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quinta-feira, 2 de outubro de 2025

A Guerra…como Crime de Guerra.


Para mim, um negociante de armas ou um traficante de droga estão no mesmo patamar da ignominia humana.

Muitas vezes essas actividade andam ligadas, apoiadas num terceiro pilar, o do mundo da alta finança especulativa.

Só gente sem escrúpulos morais e humanos se pode sentir à vontade nessas actividades.

Esta reflexão vem a propósito da recente leitura do livro Uma História dos Bombardeamentos, do sueco Sven Lindqvist (1932-2019), obra editada em 1999 e só recentemente, em Fevereiro de 2025, editada entre nós pela Antígona, com tradução de Ana Diniz.

Este livro aborda a forma como uma nova forma de fazer a guerra desde meados do século XIX, os bombardeamentos aéreos e de longa distância, contribuiu para uma crescente desumanização criminosa do acto de guerra.

Beneficiando da evolução tecnológica, essa forma de guerra está na origem dos maiores massacres e genocídios iniciados pelo “civilizado” mundo ocidental, praticado inicialmente apenas contra os povos que reagiram ao colonialismo europeu, sem levantar grandes dilemas morais, já que esses povos eram considerados e propagandeados como “incivilizados”, “atrasados” ou “selvagens”, desculpando todas as formas de violência sobre eles, em muitos casos autênticos genocidios.

Foi a partir das duas guerras mundiais que essa forma de fazer guerra se estendeu ao solo europeu.

O livro de Lindqvist desmonta muitas das ideias feitas sobre a superioridade moral e civilizacional do ocidente, com exemplos concretos dos efeitos das guerras conduzidas pelo ocidente ao longo do século XX.

Aborda também os dilemas da guerra nuclear iniciada pelos Estados Unidos, ao bombardearem, sem justificação, duas cidades japonesas. Como explica o autor, depois do violento e desumano bombardeamento de Tóquio dias antes, o Japão estava decidido a render-se, mas os aliado protelaram essa negociação para poderem “experimentar” a nova bomba. Quando, após aquele crime, muitos preconizaram tornar o uso e acesso às armas nucleares um crime de guerra, foram, mais uma vez os Estados Unidos que impediram essa decisão, com o resultado que conhecemos-

Infelizmente, os piores receios do autor estão hoje à vista de todas, vivendo nós num mundo onde defender o pacifismo e contestar a propaganda armamentista é “sinónimo” de cedência ou colaboração com o “inimigo do ocidente” e dos “valores ocidentais”, onde o “outro” é diabolizado para justificar o aumento de gastos com “defesa”.

Este livro é, assim, um forte manifesto anti guerra, hoje mais actual do que nunca.

segunda-feira, 16 de junho de 2025

Rússia e Israel , Guerra e Paz, Paralelos e ...absurdos !!!???


A Rússia ataca a Ucrânia. É uma Grave violação do Direito Internacional.

Israel, depois de já ter atacado a Síria e o Líbano, ataca o Irão. Estão a “defender a Democracia”.

A Rússia desculpa-se pela invasão com a presença de grupos neonazi que dominam o poder da Ucrânia, situação comprovada por fontes independentes,  e perseguem, desde 2014, as populações de origem russa, cometendo crimes de guerra contra essas populações (cerca de 10 mil em 8 anos), como aconteceu em Odessa.

Israel desculpa-se, para bombardear o Irão, com o apoio do regime dos aiatolas a grupos terroristas como o Hamas e outros que atacam Israel.

A Rússia, onde estão proibidos vários partidos políticos, assassina adversários políticos e mantém em prisão muitos outros é uma ditadura.

A Ucrânia que proibiu mais de uma dezena de partidos com a desculpa de serem pró russos, que persegue e assassina populações russófona e opositores desde 2014, é uma “democracia”.

O Irão, que persegue mulheres e opositores em nome da religião há anos, é uma autocracia religiosa.

Israel que pratica apartheid contra os palestinianos, obrigados, há décadas, a abandonar as suas terras e casas, enviado para ghettos, sem liberdade de circulação na sua própria terra, com grandes limitações para usufruírem dos mesmos direitos dos israelitas é a “única democracia do região”.

Os russos bombardeiam a Ucrânia, atingindo hospitais, escolas e edifícios civis, raramente matando mais de uma dezena de civis por dia, praticam crimes de guerra.

Os israelitas bombardeiam Gaza, atingindo deliberadamente hospitais, escolas e edifícios civis, raramente matando menos de uma centena de civis, estão a "defender a democracia" e a defender-se dos terroristas.

Os ucranianos recebem do ocidente ajuda militar para enfrentar a invasão russa. Quem vier com “conversas pacifistas” é um “apoiante de Putin”.

Os palestinianos não recebem ajuda humanitária porque esta “beneficia o Hamas” e se alguém falar em armar os palestinianos para se defenderem da agressão de décadas por parte de Israel, estão a “defender o terrorismo”.

O Batalhão Azov e outros grupos extremistas estão em roda livre, desde 2014, na Ucrânia, infiltrados nas forças armadas e de segurança e na maior parte dos partidos legais  que dominam o parlamento, em muitos caso em cargos de liderança. São “heróis”.

O Hamas, cujo crescimento e acção foram facilitados por Israel para “tramar” a autoridade palestiniana, assim como outros grupos jihadistas que combatem Israel, são considerados, e bem, grupos terroristas (Sabe-se entretanto que  Israel está a apoiar grupos jhiaditas, rivais do Hamas, para combater estes, grupos esses tão terroristas como o Hamas).

A Rússia, quando efectou bombardeamentos e ataques perto de centrais nucleares ucranianas, foi um “escabeche” danado, um alarmismo desmedido, entre as lideranças ocidentais e os comentadores de serviço.

Agora que Israel bombardeia directamente centrais nucleares iranianas, é o silêncio, a desvalorização e/ou a procura de justificações esfarrapadas por parte do “ocidente” e dos mesmos comentadores. Se calhar a vida das populações em risco com essas acções tem valor diferente. Um Europeu e um “cristão” “radioactivo” vale mais que mil muçulmanos, árabes ou persas, "radioactivos".

No meio de tudo isto, a Ucrânia continua a apoiar, no mínimo pela abstenção, as acções criminosas de Israel, o que não deixa de ser tristemente irónico. Mais um prego na credibilidade da liderança ucraniana.

Resumindo e concluindo: as lideranças europeias e os seus proxies na nossa comunicação social, estão em força a branquear o governo criminoso de Israel, usando argumentos que são exactamente os opostos que usam para a guerra na Ucrânia.

Quem perde? Para além da verdade, o povo palestiniano, os judeus, que perdem toda a credibilidade que ganharam como vítimas do Holocausto e séculos de perseguição, e não vão ter paz nas próximas décadas, o causa ucraniana, porque fica evidente para todos o mundo os dois pesos e duas medidas usados pelas lideranças ocidentais. Perde a ONU, e todas as organizações humanitárias, cada vez mais isoladas na sua acção.

Quem ganha? A liderança criminosa de Israel, que desvia a atenção dos crimes cometidos em Gaza, os yatolas radicais do Irão, que vão aumentar a sua força na defesa do Irão e o próprio Hamas que ganha "razão" para o seu ódio a Israel, e outro criminoso, Putin , que surge como "defensor da paz" e do "direito internacional" (!!??).

Perdem também os pacifistas, olhados agora, com os argumentos falaciosos do costume, como “sionistas” e “apoiantes” do Hamas ou de Putin,.

Pois! também ganham os negociantes de armas,  as petrolíferas e o sector financeiro que está na base de tudo isto.

quarta-feira, 28 de maio de 2025

Um Cartoon Censurado pelo facebook (ao serviço do governo genocida de Israel)


Provávelmente ente post também vai ser censurado.

Até lá fica a informação sobre um acto de censura promovido pelo facebook, ao serviço do governo criminoso de Israel e do assassino Natanyahu.

Ontem coloquei na minha página do facebook uma reprodução de um cartoon do autor português Vasco Gargalo, retirado da net, penso que da página da revista Sábado (?), e

que podem ver abaixo.

Acompanhava esse cartoon com um comentário meu : "Com o "alto patrocínio" da União Europeia.

Para surpresa minha, ao abrir hoje o facebook, deparei-me com a remoção desse post com a seguinte desculpa dada pelo facebook : "É possível que a publicação contenha símbolos, glorificação a pessoas e  organizações consideradas perigosas".

Para que não restem dúvidas, aqui reproduzo o texto que me enviaram para justificar o acto:

"28/05/2025
Removemos a tua publicação
Por que motivo aconteceu isto
É possível que a publicação contenha símbolos, glorificações ou apoio a pessoas e organizações que consideramos perigosas.

Venerando Aspra de Matos
27/05/2025
Com o "alto patrocínio" da União Europeia: (reproduzindo o cartoon)
Partilhaste isto no teu perfil
Isto desrespeita os nossos Padrões da Comunidade relativos a pessoas e organizações perigosas.

E quais são esses padrões que foram "desrespeitados" pelo dito Cartoon?
De acordo com o censor foram os seguintes :

 "Pessoas e organizações perigosas
Não permitimos que as pessoas partilhem ou enviem símbolos, glorificações ou apoio a pessoas e organizações que consideramos perigosas.
Exemplos de coisas que não permitimos
Glorificar um ataque terrorista
Apoiar a violência contra um grupo de pessoas específico
Apoiar ou promover atividades criminais prejudiciais, tais como tráfico de pessoas"

Está explicado:

Ao reproduzirmos a cara do assassino Natanyahu estávamos a promover um líder, promotor de ataques terroristas em Gaza e na Cisjordânia, apoiante da violência contra "grupos de pessoas específicas" (os Palestinianos) e o tráfico de pessoas, obrigando milhares de pessoas a deslocarem-se dentro de Gaza.

Entretanto, aconselhados por um amigo a quem aconteceu o mesmo, constestámos a situação ao facebook.  Responderam assim:  "Olá, Venerando. Revimos novamente a tua publicação.Confirmámos que desrespeita os nossos Padrões da Comunidade relativos a pessoas e organizações perigosas.Sabemos que isto é dececionante, mas queremos manter o Facebook seguro e acolhedor para todos. 

Sem comentários!!

                                          

NOTA FINAL: Este caso teve novos desenvolvimentos. Ontem, dia 28 de Maio, por volta das 22 horas, voltei a postar no facebook esse mesmo cartoon, com o seguinte comentário:

"Mesmo correndo o risco de já ter uma fotografia minha com um alvo na testa a ser distribuida pelos agentes terroristas da MOSSAD em Portugal, e mesmo sabendo que este cartoon vai voltar a ser censurado, aqui o volto a reproduzir. Aproveitem para o partilhar e copiar antes que os censores do facebook voltem ao ataque (cartoon de Vasco Gargalo)":

E de facto, quando voltei a visitar a minha página, por volta da meia-noite, o cartoon tinha sido retirado, como os mesmos argumentos da primeira vez.

Publiquei então o seguinte comentário:

"Como já devem ter reparado, o Facebook voltou a censurar o cartoon de Vasco Gargalo que já tinha sido censurado ontem. Ficamos assim a saber quais são as opções políticas dessa plataforma. Pelos vistos o Sr Netanyahu é um criminoso "respeitável" para os censores do Facebook. A plataforma de cartoonistas Cartoon Movement, a revista Charlie Hebdo e outros cartoonistas independentes que se cuidem perante a caça às bruxas e a falta de sentido de humor desses assanhados censores, que, com essa atitude, são coniventes e cúmplices dos crimes de Israel na Palestina"

Ao mesmo tempo voltei a contestar a decisão.

Para meu espanto, desta vez voltaram atrás com a decisão, dando-me a seguinte resposta:

"28/05/2025

Restaurámos a tua foto

Olá, Venerando

Chegámos à conclusão de que a nossa equipa de revisão cometeu um erro ao remover a tua foto.

Agradecemos o tempo que dispensaste a pedir uma revisão e a ajudar-nos a melhorar os nossos sistemas. A nossa prioridade é manter a segurança e o respeito na comunidade. Por isso, às vezes temos de tomar precauções".

Tal mudança de atitude só pode ser explicada por uma ou várias das seguintes razões:

1 - o meu apelo para reproduzirem e partilharem o cartoon, antes de voltara ser censurado foi seguido por muitos amigos, aumentando a visibilidade desse acto de censura;

2 - O meu protesto envergonhou os censores:

3 - O censor que estava de serviço a esta hora era outro, mais benevolente, do que aquele que censurou o cartoon da primeira vez.

Contudo, o primeiro post não foi reposto e sei que algumas pessoas que partilharam esse cartoon, também alvos de censura, não viram o seu post reposto.


quarta-feira, 10 de julho de 2024

Os assassinos “bons” e os assassinos “maus”

 


Guerra é guerra, como diriam as freiras da anedota.

A resposta de Israel ao criminoso ataque do Hamas de 7 de Outubro, pôs em questão a forma como muitos olhavam para a guerra, desde a criminosa invasão da Ucrânia pela Rússia de Fevereiro de 2022.

A forma diferente como, no “ocidente”, se começou a olhar para os dois conflitos militares (enquanto outros, como no Iémen, no Paquistão, na Líbia, na Síria, no Iraque, no Afeganistão, no Congo ou no Sudão, caiam no esquecimento), trouxe ao de cima toda hipocrisia da narrativa dominante.

Falar de paz tornou-se “perigoso”, pois, rapidamente, os que a defendem, desde sempre, os que defendem uma solução para os conflitos militares, começaram a ser tratados de forma agressiva, nas redes sociais e na “informação de referência”, impondo-se cada vez mais um discurso militarista.

Os pacifistas têm sido acusados de “apoiantes de Putin” ou de “antissemitas”, uma forma de inviabilizar qualquer discussão sobre as soluções para esses conflitos militares.

Sabe-se que, por detrás desse discurso militarista, estão interesses ligados à indústria de armamento e ao mundo financeiro, as “ditaduras” sem rosto que, na realidade, decidem a vida de milhões de cidadãos por todo o mundo e que sustentam a economia neoliberal dominante.

A forma como têm sido noticiados, até à náusea, os crimes da Rússia na Ucrânia, comparativamente com a mesma atenção dada aos crimes israelitas na Palestina, é demonstrativo dos “dois pesos e duas medidas” da narrativa “ocidental”.

Exemplo disso tem sido o tratamento dado à destruição de um hospital pediátrico em Kiev , presumivelmente por um míssil russo.

Esta tipo de ataques tem sido recorrente na Ucrânia, desde a guerra civil iniciada em 2014, principalmente na região do Donbass, com responsabilidades nos dos dois lados do conflito. Contudo, ataques destrutivos com a dimensão deste último, são esporádicos e raros, comparativamente com o que se passa na Palestina.

O mesmo não se pode falar dos ataques israelitas à Palestina desde há nove meses, onde, diariamente, são relatados ataques a instalações hospitalares, com um número de vítima igual ou superior àquele outro ataque criminoso a Kiev.

É caso para se dizer que aquilo que aconteceu em Kiev é a realidade diária na Palestina.

Chegamos à conclusão que, a “ocidente”, existem dois pesos duas medidas e que a morte de crianças palestinianas parece valer menos que a morte de crianças ucranianas, que a destruição diária de Hospitais e outras instalações humanitárias na Palestina é menos grave que um ataque, raro, mas regular, ao mesmo tipo de instalações por parte da Rússia (ou da Ucrânia no Donbass, desde 2014, que também existem).

Criança morta é criança morta, Hospital destruído é Hospital destruído, tudo actos criminosos, sejam crianças morenas ou crianças brancas de olhos azuis, seja em solo Palestiniano ou em solo Ucraniano.

Não deixa também de ser significativa a diferença de tratamento dado à Rússia e a Israel, percebendo-se as sanções sobre os primeiros, nomeadamente expulsando esse país de provas desportivas, mas não se percebendo a falta de sanções do mesmo tipo sobre Israel.

Esta forma diferente de encarar os dois conflitos está a por a nu toda a hipocrisia “ocidental” e reflecte-se na quebra de simpatia inicial pela causa ucraniana, situação agravada pela própria posição oficial do governo ucraniano em relação ao conflito palestiniano.

Solução? O cessar fogo, a negociação e a paz justa, por muito difícil que ela seja de alcançar ou correndo o risco de beneficiar o infractor.

A Guerra permanente e infindável é o pior de todas as soluções. Quem é que ainda não percebeu?

 

 

quinta-feira, 20 de junho de 2024

Imagens parecidas

            
Realidade e ficção , duas épocas diferentes, dois locais diferentes, um povo em situações diferentes, como carrasco genocida e como vítima de genocídio.
Quando a História se repete, com protagonistas a desempenharem papéis diferentes e opostos

quarta-feira, 29 de novembro de 2023

ESPELHO MEU, ESPELHO MEU, há alguém mais criminoso do que eu? (sem esquecer o Hamas e o Batalhão Azov, entre outros)

 


As origens dos conflitos são diferentes, as histórias também. O Conflito Israelo-Palestiniano dura deste 1948 e o conflito na Ucrânia dura desde 2014.

Em 24 de Fevereiro de 2022 a Rússia invadiu criminosamente a Ucrânia, de forma ilegal, à luz das relações internacionais, com o pretexto de combater ao “nazis” e defender as populações de origem russófona,  alvo das perseguições e dos crimes por parte de bandos nacionalistas, que se digladiavam desde 2014, já tendo provocado entre 10 a 20 mil vítimas, a maioria civis, assistindo-se a massacres de parte a parte, o mais famoso o massacre de Odessa em que foram queimados vivos vários apoiantes da Rússia.

A Rússia tem destruído escolas, hospitais e outras infraestruturas civis ao longo da guerra, com o pretexto (nalguns casos comprovado) de que essas estruturas e os seus ocupantes são usado como escudo humanos por tropas ucranianas, ou foram atingidas acidentalmente por fragmentos de mísseis e drones atingidos pela defesa ucraniana.

Ao longo do mês de Outubro último Israel começou a bombardear, de forma desproporcionada e criminosa, a população civil de Gaza (e também a da Cisjordânia) com o pretexto de combater os terroristas do Hamas, que massacraram, num atentado sem precedentes,  mil e quatrocentos civis israelitas e fizeram reféns mais de 200.

Israel têm destruídos centenas de escolas e hospitais na Faixa de Gaza, sem se desculpar com erros de pontaria, mas com a desculpa da sua utilização militar ou logística por parte do Hamas, situação nunca comprovada por fontes independenetes.

A zona em guerra ou sob ocupação russa na Ucrânia tem a dimensão de grande parte da Península Ibérica.

A zona de guerra na Faixa de Gaza tem metade do tamanho do Algarve.

Segundo dados, já desactualizados (foram publicados pela revista Visão em 5 de Novembro), a invasão russa da Ucrânia que dura há quase 2 anos, provocou, entre a população civil do país, 9 614 mortos e 17 535 feridos, entre os quais 554 crianças mortas e 1180 feridas.

Segundo os mesmos dados, até aquela data, os bombardeamentos de Israel provocaram, na Faixa de Gaza, em cerca de 1 mês de guerra, 9 061 mortos e 24 mil feridos, entre os quais 3 648 crianças mortas e 9 600 feridas.

Nos violentos bombardeamentos da Rússia à Ucrânia, são reportadas, por dia, pelas próprias autoridades ucranianas, um número de vítimas raramente superior à 10, e muitas vezes “apenas” feridos, e sempre que isso acontece apontam para crimes de guerra, enquanto que nos bombardeamentos israelitas morrem centenas de civis por dia, número de que o próprio exército de Israel se gosta de gabar.

Qualquer morto civil numa guerra é sempre um crime de guerra. A violência das situações não se mede pelos números.

Mas, perante os dois pesos duas medidas como essas guerras têm sido comentadas ou divulgadas e os dois pesos e duas medidas da atitude dos responsáveis políticos “ocidentais” (será porque os ucranianos são louros de olhos azuis e os palestinianos são mais escurinhos?) é caso para perguntar: espelho meu, espelho meu, há alguém mais criminoso do que eu? (…eu sei que há, mas entre aqueles dois criminosos que lideram Israel e a Rússia é caso para dizer…venha o diabo e escolha. E já agora, que o Tribunal Penal Internacional tenha coragem para os levar, aos dois, à barra do tribunal para serem condenados como criminosos de guerra, que o são, e se deixe de usar, também, dois pesos e duas medidas).

quinta-feira, 16 de novembro de 2023

Os “descendentes” dos “Kapos” estão no governo de Israel?


A História da Palestina e de Israel não começou com os criminosos ataques terroristas do Hamas no dia 7 de Outubro.

As crianças Israelitas, barbaramente mortas nesse ataque, não foram as primeiras mortas naquele território. Entre Janeiro e o dia 7 de Outubro, o exército israelita e/ou os colonos extremistas e armados lançaram o terror entre os palestinianos da…Cisjordânia…, e mataram cerca de 40 crianças palestinianas, e continuam a matar actualmente com o pretexto de acabar com terroristas. Note-se: estamos a falar da Cisjordânia, não da Faixa de Gaza!!!

O rapto de civis, feitos reféns pelo Hamas, é um crime de guerra e um acto bárbaro e inconcebível, mas a prisão de milhares de palestinianos, sem julgamento, alguns há décadas encarcerados, pelos motivos mais ridículos, pelo Estado Israelita, vai no mesmo sentido do desrespeito pelos mais elementares Direitos Humanos e judicias.

O Hamas foi crescendo e ganhando influência entre os palestinianos com a conivência (alguns referem mesmo o apoio) dos governos de Israel, com o objectivo, não só enfraquecer a Autoridade Palestiniana, como  de tornar o conflito numa guerra religiosa entre fanáticos judeus e fanáticos muçulmanos, justificando assim o terrorismo de Estado de Israel contra o terrorismo do Hamas.

Aliás, está por explicar a facilidade com que o grupo terrorista entrou em território israelita com tanta facilidade e ocupando-o durante horas quando é sabido, dito por quem conhece a zona, que nem um coelho atravessa o "muro" sem desencadear uum rápido alarme. Só com conivência de autoridades israelitas é que esse ataque foi possível. Basta ver que beneficiou com a situação!

Ao longo de décadas o Estado de Israel nunca cumpriu a maior parte das resoluções da ONU, gozando da impunidade de que poucos Estados gozaram por não as cumprirem.

Quando tudo se encaminhava para uma solução de paz duradoura, um fanático extremista judeu assassinou Isac Rabin. Hoje a “família” política e religiosa desse terrorista governa Israel.

Após a queda da União Soviética emigraram mais de 1 milhão de “judeus” (??) de origem russa ou do leste da Europa para o Estado de Israel, com mais direitos que a maior parte dos palestinianos nascidos nesse território, a maior parte deles com tendências racistas e extremistas, atitude hoje dominante na maior parte dos países de leste (Hungria, Polónia, Tchéquia, Eslováquia, Ucrânia e Rússia), desequilibrando a balança política de Israel para a extrema-direita.

Membros do actual governo de Israel, ou que lhes são próximos, como a esposa do primeiro-ministro, desvalorizam o carácter humano dos palestinianos, classificando-os todos como animais, ou mesmo abaixo destes, para “não ofender os animais”, como afirmou a primeira dama, com o objectivo de justificar o tratamento dado aos civis de Gaza, numa prática, aliás, copiada dos nazis, que faziam o mesmo em relação ao judeus para justificarem a desumanidade do tratamento dado a esse povo e o próprio Holocausto.

A forma desproporcionada como o governo extremista de Benjamin Netanyahu reagiu ao ataque terrorista do Hamas configura, cada vez mais, um crime de guerra, tal como o comprovam organizações no terreno, como a ONU, a AMI, Os Médicos Sem Fronteiras, a Amnistia Internacional, a Cruz Vermelha, a OMS, a UNICEF, Repórteres Sem Fronteiras, Human Rights Watch e muitas outras.

A reacção do governo de Israel à acusação dessas organizações é acusá-las de “pactuarem com o terrorismo”, atitude idêntica à de outros ditadores e criminosos quando são confrontados por essas mesmas organizações pelos seus crimes contra a humanidade.

Ao que parece, a actuação do  actual governo de Israel, usando e abusando da chantagem moral com o terrível passado dos judeus, só pode envergonhar a memória das vítimas do Holocausto e as vítimas do anti-semitismo ao longo da História.

Só pode haver duas explicações para essa imoralidade, ou essa gente nada tem a haver com as vítimas do Holocausto, e obtém a classificação de judeu por puro oportunismo (como, aliás, se passa por cá com a venda de identidade sefardita a oligarcas russos e outros criminosos), ou então essa gente é descendente dos “kapos”, e aprenderam bem a lição com os nazis!!!

quarta-feira, 25 de outubro de 2023

Palestina- Israel – A única manifestação na qual me sentiria bem!


A propósito do horrendo ataque do Hamas e da resposta criminosa do exército Israelita, têm tido lugar, um pouco por todo o mundo, manifestações para todos os gostos.

Todas elas têm em comum o ódio pelo adversário e o radicalismo de algumas mensagens.

Tenho todo o respeito pelas vítimas do Holocausto e defendo o direito de os judeus terem uma pátria.

Infelizmente, os últimos governos judeus de Israel cospem todos os dias na memória do Holocausto e no respeito pelas suas vítimas, quando fazem aos palestinianos o mesmo que os nazis fizeram, ou instigam ao ódio contra quem pensa de modo diferente.

Tenho respeito pela luta do povo palestiniano, pelo seu direito de existir nas terras e nas casas dos seus antepassados, e têm toda a razão em acusarem o poder Israelita de racista e criminoso, no modo como os vem tratando há décadas.

Infelizmente, os que os dizem representar, ou caíram na mais abjecta corrupção, como a autoridade palestiniana, ou abraçarem a causa criminosa e terrorista do Hamas, conspurcando a memória dos que lutaram pelo direito da sua existência.

As comparações absurdas que se veem por aí não ajudam à conciliação ou à resolução do problema.

Em primeiro lugar, a comparação não deve ser entre o Hamas e Putin, mas entre o Hamas e os bandos criminosos que pululam, desde 2014, na massacrada Ucrânia, como os bandos de assassinos do Batalhão Azov ou do Grupo Wagner, entre outros.

Se devemos comparar o criminoso Putin a alguém, é com o criminoso Netanyahu. As acções de ambos estão listadas como crimes de guerra por organizações como a ONU e a Amnistia Internacional, entre muitas outras. No Tribunal Penal Internacional está pendente, desde 2014 (??) uma queixa contra os crimes de guerra do exército israelita e do Hamas, embora só a Palestina seja subscritora da adesão a esse tribunal, ao contrário de Israel (porque será?), assim como não a subscreveram a Rússia, a Ucrânia e os Estados Unidos (porque será, também???). Aquele tribunal foi célere a condenar Putin, mas arrasta-se na condenação ao Hamas e a Netanyhau, mostrando que funciona com dois pesos e duas medidas

Em segundo lugar, comparar o número de hospitais destruídos pela aviação israelita em Gaza com o número de hospitais destruídos pela Rússia na Ucrânia , para desvalorizar os ataques israelitas, com já vi por aí, é outra falácia. Estamos a comparar um país, como a Ucrânia, um país de mais de 600 mil Km2, maior que toda a Península Ibérica, o maior país da Europa depois da Rússia, com 40 milhões de habitantes, com a Faixa de Gaza, com uma área equivalente a metade do Algarve, onde vivem 2 milhões de pessoas. Logo, em Gaza, o número de hospitais não é comparável com o número de hospitais existentes num país como a Ucrânia. Logo, a destruição de um hospital em Gaza equivale a dezenas de hospitais na Ucrânia.

Na guerra da Ucrânia, que dura há quase dois anos, já foram mortos cerca de 10 mil civis, entre os quais mais de 500 crianças. Nos bombardeamentos a Gaza, em menos de um mês, foram mortos quase 5 mil civis, mais de 1000 dos quais são crianças (também já li e ouvi justificações abjectas para este número, com a desculpa da população jovem de Gaza!!!).

Quem condena, e bem, os crimes de guerra da Rússia na Ucrânia, tem de condenar, com a mesma veemência, quer a criminosa acção do Hamas, quer a continuada acção criminosa do exército Israelita.

Aliás, existem muitas interrogações sobre a acção do Hamas. Quem conhece a região, altamente vigiada, onde um simples coelho, que passe uma vedação da fronteira Gaza para Israel, dá logo alarme, interroga-se com foi possível que aquele ataque terrorista e criminoso do Hamas pudesse ter sido possível, ainda por cima com a duração de horas, sem que houvesse um simples alarme. Se tivermos em atenção que o principal a beneficiar com essa acção foi o enfraquecido governo extremista de Netanyahu, este tem muito que explicar, quando as coisas se acalmarem.

Por tudo isto, no meio das muitas manifestações e contra - manifestações que se vão realizando por todo o mundo, a favor ou contra Israel e a Palestina, a única manifestação justa, e na qual eu me sentiria bem, seria aquela que juntasse judeus e palestinianos condenando, ao mesmo tempo, os crimes do Hamas e os crimes do governo de Netanyahu.

Infelizmente, neste mundo polarizado e de cegueira colectiva, tal não vai ser possível.

Temo, como dizia Gandhi,  vamos continuar na lógica do “olho por olho, dente por dente”, até ficarmos todos cegos.

NOTA FINAL : uma palavra se solidariedade para com o Secretário Geral da ONU, António Guterres, pela sua coragem e pelo facto do ataque feroz a que foi sujeito pelo representante e pelo governo de Israel, envergonhando, mais uma vez, a memória das vítimas do Holocausto.

quarta-feira, 7 de setembro de 2022

Bem-Vindos à defesa das “Causas Justas”.

A propósito da defesa da justa causa Ucraniana, contra a criminosa invasão russa de um país soberano, tenho encontrado, muitas vezes pela primeira vez ao longo da minha vida, muita gente que não costumo encontra a defender “causas justas”.

Entre os mais velhos, muitos nunca os encontrei a criticar a criminosa Guerra, francesa primeiro, norte-americana depois, do Vietname.

O mesmo posso dizer em relação à condenação dos crimes da França na guerra de independência da Argélia, ou dos muitos crimes do “ocidente” nas mais variadas guerras coloniais do século XX.

Também houve muitos que nunca encontrei a condenar a Guerra Colonial portuguesa. Alguns até tenho visto por aí a justifica-la e até a negar os crimes de guerra nela cometidos.

Também não têm sido vistos a defender a causa palestiniana contra o Estado cada vez mais criminoso de Israel (assim considerado recentemente pela Amnistia Internacional).

Quando da criminosa e ilegal invasão do Iraque, com as consequências conhecidas, ou dos criminosos bombardeamentos da NATO na Sérvia, ou dos crimes cometidos por tropas ocidentais no Afeganistão ( e para nada, como se viu recentemente com o regresso dos fanáticos Taliban´s ao poder), ou da violentíssima Guerra do Iémen, liderada pelo grande aliado norte-americano no Médio Oriente, o criminosos regime da Arábia Saudita, com armas ocidentais, também nunca os vi por aí.

Nem os vejo na defesa do povo curdo, usado como moeda de troca pela NATO para que a Turquia aceite a entrada da Finlândia e da Suécia nessa organização.

O mesmo posso dizer quanto à ausência da qualquer sinal de indignação em relação às intermináveis guerras africanas, alimentadas pelos mais variados imperialismos (Chinês, russo, norte-americano, francês, inglês…) e pelos tão endeusados “mercados financeiros” e da industrias do armamento (aliás, até há pouco, foram as industrias de armamento ocidental que alimentaram a máquina de guerra de Putin).

Sim, já sei, para muitos de vocês o “ocidente”  não comete crimes de guerra, apenas “danos colaterais”!

Mas ainda bem , estou feliz por, finalmente, ver muitos de vocês a abraçar uma causa justa,  a justa causa da defesa do povo ucraniano contra a criminosa invasão russa.

Como o crescimento do belicismo internacional nos leva a temer, esta não é nem vai ser a única guerra injusta das próximas décadas ( se é que, em pleno século XXI, existem “guerras justas”!!), e, por isso, espero continuar a vê-los indignados com as próximas guerras e próximos crimes de guerra, venham eles de onde vierem.

Bem-vindos pois à defesa das boas causas!

sexta-feira, 13 de maio de 2022

A Rússia de Putin e Israel dos ortodoxos…a mesma “luta”?!!


Semanas antes de Putin ter invadido a Ucrânia com o seu exército, a Amnistia Internacional acusava Israel de crimes de guerra contra os Palestinianos.

Dias depois, descobriam-se crimes de guerra das tropas russas contra ucranianos, denunciados por várias organizações, entre elas a Amnistia Internacional.

No início da invasão, Israel surgia como “interlocutor” de Putin para as “negociações”, mas Lavrov, com a sua desastrada declaração sobre as “origens judaicas” de Hitler, ia estragando o clima de “boas relações”.

Putin, ignorando os crimes que o seu exército tem vindo a cometer na Ucrânia e recusando-se a, no mínimo, um “pedido de desculpas” aos ucranianos, apressou-se a fazer um raro pedido de desculpas ao Estado de Israel, e a tensão entre os dois governo, o israelita e o russo, parece ter abrandado.

No famoso e teatral desfile da “vitória”, lá estava na tribuna de honra, um bem visível representante da comunidade judaica, não sei se da Rússia,  se representante do Estado de Israel.

Pode parecer estranho esta “proximidade” entre os dois Estados nesta altura.

Agora ficámos a perceber (mais uma vez) a razão de tanta “proximidade”.

Os métodos de tratamento de palestinianos pelo Estado de Israel e os métodos de tratamento dos ucranianos pelo exército russo, não são assim tão diferentes.

Ambos usam argumentos parecidos, a “desnaziificação” e o combate ao “antissemitismo”, para perseguirem e matarem, respectivamente, ucranianos e palestinianos.

Claro que os Palestinianos, como os Ucranianos também têm as “suas culpas no cartório”, a Palestina tem os terroristas do Hamas e os ucranianos os terroristas do Batalhão Azov.

Mas a forma como foi barbaramente executada a jornalista palestiniana do AlJazeera Shiren Abu Akleh pelo exército israelita, bem como a tentativa de acusar os palestinianos e tentar desacreditar o testemunho de outros jornalistas, lembra o método usado por Putin para desacreditar os testemunhos dos crimes de guerra russos na Ucrânia.

Não se pense que a forma como a jornalista foi abatida é caso isolado na Palestina, às mãos de Israel. O número de jornalistas palestinianos mortos pelos israelitas já ultrapassa os vinte.

É caso para dizer: Palestinianos e Ucranianos, a mesma luta; Putin e o Estado de Israel…os mesmos métodos!

segunda-feira, 4 de abril de 2022

A Guerra é sempre um crime de Guerra.


Quem começa uma guerra é o primeiro responsável por todos os crimes que nelas se cometem, mesmo que não sejam cometidos por quem a iniciou, porque uma guerra é sempre um crime de guerra.

Quem começou a guerra na Ucrânia foi a Rússia de Putin.

A 1ª Guerra foi iniciada pelos Impérios Centrais e foi uma guerra de Impérios, mas foi o Império Alemão que a iniciou, e por isso foi a principal responsável pelos crimes e pelas consequências dessa guerra.

A 2ª Guerra foi iniciada por Hitler, ao invadir a Polónia e, tendo cometido os maiores crimes, o maior de todos “à margem da Guerra”, o Holocausto, o regime nazi foi o primeiro e único responsável pelos maiores crimes de guerra que nela se cometeram, mesmo pelos crimes praticados pelos aliados, como Dresden, Hiroxima e Nagasaki, porque quem começa a guerra é responsável por todos os crimes.

No caso da Ucrânia, quem começou a guerra foi Putin, mesmo usando argumentos falaciosos, como o de “desnazificar” a Ucrânia e responder ao “genocídio” em Donbass.

Mesmo que a Ucrânia fosse governada por “nazis”, era um problema da própria Ucrânia. Como se sabe, este argumento não é verdadeiro e, se de facto existem nazis na Ucrânia e este país tem sido o paraíso para o treino de milícias “nazis” de todo o mundo, apoiantes dos terroristas do Batalhão Azov, este é um problema que tinha de ser resolvido pelos ucranianos. Além disso, os apoiantes desse movimento são minoritários e a extrema-direita tem apena um deputado no parlamento (pior estão muitos países da União Europeias…).

A própria Rússia abriga e apoia milícias terroristas e de extrema-direita, como os tristemente célebres “tchetchenos” , “sírios” e “ Batalhão Wagner”, sem esquecer o financiamento e apoio de Putin à extrema-direita europeia e norte-americana.

Quanto ao “genocídio”, houve crimes de ambos os lados, na região de Donbass desde 2014, mas se Putin tinha provas de “genocídio”, devia apresenta-las nas instituições internacionais, embora, como o sabemos desde o Iraque, seja fácil forjar provas falsas. Mas era nas instituições internacionais, como na ONU, que essas questões, a existirem, deviam ser analisadas e criminalizadas.

Quanto à desculpa de, com esta guerra, travar o “cerco” da NATO feito à Rússia, esta guerra só veio reforçar o poder e a influência dessa organização militarista, que até deve estar “agradecida” ao “favor” que Putin lhe fez.

Contudo, se olharmos para o que se tem passado nestes quase dois meses de guerra, quem se tem comportado como verdadeiro nazi e genocida tem sido a força militar russa, sem esquecer o “argumentário” de Putin, digno de um genocida e de um fascista.

Mesmo que existam crimes perpetrados por milícias ucranianas, ou mesmo que parte da destruição indiscriminada de alvos civis também possa ser provocada pelo abate de helicópteros, aviões e misseis russos, abatidos pelos ucranianos, pois estes têm de cair em qualquer lado e de forma totalmente descontrolada, a responsabilidade por toda a destruição de guerra e por todos os crimes é sempre de quem começou esta guerra criminosa, violando o direito internacional.

Aquilo que os ucranianos e os jornalistas que os acompanham têm encontrado no território à volta de Kiev, abandonado pelo exército russo, mostra a crueldade perpetrada pelos ocupantes russos sobre as populações civis indefesas, evidenciando, sem qualquer dúvida, verdadeiros crimes de guerra.

Vêm agora os russo tentar atirar areia para os olhos da opinião pública, negando esses crimes evidentes e acusando os próprios ucranianos por eles.

“Esqueceram-se”, “apenas” de um pequeno pormenor. A maior parte dos corpos encontrados foram executados há muitos dias, com sinais de tortura, quando esses territórios estavam ocupados pelo exército russo e, para se cometerem esses crimes, só podem ter sido cometidos, no mínimo, com a conivência dos ocupantes pois, se ao chegarem lá, esses crimes já tivessem sido cometidos, teriam denunciado a situação logo na altura.

É urgente que especialistas e técnicos independentes, ligados à ONU e a outras organizações internacionais, entrem imediatamente nos territórios libertados para recolherem todas as provas desses crimes, para levar a tribunal os responsáveis pelos mesmos, sem que existam quaisquer dúvidas sobre os seus executores.

Se essa entrada for dificultada, também pelos ucranianos, então os russos vão invocar a contaminação de provas e os criminosos vão conseguir escapar.

Sem confundir o direito de defesa militar, por parte do agredido, a Guerra é sempre um crime de guerra e quem a inicia é sempre o maior criminoso.

Putin e o seu governo não podem sair impunes desta guerra.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Marcelino da Mata - nem "herói" nem "criminoso", talvez ...apenas Homem!!??

Não, não vou alinhar no histerismo pró e contra Marcelino da Mata.

A "onda" de Marcelino da Mata, uma espécie de Rambo à portuguesa, não é a minha.

Se cometeu "crimes de Guerra" foi porque participou numa Guerra criminosa, onde se cometeram crimes de ambos os lados (alguns, muito mais graves, até depois da Guerra terminar, como se pode ler na reportagem AQUI, publicada pela revista Sábado).

Marcelino da Mata foi apanhado pela História e acabou do "lado errado da História" (aconteceu-me o mesmo muitas vezes).

Goste-se ou não, a vida de Marcelino da Mata dava um filme, como se pode ler AQUI, num dos seus raros depoimento pessoais, onde relata a sua actividade militar.

Para além do relato das acções em que participou, algumas que resultaram em verdadeiros crimes de guerra, mas pelas quais ele não foi o principal responsável nem mandante, até porque a sua ingenuidade o levou a assumir esses crimes, para além das sevícias e da tortura a que foi sujeito, depois do 25 de Abril, por militares ligados em MRPP, há ma história menos conhecida que ele conta neste texto, o facto de ter trabalhado para o MPLA, muito depois da independência, para preparar militares desse movimento na Guerra Civil contra a UNITA e só saindo de Angola, a bem, e com as contas em dia, como o próprio confirmou, depois de terem surgido em Portugal notícias sobre essa actividade.

Marcelino da Mata foi, na Guiné independente, aquilo que Miguel de Vasconcelos foi para os portugueses de 1640, e maltratado como tal. Outros colegas seus tiveram menos sorte.

Para os comandos e outros militares que nunca resolveram os traumas da Guerra Colonial, ele era um herói.

Marcelino da Mata gabava-se, entre amigos, dos crimes que cometeu, como aconteceu no relato feito a um militar português sobre uma operação em que participou : "entrámos na tabanca, deitamos granadas incendiárias para as palhotas, as pessoas fugiam para o centro da tabanca, matámos todos, homens, mulheres, crianças" (ver AQUI) .

Um amigo meu, Joaquim Carlos Matos, ex-combatente na Guiné, a propósito de um texto perecido com este, que publiquei no facebook,  interrogava-se :"pergunto: só ele é que participou em massacres? Quantos militares, alguns deles dos Comandos, que participaram igualmente em centenas de operações repressivas, tiveram posteriormente um papel importante no MFA e foram glorificados por isso?. E o mesmo não se aplica a tantos "democratas do pós-25 de Abril" ? 

Numa Guerra, principalmente numa Guerra como foi a Colonial,  a fronteira ente os actos de cobardia, de heroicidade, ou criminosos é bastante ténue, muitas vezes, no mesmo combate, uma mesma pessoa consegue comete-los em simultâneo.

Os grandes criminosos, geralmente, nunca sujaram as mãos com os seus crimes, mandam os outros executá-los.

O "debate" sobre Marcelino da Mata acentua as características do mundo em que vivemos, um mundo a preto e branco, com bons e maus, sem possibilidade de diálogo civilizado, sem respeito pelas ideias dos adversários, sem tolerância pelas opiniões contrárias, e baseado na gritaria. 

Mamadou Ba e André Ventura revelam-se, neste tema, as duas faces da mesma moeda da intolerância (leia-se, a propósito, esta interessante opinião de Alberto Magalhães).

Como qualquer pessoa que se cruzou com uma História de violência, tragédia e de guerra, Marcelino da Mata foi, tanto "besta", como "herói", ou, parafraseando o conhecido filosofo espanhol José Ortega y Gassset, " homem (Marcelino da Mata) foi o homem e a sua circunstância".

Ou, como diria Charlie Chaplin, pela voz do seu personagem Sr. Verdoux, "quem mata uma pessoa é um criminoso, quem mata um milhão é um herói".

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Quando a crise é liderada por imbecis



Tudo o que a humanidade precisava neste momento era de líderes mundiais que estivessem à altura da crise.

Infelizmente, os líderes capazes do momento, contando-se pelos dedos da mão, são também os que têm menos poder ou lideram países que pouco podem fazer para “salvar o mundo”.

Lembro-me de um Guterres, que lidera uma ONU debilitada pela crescente irresponsabilidade dos países mais influentes, como os Estados Unidos ou a Rússia.

Lembro-me de um papa Francisco, cuja influência é apenas ao nível da palavra, e que tem de enfrentar, internamente, uma oposição interna ultraconservadora.

Em Portugal tivemos a sorte de termos como líderes, um Costa no governo, um Marcelo na presidência e, a liderar a oposição, um Rui Rio.

Imaginem o que seria se tivéssemos um país governado por um Sócrates ou um Passos Coelho, com um Cavaco na presidência ou, neste momento, um Passos Coelho a liderar a oposição…um autêntico pesadelo!

Infelizmente temos uma União Europeia liderada por incompetentes palavrosos, que pensam as consequências económica da crise de saúde como pensaram a crise financeira de má memória.

Atiram milhões para a mesa, mas em condições dúbias (mas a pagar em dois anos!!!).

No mesmo dia em que o Eurogrupo aprovava esse mal amanhado pacote financeiro, para agradar a “gregos [italianos] e troianos [holandeses]”, a Comissão Europeia publicava um relatório sobre o pós-COVID 19 para Portugal, onde fazia um apelo, se bem que entre linhas (este é ainda o momento da linguagem “politicamente correcta” e de esconder as garras de futuras “troikas”), às soluções “autoritárias” do costume: alertava para os “altos” (!!) salários e “altas”(!!!) pensões, para os “exagerados” (!!!) gasto em saúde e para, “coitado”, o “frágil” sector financeiro português, provavelmente para nos preparar para  aceitarmos mais ajudas para esse sector e para os seus“pobres” accionistas, à custa daqueles mesmos salários e pensões e à custa do investimento em sectores fundamentais como a saúde e a educação, sem esquecer o recurso a um “enorme” aumento de impostos…enfim, a velha receita habitual!

Quando a líder da Comissão Europeia se refere a essas “ajudas” (!!!) comparando-o com o Plano Marshall, a dita senhora não sabe mesmo do que fala, ou então, mais grave ainda, sabe mas tenta atirar areia para os olhos dos incautos.

O Plano Marshall, com todos os seus defeitos, incluía ajudas a fundo perdido, ou com juros baixos e pagos ao longo de várias décadas, exactamente o contrário das “ajudas” até agora prometidas!!!

Mas noutras partes do mundo a situação das lideranças ainda é pior.

O COVID-19 é a crise ideal para governos autoritários ou ditadores, da China, à Rússia, da Hungria à Turquia, das Filipinas à Venezuela….

Mas, pior que ditadores, previsíveis, ou burocratas, politicamente correctos, é atitude totalmente irresponsável e criminosa de líderes populistas como um Trump ou um Bolsonaro.

Os custos humanos das suas decisões erradas são muito maiores que as provocadas pelo terrorismo internacional.

O comportamento de ambos, neste momento, devia conduzir à formação a um Tribunal Internacional de Crimes contra a humanidade, para julgar líderes mundiais que, pela forma como lideram esta crise, provocam a morte de milhares de cidadãos.

E, sem dúvida, aqueles dois líderes estão na primeira fila para serem presentes, no futuro a um tribunal desse tipo.

Até lá, devemos seguir aquilo que os cientistas e organizações como a OMS propõem, mesmo que sejam mais as dúvidas que as certezas.

Os balanços ficam para o fim, mas não devem ser esquecidos.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

No 75º aniversário da libertação de Auschwitz


(Foto publicada pelo Spiegel, de um conjunto inédito de um "álbum de fotografias das SS", que pode ser visto AQUI


Passam hoje 75 anos sobre a libertação do campo de concentração da Auschwitz por parte do Exército Vermelho.

O Holocausto foi o maior crime praticado por “humanos”.

Não existe nenhum outro crime que lhe seja comparável, pela frieza, pela organização, pela pura desumanidade.

Comparar o Holocausto com qualquer outro crime contra a humanidade é vulgariza-lo.

Claro que, só nos últimos 100 anos, foram cometidos os mais hediondos e terríveis crimes contra gente indefesa, do Gulag soviético, aos massacres norte-americanos no Vietname, dos crimes de Pinochet e de outras ditaduras latino-americanas, aos crimes do governo sionista contra os palestinianos, dos crimes do Uganda aos crimes da guerra civil angolana, dos crimes do Apartheid aos crimes racistas nos Estados Unidos, dos crimes dos maoistas na China aos crimes dos japoneses na primeira metade do século XX , dos   crimes do colonialismo aos crimes do terrorismo islâmico.

A lista é interminável, mas, mesmo assim, qualquer desses terríveis crimes fica muito aquém do Holocausto, não apenas pelo número e pela concentração temporal dos crimes, mas pela frieza, violência, desumanidade, calculismo, organização  e imprevisibilidade deste último.

Muitos dos crimes acima referidos tiveram, “apesar de tudo”, a sua “lógica” ou foram perpetrados “no calor do momento”, por "excesso de zelo" ou "descontrole", e , ao contrário dos organizadores do Holocausto, os seus criminosos autores não se vangloriavam publicamente dos seus actos.

Sem que nada disto sirva para desvalorizar ou desculpar esses crimes, as vítimas daqueles crimes sabiam, muitas vezes, porque eram as vítimas: adversários políticos, combatentes, resistentes, populações em cenário de guerra…

Pelo contrário, no Holocausto, a maior parte das vítimas nunca tinham esboçado um acto de resistência, não tinham ideologia política, eram pessoas vulgares, nem percebiam muitas vezes a razão da sua detenção.

“Apenas” não pertenciam à “raça superior”, eram judeus (muitos não professavam), eram ciganos ou eram eslavos ( e, se os nazis vencessem, a lista estender-se-ia a latinos e africanos…).

Pior ainda, muitas das vítimas do Holocausto, nem sabiam ao que iam e, para evitar incontroláveis cenas de pânico, os nazis orquestravam a chegada aos campos, para disfarçar o destino dos prisioneiros.

Toda a organização dos campos obedecia à frieza de uma “simples” organização administrativa, com registos, “metas” de “produtividade”, e toda uma burocracia do horror.

Se a negação do Holocausto é crime, a sua evocação não pode ser vulgarizada com comparações ou, ainda menos, com o abjecto aproveitamento político por parte do sionismo.

A intolerância, o desrespeito pelos “adversários”, o fanatismo ideológico e religioso, a xenofobia foram as sementes desse grande crime, e são as sementes de outros crimes contra a humanidade.

Numa época em que essa intolerância, desrespeito pelos “adversários”, fanatismo ideológico e religioso e xenofobia estão em crescendo, mesmo nas sociedades mais estáveis e democráticas, mesmo em circunstâncias diferentes, será importante manter viva a memória desse crime ignóbil.

Holocaustos, nunca mais!