Pesquisar neste blogue

Mostrar mensagens com a etiqueta Presidencia da República. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Presidencia da República. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 9 de março de 2026

Os “meus” 10 Presidentes da República

 


Com a tomada de posse de Seguro, já “passaram” por mim 10 Presidentes da República.

Quando nasci era Craveiro Lopes o presidente, mas deste não me lembro, já que foi chutado por Salazar em 1958 e impedido de concorrer a um segundo mandato, por ter contestado o ditador.

De quem me lembro, e “me acompanhou” até aos 18 anos, foi do Américo Tomás, o corta fitas. Vi-o ao vivo quando da inauguração da Escola Técnica (actual Henriques Nogueira) em 1970.

Américo Tomás foi o vencedor das eleições fraudulentas de 1958, onde concorreu contra Humberto Delgado. O susto foi tal, que o processo de eleição presidencial passou a ser por nomeação de um colégio eleitoral controlado pelo regime, o que garantiu a perpetuação de Tomás como presidente.

Há quem diga que o único gesto de coragem do marinheiro foi ter nomeado Marcelo Caetano primeiro-ministro, contra a vontade dos ultras do regime, em 1968, por causa da doença do velho ditador.

De resto, Tomás ficou conhecido pelos seus inenarráveis discursos, motivo de chacota geral. Publicações da oposição transcreviam os seus discursos, forma de, ao mesmo tempo que fugiam à censura, ridicularizarem o regime, tal o “nível” desses discursos.

O segundo presidente da minha vida foi o Spínola, recebido por herói do 25 de Abril, mas que cedo mostrou não estar à altura das circunstâncias, envolvendo-se com grupos terroristas da extrema-direita depois de ter falhado dois golpes de Estado contra os capitães de Abril.

Seguiu-se Coata Gomes, o homem que conseguiu evitar a guerra civil e travar os ímpetos revolucionários que nos podiam ter conduzido a uma nova ditadura. Cruzei-me com ele uma vez, mas já não era presidente.

Eanes foi o primeiro presidente eleito democraticamente, o homem que contribui para a consolidação e a estabilidade da democracia, uma das raras figuras que continua a ser consensualmente respeitada por todos os sectores políticos, pala sua firmeza e honestidade.

Veio depois o primeiro presidente civil, Mário Soares, uma das personalidades mais marcantes e controversas da nossa vida democrática, uma das presidências mais marcantes. Também me cruzei com ele várias vezes, quer enquanto presidente, quer na vida civil e tenho livros por si autografados.

Também conheci Jorge Sampaio, o único presidente que apoiei desde a primeira hora, tendo feito parte da lista oficial de apoiantes. Homem culto e recto, cometeu contudo dois erros, nomear Santana Lopes e, pouco depois, ter conduzido José Sócrates ao poder.

Cavaco Silva foi o senhor que se seguiu, para mim o pior de todos os presidentes eleitos, arrogante, ignorante atrevido, responsável pelos abusos da banca e pela desastrosa política do “ir além da Troika”. Só deixou saudades a uma certa direita arruaceira.

Com Marcelo Rebelo de Sousa também me cruzei várias vezes. Deixa agora a presidência como o mais popular de todos os presidentes, um dos mais cultos e criativos, embora tenha cometido erros político que nos conduziram à actual situação de instabilidade política e contribui involuntariamente para a ascensão da extrema-direita em Portugal.

O novo presidente António José Seguro, vai encontrar um país com graves problemas, agravados pela grave crise internacional. É, contudo, até agora o politico com maior apoio político da nossa história democrática e tem a obrigação de estar à altura das circunstâncias.

Cá estaremos para ver, desejando-lhe as maiores felicidades, para bem do país.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

E O MEU VOTO VAI PARA…


 …Bem!...é mais fácil dizer para onde não vai.

Não vai NUNCA para o André nem para o Cotrim, nem na primeira, nem na segunda volta e, se por azar e desgraça da nossa democracia (Lagarto!Lagarto!Lagarto) as emanações locais, respectivamente, de um Trumpezinho ou de um Mileizinho, fossem à segunda volta, votaria em branco, ou ainda pior.

Na primeira volta o meu voto também não vai, de certeza, nem para o Almirante nem para o  “pequenote”, embora tenha de votar num deles se forem à segunda volta contra um dos anteriores, enfrentando outra escolha difícil se os dois forem à “final”.

A minha dúvida está entre um Filipe, o único candidato capaz mas sem possibilidade de ir à segunda volta ou, se alguma vez por milagre, coisa pouco aceitável para um “comunista”, lá chegasse, teria de enfrentar o inferno na Terra e teria uma presidência ingovernável, e o cinzentão Seguro, o único candidato da esquerda que pode chegar a uma segunda volta e em quem votarei, se aqui chegar, contra qualquer um dos quatro cavaleiros do apocalipse acima mencionados.

Escolher entre estes dois vai ser o meu dilema, numa decisão que só tomarei, como acontece com cada vez mais frequência, na hora de me abrigar para colocar a cruzinha no boletim.

E tenho dito!

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Um Adeus a Jorge Sampaio, que é também um "Obrigado!"

 


Faleceu hoje o ex-presidente da República Jorge Sampaio.

A sua importância histórica vai muito para além do seu cargo presidencial.

Foi uma figura de referência na oposição ao Estado Novo, primeiro nas lutas estudantis de 1962, depois como advogado de defesa de presos políticos e como candidato nas listas da oposição, pelo CDE, em 1969, numa das raras ocasiões em que a oposição foi até às urnas, apesar da fraude eleitoral generalizada que impediu a eleição de deputados da oposição.

Depois do 25 de Abril, foi fundador do MES, secretário de estado do IV governo provisório, apoiante do Grupo dos Nove, aderindo ao PS em 1978 e sendo eleito deputado em 1979.

Ocupou vários cargos políticos de relevo nacional e internacional, quase todos ligados à defesa dos Direitos Humanos e à causa de um urbanismo sustentável.

Eleito Secretário Geral do PS em 1989, concorre à Câmara Municipal de Lisboa em coligação com o PCP, ganhando a maioria absoluta e batendo Marcelo Rebelo de Sousa, sendo reeleito em 1993, desta vez também com o apoio da UDP e do PSR (que viriam a fundar o BE), antecipando assim o que veio a ser, quase duas décadas mais tarde, a solução governativa conhecida por “geringonça”.

Deixou o cargo em 1995 para se candidatar à presidência da República, enfrentando Cavaco Silva, que derrotou facilmente, voltando a ter o apoio indirecto do PCP, por desistência do seu candidato Jerónimo de Sousa. Foi reeleito em 2006.

Foi o único político que conseguiu derrotar Cavaco Silva, não deixando de ser curioso que, em circunstância diferentes, derrotou os dois presidentes que lhe sucederam no cargo (Cavaco e Marcelo).

Como presidente da República governou num dos períodos mais prósperos, mais esperançosos e dos  mais consensuais vividos em democracia.

Contudo, cometeu no final do seu mandato um dos seus piores erros políticos, embora não intencional e motivado pelas circunstância, que foi o de facilitar a ascensão à liderança do PS e do país de José Sócrates.

Mesmo assim, comparando o seu mandato com o do seu sucessor, um Cavaco Silva ressabiado, intolerante e faccioso, a sua presidência corresponde a um dos períodos mais brilhante da nossa democracia.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

No país do "dito cujo"


Por cá, o “dito cujo” ficou em 2º, situação que se repetiu em 10 das 13 freguesias, com um total  de mais de 4 mil votos obtidos.

Ana Gomes só ficou à frente do “dito” na maior freguesia (a urbana), na do Turcifal (uma terra com pergaminhos, dominada por uma elite culta e endinheirada, alguma brasonada) e na freguesia onde o PCP tem mais peso, a da Carvoeira.

Muita da minha  gente que vota à esquerda, mesmo PCP, votou Marcelo, para evitar uma segunda volta, outros votaram Ana Gomes, para travar o xenófobo. 

As poucas pessoas que conheço que estão com o Ventura vieram maioritariamente do CDS, menos do PSD, outros da abstenção ressabiada com tantos anos de democracia, alguns têm origem na extrema-direita de sempre, saudosos de Salazar, há mesmo monárquicos, da monarquia mais retrógrada (ainda saudosos do miguelismo, onde militaram antepassados), e alguns "anarco-convencido", daqueles que falam mal de tudo.

Esta é a minha "análise" empírica.

“Cientificamente”, recordo uma sondagem publicada no Público de 6ª feira, com análise da origem dos eleitores de cada partido, onde a maioria dos votantes do Chega que não tinham votado já no Chega nas anteriores legislativas, tinham origem no PSD (cerca de 10%) e no CDS (outros 9%). Seguiam-se os que votaram na Iniciativa Liberal (6%),no BE (5%),no PS (3%) e, só então,  no PAN (2%) e na CDU (2%).

Esta situação, mais a que eu observei em cima de forma empírica, e uma análise fina dos resultados, mostra que, ao contrário da intervenção disparatada do Rui Rio, a origem do crescimento do Chega não está nos eleitores do PCP, mas da direita clássica.

A forte votação do “dito” no Alentejo deve-se, não tanto aos eleitores tradicionais do PCP, embora possa haver uma pequena minoria nessa situação, mas a uma espécie de coligação negativa anticomunista, ressabiada com a longa influência da esquerda nesse território, já que o candidato do PCP, numa situação de maior abstenção, teve, nessa região, quase os mesmos votos e percentagem do candidato desse partido em 2016.

O CDS, como se verá em próximas eleições, e as sondagens já revelam, é, para já, o mais penalizado com o crescimento da extrema-direita, o que mostra de onde vem o crescimento do Chega, mas, se Rui Rio continuar por esta via, de euforia pelos resultados do “dito”, normalizando-o, então o PSD corre risco idêntico, e, com o desaparecimento do CDS e o enfraquecimento do PSD à direita, é a nossa democracia vai estar em perigo.

Por outro lado, a esquerda, enquanto andar preocupada com as capelinhas próprias e a ver quem é a "verdadeira esquerda", numa espécie de campeonato dos pequeninos, sem se unir no essencial, também presta um grande favor ao dito intolerante.

Também não é numa posição de gritaria histérica “antifascista” que se combate o crescimento da “coisa”.

O “fascismo” teve o seu momento histórico, mas foi um movimento “pragmático”, de tal forma que  quem defenda que nunca houve um fascismo puro.

Enquanto andar à caça do “fascista”, vai continuar deixar escapar a verdadeira origem do crescimento do dito: a intolerância, o medo, a ignorância, a raiva, a pobreza, a desigualdade, a corrupção.

Embora com pontos em comum    na  origem do "coiso", esse conceito de “fascismo” não é o que melhor pode ajudar a compreender e combater o fenómeno.

É através de argumentos sólidos, do exemplo, da desmontagem das mentiras, do desmascarar das falácias, da informação fundamentada, mostrando a superioridade da democracia, da liberdade e da tolerância, que se consegue isolar esses intolerantes de discurso fácil, de promessas tentadoras, gente sinistra que gravita à volta do “dito”, remetendo-os para as "catacumbas" de onde vieram.

Esta é a minha modesta e superficial análise da trágica situação a que chegámos.

Que "são Marcelo" nos valha!

domingo, 24 de janeiro de 2021

Votando


Já fui votar.

Havia movimento, mas bastante distanciamento e tudo bem organizado e espaçoso.

Ou, seja, por medo, não há razão para, pelo menos aqui na cidade de Torres Vedras, alguém deixar de exercer o seu direito de voto.

Infelizmente, muitos dos que se desculpam com o medo, como noutras alturas com o tempo, para não votarem, são os mesmos que hoje vejo aqui a encher o supermercado junto da minha casa, em condições de distanciamento e mobilidade muito mais arriscadas que aquelas que eu vi nas mesas de voto. 

Situação esta, idêntica a uma "visita" que tive de fazer ao Hospital da CUF, também meu vizinho, na semana passada, com muita gente a cruzar-se e com maior proximidade e mobilidade do que nas mesas de voto de hoje.

Por isso, votem em segurança.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Presidenciais – As minhas “previsões” : entre o desejável, o temido e a realidade.

(Cartoon da RTP)

Não sendo imprevisíveis os resultados, existe desde já uma incógnita que tudo pode baralhar: o efeito da Covid-19 na abstenção.

Uma grande abstenção, acima dos 50%, pode provocar alguns “cataclismos” e esboroar o que as mais recentes sondagens indicam, uma vitória à primeira volta de Marcelo, um despique pelo segundo lugar entre Ana Gomes e o extremista, e o afundamento das candidaturas de João Ferreira e Maris Matias, a disputar o penúltimo lugar com o candidato da Iniciativa Liberal.

Já se percebeu que vai haver uma grande transferência de votos do eleitorado do PSD e do CDS para o candidato xenófobo e populista, e algum para o candidato da Iniciativa Liberal.

Uma grande abstenção, muita dela oriunda provavelmente do PS, vai beneficiar, em termos percentuais, as candidaturas mais militantes, como a do racista  e a de João Ferreira e até pode forçar a uma segunda volta.

A minha “previsão desejável” era que Marcelo vencesse à primeira volta, os três candidatos da esquerda ficassem à frente do populista da extrema-direita, que este se quedasse abaixo dos 10% e que João Ferreira ficasse acima dos 6%.

A minha “previsão mais temida” é haver uma segunda volta, que o extremista fique em segundo ou terceiro, com mais de 10% dos votos e com mais votos do que João Ferreira e Marisa Matias juntos.

A Minha “previsão mais realista” é que Marcelo ganhe à primeira volta, que Ana Gomes seja a segunda candidata mais votada e que Marisa, João Ferreira e o racista tenham mais ou menos a mesma percentagem, não conseguindo o xenófobo ter mais votos do que a Marisa e o João Ferreira, embora se possa aproximar dos 10%.

Veremos o que acontece.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

João Ferreira, Obviamente!


Já tinha prometido AQUI que me ia pronunciar sobre a minha escolha para as próximas eleições presidenciais.

Pela segunda vez, em mais de 40 nos de democracia, vou votar num candidato do PCP, em João Ferreira.

A última vez que o fiz foi em 1991, quando votei em Carlos Carvalhas.

Nas últimas eleições votei e declarei apoio público a Sampaio da Nóvoa.

Claro que espero um bom resultado para Marisa Matias e para Ana Gomes, e não nego alguma simpatia pela simplicidade e espontaneidade de um Vitorino Silva.

O célebre “Tino de Rãs” foi, aliás, o único que deixou o Ventura ko nos debates a dois, com as suas metáforas e a melhor resposta ao racismo anti-cigano do candidato da extrema  direita.

Estas são umas das eleições mais atípicas de sempre, não só porque a reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa, o melhor presidente de sempre em democracia, está garantida, mas também por causa da situação de crise sanitária em que se vive.

Claro que há um grande risco de se atingir o record de abstenções, e que essa situação pode baralhar tudo, inclusive levar a uma inesperada segunda volta. Neste caso votaria em Marcelo.

Pelo que tenho visto até agora, e confirmou-se no debate de ontem, só existem dois candidatos credíveis e com um discurso estruturado, Marcelo e João Ferreira.

Marisa Matias é uma candidata credível, mas não vem trazer nada de novo à campanha, a não ser segurar o eleitorado fiel do BE. Pela minha parte, enquanto me lembrar da posição do BE na votação do último orçamento, não voltarei a votar em candidatos do BE, como aconteceu pontualmente no passado.

Ana Gomes tem um passado que a honra, foi das raras militantes do PS que denunciou desde o princípio, o clima de corrupção que se instalou no PS nos tempos de Sócrates, mas tem uma  postura demasiado turbulenta, roçando por vezes o mais boçal e arruaceiro populismo, que, quanto a mim, não se coaduna com o cargo de Presidente da República.

Estando garantida a reeleição de Marcelo, existem outras situações que estão em jogo nestas eleições.

À direita o candidato da IL e o candidato do Chega procuram reforçar a mensagem antissocial e neoliberal do primeiro e antidemocrática e extremista do segundo.

O candidato do IL é o mais fraquinho de todos, com uma retórica muito básica de preconceitos ideológicos de cariz neoliberal, apesar da simpatia que por ele nutrem os comentadores da SIC e do Expresso, e dele não é de esperar melhor que o último lugar. Pelo contrário, se por absurdo esse candidato conseguisse ultrapassar pelo menos um candidato da esquerda, poderá cantar "vitória".

Já a posição do Ventura é mais preocupante. Se conseguir ficar à frente de, pelo menos, dois dos candidatos da esquerda, conseguindo o objectivo de disputar a segunda posição com Ana Gomes e ter mais votos que os candidatos do BE e do PCP juntos, pode gerar uma preocupante dinâmica de crescimento da extrema-direita em Portugal.

Claro que, um resultado que não seja esse, vai esvaziar rapidamente o projecto antidemocrático e xenófobo desse candidato, o que seria uma benesse para o país.

Pela nossa parte, o único candidato à esquerda que trás algo de novo e pode dar um contributo para mudar alguma coisa nesta área, é João Ferreira, já que, para além de ser o candidato melhor preparado, a par de Marcelo, conseguindo um resultado significativo, poderá dar inicio a uma dinâmica que o leve a ser escolhido para substituir Jerónimo de Sousa na liderança do PCP, à frente do qual pode contribuir para a necessária renovação de um partido fundamental para manter acesa a chama defesa dos direitos socias e de quem trabalha, inovando o discurso e abrindo o partido.

O melhor que podia acontecer a João Ferreira era ficar em 3º ou 4º lugar, à frente de Ventura, conseguindo, com os votos de Marias Matias, ou por si só, ter mais votos que o candidato da extrema-direita.

Se ficar atrás deste candidato e atrás de Marisa Matias e com uma votação abaixo de 5%, João Ferreira perderá as condições para liderar o PCP e este partido deixará de ter condições para se renovar, acentuando o seu declínio dos últimos anos.

Por tudo isto, declaro aqui, publicamente, o meu voto no candidato João Ferreira.

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

A entrevista "fofinha" de Sousa Tavares a André Ventura.

 


Na passada 2ª feira a TVI 24 iniciou uma série de entrevistas, conduzidas por Miguel Sousa Tavares, aos candidatos à Presidência.

Para respeitar a ordem crescente da representação parlamentar, o primeiro entrevistado foi André Ventura e a coisa não correu muito bem (ver comentário à mesma AQUI).

De facto Sousa Tavares mostrou-se, mais uma vez, mal preparado e muito condescendente com André Ventura.

Conhecido pela sua agressividade, a roçar a boçalidade e má criação, nos seus comentários e nas entrevistas, principalmente quando tem pela frente alguém de quem não gosta, desta vez viu-se um Sousa Tavares que deixou Ventura à vontade, sem usar o contraditório ou sem questionar aspectos polémicos e até abjectos do discurso do líder do Chega.

O próprio Ventura, tipo esperto, usou muitas vezes argumentos dos comentários populistas do próprio Sousa Tavares para defender as suas miseráveis idéias e calar Sousa Tavares, acrescentando (tratando-o por tu) "como o Miguel sabe" ou "como o Miguel diz".

há muito tempo que questionamos as qualidades jornalísticas de Sousa Tavares.

Embora escreva bem, revela-se quase sempre mal preparado, preconceituoso, parcial, roçando o balofo, nas opiniões que escreve, vivendo muito da fama do passado, granjeada pela sua colaboração na revista "Grande Reportagem".

Veremos se, nas próximas entrevistas, Sousa Tavares vai ser tão "fofinho" e condescendente como foi com André Ventura na passada 2ª feira.

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Obviamente, Biden!!

 


Criança ainda, lembro-me do interesse e entusiasmo com que lá por casa se seguia o desenrolar das eleições norte-americanas.

Num país então a viver em ditadura, como era o caso do Portugal dos anos 60, acompanhar o desenrolar da campanha americana e apoiar este ou aquele candidato em ambiente familiar, era uma lufada de ar fresco no ambiente cinzento e politicamente tenebroso do Estado Novo.

Era uma forma de aprendizagem democrática, proibida nas ruas e na escola.

Lá em casa torcia-se sempre pelo candidato mais “liberal” do partido democrático, Robert Kennedy em 1968 , McGovern em 1972.

Um dos primeiros acontecimentos de que me lembro foi o do assassinato do presidente Kennedy em 1963, acontecimento que foi vivido lá por casa tristeza, situação que se havia de repetir com assassinato de Robert Kennedy em 1968, o mesmo ano do assassinato de outra figura carismática da política americana, Martin Luther King.

Quanto a McGovern, o candidato democrático que concorreu contra Nixon nas eleições de 1972, lembro-me de uma ocasião, no intervalo das aulas no liceu de Torres Vedras, em que formámos claques, com uns a gritar por Nixon, a maioria aliás, e um pequeno grupos, entre os quais me incluía,  a gritar por McGovern, não que tivesse grande consciência das diferenças, como acontecia com toda a miudagem, mas por imitação do que ouvíamos lá por casa.

Foi um dos raros momentos de vivência “democrática” de que me lembro  ter participado antes do 25 de Abril e admiro-me, ainda hoje, como esse pequeno e breve acto de "rebeldia" inconsciente não teve consequências, talvez porque a “América” fosse, apesar de democrata, um aliado da ditadura portuguesa.

Foi preciso esperar muito tempo, até à eleição de Barack Obama em 2009, para sentir a alegria de festejar o resultado de um acto eleitoral nos Estados Unidos.

Claro que, como se tem visto pela forma como essas eleições têm decorrido nas duas últimas décadas, a democracia norte-americana não é assim tão democrática nem é o modelo de legitimidade que a “América” gosta de vender e impor ao mundo.

Primeiro, com a eleição de George W. Bush em 2001, batendo um dos melhores candidatos democráticos de sempre, Al Gore, que tinha mais um milhão de votos do que o candidato republicano, num processo muito duvidoso, como se viu, principalmente, na Flórida,  e que, na Europa, seria considerado de fraudulento, e, depois, em 2017, com a eleição de Trump, eleito apesar de ter menos de  3 milhões de votos que a candidata democrática,  ficou evidente que a “democracia” americana deixa muito a desejar.

E, neste campo, o pior ainda está para vir nas próximas semanas.

É preciso recuar ao século XIX para se encontrar duas situações idênticas à duas que, em apenas 20 anos, elegeram um candidato republicano, com menos votos do que o candidato democrático, pondo a nu o processo eleitoral dos Estados Unidos, onde reina a injustiça e a falta de proporcionalidade.

Se juntarmos a tudo isto estudos recentes que revelam a fraude eleitoral em larga escala em muitas eleições realizadas no século XX, estamos perante uma “democracia” que não é muito diferente de outras “democracias” que o ocidente costuma condenar de forma veemente.

Em termos de “democracia” os Estados Unidos não são exemplo para ninguém.

A forma injusta como funciona a (falta da) lei da proporcionalidade, normal em qualquer democracia europeia, faz dos Estados Unidos, não uma “ditadura de partido único”, mas uma espécie de “ditadura bi-partidária”, ainda por cima construída em prejuízo do Partido Democrático.

Apesar de todas as limitações dessa democracia muito imperfeita, torcemos pelo candidato Joe Biden, apesar da sua falta de carisma.

Biden é, apesar de tudo, um homem decente, com uma história de vida exemplar, ao contrário do seu adversário.

Trump é um arruaceiro irresponsável, mentiroso, arrogante, trafulha da pior espécie, uma pessoa não confiável.

Esperemos que, apesar de todas as limitações, a justiça democrática funcione desta vez, não só para bem do povo norte-americano, mas do mundo em geral.

Por isso…Obviamente votaríamos Joe Biden!!

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Presidenciais 2021 – “desenhando” opções

(Fonte: Sic)
O quadro dos candidatos às próximas eleições presidenciais começa a ficar definido, faltando ainda formalizar a sua legalização.

Este passo vai deixar pelo caminho alguns dos 10 presumíveis candidatos, quando ainda falta formalizar a candidatura do 11º e o mais esperado/provável candidato vencedor, o actual presidente professor Marcelo.

A não ser que se desse uma surpreendente reviravolta, isto é, se Marcelo decidisse não se recandidatar, o mais certo é a sua recandidatura e, neste caso, mais certo ainda, uma vitória folgada, logo à primeira volta.

Pela minha parte considero que, apesar de não ser da minha área política, Marcelo Rebelo de Sousa tem-se revelado um bom presidente da República, até por contraste com a presidência de Cavaco, uma das piores da nossa história recente, ao mesmo tempo que tem conseguido travar, absorvendo-o, o populismo que tem minado os sistemas democráticos europeus.

Sendo segura a sua vitória, não pertencendo eu à sua área política e prevendo um segundo mandato mais interventivo e até conflituoso com a esquerda, irei votar num candidato à esquerda, até para travar um resultado esmagador que daria a Marcelo um força desproporcionada que fragilizaria a relação institucional entre Presidente, Governo e Parlamento, factor de maior conflitualidade social e política, prejudicial para a resolução e atenuação da  gravidade do momento que se vive.

Não surgindo à esquerda um candidato que me “encha as medidas”, como aconteceu com Sampaio da Nóvoa nas últimas eleições, a minha opção terá de ser, a não surgir uma surpresa de última hora, entre um dos três candidatos que se perfilam nessa área: Ana Gomes; Marisa Matias; João Ferreira.

Qualquer um desses candidatos tem pontos positivos e negativos, mas são, cada um com as suas características, bons candidatos para a esquerda.

Em comum, têm a sua ligação ao Parlamento Europeu, o que poderá contribuir para anular algumas pulsões mais antieuropeístas de uma grande parte do eleitorado de esquerda.

Por outro lado, podendo contribuir para recentrar o debate na “Europa”, podem também contribuir para uma visão mais crítica e, ao mesmo tempo construtiva, sobre algumas decisões da burocracia europeia, mostrando que podem existir alternativas para o modelo Europeu que essa burocracia insiste em impor como via única.

Podem, por exemplo, contribuir para recentrar o papel dos cidadãos na construção europeia, como alternativa daquele modelo que nos têm imposto desde a Troika, que tem sido o de favorecer as negociatas obscuras das grandes empresas e as imposições do corrupto sistema financeiro.

Sobre as características positivas e negativas de cada um daqueles candidatos, análise que, juntamente com a forma como se vão portar durante a campanha, será decisiva para a minha decisão final sobre o candidato em quem irei votar, fá-la-ei em próxima crónica.

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Os “meus” Presidentes da República

 


Sempre votei.

Umas vezes votei por convicção, outras para escolher o que eu, erradamente ou não, considerava o “mal menor”, outras ainda apenas como um voto de protesto ou contra a corrente.

Nas eleições presidências as minhas escolhas têm sido mais heterogéneas, embora votando sempre à “esquerda”, seja lá o que isso for.

Empenhei-me a fundo logo nas primeiras eleições presidenciais democráticas, em 1976, no apoio a Otelo Saraiva de Carvalho, tendo participado na distribuição de propaganda, distribuição de cartazes e na colagem de cartazes. Nesse mesmo ano ainda fui candidato pelos GDUP’s. movimento surgido dessas eleições , à Câmara de Torres.

Nas eleições presidenciais seguintes, as de 1980, já votei em Otelo apenas como um voto de “protesto” e contra corrente , não tanto por convicção, tendo ficado contente com a reeleição de Ramalho Eanes, de quem posso afirmar, à distância da história, que, não tendo votado nele, foi um grande presidente e é, ainda hoje, um exemplo, cada vez mais raro, de honestidade na vida política.

Em 1986 voltei a estar activamente ligado a uma candidatura, tendo mesmo privado de perto com a candidata e o seu staff eleitoral, um dos momentos de maior actividade política da minha parte, apoiando Maria de Lurdes Pintasilgo. Como ela não passou à segunda volta, acabei por “engolir o sapo” Mário Soares.

Nas eleições de 1991, apenas como voto de protesto, sem grande convicção, votei pela primeira vez, e única até hoje, num candidato presidencial do Partido Comunista, Carlos Carvalhas, na certeza, então, que Soares seria reeleito. Mário Soares não foi nenhum “sapo” difícil de ingerir e até considero que foi um bom presidente.

Em 1996 voltei a assumir publicamente e a participar activamente numa eleição presidencial, apoiando, desde a primeira hora, Jorge Sampaio, em quem votei por convicção, dando-me, pela primeira vez, a oportunidade de saborear uma vitória eleitoral.

Prevendo que a sua reeleição estava garantida votei, em 2001, como voto de contra corrente, mas também por consideração intelectual, no candidato Fernando Rosas. Não apreciei tanto o segundo mandato de Sampaio. Não me esqueço do modo como ele apoiou a ascensão de José Sócrates a primeiro-ministro.

Em 2006 votei em Francisco Louçã, como voto de protesto. Foi o ano da eleição de Cavaco Silva, o pior Presidente que tivemos até hoje, conivente com o descalabro financeiro da Banca e responsável pelo êxito inicial da politica anti social de Sócrates. Mas o pior viria no segundo mandato, com a forma como foi conivente no ir “além da Troika”, com os resultados conhecidos

Em 2011 voltei a manifestar publicamente o meu apoio a um candidato, Fernando Nobre,  mas esse apoio resumiu-se a assumi-lo em post’s no meu blog Pedras Rolantes. Ferenando Nobre desiludiu-me ao aceitar dar apoio a Passos Coelho e a entrar para o parlamento pelo PSD, embora lhe tenha acabado enxovalhado e maltratado por estes. Cavaco foi reeleito e confirmou-se como o pior Presidente.

Nas últimas eleições voltei  a manifestar publicamente o meu apoio convicto a um candidato, desta vez a Sampaio da Nóvoa. Mas não me desagradou de todo a eleição de Marcelo Rebel de Sousa, um dos raros candidatos da direita a este cargo com competência intelectual e política.

Sobre as eleições deste ano, ainda não decidi o meu apoio, mas terei oportunidade de o fazer aqui em breve, assim que esteja confirmada a lista de candidatos…e, não… Marcelo, apesar da imagem positiva que tenho do seu primeiro mandato, não será esse candidato.

quinta-feira, 10 de março de 2016

O Primeiro Dia sem Cavaco


Este é o primeiro dia sem Cavaco, motivo de regozijo para quem, como eu, acha que, primeiro como governante, depois como presidente, Cavaco Silva contribuiu para conduzir o país ao beco sem saída em que nos encontramos.

Como Primeiro-Ministro muito contribui para destruir a produção nacional, a agricultura, a industria e as pescas, em troca de uma ilusória abastança à custa de fundos estruturais europeus, usados nas negociatas financeiras do próprio e dos amigos e na construção de uma idéia de desenvolvimento alicerçada num vago “capitalismo popular”, em obras faraônicas e num consumo desenfreado.

Depois, como Presidente, quando nos apresentaram a conta do desvario, portou-se como um autêntico líder de quadrilha, apoiando o governo anterior no assalto aos direitos e ao bolso dos portugueses para salvar ao amigos da finanças e das negociatas.


O cavaquismo e os seus estragos vão perdurar ainda por muito tempo, até porque deixou muitos fiéis seguidores, na politica, na comunicação social e no mundo das negociatas, mas ontem foi um dia de esperança.

Pelo menos temos a garantia que Cavaco Silva já não vai voltar a fazer estragos.

Em sua “homenagem” aqui deixamos uma “quadra popular”, baseada numa “música” dos santos populares:

O CAVACO JÁ SE ACABOU.
O COELHO ESTÁ-SE A ACABAR
PAULO PORTAS, PAULO PORTAS, PAULO PORTAS
ENTRA NO SUBMARINO

P’RA NÂO MAIS VOLTARES…

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

OS "MEUS" PRESIDENTES DA REPÚBLICA

Desde que se realizam eleições democráticas para Presidente da República que tenho participado, umas vezes mais activamente, outras menos, muitas com maior convicção e outras com menos.

A propósito das eleições do passado Domingo dei por mim a recordar o meu sentido de voto ao longo destes últimos 40 anos de eleição presidencial.

Nas primeiras, realizadas em 1976, participei activamente na campanha eleitoral, a nível local, nos "GDUP'S", organização que nasceu para apoiar a candidatura de Otelo Saraiva de Carvalho, que acabou por ser batido à 1ª volta por Ramalho Eanes.

Nas segundas eleições, as de 1980, que reconduziram Eanes, e que foram as mais participadas de sempre, já votei com menos convicção, mais como voto de protesto, novamente em Otelo.

Em 1986 voltei a participar activamente na campanha eleitoral, como apoiante de Maria de Lurdes Pintasilgo, que cheguei a conhecer pessoalmente. Nestas eleições teve de se realizar uma segunda volta entre Freitas do Amaral e Mário Soares, votando "útil" neste último.

Em 1991 Mário Soares foi reconduzido e deste vez, também como voto de "protesto" votei em Carlos Carvalhas, o candidato do PCP.

Em 1996 voltei a participar activamente na campanha, fazendo parte do núcleo local de apoio a Jorge Sampaio desde a primeira hora e foi também a primeira vez que senti o "sabor da vitória". Cavaco Silva foi o derrotado.

Nas eleições que reconduziram Sampaio, e porque me pareceu que o meu voto não era necessário, optei por votar em Fernando Rosas, o candidato apresentado pelo Bloco de Esquerda, pessoa que muito estimo e que também conhecia pessoalmente.

As eleições de 2006, que deram a vitória a Cavaco Silva, são as únicas em quem não me recordo em quem votei, tal a indecisão até ao último momento. Terá sido em Jerónimo de Sousa, da CDU, ou em Francisco Louçã do BE? A dúvida vem do facto de muitas vezes ter votado, ora no PSR ora no BE quando eram liderado por Louçã.

Em 2011 exprimi logo de início o meu sentido de voto, desta vez no candidato independente Fernando Nobre, talvez a maior desilusão e, por isso o único arrependimento do meu sentido de voto.

Este ano voltei a manifestar desde cedo o meu apoio ao candidato Sampaio da Nóvoa, que fez uma excelente campanha, conseguindo tornar-se conhecido e ficando muito próximo de obrigar o candidato mediático Rebelo de Sousa a ir a uma segunda volta. Penso que a experiência política e eleitoral de Nóvoa não vai ficar por aqui.

Resultado das Eleições Presidenciais de 24 de Janeiro de 2016 no concelho de Torres Vedras

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Presidenciais - O Último Debate


Teve ontem lugar no primeiro canal da RTP o último debate que reuniu a maior parte dos candidatos presidenciais (leiam AQUI a interessante reportagem que a TSF dedicou ao tem).

Faltou Maria de Belém, por razões que se prendem com o falecimento de Almeida Santos, um dos seus mais importantes apoiantes, situação que a livrou de ser o bombo da festa, no dia em que se soube que ela foi uma das ex-deputadas que, vergonhosamente, requereu ao tribunal constitucional a revisão das famigeradas subvenções vitalícias.

O debate foi dominado por Marisa Matias, que o ganhou, a única candidata presente que soube esclarecer e cativar a audiência.

Os dois mais fortes candidatos presentes, Sampaio da Nóva e Marcelo Rebelo de Sousa, primaram pela discrição e nada acrescentaram ao que deles já se sabe.

Foi pena Sampaio da Nóvoa ter desperdiçado esta ocasião para se afirmar, de forma clara e frontal, como o grande candidato que é.

Pelo contrário, para  além de Marisa Matias, que se revelou a anos luz dos restantes candidatos, outros candidatos conseguiram afirmar-se pela positiva neste debate, como Edgar Silva pela coerência e pela frontalidade, Henrique Neto, pela sobriedade e serenidade  ou o “Tino de Rans” que, genuíno, mostrou que não é o “pateta” que muitos querem fazer dele e que até pode ser uma surpresa nesta eleições.

Pelo contrário, pela negativa, estiveram os restantes candidatos, mostrando que pouco têm para acrescentar a esta campanha.

Paulo de Morais, se teve o mérito de trazer para debate o grave problema da corrupção entre os poderosos deste país, demonstrou que  não tem nada de novo para acrescentar a essa ladainha que já começa a raiar a pura demagogia.

Jorge Sequeira, além da sua boa disposição e descontracção, pouco tem para nos mostrar e revela-se o mais irrelevante de todos os candidatos.

Mas o pior de todos foi Cândido Ferreira, boçal, convencido e arrogante, recorrendo ao ataque pessoal contra os seus adversários e que, neste debate foi reduzido à sua pequena dimensão política por todos os candidatos que o confrontaram com as mentiras que tem andado a lançar nesta campanha.

Não sei se chegou, mas gostei de acompanhar o debate e espero que contribua para reduzir a abstenção.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Presidenciais, a semana decisiva.


Se dúvidas houvesse sobre a forma como a presidência de Cavaco Silva contribuiu para o desprestígio do cargo presidencial, a forma morna e desinteressante como decorre a campanha presidencial aí está para o provar.

Já aqui o dissemos que, depois de Cavaco Silva, qualquer candidato serve e até o Tino de Rans daria um “bom” presidente.

Mas, se subirmos a fasquia, isto é, se usarmos como comparação os três presidentes eleitos antes de Cavaco, isto é, Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio, então o leque de candidatos com qualidades reduz-se imenso e, quanto a nós, apenas quatro estão em condições de se compararem com esses três.

São eles, Sampaio da Nóvoa, Marcelo Rebelo de Sousa, Marisa Matias e Maria de Belém.

Nesta primeira semana de campanha, Marcelo Rebelo de Sousa mostrou-se igual a si próprio, popularucho quanto baste, procurando fazer esquecer que é o candidato da direita neoliberal  revanchista, que, ao votar nele, engole ao mesmo tampo um grande sapo, e, se dúvidas houvesse, Passos Coelho apareceu a recordar em quem vai votar.

Maria de Belém foi a grande desilusão. Mostrou-se pouco credível, muito “aparelhista”, sem convicção, mais preocupada nos ataques pessoais  a Sampaio da Nóvoa do que em apresentar ideias novas.

A grande revelação, pela positiva, foi a candidata Marisa Matias, com intervenções de grande qualidade, humilde quanto baste,  incisiva e credível, mostrando que o Bloco de Esquerda é o partido que produz os candidatos mais inovadores para o futuro do país. Contudo, não me parece que seja a candidata em melhor posição para bater o candidato da direita na segunda volta.

Por último, o candidato em quem vamos votar, Sampaio da Nóvoa, tem vindo a fazer uma campanha em crescendo, ganhando a visibilidade que lhe faltava e mostrando que é um candidato credível que, sendo de esquerda, é capaz de dialogar e lançar pontes ao centro e ao centro-direita, sendo assim melhor candidato para disputar a segunda volta contra Marcelo.

Entre os restantes candidatos, Edgar Silva tem sido outro candidato que tem desiludido, não sendo de estranhar que nem o eleitorado tradicional do PCP ele venha a conseguir garantir, enquanto Tino de Rans se destaca pela sua genuinidade.

O resto é paisagem…

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Obviamente, Sampaio da Nóvoa!


Numa situação rara na política portuguesa recente, os candidatos que concorrem à presidência da República são, na sua totalidade, pessoas decentes.

Daí, para além das questões ideológicas que os podem distinguir, a dificuldade de escolha.

Marcelo Rebelo de Sousa, que surge em vantagem nas intenções de voto, não deve essa vantagem ao facto de ser melhor do que os outros, mas ao facto de ter beneficiado, ao longo destes últimos anos, de maior visibilidade na comunicação social.

Intelectual e politicamente existem muitos outros candidatos que estão tão ou mais capacitados do que Marcelo para ocuparem o lugar em disputa.

Além disso o apoio que recebe dos partidos da direita limita a independência da sua candidatura.

A própria personalidade de Marcelo é uma incógnita, já que ele é um mestre em dissimular as suas próprias intenções políticas, muito marcado pela política espectáculo da sua carreira como comentador e, por isso, se não me assusta, não me cativa como candidato.

Maria de Belém, a outra candidata forte nestas eleições, beneficia de uma longa experiência política e de uma promissora experiência governativa, o que é uma vantagem, mas, na actual conjuntura, pode ser um óbice.

A desvantagem dessa situação vem  do facto de, mesmo os melhores políticos, como é o caso dessa candidata, viverem num mundo diferente da realidade, uma realidade que inclui os poderes políticos e financeiros, uma elite cada vez mais afastada da vida das pessoas, e que da vida fora da política ou dos negócios apenas conhece as estatísticas, resumindo cada cidadão a um número dessas estatísticas.

Além disso é uma figura demasiado cinzenta e autoritária e gente cinzenta e autoritária já nós aturamos na presidência há dez anos.

E é assim que chegamos a Sampaio da Nóvoa.

Não foi criado pela comunicação social nem no carreirismo político, foi “criado” com muito trabalho, numa área exigente, a do ensino universitário, revelando capacidades de liderança enquanto reitor  da Universidade de Lisboa ,combinando uma postura humilde, que o aproxima do comum dos cidadãos , com o conhecimento profundo da realidade portuguesa e, naquilo que é cada vez mais raro nos políticos portugueses , pensando a sociedade portuguesa para além dos lugares comuns ou da imediatismo.

(Sobre o essencial do seu pensamento, aconselhamos a leitura AQUI do seu discurso enquanto presidente da comissão organizadora das comemorações do 10 de Junho em 2012).

Precisamos de ser representados, no mais alto cargo da República, por alguém que seja diferente, criativo, culto,  independente, que respeita os cidadãos e ponha o interesse destes acima dos interesses da baixa política ou do sector financeiro, que conheça o país, a sua história, a sua cultura, e que nos puxe para a frente, com firmeza, mas com humildade.

Alguém que dê cor à Presidência da República.

Por tudo isso, aqui declaramos oficialmente o apoio do administrador deste blog à candidatura de Sampaio da Nóvoa.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

E agora, as presidenciais…


Com dez candidatos à corrida, as presidenciais que se realizam no final deste mês correm o risco de serem as mais previsíveis e enfadonhas de sempre.

Mais de metade dos candidatos vem da área do PS e a direita neoliberal, que nos governou neste últimos anos, não apresenta candidato próprio e vai correr a engolir um sapo vivo que representa tudo aquilo que ela andou a destruir no seu seio, a “social-democracia” e a democracia cristã.

Por sua vez, a felicidade da maioria dos portugueses em verem-se livre de Cavaco, o pior presidente da história da democracia, quiçá de toda a República, leva-os a encarar com indiferença quem o possa substituir, na certeza de que qualquer um dos  dez concorrentes vai facilmente fazer melhor, mesmo o Tino de Rans, o que mais se aproxima do estilo de Cavaco.

Há os candidatos credíveis, mas que, aritmeticamente, têm poucas hipóteses de disputar uma possível segunda volta, e que apenas existem para marcar território e combater a abstenção. 

São os casos de Marisa Matias, uma excelente deputada europeia do Bloco de Esquerda, que pode contribuir para travar a abstenção nessa área política, de Edgar Silva, um antigo padre, hoje militante do PCP, homem de coragem e cuja candidatura explica o carácter popular e único desse partido no seio da história do comunismo mundial, de Paulo Morais, rosto público do discurso contra a corrupção dos políticos, capaz de contribuir para travar a abstenção no eleitorado mais céptico e de captar votos à esquerda e à direita, e também de Henrique Neto, um dos poucos empresários credíveis neste país, igualmente em condições de captar votos no centro.

Depois há os candidatos credíveis e os únicos que,  se não houver imprevistos, estão em condições de ganhar as eleições. 

São os casos de Marcelo Rebelo de Sousa, figura mediática e que anda em campanha há anos, o sapo que a direita tem de engolir e que pode captar votos no centro e na esquerda, de Maria de Belém, genuína representante do aparelho partidário do PS, representante da facção “segurista” e que seria a candidata “natural” desse partido se ele não estivesse tão dividido e desorientado pelo caso “Sócrates”, e de Sampaio da Nóvoa, este o único que pode representar alguma inovação, criatividade e novidade no cargo presidencial.

Depois de "apresentados", revelaremos em próxima crónica o “nosso” candidato.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Eleições Presidenciais - Ainda agora a procissão vai no adro e já há derrotados...

Ainda agora começou a caminhada para as eleições presidenciais e já há derrotados.

O primeiro derrotado é Cavaco Silva.

Seja qual for o seu sucessor, qualquer dos candidatos vai fazer esquecer rápidamente o mais incompetente presidente da história democrática.

As aparições de Cavaco já cheiram ao mofo.

Como hoje ironiza o "Inimigo Público", "Portugueses acham normal que [pela primeira vez, seja qual for o vencedor]  não haja uma Primeira-Dama em Belém porque nos últimos 10 anos também não houve lá nenhum Presidente da República". 

O segundo grande derrotado é a dupla Passos/Portas que não vai ter em Belém nenhum candidato da sua área política, a direita radical neoliberal.

Mesmo vencendo Marcelo Rebelo de Sousa este não é o candidato dessa direita e representa tudo aquilo que a direita revanchista do PAF destruiu dentro dos partidos dessa coligação, a social-democracia e a democracia cristã.

O apoio que formalmente dão a Marcelo visa apenas adiar a desagregação total do seu projecto político, engolindo para isso um sapo maior e mais amargo do que aquele que Cunhal e o PCP tiveram de engolir ao votarem Mário Soares nos idos de 1986.

Por isso estão assim já antecipadamente anunciados os primeiros derrotados das próximas eleições presidenciais.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Tudo vai bem no Reino do Cavaquistão...


Cavaco Silva, ao convidar o líder do partido mais votado e vencedor das últimas eleições  legislativas, para formar governo,  fez aquilo que é legitimo, tradicional na política portuguesa e óbvio no modo de funcionamento do actual presidente da República.

Nada de novo, portanto.

O que não se percebe é o tempo que levou para chegar a essa decisão óbvia e, ainda por cima, desculpando-se com a necessidade de “reflectir” sobre essa decisão para se ausentar das comemorações do 5 de Outubro .

Mas percebe-se ainda menos o resto do seu discurso de ontem, um desenterrar da retórica anticomunista dos tempos da Guerra Fria . Alguém devia explicar ao homem que o muro de Berlim já foi derrubado e a União Soviética já não existe.

Para Cavaco Silva, ficámos a sabê-lo ontem de forma clara, embora já desconfiássemos, existem portugueses de primeira, os que obedecem ao regime "austeritário", e portugueses de segunda, os que a questionam, onde só os primeiros têm direito a terem representação política.

Estivéssemos noutros tempos e talvez ontem ele tivesse anunciado a ilegalização de todos os partidos que criticassem o actual rumo da União Europeias ou que, legitimamente, questionassem os compromissos financeiros elaborados  por instituições não democráticas, o actual modelo de construção do euro e o resultado do modelo austeritário imposto aos cidadãos europeus por essas instituições não democráticas.

Também ficámos a saber que, entre os interesses nebulosos dos mercados financeiros e os interesses dos cidadãos, o presidente está ao lado dos primeiros.

Grave ainda foi o seu apelo velado (porque ele nunca diz nada de forma clara e frontal) à divisão no interior do segundo maior partido, apelo, que aliás, teve o efeito contrário ao pretendido, isolando em definitivo as vozes críticas dentro do PS.

De Cavaco Silva, já não esperávamos muito melhor.

Já o considerámos o pior presidente do regime democrático e o segundo pior de toda a República, só ultrapassado, para pior , por Américo Thomaz…

Mas agora somos obrigados a “rever” essa posição. Américo Thomaz, pelo menos uma vez na vida, teve coragem para remar contra o óbvio e os radicais do salazarismo, nomeando Marcelo Caetano, um “dissidente”, para substituir Salazar, ainda em vida deste, obrigando o regime a abrir-se e, involuntáriamnete, a criar condições para a ruptura democrática de 1974.

Se as cenas dos próximos episódios  se concretizarem, o provável derrube pelo parlamento do governo de Passos Coelho e a apresentação de uma alternativa de governo maioritariamente apoiado pela esquerda e pela maioria dos eleitores que votaram contra o modelo austeritário da coligação, e liderado pelo PS, e se Cavaco agir em conformidade com a sua comunicação de ontem , onde recusa um cenário de governo à esquerda, mantendo este governo em gestão até, pelo menos, o mês de Abril, então Cavaco Silva está bem colocado para  ocupar o lugar do pior presidente de toda a República.

Se era esta a "estabilidade" e o "consenso" que tanto apregoa!!!!...é como o "irrevogável" do outro...