terça-feira, 7 de abril de 2020

A Super Lua de Hoje vista da minha janela




 


As palavras ocas da Sr. Von Der Lyen.

Na gestão da actual crise do Coronavírus, a actual presidente da Comissão Europeia tem-se destacado pela quantidade de palavras ocas de conteúdo, cheias de bonitos floreados, politicamente correctos.

De concreto, apenas o “aviso”, embrulhado na sua retórica bem falante, de que a “ajuda” com que os países da União Europeia podem contar é um “empréstimo”.

Todos sabemos o que significam os “empréstimos” da União Europeia: mais lucros fabulosos para a banca, que vai buscar dinheiro a taxa zero (ou ainda menos) ao Banco Central Europeu, emprestando-o a juros elevadíssimos e com pagamento de curta duração aos governos que precisam desse dinheiro par enfrentar a crise que se avizinha.

Também a mesma dita senhora “autorizou” os países em dificuldade a ultrapassarem o deficit e a endividarem-se, sem esclarecer que esses países, no futuro, ficarão à mercê da imposição de “reformas estruturais” para não serem penalizados.

E também todos sabemos o que significam essas “reformas estruturais” : salários baixos, cortes nas despesas sociais, cortes nas pensões, aumento de impostos, privatizações de sectores públicos essenciais e imposições predadoras para sujeitar o sector produtivo dos países à especulação financeira.

Tem ainda a mesma senhora o desplante de comparar essa “ajuda” ao  Plano Marshall.

Países como a Alemanha e a Holanda foram dos que mais beneficiaram com esse plano, beneficiando de empréstimos a fundo perdido, a juros baixos e pagos ao longo de várias décadas, tudo o contrário daquilo que sempre foi a ajuda da União Europeia a países em dificuldades ou com deficit de desenvolvimento.

Nada podemos esperar dessa elite de burocratas que destruí alegremente o sector produtivo Europeu, facilitando a sua "deslocalização" para países de mão-de-obra barata e sem direitos, pensando apenas nos lucros do setor financeiro, situação que está na origem da dramática falta de material médico, que tem de vir de países como a China ou a Rússia, a valores especulativos.

Mas o que é que os cidadãos europeus podem espera desses burocratas, a maior parte oriundos do predador sector financeiro ou que para lá irão quando terminarem a sua “comissão de serviço” nas instituições europeias?

Só assim percebemos, aliás, porque é que a União Europeia não fechou as bolsas, mantendo em funcionamento um sector onde se está a gerar um forte movimento especulativo, à custa da epidemia, gerando lucros fabulosos aos especuladores.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Covid 19 e a “praga” dos “picólogos”



Nos tempos da Troika tivemos uma praga de especialistas em “economês”.

Agora temos a praga dos “picólogos”, os especialistas em “curvas” e “picos”.

Há-os para todos os gostos e não existe órgão de comunicação que não tenha o seu “picólogo” de serviço.

Tal como as previsões dos economistas de outros tempos de má memória, as previsões de “estatísticos” e “matemáticos” de toda a espécie, na pressa de conquistarem protagonismo, parecem confundir ciência com adivinhação.

Tal como todo o tipo de crendice se espalhou noutros tempos à boleia de epidemias e outras crises, agora até temos a ajuda das fórmulas matemáticas.

Esquecem-se, tal como aconteceu nos tempos da Troika com a maioria dos economistas, do factor humano.

O comportamento da epidemia de coronavírus não é igual em todo o lado e por isso, fazer previsões de adivinhação, disfarçadas de métodos científicos, vais dar “buraco”.

Como alguém dizia, quando entra o factor humano, previsões só no “final do jogo”!

Em termos estatísticos é diferente se estamos a lidar com grandes ou pequenas concentrações de população, com sistemas históricos de vacinação diferentes, com populações mais ou menos envelhecidas, mais ou menos bem alimentadas, com maior ou menor mobilidade, com melhores ou piores condições de higiene, com maiores ou menores comportamentos de risco, com diferentes sistemas imunológicos, com melhores ou piores sistemas de saúde.

Não basta por isso aplicar uma simples fórmula estatística para termos resultados seguros, muito menos podemos arvorar o nosso conhecimento científico como verdade absoluta.

Nestas coisas fazia falta alguma humildade por parte dos “especialistas”.

Alguns até estão um pouco desconsolados com o facto de a realidade não confirmar as suas previsões e culpam as autoridades de esconderem os números. Não são eles que estão errados, é a realidade!!

Claro que, à custa de atirarem tantos números e previsões para o ar, alguns acertarão.

Aliás, não é preciso ser grande especialista para saber que todas as curvas estatísticas têm uma subida, um pico e uma descida, mais ou menos acentuada, e que esse foi o comportamento de todas as epidemias históricas.

E já agora, só para relativizar, não estamos, nem de longe nem de perto, com a dimensão da muito citada “pneumónica” de 1918.

A adivinhação sempre foi uma forma de aplacar os “deuses”, mas o melhor remédio é acatar as decisões das autoridades sanitárias.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

As ruas do (quase) silêncio.


Mais uma vez a realidade volta a ultrapassar a ficção, embora muito daquilo a que estamos a assistir já fizesse parte da alguma dessa ficção.

Sociedades em pânico por causa de um vírus que se dissemina rapidamente pelo mundo, cidades vazias, desorientação dos políticos, televisões em directo dias seguidos, o caos da fuga para o campo (como vemos na Índia), rostos cobertos de máscaras como zombies , ruas onde o único som é os dos pássaros e invadidas por animais selvagens,  ocupando o lugar dos humanos… nada disso era totalmente desconhecido na ficção mas nunca tínhamos vivido essa realidade.

O silêncio, apenas recortado por um ou outro carro que passa pelas ruas, torna-se pesado quando desço à rua para passear as minhas duas cadelas, no vasto espaço verde, agora desértico, frente à “Madeira Torres”.

No relvado da Madeira Torres apenas se ouvem os pássaros, ao princípio as rolas e os melros dominavam a banda sonoro, acompanhados pelos pulos das “alvéolas”, agora aparecem os pintassilgos e um a série de trinados de pássaros desconhecidos camuflados nas árvores e na relva. As andorinhas que apareceram por aqui pelo carnaval, desapareceram misteriosamente.

As cidades vazias, situação tanto mais fantasmagórica e intrigante quanto maiores são as cidades, como vemos na televisão, fazem-nos recordar o filme  “Eu sou a lenda”, a história do último homem na terra , sobrevivente de um vírus que tornou os humanos em zombies nocturnos, deambulando pelas ruas vazias de Nova Iorque, ou, numa versão mais soft, o robot “Wall.E”, sozinho no mundo.

Mais realista, recordamo-nos da célebre bomba de neutrões, inventada durante a Guerra Fria, com o objectivo da “apenas” matar humanos, deixando as cidades intactas, ou aquela série da National Geographic que pretendia mostrar como seria a terra se os humanos desaparecessem de repente, sobrevivendo apenas animais e plantas.

Para já, é  o belo som dos pássaros e o azul do céu, abafado antes pelo barulho de gente e automóveis, ou por aviões poluentes, que se vai afirmando no horizonte, única realidade que vai deixar saudade quando tudo voltar à normalidade.

São as ruas silenciosas, uma das memórias que vai ficar destes estranhos tempos!

COVID-19 em Cartoon´s (3ª semana)

terça-feira, 31 de março de 2020

Rui Moreira, o “bolsonaro” português?



Uma coisa e “achar” ou “opinar”,  discordando ou questionando as decisões da Direcção Geral de Sáude ou da Organização Mundial de Saúde , sendo certo que o conhecimento científico reside, no final, ora na OMS, a nível mundial, ora na DGS a nível nacional, organizações que são assessoradas pelos mais reputados cientistas e investigadores .

Uma coisa é uma autoridade pública debater com a DGS determinadas decisões, discordando ou propondo decisões diferentes.


Seria bom que toda a gente percebesse, principalmente as instituições e as autoridades civis, que a máxima autoridade neste momento, para um combate eficaz à pandemia é, a nível mundial, a Organização Mundial de Saúde e, a nível nacional, a Direcção Geral de Saúde.

Infelizmente estamos a assistir às mais diversas atitudes irresponsáveis de líderes políticos mundiais, de Trump a Bolsonaro, ao aproveitamento político de outros, como Órban a aproveitar-se da situação para impor a primeira ditadura efectiva no espaço da União Europeia,  às palhaçadas de outro ditador europeu, o presidente da Bielorrússia, ou às conhecidas afirmações repugnantes do governo holandês.

Por cá, vemos muita gente a tentar pôr-se em bicos do pés,  ou a fazer chicana política, como a bastonária da Ordem dos Enfermeiros.

O que talvez não se esperasse era assistir a um líder político fazer apelos à desobediência como o fez Rui Moreira.

Num momento em que todos deviam a estar a remar para o mesmo lado, quer Rui Moreira ficar para a história como o Bolsonaro português?