher. São muitos os exemplos, desde o facto de só poderem sair do país com autorização do marido, até às condições vexatórias a que estavam sujeitas as mulheres que fossem professoras para se poderem casar.
 
Quanto aos valores sexistas e machistas que vigoravam nas relações socias, se até há bem pouco tempo não eram apanágio apenas de ditaduras como a portuguesa, mas até amplamente disseminadas em regimes democráticos, elas eram muito mais duras numa ditadura conservadora como a portuguesa.

Hoje em dia o sexismo e o machismo existem, mas de forma mais dissimulada, como se comprova pelos dados relativos a violência no meio da família ou, por exemplo, na forma subtil desempenhado pela mulher na publicidade.

Mais grave ainda é olhar para aquilo que se passa em certas regiões do mundo, dominadas pelo fundamentalismo religioso, uma realidade em expansão, com a ajuda de opções erradas do ocidente “civilizado” (veja-se o que se passa na Arábia Saudita, no Iraque pós- Saddan, na Líbia “libertada”, ou nas regiões “rebeldes” da Síria!!!).

Hoje, mais do que nunca, o feminismo, apesar da caricatura que alguns lhe pretendem colar e dos excessos que pouco o dignificam, a luta das mulheres pela igualdade ainda por conquistar plenamente, continua a ser um luta justa e necessária.
Cartazes anti-feministas do inicio do século XX








 

O sexismo e o machismo espreitam em cada esquina e para o recordar seleccionamos, em baixo, um conjunto de cartazes publicitários que nos fazem recordar o modo como a mulher era vista ainda não há muitos anos, e, embora cada vez mais raros na publicidade, por razões de mero cálculo, para não prejudicar o negócios, as mesmas ideias e valore que essa publicidade transmitiam ainda continuam presentes e enraizadas na cabeça de muita gente.