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domingo, 14 de novembro de 2021

COP 26 …foi mesmo “blá!,blá, blá…!!”


Dizia um velho ditado índio que “herdamos a terra dos nosso filhos”.

Os herdeiros dos colonizadores europeus da América, ditos “civilizados”, não só nunca perceberam o sentido dessas palavras como massacraram os seus autores, naquele que foi o maior genocídio da história.

Hoje talvez se comece a perceber o sentido dessas sábias palavras.

Desde pelo menos os anos de 1960, centenas ou milhares de activistas e cientistas vêem alertando para os efeitos da nossa economia de mercado, da sociedade de consumo e do capitalismo selvagem neoliberal no futuro da Terra.

Hoje só os burros e os ignorantes  continuam a acreditar numa sociedade de crescimento de consumo ilimitado e infinito e a negar o efeito da economia humana no clima e na sobrevivência da vida à face da terra.

Apesar disso, políticos ignorantes, ou mandantes de grandes interesses económicos e financeiros, com as petrolíferas à cabeça, conseguiram adiar, mais uma vez, a urgência de medidas para travar a catástrofe previsível.

O que se passou em Glasgow, como já previa a sábia, por vezes ingénua,  activista Greta Thunberg, não passou de mais uma enorme produção de papel cheio de blá!blá!blá!...

…É melhor começarmo-nos a preparar para o pior!!!

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Os Aeronautas – Ciência e Aventura


“Os Aeronautas”, realizado por Tom Harper, é um filme competente, sem grandes riscos em termos cinematográficos,  baseado em factos reais, mas ficcionados.

Retrata um século XIX, aberto à curiosidade científica e à aventura da descoberta, cruzando-se aqui os dois mundos.

Eddie Redmayne, no papel do pioneiro da meteorologia James Glashier, figura que existiu na realidade, e Felicity Jones, no papel da balonista Ameli Wren, figura ficcionada que reúne em si as características de vário balonistas da época, partem numa épica à conquista dos céus e das alturas, num balão, o primeiro pela curiosidade científica, a segunda em busca da adrenalina de uma aventura arriscada que a redima do passado.

Ambos os actores já se tinham encontrado noutro filme, mais importante do que este, "A Teoria de Tudo", sobre a vida de um outro cientista, Stephen Hawking.

Quase todo o filme passa-se no cesto de um  balão, no ano de 1862, enfrentando condições meteorológicas adversas e arriscando a vida numa aventura desconhecida, entre-cortada por flashbacks sobre a vida passada dos personagens, onde se revelam as motivações de cada uma para essa aventura quase suicida.

O mais motivante neste filme é percebermos a grande diferença entre um século, como o XIX, marcado pela curiosidade científica e pela aventura da descoberta de novos limites, desafiando tudo o que se conhecia e arriscando a vida em prol do conhecimento, e o século do espectador, este século XXI,  marcado pela ignorância arrogante das redes sociais e pelas certezas absolutas  que não passam do nosso umbigo e do  nosso horizonte visual, confortáveis em mentiras cómodas, onde cada uma considera que a sua ignorância tem o mesmo valor das certezas científicas, como se tem visto por aí, a propósito das questões do clima, talvez não por acaso, o tema base de "Os Aeronautas".

Só por isto, vale a pena ver o filme.

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Deixem Greta Thunberg em paz!



Tudo o que é “bicho neoliberal”,  por esse mundo fora (Portugal incluído), iniciou um ataque sem escrúpulos à jovem activista Greta Thunberg.

Talvez porque ela conseguiu explicar, com palavras simples, mas firmes, falando de cima, que a sociedade que os neoliberais construíram nas últimas décadas é  responsável pela acelerada degradação ambiental.

Não conseguindo desmontar ou desmentir cientificamente as preocupações ambientais de Greta, acusam-na de populista por  criticar os políticos “democráticos” (Trump e Bolsonaro???), pondo assim em causa o sistema politico “liberal”.

Acusam-na de por em causa a “liberdade” de escolha das sociedades ocidentais, ou seja o “consumismo” em que assenta o modelo económico capitalista actual.

É que aquilo que Greta demonstra e denuncia mostra a forma como o funcionamento sem freio dos “mercados”, cuja “liberdade” é tão querida àquela seita neoliberal, se revela o principal factor que tem contribuído para a rápida destruição do planeta.

Não perdoam que a simplicidade e a verdade do discurso de Greta Thunberg mobilize milhões de crianças, jovens e adolescentes, despertando-os para a denuncia do modelo económico neoliberal, como um sistema de rapina dos recursos da Terra e que conduzirá essa geração a viver num mundo inabitável.

De facto, os neoliberais esqueceram-se de um principio do liberalismo que dizem defender, que é aquele que diz que a liberdade de cada um acaba quando começa a liberdade do vizinho, ou seja, a liberdade de destruir os recursos da terra, em nome de um desenvolvimento permanente do consumismo neoliberal, termina quando põe em causa o futuro da vida na terra e da vida das próximas gerações.

Ou, parafraseando um velho ditado índio, Greta vem recordar-nos que “herdámos a Terra…dos nossos filhos”!

quarta-feira, 20 de março de 2019

Moçambique - Uma tragédia sem palavras


Moçambique vive momentos trágicos e o risco de agravamento dessa dramática situação é maior a cada hora que passa.

Gente morta, aldeias arrasadas, destruição de colheitas, perigo de doenças e fome, aumento generalizada da miséria já de si endémica.

Mais uma enorme catástrofe ambiental e humanitária.

Sem palavras, restam as imagens:



(primeiras páginas de jornais portugueses)

Fotografias de agências internacionais (recolhidas na internet):






 



















sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Tempestade "Helena" em Santa Cruz



Apesar das dificuldades para captar imagens, devido à chuva e ao vento forte que impediu que as imagens saíssem direitas, aqui fica uma idéia da força do mar, esta manhã, por volta do meio-dia, na Praia de Santa Cruz.

Apesar disso, já assistimos aí a tempestades maiores, com mar muito mais bravio, noutras ocasiões.

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quarta-feira, 25 de julho de 2018

Tragédia Grega (somos todos gregos!).



A tragédia vivida pelos portugueses no ano passado voltou mais uma vez a repetir-se, desta vez na Grécia.

Embora numa zona com características diferentes daquela onde ocorreu a tragédia em Portugal, a origem foi a mesma.

Para quem continua a desvalorizar as alterações climatéricas, aí está esta tragédia para provar o trágico resultado das mesmas…e a “procissão ainda vai no adro”!

Por cá, voltámos a ver a nossa comunicação social, principalmente a SIC, a tentar recorrer ao mesmo tipo de aproveitamento politico que já tínhamos visto o ano passado.

Desde o “procurar culpados” por um fenómeno imprevisível, (até porque a Grécia é governada pela esquerda e convém alguma contra propaganda politica) , até o tentar mais uma vez fazer um favor ao lobby nacional dos eucaliptos (uma “jornalista”, depois de ouvir um técnico a afirmar que na Grécia a floresta que ardeu era principalmente de uma espécie de pinheiro que potencia incêndios, logo se apressou a concluir, misturando “alhos com bugalhos”, que “afinal por cá andamos a diabolizar o eucalipto”. Felizmente o tal técnico não se deixou enrolar e, apesar de não se poder explicar por “falta de tempo”, ainda conseguiu, apressadamente, desmentir a “inocência” do eucalipto, tentando referir, mas sem tempo para se explicar, que ambas as árvores são perigosas e potenciam a dimensão dos incêndios provocados por fenómenos atmosféricos ou por mão criminosa. Mas o que ficou no ouvido foi a desculpabilização da jornalista em relação ao eucalipto…).

Acima do nosso jornalismo de sarjeta deve ser destacada a solidariedade europeia, não só para com a Grécia, mas também para com a Suécia que enfrenta o mesmo tipo de problemas (aqui, a inexistência de vítimas mortais justifica-se pelo tipo de povoamento desse país, onde as florestas estão longe de zonas habitadas).

O que esta tragédia vem demonstrar é, por um lado, a urgência em repensar toda a urbanização e organização florestal da Europa para fazer face à provável e cada vez mais frequente repetição de fenómenos extremos, como os que se registaram em Portugal no ano passado e na Grécia este ano, e, por outro, preparar as populações para essas mudanças climatéricas e melhorar a eficiência dos meios de prevenção e combate a incêndios.

Uma estratégia que tem de ser pensada, para já à escala Europeia, mas, cada vez mais, à escala global.

Neste momento o mais urgente é salvar os vivos e enterrar os mortos.

Por estes dias, devemos ser todos solidários.

 SOMOS TODOS GREGOS!

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

O Respigo da Semana :"O clima não explica tudo", por António Galopim de Carvalho

O clima não explica tudo

Por António Galopim de Carvalho

“A sorte do Governo é que a mais do que fragilizada oposição não tem nada a propor aos portugueses.

In Público de 19 de Outubro de 2017.

“Eu, António Marcos Galopim de Carvalho, com 86 anos de idade, professor catedrático jubilado da Universidade de Lisboa, nas Faculdades de Ciências e de Letras, ex-director do Museu Nacional de História Natural (durante 20 anos), doutorado pela Universidade de Paris e de Lisboa, autor de cerca de 300 títulos, entre artigos científicos, de divulgação e de opinião, de centenas de “posts” em blogues e no Facebook, de 20 livros dirigidos aos ensinos secundário e superior e à divulgação científica e de seis de ficção. Colaborador, sempre a título gracioso (e borla, como diz o povo), com dezenas de escolas, autarquias (de todas as cores políticas) e universidades de todo o país.

 “Isto tudo, ao estilo de quem está a “puxar pelos galões” (que todos os que me conhecem e me lêem sabem que não puxo), para conferir algum peso ao desabafo de uma convicção muito minha, muito séria, como cidadão declaradamente independente dos aparelhos partidários.

“O Verão quente e extremamente seco que vivemos (as alterações climáticas estão a alertar-nos para tempos difíceis) justifica a dimensão e a intensidade dos incêndios florestais que tanta dor infligiram a tantas famílias e tantos prejuízos causaram à economia do país. Mas não explica o elevado número de focos de incêndio, em locais diversos, detectados durante a noite, sem trovoadas secas nem fundos de garrafas de vidro ao sol. O calor e a secura propagam e alastram os fogos mas não os iniciam.

“Os imensos e trágicos incêndios do passado fim-de-semana (falou-se em mais de 500), alguns iniciados de noite, afiguram-se-me como que um “aproveitar” os últimos dias deste Verão que nos entrou Outono adentro (pois sabia-se que a chuva vinha aí) para dar continuidade a uma guerra surda contra o Governo legítimo cujos sucessos são, por demais, conhecidos cá dentro e lá fora.

“Basta ler e ouvir os comentadores dos jornais e das televisões ao serviço dos poderosos, para perceber como esta tragédia nacional continua a ser utilizada por eles nesta guerra. E a verdade é que têm tirado algum proveito (não todo) desta estratégia. É notório que o Governo está fragilizado. Também por culpa sua, diga-se, que, em minha opinião, não soube ou não quis “partir a loiça” na altura certa. Neste momento, e com tamanha e bem orquestrada campanha contra a “geringonça”, a sorte do Governo é que a mais do que fragilizada oposição não tem nada a propor aos portugueses”.

Professor catedrático jubilado

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Grandes Inundações em Paris. Vai ser batido o record de 1910?

Conforme já tínhamos recordado AQUI, em Janeiro de 1910 o rio Sena galgou as suas margens em Paris, naquelas que foram as maiores cheias históricas na capital francesa, apenas ultrapassadas pelas cheias de ..1658.
 
As cheias de 1910  foram provocadas por três meses de chuvas intensas (que provocaram também grandes cheias em Portugal e em Espanha nos finais de 1909) às quais de juntou o degelo de Janeiro.
 
O máximo da cota atingida pelo Sena registou-se no dia 28 de Janeiro de1910, chegando aos 8,62 metros, muito superior ao máximo previsto para hoje, que será de 6 metros.
 
Mesmo assim Paris prepara-se para umas das maiores cheias da sua história, que terá o seu auge durante o dia de hoje.

Cheias de Paris em 1910, nas páginas da Ilustração Portuguesa 
(n.ºs 206 a 209, entre 31 de Janeiro e 21 de Fevereiro de 1910) . Fonte: Hemeroteca Digital:









OUTRAS FOTOGRAFIAS DAS CHEIAS DE PARIS DE JANEIRO DE 1910
(Fonte: internet):





















 
FOTOGRAFIAS DAS CHEIAS DE 2 e 3 de  JUNHO DE 2016 
(Fonte: imprensa on-line):