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sexta-feira, 15 de maio de 2020

Folhetim Novo Banco – novos episódios da pirataria do poder financeiro europeu.


BPN, BPP, BES, BANIF…e outros!

Lembram-se dessas “siglas”? E de alguns dos rostos a elas associados, alguns impunemente a passearem-na nas televisões no comentário político?

Provavelmente todos (menos os envolvidos, os accionistas e o “donos disto tudo”) lembram-se dessas siglas e dessa gente, de cada vez que consultam o saldo do rendimento, os impostos a pagar, o trabalho precário ou o valor da pensão atribuída.

Talvez também fosse bom que se lembrassem de outros “nomes” : Sócrates, Passos Coelho, Cavaco Silva, Durão Barroso, ou “troika”, BCE, Eurogrupo, Comissão Europeia e Conselho Europeu….

Toda essa gente "atou" o Estado Português e os portugueses, através dos impostos, dos salários baixos, do trabalho precário ou do desemprego, à chamada “resolução”, com a obrigação de descarregar por muitos anos aos mil milhões de cada vez para salvar a banca…

Por isso não percebo a indignação de muita gente neste momento com o cumprimento daquela “pena”, imposta por instituições europeias, as mesmas que, exigindo o cumprimento desses compromissos, acham que não têm de cumprir os mesmos compromissos com os seus cidadãos, quando se trata de reformas, pensões salários e direitos sociais.

Quanto muito, talvez se possa acusar Centeno e Costa de falta de coragem para para romper esse compromisso com as instituições financeiras europeias. Mas, se o fizessem, Portugal ficaria novamente em maus lençóis, sujeito à chantagem dessas instituções.

Uma decisão dessas devia ser tomada pelas instituições europeias, se estas não estivessem comprometidas com o corrupto sector financeiro que paga os "ordenados" dos seus burocratas..

Pela minha parte, se queriam uma prova dos dois pesos e duas medidas usadas pelas instituições europeias ou da retórica demagógica no dito “apoio” aos cidadãos que enfrentam as consequências do COVID-19, este caso dos 800 milhões a que o Estado português está obrigado a pagar para um banco falido, fruto de trafulhices passadas no sector bancário, com a conivência da gente e das instituições citadas em cima, é a prova da má fé dessa gente, como estão a perceber italianos, franceses, espanhóis e portugueses.

Questionam a falta de comunicação entre ministro das finanças e primeiro-ministro, mas a maioria dos comentadores acha “normal” que se mantenha a obrigação daquele pornográfico pagamento num momento destes, quando, por toda a Europa, há falta de tudo para auxiliar os cidadãos.

Se tinham ilusões sobre uma mudança na atitude do poder político europeu, que combatesse a especulação financeira e apoiasse os cidadãos, elas ficaram desfeitas mais uma vez.

Se o Estado português não pagasse aquele valor, caiam-lhe em cima as instituições financeiras e as instituições europeias.

Já em relação à ajuda aos cidadãos, aquelas instituições apenas desejam saber qual o valor dos juros e dos lucros que podem obter.

Esperam-se novas cenas do assalto do poder financeiro aos cidadãos europeus!

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Combate ao COVID-19 : os países “inteligentes” e…os “estúpidos”??!!


A classificação só podias ter origem na cabeça de um líder populista e chauvinista como o chanceler austríaco, o mesmo que faz parte do grupo dos “austoritários”, que recusam a solidariedade financeira da União Europeia para combater as trágicas consequências económico-sociais do COVID-19.

Por iniciativa desse político da direita conservadora e xenófoba foi criado um grupo de países, intitulados de “inteligentes”, aqueles onde o COVID-19 teve menor impacto, para estudar conjuntamente a criação de uma espécie de “mercado comum” com o objectivo da acelerar recuperação económica, turística e comercial do conjunto desses países.

Os países “inteligentes” escolhido pelo dito chanceler são, para além da Áustria, a Austrália, a Nova Zelândia, Israel, Dinamarca, República Checa e Grécia.

Singapura foi convidada, mas, por razões “técnicas” não integrou o grupo dos “inteligentes”.

Por sua vez a Alemanha, outro país convidado, recusou o convite. Uma atitude (mais uma) inteligente da chanceler Merkel, que terá percebido naquela iniciativa mais um factor de desunião no seio da União Europeia.

Não se percebe totalmente o critério para escolher aqueles países e não outros.

Em comum o menor impacto (até agora) do COVID-19 nesses países, serem países de mercado  livre, dos economicamente mais  liberais, com democracias de tipo ocidental.

Contudo, mesmo com base naquele conjunto de critérios, não se percebe porque ficaram de fora países como o Canadá, a Islândia ou o Japão.

Não se percebe, por sua vez, a inclusão de Israel, um país que se tem aproveitado da situação para atirar os palestinianos para uma situação catastrófica face ao COVID-19, uma realidade que quase configura genocídio, criando uma espécie de “ghetto de Varsóvia”  para palestinianos.

Também não se percebe a inclusão da Austrália, governado por uma espécie de Trump austral e que só não vive uma situação catastrófica em relação ao COVID-19 graças à combinação de alguns factores culturais, demográficos e genético, para além de uma certa dose de “sorte”, que tem evirado um drama idêntico aos dos fogos de verão naquele país.

Nem a inclusão da República Checa, a resvalar para um regime de “democracia ileberal” cada vez mais próximo da Hungria ou da Polónia.

Se este “santa aliança” da “raça superior” dos “inteligentes” tivesse sido realizada há um mês atrás, nãos seria de admirar a inclusão dos Estados Unidos, da Holanda e da Suécia (e até do Brasil) nesse grupo de “gente superior”.

Não foi (só) por falta de  “inteligência” que a tragédia do COVID-19 se abateu sobre alguns países, assim como o facto de alguns países terem escapado à tragédia. Existem factores demográfico (maior ou menos concentração de populações, envelhecimento e circulação mais intensa), factores genéticos, factores climatéricos, factores geográficos (maior ou menor isolamento), e factores culturais ( menos contacto sociais, menos mistura geracional, maior individualismo) ainda mal estudados, mas  que podem explicar as diferenças em relação ao impacto da epidemia.

É bom não esquecer a própria responsabilidade austríaca no escamoteamento de informação sobre a estância do Tirol que esteve na origem da disseminação do vírus pela Europa,principalmente na Alemanha, na Itália e na França, na Grã Bretanha...e até em Portugal.

A atitude arrogante de se auto-proclamarem como “inteligentes”, face aos “estúpidos”, que serão o resto do mundo, é revelador de uma atitude, essa sim, realmente repugnante.

O único critério comum com alguma lógica para a escolha desses países de “raça e inteligência superior” é o facto de eles  registarem um número de óbitos abaixo dos 10 por 100 mil habitantes, única razão que pode justificar a exclusão de países como Portugal (10,24 por 100 mil) e do Canadá (10,29), embora com uma ligeira diferença em relação a alguns dos escolhidos .

Contudo, esse critério não explica a eliminação de países como a Islândia , o Japão, a Irlanda ou mesmo a África do Sul (este, a não ser por serem negros africanos, que destoavam no meio de tanto branco, liberal e rico).

Desejamos, apesar de tudo, os maiores êxitos para esses países e que o tempo  não venha a destruir este  novo mito da “superioridade”  de uns países em relação aos outros, como já aconteceu com o mito holandês ou sueco ( e até, durante algum tempo, com  a “superioridade” da resposta norte-americana…).

O mundo não precisa de mais factores de desunião e o vírus, é bom recordar, não conhece fronteiras nem critérios políticos ou económicos.

A partir de amanhã vamos incluir os países “inteligentes”, que não estavam incluídos nessa nossa análise,  no nosso balanço semanal da evolução do COVID-19.

Talvez tenhamos algumas surpresas, se não já amanhã, nas próximas semanas.

terça-feira, 28 de abril de 2020

Esta é a “solidariedade” das Instituições Europeias !!: Quando “O crime compensa”:



A notícia devia ter merecido aberturas de telejornal e títulos de primeira página.

Infelizmente passou quase despercebida numa página interior ( a página 30…!!) do jornal “Público”  da passada 6ª feira de 24 de Abril, inserida na crónica “Esquinas” da responsabilidade do jornalista António Rodrigues.

A notícia é bem reveladora do tipo de ajuda que se pode esperar por parte das Instituições Europeias e da hipocrisia da retórica dos principais representantes dessas instituições.

Mas antes, convém transcrever esse texto, inserido naquela crónica, subintitulado “O crime compensa”:

“A União Europeia vai dar à Hungria e Polónia, no âmbito da Iniciativa de Investimento de Resposta ao Coronavírus, muito mais dinheiro que à Itália e Espanha, os Estados-membros mais afectados pela doença.
“Os Governos de Viktor Orbán e de Mateusz Morawiecki que tudo têm feito para corroer as suas democracias e os alicerces da Europa comunitária, vão ser assim recompensados com fatias maiores dos 37 mil milhões de euros, mesmo que o primeiro tenha usado a pandemia para passar a governar por decreto como o “ditadorzinho” que Jean-Claude Juncker lhe chamou um dia e o segundo tenha insistido em levar por diante as eleições presidenciais de 10 de Maio, pondo todas as pessoas a votar por correio, só porque as sondagens são mais favoráveis agora ao Partido da Lei e Justiça de Jaroslaw Kaczynszki.
“ Pelos cálculos feitos pela European Stability Iniative, citados esta semana pelo New York Times, Itália, que tem mais de 187 mil casos e 25 mil mortos pela pandemia, tem direito a 2,3 mil milhões de euros, ou 0,1% do seu PIB, enquanto a Hungria, com cerca de 2300 casos e 239 mortos, consegue 5,6 mil milhões de euros, equivalente a 3,9% do seu PIB. A Espanha, o país europeu com mais casos – acima de 213 mil –, consegue uma verba que equivale apenas a 0,3 do seu PIB”.

Pouco podemos acrescentar a essa triste notícia.

Vê-se assim, por um lado a desigualdade de tratamento que se adivinha no futuro, quando for necessário relançar a economia e apoiar os cidadãos europeus das consequências da crise, onde vai pesar a teoria do “espaço vital” alemão, a xenofobia dos países nórdicos e a vontade de governos agiotas como o  holandês.

A Hungria e a Polónia são mais importantes para esses interesses do que a situação dos países do centro e do sul.

Por outro lado, revela-se naquela atitude, toda a plenitude da retórica hipócrita dos líderes europeus, quando, por um lado vêm com o discurso “politicamente correcto” contra a deriva antidemocrática na Polónia e na Hungria e, com a outra mão, recompensam esses países.

Como diz o articulista, o crime compensa.

Assim se começa a ver como vai funcionar a tão apregoada “solidariedade” europeia!

segunda-feira, 27 de abril de 2020

COVID-19 –Não é “uma Guerra”, nem estamos todos no “mesmo Barco”.



Todos os momentos têm as suas “frases batidas”, como diria o Sérgio Godinho, uma espécie de novilíngua orwelliana.

Entre as do momento, duas destacam-se : a de que isto é “uma Guerra” ou a de que “estamos todos no mesmo barco”.

Ambas não passam de falácias propagandísticas, politicamente correctas e com duvidosas intenções.

Mentiras que, várias vezes repetidas, se tornam em mentiras aceitáveis, para nos preparar para o que alguns andam a cozinhar para nos impor no período pós-Covid.

Isto não é uma Guerra, porque numa guerra são cidades inteiras que ficam em ruínas, fábricas em chamas e improdutivas e campos minados e incultiváveis, com milhões de mortos e inválidos.

Quando isto acabar, as cidades, os campos e as fábricas vão continuar intactas, prontas para a actividade normal e as pessoas, apesar dos doentes e mortos, aí estão prontas a trabalhar, consumir, e viver o dia a dia.

O que muitos comentadores, políticos e economistas pretendem, com o uso e abuso do termo ”Guerra” para definir o combate à epidemia é levar-nos a aceitar um Estado de Excepção no futuro da reorganização económica e social, uma versão actualizada e musculada do velho slogan de “ir além da Troika”.

Para sobrevivermos a uma Guerra aceitamos tudo, até o fim da liberdade, os sacrifícios económicos, até a própria pobreza.

Assim, todos aceitaremos uma austeridade que poupe os do costume à custa do sacrifício da maioria se acreditarmos que isto é uma “Guerra”.

Talvez, por causa da invocação da “Guerra”, também tanto se oiça falar em “Plano Marshall”, uma invocação em vão, de um plano que, de facto, não existe na cabeça de quem mais o invoca, os líderes actuais das instituições financeiras.

Por aquilo que se sabe, das promessas avançadas por essas instituições, apesar da fumaça das  dezenas de zeros, tudo não passa, por enquanto, de meras promessas, desconhecendo-se a forma de as aplicar e, pior ainda, a forma de as pagar, mas tudo aponta para que, na melhor das hipóteses, tudo não passe de uma “bazuca” contra a “Guerra” às consequências do  COVID-19, quando o que se precisa é de um verdadeiro Plano Marshall , isto é, uma “bomba atómica” para enfrentar a crise social e económica de dimensões bíblicas que se avizinha.

A outra falácia do momento é a de que “estamos todos no mesmo barco”.

Quanto muito, como alguém me fez notar, estamos no “mesmo mar”, mas “navegando” em barcos diferentes.

Uns enfrentam o mar agitado do COVID 19 num “barco a remos”, outros de “traineira”, outros de “iate” ou de “navio de cruzeiro” (passe a ironia), uns de “porta aviões” e outros de “insuflável”  (como os esquecidos migrantes do Mediterrâneo), alguns apenas agarrados a uma simples bóia de salvação, ou nem isso, apenas a nado.

Uma coisa que esta crise trouxe ao de cima foram as tremendas desigualdades da condição humana para enfrentar os muitos perigos que uma economia predadora e destrutiva do meio natural colocam à própria sobrevivência do Homem.

  um novo paradigma social e económico é que pode evitar a catástrofe social que se avizinha e não mais a velha receita “austoritária”.

O mundo da especulação financeira não pode, mais uma vez, sair vitorioso à custa da Humanidade.

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Quando a crise é liderada por imbecis



Tudo o que a humanidade precisava neste momento era de líderes mundiais que estivessem à altura da crise.

Infelizmente, os líderes capazes do momento, contando-se pelos dedos da mão, são também os que têm menos poder ou lideram países que pouco podem fazer para “salvar o mundo”.

Lembro-me de um Guterres, que lidera uma ONU debilitada pela crescente irresponsabilidade dos países mais influentes, como os Estados Unidos ou a Rússia.

Lembro-me de um papa Francisco, cuja influência é apenas ao nível da palavra, e que tem de enfrentar, internamente, uma oposição interna ultraconservadora.

Em Portugal tivemos a sorte de termos como líderes, um Costa no governo, um Marcelo na presidência e, a liderar a oposição, um Rui Rio.

Imaginem o que seria se tivéssemos um país governado por um Sócrates ou um Passos Coelho, com um Cavaco na presidência ou, neste momento, um Passos Coelho a liderar a oposição…um autêntico pesadelo!

Infelizmente temos uma União Europeia liderada por incompetentes palavrosos, que pensam as consequências económica da crise de saúde como pensaram a crise financeira de má memória.

Atiram milhões para a mesa, mas em condições dúbias (mas a pagar em dois anos!!!).

No mesmo dia em que o Eurogrupo aprovava esse mal amanhado pacote financeiro, para agradar a “gregos [italianos] e troianos [holandeses]”, a Comissão Europeia publicava um relatório sobre o pós-COVID 19 para Portugal, onde fazia um apelo, se bem que entre linhas (este é ainda o momento da linguagem “politicamente correcta” e de esconder as garras de futuras “troikas”), às soluções “autoritárias” do costume: alertava para os “altos” (!!) salários e “altas”(!!!) pensões, para os “exagerados” (!!!) gasto em saúde e para, “coitado”, o “frágil” sector financeiro português, provavelmente para nos preparar para  aceitarmos mais ajudas para esse sector e para os seus“pobres” accionistas, à custa daqueles mesmos salários e pensões e à custa do investimento em sectores fundamentais como a saúde e a educação, sem esquecer o recurso a um “enorme” aumento de impostos…enfim, a velha receita habitual!

Quando a líder da Comissão Europeia se refere a essas “ajudas” (!!!) comparando-o com o Plano Marshall, a dita senhora não sabe mesmo do que fala, ou então, mais grave ainda, sabe mas tenta atirar areia para os olhos dos incautos.

O Plano Marshall, com todos os seus defeitos, incluía ajudas a fundo perdido, ou com juros baixos e pagos ao longo de várias décadas, exactamente o contrário das “ajudas” até agora prometidas!!!

Mas noutras partes do mundo a situação das lideranças ainda é pior.

O COVID-19 é a crise ideal para governos autoritários ou ditadores, da China, à Rússia, da Hungria à Turquia, das Filipinas à Venezuela….

Mas, pior que ditadores, previsíveis, ou burocratas, politicamente correctos, é atitude totalmente irresponsável e criminosa de líderes populistas como um Trump ou um Bolsonaro.

Os custos humanos das suas decisões erradas são muito maiores que as provocadas pelo terrorismo internacional.

O comportamento de ambos, neste momento, devia conduzir à formação a um Tribunal Internacional de Crimes contra a humanidade, para julgar líderes mundiais que, pela forma como lideram esta crise, provocam a morte de milhares de cidadãos.

E, sem dúvida, aqueles dois líderes estão na primeira fila para serem presentes, no futuro a um tribunal desse tipo.

Até lá, devemos seguir aquilo que os cientistas e organizações como a OMS propõem, mesmo que sejam mais as dúvidas que as certezas.

Os balanços ficam para o fim, mas não devem ser esquecidos.

terça-feira, 7 de abril de 2020

As palavras ocas da Sr. Von Der Lyen.

Na gestão da actual crise do Coronavírus, a actual presidente da Comissão Europeia tem-se destacado pela quantidade de palavras ocas de conteúdo, cheias de bonitos floreados, politicamente correctos.

De concreto, apenas o “aviso”, embrulhado na sua retórica bem falante, de que a “ajuda” com que os países da União Europeia podem contar é um “empréstimo”.

Todos sabemos o que significam os “empréstimos” da União Europeia: mais lucros fabulosos para a banca, que vai buscar dinheiro a taxa zero (ou ainda menos) ao Banco Central Europeu, emprestando-o a juros elevadíssimos e com pagamento de curta duração aos governos que precisam desse dinheiro par enfrentar a crise que se avizinha.

Também a mesma dita senhora “autorizou” os países em dificuldade a ultrapassarem o deficit e a endividarem-se, sem esclarecer que esses países, no futuro, ficarão à mercê da imposição de “reformas estruturais” para não serem penalizados.

E também todos sabemos o que significam essas “reformas estruturais” : salários baixos, cortes nas despesas sociais, cortes nas pensões, aumento de impostos, privatizações de sectores públicos essenciais e imposições predadoras para sujeitar o sector produtivo dos países à especulação financeira.

Tem ainda a mesma senhora o desplante de comparar essa “ajuda” ao  Plano Marshall.

Países como a Alemanha e a Holanda foram dos que mais beneficiaram com esse plano, beneficiando de empréstimos a fundo perdido, a juros baixos e pagos ao longo de várias décadas, tudo o contrário daquilo que sempre foi a ajuda da União Europeia a países em dificuldades ou com deficit de desenvolvimento.

Nada podemos esperar dessa elite de burocratas que destruí alegremente o sector produtivo Europeu, facilitando a sua "deslocalização" para países de mão-de-obra barata e sem direitos, pensando apenas nos lucros do setor financeiro, situação que está na origem da dramática falta de material médico, que tem de vir de países como a China ou a Rússia, a valores especulativos.

Mas o que é que os cidadãos europeus podem espera desses burocratas, a maior parte oriundos do predador sector financeiro ou que para lá irão quando terminarem a sua “comissão de serviço” nas instituições europeias?

Só assim percebemos, aliás, porque é que a União Europeia não fechou as bolsas, mantendo em funcionamento um sector onde se está a gerar um forte movimento especulativo, à custa da epidemia, gerando lucros fabulosos aos especuladores.

sábado, 28 de março de 2020

Investigue-se o governo holandês!


(dados fornecidos pelo Dr. António Fiuza)

O governo holandês, seguindo o exemplo de Trump, Bolsonaro e Johnson, foi um dos países que rejeitou o principio do confinamento, promovendo, até há poucos dias, desrespeitando recomendações da OMS e da comunidade científica, a chamada “aquisição de imunidade colectiva”.

O resultado está a ser desastroso, como se revela pelo quadro acima e pelos dados revelados pela OMS.

Só no dia de ontem houve naquele país um aumento de mil infectados, perfazendo um total de 7 431 casos registados e …434 mortos!.

Sobre a superioridade do seu sistema de saúde em relação a outros países, o número de mortos e a estatística mostra o falhanço total das medidas desse governo.

A incompetência e a irresponsabilidade desse governo, uma aliança da velha direita neoliberal com a direita populista, é evidenciada pelo quadro acima publicado ( retirado de um post do Dr. António Fiúza), que revela a relação entre mortos e o número de habitantes.

Com base nessa relação, a  Holanda é já o terceiro pior caso a nível mundial, só superado pela Itália e pela Espanha, e aqueles dados já estão desactualizados.

É o governo desse país que vem agora dar lições à Espanha e à Itália?

Recorde-se, já agora, que foi uma turista holandesa que iniciou a propagação do vírus na ilha da Madeira, tudo porque a Holanda, já num momento de crise, se negava a impedir as viagens dos seus cidadãos, considerando estar tudo bem.

Provavelmente a Holanda vai precisar da mesma solidariedade que sempre negou aos países do sul.

Mas se houver alguém que deva ser investigado pela sua incompetência, o governo holandês é um deles.

sexta-feira, 27 de março de 2020

O Holandês Repugnante e o fim da União Europeia.


(O rosto da repugnância)

Pela segunda vez, nos últimos 10 anos, vem de um ministro das finanças da Holanda a atitude mais repugnante (subscrevo por baixo a classificação que lhe deu o nosso primeiro-ministro às afirmações desse bandido) em momento de crise.

Queixando-se o governo espanhol de dificuldades orçamentais para fazer frente à tragédia que assolou a Espanha (tal como a Itália e a França…por agora!), aquela aberração, que herdou o lugar de ministro das finanças de outra aberração, o nosso conhecido Jeroen Dijsselbloem, a resposta do “bicho” foi que a Espanha devia ser investigada por essas dificuldades, como se tivéssemosnuma situação normal.

A atitude repugnante desse bandido mostra que a atitude do seu antecessor naquele cargo, e ex-lider do Eurogrupo, durante a crise de 2009, não terá sido uma casual aberração, mas tem por base a maneira de ser holandesa.

A Holanda vive confortavelmente, do ponto de vista financeiro, porque é um dos principais países a beneficiar da fuga de impostos para off-shores com sede nesse país e de todo o tipo de branqueamento de capitais e de fuga de impostos de criminosos de todo o mundo.

A Holanda tem uma elite financeira e politica com pouca ética porque é herdeira de velhos nazis e perseguidores de judeus ( a populaçãoholandesa foi das que mais perseguiu e denunciou judeus durante a segundaguerra e foi o último reduto de nazis, rendendo-se só dias depois da morte de Hitler e da  queda de Berlim), sem esquecer que foram colonos de origem holandesa que inventaram o Apartheid na África do Sul.

A atitude holandesa, face a esta crise, explica porque é que a Itália foi, pela segunda vez, abandonada à sua sorte ( a outra vez foi na questão dos emigrantes) e é um presságio sobre a forma como os burocratas de Bruxelas, onde dominam políticos xenófobos, racistas e arrogantes do norte da Europa, vão solucionar a crise económica provocada pela tragédia desta epidemia.

Se há alguma coisa a ser investigada, depois desta crise, é o modo como a austeridade imposta durante os anos de crise financeira enfraqueceu a resposta dos vários Serviços Nacionais de Saúde a esta epidemia, procurando os responsáveis por essas decisões criminosas, nas instituições financeiras e nos governos da época.

Se dominar o discurso daquele criminoso social, é, muito provável que tudo venha a resultar no fim da União Europeia, porque os cidadãos europeus não vão tolerar novamente uma resposta desumana idêntica à de 2009.

domingo, 15 de março de 2020

COVID-19 : A irritante inoperância da União Europeia.



Afinal, a incapacidade da União Europeia em lidar com a grave situação do migrantes não tem a haver apenas com incompetência ou cedência ao “populismo” dos seus líderes.

É mesmo por falta de humanidade das instituições e dos líderes da União Europeia, como se vê agora com a crise do “coronavírus”.

A Itália, depois de apelar à União Europeia por ajuda, recebendo apenas respostas retóricas, acabou por receber a solidariedade de onde menos se podia esperar, da China, que enviou material e médicos para ajudar o país.

Da União Europeia apenas ouvimos a retórica habitual, do “deficit” para aqui, do cumprimento das regras financeiras para acolá, tudo regado em milhões “prometidos”, mas, com já sabemos de experiências anteriores, a pagar no futuro pelos cidadãos, com o “juro” habitual das “reformas estruturais” (cortes salariais e nas pensões, aumento de impostos, cortes nos direitos sociais e no Estado Social), pois os lucros do sector financeiro e os “mercados”, esses são intocáveis.

Não existe coordenação nas medidas, nem coordenação na ajuda, ou no controle de fronteiras. 

É cada um por si, apesar da bonita retórica, politicamente correcta do “somos todos italianos”!.

Por agora há que combater o vírus, apoiar os profissionais de saúde no seu trabalho esforçado, seguir as recomendações das autoridades nacionais e ajudar as pessoas em dificuldade.

Depois temos todos de “ajustar” contas com a burocracia de Bruxelas para que, mais uma vez, essa gente não nos venha cobrar para salvarem a face do sistema financeiro que alimentaram.

Espero que os cidadãos, passada a crise, ponham os burocratas de Bruxelas na ordem, de uma vez por todas, exigindo uma Europa para os cidadãos, mais humana, solidária e social, e não mais para os “cifrões” dos “mercados “ e dos especuladores financeiros.

Ponham-se a pau. Os cidadãos europeus estão a enfrentar o vírus, mas também estão atentos e fartos da inoperância dos burocratas de Bruxelas e não aceitam mais austeridade em nome da salvação do “mercados”.

Caros burocratas, nada vai voltar a ser como era!

sexta-feira, 6 de março de 2020

A tragédia os migrantes - Cartoon´s que valem por mil palavras


De projecto solidário a União Europeia está-se a transformar na "ignóbil porcaria", como se vê na desorganização do combate ao coronavírus, na cedência ao poder financeiro e, de forma ainda mais trágica, com a forma de tratamento dado a refugiados das guerras alimentadas pelo ocidente e aos emigrantes que fogem do descalabro económico do "modelo ocidental" imposto  países pobres. 

Mais do que as palavras, às vezes um simples cartoon consegue denunciar toda a atitude criminosa dos líderes da Europa, sejam eles os da União Europeia, os turcos ou os russos.

É uma selecção de alguns desses cartoon´s que podem ver no nosso blog Bêdêzine, clicando em cima.

quarta-feira, 4 de março de 2020

O Dia [ mais um…??] em que os líderes da União Europeia cederam ao Populismo e à Xenofobia.



As declarações dos principais líderes da União Europeia, com destaque para as proferidas pelo presidente do Conselho europeu, (velho conhecido nosso dos tempos da Troika),  com a honrosa excepção do Presidente do Parlamento Europeu, roçou a mais reles e vergonhosa cedência ao discurso xenófobo da extrema direita.

Defender o tratamento desumano dado pelas autoridades gregas aos desesperados migrantes, refugiados de conflitos alimentados militar, politica e financeiramente pelo Ocidente e por um país membro da NATO, como é o caso da Turquia, demonstra o total desnorte que reina pelas bandas dos líderes desta União Europeia sem rumo.

Ao negociarem com um ditador sanguinário como Erdogan, pagando-lhe com o dinheiro dos contribuintes europeus para conter, de forma desumana, os migrantes em solo turco, revela toda a cegueira e irresponsabilidade das lideranças europeias, incapazes de solucionar essa grave situação humana, pela qual são os principais responsáveis, dando ao ditador turco uma poderosa arma para chantagear os países europeus.

Desculpar-se da situação apenas pela chantagem do neofascista que governa a  Turquia é uma forma vergonhosa de limpar as mãos da responsabilidade europeia pelo caos vivido pelos desesperados migrantes.

Há momentos em que sinto vergonha de ser Europeu!!!

segunda-feira, 2 de março de 2020

As Duas “Fronteiras” da União Europeia.


Nos últimos dias, ficou evidente que, no espaço da União Europeia,  existem duas fronteiras.

Uma para os negócios e os negociantes e para os “mercados”, permitindo a livre entrada e circulação de quem, vindo de zonas infectadas pelo coronavírus, pode entrar, circular e entrar sem restrições, desde que venham em “negócios” ou como turistas.

Também, ao contrário do que aconteceu com ataques terroristas, as autoridades europeias continuam a permitir a livre circulação de quem chega e parte das zonas italianas atingidas pela epidemia, para dar “ares” de normalidade, na sequência da atitude irresponsável dos primeiros ministros da Itália e França, abraçando-se e beijando-se em público, à revelia das recomendações da OMS.

Aliás, enquanto a China tomou medidas que travaram a expansão pela Europa do vírus, a irresponsabilidade das autoridades italianas, com o aval dos burocratas de Bruxelas, provocou o aumento e a expansão do Coronavírus por toda a Europa, como aconteceu hoje em Portugal pela primeira vez.

É  caso para dizer que na Europa existem duas “fronteiras”:

- uma que permite a livre disseminação da doença pelo espaço da União Europeia, desde que sirva para salvar a face das autoridades italianas e sirva para manter os “negócios”;

-  outra para os desgraçados imigrantes e refugiados, que fogem a conflitos ou à miséria económica alimentada pelo Ocidente, numa situação dramática, a roçar a tragédia, como se tem visto também nos últimos dias com o que se passa nas fronteira entre a Turquia e a União Europeia.

sábado, 1 de fevereiro de 2020

BREXIT ou EUREXIT?



Para além do espectáculo pop-pimba, dado pelo Parlamento Europeu na hora da despedida da Grã-Bretanha, após  47 anos de “casamento” por conveniência, o grande receio dos burocratas de Bruxelas e da Troika que nos governa (Comissão Europeia, Eurogrupo e BCE) é mesmo se a Grã Bretanha, após uma dúzia de anos difíceis, acabe por se sair bem de tudo isto.

A arrogância manifestada por essa Troika nos últimos 3 anos face à Grã-Bretanha, justifica-se pela necessidade de fazer da “desgraça” britânica um exemplo para os que contestam o seu poder.

Claro que, internamente, o governo britânico tem de enfrentar a contestação das elites económicas, financeiras e intelectuais que mais beneficiavam com os negócios no continente, bem como as ameaças independentistas escocesas e irlandesas, legitimas e históricas.

Claro que os graves problemas sociais que existem na Grã-Bretanha, iniciados com o governo neoliberal de Thactcher, e que os seus cidadãos atribuem à União Europeia, se não forem resolvidos agora, tiram poder de manobra e legitimidade aos defensores do Brexit.

Mas mesmo esta situação pode tornar-se um grande problema para os burocratas de Bruxelas, pois, se aceitarem, por vingança ou interesse próprio, a independência da Escócia e a integração da Irlanda do Norte na República da Irlanda, deixarão de ter legitimidade para negar o direito à independência da Catalunha, para além de terem de enfrentar muitas outras situações idênticas  no próprio seio do espaço Europeu.

Além disso, em muitos casos, a prazo, é a União Europeia que perde.

A Grã-Bretanha tem, obviamente, como língua oficial o inglês, que continua a ser, no seio da União Europeia, a única língua de entendimento num espaço com mais de vinte línguas, embora não exista agora um único país da EU que tenha o inglês como língua oficial.

A Grã-Bretanha tem moeda própria, a libra, uma das mais antigas do mundo, mais consolidada do que o euro, uma das 4 mais importantes a nível mundial (dólar, euro, libra e o iene).

A Grã-Bretanha tem um dos três exércitos mais poderosos da Europa, sendo que ou outros dois estão fora da UE, o Russo e o Turco.

A Grã-Bretanha tem em Londres o maior centro financeiro da Europa e um dos maiores do mundo, e nada nos leva a acreditar que o vai deixar de ter.

A Grã-Bretanha já não pertencia ao Tratado de Schengan antes do Brexit, pelo que o problema da fronteira com a Irlanda é um falso problema.

Ou seja, a Grã-Bretanha tem todas as condições para, depois de uns anos de instabilidade e algumas dificuldades, se poder tornar uma potência mais atractiva do que uma União Europeia que não cresce, desigual (veja-se as disparidades no seio de países do euro, entre salários, pensões, preços e condições de vida), com uma classe média com crescentes dificuldades de sobrevivência, alimentando o populismo de extrema-direita (que já governa países como a Hungria e a Polónia e, em coligação, outros países da UE), totalmente submetida aos ditames do poder financeiro, em prejuízo dos direitos socias dos cidadãos europeus, incapaz de resolver eficazmente o drama dos imigrantes, sem politica internacional autónoma (a reboque dos Estados Unidos e da NATO).

Se os líderes europeus se preocuparem mais em castigar a Grã-Bretanha do que a interrogarem-se sobre as razões do Brexit, a prazo, para mal de todos nós, diga-se, voltaremos a ver o triste espectáculo pimba no Parlamento Europeu, mas desta vez as lágrimas correrão pelo…Eurexit!

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Pela Catalunha!



O direito de um povo, com a sua própria cultura ,  a sua língua e a sua história, a tornar-se independente, é um direito humano e internacional.

Esse direito não pode ser confundido com o nacionalismo xenófobo que cresce por aí.

O velho e retrógrado nacionalismo não é aquele que defende a maior parte dos catalães. Pelo contrário, esse velho nacionalismo está presente em Espanha, mas entre os defensores de uma “Espanha Una e Indivisível”.

O povo da Catalunha tem direito a escolher se quer ser independente ou se quer continuar a ser uma região autónoma dentro desse país que é a Espanha.

Contudo esse direito a escolher tem-lhe sido negado.

Se querem realizar um referendo, o governo espanhol impede-o. Se querem decidir com base nas instituições democráticas, isto é, no seu parlamento, o governo espanhol não reconhece essa decisão.

Ou seja, o governo espanhol não tem permitido saídas democráticas e institucionais para a situação.

Pelo contrário, lança achas na fogueira, como aconteceu agora ao condenar com penas exageradas os líderes do patriotismo catalão, num momento em que o assunto parecia cair no esquecimento.

A responsabilidade pela radicalização da situação catalã é toda do governo espanhol e dos seus partidos tradicionais, que têm sido incapazes de lidar com a situação de forma democrática e racional.

Seja qual for desfecho desta situação, não há que esquecer o essencial: os catalães têm de poder optar pelo seu futuro, seja através das suas instituições legitimamente eleitas, seja através de um referendo.

E em relação à posição da União Europeia neste assunto, esta não pode defender a soberania da Letónia, da Estónia e da Lituânia, a desagregação da Jugoslávia em vários Estados independentes, a separação da Checoslováquia ou incentivar a independência da Escócia e da Irlanda do Norte para combater o “Brexit”, e fechar os olhos em relação ao que se passa na Catalunha.

Deixem os catalães escolher, enquanto ainda existe espaço para que essa escolha seja feita democrática e livremente.

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

ELISA FERREIRA : “Não havia necessidade!!!”



Nos últimos tempos tem sido notícia a promiscuidade familiar na vida política, ou entre a politica e o mundo “empresarial”.

Nem uma politica, com a marca da competência e capacidade, como Elisa Ferreira, parece escapar à “moda”.

De facto, a nomeação de Elisa Ferreira como Comissária Europeia parecia caminhar para um “final feliz”.

Figura competente na área da gestão, aparentemente afastada da pequena intriga política e de “mãos limpas”,  tudo parecia “talhado” à medida de um futuro político promissor.

Eis senão quando, no “melhor pano cai a nódoa”.

Descobriu-se que Elisa Ferreira é, por “coincidência”, casada como o presidente de uma CCR, a do Norte, que gere naquela região os fundos estruturais europeus, cuja distribuição e montante vão passar a ser decidido, na Comissão Europeia…por Elisa Ferreira.

Claro que Portugal é um país pequenino, onde é difícil que todos não sejamos, no mínimo, “primos afastados” uns dos outros ou não conheçamos alguém com influência politica, com quem nos cruzamos na escola, na vizinhança ou na “associação”.

Mas parece que a acumulação de casos de promiscuidade familiar na vida politica começa a ser preocupante.

Além disso Elisa Ferreira também se esqueceu que era accionista, embora minoritária, de uma grande empresa portuguesa, a Sonae, que é considerada lobista por aquela comissão e recebe fundos europeus, os tais que vão passar pela decisão de Elisa Ferreira.

Claro que a mesma se apressou a vender as acções, mas foi pena que só o tivesse feito quando o caso veio a público, o que revela muita “distracção” por parte de alguém com uma imagem de competência como Elisa Ferreira.

Claro que todo este caso é um pequeno caso, no seio de casos muito mais graves que são conhecidos todos os dias.

Elisa Ferreira parecia ser um lufada de ar fresco no seio de uma Comissão Europeia que não augura nada de bom, quando criou uma pasta com o ridículo nome de “Proteger o nosso modo de vida na UE” (!!!!), manteve o tenebroso senhor Dombrovkis numa pasta com o pomposo nome de “economia que funciona para os cidadãos”, ele que, transitando da anterior comissão, provou que os únicos “cidadãos” que conhece e defende são os grandes gestores financeiros, ainda por cima acumulando com a vice-presidência, criou outra pasta com um nome pomposo de “Democracia e demografia”, entregue a uma comissária, a croata Dubravka Suica que, no Parlamento Europeu, sempre protegeu a Hungria de Órban, de cada vez que alguns deputados pretenderam condenar as violação ao Estado de Direito por parte do governo húngaro, ou, pior ainda, colocou como comissária para o “alargamento” a antiga ministra da justiça de Órban, responsável no seu país pelos maiores ataques à independência do poder judicial.

Afinal, de acordo com as novas revelações, Elisa Ferreira talvez não esteja a destoar assim tanto no “retrato de família” (sem ironia) da Comissão Europeia.

Até porque, mais importante do que as pessoas, o que interessa aos cidadãos, em relação à composição da Comissão Europeia é saber quais a s políticas e estas parecem ir na continuidade do ataque generalizado aos direitos socias dos cidadãos europeus, favorecendo o corrupto sector financeiro.

Enfim, mais do mesmo!

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Liderança da União Europeia – de “Mao” a…”Piao”!!!


(Autor: Arend Van Dam/ Political Cartoon)

Parece que os burocratas do “politburo de Bruxelas” não perceberam a mensagem das urnas e insistem em decidir à revelia da vontade dos seus cidadãos e mesmo contra estes.

Em vez de apresentarem candidatos aos lugares cimeiros que representassem sinais de mudança nas políticas de austeridade e nas politicas de destruição de direitos socias, para combater o crescimento do populismo e aproximar os cidadãos do projecto europeu, o “politburo de Bruxelas” apostou mais uma vez numa combinação entre cinzentismo e continuidade, reforçando o pilar “austoritário”.

O Conselho Europeu impôs mais uma vez um modelo de escolha de lideranças que não se mostra muito diferente do velho “centralismo democrático” de tipo “comunista”, impondo-se ao único órgão democraticamente legitimo, o Parlamento Europeu.

Foi uma cedência em toda a linha ao grupo de Visegrado, o das “democracias iliberais”.

Ursula von der Leyen para presidente da Comissão Europeia representa a imposição das politicas alemãs para a União Europeia, reforçando a componente “austoritária” que tão maus resultados deu nos últimos anos (maus resultados para os cidadãos, mas bons resultados para o corrupto sector financeiro que domina a Europa, os “donos disto tudo”…), agravado pelo facto de, ao contrário de Merkel, que aprendeu alguma coisa com a “crise”, aquela política é mais “papista de que o papa”.

A escolha de Charles Michel, actual primeiro-ministro belga, “liberal” (seja lá o que isto for), para presidir ao Conselho Europeu é mais uma cedência ao “establishment” do “politburo de Bruxelas”.

Mas a “cereja no topo do bolo” é a nomeação da nossa bem conhecida Christian Lagarde, um dos rostos da “nossa” Troika de triste memória, para a presidência do Banco Central Europeu.

Para “amenizar” tentam vender-nos a mensagem “politicamente correcta” de dois desses cargos serem, pela primeira vez, ocupados por mulheres, como se o género anulasse a ideologia ou as politicas.

Não é o uso de “sais” que altera as politicas e, neste caso, como em muitos outros, “elas” chegam a esses lugares cimeiros porque se comportam … como “homens”.

Ou seja, embora ainda não esteja tudo definido, é caso para dizer que, na Europa, mudámos de “Mao” para “Piao”, ou, em bom português, de “cavalo para Burro” (ou “burra”, para não ofender o “género”).

Mais um “contributo” para transformar  o “caminho” dos populistas de extrema direita …numa via rápida!

quarta-feira, 29 de maio de 2019

E agora europa?


As duas grandes famílias europeias, responsáveis pela austeridade e pelas políticas antissociais na União Europeia nos últimos cinco anos, perderam a tradicional maioria absoluta que mantinham desde o início da fundação do Parlamento Europeu.

O grupo maioritário nesse parlamento, o Partido Popular Europeu (PPE) passou a ter 178 deputados, quando anteriormente detinha 219. Esta é a família política que integra o PSD e o CDS, que até não foram dos que mais contribuíram para essa queda acentuada, perdendo, no seu conjunto, apenas um deputado (de 8 passaram a 7). Se se concretizar a expulsão dos deputados húngaros do partido de extrema-direita de Órban, (que elegeu 13 deputados), aquele número vai ficar ainda mais reduzido (165 deputados).  

O PPE pretendia continuar a presidir à Comissão Europeia, apesar dos resultados desastrosos para os cidadãos europeus e para o projecto europeu, sob a liderança, respectivamente, de Durão Barroso e Juncker.

Com estes resultados está caminho aberto para uma nova liderança e um maior equilíbrio na distribuição de pelouros da Comissão Europeia.

Contudo, o grupo que tem sido uma alternativa mais simpática para os interesses dos cidadãos europeus (embora muitas vezes se tenha limitado a fazer de “polícia bom”), a Aliança Progressista de Socialistas e Democratas (S&D), também obteve um resultado, que se não foi desastroso, foi “poucochinho”.

O grupo S&D, ao qual pertence o PS, perdeu 36 deputados. Tinha 189 deputados, passou a ter 153. Nesta família política não deixa de ser significativo que os únicos resultados positivo foram obtidos pelos seus filiados ibéricos, o PS e o PSOE que aumentaram a representação, remando assim contra a maré. Talvez o facto de serem os únicos que têm uma atitude crítica em relação ao modelo "austoritário" das “troikas” e assumindo-se à esquerda, tenha evitado o descalabro mais acentuado desta família politica.

Seja como for, o tradicional “centrão” que governava a Europa, com maioria absoluta no PE, nas últimas décadas, desfez-se. De uma maioria absoluta de 408 deputados, ficaram reduzidos a 331 deputados, num universo de  751 deputados, redução que ainda se pode acentuar com a saída da extrema-direita húngara do PPE.

Isto não quer dizer que esse centrão não possa ser reformulado, agora integrando uma outra família política, os “liberais” do ALDE que inclui o partido do presidente francês Macron, e os Cidadãos espanhóis, sem representação portuguesa. Este grupo cresceu de 68 para 105 deputados, tornando-se a 3ª força política no PE, ultrapassando o grupo de extrema direita ECR (que integra o partido Lei e Justiça da Polónia e onde se incluirá o Vox espanhol).

O ALDE vai ter uma importante palavra na distribuição de lugares na Comissão Europeia e nas futuras reformas do projecto europeu.

À esquerda o GUE/NGL (Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde), foi um dos derrotados nestas eleições. Integra alguns dos principais grupos anti austeridade, como o Podemos, a França Insubmissa, o Syriza e os portugueses PCP e BE.

Este grupo, de 52, passou para 38 deputados. Os deputados portugueses deste grupo mantiveram a mesma força, 4 deputados (2 do BE e 2 da CDU), e já representam mais de 10% do grupo.

Destino contrário conheceu outro grupo, situado maioritariamente à esquerda, os Verdes, que passaram de 51 para 69 deputados, tornando-se a 4ª maior força politica e integrando, pela primeira vez, um representante português, eleito pelo PAN. Este grupo pode ter uma importante palavra a dizer nas negociações que decorrem em Bruxelas para a distribuição de cargos e responsabilidades, até porque representa uma preocupação crescente entre os Europeus, principalmente entre os mais jovens.

Já a  extrema-direita, apesar de ter sido uma das vencedoras das eleições, aparece muito dividida, sendo representada pelo ENL (que inclui a Liga de Salvini, a UN de Le Pen e a AfD alemã), passando de 35 para 58 deputados, pelo ECR (que incluía Le Pen, que mudou de grupo, que inclui o Lei e Justiça da Polónia e deverá integrar o Vox), que perdeu votos, por causa da saída de Le Pen para o grupo anterior, passando de 71 para 63,  e o EFDD (que inclui o Partido do Brexit de Farage, perdendo a AfD alemã para outro grupo), que cresceu de 45 para 54 deputados, mas poderá sofrer grandes alterações se se concretizar a saída da Grã-Bretanha (o Partido do Brexit de Farange elegeu 28 deputados). Há que contar ainda com a possível integração do partido de Órban num destes grupos (mais 13 deputados).

No seu conjunto a extrema-direita passou de 151 deputados para 175, aos quais se podem juntar os extremistas do Fidesz que governam a Hungria (+ 13), e os representantes de outras pequenas forças que ainda não optaram por qualquer dessas três formações, que coloca essa tendência à beira dos 200 deputados.

É igualmente significativo que a extrema-direita, crescendo em quase todos os países, saiu vitoriosa na maior parte dos grandes países da EU, como na Itália, na França, na Grã-Bretanha, e na Polónia.

Teremos assim, no próximo Parlamento Europeu, cinco grandes grupos : Direita Conservadora (PPE, menos  o Fidesz) – 165 deputados (178 com Órban);  Socialistas – 153 deputados; Liberais – 105 deputados; Esquerda progressista (Verdes + GUE) -  107 deputados; Extrema-direita (com o Fidesz ) – 188 deputados. Sobram ainda 33 deputados sem posição definida. Para formar a maioria de 376 deputados nunca será possível juntando apenas duas dessas tendências.

Existem várias combinações em aberto: Direita + extrema-direita  = 353 deputados (faltando 23 para uma maioria) ;  PPE+Socialistas+Liberais = 420 ;  Socialistas+Verdes+Liberais+Esquerda = 365 deputados (faltando 11 para uma maioria). De tendência variada, parte dos 33 deputados não filiados podem contribuir para a primeira ou para a última maioria (sendo que a maior parte desses deputados estão mais à direita).

Uma das boas notícias da noite foi o decréscimo da abstenção (ao contrário do que se passou em Portugal), tendo beneficiando, por um lado o crescimento dos Verdes e, por outro, o crescimento, embora mais lento do que era previsto, da extrema-direita.

Seria bom que os novos responsáveis pelo destino do projecto Europeu mudassem mesmo alguma coisa, preocupando-se mais com o bem estar dos cidadãos do que com o bem estar dos bancos, fizessem urgentemente alguma coisa pelo ambiente e deixassem de legitimar o discurso da extrema-direita sobre a emigração.

A quebra dos partidos tradicionais é um sério aviso.