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quinta-feira, 23 de abril de 2009

Centenários - 15 - 23 de Abril de 1909 - O Terramoto de Benavente

“Às 5 horas e poucos minutos da tarde de 23 de Abril, ao declinar de um dia radioso de primavera, a terra portugueza, já tão experimentada por desgraças sem numero, foi violentamente abalada por uma convulsão sismica. De norte a sul do paiz, n’uma área vastíssima (…), a terra tremeu, fazendo oscillar sobre a sua crosta frágil as cidades e as villas e enchendo de teror o formigueiro humano que sobre ella se agita e vive”
Começava assim a primeira reportagem da “Ilustração Portuguesa” , publicada na sua edição de 3 de Maio de 1909, sobre o “Terramoto de Benavente”, intitulada “A Terra Treme – Terramoto do Dia 23”.
Aquele sismo dessa 6ª feira 23 de Abril de 1909 teve uma magnitude de 6, com epicentro próximo daquela localidade, matando cerca de 50 pessoas, provocando cerca de cem feridos e milhares de desalojados na região do Ribatejo
Com fotografias de Joshua Benoliel (apenas duas eram da autoria do dr. Samuel Maia), anunciava-se uma reportagem mais vasta na sua edição de 10 de Maio, quase integralmente dedicada ao tema.
O terramoto tinha arrasado várias localidades do Ribatejo, como Benavente, Samora Correia, Santo Estevão e, em menor escala, Salvaterra, registando-se alguma destruição parcial em Alhandra, em Coruche, na Azambuja, no Cartaxo e no Carregado, entre outras localidades.
Lisboa resistiu ao abalo, tendo-se registado apenas, como consequência deste acontecimento, um incêndio num prédio da rua dos Douradores.
A capa dessa edição especial de 10 de Maio era ilustrada com um “cliché” de Benoliel, mostrando a devoção da população de Benavente à imagem da “Senhora da Paz”, que sobreviveu à derrocada da Igreja daquela localidade.
É parte desse vasto espólio fotográfico editado naquelas duas edições que hoje aqui revelamos, recordando o centenário desse trágico acontecimento.

Centenários - 15 - 23 de Abril de 1909 - O Terramoto de Benavente

Reportagem especial da Ilustração Portugueza de 10 de Maio de 1909, sobre o Terramoto de Benavente

Efeitos do terramoto em Lisboa - incêndio num prédio da Rua dos Douradores

Lisboa - incêndio na Rua dos Douradores


Ruinas da Igreja de Benavente


Destruição numa rua de Benavente

Centenários - 15 - 23 de Abril de 1909 - O Terramoto de Benavente

"O que resta da egreja matriz de Benavente"

O Rei D.Manuel II visita Benavente, no dis a seguir ao Terramoto


" Ruinas da casa do sr. Ignacio Rebello Andrade, em Benavente"


"uma rua de Samora. Nas casas derruidas morreram Christina Alves da Fonseca e um filho de 3 annos"


"A Senhora da Paz, salva de entre os destroços da capella e removida pela população de Benavente para a praça Anselmo Xavier"


Centenários - 15 - 23 de Abril de 1909 - O Terramoto de Benavente


Descrição do Terramoto


“Nas torres das egrejas matrizes de Benavente e de Samora tinham soado havia pouco as cinco horas. A faina dos campos estava terminada.

"Crianças brincavam nas ruas. Mães embalavam berços.

"Subito, como um transatlântico no momento de largar, quando acordam no seu ventre profundo as trepidações resoantes das machinas e as aguas marulham á rotação poderosa das hélices, um fragor subterrâneo trespassa o solo, como o echo formidável de um desabamento gigantesco, e tudo oscilla: as arvores vergam, as casas dançam, as torres inclinam-se, as paredes estalam.

"É primeiro a sensação da queda n’um abysmo, como se a terra transformada em onda se cavasse e logo, em refluxo, se reerguesse, n’uma colossal palpitação.

"Depois, um tremor convulsivo abala-a e vareja-a, em oscillações de trampolim.

"Sobre o rugido que ascende das profundidades geológicas, um maior fragor abate.

"As casas sacodem de si as fachadas. Alluem os telhados. Desmorona-se as paredes. Uma nuvem de pó e de caliça inça o espaço como a fumarada densa de um incêndio.

"Durante quinze segundo, as povoações jogam como navios bailando n’um mar tempestuoso. E de segundo a segundo, como a simultânea salva de cem fortalezas, estrondeiam as derrocadas, interceptando o caminho aos que fogem, calando sob os seus trovões o alarido dos espavoridos animaes humanos, que vagueiam entre a poeira e as ruínas.
“Mas já agora a terra serena. Aos poucos, a poeira ascende, como um pano de theatro, descobrindo o espectáculo medonho.

"Só ainda a humanidade treme, reduzida á sua fragilidade miseranda, no espanto de haver sobrevivido, na duvida de que na vasta terra onde toda a sua obra jaz desfeita, o destino lhe permitta continuar respirando e vivendo.

"Torres de egrejas, que havia dois séculos, assentes em fundos alicerces, erguiam para as nuvens os seus cataventos de ferro, tinham-se pulverisado.

" Só o homem fragilíssimo vagueava entre as ruínas”.
(ATRAVÉS DOS ESCOMBROS DO RIBATEJO – O Terramoto de 23 de Abril, in “Ilustração Portugueza”, nº 168 de 10 de Maio de 1909)

Centenários - 15 - 23 de Abril de 1909 - O Terramoto de Benavente

Montando o acampamento de refugiados em Benavente

Visita do Ministro das Obras Públicas e do Infante D. Afonso às zonas atingidas


Acampamento de refugiados de Salvaterra


"O barracão das machinas da Companhia das Lezírias, em Samora, depois do Terramoto


Acampamento de refugiados na Azambuja

Centenários - 15 - 23 de Abril de 1909 - O Terramoto de Benavente

Ruinas da Igreja Paroquial de Benavente

Ruinas da Igreja Paroquial de Benavente

O Infante D. Afonso visita as ruínas de Benavente


"Uma rua de Samora na manhã seguinte ao terramoto



"Aspectos do acampamento mandado edificar pela Companhia das Lezírias em Samora"


Centenários - 15 - 23 de Abril de 1909 - O Terramoto de Benavente

Em Samora Correia, a população procura salvar os seus haveres das ruínas.

O Infante D. Afonso percorre as "ruas" de Benavente


Acampamento de refugiados do "Terreiro de Moinhos", em Salvaterra.


Numa Rua de Samora


"Uma refeição no acampamento de Benavente"


Centenários - 15 - 23 de Abril de 1909 - O Terramoto de Benavente

Construção de um "novo lar" em Salvaterra


"uma família sem lar"


"O Acampamento de Salvaterra de Magos"


"Uma venda improvisada no acampamento de Salvaterra"


"Um aspecto da praça Anselmo Xavier, Benavente, na manhã do dia 24"


Centenários - 15 - 23 de Abril de 1909 - O Terramoto de Benavente

"As barracas da Cruz Vermelha installadas na praça Anselmo Xavier, em Benavente"



"o sr. John Walter, redactor do Times, visitando as ruinas de Samora, acompanhado pelo médico da localidade, sr. Correia d'Almeida"


"Soldados trabalhando na alluição das casas arruinadas"


Uma família inteira, no acampamento de desaljados, em Salvaterra


"Tudo o que resta de um lar"

Centenários - 15 - 23 de Abril de 1909 - O Terramoto de Benavente

"O exodo das povoações assoladas pelo terramoto"

"O desembarque dos feridos em Lisboa, no Arsenal da Marinha"

"O último cadáver" : "Sobre a esteira (...) o cadaver de uma creança" removido "de entre o entulho de uma casa, em Benavente" (fotografia do Dr.Samuel Maia)


D. Manuel II visita Alhandra, uma das localidades atingidas. O governador Civil de Lisboa indica algumas das casas a ameaçar ruína

Acampamento de refugiados em Benavente