Mostrar mensagens com a etiqueta Rui Tavares. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Rui Tavares. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

UBER Versus TÁXIS : quando a poeira começa a assentar...


Bruno Nogueira, na sua crónica de ontem,o "Mata-Bicho", na Antena 1, com humor, consegue desmontar muitos dos argumentos usados para denegrir os taxistas e para endeusar a UBER, sem deixar de desmascarar aqueles, Antral e alguns taxistas boçais, que muito têm contribuído para desacreditar a luta justa dos taxistas.

Agora, que as coisas começam a acalmar e a poeira que a comunicação social nos atirou aos olhos , com o contributo da Antral e de alguns taxistas javardos,  começa a assentar, podemos também começar a perceber melhor o que é que está em causa neste processo todo, lendo, por exemplo, a crónica de ontem, no Público, de Rui Tavares, que nos alerta para "A Terceira Metade da História".

Também hoje um universitário especialista em transportes urbanos, Michel Ferreira,  explica AQUI a onde nos pode conduzir a "uberização"  da sociedade.
 
Nem a Uber é o "santinho" modernaço imposto pelos "novos tempos" da globalização, nem os taxistas são a caricatura que, também por culpa própria de alguns de entre eles, nos querem impingir.
 
Apesar do tiro no pé da algumas atitudes condenáveis de alguns taxistas e  da forma como a Antral tem conduzido o processo, no essencial a luta dos taxistas é justa.

 

segunda-feira, 6 de julho de 2015

4 crónicas pela Grécia: Rui Tavares, Viriato Soromenho-Marques, Miguel Esteves Cardoso e Paul Krugman



“Solidariedade contra a chantagem

Por Rui Tavares, in Público de  06/07/2015

“ Os gregos disseram “não”. Contra ventos e marés, com os bancos fechados e as farmácias e supermercados já com problemas de abastecimento, esta foi uma demonstração de coragem e firmeza perante todos os avisos e pressões, chantagens e ameaças, temores e rancores.

“Que “não” disseram os gregos? Os gregos disseram “não” à aplicação de mais um pacote de austeridade. Mas o “não” dos gregos não foi sobre a saída do euro ou o afastamento da União Europeia. Só foi possível que o “não” ganhasse, num país em que 80% das pessoas não quer sair do euro nem da União Europeia, porque o Governo grego conseguiu fazer passar a mensagem de que um “não” no referendo não era um “não” ao euro.

“Esta diferença é relevante porque nos próximos dias vamos assistir a uma enxurrada de comentários dizendo que a Grécia voltou costas à Europa. Já começaram, aliás: o social-democrata alemão Sigmar Gabriel afirmou que o Governo grego queimou as últimas pontes com a Europa e o trabalhista holandês Jeroen Dijsselbloem disse que o resultado do referendo condiciona a presença da Grécia no euro. Pouco me surpreende a atitude deste dois porta-vozes da arrogância institucional da zona euro. São eles, e gente como eles, quem voltou as costas à Europa. São eles quem se apresta a sacrificar um país, primeiro, e todo um projeto de paz e democracia para este continente, depois, no altar das regras burocráticas e mecanismos cegos de uma união monetária mal concebida.

“É preciso fazer barragem a esta atitude revanchista e impedir que ela deite a perder aquilo que, apesar de todas as dificuldades e erros, se construiu na Europa das últimas gerações. Dijssebloem e Sigmar Gabriel perderam uma batalha política contra o Governo grego mas não têm o direito de levar a Europa para um buraco por causa disso. Vários governos europeus fizeram o que fez o grego e vários referendos europeus já deram “não” — na Irlanda, na Dinamarca, na França, na Holanda. Em todos os casos se voltou à mesa de negociações e se fizeram concessões para que os países em causa pudessem continuar no projeto europeu. Os gregos não merecem menos do que isso.

“Esta crise pode acabar amanhã se os mais inflexíveis dos governos europeus entenderem que não é possível exigir mais austeridade a uma economia deprimida e a uma sociedade exaurida. Mas é possível salvar a Grécia e a Europa combinando uma moratória imediata do serviço da dívida grega para os próximos dois anos, uma reestruturação das dívidas excessivas dos países da zona euro e um plano de relançamento económico financiado pelo Banco Europeu de Investimentos. Aí sim, será possível reformar o Estado grego — e o Syriza é provavelmente o partido mais bem colocado para o fazer. Onde o eurogrupo dizia: “Condições primeiro e alívio da dívida depois” é preciso dizer “alívio da dívida já para dar condições de reforma depois”.

“Quem ama a democracia e a Europa não pode deixar a Grécia ser empurrada para a porta de saída da União. Quem ama Portugal, já agora, também não. Nas cimeiras extraordinárias que se seguirão nos próximos dias, o Governo português não pode persistir numa atitude de confronto que, sem resolução desta crise, se poderia voltar contra Portugal mais depressa do que se pensa”.

“Coragem

por VIRIATO SOROMENHO-MARQUES

in Diário de Notícias de 6 de Julho de 2015

“Confesso que não esperava um resultado como aquele que deu à posição negocial do governo grego uma legitimidade tão reforçada. Sobretudo, depois de o BCE ter quase fechado a torneira da liquidez, obrigando os gregos, incluindo os mais idosos, a penarem nas filas dos ATM e dos bancos.

“Depois de todos os dirigentes das instituições europeias terem incitado, com mentiras e ameaças, à votação num sim que decapitaria o governo grego e atrelaria um povo inteiro à incerta clemência dos credores num ato de compreensível, embora lastimável, servidão voluntária. Como Aristóteles nos ensina, a coragem, a capacidade de resistir em vez de se render, é uma virtude. Um bem moral superior.

“Numa Europa governada por gente tão pequena, moral e intelectualmente, a coragem dos gregos - que não é a de um partido, ou de uma ideologia - é um tónico ético e cívico que vai ter impacto em todos os países varridos pela crise.

“ A resposta sobre o futuro da zona euro, e a sua integridade ou fragmentação, está agora do lado do diretório que se reúne hoje em Paris. Veremos se consegue digerir o azedume desta derrota da austeridade sem desperdiçar os dias escassos que a Grécia tem pela frente.

“Se escolherem o caminho da expulsão da Grécia, pelo menos não haverá dúvidas sobre quem fez vibrar o primeiro golpe, que fará desabar com estrondo uma união monetária incapaz de se curar dos seus males genéticos.

“ Talvez tenha chegado a hora, como sugeria Habermas num texto recente, de os povos salvarem a Europa do labirinto onde a cegueira dos atuais líderes a meteu. Mesmo que seja demasiado tarde, um combate por uma causa nobre, que se perde, é mais honroso do que uma vitória que nos rebaixa e envilece”.

"Assim não

 por Miguel Esteves Cardoso

in Público de 6 de Julho de 2015

“A maioria dos gregos disse “não”. Não disse “não” ao euro nem “não” à União Europeia. Foi “não” à maneira como os dirigentes democraticamente eleitos pelos gregos têm sido tratados pela troika.

“A troika pode queixar-se da maneira como se têm comportado os dirigentes gregos. Mas já não pode dizer que eles não têm defendido os interesses da Grécia. A Grécia, numa democracia parlamentar, é uma coisa simples: é a maioria dos eleitores gregos.

“A maioria dos eleitores gregos é a Grécia. E a Grécia disse maioritaria e directamente “não” à troika como disse “sim” aos dirigentes do Syriza que actualmente representa a Grécia.

“A austeridade é uma palavra mentirosa. Significa menos dinheiro e menos serviços sociais para todos. Quanto mais pobre se é, mais se sofre. Na Grécia todos os meses há cada vez mais pobres. A somar a todos os pobres que sempre o foram, há todos aqueles que só recentemente deixaram de o ser.

“Os dirigentes da troika e dos governos da União Europeia têm de ter a coragem e a clareza de deixar de culpar a Grécia e os dirigentes gregos e passar a culpar os próprios eleitores gregos.

“Os eleitores gregos, quando elegeram o Syriza e disseram “não” neste referendo, votaram na esperança de parar o empobrecimento. Não é heróico. Mas é digno por ser humano.

“Claro que os eleitores de cada um dos outros países da União Europeia têm a mesma importância do que os gregos. Os gregos não são nem podem ser especiais. Mas têm de ser considerados iguais. E irmãos.”

O referendo viso por Paul Krugman:

In The New York Times (tradução para espanhol doEl País) , 6 de Julho de 2015

“Tsipras y Syriza han logrado una gran victoria en el referéndum, reforzándose para lo que quiera que venga después. Pero no son los únicos ganadores: diría que Europa, y el concepto de Europa, han conseguido una gran victoria y han esquivado una bala.

“Sé que la mayoría no lo ve igual. Pero pensémoslo así: acabamos de ver a Grecia levantarse contra una campaña de acoso e intimidación, un intento de meter miedo a los griegos no solo para que aceptaran las exigencias de los acreedores sino para que se deshicieran de su Gobierno. Ha sido un momento vergonzoso en la historia moderna de Europa y, de haber prosperado, habría sentado un feo precedente.

“Pero no lo hizo. No tienes que amar a Syriza o creer que saben lo que hacen —no está claro que así sea, aunque la troika lo ha hecho aún peor— para considerar que ha redimido a las instituciones europeas de su peor yo. 

"Si Grecia hubiese sido forzada por el miedo a las consecuencias financieras, Europa habría pecado de tal manera que mancillaría su reputación durante generaciones. Dentro de un tiempo posiblemente recordemos esto como una aberración.

“¿Y si Grecia acaba saliendo del euro? En este momento hay, efectivamente, buenas razones para el Grexit pero, en todo caso, la democracia importa más que cualquier acuerdo monetário”.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Antoine Deltour, um Herói do nosso tempo a precisar do apoio e ajuda de todos os cidadãos europeus ( ele denunciou a falta de ética no LuxLeaks  e está agora a contas com a justiça do Luxemburgo)


Rui Tavares dedica a sua crónica no Público desta Segunda-Feira "Ao Delator Desconhecido", entretanto revelado pelo jornal Libération: LuxLeaks : «J’ai agi par conviction, la cohérence était d’assumer».

Trata-se de Antoine Delatour, um jovem de 28 anos, antigo trabalhador da empresa de consultoria PWC (PricewaterhouseCoopers), empresa especializada  em esquemas legais "facilitadores" da fuga de grandes empresas multinacionais ao pagamento de impostos, o esquema que está em caso no LuxLeaks.

Como já aqui referimos e Rui Tavares recorda, o Luxemburgo, durante o governo de Jean-Claude Juncker, actual presidente da Comissão Europeia, montou um esquema legal que permitiu a grandes empresas multinacionais, a operar na Europa, fugirem ao pagamento de impostos em vários países da UE, ente eles Portugal, calculando-se que, por ano, muitos  desses países, muitos sujeitos a um severo programa de austeridade imposto pela Comissão Europeia e iniciado com a colaboração do Eurogrupo, quando era liderado por Juncker, perderam, em impostos não cobrados a essas empresas, mais de um milhão de milhões de euros (...por ano!!!), enquanto o Luxemburgo, de Juncker, lucrou imenso com o negócio.

Para além de toda a imoralidade da situação, numa altura em que a própria União Europeia impõe aos cidadãos europeus um programa de empobrecimento e perda de direitos, com a desculpa de não haver dinheiro, não só é grave que Juncker continue impávido e sereno no seu cargo, com o apoio do "centrão" à escala europeia, como se continue a impor um programa de austeridade aos cidadãos da Europa.

Mas, o mais caricato de tudo, é que um tribunal luxemburguês, como refere também Rui Tavares, abriu um processo de investigação, não para apuramento do esquema de corrupção ética do seu governo, mas para condenar o autor da fuga de informação que permitiu que se soubesse do esquema.

Sabe-se agora que o "dealtor" é um jovem francês, Antoine Deltour.

O que vai acontecer agora é que, quem vai ser condenado pela situação vai ser este jovem que agiu como qualquer pessoa de bem devia agir,denunciando um esquema imoral de roubo legal de bens que deviam pertencer aos cidadãos da Europa e que foram usados em proveito de um Estado que apenas produz esquemas financeiros de ética duvidosa.

Num mundo a precisar de "Heróis" e farto de "vilões" (como os que enxameiam as instituições europeias e financeiras), Antoine Deltour é um verdadeiro herói dos nossos tempos.

É tempo de os cidadãos europeus abrirem os olhos e tudo fazerem, não só para proteger e defender Deltour do ataque que vai sofrer por parte do poder da Comissão Europeia e das grandes multinacionais que beneficiaram com o esquema, como virar o feitiço contra o feiticeiro e começarem a questionar a burocracia e os políticos que lideram a Europa, apenas em benefício do corrupto sistema financeiros.



quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A Crónica de Rui Tavares : "Atacaram o Portugal futuro"

Rui Tavares fala nos cortes à investigação científica em Portugal, na sua crónica de ontem no jornal "Público".

Para Rui Tavres esses cortes enquadram-se perfeitamente no espírito deste governo, um governo que "está a deixar obra para lá do seu mandato" e que não "quer só destruir o país agora: Quer deixá-lo sem possibilidades de se reconstruir depois", sendo esta "a diferença entre um governo de incompetentes e um governo de fanáticos". E acrescenta : "que jeito nos dava agora um governo que fosse só de incompetentes".

Acrescenta o deputado do parlamento europeu que uma "das poucas coisas que se poderiam atravessar no caminho da estratégia do governo seria a possibilidade de uma economia portuguesa mais especializada, produzindo mais valor, fixando mais conhecimento e exportando melhor. Não é isso que o governo quer (...). O governo quer o contrário disso: o governo quer uma economia de baixos salários, comprimidos pelo desemprego alto, e produzindo barato para exportar mais (mas não melhor), um país a meio-gás para recursos a meio-gás".

Vale a pena ler a crónica integralmente, que reproduzimos em baixo: