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sexta-feira, 26 de outubro de 2018

O Fascismo "nunca existiu"!??...Ou existiu "apenas" num país!???...ou "anda ainda por aí"!?' (parte 2)


Nos anos 90, depois da derrota do comunismo real, e com o fim da Guerra Fria, parecia que a democracia e a liberdade iam vencer por todo o mundo.

Recorde-se que na década anterior se tinham desmoronado as ditaduras militares na américa latina e o apartheid na África do Sul.

Era o “fim da história” de Fukuyama.

Também por essa altura estudava-se afincadamente o fascismo, chegando a maior parte dos investigadores à conclusão que este regime estava datado histórica e geograficamente.

O fascismo puro só tinha existido em Itália.

Estabeleciam-se as diferenças entre os vários regimes que até aí tinham sido “misturados” sob a designação de “fascistas”: o Estado Novo português, o governo de Vichy em França e o franquismo espanhol, entre outros, não encaixavam no modelo fascista dos investigadores .

Mesmo o nazismo era uma excrescência totalitária do fascismo.

Já em artigo anterior abordámos algumas das características do fascismo apontadas por esses estudos.

Não deixa de ser, contudo, curioso, que, encontrando-se tantas diferenças entre esses regimes, nunca ninguém tenha feito  o mesmo exercício para distinguir os regimes e os movimentos comunistas, quer do ponto de vista cronológico, quer do ponto de vista sincrónico.

É que, na realidade, existem tantas diferenças, em termos práticos, em termos de violência ou em termos económicos e sociais,  entre o Estado Novo português, o nazismo alemão ou o fascismo italiano, como entre a União Soviética de Lenin, de Stalin ou Gorbachev, ou entre Cuba e a Coreia do Norte, ou entre o chamado eurocomunismo e o Partido Comunista Português…

Mas a preocupação em fazer esta distinção não terá motivado da mesma maneira os investigadores dessa altura.

Era mais importante retirar certos regimes e certos partidos da família fascista, do que fazer o mesmo exercício em relação aos regimes ditos comunistas.

Não questiono a seriedade desses estudos. Apenas noto a diferença de prioridades.

Claro que pode haver uma situação que explica essas opções.

A maior parte dos regimes que se inspiraram, com maior ou menos convicção, no modelo do fascismo italiano, raramente se designaram ou classificaram como fascistas, ao contrário do que aconteceu com os regimes comunistas ou com os vários movimentos comunistas, mesmo quando se combatiam entre si.

A maior parte dos regimes autoritários de direita e os futuros partidos de extrema-direita, principalmente depois da 2ª Guerra, não se gabavam, pelo menos publicamente, de admirarem Mussolini ou Hitler, a não ser em casos muito marginais.

Pelo contrário, apesar de todas as suas diferenças, tão grandes ou maiores do que as que existiram ou existem entre regimes e partidos da direita autoritária e antiliberal, os regimes do “comunismo real” e os partidos assim designados, todos invocavam a mesma origem comum, mesmo que aplicada ou interpretada de forma diferente, como mínimo denominador comum, em Engels, Marx e Lenine.

Nos anos 90 o fascismo era considerado assunto histórico encerrado e irrepetível, ao contrário do “comunismo real” que continuou a sobreviver até hoje na China, no Vietname, na Coreia do Norte e em Cuba, e em Partidos Comunistas que continuam a ter um peso significativo em muitos países democráticos.

Contudo, houve um autor que remou contra a maré.

Esse autor foi Umberto Eco que em 1997 publicou um ensaio intitulado “O fascismo eterno”, publicado e traduzido em Portugal com o título “Como reconhecer o fascismo”.

Para Umberto o fascismo não estava morto e enterrado, ao contrário do nazismo.

Começava por desmentir que o fascismo, ao contrário do nazismo, tivesse uma filosofia própria, mas apenas “retórica”.

Demonstrou que o fascismo italiano não era fácil de classificar ou de caracterizar, pois, ao contrário do modelo coerente em que muito o tentavam encaixar, era um movimento pragmático, muitas vezes contraditório e incoerente.

Ora, essa capacidade camaleónica do fascismo, permitiu a sua sobrevivência e a capacidade de reaparecer em qualquer outro lado ou época sob outras “vestes”.

A partir destas premissas, Umberto Eco identifica um conjunto de características do “novo fascismo”, que ele apelida de “Ur-fascismo”, avisando, contudo, que essas “características não poderão ser ordenadas num único sistema: muitas contradizem-se reciprocamente, e são típicas de outras formas de despotismo ou fanatismo. Mas basta que esteja presente uma delas para fazer coagular uma nebulosa fascista”.

Hoje, esse ensaio, com mais de vinte anos, veio revelar-se mais actual do que nunca, quando assistimos ao renascimento de regimes, partidos e retóricas de extrema direita, pondo em causa a existência das democracias liberais que se julgavam eternas e em expansão naquela década.

Aliás, o próprio termo de “democracia liberal” é defensivo, como se a democracia não fosse liberal.

O que é um facto é que a maioria desses movimentos substituíram a rua e os golpes militares pela campanha em redes socias  e pela participação democrática e, onde chegam ao poder, como na Hungria, por exemplo, criaram um novo conceito, o de “democracia ileberal”, ou seja, manipulam as regras democráticas, mantendo a  fachada de actos eleitorais para se legitimarem e legitimarem o controle sobre a justiça e a comunicação social.

Vemos isso também na Turquia, na Russia, na Polónia, nas Filipinas…

Quais as são características do “Ur-fascismo” apontadas por Umberto Eco?

Fica para próximo artigo.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

O que os conservadores da Igreja podiam aprender com o fim da União Soviética


Nos últimos meses acentuou-se o ataque da ala conservadora da Igreja contra o Papa Francisco (Conservadores ao ataque ).

Na liderança desse movimento está o bispo norte-americano Carlo Maria Viganò, em aliança estratégica com o movimento Tea Party e o líder ideológico da extrema-direita norte-americana, Steve Bannon, que estiveram por detrás da vitória de Trump, sem esquecer o histórico reacionário Cardeal Raymond Burke (Quem são os inimigos do papa. Leia-se também do El País de Agosto, edição brasileira, publicado em Agosto último AQUI).

Seria bom, para além do simples bom senso, que esses conservadores, que querem “salvar”  a Igeja da abertura levada à prática pelo Papa Francisco, na continuação da obra iniciada na década 1950 por João XXIII, aprendessem alguma coisa com a História.

O Comunismo, a mais forte ideologia que  “concorreu” com a Igreja no século XX, na tentativa de cativar a “alma” e a “fé” dos deserdados, e que se revelou o maior logro do século passado, pela forma como os seus valores se afastaram da realidade imposta a ferro e fogo por legiões de burocratas, sem esquecer os crimes associados, conheceu, no final desse século, uma tentativa de renovação e abertura iniciada quando Gorbachev se tornou secretário Geral do PCUS, em Março de 1985.

Muitos viram em Gorbachev um sinal de esperança em renovar o comunismo, recuperando os valores em que essa ideologia se baseou, em defesa dos mais fracos e dos deserdados contra os crimes do capitalismo, tentando mostrar que era possível conciliar a liberdade e a democracia com a melhoria das condições sociais das populações.

Desde logo Gorbachev teve de enfrentar, dentro do seu próprio partido, a oposição dos burocratas bem instalados que não queriam deixar cair o poder que tinham construído à sua volta, mesmo que à custa de renegarem os princípios do socialismo e do comunismo que diziam defender.

Rapidamente começaram a conspirar contra Gorbachev  e a Perestroika (“reestruturação”) e a Glasnot (transparência) que ele defendia para a renovação do movimento comunista.

O ponto alto da conspiração dos “conservadores” foi o golpe de Estado de 19 e 21 de Agosto de 1991.

Como era obvio, o movimento de abertura iniciado por Gorbachev já não tinha retorno, pois as sementes de esperança já se tinham enraizado entre os povos de leste, e foram derrotados rapidamente.

O resultado da irresponsabilidade desses “conservadores” foi terem arrastado toda a ideologia socialista com eles, abrindo caminho à expansão do extremo oposto, a ideologia neoliberal, com as trágicas consequências que todos conhecemos e sentimos hoje na pele.

Os conservadores que agora tentam conspirar contra o Papa Francisco deviam aprender com esse acontecimento e perceberem que, ao tentarem destruir a obra de abertura deste papa, correm  o risco de arrastarem com eles toda a Igreja, destruindo todos os valores que dizem defender.

Os povos, tenham sido os que viviam sob domínio soviético ou sejam os que acreditam nos valores da Igreja, não abdicam facilmente da esperança de liberdade e renovação e  nunca perdoarão àqueles que os tentam enganar e retornar a uma visão conservadora da realidade.

domingo, 12 de novembro de 2017

Nos últimos dias da União Soviética – 2 -Em Kiev - Julho de 1991


Depois de um dia a visitar Moscovo, chegamos ao final da tarde ao Hotel, para um jantar rápido, pois tinhamos de partir para a estação de comboio que nos ia levar a Kiev, o próximo destino da viagem.

Estava tudo na maior das calmas a prepara as coisas, quando somos alertados para o facto do comboio partir às 20.20, e não às 22 horas como erradamente tínhamos sido informados.

Numa correria louca o nosso autocarro lá conseguiu chegar à estação, apenas 7 minutos antes da partida.

Era um comboio como mais de 20 carruagens e os lugares reservados para todos os elementos da excursão eram nas nº5 e nº8.

O meu beliche ficava na carruagem nº 8, onde entrei e coloquei as malas, indo depois auxiliar alguns companheiros de viagem mais velhos aflitos com as malas e com o tempo que se aproximava da partida. Foi assim que atravessei as carruagens 6 e 7 para chegar à nº5, para onde ía um desses elementos do grupo, mas que tinha entrado por engano na nº8, indo eu ajudá-lo com as malas, mas quando íamos entrar na carruagem 5, aparece uma revisora, bastante gorda, parecia saída de um velho filme dos tempos stalinistas, aos berros connosco, pedindo-nos os bilhetes e a impedir-nos de entrar na carruagem nº 5 e nós a tentarmos dizer que os bilhetes tinham ficado com o nosso guia na nº8.

Tentávamos falar em inglês (o meu era mau) e ela aos gritos, cada vez mais histérica, em russo, mostrando intensão de nos expulsar do comboio, pelo que, nós, sem os bilhetes na nossa posse, desatámos a correr, passando pelas nº6 e 7,  para regressar à nossa carruagem, enquanto o comboio começava a andar.

Quando tentámos passar da 7 para a 8, aparecem dois revisores e novamente a mesma cena, e nós sem o bilhete na nossa posse, e eles não nos percebiam, nem faziam um esforço por isso.

Desconhecíamos se os outros elementos do grupo tinham conseguido entrar no comboio, pensando já que estávamos ali sozinhos, sem bilhete, a caminho de Kiev, sem que ninguém percebesse o nosso inglês.

Felizmente houve um passageiro russo que deve ter perecebido alguma coisa do que dizíamos e que se abeirou dos revisores, que acabaram por nos deixar entrar na carruagem nº8 onde estavam os restantes colegas de viagem e o guia com o bilhete. Ficámos entretanto a saber que duas das velhotas do nosso grupo não tinham conseguido entrar a tempo, ficando sozinhas na estação de Moscovo. Mais tarde soubemos que elas tinham voltado ao hotel e juntar-se-iam a nós um dia depois em Kiev.

A viagem durou cerca de 13 horas, chegando a Kiev pelas 9.30 da manhã do dia 26 de Julho .

Kiev fazia então parte da União Soviética, distava cerca de mil quilómetros de Moscovo e tinha cerca de 3 milhões de habitantes. Era então a  terceira maior cidade da União Soviética, capital da então Republica da Ucrânia. Tinha sido ocupada pelos alemães durante a Segunda Guerra e foi das que mais sofreu com o conflito. É banhada pelo rio Dniepre, um dos três maiores da Europa e que desagua no Mar Negro.

Kiev é formada por vários canais atravessados por várias pontes  e com muitas zonas verdes. 

As colinas junto ao rio eram banhadas pelo dourado das cúpulas de igrejas e conventos ortodoxos. O metro era menos complicado do que o de Moscovo.

Ficámos no hotel “Typcut” (“Turista”), um nome menos original que o de Moscovo (“Salut”=”Fogo de artifício”), com metro à porta, a estação “Margem Esquerda”.

Nessa primeira manhã em Kiev tivemos tempo livre, entre as 12 e as 14 horas, que aproveitei para visitar um mercado junto ao hotel, onde típicos camponeses ucranianos vendiam  fruta, legumes, vegetais vários, carne e peixe seco.

Junto ao mercado bebi uma cerveja russa e meti conversa com 4 russos que, tal com eu, mal sabiam falar inglês, mas lá nos fomos entendendo. No final dei-lhes moedas portuguesas e esferográficas.

A idéia com que fiquei de Kiev é que era uma cidade mais alegre e cosmopolita do que Moscovo, com mais sol e luz, com gente mais simpática e um estilo de vida mais ocidentalizado.

De tarde fizemos uma viagem panorâmica pela cidade.

Aqui, tal como já tinha acontecido em Moscovo, cruzámo-nos com a comitiva do primeiro-ministro grego, em visita oficial à União Soviética .

Pelo final da tarde, entre as 19.30 e as 21.30, fizemos uma viagem de barco ao longo do Dniepre. O rio possui várias ilhas arborizadas, algumas de grande dimensão, com casas de madeira e praias, muito apreciada pelos russos.





(a fotografia de cima foi tirada por mim em 1991. A de baixo é a mesma vista, na actualidade, tirada da net)

Regressados ao hotel de metro, para aprendermos a andar nele, e aí assistimos a uma festa-baile e encontramos uma grande grupo de espanhóis que fez uma festa quando soube que eramos portugueses.

Antes de me deitar ainda dei uma volta pelo arredor do hotel e fui até uma das pontes de Kiev aí perto.

Próximo do meio da viagem, depois de Moscovo e um dia em Kiev, já me começava a fazer alguma impressão a extrema pobreza económica da União Soviética. Apesar de as pessoas se vestirem mal (um pouco melhor em Kiev do que em Moscovo), apesar de não terem muitos produtos para escolher e os que existiam serem de má qualidade, e muitos serem inacessíveis ao bolso da maioria dos seus cidadãos, todos ostentam um ar digno, raramente aparecem pessoas a pedir esmola. Aqui em Kiev a corrupção e a especulação que se via em Moscovo não era tão notória.

Existiam contudo três coisas positivas que descobri nesse país: o sistema de transportes, com qualidade, rápido , eficiente e barato; a urbanização, apostando-se muito nos espaços verdes, com edifícios, que não sendo bonitos, estavam bem integrados na paisagem; e por último…os selos do correio que tinham muita cola!

No segundo dia em Kiev, 27 de Julho, visitámos a catedral de Stª Sofia, fundada no século XI, o mais antigo monumento cristão, ortodoxo, do leste da Europa.

Também na preservação do património os soviéticos parece que têm algum cuidado, sendo de uma beleza indescritível as cúpulas douradas das igrejas e os frescos que cobrem a totalidade do seu interior.


Naquela catedral foi possível ver frescos pintados em épocas diferentes em camadas sucessivas.

Percorri as ruas à volta da catedral. Fui a um pequeno café, que apenas servia chás e cafés com leite e 3 ou 4 variedades de bolos secos e tostas com conservas, muito pobrezinho, mas foi o único café que encontrei para comer qualquer coisa.

Entrei numa ourivesaria, onde, apesar da pouca variedade de objectos expostos,   reinava uma enorme confusão. O problema, começo a descobrir, está na “organização”: primeiro escolhe-se o objecto; depois vai-se para uma fila para pagar na caixa com uma data de papéis na mão; depois levam-se os papéis ao balcão e, finalmente, depois de se espera noutra fila, recebe-se o objecto. É assim que funciona quase tudo, triplica o tempo de espera e provoca imensas filas.

Deslocando-me a outra rua próxima, deparei-me com uma pequena manifestação de nacionalistas ucranianos, coma as bandeiras da Ucrânia (faixas em amarelo e azul), gritando várias palavras de ordem pela independência da Ucrânia e contra o “fascismo” e que estava a ser filmada por um canal de televisão. A manifestação decorri frente a um grande edifício que me disseram ser a sede local da policia e do KGB. Só lá estavam três policias de ar calmo, separados dos manifestantes por uma pequena barreira em ferro.

Tentei falar em inglês com um dos manifestantes que me explicou que a razão daquela manifestação era protestar contra as condições de vida da população da Ucrânia. Fez uma grande festa quando soube que era português e começou a falar-me de um jogo entre o Dínamo de Kiev e o Porto. Não pude ficar mais tempo pois tinha de voltar ao autocarro que me levaria ao Hotel. Desejei-lhes Boa Sorte, mal adivinhando que não faltaria muito tempo para a Ucrânia se tornar independente. O que terá acontecido àquelas pessoas?

Voltámos ao Hotel para o almoço, excelente mais uma vez, especialmente as sopas.

À tarde fomos visitar o “Mosteiro de Laura”, um dos mais importantes da Igreja Ortodoxa. A profusão de monumentos religiosos ortodoxos na região de Kiev deve-se ao facto de esta ter sido a primeira capital da Rússia, a chamada Rússia de Kiev, fundada no século XI.


Para além das suas exuberantes cúpulas, existe no Mosteiro de Laura o museu das joias preciosas, com peças do século IV a.C ao século XX.

Tendo começado a chover, apesar do calor que se fazia sentir em Kiev, já não podemos vistar as catacumbas do mosteiro, já que estas, devido à humidade, fecham sempre que chove.

Tendo regressado ao Hotel fui, depois de jantar, dar uma volta por Kiev, começando por fazer uma viagem de metro até ao fim da linha que passa frente ao Hotel. Este metro é de superfície junto ao Hotel, passando depois por cima do rio Dniepre, tornando-se depois subterrâneo. A beleza das estações subterrânea não fica nada a dever às famosas estações do metro se Moscovo (que só visitarei no final da viagem, quando regressarmos a Moscovo).


A última estação da linha ás sair a uma gare ferroviária, num subúrbio da cidade, pelo que voltei e segui até à estação que ficava no centro da cidade, numa ampla e bela avenida, cheia de gente, mas onde infelizmente não havia uma única esplanada para desfrutar do movimento.

Nesse avenida encontrámos apenas duas lojas abertas , cheias de gente que comprava o pouco queijo ou a pouca manteiga que aí se vendia, e a confusão era, mais uma vez, gerada pela forma como essas lojas funcionam, e que descrevi noutra parte desta memória de viagem.

O dia 28 de Julho foi o último dia passado em Kiev, antes de partirmos para Minsk.

De manhã vistamos um museu etnográfico a 30 quilómetros de Kiev. Esse museu reproduz vários tipos das aldeias da Ucrânia dos século XVIII, XIX e XX, tal como eram antes da Revolução, uma espécie de “Portugal dos Pequeninos”, talvez idealizado num assomo de má consciência das autoridades soviéticas pela tragédia vivida no mundo rural ucraniano durante os tempos stalinistas.

Nesse museu ao ar livre repoduz-se o ambiente das aldeias de então, onde as casas eram construídas com vários materiais tradicionais, de acordo com a posse de cada um e que reproduziu a rigidez social dos tempos czaristas. Aqui existem alguns originais moinhos em madeira.

A visita culminou com uma patuscada num restaurante aí existente, todo construído em madeire e no meio de uma frondosa mata, explorado por iniciativa  privada, sinal dos tempos da Perestroika.

Regressados ao Hotel, e depois de almoço, preparamos as malas para a partida,mas fizemos ainda uma última visita guiada durante a tarde.

Cruzámo-nos com mais uma manifestação nacionalistas, desta vez de militares ucranianos que defendiam a criação de um exército ucraniano. Embora o número de manifestantes fosse pequeno, eram um pouco mais agressivos do que os da outra manifestação.



Ainda vistámos outra Igreja de belas cúpulas douradas barrocas, e partirmos para o aeroporto de Kiev para partirmos para Minsk, o nosso próximo destino.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

A história dos irmãos comunistas que salvaram a capela de Nossa Senhora


Fui hoje apresentado a um velho militante comunista, natural de uma aldeia do concelho de Torres Vedras, mas que saiu deste concelho poucos anos depois do 25 de Abril, tendo vivido num concelho do Alentejo, no qual chegou a desempenhar o cargo de vereador.

Não vou aqui identifica-lo, nem a ele nem à aldeia onde se passou  a saborosa história que ele me contou, e que vou tentar reproduzir aqui.

Ele e os irmãos já eram comunistas antes do 25 de Abril e, na sua noção muito peculiar de comunismo, procuraram contribuir para melhorar as condições de vida dos habitantes de uma aldeia que vivia isolada, no topo de uma serra, das muitas que enxameiam este concelho, sem estrada, sem àgua e sem luz.

Para isso estiveram na origem da criação de uma Comissão de Melhoramentos ( já que no regime anterior não se podiam designar pelo “revolucionário” nome de Comissão de Moradores) e tentaram tomar várias medidas para atenuar a dureza do isolamento dos aldeões, homens do campo que trabalhavam nas terras das quintas próximas.

Começaram por construir a sede da Comissão, equipada com uma televisão, que funcionava com gerador, para que os seus habitantes, que não tinham luz em casa, pudessem ter alguns momentos de lazer no intervalo da sua dura labuta diária.

Depois tentaram melhorar os caminhos de acesso, quer à então vila, quer à aldeia sede de freguesia vizinha, para facilitar a deslocação para o trabalho e para a escola, levar a àgua à aldeia, nas difíceis condições de uma aldeia situada num sitio bastante alto, trabalho que encontrou uma situação mais favorável após o 25 de Abril, altura em que se tornou também possível fazer chegar a iluminação à aldeia.

Conhecendo o carácter dinâmico dos irmãos comunistas, e apesar de não professar das suas ideias, uma prima deles, devota da Nossa Senhora padroeira da aldeia, pediu-lhes que usassem os seus conhecimentos e a sua capacidade de trabalho para salvarem a capela que corria sérios riscos de derrocada.

Estes prontificaram-se a ajudar, em parte porque ajudar os vizinhos estava na sua noção se “comunismo”, em parte para desmentir a ideia que muitos faziam do seu comunismo, e, em parte, porque tinha circulado a notícia, talvez falsa, segundo a qual uns comunistas do norte do país tinham deitado a baixo uma outra capela.

Contudo, eles propuseram que não fossem eles a surgir publicamente como autores da iniciativa, porque, por um lado muitos desconfiavam dos irmãos “comunistas”, e, por outro, para salvar a capela e construir um  muro de protecção, era preciso derrubar umas árvores e construir um muro na propriedade de um rico proprietário local, pouco dado a colaborar com comunistas.

E foi assim que propuseram à prima que, juntamente com a esposa do irmão que nos contou a história e outras duas devotas da aldeia, formassem uma comissão de mulheres da Igreja que angariassem fundos para obra e se deslocassem ao tal proprietário a  pedir para que ele deixasse cortara as árvores, cujas raízes estavam a destruir as paredes da capela, e permitisse a construção do muro que evitasse a queda eminente do edifício.

O tal proprietário foi convidado a visitar a capela. Este, ao entrar, e depois de se ajoelhar perante a imagem da Santa, anuiu em fazer tudo o que pudesse para “salvar a Nossa Senhora”.

Após conseguirem o apoio do dono das terras junto à capela, os quatro irmãos comunistas angariaram materiais e voluntários, arrancaram as árvores que estavam a arruinar a capela e construíram um grande muro para proteger um dos raros monumentos da aldeia, símbolo da sua identidade.

Foi com apreensão que esperaram pelo inverno pois, se algo corresse mal e a capela, apesar da obras que eles conduziram, sofresse alguma ruina, diriam sempre que foram os “comunistas” que não fizeram nada para a salvar ou, pior ainda, tinham sabotado a obra.

Para alegria de todos, a capela, não só sobreviveu a esse inverno, como hoje, 40 anos depois, e para orgulho do meu interlocutor, continua de pé sem a mais leve beliscadura.

O “irmão comunista” que hoje, à mesa de um café, me contou esta história, conta reunir esta e outras histórias da sua aldeia, mas não resisti a antecipar-me e contar este pequeno episódio.
(Parte da História que contámos pode ser vista AQUI)

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Quando o actual momento político traz ao de cima o que há de pior no comentário jornalístico

Costuma-se dizer que “é na curva das estradas que que vê quem é bom condutor”.

O actual momento político tem trazido ao de cima o que há de pior (e, menos, de melhor) na política nacional e, principalmente, no comentário jornalístico.

A histeria da direita e dos seus comentadores de serviço (os pequenos “gobelzinhos”, como aqui lhes costumamos chamar) tem ultrapassado as raias do bom senso e do bom gosto e tem trazido ao de cima muita da retórica anticomunista que pensávamos morta e enterrada.

À histeria dessa gente junta-se o uso e o abuso das meias-verdades, da má fé, da simples intolerância, da pura mentira, da “mera” distorção da realidade, dos velhos ódios de estimação pessoais e, quase sempre, da pura ignorância .

aqui assumi muitas críticas ao PCP , mas isso não me tem impedido de dar o meu voto ou o meu apoio conjuntural a esse partido, em parte porque, objectivamente, nalguns momentos da nossa história política, foi o único partido que defendeu, com firmeza e coerentemente,  aqueles que vivem do seu trabalho e os mais fracos da sociedade portuguesa , batendo-se com firmeza pela justiça social neste país, combatendo e denunciando o aumento da pobreza e da das desigualdades provocadas pelo “austeritarismo” imposto pelas instituições antidemocráticas da União Europeia.

No fundo tem sido dos pouco partidos, na companhia do Bloco de Esquerda ou do Livre, a manter viva a verdadeira chama da social-democracia.

Sim, da social-democracia...

A social-democracia, convém recordar, defende a justiça social, combate as desigualdades, defende quem trabalha contra os interesse do corrupto sistema financeiro, tudo lutas que, parecendo ultrapassadas nos finais do século XX, voltam a ser necessárias neste miserável início do século XXI.

Hoje, esses princípios, em vez de serem defendidos pelos partidos que se dizem herdeiros dessa social-democracia, que foi responsável pelos anos de prosperidade, paz e desenvolvimento que a Europa conheceu na segunda metade do século XX, e pela construção dos alicerces do estado social que hoje está a ser desmantelado pelas antidemocráticas instituições europeias, são renegados por esses partidos, renegando toda a sua história e participando convicta e alegremente na destruição dessa Europa, entregando o seu destino aos corruptos interesses financeiros.

Além disso, ao contrário da história da maior parte dos partidos comunistas da Europa, que sujaram as mãos na construção de violentas ditaduras no leste, renegando igualmente as suas raízes e os seus objectivos, dando origem a corruptos sistema políticos, de que são exemplo, nos nossos dias, Angola ou a China, para não falar na tenebrosa caricatura da Coreia do Norte, o Partido Comunista Português cresceu na luta contra uma ditadura e na consolidação de uma democracia, revelando-se um força política credível a nível autárquico.

Claro que, como em todo os lados, existem erros, injustiças, retóricas ridículas (a célebre “cassete”), gente execrável, e, pessoalmente, podia nomear muitas divergências em relação ao programa político desse partido.

Mas a forma primária como alguns comentadores têm vindo a encher páginas de jornais, com destaque para os “talibãs” do neoliberalismo do Observador, ou o espaço televisivo, com retóricas de puro fanatismo anticomunista primário, já começa a cansar e não augura nada de bom nem positivo para o futuro do combate ao “austeritarismo”, para além de trazer ao de cima a verdadeira natureza da maior parte da nossa comunicação social e da nível onde navega a nossa “liberdade de imprensa”…

O irrascível e pré-histórico José Milhazes foi um dos que foi mais longe no primarismo da retórica anticomunista no jornal online Observador.

O jornalista Paulo Pena submeteu essa retórica à “Prova dos Factos” e o resultado é, para além de uma grande lição de jornalismo e de interpretação de texto, o interessante “estudo”, ontem editado pelo Público, e que reproduzimos em baixo:

“PROVA DOS FACTOS

Por PAULO PENA, in  “Público” de  12/10/2015

“O PCP nunca se demarcou do estalinismo e do leninismo?

“O jornalista José Milhazes afirmou que o PCP continua a ver Estaline e Lenine como “timoneiros do povo”. Terá razão?

“A FRASE

“O Partido Comunista Português, ao que eu saiba, nunca se demarcou dos hediondos crimes cometidos por Lenine e Estaline, continua a ver nestes dois carrascos “timoneiros do povo”, sempre foi fiel e servo do Partido Comunista da União Soviética até ao fim deste.”

“O CONTEXTO

“Esta frase foi publicada num artigo de opinião do jornalista José Milhazes no jornal online Observador. O título: “Não quero participar a segunda vez no mesmo filme” sobre a possibilidade de um acordo entre PS, PCP e BE para viabilizar um possível Governo em Portugal. Como se trata de uma opinião, procuramos analisar a veracidade de um dos pontos da argumentação, tendo em conta uma latitude de interpretações que não se esgota num mero “sim” ou “não”. Uma demarcação política, como aquela que Milhazes sugere faltar ao PCP, é sempre relativa. Depende de quem avalia a demarcação. Para uns, uma demarcação será sempre insuficiente, para outros, uma mera distanciação já será uma demarcação bastante. Tentemos olhar para esta questão com distância: Haverá sempre quem considere que alguém não se demarcou suficientemente de um facto embaraçoso. A nossa vida política tem disto inúmeros exemplos.

“Mas para responder à pergunta desta Prova dos Factos existem várias fontes disponíveis. O PÚBLICO contactou para isso vários historiadores portugueses, especialistas em História do PCP. Estas são as principais conclusões. A primeira crítica do PCP a Estaline surgiu no V Congresso do partido, na clandestinidade, em 1957, na sequência da “desestalinização” promovida por Nikita Krushov. O PCP, na altura, vivia um “desvio de direita”, que Cunhal viria a “corrigir”, depois da sua fuga de Peniche, em 1961. Mas isso são outras histórias… É o próprio Cunhal que, no seu livro Partido com Paredes de Vidro retoma a crítica: “O V Congresso, realizado em 1957, estimulado também pelo desvendar do culto da personalidade de Stáline e de todas as suas negativas consequências, instituiu normas de democracia interna e inseriu-as nos Estatutos do Partido então aprovados." (p.88). Pode-se alegar que a crítica a Estaline é mitigada. Cunhal, mais uma vez, em 1990, já depois da queda do Muro de Berlim, deu uma entrevista mais clara. Os entrevistadores, do Independente, eram Miguel Esteves Cardoso e Paulo Portas. Sobre Estaline, Cunhal disse o seguinte: “Eu não vou aqui propor ou sugerir a leitura, mas eu escrevi muitas páginas sobre a caracterização do estalinismo. O estalinismo é isto, e isto, e isto. E uma coisa que não queremos e que repudiamos. O estalinismo como ideologia, como acção política, como organização do Estado, como organização do partido, como intervenção antidemocrática interna ou externa do partido. Naturalmente que rejeitamos. Aliás, há um país muito acusado de métodos estalinistas, a Roménia. Já nós, os comunistas portugueses, tínhamos grande dificuldade de contactos com o Partido Comunista Romeno.”

“Outra questão, completamente diferente, é a da relação do PCP com Lenine. Neste caso, o partido não só se continua a afirmar como “marxista-leninista”, como não concordará com a expressão “hediondos crimes” usada pelo jornalista. Porém, no mesmo livro de Álvaro Cunhal, existe uma crítica à “infalibilidade” das referências comunistas: “Mas ser leninista não consiste em endeusar Lénine, em utilizar cada frase de Lénine como verdade universal, eterna e intocável, em substituir a análise pela citação, em responder aos acontecimentos através de afirmações de Lénine, mesmo quando se trata de novos fenómenos que Lénine não conheceu no seu tempo, em abafar, com a transcrição de textos e com a presença dominadora do nome e da efígie e da autoridade desse nome e dessa efígie, a investigação, a análise e o espírito criativo no estudo e interpretação dos novos fenómenos .” (pág.140).

“OS FACTOS

“Para o PCP, a “demarcação” bastante faz-se quando o partido afirma que “tem a sua própria concepção de socialismo e o seu próprio projecto para a edificação em Portugal de uma sociedade socialista”. O que significa que não vê em Lenine ou Estaline, ou Castro, ou qualquer outro modelo de sociedade socialista, um exemplo a seguir. Pelo contrário, o PCP afirma ter objectivos que se “diferenciam e distanciam” dessas práticas. No seu programa “Uma Democracia Avançada no Limiar do Século XXI”, o partido demarca-se da experiência da URSS e do antigo “bloco de Leste”. “Nesses países (…) acabou por instaurar-se (…) um "modelo" que violou características essenciais de uma sociedade socialista e se afastou, contrariou e afrontou aspectos essenciais dos ideais comunistas.” Exemplos disso? “Um poder excessivamente centralizado nas mãos de uma burocracia (…) a acentuação do carácter autoritário do Estado (…) uma economia excessivamente estatizada (…) um centralismo burocrático baseado na imposição (…) confusão das funções do Estado e do partido (…); “um distanciamento entre os governantes e as massas, o uso indevido do poder político, o abuso da autoridade, a não correspondência da política e das realidades com os objectivos definidos e proclamados do socialismo, desvios e deformações incompatíveis com a sua natureza.”

“EM RESUMO


“Cada um fará a sua interpretação, à luz das suas próprias convicções, se a demarcação face a Estaline é proporcional à gravidade dos crimes conhecidos do ex-líder soviético. Mas neste caso, parece indiscutível que houve um repúdio público do PCP e do seu histórico líder Álvaro Cunhal sobre aquele período histórico. Uma situação diferente é a de Lenine. Aí, o PCP continua a defender o seu legado teórico, embora procure distanciar-se de qualquer “culto da personalidade”. Ou seja, a expressão “timoneiros do povo” não é aplicada a nenhum dos dois por nenhum documento do PCP. Quanto ao “seguidismo” em relação à União Soviética, essa ainda é uma matéria controversa na historiografia”.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Estamos Solidários com a "Revolução dos Guarda- Chuvas" (em Hong Kong)

Um dos grandes mistérios com que os historiadores e politólogos do futuro se vão confrontar, é o de perceber o fascínio que a China e o seu modelo politico-económico-social exerceu sobre grande parte dos decisores políticos e económico-financeiros do capitalismo ocidental e das elites da União Europeia no início do século XXI.

De facto, tem sido o fascínio por esse modelo a contribuir para destruir o tecido sócio-económico do Ocidente democrático, nomeadamente o Estado Social construído na Europa ao longo do século XX.

A desculpa é o de atrair o capital dos países “emergentes”, penetrar nos seus mercados e as necessidades de um mercado  “competitivo” num “mundo globalizado”, onde o modelo chinês é cada vez mais o dominante.

Grande parte do capital desses países emergentes tem origem mais que duvidosa ( desde o oriundo de obscuros negócios de máfias locais, da corrupção dos seus líderes políticos, do “dumping social” neles praticado, da inexistência de direitos socias e até dos democráticos).

Por seu lado, as grandes empresas ocidentais, cada vez menos eticamente escrupulosas, do ponto de vista social [essa preocupação, quando a houve, durou apenas enquanto existiu a “sombra” da União Soviética….], sentem-se atraídos por esses países emergentes, com a China à cabeça, onde não existem greves nem contestação, nem preocupações ambientais, onde o trabalho sem regras e a exploração de mão-de-obra infantil foge a qualquer controle, garantindo assim lucros fabulosos a essas empresas.

Mas, num mundo capitalista sem regras, onde os políticos são meros “facilitadores” dos negócios financeiros, um dos atractivos, nunca assumido, pelo modelo Chinês passas pelo facto de estarmos num país, que para além de oferecer uma mão-de-obra barata e sem direitos, um vasto território sem o “entrave” das regras ambientais do ocidente, oferece a possibilidade de todo o tipo de negócios sem o “empecilho” do controle democrático ou da liberdade de expressão.

A China é, sem dúvida, a “melhor” síntese entre o pior do capitalismo, com o pior do comunismo, “pior” na perspectiva dos cidadãos e dos trabalhadores, porque para a ganância do grande capital financeiro internacional e das corruptas elites dirigentes do gigante asiático este é o melhor de todos os mundos.

Por isso é da mais absurda hipocrisia toda a “indignação” manifestada pelas elites políticas ocidentais em relação àquilo que se passa em Hong Kong. Uma China democrática, onde houvesse liberdade de expressão, com direitos sociais e respeitadora das preocupações ambientais era o pior de todos os pesadelos para essa gente, pois deixavam de ter desculpa para continuar a retirar direitos aos trabalhadores dos seus países e a desvalorizar o trabalho para “responder” ao “dumping social” dos “países emergentes”.


Pelo nosso lado, estamos do lado das forças democráticas da China, pois a sua vitória ´só podia fortalecer a luta dos cidadãos da Europa pelo reforço dos seus direitos socias, políticos e económicos.

(Podem ler mais sobre a "revolução dos Guarda-Chuvas" AQUI e seguir os acontecimentos em Hong Kong , em directo, AQUI)

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

"Capital-Comunismo", o filho da Globalização...




Não deixa de ser curiosa a posição de alguns “empresários” (eu diria antes, patrões…), ideólogos da direita neoliberal e políticos do sistema, que passam a vida a perorar contra os trabalhadores e os sindicatos “controlados por comunistas” , ao mesmo tempo que defendem “reformas” estruturais, com a finalidade de destruir os direitos sociais e o valor do trabalho, tendo por objectivo agradar aos “mercados”, aos “investidores” internacionais e aumentar a “competitividade” com os “países emergentes”.

E quais são os países emergentes e os "mercados" aos quais essa gente pretende agradar, baixando salários, destruindo o Estado Social e retirando direitos?

Nada mais, nada menos que, por um lado, o último bastião do comunismo selvagem, a China, o último bastião da corrupção moral e social comunista, Angola, e por outro, países como a Colômbia, um exemplo de uma economia emergente que cresceu com o negócio do narcotráfico, a Rússia, reconstruida com o poder económico das máfias de leste, ou a Índia, o pior exemplo do capitalismo mais selvagem e miserável.

São estes os exemplos que os nossos “empresários”, ideólogos da direita neoliberal e políticos do centrão nos pretendem impingir como “alternativa” e como destino.

Andam muito preocupados com os “comunistas” de cá, mas estão sempre prontos a vender as empresas nacionais e negociar com países como a China, onde se combina o pior do comunismo em termo de falta de liberdade, com o pior do capitalismo, em termos de exploração vil de quem trabalha, ou com países como Angola, dominada por um partido “marxista”, que lança o povo na miséria ao mesmo tempo que garante as grandes fortunas das elites construída à volta do poder corrupto do MPLA, com a conivência dos criminosos da UNITA.

Aquilo que era impensável, ainda não há muitos anos, a rendição dos modelos social-democrata  e democrata cristão do ocidente (construtores, com altos e baixos e com imperfeições,  daquilo que era um dos modelos mais conseguidos na história da humanidade, combinando o respeito pelos direitos humanos, com o respeito pelos direitos sociais e um desenvolvimento económico harmonioso) aos modelos corruptos e corruptores do “comunismo” chinês,  do narcotráfico do leste e latino-americano,  da corrupção das elites petrolíferas do médio-oriente, e da exploração selvagem da mão-de-obra na Índia, na Ásia e na África. 

Agradar aos “mercados” que enriqueceram à custa destes modelos,  tornou-se hoje a principal motivação política da União Europeia, dominada por uma elite incompetente e desumanizada e conivente com esses “mercados”.

Isto vai acabar mal…mas pelo meio alguns vão ganhar muito dinheiro, os tais "empresários" e políticos  que referimos acima…

domingo, 5 de dezembro de 2010

A FOTO DA SEMANA - Comunismo em "saldos"

Restos do comunismo em saldos na República Checa
(Fotografia de Bernadette Szabo)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

20º aniversário da "revolução de veludo"



Há 20 anos atrás, no dia 17 de Novembro de 2009, poucos dias após a queda do Muro de Berlim, uma manifestação estudantil em Praga dava início à chamada "Revolução de Veludo".
A Democracia vencia na Checoslováquia, que mais tarde iria dar origem a dois novos países, a Eslováquia e a República Checa.
A situação económica e social nesses novos países é hoje preocupante? Sem dúvida, mas hoje,quem decide o seu futuro são os seus povos e não uma nomenclatura corrupta a partir de Moscovo, nem um regime que se dizia "socialista" , mas que não passava de um bando de mentirosos e mal-feitores.
Ao colarem o comunismo à repressão e à ditadura, muito contribuiu essa gente para o descrédito de um verdadeiro socialismo, atrasando, provávelmente por várias décadas, o caminho da Europa para uma sociedade mais justa, enfim, para um verdadeiro "socialismo" de rosto humano.