Com a tomada de posse de Seguro, já “passaram” por mim 10 Presidentes da República.
Quando nasci era Craveiro
Lopes o presidente, mas deste não me lembro, já que foi chutado por Salazar em
1958 e impedido de concorrer a um segundo mandato, por ter contestado o ditador.
De quem me lembro, e “me
acompanhou” até aos 18 anos, foi do Américo Tomás, o corta fitas. Vi-o ao vivo
quando da inauguração da Escola Técnica (actual Henriques Nogueira) em 1970.
Américo Tomás foi o vencedor das
eleições fraudulentas de 1958, onde concorreu contra Humberto Delgado. O susto
foi tal, que o processo de eleição presidencial passou a ser por nomeação de um
colégio eleitoral controlado pelo regime, o que garantiu a perpetuação de Tomás
como presidente.
Há quem diga que o único gesto
de coragem do marinheiro foi ter nomeado Marcelo Caetano primeiro-ministro, contra
a vontade dos ultras do regime, em 1968, por causa da doença do velho ditador.
De resto, Tomás ficou
conhecido pelos seus inenarráveis discursos, motivo de chacota geral.
Publicações da oposição transcreviam os seus discursos, forma de, ao mesmo
tempo que fugiam à censura, ridicularizarem o regime, tal o “nível” desses
discursos.
O segundo presidente da minha
vida foi o Spínola, recebido por herói do 25 de Abril, mas que cedo mostrou não
estar à altura das circunstâncias, envolvendo-se com grupos terroristas da
extrema-direita depois de ter falhado dois golpes de Estado contra os capitães
de Abril.
Seguiu-se Coata Gomes, o homem
que conseguiu evitar a guerra civil e travar os ímpetos revolucionários que nos
podiam ter conduzido a uma nova ditadura. Cruzei-me com ele uma vez, mas já não
era presidente.
Eanes foi o primeiro
presidente eleito democraticamente, o homem que contribui para a consolidação e
a estabilidade da democracia, uma das raras figuras que continua a ser consensualmente
respeitada por todos os sectores políticos, pala sua firmeza e honestidade.
Veio depois o primeiro
presidente civil, Mário Soares, uma das personalidades mais marcantes e
controversas da nossa vida democrática, uma das presidências mais marcantes.
Também me cruzei com ele várias vezes, quer enquanto presidente, quer na vida
civil e tenho livros por si autografados.
Também conheci Jorge Sampaio,
o único presidente que apoiei desde a primeira hora, tendo feito parte da lista
oficial de apoiantes. Homem culto e recto, cometeu contudo dois erros, nomear
Santana Lopes e, pouco depois, ter conduzido José Sócrates ao poder.
Cavaco Silva foi o senhor que
se seguiu, para mim o pior de todos os presidentes eleitos, arrogante,
ignorante atrevido, responsável pelos abusos da banca e pela desastrosa
política do “ir além da Troika”. Só deixou saudades a uma certa direita
arruaceira.
Com Marcelo Rebelo de Sousa também
me cruzei várias vezes. Deixa agora a presidência como o mais popular de todos
os presidentes, um dos mais cultos e criativos, embora tenha cometido erros
político que nos conduziram à actual situação de instabilidade política e contribui
involuntariamente para a ascensão da extrema-direita em Portugal.
O novo presidente António José
Seguro, vai encontrar um país com graves problemas, agravados pela grave crise
internacional. É, contudo, até agora o politico com maior apoio político da
nossa história democrática e tem a obrigação de estar à altura das circunstâncias.
Cá estaremos para ver,
desejando-lhe as maiores felicidades, para bem do país.

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