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sábado, 17 de junho de 2017

Já tinhamos um Papa Emérito...agora temos um Presidente Emérito !!!???

Assistimos recentemente a um facto inédito, a existência de um Papa Emérito.
 
O que não se esperava é que, nos aparentemente antípodas do espectro "político" fosse consagrada a figura de Presidente Emérito.
 
Aconteceu em Angola, onde o actual presidente, José Eduardo dos Santos, que não se recandidata ao cargo, foi designado como Presidente.... Emérito!!!!.
 
Fica José Eduardo dos Santos com direito a uma pensão vitalícia que corresponde a 90% do seu vencimento, e, o que mais terá pesado para a decisão, fica igualmente  imune a qualquer investigação judicial.
 
Depois de termos assistido à transformação de um dos mais repressivos países "comunistas", a Coreia do Norte, na primeira dinastia "comunista", depois de, em nome do "socialismos", assistirmos, na Venezuela, à ascensão ao poder de um dos mais ridículos e incompetentes líderes políticos, temos agora em Angola outra novidade, a do presidente Emérito.

Muito  mal vai a "esquerda" e o "socialismo" quando só produzem lideres deste calibre!!!

Felizmente ainda há em Angola quem se indigne com tal situação, como aconteceu com a filha de Agostinho Neto (ler AQUI).

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Luaty Beirão anuncia fim de greve de fome


Numa carta envida hoje ao site "Rede Angola"  Luaty Beirão anunciou o fim da sua greve da fome, uma atitude inteligente por parte desse combatente pelos direitos humanos em Angola.

Nessa carte que pode ser lida AQUI, clamou mais uma vez pela sua inocência: "Estou inocente do que nos acusam e assumo o fim da minha greve de fome" e  " só posso esperar que os responsáveis do nosso País também parem a sua greve humanitária e de justiça".

Agora é preciso que em Angola e em Portugal ninguém baixe os braços.

A luta pela democracia em Angola ganhou com este caso uma nova dimensão e deixou à vista aquilo que muitos já denunciavam há muito tempo, um regime corrupto, incapaz de gerar bem estar entre os seus cidadãos, mas aberto a todas as negociatas com os seus cúmplices um pouco por todo o mundo, Portugal incluído.

Até aqui a opção dos Angolanos era entre um partido corrupto como o MPLA que traiu a sua origem, e um grupo de bandoleiros, a UNITA, que, depois do fim da guerra, se tornou cúmplice da corrupção do poder dominante.

A luta de Luaty e dos seus companheiros pode contribuir para encontra uma alternativa àqueles partidos corrutos e anti-democráticos, uma alternativa verdadeiramente democrática e humanista, capaz de dar aos angolanos, que vivem num dos países com mais riquezas no mundo, mas onde a maior parte da sua população vive na miséria, uma nova esperança.

Por cá tudo faremos para continuar a divulgar essa luta e para denunciar os "amigos" que deste lado tanto têm contribuido para aumentar  a fortuna e o poder dos corruptos governantes angolanos.

Aqui transcevemos a notícia hoje publicada no site "Rede Angola":

"É a notícia do fim da greve de fome de Luaty Beirão.

"Em carta enviada à redacção do Rede Angola pela família de Beirão (pode ser lida AQUI), escrita pelo activista ontem e dedicada aos seus 14 companheiros detidos e à sociedade civil, Luaty Beirão, ao fim de 36 dias, anunciou o fim da greve de fome que iniciou dia 21 de Setembro em protesto contra o excesso de prisão preventiva.

"A “Carta aos meus companheiros de prisão”, começa, tal como as detenções dos activistas, na data que deu inicio àqueles que se contabilizam hoje em 129 dias de detenção: 20 de Junho de 2015.

“Junho vai longe. Passámos muitos dias presos em celas solitárias, alguns sem comer, com muitas saudades de quem nos é próximo. Pelo caminho sentimos a solidariedade da maioria dos prisioneiros e funcionários. Tivemos apoio de família e amigos.”

"Detidos em diferentes estabelecimentos prisionais por cerca de três meses – Estabelecimento Prisional de Calomboloca, Unidade Prisional do Kakila, Hospital Psiquiátrico e Comarca Central de Luanda – , unanimemente acusados de “actos preparatórios para prática de rebelião e atentado contra o Presidente da República”, de momento, todos os activistas se encontram no Hospital-Prisão de São Paulo.

"Luaty Beirão, internado na Clínica Girassol, em Luanda, desde o dia 15 de Outubro – transferido pelos serviços prisionais por se encontrar em estágio avançado de greve de fome -, conseguiu, devido ao acesso a mais visitas e consumo de informação, aperceber-se dos movimentos de solidariedade e indignação em relação ao processo.

“Tive a oportunidade de me aperceber do que nos espera lá fora e queria partilhar convosco o que vi: Vi pessoas da nossa sociedade, que lutaram pelo nosso país e viveram o que estamos a viver, a saírem da sombra e a comprometerem-se em nossa defesa, para que a História não se repita. Vi pessoas de várias partes do mundo, organizações de cariz civil, personalidades, desconhecidos com experiências de luta na primeira pessoa que, sozinhos ou em grupo, se aglomeram no pedido da nossa libertação. Já o sentíamos antes, mas não com esta dimensão”, conta Luaty aos seus companheiros.

"É um texto de um, e para todos os prisioneiros políticos. São eles: Domingos da Cruz, Afonso Matias “Mbanza Hamza”, José Gomes Hata, Hitler Jessia Chiconda “Samussuku”, Inocêncio Brito, Sedrick de Carvalho, Fernando Tomás Nicola, Nelson Dibango, Arante Kivuvu, Nuno Álvaro Dala, Benedito Jeremias, Osvaldo Caholo, Manuel Baptista Chivonde “Nito Alves” e Albano Evaristo Bingo.

"A  21 de Outubro, o grupo de detidos pediu a Luaty Beirão que parasse com a greve de fome.

"Desde a detenção dos activistas, vários são os grupos de apoio nacionais e internacionais que apelam à libertação dos presos políticos em Angola, exigindo justiça e celeridade para a resolução do processo. Organizações, tal como a Amnistia Internacional (AI), a OMUNGA, a Associação Justiça, Paz e Democracia (AJPD), o Grupo de Apoio aos Presos Políticos Angolanos (GAPPA), a Organização das Nações Unidas (ONU) e União Europeia (UE), entre outras, tornaram-se voz activa na exigência pelo respeito aos Direitos Humanos no país.

"A sociedade civil, através de várias vigílias pacíficas e acções de solidariedade em diferentes países, apoia as famílias dos detidos e reclama “Liberdade Já”. Grito com início num movimento que surgiu pela libertação de todos os presos políticos de Angola.

"Angola, Brasil, Portugal, Reino Unido, EUA, são, entre outros, alguns dos países que têm em agenda humanitária e informativa o caso dos “15+2”. À sociedade, Luaty dedica as seguintes palavras:

“Não vou desistir de lutar, nem abandonar os meus companheiros e todas as pessoas que manifestaram tanto amor e que me encheram o coração. Muito obrigado. Espero que a sociedade civil nacional e internacional e todo este apoio dos media não pare.”

"As acções de solidariedade não têm sido, no entanto, bem recebidas por todos.

"Em diferentes órgãos de comunicação nacionais, muitas são as linhas de críticas escritas devido ao envolvimento externo no apelo à resolução do processo. As mais comuns têm Portugal como destinatário. A título de exemplo, na rubrica A Palavra do Director, intitulada ” De Portugal nada se espera”, o órgão de comunicação estatal Jornal de Angola, através da assinatura de José Ribeiro, invocando o passado, regista que se está “perante um episódio produzido pelos profissionais que garantiram a melhor cobertura à guerra do criminoso Jonas Savimbi e do regime de apartheid e hoje se apresentam travestidos de democratas e defensores dos direitos humanos”. Os profissionais são, entre outros nomeados, os jornalistas portugueses ou os detentores de órgãos de comunicação. “A central mediática que está na primeira linha dessa operação em Portugal pertence a Francisco Pinto Balsemão, militante com o cartão n.º1 do Partido Social Democrata (PSD) e articula-se entre os canais SIC, o semanário “Expresso” e toda a rede de publicações do Grupo Impresa”, acusa José Ribeiro" 

"São também já conhecidas as duras críticas à presença em Angola, e envolvimento no apelo à libertação dos activistas, da eurodeputada Ana Gomes; ou a repressão às vigílias por parte da Polícia Nacional.

"Por tudo isso, Luaty alerta para o facto da força ainda parecer “desproporcional”, referindo que, apesar do caso ter servido para expôr a “fragilidade “ de quem governa, a “prepotência, incompetência e má fé” continuam presentes na gestão do processo.

"Para as atitudes acima descritas, Luaty diz o que já muitas vez repetiu: “Vamos dar as costas. E voltar amanhã de novo”, anunciando por fim: “Vou parar a greve.”

"De momento, há que contabilizar, para além dos 15 detidos em Junho, as activistas Laurinda Alves e Rosa Conde -, constituídas arguidas do mesmo processo a 31 de Agosto e a aguardar julgamento em liberdade.

"E ainda Domingos Magno, detido no dia 15 de Outubro por “falsa qualidade”, ao ter na sua posse indevidamente um passe de imprensa que lhe daria acesso à Assembleia, onde pretendia assistir ao discurso sobre o Estado da Nação.

"É também considerado preso político Marcos Mavungo, detido há seis meses e condenado, no dia 14 de Setembro, a seis anos de prisão, acusado do crime de rebelião contra o Estado. E Arão Bula Tempo, acusado formalmente de crime de rebelião e instigação à guerra civil.

"É sobre todos eles que Luaty fala".

“Estou inocente do que nos acusam e assumo o fim da minha greve de fome. Sem resposta quanto ao meu pedido para aguardarmos o julgamento em liberdade, só posso esperar que os responsáveis do nosso País também parem a sua greve humanitária e de justiça. De todos os modos, a máscara já caiu. A vitória já aconteceu”, afirma.

"Segue-se um pedido:

“Abracemos todo o amor que recebemos e agarremos todas as ferramentas. Juntos. Já não somos os ‘arruaceiros’. Já não somos os “jovens revús”. Já não estamos sós. Em Angola, somos todos necessários. Somos todos revolucionários.”

"Por fim, o activista assina, em luta pacífica, por “uma verdadeira transformação social” em Angola.


"O julgamento decorrerá entre 16 e 20 de Novembro".

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

OS "AMIGOS" PORTUGUESES DE JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS


O que têm em comum títulos de imprensa e da comunicação social como:
Diário de Notícias;
TSF;
Jornal de Notícias;
O Jogo;
O SOl;
Expresso;
 SIC;
Visão;

Exame;

Caras;
Sport TV;
Volta ao Mundo;
...etc, etc, etc!!!???

O que têm em comum Bancos como:
BPI;
BIC;

BCP;

(para já não falar do finado BES) ????

O que têm em comum empresas como:
Soares da Costa;
Cofina;
Controlinveste;
Impresa;
Bom-Petisco;
Viaauto;
Sporting;
Galp;
Américo Amorim;
Mota-Engil;
Zon;
Sonae;
Continente;
Efacec Portugal;
Central de Frutas do Painho;
e tantas outras ( esta lista só peca por  já estar desactualizada)....????

O que  têm em comum figuras como 
Américo Amorim;
Daniel Proença de Carvalho;
Paulo Azevedo;
Mira Amaral;
António Lobo Xavier;
(para citar apenas os nomes mais conhecidos)?

...Todos pertencem, em maior ou menos grau, são pagos, uns mais, outros menos, e têm negócios, mais ou menos vultosos, com os principais representantes do poder financeiro de José Eduardo dos Santos em Portugal, onde se cruzam Isabel dos Santos, a irmã "Tchizé" e o protegido António Mosquito.

Para saberem mais leiam o artigo do Jornal de Negócios de 2013  "O ABC do poder angolano". Apenas peca por alguma desactualização, pois o poder do polvo angolano cresceu muito mais neste dois últimos anos, com destaque para o controlo da Controlinveste.

Estes são os principais beneficiados ( e, directa ou indirectamente, os seus "representantes" e propagandistas) do poder de José Eduardo dos Santos, o mesmo que colocou Angola entre os países mais pobres do mundo e prendeu activistas pela democracia, como Luaty Beirão...

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

O RESPIGO DA SEMANA - "Luaty e a vergonha Angola-Portugal" por Alexandra Lucas Coelho


Luaty e a vergonha Angola-Portugal

Por Alexandra Lucas Coelho, in Público, 18 de Outubro de 2015

“1. Não sei como José Eduardo dos Santos dorme à noite. Não sei como Isabel dos Santos dorme à noite. Não sei como milhares de homens e mulheres de negócios dormem à noite. Não sei como o Governo português dorme à noite. E o PCP podia arranjar melhor companhia do que o governo português nesta matéria, a greve de fome de Luaty Beirão. Milhares de comunistas portugueses presos, torturados e mortos em nome da liberdade merecem muito mais.

“2. Não há número que diga tanto sobre um país como a taxa de mortalidade infantil. Angola tem a pior taxa de mortalidade infantil do mundo: 167 crianças em 1000, o que quer dizer que uma em cada seis crianças angolanas morre antes dos cinco anos (Unicef). Quando a taxa de mortalidade infantil de um país é alta, isso é uma urgência. Mas quando ela é a mais alta do mundo num país dominado por uma oligarquia milionária isso é uma espécie de crime por negligência na forma continuada. E não faltam dados contundentes sobre o statu quo em que essa espécie de crime acontece, por exemplo, o Índice de Desenvolvimento Humano da ONU (calculado a partir da esperança de vida, taxas de escolaridade e rendimento nacional bruto). No último relatório, que abrange 187 países, Angola está em 149.º lugar. Ou seja: em Angola, segundo maior produtor de petróleo da África subsariana, oficialmente uma democracia presidencialista com a qual Portugal tem estreitíssimos laços económicos, vive-se pior do que em quase todo o planeta, incluindo países em guerra, ditaduras, catástrofes. E a estes três números (mortalidade infantil, desenvolvimento humano, produção de petróleo) podemos acrescentar mais dois para completar a mão: o Presidente e líder do MPLA, José Eduardo dos Santos, está há 36 anos no poder; e a sua filha Isabel dos Santos é a mulher mais rica de África, com 3,2 mil milhões de dólares.

“3. Foi neste país que, a 20 de Junho passado, a polícia do regime deteve sem mandato 15 jovens que estavam numa casa de Luanda a discutir a situação política. Tinham dois livros com eles, Da Ditadura à Democracia, de Gene Shar, e Ferramentas para Destruir o Ditador e Evitar Nova Ditadura — Filosofia política da libertação para Angola, do jornalista angolano Domingos da Cruz. Os 15, incluindo Domingos, foram acusados de preparar um golpe de Estado. Ao fim de quase quatro meses, continuam presos, sem culpa formada e sem julgamento. Vários fizeram greves de fome, um deles, Luaty Beirão, não desistiu. No dia em que escrevo, quinta-feira, 15 de Outubro, Luaty está sem comer há 25 dias. Terá perdido cerca de 20 quilos, não consegue beber água, foi posto a soro no hospital-prisão, tudo isto enquanto a polícia do regime reprimia vigílias de solidariedade e protesto. Luaty é um activista com experiência, foi preso logo a 7 de Março de 2011, dia-símbolo para o levantamento dos jovens angolanos inspirados pela Primavera Árabe. Entre 2011 e 2015, viu o regime desdobrar-se em raptos, espancamentos, tentativas de suborno, ameaças a familiares, perseguições políticas, tudo para tentar combater activistas. A posição de Luaty é clara: manter-se em greve enquanto os 15 estiverem presos, contra a lei, mesmo a lei de Angola. Visto que Angola, descontando censura, prisões arbitrárias, raptos, espancamentos, suborno, ameaças, perseguições e repressão, é oficialmente uma democracia. Os observadores internacionais nem têm achado prioritário observar as eleições angolanas. Como Luaty diz, na entrevista que o PÚBLICO transcreveu e disponibilizou em vídeo, primaram pela ausência.

“4. Foi bom ter visto, esta quarta-feira, em Lisboa, centenas de pessoas que fizeram o contrário, estiveram lá, na vigília convocada pela Amnistia Internacional, com a cara de Luaty, e dos outros 14 (Osvaldo Caholo, Afonso Matias, Albano Bingobingo, Nelson Dibango, Sedrick de Carvalho, Domingos da Cruz, Inocêncio António de Brito, Arante Kivuvu, José Gomes Hata, Manuel Baptista Chivonde Nito Alves, Fernando Tomás, Nuno Álvaro Dala, Benedito Jeremias e Chiconda ‘Samussuku’). Bom ter visto lá angolanos como Rafael Marques de Morais, José Eduardo Agualusa, ou Kalaf, a cabo-verdiana Mayra Andrade, e tantas dezenas tão jovens ou muito mais do que aqueles que estão presos. Era uma pequena multidão com música, palavras e imagens. Mas não sei onde estavam, nem o que pensam, angolanos que estiveram tanto tempo presos pelo que pensaram e escreveram, como Luandino Vieira. Gostava de saber.

“5. Enquanto Luaty, cidadão angolano e português, pode morrer a qualquer momento nestas circunstâncias, o Governo português tem, naturalmente, questões a debater, equacionar e mesmo ponderar, na sua relação com o Estado democrático de Angola, e portanto, até à hora de fecho desta crónica, que se saiba, fez exactamente zero. “Considera o Governo de Portugal a possibilidade de apresentar uma queixa junto do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas e de todas as demais instâncias internacionais competentes devido à violação de direitos humanos essenciais por parte do Estado angolano neste caso concreto afectando um cidadão português?”, foi a pergunta de Pedro Filipe Soares, deputado do Bloco de Esquerda. Através do ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, a resposta do Governo português, até à hora de fecho desta crónica, era: “Nós estamos a acompanhar a situação do ponto de vista humanitário, visto tratar-se de uma matéria interna de Angola no que diz respeito ao problema da averiguação se existe ou não existe uma infracção de carácter penal, e nisso não nos imiscuímos.”

“6. A declaração de Machete foi feita segunda-feira. Terça, o Bloco de Esquerda apresentou na Assembleia Municipal de Lisboa este voto: “1. Exprimir solidariedade a Luaty Beirão, sua família e amigos; 2. Exprimir solidariedade para com todas pessoas detidas no dia 20 de junho; 3. Recomendar a imediata libertação das pessoas detidas no dia 20 de junho; 4. Remeter este voto aos órgãos de soberania e aos grupos parlamentares representados na Assembleia da República; 5. Remeter este voto à Embaixada de Angola em Portugal.” Pois, o PCP votou contra. E não só votou contra, como resolveu contrapor um voto que diz assim: “Apelar às autoridades angolanas, no quadro do respeito da sua soberania e ordem jurídico-constitucional, a consideração da situação humanitária de Luaty Beirão.” Ricardo Robles, do Bloco, argumentou: “Não é uma situação de cariz humanitário. É uma questão política. Ele é um preso político e está em risco de vida. Um preso político é um preso político. Em Angola, na China, em Cuba, nos Estados Unidos, na Turquia ou na Palestina. É um preso político e devemos respeitá-lo, porque houve tantos presos políticos no Partido Comunista Português e tanto respeito que eles merecem.” Mas o efeito, no PCP, foi exactamente zero, em consonância com a posição do Governo PSD-CDS. Para um partido que tanto preza a coerência, que desonra à sua própria história, a milhares e milhares de comunistas que deram tudo pela liberdade.


“7. Uma das coisas que Luaty diz no vídeo que o PÚBLICO pôs online esta semana é que um filho não é responsável pelo pai. Ele, Luaty Beirão, é filho de João Beirão (entretanto falecido), um próximo de José Eduardo dos Santos a ponto de ter dirigido a poderosa Fundação Eduardo dos Santos. Luaty tomou outro caminho; depois de estudar em França e Inglaterra, onde se tornou politicamente activo em manifestações e ocupações, fez uma viagem a pé de Lisboa a Luanda, com dois quilos de frutos secos e cem euros no bolso; conheceu parte de África, lentamente e sem rede; e de volta a casa manteve uma intervenção constante como rapper e activista. O extremo oposto do que aconteceu com a verdadeira filha do regime que é Isabel dos Santos, dez anos mais velha. Não só Isabel parece dormir bem com todos aqueles números sobre Angola, como a sua fortuna tem crescido inversamente às estatísticas dos miseráveis. E, como a Forbes detalhou numa investigação conjunta de Kerry A. Dolan, uma veterana da revista americana, e o incansável jornalista e activista angolano Rafael Marques de Morais, a presidência do pai favoreceu o império da filha. Isabel tem fama de trabalhar sete dias por semana para não deixar em mãos alheias o património conquistado, é um talentoso caso de estudo, alguém disse mesmo que Harvard devia estudar o talento dela. Também está bem posicionada em Portugal: Galp, BPI, NOS, BIC. Cada um faz da sua vida o que faz. O melhor que posso esperar é que esta noite Isabel dos Santos não durma assim tão bem e José Eduardo dos Santos menos ainda, e quando esta crónica sair Luaty esteja em liberdade, com todos”.