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quinta-feira, 26 de setembro de 2019

A “Praça do Humor” na Corunha (Galiza)

BêDêZine: A “Praça do Humor” na Corunha (Galiza): Existe na cidade da Corunha uma curioso espaço. Trata-se da Praça do Humor, uma homenagem à arte de fazer rir e da caricatura nas suas mais diversas vertentes (clicar em cima para ver e ler mais).

terça-feira, 2 de julho de 2019

A “Casa do Horrores” – O Prédio Coutinho em Viana do Castelo.



O Prédio Coutinho é daqueles horrores que nunca devia ter acontecido em Portugal.

Infelizmente o Algarve e as grandes cidades de Portugal estão cheias de  horrores parecidos, mas a o Prédio Coutinho, em Viana do Castelo, destaca-se, pela sua localização e pela sua excepção naquela bela localidade.

O processo de demolição daquele crime urbanístico arrasta-se nos tribunais há pelo menos duas décadas, revelador do mau funcionamento dos nossos tribunais, e da ambiguidade das leis construídas por escritórios de advogados pagos a peso de ouro pelos contribuintes para gerarem tal tipo de leis.

Seria importante penalizar quem autorizou a construção daquele horror, que devia ser quem estava no banco dos réus  e quem devia pagar o realojamento dos moradores.

 Entre enganados, incautos e alguns, poucos, oportunistas, que procuram tirar proveito da situação, a vitimização mediática dos 9 “resistentes” só serve para desviar a atenção da verdadeira situação.

Ontem fiquei esclarecido sobre de que lado está a razão, quando ouvi que esses 9 moradores não querem sair daquele edifício horroroso porque acham que a indemnização de 200 mil euros (DUZENTOS MIL EUROS) ou, em alternativa, receberem outra moradia na cidade de Viana do Castelo, não lhes chega, porque, “está abaixo do preço do mercado”.

Pois dei-me ao trabalho de investigar e, no Distrito de Viana do Castelo, no site Imovirtual, encontrei mais de cinquenta páginas, muito mais de 500 habitações, a preço inferior aos tais 200 mil euros, a média a rondar os 100 mil euros , grande parte T3 e no centro da cidade, mas é possível encontrar vários T4 e T5 abaixo daquele preço.

Convém recordar que quase outras 300 famílias aceitaram a indemnização ou a saída para outra casa, o que demonstra que estamos perante um caso de teimosia oportunista que está a lesar o bem público.

E, já agora, gostava que me explicassem o propósito das bandeiras de Venezuela!!??

Espero que acabem de vez com aquele horror, até porque teria um poder persuasivo para outras construções do mesmo género.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Cheias em Albufeira - As imagens que explicam tudo:

Como já aqui referi, tenho na memória as condições geográficas e o caos urbanistico de Albufeira, potenciadores da tragédia que agora se abateu sobre aquela cidade algarvia.

Na altura em que lá vivi, nos finais da década de 80, vivia-se o auge do modelo caótico de urbanismo que vigorava no Algarve e um pouco por todo o litoral do país, um dos pilares do "espírito cavaquista" de enterrar em betão os chamados "fundos estruturais" europeus, que então afluiam em barda a  Portugal.

Essa estratégia urbanística errada e esse modelo de "desenvolvimento", que hoje estamos a pagar caro, contaminou práticamente todo o poder autárquico de então, mesmo quando este era gerido pelo Partido Socialista, como acontecia nessa altura em Albufeira.

Nessa época estava à frente da Câmara de Albufeira um tal Xavier Xufre, que, anos depois, em 1996, seria forçado a renunciar ao seu longo mandato à frente daquela Câmara, a contas com a justiça devido a "alegadas irregularidades" com empreiteiros e que se tornou no autarca maldito do PS, passando a dedicar-se aos bares à restauração e à imobiliária.

Na altura em que lá estive já corriam muitos "rumores" e "histórias" sobre as relações do autarca com a construção civil, situação nunca provada ou, as que foram provadas, prescritas e arquivadas pela justiça.

Mas já então já estava à vista  o "patopbravismo" urbano em que tinha mergulhado a antiga vila de Albufeira, seguindo aliás o "modelo"  que grassava por todo o litoral Algarvios (com as excepções dos limites ocidental, a partir de Lagos, e oriental, a partir de Faro e Tavira).

A propósito não resisto a contar uma história, reveladora desse caos urbanístico algarvio, esta passada numa localidade vizinha de Albufeira, Portimão, 

Portimão é talvez o pior exemplo desse tipo de urbanismo(só ultrapassado por Armação de Pêra e Quarteira).

Tinha visitado essa localidade, uma formosa e calma vila de pescadores, aí por meados da década de 70 , voltando a deslocar-me aí no final da década de 80, onde já se notavam as aberrações urbanas caracteristicas do litoral algarvio, mas onde ainda era possível detectar alguma harmonia. Ora, no princípio deste século, voltei a Portimão, com o objectivo de ir ao porto e à prai dessa localidade. Pois andei uma hora ás voltas, entre o caos urbano e viários e, com muito custo,consegui sair, sem ter conseguido ver uma réstia de mar, nem saber por onde ir para chegar ao cais... claro que nunca mais lá voltei.

Mas voltando a Albufeira, consegui recolher aqui da net algumas imagens e mapas antigos de Albufeira que falam por si sobre as razões daquilo que aconteceu no passado fim-de-semana naquela cidade.
Convém aqui salientar que, aquela tipo de urbanização vai potenciar outras situações parecidas, um pouco por todo o país, não só devido ao previsto agravamento das condições climatéricas,  ainda mais graves junto ao litoral por causa da previsivel subida do nível do mar  e  que, no Algarve, terá de ter em conta uma previsivel repetição das condições que proporcionaram o maremoto de 1755, por ironia do destino também ocorrido num dia 1 de Novembro...
É caso para dizer que "palavras para quê" se as imagens aí estão para demonstrar o que potenciou a tragédia e pode repeti-la, de forma ainda mais grave, se não se arrepiar caminho:

O Percurso principal das àguas pela ruas de Albufeira no dia 1 de Novembro de 2015:

(vista aérea de Albufeira. 1 - Avenida da Liberdade; 2 - Largo Eng. Duarte Pacheco; 3 - Av. 25 de Abril; 4 - Praça e Praia dos Pescadores)

1 - AVENIDA DA LIBERDADE: O "ANTES", O "DEPOIS" E AS "CHEIAS":

O "ANTES":
...O DEPOIS..
(A seta indica a casa onde vivi entre 1988-1989, a mais pequena entalada entre prédios altos)

...E AS CHEIAS:

2- LARGO ENGENHEIRO DUARTE PACHECO: O "ANTES", O "DEPOIS" E "AS CHEIAS":

O "ANTES":


....O "DEPOIS"...:


...E AS "CHEIAS":

3 - AVENIDA DE ABRIL :
O "ANTES", O "DEPOIS" E "AS CHEIAS":

O "ANTES" ...:

...O "DEPOIS" ...:

...A "AS CHEIAS" :

4 - PRAÇA E PRAIA DOS PESCADORES:O "ANTES", O "DEPOIS" E "AS CHEIAS":

O "ANTES" ...:

...O "DEPOIS"...:
...E AS "CHEIAS" :

Penso que as imagens  acima divulgadas são bem elucidativas da situação.

Em baixo transcrevemos também um mapa medieval de Albufeira e uma comparação entre o que era a antiga Al Buhera muçulmana e a zona inundada...

(Mapa retirado de AQUI)



... é caso para dizer que quando não se respeita a natureza e o passado estas voltam sempre para cobrar...

(Todas as fotos, postais e gravura foram retiradas da internet, numvariado número de sites, explorando as "Imagens" com as palavras e frases "Albufeira", "Cheias na Albufeira", "História da Albufeira" e também o site de venda de postais "Delcampe")

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Albufeira - a natureza volta a avisar...

Vivi em Albufeira durante um ano, no final da década de 80 e já então me apercebi no "aperto" urbanistico em que vivia aquela localidade.

Calcorreei quase diáriamnete a "rua dos bares", e a praia dos pescadores, duas das zonas ontem mais atingidas.

As ruas mais baixas estavam "entaladas" numa garganta entre serras, em direcção ao mar, a tal "albufeira" que está na origem do nome da localidade, e acontecimentos como o de ontem pareciam inevitáveis.

Voltei lá algumas vezes anos depois e a memória que eu tinha dos tempos em que lá vi já nada tinha a haver com a densidade urbana que tornou o lugar irreconhecível.

Contudo, aquilo que ontem aconteceu, era previsivel, quer pelas condições naturais das avenidas inundadas, quer pelo caos urbanístico em que se transformaram as sua ruas antigas, quer pelas alterações climatéricas que vão tornar cada vez mais frequente situações como essas, não só em Albufeira, mas um pouco por todo o país.

Aliás, em Albufeira já tinha havido um aviso em 2008.

Ao ver as imagens televisivas e as fotografias que abaixo reproduzo, retiradas das páginas da net de  vários canais informativos, não pude de deixar de recordar aquilo que aqui em Torres Vedras vivemos em 1983, também por esta altura do ano.

Históricamente, situações como as que Albufeira ontem viveu, não são únicas, como se recorda num excelente trabalho publicado ontem na página on line do jornal "Sul Informação" , da autoria do engenheiro Aurélio Nuno Cabrita , que reproduzimos em baixo.

Aos amigos e ex-alunos que deixei em Albufeira, embora tenha perdido o contacto de quase todos, mas sabendo que alguns estão neste momento a viver esse drama, aqui fica um abraço solidário e encorajamento para enfrentarem estes dias difíceis. 

















"Cheias em Albufeira, fenómeno tão antigo quanto a ocupação do vale ribeirinho"

POR AURÉLIO NUNO CABRITA  in “Sul Informação” , 1 DE NOVEMBRO DE 2015
Há 65 anos, também se andou de barco na baixa de Albufeira

"Há muito esquecidas e ignoradas, a magnitude das cheias que assolaram a baixa de Albufeira, em meados do século passado, repetiu-se neste 1 de novembro de 2015. É verdade que, amiúde e nos últimos anos, têm sido noticiadas diversas inundações na cidade, mas as últimas grandes cheias tinham ocorrido ainda nos anos de 1950.

"As décadas de 40 e 50 do século XX foram pródigas em inundações no Algarve, as quais adquiriram contornos violentos em Albufeira. Cheias causadas por intensa pluviosidade, que engrossaram a ribeira e invadiram a vila, que cresceu precisamente sobre a ribeira.

"Em consequência, as cheias semearam o pânico e o horror, provocando elevados prejuízos materiais e até perdas de vidas humanas.

"Nos últimos dias de novembro de 1949, um temporal de grande violência assolou o Algarve, e Albufeira não foi exceção. Preparada para receber a feira franca, a vila foi duramente atingida, conforme noticiou o jornal “O Século”, de 01/12/1949: “Em Albufeira, na noite passada (29/11) e todo o dia de hoje, também choveu torrencialmente. As águas da ribeira sobrepuseram-se aos dois diques e fizeram levantar alguns cascões da canalização das águas para o mar. A parte baixa da vila voltou a ser inundada pela cheia da ribeira, registando-se prejuízos materiais em diversas casas”.

"O Diário de Notícias (DN), da mesma data, acrescentava: “Duramente experimentada pelas inundações de 25 de Outubro e 23 de Dezembro de 1948, esta vila está de novo inundada (…). A feira franca, marcada para os dias 29 e 30 do corrente, não chegou a realizar-se, pois a água destruiu algumas barracas e ameaça arrastar para o mar as pistas de automóveis eléctricos e as barracas de cavalinhos. Os feirantes que foram atingidos por elevados prejuízos encontram-se albergados em várias casas, postas à sua disposição. Continua a chover e a população está sobressaltada”.

"Na sua edição de 03/12/1949, noticiava ainda o DN que “em Albufeira apareceu abandonada uma embarcação e avistou-se no mar o cadáver dum homem que se supõe ser um dos tripulantes. Durante todo o dia de ontem (1/12), por quatro vezes toda a parte baixa da vila ficou coberta de água. Todos os pavimentos das ruas estão revoltos e estragados”.

Cheias em Albufeira nas décadas de 40 e 50 do século XX

"A cheia de 30 de novembro de 1949 foi uma das primeiras da vila a ser amplamente fotografada, pela mão de Fausto Napier, e da qual existem hoje numerosas fotografias. Todavia, outras inundações ocorreram, como a de 25 de outubro e a 22 de dezembro de 1948 ou ainda a de 15 de janeiro de 1956, de efeitos e consequências mais nefastas, embora não abundem os registos fotográficos.

“As águas das chuvas transbordaram um dique alagando ruas, largos e quintais, desmoronando prédios e enchendo de pânico a população de Albufeira”, foi a manchete da notícia, que o jornal “O Século” de 26/10/1948 dedicou às cheias de 25 de outubro de 1948.

"O mesmo jornal acrescentava: “Difícil é descrever os momentos aflitivos que se viveram aqui, quando a chuva, como se fora um verdadeiro dilúvio, fez com que as águas inundassem a parte baixa da vila, tudo ameaçando assustadoramente. Transbordou o dique e alagaram-se ruas, largos, quintas, e casas de comércio e de habitação. Alguns edifícios que ameaçavam ruína desmoronaram-se, outros ficaram com as paredes fendidas. Tudo se registou inesperadamente, apesar das chuvas torrenciais que caíram durante a noite fazerem prever inundações. O pânico foi terrível, pois a cheia atingiu dois metros, e como, muita gente corresse perigo, logo se solicitaram os serviços dos bombeiros de Faro, Loulé e Portimão. Igualmente se utilizaram barcos para socorrer pessoas em perigo e haveres de muita gente”.

"O semanário farense “Correio do Sul” estimou os prejuízos em 2000 contos, sendo de 500 contos só no Grémio da Lavoura pela perda de sementes, alfaias, trigo, cimento e adubos. O restante era repartido pelos comerciantes, Central Elétrica (atual Galeria Samora Barros), e por proprietários de edifícios que ruíram.

"Não eram decorridos dois meses, a 23/12/1948 o DN faz notícia de primeira página: “Temporal no Algarve – Na Vila de Albufeira a água das chuvas atingiu cerca de 7 metros de altura”. “A parte baixa daquela vila ficou completamente bloqueada pelas águas. É tal a violência do temporal na costa que muitas embarcações têm sido arrastadas para o mar, e estão-se a partir na ressaca contra as rochas da praia. Estabelecimentos comerciais onde a água não tinha entrado em inundações anteriores tiveram agora prejuízos quase totais. Em muitos sítios a água atingiu os primeiros andares, cobrindo completamente as árvores. Da frota pesqueira há mais de 40 barcos destruídos”.

Cheias em Albufeira nas décadas de 40 e 50 do século XX

"A inundação principiou cerca das 8 horas da manhã do dia 22 e prolongou-se por cerca de 20 horas: “A pressão da torrente a certa altura rebentou o dique e destruiu em enorme extensão, a rampa que serve de varadouro aos barcos de pesca. Nalguns locais, como por exemplo no largo Duarte Pacheco, as águas atingiram o nível de sete metros! Na avenida da Ribeira, a água escavou o solo numa profundidade de 4 a 5 metros, pondo a descoberto o antigo leito da ribeira, que àquela artéria deu o nome. E com a destruição da rampa do varadouro, as águas do mar invadiram a vila e juntaram a sua fúria às devastações da inundação. Paredes e alicerces de vários edifícios de construção mais ligeira, minados pelo ímpeto das águas, estão agora a desmoronar-se, ficando assim dezenas de famílias sem-abrigo. (…) Em suma Albufeira viveu horas de indescritível horror, de uma angústia de que é impossível dar, sequer uma pálida ideia”. (DN de 24/12/1948).

"Sete anos depois, e após uns dias mais chuvosos, as cheias em Albufeira foram de novo notícia nos jornais: “Temporal no país – Em Albufeira a água da cheia atingiu três metros de altura! Os prejuízos são grandes e uma mulher desaparece na enxurrada” (DN de 16/01/1956).

"Em suma tudo se repetia! “No largo Eng. Duarte Pacheco, transformado num pequeno lago, e onde a água subiu a três metros de altura (…). Alfarrobeiras centenárias foram arrancadas cerce e vieram ribeira abaixo em direção ao enorme esgoto ali recentemente mandado construir para evitar a repetição das inundações de 1948, o qual apesar dos cálculos acabou por não ser suficientemente grande para comportar o volume das águas. (…) Os prejuízos sofridos pelas dezenas de estabelecimentos inundados e os verificados em inúmeras residências são de alguns milhares de contos, pois houve vários comerciantes com danos de centenas de contos só à sua parte”.

"Em termos de vidas humanas, faleceu, arrastada pelas águas, uma senhora de 48 anos de idade. Outros habitantes foram salvos pelos bombeiros de todo o Algarve que ali acorreram, após fortes apelos lançados pela Emissora Nacional, e por populares, pois houve pessoas que “tiveram de agarrar-se às árvores como aconteceu no jardim público e ali se conservaram, lutando para não serem arrastadas pela água e por ela submersas, despendendo toda a sua energia e esforço até que foram em seu auxílio”. (DN 16/01/1956)

Albufeira, nos anos 40 e 50 do século XX – a ocupação do vale e do leito de cheia ainda apenas despontava

"Na realidade, a ribeira foi sendo canalizada em conduta ao longo dos últimos 100 anos, e simultaneamente, foram sendo construídas mais habitações/prédios nas “margens” e sobre o seu leito. Ainda em 2009 foi intervencionado mais um troço, uma obra polémica entre o Parque de Campismo e o Centro de Saúde.

"Sendo as cheias um fenómeno cíclico e normal no clima mediterrânico, e a função dos cursos de água tão-somente transportá-la, seja ela muita ou pouca, a ocorrência de cheias fluviais em Albufeira são, nas circunstâncias atuais, uma verdadeira “bomba relógio”, de consequências imprevisíveis, que urge corrigir.

"Quanto a responsáveis, somente o Homem o é, afinal ocupou, usou e abusou de uma área que não era sua, mas da Ribeira de Albufeira".


Autor: Aurélio Nuno Cabrita é engenheiro de ambiente e investigador de História Local .