Politólogos, comentadores, analistas políticos,
especialistas de relações internacionais, usam e abusam de tais adjectivos para
reforçar as suas opiniões “moderadas” a “cientificas”, para se distinguirem da
turba da populaça “extremista”.
Confundir o extremismo com opiniões firmes, radicais, e
convictas é uma das armas argumentativas dessa gente.
Então se formos para as redes sociais, onde a opinião de um
leigo vale o mesmo que a opinião de um cientista, e ganha a ignorância atrevida
de quem berra mais alto, de quem leva mais likes e conquista mais seguidores, a
confusão entre conceitos agrava-se.
Ser radical nas suas convicções não é a mesma coisa que ser
extremista.
Posso ser radical (isto é, profundo, convicto e assertivo na
defesa das minhas ideias) sem ser intolerante.
A intolerância, irmã gémea do extremismo, não é exclusivo de
quem habita nas franjas mais afastadas do “centro” politico”. Vejo por aí, nas
redes sociais e na comunicação social,
muito opinador, mais ou menos encartado, oriundo no chamado “centro politico”,
muito mais extremista e intolerante para com os que pensam de maneira diferente
do que muitos ditos “radicais”.
Mas, melhor do que ninguém, aqui deixo uma das melhores
definições do que é ser extremista, da autoria de um dos fundadores dos Monty
Python:
“A maior vantagem do extremismo é, ao fornecer-lhe inimigos,
fazê-los sentir-se bem. A grande vantagem de se ter inimigos é poder fingir-se
que toda a maldade do mundo está nos nossos inimigos e toda a bondade do mundo
está em nós. Irresistível, não é? Se já possuirmos bastante raiva e
ressentimento dentro de nós e, por essa razão, gostarmos de abusar das pessoas,
podemos fingir que só o fazemos porque os nossos inimigos são pessoas muito
más. Se não fossem eles, seriamos sempre bem-dispostos, amáveis e racionais.
Assim, se quer sentir-se bem, torne-se num extremista. Agora, há que fazer uma
escolha: se se juntar à extrema-esquerda, ser-lhe-á disponibilizada a lista dos
inimigos autorizados – quase todos os tipos de autoridade, especialmente
polícias, juízes, empresas multinacionais, estabelecimentos de ensino, donos de
jornais (vários), caçadores de raposas, generais, traidores de classe e, claro,
os moderados. Mas se preferir ser um extremista de extrema direita, não há
problema. Serão apenas diferentes: grupos minoritários barulhentos, sindicatos,
russos, gente esquisita, manifestantes, assistência social, parasitas da
assistência social, clérigos intrometidos, pacifistas, a BBC, grevistas,
assistentes sociais, comunistas e, claro, moderados e actores com mania. Uma
vez abraçada uma destas superlistas de inimigos, pode ser tão desagradável
quanto quiser e ainda assim sentir que o seu comportamento é moralmente
justificado. Poderá pavonear-se por aí usando as pessoas e dizendo-lhes que
poderia comê-las ao pequeno-almoço, sem deixar por isso de se considerar um
campeão da verdade, um combatente do bem maior, e não o triste esquizofrénico
paranoico que realmente é”. (John Cleese, Das Vantagens do extremismo, 1987).
Mais actual do que nunca, basta acrescentar alguns “inimigos”
à lista!

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