Os dias que rolam, numa visão plural, pessoal e parcial de um mundo em rápida mutação. À esquerda, provocador e politicamente incorrecto, mas aberto à diversidade...as Pedras Rolam...
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domingo, 21 de outubro de 2012
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Morreu o escritor Manuel António Pina.
Morreu o escritor Manuel António Pina - JN (clicar para ler)
A Poesia Vai Acabar
A poesia vai acabar, os poetas
vão ser colocados em lugares mais úteis.
Por exemplo, observadores de pássaros
(enquanto os pássaros não
acabarem). Esta certeza tive-a hoje ao
entrar numa repartição pública.
Um senhor míope atendia devagar
ao balcão; eu perguntei: «Que fez algum
poeta por este senhor?» E a pergunta
afligiu-me tanto por dentro e por
fora da cabeça que tive que voltar a ler
toda a poesia desde o princípio do mundo.
Uma pergunta numa cabeça.
— Como uma coroa de espinhos:
estão todos a ver onde o autor quer chegar? —
Manuel António Pina, in "Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo. Calma é Apenas um Pouco Tarde".
Também AQUI, nas páginas deste blogue, respigámos algumas crónicas de Manuel António Pina, púbicadas no Jornal de Notícias.
sexta-feira, 9 de março de 2012
A Crónica de Manuel António Pina: O Ministério dos Feriados.
A Crónica de Manuel Pina sobre as “aventuras” e “desventuras” de um tal de “Álvaro”, ministro da economia, que o mesmo é dizer, nos dia que correm, cada vez mais ministro de coisa nenhuma…
O Ministério dos Feriados - JN (clicar para ler).
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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
A cigarra e a formiga - JN
Manuel António Pina dá voz à nossa indignação. Quem pode acreditar num Governo que permite isto?
E não venham com a treta do turismo...
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terça-feira, 12 de julho de 2011
terça-feira, 26 de abril de 2011
Manuel António Pina e um certo desencanto, 37 anos depois.
37 anos depois - JN (clicar para ler a crónica).
Manuel António Pina escreve sobre uma revolução traida por oportunistas e arrivistas...
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terça-feira, 12 de abril de 2011
"mea culpa"! : PSD arremata Fernando Nobre
PSD arremata Fernando Nobre - JN (clicar para ler)
Nesta crónica, Manuel António Pina escreve o que eu devia estar a escrever nesta hora por aqui.
...eu só o descobri mais tarde...
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segunda-feira, 4 de abril de 2011
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Maus augúrios para Kadafi
Maus augúrios para Kadafi - JN (clicar para ler a crónica)
A crónica de Manuel António Pina denuncia toda a hipócrisia ocidental em relação ao regime ditatorial de Kadafi.
Mais um ditador em vias de ser afastado do poder e que levanta o véu sobre o modo como banqueiros, políticos e grandes empresários só se preocupam com "Direitos Humanos" quando começam a ver os seus interesses em risco, perante revoltas populares imprevisiveis.
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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
O Respigo da Semana - Manuel António Pina recorda os vampiros do Zeca...
"Vampiros e eunucos
Por Manuel António Pina
"Há 24 anos, feitos ontem, morreu José Afonso. Entretanto, vindos "em bandos, com pés de veludo", os vampiros foram progressivamente ocupando todos os lugares de esperança inaugurados em 1974, e hoje (basta olhar em volta) os "mordomos do universo todo/ senhores à força, mandadores sem lei", enchem de novo "as tulhas, bebem vinho novo" e "dançam a ronda no pinhal do rei", tendo, em tempos afrontosamente desiguais, ganho inaceitável literalidade o refrão "eles comem tudo, eles comem tudo/ eles comem tudo e não deixam nada".
"Talvez, mais do que legisladores, artistas como José Afonso sejam, convocando Pound, "antenas de raça". Ou talvez apenas olhem com olhos mais transparentes e mais fundos. Ou então talvez a sua voz coincida com a voz colectiva por transportar alguma espécie singular de verdade. Pois, completando Novalis, também o mais verdadeiro é necessariamente mais poético.
"O certo é que a "fauna hipernutrida" de "parasitas do sangue alheio" que José Afonso entreviu na sociedade portuguesa de há mais de meio século está aí de novo, nem sequer com diferentes vestes; se é que alguma vez os seus vultos deixaram de estar "pousa[dos] nos prédios, pousa[dos] nas calçadas". E, com ela, o cortejo venal dos "eunucos" que "em vénias malabares à luz do dia/ lambuzam da saliva os maiorais".
"Lembrar hoje José Afonso pode ser, mais do que um ritual melancólico, um gesto de fidelidade e inconformismo".
in Jornal de Notícias, 24 de Fevereiro de 2011
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domingo, 9 de janeiro de 2011
O Respigo da Semana - Manuel António Pina comenta uma "portaria" (ou uma "porcaria"?)
"Por mero acaso
por Manuel António Pina
"Foi decerto só por mero acaso que as medidas de austeridade que se traduzem em reduções de salários e prestações sociais ou em aumentos de impostos, como também os aumentos dos preços dos bens essenciais, entraram em vigor no exacto momento em que acabou de soar a 12ª badalada da meia-noite de 31/12/10, enquanto a propagandeada contribuição extraordinária sobre a banca, que Sócrates apresentou como forma de também os bancos participarem nos famosos sacrifícios "para todos", ficou à espera, comodamente sentada, de uma portaria regulamentadora. A notícia foi dada pelo "Público", que tentou, sem sucesso, obter do Ministério das Finanças explicação para o estranho caso da portaria inexistente (ou da porcaria existente).
O "sacrifício" da banca (a quem todos somos devedores da presente crise) seria de um a cinco centésimos por cento sobre o passivo de cada banco, isto após várias deduções, e um a dois décimos de milésimo por cento sobre os valores dos instrumentos financeiros de derivados (os cortes nos salários da Função Pública são de 3,5 a 10%).
Mas talvez, quem sabe?, a portaria "esquecida" seja um dia publicada. Só que, nessa altura, a banca dirá que a sua décima de milésima parte nos "sacrifícios" é... retroactiva, e a coisa acabará no TC. E, aí, ao contrário do que aconteceu com o aumento extraordinário do IRS, os juízes "do" PS e "do" PSD já estarão certamente todos do mesmo lado".
in Jornal de Notícias, 6 de Janeiro 2011
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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
O Respigo da Semana - Manuel António Pina e o discurso da pobreza.
“Pobres”, “pobreza”, estas foram duas das palavras mais lidas e ouvidas em mensagens de Natal.
Se uns as utilizaram em coerência com a sua acção e o seu conhecimento, como a Igreja e várias personalidades ligadas a ONG’s com intervenção social, outros fizeram-no por pura hipocrisia.
Estão neste caso alguns daqueles que mais têm contribuído, por opção ou por omissão, para agravar as condições de desigualdade social em Portugal e para o empobrecimento de grande parte da população, pelo desemprego, pela precariedade do trabalho ou pela e pela desvalorização do factor trabalho: Primeiro- ministro, vários ministros deste governo, Presidente da República, uma série de presumíveis candidatos a futuros governantes e os detentores desse verdadeiro "aparelho ideológico de estado" que são a maior parte dos economistas e comentadores do regime.
Nesta época do ano é a má consciência desta gente que as leva a derramar, com cinismo, as costumeiras lágrimas de crocodilo pelos “desfavorecidos” e pelos “pobres” que, nos outros 364 dias do ano, eles ajudam a criar com as suas opções políticas, económicas e sociais e a sua ideologia económico-social.
Por tudo isto, a crónica de Manuel António Pina, publicada na passada semana nas páginas do Jornal de Notícia, revelam-se mais actuais do que nunca:
"Pobres é o que está a dar
"De repente (a caça ao voto abriu este ano em época natalícia), os políticos descobriram os pobres. Assim, nos últimos dias, Cavaco organizou nada menos que duas expedições aos pobres levando consigo um batalhão de jornalistas e câmaras de TV que o mostraram ao Mundo destemidamente no meio deles a dizer frases sobre a pobreza.
"Sócrates é que não gostou pois, afinal de contas, os pobres, ou boa parte deles, são seus e dos seus governos.
"De facto, ainda há dias o jovem "boy" encarregado, na Secretaria de Estado da Segurança Social, das exéquias do falecido "Estado Social" se gabava de ter conseguido, em poucos meses, tirar o Subsídio Social de Desemprego a 10 291 desempregados e o Rendimento Social de Inserção a mais 8 321.
"E ontem o Ministério das Finanças anunciava festivamente, conta o DN, "uma luz ao fundo do túnel", com "os cortes nos apoios sociais aos desempregados e crianças (...) a ser decisivos para a contenção nos gastos e, logo, para o alívio no défice".
"Anda o Governo a fazer pobres para Cavaco vir aproveitar-se desse esforço!
"Também os candidatos Francisco Lopes e Fernando Nobre se engalfinharam um destes dias na TV cada um reivindicando para si a glória de conhecer mais pobres (e pobres mais pobres) do que o outro.
"Não há dúvida de que os pobres é que estão a dar. Não só para o Governo poder ajudar bancos e grandes empresas mas também para os políticos exibirem na lapela".
Manuel Pina in Jornal de Notícias de 22 Dez 2010
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sábado, 4 de dezembro de 2010
O Respigo da Semana - Manuel António Pina: "Uma espécie de Democracia"
"Uma espécie de democracia
"Como a generalidade dos portugueses, o leitor não fará provavelmente a mínima ideia de quem seja o sr. Oli Rehn. Devia fazer porque o sr. Oli Rehn é comissário europeu dos Assuntos Económicos e extraordinário ventríloquo, conseguindo, de Bruxelas, colocar a voz em Portugal através do actual Governo (ou de qualquer outro). De facto, quando o dr. Teixeira dos Santos ou o primeiro-ministro anunciam "medidas" limitam-se a mexer os lábios; quem realmente fala é o sr. Oli Rehn.
A coisa funciona em "mise en abîme" pois a Comissão Europeia e o sr. Oli Renh também só mexem os lábios; quem fala quando eles falam é, por sua vez, a voz dos "mercados", ou seja, da banca e da usura.
O leitor (e eleitor) estará convencido de que elegeu um Governo e um Programa de Governo. Desiluda-se, elegeu feitores. Da banca, dos "mercados", da UE e, por fim, do sr. Oli Rehn - que anunciou no dia 28, em Bruxelas, que "Portugal preparará (...) reformas estruturais no mercado de trabalho" - e do sr. Didier Reynders, ministro das Finanças da Bélgica que, "em nome de Portugal", assegurou que o Governo que o leitor elegeu irá fazer "reformas nos sectores da saúde e transportes, tal como uma reforma do quadro orçamental". E, se eles o asseguraram, não tenha o leitor dúvidas de que o Governo cumprirá, independentemente do que estiver no Programa de Governo.
Consta que Portugal é um Estado soberano. E uma democracia".
Manuel António Pina
in Jornal de Notícias de 1 de Dezembro de 2010
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quarta-feira, 17 de novembro de 2010
O respigo da semana - Manuel António Pina:"Respeitinho é que é preciso"
"Respeitinho é que é preciso
"E o Prémio "Cócoras" vai para... os deputados socialistas Marcos Sá, Miguel Laranjeiro, Jorge Seguro, Pita Ameixa, Duarte Cordeiro e Pedro Farmhouse, que, respeitosamente (como cabe a titulares do poder político e representantes eleitos do bom povo), tiveram a ideia de apelar à banca para que, se assim entender, decida "por iniciativa própria" e "sem ser necessário o Governo legislar nesse sentido" pagar uma maior taxa efectiva de IRC, dessa forma "[colaborando] no esforço colectivo de redução do défice" (a taxa efectiva de IRC da banca foi de 16,1% nos primeiros 9 meses de 2009 e de 9,2% em 2010, um terço da que paga qualquer mercearia de bairro).
"Claro que (sossegue a banca) a coisa seria temporária, e uma forma de a banca "agradecer" os 20 mil milhões dos contribuintes que o Governo lhe deu em garantias. Isto, sempre muito respeitosamente, para não falar dos 4,6 mil milhões enterrados no BPN.
"E qual seria o valor considerado justo? ", perguntou o 'Público' a Marcos Sá. A agachada resposta prova a justiça da atribuição do cobiçado e acocorado galardão: "A banca saberá até onde pode ir..."
"O respeitinho é muito bonito e quando se pede aumento ao patrão, é deselegante, e pode irritar o patrão, dizer-se quanto se quer. Tratando-se de funcionários públicos (ou de desempregados, pensionistas e pobres) , é que não se pede licença, se puxa do "jus imperium" e se fala com voz grossa"
in Jornal de Notícias de 16-11-2010
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