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terça-feira, 21 de novembro de 2023

3 cartoon´s para responder ao meu "amigo" anónimo OPJJ

Tenho sido invadido por comentários, entre o descontextualizado e o ofensivo, entre a leitura enviesada  e o preconceito ideologico sobre aquilo que escrevo, de um tal OPJJ, que, sob essa designação, se esconde no anonimato.

O anonimato é uma das maiores cobardias do nosso tempo.

Já tentei vários meios para obrigar esse anónimo a revelar-se e a dialogar de forma civilizada, tudo sem sucesso.

Penso que a melhor resposta a esse tipo de gente é o humor. 

Como remate final, aqui deixo um conjunto de cartoon´s para responder ao meu "simpático" "atirador", falho de pontaria na maior parte dos casos.



terça-feira, 14 de novembro de 2023

Demita-se!


No passado Sábado o insuspeito António Barreto escrevia nas páginas do jornal Público:

“(…) Circulam nos jornais, nas televisões e nas redes sociais centenas de transcrições de interrogatórios, de declarações, de despachos confidenciais e de escutas telefónicas. A procuradora-geral da República utiliza formas sibilinas e estranhas à clareza do direito e do respeito pela dignidade das pessoas, com o que desencadeia uma crise política sem precedentes. Se não tiver razão, deve ser banida e afastada [sublinhado nosso].Se tiver razão, tem de mudar de estilo, dado que o actual não é próprio da democracia e da justiça”.

No Domingo a ex-directora do Deparetamento Central de Investigação a Acção Penal, Cândida Almeida criticava igualmente a actuação do Ministério Público liderado pela PGR : "rompendo com todas as normas deontológicas, algu´m informou  a imprensa da existência  do inquérito, não obstante sem suspeitas ou arguidos constituídos", acrescentando que a "justiça da praça pública serve interesses ocultos e entusiasma os pretensiosos e os ignorantes" (Público de 14 de Novembro).

Mais depressa do que se previa, descobriu-se que, o António Costa do comunicado da procuradoria, que a foi a causa da demissão de um governo de maioria absoluta, eleito há pouco mais de um ano, não era o primeiro-ministro.

Entretanto os tribunais não conseguiram provar as acusações mais graves contra os arguidos.

Não ponho as mãos no lume pela maioria desses arguidos, mas quem saiu mal disto tudo foi a justiça e o Ministério Público e, principalmente, a referida Procuradora Geral da República.

Mais uma vez as fugas selectivas de informação para a comunicação social, desta vez, para além de descontextualizadas, mal transcritas, destroem processos de combate à corrupção, lançando no lamaçal presumíveis inocentes ou complicando e arrastando processos de combate à corrupção, que acabam na prescrição ou esquecimento, beneficiando os verdaeiros culpados .

Já agora, investigue-se a origem das fugas ilegais de informação que partem do interior so Ministério Público, esse, sim, um grabe crime de "lesa democracia" e que corroe a confiança na própria justiça.

A responsável máxima por tanta incompetência, que está a ferir de morte a democracia e o Estado de Direito, é a Procuradora Geral da República.

Se lhe restar algum pingo de dignidade e responsabilidade deve seguir a recomendação de António Barreto: Demita-se!

terça-feira, 12 de outubro de 2021

Qual a utilidade, em democracia, das Ordens Profissionais?

 


Anda por aí uma grande polémica sobre uma projecto governamental que, grosso modo, pretende colocar limites à autonomia das ordens profissionais.

O decreto é do PS, mas já se sabe que o PSD se vai abster na sua votação e que a Iniciativa Liberal vai ainda mais longe, ao propor a extinção de 11 das 20 ordens existentes (ler em baixo).

Vê-se assim que esta questão não é uma questão de “esquerda ou “direita”.

Aliás, esta tentativa de retirar o poder, não democrático, detido pelas corporações profissionais, fazia parte do programa inicial da Troika, mas os executantes desse programa, desejando "ir além da Troika", preferiram fazer as "reformas" poupando os poderosos e falando de alto aos "fracos", não se atrevendo a mexer nesse assunto. 

De facto, quanto a mim, as ordens profissionais não passam de reminiscências medievais, recuperadas pelo fascismo, um movimento corporativista, e copiado para Portugal pela ditadura Militar e pelo Estado Novo, que não tem lugar numa democracia estável, ou, quanto muito, não faz mais sentido que uma Maçonaria ou uma Opus Dei.

De facto, a primeira ordem profissional, a dos advogados, foi criada em 12 de Junho de 1926, uma das primeiras medidas acordadas pelo novo regime político, iniciado pela Ditadura Militar, instaurado poucos dias antes daquela data, em 28 de Maio de 1926.

O papel das ordens profissionais na construção do Estado Novo, criado em 1933 a partir dessa ditadura, tornou-se evidente quando iniciou funções, em 1935, um dos pilares do regime ditatorial, a  Câmara Corporativa, seguindo o modelo do fascismo italiano, na qual tinham lugar os representantes da ordens profissionais.

Com o estabelecimento do regime democrático em Portugal, a partir de 1974, não houve coragem para acabar com essa excrescência corporativista num regime democrático.

Talvez o facto de algumas dessas ordens, em determinados momentos da sua história, terem tomado posição contra o regime e na defesa dos presos políticos, como aconteceu com a poderosa Ordem dos Advogados, tenha levado o novo regime a “fechar os olhos” a essa realidade, limitando-se a regulamentar as suas funções.

Diga-se, em abono da verdade, que muitas das ordens se souberam adaptar ao novo regime democrático e desempenham, hoje, um verdadeiro serviço público, como acontece, por exemplo, com a ordem dos Psicólogos, ou junto dos seus profissionais.

Contudo, nos últimos tempos, temos visto três das mais poderosas corporações profissionais, a do Advogados, a dos Médico e a dos Enfermeiros (aos quais se parece juntar agora a dos Arquitectos), abandonarem as suas funções meramente profissionais para se substituírem às funções de sindicatos, de associações patronais e de partidos políticos, e virem a terreiro fazer campanha politico-ideológica, trasvestindo-se muitos dos seus líderes em comentadores políticos, ao mesmo tempo que usam todos os meios para controlar e travar o acesso à profissão por parte dos mais novos e protegem associados com actividades muitas vezes eticamente duvidosa, alguns a enfrentar problemas com a justiça.

Como cidadão, não me esqueço de uma Ordem dos Médico que, ao mesmo tempo que se queixa da falta de médicos , (sem que a tenha visto preocupada com isso quando a Troika e o “ir além da Troika” obrigaram muitos profissionais de saúde a emigrar), critique a abertura de novas escolas médicas e de mais vagas, como se houvesse grande diferença de vocação entre um aluno que entra na faculdade com 17, 18 (ou mesmo 16) valores e outro com 19 ou 20.

Mais do que os valores com que se entra numa universidade, o importante é a qualidade de ensino ministrado nessa universidade.

Também não me esqueço de uma conversa a que assisti numa rádio pública, no inicio da pandemia, quando vários enfermeiros brasileiros que estavam em Portugal se ofereceram para ajudar, e a presidente da Ordem dos Enfermeiros veio opor-se, de forma violenta, ao reconhecimento desses profissionais, mesmo que a título provisório, como se um enfermeiro brasileiro não estivesse habilitado a enfrentar situações muito mais complicada no país de origem do que aquelas que existem em Portugal. Aliás, essa líder da Ordem, militante do PSD e admiradora do líder do Chega, tem vindo a tornar essa ordem num verdadeiro sindicato, desvirtuando aquilo que devia ser uma Ordem Profissional.

Também seria interessante perguntar ao sr. Provedor da Ordem dos Advogados o que tem feito para combater o papel de escritórios de advogados na organização de fugas de impostos para off-shores e em muitas outras negociatas, senão ilegais, pelo menos eticamente reprováveis, levadas a cabo por associados seus, alguns até já tendo exercido importantes funções nessa Ordem.

Por mim, devem ser as Universidades, nalguns casos as escolas profissionais e os politécnicos, a qualificar os profissionais,  a lei a julgar do cumprimento das regras inerentes a cada profissão e o Estado, através de órgãos de controle democrático, a fiscalizar essa qualidade e esse cumprimento.

Não vejo, pelo menos tendo em conta a acção pública dos provedores das ordens acima referidas, qual a utilidade da existência, ou da manutenção do poder social, das referidas ordens, num regime democrático.

“Iniciativa Liberal propõe extinção de 11 ordens profissionais

Por Leonardo Ralha

In O Jornal Económico de 11 de Outubro de 2021

“Um projeto de lei da Iniciativa Liberal propõe a extinção de 11 ordens profissionais, o que seria mais de metade dos 20 atualmente existentes, sendo esse número algo que o partido considera ser “algo inédito e incomparável em países desenvolvidos da União Europeia”. Entre as entidades que desapareceriam caso essa iniciativa legislativa fosse aprovada incluem-se a Ordem dos Economistas, a Ordem dos Contabilistas Certificados, a Ordem dos Despachantes Oficiais e a Ordem dos Revisores Oficiais de Contas.

“Segundo a Iniciativa Liberal, existe uma diferença entre as ordens existentes “nos casos em que a natureza da profissão exige uma prática continuada séria e certificada, relacionada diretamente com os direitos fundamentais dos cidadãos”, e aquelas que o partido considera terem sido constituídas “sem lógica nem critério, a não ser por motivos eleitoralistas de alguns partidos presentes na Assembleia da República”.

“No primeiro grupo encontram-se algumas das principais ordens profissionais portuguesas, como a Ordem dos Advogados e a Ordem dos Médicos. No entanto, mesmo nesses casos o partido advoga mais limites. “Muitas ordens profissionais cuja existência é justificada têm abandonado o seu papel-base e têm-se transformado em corporações de defesa dos interesses instalados nestas profissões, para prejuízo dos novos profissionais e, sobretudo, dos consumidores”, defende a Iniciativa Liberal, que por isso mesmo propõe a revogação da norma que estipula que a cada profissão regulada corresponda apenas uma única associação pública profissional.

“Também é proposta no projeto de lei da Iniciativa Liberal a abolição de regras profissionais que resultem num “obstáculo desproporcional e desnecessário” à livre prestação de serviços, à liberdade de escolha de profissão e à iniciativa privada. Até porque foi permitido na transposição da diretiva comunitária para a legislação portuguesa que os estatutos das ordens profissionais pudessem estabelecer entraves às sociedasdes multidisciplinares. Algo que o partido considera configurar “uma desvantagem competitiva dos profissionais portugueses face aos seus homólogos europeus”.

“A lista total das ordens profissionais que os liberais pretendem ver desaparecer inclui as dos Biólogos, Contabilistas Certificados, Despachantes Oficiais , Economistas, Médicos Veterinários, Notários, Nutricionistas, Revisores Oficiais de Contas, Solicitadores e Agentes de Execução, Fisioterapeutas e Assistentes Sociais”.

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Folhetim Novo Banco – novos episódios da pirataria do poder financeiro europeu.


BPN, BPP, BES, BANIF…e outros!

Lembram-se dessas “siglas”? E de alguns dos rostos a elas associados, alguns impunemente a passearem-na nas televisões no comentário político?

Provavelmente todos (menos os envolvidos, os accionistas e o “donos disto tudo”) lembram-se dessas siglas e dessa gente, de cada vez que consultam o saldo do rendimento, os impostos a pagar, o trabalho precário ou o valor da pensão atribuída.

Talvez também fosse bom que se lembrassem de outros “nomes” : Sócrates, Passos Coelho, Cavaco Silva, Durão Barroso, ou “troika”, BCE, Eurogrupo, Comissão Europeia e Conselho Europeu….

Toda essa gente "atou" o Estado Português e os portugueses, através dos impostos, dos salários baixos, do trabalho precário ou do desemprego, à chamada “resolução”, com a obrigação de descarregar por muitos anos aos mil milhões de cada vez para salvar a banca…

Por isso não percebo a indignação de muita gente neste momento com o cumprimento daquela “pena”, imposta por instituições europeias, as mesmas que, exigindo o cumprimento desses compromissos, acham que não têm de cumprir os mesmos compromissos com os seus cidadãos, quando se trata de reformas, pensões salários e direitos sociais.

Quanto muito, talvez se possa acusar Centeno e Costa de falta de coragem para para romper esse compromisso com as instituições financeiras europeias. Mas, se o fizessem, Portugal ficaria novamente em maus lençóis, sujeito à chantagem dessas instituções.

Uma decisão dessas devia ser tomada pelas instituições europeias, se estas não estivessem comprometidas com o corrupto sector financeiro que paga os "ordenados" dos seus burocratas..

Pela minha parte, se queriam uma prova dos dois pesos e duas medidas usadas pelas instituições europeias ou da retórica demagógica no dito “apoio” aos cidadãos que enfrentam as consequências do COVID-19, este caso dos 800 milhões a que o Estado português está obrigado a pagar para um banco falido, fruto de trafulhices passadas no sector bancário, com a conivência da gente e das instituições citadas em cima, é a prova da má fé dessa gente, como estão a perceber italianos, franceses, espanhóis e portugueses.

Questionam a falta de comunicação entre ministro das finanças e primeiro-ministro, mas a maioria dos comentadores acha “normal” que se mantenha a obrigação daquele pornográfico pagamento num momento destes, quando, por toda a Europa, há falta de tudo para auxiliar os cidadãos.

Se tinham ilusões sobre uma mudança na atitude do poder político europeu, que combatesse a especulação financeira e apoiasse os cidadãos, elas ficaram desfeitas mais uma vez.

Se o Estado português não pagasse aquele valor, caiam-lhe em cima as instituições financeiras e as instituições europeias.

Já em relação à ajuda aos cidadãos, aquelas instituições apenas desejam saber qual o valor dos juros e dos lucros que podem obter.

Esperam-se novas cenas do assalto do poder financeiro aos cidadãos europeus!

terça-feira, 9 de julho de 2019

Vivam todos os anónimos “João Félix” deste país!



Nos últimos dias, quase sempre que abro a televisão par ver as notícias tenho de gramar com minutos infindáveis a ouvir falar da transferência do jovem jogador de futebol João Félix para o Atlético de Madrid.

Não nego as qualidades de tão jovem jogador, também ele vitima da orgia mediática à volta da sua personalidade.

Mas, que raio, não existem notícias mais importantes para debater, abrir telejornais, ocupar páginas de jornais ou o valioso espaço da comunicação social, do que uma transferência milionária?

Em que é que um jovem jogador de futebol de topo é mais importante do que um jovem desportista que ganha medalhas noutras modalidades em torneios internacionais?

E em que é que um jovem jogador de futebol é mais importante do que muitos jovens artistas, cientistas, investigadores, profissionais ou empresários que se destacam por cá e por esse mundo fora, na inovação, criatividade e originalidade, nessas várias áreas da actividade e no conhecimento humano?

A não ser que seja pelos valores envolvidos, valores aos quais nenhum outro jovem que se destaque em qualquer das actividades acima referidas sonha algum dia almejar.

A culpa não é de João Félix, um jovem jogador de futebol realmente talentoso.

A culpa do destaque dado quase exclusivamente a uma actividade e a um desporto como o futebol, é de uma comunicação social medíocre, rendida ao fascínio pelo dinheiro envolvido nesse desporto e preguiçosa a investigar ou divulgar novas realidades.

Se houvesse verdadeiro jornalismo, aquilo que  a comunicação social devia estar a fazer há muito tempo era investigar a origem do dinheiro envolvido em transferências milionárias.

Se houvesse verdadeiro jornalismo, aquilo que essa mesma comunicação social estava a fazer era explicar-nos porque é que que um jovem e talentoso jogador de futebol ganha num ano aquilo que nem um prémio Nobel vai ganhar numa vida.

É caso para dizer, que vivam os “João Félix” anónimos deste país que, todos os dias, trazem bons resultados desportivos, noutras modalidades que não o futebol profissional,  produzem riqueza e inovação, criam arte, fazem descobertas científicas fundamentais para a melhoria da vida de todos nós, trabalhando em condições precárias e, muitas vezes, com salários miseráveis, muitas vezes , até, gratuitamente.

Estes, como dizia Brecht, são os imprescindíveis, mesmo se continuam anónimos.


segunda-feira, 9 de abril de 2018

Basta gritar “corrupto” para ser corrupto?



As redes sociais proliferam de acusações de Corrupção e de debates sobre quem é mais ou menos corrupto, com frases pequenas, cheias de insinuações e insultos, esquecendo-se de um pormenor: a presunção de inocência.

Mas para os demagogos que proliferam nas redes sociais pouco interessa a verdade ou a mentira e muito menos a discussão serena.

Uma comunicação social sensacionalista, misturada com uma classe politica despida de valores éticos e uma ignorância generalizada são o terreno fértil para a proliferação de demagogos e populistas.

Claro que foi uma geração de políticos, formados nas “jotas” e na manipulação de fundos europeus, oportunistas de carreira, exibindo a vaidade para disfarçar o vazio de ideias e sempre prontos a fazer favores a qualquer negociante engravatado a nadar em dinheiro, que deu o mote aos demagogos que dominam as redes sociais.

Claro que a corrupção é um grave problema nas democracias actuais. É mesmo um perigo, a prazo, para a própria sobrevivência da democracia.

Claro que não existe uma “corrupção de direita” e uma “corrupção de esquerda”, nem a corrupção do meu “amigo” é melhor que a do meu “inimigo”.

Os “gritadores” das redes socias, “impolutos”, sempre prontos a apontar  a “corrupção do vizinho” e a desculpar a “corrupção lá de casa” dividem-se em  grupos:

-aqueles que confundem campanhas de desinformação com verdade dos factos. Antes de alguém ser julgado, encontra escarrapachado todo o processo nas primeiras páginas dos jornais sensacionalistas. Apesar de dar uma má imagem da justiça portuguesa e dos jornalismo que assim actua, tudo vale para vender jornais e para um qualquer juiz ganhar protagonismo mediático. Mesmo que se venha a ser provada a inocência, o visado acaba ali a sua vida pessoal;

-aqueles que nivelam igualitariamente o presidente  da junta que faz um favor a um amigo, o vereador que passa por cima da burocracia  para acelerar uma obra necessária, um ministro que desvia fundos públicos ou toma decisões para favorecer uma empresa para onde vai trabalhar quando abandona a politica, até ao burocrata de Bruxelas que toma decisões que prejudicam os cidadãos para salvar bancos corruptos. Tudo isto é condenável, mas nem tudo pode ser colocado ao mesmo nível;

- aqueles que confundem “corrupção” com o que é eticamente condenável. Uma situação pode ser eticamente condenável, mas pode ser legal. Toda a austeridade que sofremos para salvar bancos e banqueiros “corruptos” era eticamente reprovável…mas era legal. O problema aqui reside muitas vezes na ambiguidade da lei, que protege o grande corrupto, que tem dinheiro para arrastar processos até à sua prescrição e para pagar a bons advogados que o “safem”, enquanto o “pequeno” corrupto acaba desfeito nas malhas da lei;

-aqueles que acham que a culpa é da democracia e que “antigamente” (leia-se, por cá, no tempo de Salazar) é que era bom. Esquecem-se que muito daquilo que é condenável em democracia, não o era em ditadura. Salazar construi o seu domínio alimentando uma oligarquia financeira e económica por meios que, à luz das leis actuais, seriam crime de corrupção, desculpando ou silenciando a corrupção dos seus apaniguados e impondo-se aos tribunais que, em qualquer ditadura, seja qual for a sua cor politica, não são independentes da decisão dos ditadores.
E se, mesmo assim, o “caso” se tornasse público, lá estavam a Censura e a PIDE prontas a actuar para silenciar o “escândalo”. Na ditadura, ao contrário da democracia, “não existe” corrupção, nem pobreza, nem crime, porque tudo isso era proibido de divulgar, principalmente se, em causa, estivessem partidários da ditadura, na Salazarista ou noutra qualquer. A diferença é que, apesar de tudo, em democracia os tribunais, apesar de todas as pressões, ainda são independentes e não existe censura e tudo, mesmo o que pode ser mentira ou não provado, acaba no conhecimento público.
Mesmo aqueles que defendem que o ditador nunca foi rico, esquecem-se de que este, para além de proteger os corruptos do regime, não se tinha de preocupar com o dinheiro para pagar as suas contas, alguém pagava por ele. Aliás o ditador preocupava-se mais com a manutenção do poder do que com o dinheiro. E que maior acto de corrupção existe do que aquele que o manteve no poder, sem controle democrático, construindo leis e uma Constituição para o perpetuar no poder e ao seu regime, e que submeteu o país à miséria mais abjecta, um país que apresentava níveis de saúde e educação do terceiro-mundo e obrigou o país a uma guerra sem fim e desgastante, situações que ainda hoje todos estamos a pagar?

No Portugal democrático a corrupção não tem cor politica, embora atinja mais as formações politicas que estão próximas do poder, o chamado centrão.

A grande corrupção politica no Portugal democrático começou com o cavaquismo e a forma como foram geridos os fundos europeus que então chegaram em “barda” a Portugal. Não por acaso, quase todos os ministros desse tempo acabaram envolvidos nos grandes processos de corrupção (o BPN foi apenas a ponta do iceberg), embora se tenham “safo” quase todos graças à demora dos tribunais e à influência que exerceram sobre o poder judicial.

A grande corrupção politica agravou-se no tempo de Sócrates, estando ainda a decorrer processos sobre a actuação desse politico.
A mim não me surpreendeu a situação judicial de Sócrates. Não tenho grandes dúvidas sobre a sua falta de ética e sobre os crimes de que é acusado. O que me surpreende é como, usando os mesmos critérios para criminalizar esse antigo primeiro-ministro, não existem outros políticos do centrão  a contas com a justiça. Neste caso parece que estamos perante um caso de justiça selectiva. Outros aspecto estranho neste caso é a demora em levar esse politico à barra do tribunal, pois aquilo que veio a público já tinha dado vários processos. Aqui parece-me que o interesse não é fazer justiça mas usar um processo para fazer politica partidária. E não me venham falar na independência da procuradora, Joana Vidal. Desde que a vi “desfilar”, em pleno passos-coelhismo, numa Universidade (?) de Verão da JSD, que ficou tudo dito sobre a sua independência!!!

O governo de Passos Coelho não melhorou a situação. Além do constante espezinhar ilegal da Constituição para agradar aos “mercados” do corrupto poder financeiro, também têm vindo a público vários processos que o envolvem ou a ministros seus, mas que têm sido silenciados ou acabando prescritos, como o caso dos “submarinos” (este vindo do tempo de Durão Barroso), o caso dos vistos Gold, o “apagão” das finanças ou os esquecidos casos dos “Panama Papers” e da  Tecnoforma!!!!

Mas, muitas vezes, os grandes corruptos nem são os rostos mais conhecidos. Estes mantem-se muitas vezes no anonimato, manipulando a politica, as finanças e a economia. Basta consultar as listas de grandes devedores ao fisco ou dos que recorrem aos paraísos fiscais, onde proliferam os ilustres desconhecidos, alguns deles, acredito, testas-de-ferro de gente mais conhecida.

A corrupção existe, é o grande cancro da democracia, mas não se resolve com gritaria histérica, com sectarismo ou, ainda menos, com uma ditadura.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Respigo da Semana: "As vítimas dos incêndios e da televisão" por António Guerreiro




"As vítimas dos incêndios e da televisão
Por António Guerreiro

In Público 19 de Junho de 2017

 
“Para as televisões, para a maquinaria dos directos e ao vivo, uma catástrofe como esta é um momento do sublime.

Nas televisões, o incêndio de Pedrógão Grande resultou num avatar técnico-totalitário da “obra de arte total”, na qual se dá uma confrontação dialéctica das várias artes. Com as imagens captadas pelos drones, a SIC compôs um filme com uma banda sonora que não era a Cavalgada das Valquírias, o excerto de uma ópera de Wagner a que Francis Ford Coppola deu uma grandiosa forma cinematográfica em Apocalypse Now, mas tinha a pretensão da “grande arte” wagneriana.

“Diz-se que os pilotos operadores dos drones, combatentes de uma guerra à distância, antes de disparar gritam de júbilo: “Oh, que belo alvo!” A nauseabunda estetização da catástrofe servida ao espectador — o “belo” cenário trágico resultante das montagens e encenações feitas nos estúdios das televisões — também mostra que alguém, certamente uma equipa, rejubilou com os seus belos alvos que lhes fornecem matéria para uma grande produção a baixo preço, para um filme-catástrofe que não precisa de efeitos especiais, só precisa de uma montagem bem ornamentada e música a condizer. Tudo devidamente sublinhado por textos, legendas e designações (por exemplo, “a estrada da morte”) que remetem para as grandes ficções de Hollywood. Às vezes, sobre essas imagens sobrepõe-se uma voz-off que lê um texto a imitar qualquer coisa de literário, a sublinhar a operação que reduz a tragédia real a uma opereta obscena. A estetização é uma violência exercida sobre as vítimas da catástrofe e, paradoxalmente, tem o efeito de uma anestesia aplicada ao espectador.

Para as televisões, para a maquinaria dos directos e ao vivo, uma catástrofe como esta é um momento do sublime. Se a emergência dessa categoria estética que é o sublime está relacionada com os sentimentos de medo e de terror perante algo que excede toda a medida, é preciso no entanto que a ameaça que eles representam seja suspensa para que da dor nasça o prazer. As reportagens da televisão, muito especialmente as imagens estetizadas que passam a servir de separadores ou de fechos do noticiário, procedem a esta conversão da dor em prazer. São maléficas e eticamente execráveis. Devemos perguntar como é que os jornalistas dos vários canais de televisão se relacionam com elas.

“O sublime, como sabemos, tem a dimensão do irrepresentável, deixa a faculdade da imaginação e a fala aniquiladas perante algo que tem uma potência ou um tamanho desmesurados. Por isso, é sempre ocasião para o uso de meios retóricos curtos, mas enfáticos. Para não ficarem em silêncio, para não dizerem pura e simplesmente que não têm nada a dizer ou que tudo o que são capazes de dizer é trivial, os repórteres recorrem aos parcos meios linguísticos que têm à sua disposição. Por exemplo, a palavra “dantesco” (para além de uma certa dimensão, o incêndio é sempre “dantesco” e configura “o inferno”). E porque os processos de descrição, na televisão, consistem sobretudo em mostrar, em dar a ver, entra-se sem pudor na exibição das imagens obscenas. Como vimos, alguns repórteres (Judite Sousa parece que não foi a única) nem hesitaram em aproximar-se dos cadáveres e oferecê-los aos espectadores como imagens ostensivas. Como uma personagem do filme de Francis Ford Coppola, eles poderiam dizer: “I love the smell of napalm in the morning.”

“Face à falta de meios linguísticos (e de tempo para qualquer elaboração mais cuidada) e porque a televisão pratica quase como ideologia jornalística um realismo ingénuo que acaba por nunca produzir o desejado efeito de real, os repórteres ou debitam lugares-comuns que não têm nem valor expressivo nem descritivo, ou recorrem aos testemunhos. Põe-se um microfone e uma câmara diante de pessoas em estado de choque e pede-se-lhes que elas testemunhem, que elas descrevam, que elas superem a afasia em que a situação as colocou. A violência é inominável e a televisão torna-se patética, no duplo sentido da palavra: porque quer mostrar o pathos, dê por onde der; porque exibe a estupidez na mais elevada expressão.

"Devemos novamente perguntar: a que coerção estão submetidos os jornalistas para que aceitem o papel de idiotas? Ou fazem-no voluntariamente? Os jornalistas tornam-se então indivíduos ávidos, paranóicos, como os amantes que não se satisfazem com um simples “amo-te”. Desconfiados com a declaração tão lacónica, achando que o amor é uma imensidão que precisa de se dizer com mais palavras, perguntam: “Amas-me como?” E o outro responde: “Amo-te como se fosses o mais doce dos frutos.” E aí começa um encadeamento de metáforas cristalizadas, de estereótipos. Assim são os jornalistas munidos de microfones e de câmaras: não desistem de querer extorquir as palavras e a alma aos seus interlocutores; não deixam de querer arrancar testemunhos a gente moribunda ou a viver a experiência dos limites.

“Esta maquinaria é totalitária, expansiva, reduz tudo a uma peça integrada. Este jornalismo é um aparelho ao serviço da lógica da “partilha” da comunicação, da informação e da opinião da nossa época. A utilização dos drones realiza na perfeição esta atitude predadora de quem se acha munido do olho de Deus: o olho que abarca, na vertical, a totalidade do mundo. Era fatal que a televisão viesse a pôr ao seu serviço o drone de omnivisão, dotado de uma vista sinóptica, capaz de uma vigilância de largo alcance, “wide area surveillance”, como se diz na linguagem da guerra”. 

terça-feira, 1 de março de 2016

Passos Coelho, estaria a bombar contra a crise...(é pena que o ridículo não pague imposto...tínhamos a crise resolvida!!!)

Passos Coelho continua a passear-se pelo país, em inaugurações e colóquios, acompanhado por uma comitiva de jornalistas, como se ainda fosse primeiro-ministro ou, pior ainda, como se ainda fosse possível voltar a sê-lo.

De cada vez que abre a boca, procurando-se adaptar, de forma estereotipada, á audiência que tem pela frente, aumenta o ridículo da sua postura.

Será que não tem alguém à sua volta que tenha a coragem de o avisar?

A situação faz-me lembra,  com Passos Coelho,agora como comédia, a situação que se viveu entre as figuras do regime salazarista em 1968, quando todos fingiam à volta do ditador doente que este ainda governava, quando já tinha sido substituído por Marcelo Caetano.

Quanto à forma como andou a "bombar" contra a crise, já sabemos o que ele quer dizer pelo que (des)fez nos último quatro anos em que nos governou...e já nos chegou.

Vá "bombar" para outro lado...

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

É militante ou ex-militante do PS? ..aproveite os seus 15 minutos de fama...


É militante ou ex-militante do PS?

Foi autarca numa freguesia do PS ou ex-ministro de um governo do PS? 

...e, principalmente e condição necessária, está contra um "governo de esquerda"?

...Então aproveite e pode gozar os seus "15 minutos de fama"...

É que a comunicação social anda à procura de tudo o que seja "dissidência" no PS, contra um acordo à esquerda,para abrir os noticiários e encher os programas de debate e entrevista política.

Mesmo que no fim não se venha a concretizar qualquer "governo de esquerda", este tempo já valeu a pena para assistir a este triste espectáculo de gente a colocar-se em bicos de pé para aparecer na televisão e nas páginas dos jornais...

...é aproveitar que não dura sempre...

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Correio da Manhã - o jornalismo de sarjeta também tem direito à vida…


O jornal “Correio da Manhã” é um nojo em termos jornalísticos, que envergonha o jornalismo português e devia envergonhar quem nele trabalha, pelo menos aqueles que ocupam cargos de chefia.

Copia o pior do que se faz no jornalismo ocidental e, pior do que isso, deu o mote à maior parte do “estilo” jornalístico que campeia na comunicação social televisiva e até já contaminou o jornalismo escrito de “referência”, que usa e abusa dos títulos bombásticos e sensacionalistas para vender papel.

Podem argumentar que o “Correio da Manhã” é o jornal que mais vende em Portugal, e portanto é daquilo que o povo gosta. Mas,para mim, isso não é argumento e só mostra a indigência cultural deste país.

Mas daí a proibir o jornal de dar as notícias no estilo nojento como as costuma dar, vai uma grande distância. Vivemos num país livre e democrático e, desde que não me obriguem a nada, cada um come do que gosta.

O que aconteceu é que aquele jornal, usando um método eticamente reprovável, mas legal, se constituiu como assistentes no processo que decorre contra José Sócrates, tendo acesso ao conteúdo do mesmo para passar a informação para ser publicada do jornal.

Que essa informação seja divulgada fora de contexto, de forma cirúrgica e acompanhada por comentários ou títulos bombásticos que são mera opinião, não espantará ninguém. Esse é o estilo do jornalismo que se faz por aquele lado.

Penso até que o facto do principal “ataque” a Sócrates vir daquele jornal até pode ser uma vantagem para o arguido, tendo a conta a falta de credibilidade do “Correio da Manhã”.

Mas não foi isso que aconteceu e a defesa de José Sócrates resolveu actuar de um modo que se aproxima da simples censura.

O que tudo isto revela de grave é que aquele processo, eticamente reprovável, de ter acesso a processos judiciais é habitualmente usado por aquele jornal  ( e não só) para lançar lama conta qualquer cidadão anónimo deste país que tenha um processo a decorrer em tribunal.

Fosse o arguido um pobre e miserável pequeno delinquente ou pequeno criminoso, daqueles que enchem as páginas daquele jornal, e nada acontecia àquele jornal.

Mas, mesmo aquela situação eticamente reprovável  não é da responsabilidade do “Correio da Manhã”, existe porque é legal e porque a justiça em Portugal funciona com funciona, neste caso, como noutros, muito mal.

Por isso, quanto a nós, mesmo um vómito jornalístico como o “Correio da Manhã” tem direito à vida e deve ser livre de divulgar as alarvidade e do modo alarve e boçal a que nos acostumou, pois é isso que faz parte da sua identidade e  esse é o custo de vivermos em liberdade.


quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Livre/Tempo de Avançar leva pizza aos jornalistas à porta de Sócrates

(foto Público on-line)

Aqueles que nos seguem sabem que nunca nutrimos grande estima pela governação de José Sócrates.

Também não vemos na conduta de José Sócrates grande diferença em relação à da maior parte da classe política portuguesa, especialmente a do "centrão".

Até hoje também não nos sentimos devidamente esclarecidos sobre as acusações formuladas contra José Sócrates.

Se olharmos para o currículo da maior parte dos políticos profissionais que dominam os dois partidos do poder, também não vemos aí grande diferença em relação à "carreira" e aos "negócios" em que José Sócrates está envolvido.

Já por aqui dissemos que, as mesmas razões que foram apontadas para deter Sócrates e para o manter agora em prisão domiciliária não são muito diferentes daquelas que justificariam a prisão domiciliária de muitos dos actuais politicos da coligação no poder ou de alguns dos actuais governantes.

Por tido isso achamos no mínimo indecoroso e éticamente repugnante o cerco que certa imprensa faz à casa onde Sócrates ficou a cumprir a prisão domiciliária e ao destaque que a comunicação social, nomeadamente os "tablóides" da televisão, continuam a dar ao assunto.

Por isso prece-nos bastante original a iniciativa da "Livre/Tempo de Avançar" que coloca assim em ridículo  esse tipo de jornalismo.

Ao que parece, os jornalistas presentes, revelando falta de sentido de humor e portando-se como virgens ofendidas, recusaram-se a aceitar as pizzas...

segunda-feira, 15 de junho de 2015

A meio de mais uma passeata paga pelo contribuinte a múmia volta a abrir a boca: Cavaco espera acordo com a Grécia mas diz que não pode haver excepções


Cavaco Silva, o teórico do "aluno bem comportado", postura que vem dos seus tempos salazaristas como candidato a informador, o pai do monstro que é o governo actual, o turista de serviço que se arrasta pelo mundo com comitivas de dezenas ou centenas de convidados pagos pelo contribuinte, sem que se conheça ou avalie a vantagem para o país dessas passeatas , veio agora debitar algumas alarvidades sobre o impasse grego, receoso de que a acção do governo grego de enfrentar a "besta" europeia se revela eficaz em aliviar a austeridade, situação que desacreditaria a sua postura subserviente em relação aos burocratas das instituições europeias

O papel que os políticos portugueses no poder têm desempenhado na tragédia grega é vergonhosa e desrespeita a forma como os portugueses têm sido tratado pelas forças da troika.

A exibição pornográfica dos simbolos nacionais à lapela, exibidos  pela tropa de choque governamental liderada por Cavaco, mera revelação da sua má consciência no modo com estão a conduzir o país para a pobreza e para a miséria, vendendo ao desbarato tudo o que há para vender, é a imagem mais abjecta dessa gente que se prolonga no poder para além do mandato legal de quatro anos, tudo porque Cavaco continua a desrespeitar a democracia e pretende prolongar a agonia do país até onde for possível, andando já a ameaçar, nas entrelinhas, que vai "prolongar" a vida deste governo por mais um ano se não houver "maioria estável" nas próximas eleições, que vão ser marcadas 4 ou 5 meses depois do final do mandato legitimo.

Não admira que Cavaco venha agora lançar mais achas na fogueira contra a Grécia, pois ele é um fiel executor das medidas anti-democráticas da burocracia europeia e as malfeitorias que prepara para o final do seu mandato estão em linha com essa gente, que coloca  os "compromissos" com os éticamente pouco recomendados"mercados" financeiros, que inventaram esta crise em proveito próprio, acima dos seus compromissos democráticos com os cidadãos.

Por agora temos, por um lado, os burocratas da troika, com o apoio de políticos sem espinha dorsal como Cavaco, a exercerem chantagem terrorista contra os cidadãos europeus e, do outros, os gregos que apenas pretendem respeitar em primeiro lugar os compromissos com os seus cidadãos.

É evidente que, pesem todas as divergências, só podemos estar do lado dos gregos nesta hora difícil, até porque, se vergarem ao peso da chantagem, nós, os portugueses, seremos as próximas vítimas.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

OS ROSTOS POR DETRÁS DA GALP E DA REN:

A GALP e a REN, duas empresas que muito têm beneficiado dos favores do Estado e da relação com o mundo da política, recusam-se a pagar um imposto que consideram ilegal.

A GALP invoca “pareceres jurídicos de reputados jurisconsultos” para não pagar a contribuição extraordinária sobre o sector energético, um dos mais protegidos do país, em virtude “da ilicitude desse tributo”.

Recorde-se que esse tributo  corresponde a….0,85% sobre o valor dos seus activos regulados.

Recorde-se também que os portugueses têm andado a pagar uma sobretaxa de..3,5% sobre o valor do seu trabalho…

A REN, empresa que tem o monopólio em Portugal de distribuição da energia eléctrica, tomou a mesma decisão porque continua a “avaliar a legalidade daquela contribuição”!!!!

Ou seja, o exemplo que essas empresas dão aos portugueses é o seguinte: quem não concordar com as taxas ficais  sobre o seu rendimento ou com a lei que o obriga ao pagamento de impostos, deve recorrer a pareceres jurídicos de “reputados jurisconsultos” e…não pagar.

Como toda a gente sabe, na relação com o fisco, primeiro paga-se e só depois é-se ressarcido de qualquer erro ou injustiça.

Pelos vistos, com as grandes empresas a coisa não se passa da mesma maneira.

Felizmente, desta vez parece que o governo português está a agir com rapidez e vai fazer aquelas empresas pagar pelo desaforo que estão a fazer aos portugueses que cumprem, todos os dias, mesmo se contrariados, os deveres que lhe são impostos em nome da austeridade.

O que não deixa de ser curioso é que, pelo menos numa dessas empresas, o accionista maioritário é uma empresa estatal  chinesa e que, por outro lado, por detrás dessas empresas, estão rostos, uns mais conhecidos do que outros, que mantêm regularmente colunas de opinião na comunicação social ou a esta acedem regularmente, todos eles conhecidos defensores, mesmo que em grau diferente, das actuais medidas de austeridade e que, quando criticam o governo, é por este não ir mais longe na sua aplicação.

O nome dessa gente, com responsabilidades na GALP e na REN é do conhecimento público como se pode ver consultando os seguintes links:




Como, que se saiba, nenhum desses responsáveis por aquelas empresas se demitiu em protesto contra a pouca vergonha daquela atitude, e como alguns dão opiniões regulares na comunicação social, é caso par lhes perguntarmos o que pensam da atitude dessas empresas.

Entretanto, se  se cruzarem com eles, aproveitem para lhes perguntar se lhes arranjam um “parecer jurídico de reputados jurisconsultos” para não pagar os impostos com os quais não concordem:


Se encontrar algum destes administradores-comentadores da GALP e da REN, pergunte-lhes como pode arranjar um “parecer jurídico de reputados jurisconsultos” para não pagar os impostos com os quais não concorde:











Ler também o editorial de hoje do Público:




terça-feira, 8 de abril de 2014

Passos Coelho, mentiras e video...


Já nos começámos a habituar a ouvir este  primeiro-ministro dizer uma coisa e fazer de imediato o seu contrário.

Agora vem prometer aumentar o salário mínimo…( mesmo que seja passar de um valor abaixo do miserável para um valor próximo do …miserável).

Essa promessa, vinda de um político que já tanto mentiu e de forma descarada, pouco crédito pode merecer, embora em época de abertura de caça ao voto tudo seja possível, mesmo do político Passos Coelho que disse que se estava a lixar para as eleições…

Nem estamos a fazer mera  interpretação de frases  dúbias ditas pelo líder do PSD…como se pode ver no interessante vídeo divulgado no tempo de antena do PS, o primeiro-ministro foi claro nas promessas feitas antes das eleições, e o que se sucedeu depois não deixa dúvidas sobre as mentiras descaradas de Passos Coelho.

…portanto, tudo o que venha de Passos Coelho não merece o mínimo de crédito…

Claro que Passos Coelho não fez nada mais do que imitar aquilo a que os políticos do centrão nos têm vindo a  habituar na última década: ….mentir descaradamente, desrespeitar sem o mínimo de vergonha programas partidários, programas eleitorais e promessas feitas em campanha eleitoral e até romper com a lei, com os compromissos do Estado com os cidadãos e com a própria Constituição que juraram defender, sem apelo nem agravo.

…só que Passos Coelho abusa….

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

POIS!!!! ....Marques Mendes apanhado em negócio ilegal de ações


Já não há pachorra para esta gente...

A classe política que nos governa está a precisar de uma vassourada...todos os dias se conhecem novos casos de corrupção ética entre políticos e  "comentadores" políticos.

Ainda hoje o Público denuncia um esquema de corrupção que envolve um secretário de estado do actual governo....

Isto já está de tal maneira minado, os telhados de vidro são de tal ordem, que esta gente já não inspira qualquer confiança.

Ficamos por saber se a notícia agora divulgada para a imprensa sobre a negociata de Marques Mendes não passará de mais uma guerra entre facções do PSD para queimar o "comentador" que estava a descarrilar do "passos coelhismo"...

Toda essa gente tem telhados de vidro e por isso protegem-se uns aos outros, ou lançam o que sabem de forma cirurgica,conforme as "batalhas " do momento..

A única coisa que se sabe é que, mais uma vez, este e outros casos vão ficar por esclarecer, vão prescrever, vão deixar de ser notícia e...pouco a pouco tudo voltará à "normalidade"...a culpa em Portugal, principalmente se ela vem da classe política do centrão, morrerá solteira mais uma vez...

Noticias ao Minuto - Marques Mendes apanhado em negócio ilegal de ações (clicar para ler).

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

PORQUE NÃO TE CALAS, "OH MINHA GRANDE BESTA!": Ulrich: Se os sem abrigo aguentam porque é que nós não aguentamos?


"Tem toda a razão o Ulrich. Os seres humanos aguentam coisas inimagináveis. Aguentam, por exemplo, que um banqueiro tenha lucros de 249 milhões de euros e haja uma catrefa de gente a viver na rua." Ana Cristina Leonardo
 Um colega meu dizia-me: "eu nunca fui muito de dizer palavrões da boca para fora, quanto muito uns "porras" ou uns "merdas", mas a ouvir estes gajos dou por mim a usar "...alhos" e "filhos da p..." a torto e a direito".
Já estamos fartos de bestas como esse desavergonhado banqueiro. Foi ele, e outros como ele que nos lixaram a vida e agora ainda têm a desfaçatez de gozar com a miséria alheia?
Como diria o outro...vão trabalhar malandros...já não há pachorra para sacanas como este...  

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

...As Hienas estão de regresso....


Desculpem lá a linguagem, mas não há outra para manifestar a indignação.
Estamos fartos desta cambada.
Cortam-se as  reformas miseráveis, os salários, os direitos....
Mas esta gente, os mesmos de sempre, continuam a "mamar" à nossa custa ou à custa dos trabalhadores das empresas que exploram...
A "culpa" é dos funcionários públicos, dos professores, dos médicos, vociferam os mesmos de sempre. Um funcionário público, um professor, um médico, viu o seu poder de compra e o seu salário, real ou relativo, descer em mais de 10% nos últimos dez anos, mas o déficit do Estado continua a subir descontroladamente....alguma história está mal contada....
A "culpa" é dos trabalhadores, dos seus direitos, dizem as centenas de "Catrogas" que condenam este país à miséria e à emigração, escudados nos seus chorudos tachos....
....e já agora, essa velhada do reumático da economia portuguesa, produziu alguma coisa nos sítios por onde foi passeando os seus chorudos rendimentos?.
Já não nos devemos interrogar o que é que eles podem fazer por Portugal. Mas talvez seja tempo de nos interrogarmos se o que podemos fazer por Portugal não será  acabar com este estado de coisas.
É altura de dizer bastas!