Os dias que rolam, numa visão plural, pessoal e parcial de um mundo em rápida mutação. À esquerda, provocador e politicamente incorrecto, mas aberto à diversidade...as Pedras Rolam...
Goste-se ou não de Lula, ele foi eleito democraticamente, tal como, anteriormente, Bolsonaro tinha sido eleito democraticamente.
Contudo, desta vez os bolsonaristas mostraram o seu verdadeiro rosto, a sua aversão à democracia, a sua violência, a sua irresponsabilidade, que usam a aceitam apenas quando esta lhes é favorável.
Já tínhamos visto isso noutros lados, como há dois anos no Capitólio.
Que a extrema direita de Bolsonaro é constituída por arruaceiros, jagunços e vândalos, ficou ontem provado em definitivo.
Agora é aplicar a mão pesada da justiça democrática.
Além de arruaceiros e antidemocráticos, essa gente também é estupida, como se prova pelo facto de revelarem os seus rostos e os seus actos repugnáveis nas redes sociais, facilitando assim a missão das autoridades para os deter e os obrigar a devolver o que roubaram e pagarem o que estragaram, para além do terem de ser julgados por insurreição contra a democracia.
Um último reparo. Onde pára, por cá, a direita portuguesa, sempre tão pronta a indignar-se com outras “causas”, e que está tão caladinha com este atentado à democracia??.
Aquilo a que assistimos ontem, no exterior do Estádio de Alvalade, foi
lamentável, a todos os níveis e levanta várias interrogações.
Sem distanciamento, com máscaras mal colocadas ou sem elas, com
comportamentos a roçar o puro vandalismo, milhares de adeptos puseram em causa
todas as medidas sanitárias recomendadas.
Veremos qual a situação epidemiológica na Grande Lisboa daqui a 15
dias, para percebermos melhor as consequências desse comportamento.
Existem, à partida, vários responsáveis pela grave situação a que
assistimos ontem:
- em primeiro lugar a claque “Juventude leonina”, conhecida por agir
acima da lei e de forma impune, com comportamentos arruaceiros no seu historial(
tal como outras claques de outros clubes), instalando ilegalmente um sistema de
som e imagem de grandes dimensões, quando um simples evento de rua tem grandes
dificuldades em ser autorizado, nas actuais circunstâncias;
- em segundo lugar, as autoridades, em última instância o Ministro da
Administração Interna, que, tendo olhos para ver como qualquer cidadão que
passasse pelo local a partir das 15 horas ou visse as imagens televisivas,
tiveram mais do que tempo para por cobro à situação ou, no mínimo, criar
condições de segurança sanitária para os festejos. Aliás, só agiram na pior
altura, no intervalo do jogo, quando já não era possível controlar a situação,
a não ser da forma violenta e desproporcionada como acabou por acontecer ;
- em terceiro lugar, as televisões que, ao desculpabilizarem e
desvalorizarem a dimensão da situação, “incentivaram” os adeptos a
deslocarem-se em massa ao local;
- em quarto lugar, alguns “epidemiologistas” e comentadores , que se
prestaram a essa desculpabilização e a essa desvalorização. Curiosamente alguns
desses “especialistas” foram os mesmo a indignar-se com a realização das
comemorações do 25 de Abril, do 1º de Maio, da Festa do Avante ou do Congresso
do PCP. Contudo, qualquer comparação com estes eventos é puro absurdo, já que
estes tiveram lugar de forma ordenada, com regras rigorosas de controle
sanitário e com o distanciamento devido, em alturas, pelo menos nalguns casos, em que a situação
era menos grave;
- em quinto lugar, mas beneficiando da cumplicidade e complacência das
entidades acima referidas, o comportamento arruaceiro de alguns adeptos,
provocando a polícia e que muito contribuiu para o desfecho violento desses
festejos.
E já agora, onde param os indignados das redes socias, sempre tão
prontos a destilar o veneno da sua intolerância contra o 25 de Abril, o 1º de
Maio, a Festa do Avante ou o Congresso do PCP??
Depois do que vimos ontem, o que dirão os organizadores de Festivais,
os trabalhadores e empresários dos Circos, os donos de carrocéis, os donos de
discotecas e bares?
De certeza que qualquer destes eventos se pode realizar em melhores
condições de segurança sanitária do que os festejos de ontem.
Se a culpa voltar a morrer solteira, preparem-se para o que pode vir a
seguir!!
A violência a que se assiste não é estranha à realidade diária de um
país como os Estados Unidos.
Os Estados Unidos foram construídos na violência, primeiro contra os
indígenas, num lento holocausto temporal, mas que no fim atingiu um número mais
trágico do que o holocausto nazi ou o Gulag soviético.
Em paralelo, aquele país foi construído pela massificação do trabalho
escravo de negros vendidos pelos comerciantes de escravos europeus, numa
dimensão nunca antes vista na história, nem talvez no tempo dos romanos.
Ainda por cima, ao contrário de outras épocas históricas, a escravatura
não tinha alternativa e era um estigma racial.
Podemos juntar a toda essa violência, muito concentrada entre os finais
do século XVIII e o início da segunda metade do século XIX, a violência dos
pistoleiros que impunham o seu poder político, sociale económico, à lei da bala, realidade que
inspirou grandes escritores e cineastas.
Para se acabar com esse crime desumano da escravatura, foi preciso uma
Guerra Civil, só ultrapassada em violência pelas duas Guerras Mundiais.
Mas o fim da escravatura não acabou com o estigma racial, que atingiu o
seu auge nos anos 60 do século passado e custou muitos mortos e assassinatos para
ser oficialmente extinto.
Mas, se o racismo “acabou” legalmente, o estigma social e as desigualdades
por ele provocadas não terminaram em muitas zonas da “américa profunda” e
esteve por detrás da eleição de Trump para presidente, vingando-se da excepção
que tinha sido a eleição Obama, o primeiro negro presidente.
É conhecida a violência policial e o carácter racista das autoridades
policiais nalguns estados norte-americanos.
Sabe-se também que a violência racista sempre esteve latente nestas
décadas todas, mas o que se esperava das lideranças políticas do século XXI é
que tivessem capacidade para atenuar essas tensões.
Mas o que temos visto por parte da actual administração norte-americana
é acicatar de ódios entre cidadãos, promover a lei da bala e do mais forte e
falar para agradar apenas à parte mais retrógrada , intolerante e facciosa da
grande nação norte-americana.
Em criança assisti muitas vezes,
na televisão, a espectáculos de tourada.
Havia apenas um canal, começava a
emissão ao fim da tarde (menos aos fins-de-semana, que começava mais cedo), era
a preto e branco e não havia assim tantas alternativas ao futebol e às touradas.
Nem eu, nem ninguém lá em casa, éramos apreciadores desse espectáculo, mas o preto e branco atenuava a sua violência.
Só quando, esporadicamente e de
relance, comecei a ver touradas a cor na televisão é que deu para ver a sangria
a que era sujeito o touro.
Nunca percebi o gozo de ver aquele
espectáculo de torturar um animal encurralado.
Claro que a tourada portuguesa é
um pouco mais “civilizada” que a espanhola.
Ainda posso aceitar o trabalho do
toureio a pé com capa ou o dos forcados, e as habilidades dos cavaleiros, mas não
aceito que se encha o corpo do animal de bandarilhas.
Quando chega à fase do toureio a
pé ou da entrada dos forcados, o touro já deve estar tão enfraquecido que
apenas reage para manifestar a sua dor e já pouco perigo deve oferecer aos
“valentões” que o enfrentam.
Escusado será dizer que torço
sempre pelo touro e pelo cavalo, personagens involuntárias daquele triste
espectáculo, embora ainda nutra algum respeito pelos forcados, edesejandoque nada de muito grave aconteça ao toureiro, ao forcado ouao cavaleiro, embora, como se costuma dizer, "quem corre por gosto não cansa".
E não venham fazer comparações com
os animais do circo, com a caça ou com a criação de animais para alimento.
Neste caso não se trata de torturar animais, mas dar-lhes alguma utilidade, por
muito discutível que isto também possa ser.
No caso da tourada não há
qualquer utilidade naquilo, a não ser torturar um animal indefeso.
Aliás, toda a polémica que anda
por aí não se relaciona com qualquer tipo de proibição do espectáculo, mas
apenas com o retirar do privilégio de classificação de espectáculocultural àquela barbaridade, aumentando o IVA
das touradas.
Embora discutível, até admitia
mais facilmente a proibição desse espectáculo do que a proibição, já aprovada,
do uso de animais de circo.
A diferença é que a gente do
circo é pobre e não tem poder ou voz, ao contrário da gente que vive à volta da
tourada.
Uma coisa é o uso de animais para
alimento,(que pode ser discutível,principalmente pelo excesso, prejudicial
para à saúde, do uso de carnes vermelha),pelas implicações ambientais do excesso de criação de gado ou pela forma
como são transportados e abatidos, outra coisa é o uso de animais, como acontece
nas touradas, apenas para os torturarpara gáudio dos instintos mais primitivos do público.
E não venham falar em tradição,
se não, para a manter, ainda assistíamos a espectáculos de gladiadores ,ao sacrifício ritual de animais, a queimar
gente nas fogueiras ou à luta de cães.
De facto, impedir ou, pelo menos,
tirar benefícios fiscais, é o mínimo que se pode exigir para combater
tradições degradantes e a utilização de animais apenas para os torturar em
público.
A única “tourada” de que eu gosto
é aquela que nos representou no festival da canção de 1973, que escapou à
censura, que não percebeu que essa canção não enaltecia a tradição da tourada,
mas usava-a com metáfora para denunciar um Estado Novo apodrecido:
Não importa sol ou sombra
camarotes ou barreiras
toureamos ombro a ombro
as feras.
Ninguém nos leva ao engano
toureamos mano a mano
só nos podem causar dano
espera.
Entram guizos chocas e capotes
e mantilhas pretas
entram espadas chifres e derrotes
e alguns poetas
entram bravos cravos e dichotes
porque tudo o mais
são tretas.
Entram vacas depois dos forcados
que não pegam nada.
Soam brados e olés dos nabos
que não pagam nada
e só ficam os peões de brega
cuja profissão
não pega.
Com bandarilhas de esperança
afugentamos a fera
estamos na praça
da Primavera.
Nós vamos pegar o mundo
pelos cornos da desgraça
e fazermos da tristeza
graça.
Entram velhas doidas e turistas
entram excursões
entram benefícios e cronistas
entram aldrabões
entram marialvas e coristas
entram galifões
de crista.
Entram cavaleiros à garupa
do seu heroísmo
entra aquela música maluca
do passodoblismo
entra a aficionada e a caduca
mais o snobismo
e cismo...
Entram empresários moralistas
entram frustrações
entram antiquários e fadistas
e contradições
e entra muito dólar muita gente
que dá lucro as milhões.
E diz o inteligente
que acabaram asa canções.
Bruno de Carvalho é a cereja amarga no bolo podre do mundo do futebol.
Tentou ser uma imitação de Pinto da Costa, imitando mal a genuína
boçalidade do presidente do Porto, mas revelou-se sempre um pobre esboço da
arrogância daquele.
O mundo do futebol, principalmente, o dos “três grandes”, é um mundo
cada vez menos recomendável.
É palco dos mais repugnantes actos de intolerância, e, pelo que se
percebe pela apetência para cargos directivos de banqueiros e políticos em
promoção oufinal de carreira e de
caciquescomo o “bombeiro” Marta Soares,
uma gigantesca máquina de lavagem de dinheiro sujo e promoção da mediocridade.
Por isso, o que aconteceu na “academia” [????] de Alcochete era
previsível, neste ou em qualquer outra “catedral” do futebol, com a agravante
de esta estar há muito anunciada pela forma boçal como Bruno de Carvalho
incentivou a violência contra jogadores e técnicos.
Bruno de Carvalho é o responsável moral pelos acontecimentos e não o
envolver no julgamento do caso seria o mesmo que não envolver Hitler no
julgamento do Holocausto, só porque, que se saiba, Hitler nunca entrou num
campo de concentração ou nunca matou um judeu com as próprias mãos…
Já denunciamos AQUI e AQUI o mundo do futebol e, infelizmente, o que
escrevemos então, continua actual.
Agora é esperar que os nossos políticosnão se fiquem pelas palavras de circunstância, nem se acobardem perante
a violência de comentadores e lideres clubistas, e actuem, de uma vez por
todas.
Os sportinguistas já devem ter
percebido que, se não ganharam o
campeonato este ano, devem deixar de acusar as arbitragens ou qualquer
conspiração, e “agradecer” a Bruno de Carvalho e à instabilidade por ele criada
no clube.