Os dias que rolam, numa visão plural, pessoal e parcial de um mundo em rápida mutação. À esquerda, provocador e politicamente incorrecto, mas aberto à diversidade...as Pedras Rolam...
Penso, aliás, que poucas artes me apaixonaram e comoveram
tanto como a 7ª arte.
Contudo, de tanto ver cinema e, também, porque vejo cada vez
menos cinema nas salas e cada vez mais em casa em DVD, essa paixão vai
esmorecendo, transformando-se num mais maduro amor.
Ainda há filmes que me fazem recuperar ou vislumbrar a
grande paixão do passado. Um deles foi este “O Artista” que recupera toda a
pureza do cinema e a capacidade que este tem de nos fazer sonhar, comover e fantasiar.
O mais surpreendente é esse filme ser mudo e a
preto-e-branco, recuperando o lado mais puro e mais ingénuo do cinema, sem os
artifícios tecnológicos ou o realismo da cor que há muito dominam a produção
cinematográfica.
A história é uma história simples mas também comovente, onde
se cruzam:
- a decadência do
cinema mudo e dos seus actores e realizadores, com a entrada do som e da musica
que questionam a gramática dos primeiros temos dessa arte;
- uma crise económica
( a de 1929) destruidora de sonhos e semeadora de misérias;
- e uma história de amor “quase” impossível
entre um artista maduro, mas em decadência e uma jovem e promissora artista.
É magnifico a forma como a diferença geracional entre esses
personagens, que se amam de forma não declarada, se “confrontam” num magnífico “duelo” de criação,
quando o primeiro, orgulhoso, resolve
realizar um filme mudo na era do sonoro, que vai ser também o seu último
trabalho, e nova “estrela” em ascensão é a principal atracção do primeiro filme
sonoro dos estúdios onde ambos se tinham encontrado a trabalhar e de onde “o
artista” se tinha despedido.
Como não podia deixar de ser o filme termina em “happy end”,
na última e única parte sonora deste filme.
Por mim, este filme reascendeu, nem que tenha sido por
momentos, a chama da paixão…
Portugal continua a receber boas notícias da àrea da Cultura.
Desta vez é o anúncio da pré-seleçcão do tema oficial do filme "José e Pilar", "Já não estar", da autoria de Camané, para o Óscar.
A Notícia detalhada pode ser lida em baixo:
“Fado de Camané pré-selecionado para os Óscares
Ana Sanlez, RTP, 20 dezembro '11
“O fado “Já não estar”, interpretado por Camané, é uma das 39 canções pré-selecionadas pela Academia norte-americana de Artes e Ciências Cinematográficas para o Óscar de Melhor Canção Original. O tema faz parte da banda sonora do documentário “José e Pilar”, realizado por Miguel Gonçalves Mendes, que foi a película escolhida para representar o cinema português nos prémios da Academia.
“Com letra de Manuela de Freitas e música de José Mário Branco, o tema interpretado pelo fadista Camané integra o documentário "José e Pilar", que retrata dois anos da vida no Nobel português ao lado da jornalista espanhola Pilar del Río.
“Além do fado de Camané, a banda sonora de "José e Pilar" integra temas compostos por David Santos, conhecido no mundo artístico como noiserv, Pedro Gonçalves, Luís Cília, Adriana Calcanhoto, Paco Ibañez, Pedro Granato e Bruno Palazzo.
“Finalistas anunciados a 24 de janeiro
“Para determinar as cinco canções finalistas, os membros do júri irão visualizar, no dia 5 de janeiro, os excertos das películas que contenham o tema pré-selecionado, após a qual se seguirá o processo de votação. Para garantir a presença na lista final, os temas têm de uma pontuação mínima de 8,25 pontos, sendo que o número máximo de nomeações na categoria de Melhor Canção Original é de cinco.
“Os filmes com mais temas a concurso são "Os Marretas", com três canções nomeadas, o filme de animação "Rio", igualmente com três temas, e a coprodução indiano-árabe Dam 999, que também conquistou três pré-nomeações. Segundo as regras da Academia, um filme pode ter no máximo duas canções nomeadas.
“Os finalistas de cada categoria serão anunciados a 24 de janeiro e a 84ª cerimónia de entrega dos prémios da Academia terá lugar no dia 26 de fevereiro no Kodak Theater, em Los Angeles.
“O documentário português faz ainda parte da lista de 265 longas-metragens aceites pelo júri como possíveis nomeadas para o Óscar de "Melhor Filme", por cumprir requisitos essenciais como ter estreado em cinemas comerciais nos Estados Unidos e ter figurado durante pelo menos sete dias consecutivos em cartaz.
“Conquistas internacionais
“Poucas semanas depois de ter sido elevado a Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO, a canção portuguesa recebe outra importante distinção internacional.
"José e Pilar" esteve durante quatro meses em cartaz em Portugal, tendo levado cerca de 22 mil espetadores às salas de cinema, aos quais se acrescentam mais de 40 mil no Brasil.
“A película de Miguel Gonçalves Mendes já conquistou o Prémio do Público na Mostra de São Paulo e o Prémio do Público na Mostra Visões Sul. Recebeu ainda nomeações para Melhor Filme pelos prémios de autor da Sociedade Portuguesa de Autores e de Melhor Filme Documental pela Academia Brasileira de Cinema”.
Logo, para quem quiser acompanhar a homenagem da entrega dos Óscares pode fazê-lo através desta página do "Público" : Ípsilon(clicar). A página pode ser sucessivamente "refrescada" clicando depois na tecla f5.
“Estado de Guerra” foi o grande vencedor da edição deste ano dos Óscares, levando 6 prémios.
Um dos prémios mais marcantes foi o da realização, atribuída pela primeira vez a uma mulher, o que não deixa de ser significativo que aconteça quando em muitos países já se entrava pelo dia 8 de Março, que comemora hoje o centenário da comemoração do Dia Internacional da Mulher.
Igualmente significativo é o facto dessa realizadora, Kathryn Bigelow seja ex-mulher do realizador James Cameron,o realizador do grande derrotado da noite, o filme “Avatar” que apenas conseguiu três prémios, todos em categorias técnicas.
Não deixa de ser ainda curioso que Sandra Bullock que havia recebido, poucas horas antes, um prémio para a pior artista, numa cerimónia marginal, à qual ela teve o fair-play de comparecer, tenha recebido depois a desejada estatueta de melhor actiz pelo seu desempenho no filme “The Blind Side”.