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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Venezuela : Nem Maduro nem Guaidó.



Não nutro, nem nunca nutri, qualquer ilusão sobre o triste destino da chamada “Revolução Bolivariana”, iniciada por Chavez em 1999, ano em que chegou ao poder, muito graças ao descrédito de um regime democrático corrupto e incapaz de combater a pobreza e a desigualdade.

Nos primeiros dez anos de governo, o chavismo tirou da pobreza e do analfabetismo milhões de venezuelanos, mas essa melhoria revelou-se estruturalmente débil, muito dependente das variações do preço do petróleo.

Quando Chavez morreu em 2013 e foi substituído por Maduro, já o chavismo tinha iniciado o seu percurso descendente a caminho do desastre social em que o país se encontra hoje mergulhado, minado pela corrupção e pela desorganização generalizada da economia.

A incompetência, a irresponsabilidade e a retórica demagógica de Maduro só contribuíram para agravar a situação, agravada pela existência de uma oposição dividida, e tão irresponsável e demagógica como Maduro.

Em 2013 Maduro ganhou as eleições, embora por uma pequena margem de diferença em relação ao seu adversário.

A oposição não reconheceu a vitória de Maduro, iniciando um período de violentas manifestações de rua que continuam até aos nossos dias.

Em 2015, contudo, essa mesma oposição, com base na mesma Constituição e no mesmo processo eleitoral que tinha dado a vitória a Maduro, ganhou a maioria no parlamento, sem questionar, desta vez o resultado. Pelo contrário, Maduro apressou-se, então, em reconhecer a derrota.

De forma irresponsável, em vez de ter enfrentado Maduro nas eleições de 2018, eleições das quais teria saído vencedora, a oposição resolveu boicota-las,enquanto  parte dos líderes da oposição estavam  presos.

Maduro voltou a ser eleito, com mais de 6 milhões de votos, num total de 9 milhões de votantes (quase 80% dos eleitores foram às urnas disputadas por três candidatos).

Aproveitando-se da incompetência da oposição, Maduro aproveitou a oportunidade para, de forma demagógica e irresponsável, violar a Constituição de 1999, retirar poderes ao parlamento e convocar uma fantochada eleitoral que levou à formação de um parlamento ilegal, e paralelo ao parlamento legitimo, chamado de Assembleia Constituinte, que visa criar uma nova Constituição, que substituía a de Chavez, aumentando o poder da presidência e permitindo a recandidatura de Maduro a um terceiro mandato.

Pelo meio de tanta irresponsabilidade de parte a parte, a Venezuela caiu numa crise económica e social profunda, a pobreza, que tinha diminuído drasticamente no inicio do chavismo, atingiu níveis nunca vistos na história da Venezuela e milhões de venezuelanos tiveram de fugir do país.

As sanções económicas impostas por  alguns países e o boicote dos grandes empresários contribuíram igualmente para agravar a situação da maior parte da população.

No meio do caos surgiu agora um novo demagogo ,que,  aproveitando-se da situação desesperada da população e da própria conjuntura internacional, se proclamou presidente interino.

Resumindo e concluindo:

- Maduro, em eleições manipuladas, pela ausência forçada, nuns casos, irresponsável, noutros, dos mais fortes candidatos da oposição, foi eleito presidente de forma que, sendo legal, é moralmente ilegítima;

- A Assembleia Constituinte, esmagadoramente dominada por apoiantes de Maduro, é toda ela ilegítima;

- O Parlamento, embora em final de mandato e desfalcado dos apoiantes de Maduro que dele faziam parte, é de facto o único órgão politico ainda com alguma legitimidade, mas que se deixou enredar na demagogia irresponsável de alguns líderes da oposição;

- O auto-proclamado presidente  Gauidó, abrindo um grave precedente para justificar qualquer situação idêntica que se passe pelo mundo fora, dando força a que outros sigam o exemplo de se auto-proclamarem presidentes perante um qualquer gigantesca manifestação de rua, uma atitude de legitimidade duvidosa, teve  o condão de alertar para a grave situação da Venezuela

Saída para a situação?

A ideal seria o diálogo entre as partes  e a convocação de Eleições Parlamentares no mais curto espaço de tempo e novas eleições presidenciais num prazo mais dilatado, talvez de um ano.

Para isso era necessário que vivêssemos numa era de consensos e diálogo nas relações internacionais e onde o ONU tivesse peso, o que não acontece na actualidade

Infelizmente não existem condições para esse diálogo, aliás já afastado pela oposição.

Assim, o que se previsivelmente se  vai passar é uma das seguintes situações (ou um pouco de todas elas):

- Um banho de sangue perpetrado  por Maduro contra a oposição:

- Um golpe de Estado sangrento, à Pinochet, depondo Maduro;

- Uma guerra Civil igualmente sangrenta.

Pobre povo venezuelano tão irresponsavelmente liderado e com um “alternativa” na oposição igualmente tão irresponsável e demagógica, que se tornou o joguete de obscuros interesses económicos e financeiros e da arrogância incompetente das principais lideranças internacionais.

Se a oposição é mal acompanhada por Trump ou Bolsonaro, Maduro está acompanhado por outros facínoras, como Putin ou Edrogan.

Entretanto a União Europeia, que podia surgir como força de diálogo,  vai seguir quem os interesses financeiros ordenarem que siga, dando mais uma vez tiros nos pés, como fez no Iraque, no Médio Oriente, no Norte de África, na Ucrânia, na Turquia ou na Rússia, talvez para tentar fazer esquecer os seus próprios “Maduros” (na Hungria, na Polónia e noutros países do leste).

Por sua vez, neste como noutros casos, a  preocupação da comunicação social não é esclarecer a verdade mas tomar partido, apresentar uma "realidade" a preto e branco, de "bons" contra "maus", e a  preocupação dos líderes mundiais não é a defesa dos Direitos Humanos, da liberdade e da Democracia, mas apenas os interesses estratégicos e políticos da agenda de cada um e os servir os grandes interesses financeiros ligados à actividade petrolífera e que especula com a dívida da Venezuela.

Pobre povo da Venezuela que, mais uma vez, e como tem acontecido noutros pontos do mundo, não tem o destino nas suas mãos.

Por tudo isso, é de temer o pior.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Venezuela : à fantochada “madurista” oposição responde com uma caricatura de referendo.



Nicólas Maduro, com a sua irresponsabilidade e a sua postura tragicamente caricatural,  tem vindo a desbaratar o pouco de “positivo” que herdou do chavismo e tem conduzido o país para um desfecho trágico e sangrento.

Mas o grande drama da Venezuela e do povo venezuelano é a falta de alternativa e de credibilidade na oposição.

Dominada por alguns arruaceiros, da mesma estripe de Maduro, tão caricatos ou ridículos como este, que têm recusado qualquer tentativa de resolução pacífica da grave situação venezuelana, como, por exemplo, a oferta que o Papa Francisco fez para mediar o conflito, têm beneficiado de alguma condescendência da comunicação social.

Aliás, que credibilidade pode merecer essa oposição, que entrou em desobediência civil em 2013, quando Capriles perdeu as eleições presidenciais para Maduro, com uma pequena diferença, de 500 mil votos, num universo de quase 20 milhões de eleitores, com o pretexto de  as considera fraudulentas e ilegítimas e, dois anos depois, ganhando as eleições para o parlamento com uma diferença de quase 2 milhões votos em relação ao partido de Maduro, eleições realizadas nas mesma condições que as anteriores, já considerou este resultado legítimo? Aceitamos a democracia conforme o resultado que nos convém? Neste e noutros aspectos essa oposição merece tanta credibilidade como as diatribes de Maduro!!!!

Uma das mais recentes atitudes caricatas dessa oposição foi andarem a apelar à libertação de um dos seus líderes, alegando a sua saúde frágil, provocada por maus tratos na prisão, e esse mesmo líder, libertado recentemente, se bem que em prisão domiciliária, vir apresentar-se publicamente perante os seus apoiantes com o aspecto de quem saiu de um ginásio…

Claro que uma das razões para se condenar Maduro é a existência de dezenas de presos políticos, situação denunciada por várias organizações independentes, como a Amnistia Internacional, situação inadmissível em qualquer regime político.

Mas a atitude da oposição, ao confundir verdade com propaganda política, só contribui para se desacreditar e para desacreditar a justeza de muitas das suas criticas ao regime “chavista”.

Uma outra situação de mera propaganda, prende-se com a verdadeira identificação dos muitos mortos que se têm registado nos violentos confrontos de rua. Nem todos os mortos têm sido provocados pelas forças policias e paramilitares do regime: Alguns dos assassinatos mais violentos têm como vítimas apoiantes de Maduro.

Claro que a responsabilidade politica pelos crimes, seja qual for a sua origem, cabe a quem detém o poder, ou seja, a Maduro, e por isso, este terá um dia de responder por esses crimes.

Este fim-de-semana a oposição acabou mais uma vez por dar um tiro no pé.

Organizando uma caricatura de referendo (cuja manipulação não é muito diferente da que Maduro prepara para a inadmissível e antidemocrática   convocação da Assembleia Nacional Constituinte), como aliás todos vimos nas televisões  de ontem, com gente a colocar as cruzes nos boletins de voto à vista de todos, sem privacidade, e com as “assembleias de voto” a exibir e a indicar explicitamente o sentido de voto, esta conseguiu atrair menos de metade dos eleitores, apenas os que estão ao lado da oposição.

“Votaram” no “referendo” menos quase 500 mil do que aqueles que votaram na oposição a Maduro em 2015 e destes aprovaram as pretensões da oposição cerca de 6 milhões e 400 mil.

Recorde-se que Maduro ganhou as presidenciais de 2013 com 7, 5 milhões de votos, com Capriles a conseguir 7,3 milhões, e que nas eleições para o Parlamento a oposição obteve 7,7 milhões de votos, batendo o Partido de Maduro, que obteve 5,5 milhões de votos.

Ou seja… a montanha vai parir um rato e o impasse vai continuar, com todos os custos socias e económicos que têm vindo a aumentar o drama da vida dos venezuelanos.

A única solução era a realização de eleições verdadeiramente democráticas para o Parlamento e para a Presidência. Mas isso nenhum dos lados quer, e uma solução democrática e institucional para a tragédia venezuelana parece cada vez mais afastada, por irresponsabilidade de ambas as partes, conduzindo cada vez mais a Venezuela para um desfecho trágico, uma ditadura militar ou uma guerra civil…

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A Imagem invadiu Chaves

Tendo passado este Verão por Chaves pela primeira vez, fui surpreendido com a fotos gigantes espalhadas pela bonita zona antiga dessa cidade.
Foram colocadas para evocar um dos mais prestigiados festivais de fotografia que se realiza anualmente naquela cidade, o Fest Image.
Aqui ficam as fotografias dessa interessante iniciativa que invadiu as ruas de Chaves: