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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Profissões Desaparecidas – Memória à volta de um livro



Acabei de adquirir o livro “Porto – Profissões [quase] desaparecidas” de Germano Silva, o historiador da cidade do Porto (em Espanha, cada localidade tem o seu cronista “oficial”, Germano da Silva cumpre, por mérito próprio, mas não oficialmente, essa função na cidade do Porto).

Ao desfolhar esse belo livro, com histórias e muita História, ilustrado por uma trabalhosa investigação nos arquivos fotográficos, pus-me a pensar sobre as recordações que ainda tenho de algumas dessas profissões.
Algumas são do “meu” tempo, outras nunca existiram por aqui, muitas desapareceram, de facto, mas outras ainda existem ou reconverteram-se.
Germano da Silva explicou, em entrevistas que deu a propósito do lançamento desse livro, que não pretendia valorizar uma atitude saudosista, até porque muitas dessas profissões, por ele referidas, eram autêntico  trabalho de exploração humana, mal pago, exercido em condições desumanas, duro, sem horários, sem direitos, ocupando toda a vida do profissional dos mais desvalidos, que só se podiam “reformar”…morrendo, ou então quando adoeciam de exaustão, acabando na pior das misérias.
Sem saudosismos,  desfolhar esse livro leva-me também a “viajar” pela memória de um tempo que não volta e que, na maior parte dos casos, não se deseja que regresse.

Muitas das profissões referidas existiam em Torres Vedras, ou ainda existem.

Havia por cá muitos alfaiates, os quais, entre os  ofícios referidos, até eram bem pagos, embora tivessem de lutar constantemente por trabalho. O meu avô materno era alfaiate, e viveu sempre com grandes dificuldades e “reformou-se” para ficar acamado. Hoje é uma profissão que está na moda, embora rara. Por aqui, em maior quantidade, associadas a essa profissão, existia um numeroso contingente de costureiras. Hoje essa actividade rareia, mas ainda existe.

Ainda me lembro de alguns ferreiros, profissão hoje praticamente extinta, a não ser exibindo-se em “Feira Medieval” ( hoje em maior número que na própria Idade Média!).

Os marceneiros ainda continuam por aí, apesar da concorrências dos IKA’s, conseguindo resolver o aproveitamento daquele espaço lá de casa que não entra nas medidas estandardizadas.

Moleiros também vão rareando, mas estavam muito disseminados pelo concelho e, antigamente, eram a elite dos artesãos, pois exigiam conhecimentos bastante especializados, entrando em decadência com o aparecimento das moagens e, mais recentemente, com as padarias de bairro, com pão a toda a hora. Hoje tornaram-se mera atracção turística.

O ourives foi substituído pelo vendedor de pilhas para relógios, mantendo-se apenas para fabricar bugigangas para turista ou acessórios de luxo para qualquer “isabeldossantos” do novo-riquismo nacional.

Sapateiros ainda existem, são o recurso para quer poupar uns tostões no arranjo daqueles velhos sapatos, mas já não fabricam calçado e rareiam cada vez mais. Antigamente era a actividade artesanal mais numerosa  e disseminada no concelho.

Numa região de vinhos, ainda existem tanoeiros, mas agora, em vez de trabalharem a madeira, trabalham o metal dos depósitos de adegas.

Por aqui, só muito vagamente me lembro do almocreve, muito referido em documentos locais até ao início do século XX, em decadência com a profusão da camionagem a partir dos anos de 1920, mas que continuavam a preencher as rotas rurais onde a camioneta de carga não chegava. Embora as carroças puxadas por mulas, conduzidas pelos almocreves, tivessem desaparecido por completo, tal só aconteceu em meados da década de 1970. Perto da minha casa havia o segeiro, que se dedicava a arranjar as rodas das carroças, num trabalho que encantava a miudagem do bairro. Já sem burro, havia o “Ferrer” que puxava, à força dos braços, os pacotes da estação de comboios ou correios para distribuir pelos comerciantes locais, homem que ainda se via pelas ruas da cidade na década de 1980, já idoso, mas sempre esforçado.

O amolador é figura que, cada vez mais raramente, ainda vai aparecendo pelas ruas de Torres, imortalizado pelo som característico da “gaita de beiço”, de onde sai sempre  a mesma nota repetitiva, mas é um trabalho de gente pobre.

Já não há ardinas. No meu tempo o único ardina era um adulto, o sr. “Fusco”, meu vizinho, pai de um dos meus amigos de infância, sempre vestido com o mesmo fato macaco e o seu boné de pala, e com o seu enorme saco, onde transportava os jornais, vendidos ao longo das ruas da então vila, até arranjar ma pequena loja onde se fixou na velhice, morrendo pobre. Hoje compram-se os jornais nos quiosques, abundantes pela cidade.

O canastreiro aparecia nos mercados e feiras, fabricando os cestos à nossa frente, geralmente de etnia cigana. Os cestos duravam uma vida. Eram muito usados na vindima. Eu cheguei a alombar com alguns, quando trabalhava nas vindimas para arranjar dinheiro para as férias. Os cestos de vime foram substituídos pelos alguidares de plástico.

As criadas de servir, referidas pelo autor, existiram ao longo da história por cá, servindo nas casas de “gente fina”. As classes médias recorriam à “mulheres a dias”, uma das poucas profissões femininas, recurso económico para abreviar a miséria das gentes das aldeias.

Os dactilógrafos extinguiram-se com o computador ou reciclaram-se para outras tarefas administrativas.

O engraxador ainda existia até há bem pouco tempo, percorrendo os cafés da “vila”. Ainda se vêm por Lisboa.

As lavadeiras apenas se viam nas aldeias, já não a lavar no rio Sizandro, mas à volta dos lavadores públicos das aldeias, uma da raras inovações do Estado Novo, inaugurados sempre com pompa e circunstância.

Ainda me lembro do casal de leiteiros, de farda branca, percorrendo as ruas da vila diariamente. Faziam-se transportar numa daquelas pequenas lambretas com caixa atrás. Eram eles que vendiam o leite consumido ao pequeno almoço e, a partir de certa altura, introduziram uma novidade, a venda de queijo fresco, que, quando fora de prazo, ficavam a secar ao sol, para, passados uns dias, serem consumidos como queijo seco. Um petisco, que hoje seria proibido pela ASAE!!

Havia depois o padeiro, espécie de homem invisível, pois quando todos acordávamos, já tinha deixado o pão em sacos de pano pendurados do lado de fora da porta, deixado na noite anterior, com um recado indicando a quantidade e as moedas enroladas no papel para o pagar.

O pica do eléctrico era “espécie” que não existia por cá, mas podíamos encontra uma profissão similar no “pica” bilhetes das “carreiras” de camioneta ou do comboio .

Os oleiros eram vistos em grande quantidade na Feira de S.Pedro, onde se compravam os vasos para as flores que alindavam as varandas das casas da vila.  Ainda hoje o seu trabalho continua a ser apreciado, apesar do plástico também ter substituído muita da sua produção.

O sinaleiro era uma das atracções dos “saloios”, como nós, de visita à “capital”, deixando-nos embasbacados com a sua dança de braços e pernas, conduzindo um trânsito pouco habitual na vila ( a não ser pelo carnaval ou durante a passagem do Rali de Portugal).

O tipógrafo era uma das actividade nobre, existente em Torres Vedras desde o século XIX, muito ligada à edição dos jornais locais ou aos folhetos e cartazes das festas de aldeia. A composição dos textos era feito letra a letra, em caixas de chumbo, que voltavam a ser derretidas depois de imprimidas as páginas. O cheiro a tinta era  muito activo, e a tinta preta ficava nas mãos durante muito tempo. O barulho das máquinas das rotativas assustava. Lembro-me bem dessas máquinas no interior da actual Papelaria Gráfica ou no antigo edifício da União,  lugares que frequentava a acompanhar o meu pai nas suas aventuras jornalísticas. Recordo que sou trineto  do primeiro  tipógrafo de Torres Vedras.

Por último, e seguindo a ordem da publicação no dito livro, excluindo profissões que já não conhecemos por aqui, chegamos ao vendedor de castanhas, uma das referidas actividades tradicionais que sobreviveu à modernização. Todos os anos, pelo inverno, encontramos-los pelas ruas de Lisboa e aqui em Torres Vedras, geralmente na Avenida, continuando na mesma família de décadas, apregoando as “quentes e boas “, profissão que só está em risco porque as alterações climatéricas tornam os Invernos menos frios. De significativo o agradável cheiro da castanha assada que impregna toda a Avenida em tardes de Inverno.

Sem saudosismos, deixamos aqui um convite para que cada um faça um exercício de memória sobre essas actividades, de gente humilde, que faz parte da história de uma geração.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Ephemera : -A História da "Luar" em exposição e livro


Depois da inauguração no Porto, no passado dia 9 de setembro 2016, da “exposição de documentos, comunicados, manuscritos, cartazes, fotografias, objectos pessoais e outros, relativos à LUAR antes do 25 de Abril” com matériais do espólio de Palma Inácio (acima documentada), encontra-se, a partir desta semana, disponível para venda publica o livro de Fernando Pereira Marques,  editado pela Tinta-da-china , integrado na colecção Ephemera-Biblioteca e Arquivo de José Pacheco Pereira, intitulado “Uma Nova Concepção de Luta”, onde se reproduzem e comentam muitos dos documentos presentes naquela exposição.
 
Uma análise mais detalhada sobre o conteúdo desse livro pode ser lido AQUI, na edição de hoje do jornal Público.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Paulo Cunha e Silva - O Porto, a cultura e o país morrem também um pouco..

(foto do jornal Público)

Desculpem revelar aqui a minha ignorância, mas, até ontem, nem sabia da existência de Paulo Cunha e Silva.

Mas depois percebi que não era por acaso,  e que, afinal,  até o "conhecia" muito bem através daquilo de eu admirava na dinâmica criativa e cultural do Porto.

Não o "desconhecia" por acaso porque Cunha e Silva não era homem de se por em bicos dos pés, mas era o homem que trabalhava com amor e quase no anonimato para colocar o Porto na vanguarda da cultura e das artes em Portugal e, porque não dizê-lo, da Europa e do Mundo.

Paulo Cunha e Silva, pela forma discreta como agigantava as suas iniciativas é o símbolo dos muitos "Cunha e Silva" que, um pouco por esse país fora, longe dos holofotes, todos os dias tiram do anonimatos cidades, vila e aldeias onde se constroem projectos culturais, sociais, económicos, científicos, artístico e urbanísticos que ainda nos fazem acreditar na potencialidades deste país,

Embora acompanhando o que por lá se faz, há muitos anos que não passo pelo Porto, mas prometo, como forma de o homenagear,  revisitar em breve  essa cidade para reencontrar, com atenção redobrada, os sinais da passagem de Paulo Cumha e Silva por cá...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Fantasporto - Está a decorrer a edição de 2015


Teve ontem início mais uma edição do "Fantas".

A programação deste ano pode ser consultada AQUI.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Os The National regressam amanhã a Portugal , no Primavera Sound do Porto

Os The National vão estar amanhã no Porto.

A banda de Brooklin, formada em 1999 por cinco amigos de Ohio, já actuou algumas vezes em Portugal, como em Maios de 2001 (podem ver AQUI algumas das fotos desse concerto) e são uma das bandas mais inovadoras do últimos tempo. 

Liderados por Matt Berninger os The National não negam  influências que vão  desde Bruce Springsteen aos Tindersticks.

Além de apresentarmos alguns dos seu temas nos posts em baixo, apresentamos aqui o trailler de um documentário sobre a banda, realizado pelo irmão mais novo do vocalista da banda, Tom Berninger.

Também o Blitz, a propósito do regresso da banda, publicou on-line uma entrevista como o líder da banda que pode ser lida AQUI.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Uma Homenagem a Manuel de Oliveira no dia do seu 105º aniversário: O Pintor e a Cidade (Manoel de Oliveira, 1956)


O filme “O Pintor e a Cidade” é um dos mais belos documentários sobre o Porto, um dos primeiros  filmes de Manuel de Oliveira e, também, um dos primeiros filmes a cores em Portugal.
Do Youtube retirámos os seguintes dados sobre o filme:

“Estreado em 1956 no São Luíz e no Alvalade, em Lisboa. Teve o aplauso unânime da crítica. Aplauso que se repetiu em Paris e em Veneza e que lhe valeu, em 1957, o primeiro prémio internacional da sua carreira, a Harpa de Ouro do Festival de Cork, na Irlanda. Recebeu, também, o Prémio SNI para a Melhor Fotografia.

"Em 1955 fui à Alemanha. Havia já um curso sobre a côr, que me começou a interessar muitíssimo. Fiz um curso na Agfa, curso intensivo sobre a côr durante um mês. Depois fui a Munique ver as máquinas, e embrenhei-me outra vez. Arranjei uma máquina e comecei pelo Pintor e a Cidade que foi o meu primeiro filme a côr e um dos primeiros filmes portugueses a côr.

“Fiz O Pintor contra O Douro. Enquanto O Douro é um filme de montagem, O Pintor é um filme de êxtases.

“Eu descobri no Pintor e a Cidade que o tempo é um elemento muito importante. A imagem rápida tem um efeito, mas a imagem quando persiste ganha outra forma.

“O Pintor e a Cidade é uma obra fundamental na minha carreira, na mudança da minha reflexão sobre o cinema.

“É a primeira vez que eu volto as costas a um cinema de montagem".

Manoel de Oliveira, in entrevista com João Bénard da Costa, 1989


"Produção independente que, por um lado, retoma o espírito pioneiro e vanguardista do Douro, é, em termos narrativos e estilísticos, uma ruptura total com o que ficou para trás.(...) Mais precisamente, o que se trata aqui é de parar e reflectir sobre o cinema e os seus materiais, de decompor imagens (imagens da cidade e imagens de um outro olhar sobre essa cidade), separá-las entre si e dos sons respectivos, e repensar de origem para que serve isso de juntá-los de novo, com que sentido, com que objectivo.(...) ligando isto ao tema - o que se trata é de reflectir transparentemente uma das ideias essenciais de todo o cinema de Oliveira: a ideia de desdobramento, o sucessivo desdobramento de olhares que o acto de filmar (e de ver um filme) representa.

“...Aqui, o emprego do som é revelador, na medida em que é o som que conta essas relações, a história dessas relações. (No O Pintor e a Cidade o som é como que a "ficção").(...) É o som que "puxa" essa entrada sucessiva da sua imagem para o real fílmico. É o som que a liga, que a faz cumprir uma função.

“...A arte como veículo intermediário, não como ponte "entre o autor e o mundo", mas como lugar de concentração/irradiação de olhares e intenções, como espelho que reflecte em todas as direcções, eis o que nos parece a essência de O Pintor e a Cidade".
José Manuel Costa, in Folhas da Cinemateca Portuguesa, 1988"

in amordeperdicao.pt

Título original: O Pintor e a Cidade
Origem: Portugal
Duração: 27 min.
Local de Estreia: São Luís (Lisboa) - 27 de Novembro 1956
Realização: Manoel de Oliveira
Argumento: Manoel de Oliveira
Dir. Fotografia: Manoel de Oliveira
Montagem: Manoel de Oliveira
Dir. Som:Alfredo Pimentel
Sonoplastia: Heliodoro Pires
Música: Luís Rodrigues, Rebelo Bonito, Ino Sanvini
Canções: Orfeão do Porto; Madrigalistas
Produtor: Manoel de Oliveira
Lab. Imagem: Tóbis Portuguesa
Distribuição: Doperfilme

negativo: 35 mm

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

E Por falar em Vampiros...começa hoje mais uma edição do Fantasporto

 Tem hoje início uma nova edição do Fantasporto...pelo menos os Vampiros que por aí váo aparecer têm mais piada e interesse, e fazem-nos menos mal, do que os Vampiros da troika que aterram hoje em Lisboa....

No site em baixo podem consultar a programação desse excelente festivalde cinema:

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Retratos da pobreza, Porto


Está patente no Gaiashoping, em Vila Nova de Gaia, uma exposição de fotografias de Paulo Pimenta intiulada Retratos de Pobreza. uma viagem pelos lugares e vidas de pobreza na cidade do Porto.
Através do jornal Público podem efectuar uma visita virtual a essa exposição: Retratos da pobreza, Porto (clicar para uma vista virtual).

domingo, 3 de abril de 2011

PARABÉNS AO PORTO

(Fonte: Diário de Notícias)

Sou do Benfica, mas não sou fanático. E este ano o Porto mereceu ganhar.
Quem não mereceu o jogo do dia foram uns arruaceiros benfiquistas que tentaram estragar a festa. É por estas e por outras que não ponho os pés num estádio de futebol, muito menos com a família.
Gosto muito da cidade do Porto, da sua cultura, do seu património, das suas gentes, da "francesinha", da Ribeira, do Majestic, da Lello e do Bulhão... Por isso vai daqui um abração aos amigos portistas, com a promessa de desforra na Taça da Liga... e para o ano há mais....

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O Porto merece...


(Porto, 1944)

A cidade do Porto está, desde há largos anos, enraizada na História do Cinema Português, cidade impar como geradora de dinâmicas e criatividades várias no universo da 9ª Arte.
Foi nessa cidade, é bom recordá-lo, que nasceu o cinema português, pela mão de Aurélio Paz dos Reis(1862-1931), que nela obteve as primeiras imagens da sua autoria, a saída dos operários da Fábrica Confiança, e nela projectou pela primeira vez as suas curtas metragens no Teatro Príncipe Real, actual Teatro Sá da Bandeira, no dia 12 de Novembro de 1896.


(Aurélio Paz dos Reis,o "pai" do cinema Português)


No ano em que falecia Paz dos Reis, em 1931, estreava-se a primeira obra de Manoel de Oliveira, “Douro, Faina Fluvial”, uma referência na história do cinema documental, sendo o próprio Oliveira o mais consagrado cineasta português, o mais antigo em actividade a nível mundial.


Manoel de Oliveira


As iniciativas ligadas ao cinema têm sido uma constante na vida cultural do Porto, desde a existência, ao longo do século XX de um dinâmico movimento cineclubista, até à realização de festivais de cinema com a projecção mundial do Fantasporto, este fundado, como “mostra”, em 1981.
Ainda no que respeita ao Movimento Cineclubista, recorde-se que  nasceu no Porto o primeiro Cineclube Português, a “Associação dos Amigos do Cinema”, que funcionou entre 1926 e 1927. Seguir-se-iam outras iniciativas do género, como a fundação do Clube Português de Cinematografia em 1945, que deu origem ao histórico Cine-Clube do Porto, o Cine-Clube Universitério do Porto, em 1955, o Clube Universitário de Cinema em 1959, ou, mais recentemente, nos anos 80, o Cine-Clube do Norte, entre outras iniciativas do género.
No seio desse movimento destacaram-se vários e inovadores estudiosos do fenómeno cinematográfico, como Henrique Alves Costa (1910-1988), tornando-se o Porto o centro de uma região, o Norte do país, onde o movimento cineclubista e o interesse pelo cinema encontrou sempre um grande entusiasmo.


(O primeiro filme português foi feito no Porto - Saída dos operários da Fábrica Confiança- 1896)


Por tudo isso, a cidade do Porto é mais do que merecedora da criação de um pólo da Cinemateca Nacional, como ontem foi anunciado pela Ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, que acrescentou desejar que esse pólo se tornasse a sede do valioso acervo de Manoel de Oliveira, actualmente ao cuidado da Casa do Cinema Manoel de Oliveira.
Haja vontade política e o necessário apoio financeiro, e o Porto pode tornar-se o grande centro do Cinema Português.

(cena do Filme de Manoel de Oliveira "Douro, faina fluvial" - 1931)

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Vinhas do Douro


A reportagem foi publicada em Junho (dia 10) no semanário alemão Der Spiegel, mas só agora demos por ela.

Trata-se de um trabalho da jornalista Helene Zuber sobre as vinhas do Douro, com especial destaque para a Quinta de Nápoles, dirigida por Dirk van der Niepoort, um alemão de 45 anos.
O que nos chamou a tenção dessa reportagem foram as belas fotografias que a acompanahvam, das encostas do Douro, bem como dos trabalhos de vindima e da própria cidade do Porto, as quais não resistimos a reproduzi-las aqui.

A sua autoria não vem indicada, pelo que, presumimos, são da responsabilidade da mesma jornalista.











terça-feira, 9 de junho de 2009

Gravuras Antigas da "Illustração Portugueza" - 9 - Hospital de Santo António do Porto

Na sua edição de 20 de Outubro de 1884, publicava “A Illustração Portugueza” uma gravura do “Hospital Real de Santo António” do Porto.
Este Hospital começou a ser construído em 1769, “no sitio da Cordoaria”, que foi, em parte, financiado pela herança deixada, com esse objectivo,”pelo ecclesiastico lisbonense” D Lopo de Almeida.
Veio este Hospital substituir o primitivo hospital da Misericórdia, o antigo Hospital de D.Lopo, conhecido por “Albergaria de Roque Amador” que se achava “em parte da rua das Flores”.
O projecto da sua construção foi da autoria do arquitecto inglês John Carr, um dos mais importantes do neoclássico inglês ( o chamado “palladino”).
O seu projecto inicial, com planta quadrada com 4 fachadas, acabou por ser alterado, por falta de dinheiro da Misericórdia, ficando com forma de “U”.
Este edifício é o maior de estilo “palladino” construído fora da Grã-Bretanha.
O articulista d’”A Illustração...” realçava “o aceio e caridade com que se tratam os doentes n’este hospital” e destacava a sua “excellente lavandaria a vapor”.
Em 1993 foi-lhe acrescentada um ala nova e hoje, este hospital é um dos mais modernos e bem equipados de Portugal.