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sábado, 11 de abril de 2020
segunda-feira, 26 de novembro de 2018
Morreu Bernardo Bertolucci, para quem o tempo não existia
Numa entrevista concedida para ao “Expresso” à jornalista Cristina
Margato, Bertolucci despediu-se com uma frase enigmática: “o tempo não existe”.
Para cineastas como Bertolucci o tempo, de facto não existe, pois o
cinema, o grande cinema, é mesmo o melhor meio para eternizar o tempo, onde a
vida dos actores, as paisagens, os espaços, se tornam eternos.
É essa, talvez, a grande magia do cinema, até aos nossos dias a única
máquina do tempo que nos leva a viajar por todas as épocas e espaços.
Bertolucci, ontem falecido aos 77 anos, em Roma, no país onde nasceu em
16 de Março de 1940, era um desses mágicos do tempo, do espaço e das épocas.
“1900”, a grande saga em duas partes que realizou, em 1976, sobre a
história da Itália e da Europa da primeira metade do século XX, foi uma dessas
obras que nos levou a viver e sentir uma época de grandes transformações socias
e politicas, através da humanidade das suas personagens.
“1900” tornou-se um filme maldito para a crítica pós-modernista e
neoliberal, pois desmontava muitos dos argumentos e mitos antissociais e revisionistas em que estes movimentos, hoje dominantes na ideologia politica, no discurso
economicista e cultural, se baseiam.
Não me admiraria hoje de ler muitos dos que quiseram desvalorizar esse
filme, por meros preconceitos ideológicos, a escrever loas a essa obra.
Mas essa não foi a única grande obra do cineasta, nem a única a abordar
a temporalidade histórica, não podendo deixar de recordar “O Último Imperador”(1989),
um dos filmes que até hoje recebeu mais óscares, uma grande saga sobre o fim da
China imperial e o inicio da sua caminhada para se tornar a potência dos nossos
dias.
Bertolucci começou como assistente de Pasolini e estreou-se com uma
obra pouco conhecida, “La Commare Secca”, realizado em 1962.
Em Itália foi mensageiro de “Nouvelle Vague”, embora seguindo um
percurso original, e a consagração
chegou com “Antes da Revolução”, realizado em 1964 e, principalmente, “A
Estratégia da Aranha” de 1970, o mesmo ano do “Conformista”.
Os seus filmes procuram sempre explorar o lado humanos dos personagens,
sem nunca esquecer o enquadramento histórico das suas atitudes, sendo este um
dos lados mais característicos da obra do realizador italiano, que continuou a
sua actividade nos Estados Unidos, seguindo o caminho de outros grandes
cineastas italianos da sua geração, como Copolla, Scorsese e Sergio Leone.
Para este último escreveu o argumento daquele que é até hoje um dos
melhores “Western’s” de sempre, “Aconteceu no Oeste”.
A poesia, na humanidade dos personagens e na forma como filmava os
grandes espaços, foi uma característica que herdou da sua juventude, onde,
antes do cinema, quis ser poeta.
E se há filme que representa o lado poético da sua obra é esse
magnifico “Um Chá no Deserto”, de 1990, para além do anterior “La Luna” de
1979, obra um pouco esquecida.
O erotismo esteve, igualmente, presente em toda a sua obra, com
destaque para o mais polémico dos seus filmes, “O Último Tango em Paris”, filme
que perseguiu o cineasta ao longo da sua vida, nunca tendo ultrapassado a forma
como Maria Schneider ficou marcada por essa obra, erotismo que marcou igualmente
um dos seu filme mais recente, passado no ambiente do Maio de 68, “Os
Sonhadores” de 2003.
Em 2012 realizou o seu último filme, “Eu e Tu”, uma viagem aos
fantasmas da adolescência.
A morte de Bertolucci, o cineasta que fazia filmes “para perceber o
mundo, os outros e a mim mesmo”, deixa um grande vazio no panorama
cinematrográfico mundial, mas a sua obra é eterna.
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Bernardo Bertolucci,
cinema,
Itália
segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
O referendo italiano e a União Europeia: PIm-PAM-PUM, cada bola “mata” um!!!
É assim que devemos encarar mais uma estrondosa derrota eleitoral para o
politburo de Bruxelas, desta vez em Itália.
Qualquer referendo ou eleição que seja apresentada como o de se decidir
a favor ou contra a União Europeia, representa sempre uma derrota, sempre mais
avassaladora que a anterior, para os cegos burocratas de Bruxelas.
Os cidadão europeus revelam assim
todo o seu asco pelo politburo antidemocrático que rege os actuais
destinos da União Europeia e que apenas nos oferece austeridade, austeridade e
mais austeridade..
Mesmo sem olhar para as consequências, os cidadãos europeus rejeitam
tudo o que cheire a “Bruxelas”, mesmo que, como acontecia com o referendo em
Itália, até estivessem em causa decisões justas e fundamentais para renovar o
panorama político local.
O desastre só não se repetiu na Áustria porque aí estavam em causa
valores mais profundas e, diga-se em abono da verdade, o candidato que se
apresentava como alternativa ao candidato de um partido assumidamente nazi era
um candidato de esquerda, que não vinha do velho centrão e que demonstra que é
possível defender o projecto Europeu com um projecto alternativo ao
neoliberalismo e à austeridade…mesmo assim não é caso para festejar, já que,
naquele país, a extrema-direita já é o partido maioritário…
Enquanto o politburo de Bruxelas continuar a reger-se pela agenda neoliberal de defender a
austeridade, o sector financeiro e o euro contra os cidadãos, os seus direitos
e o Estado Social, vamos a continuara a assistir ao avanço da extrema-direita
populista e à derrota de qualquer projecto de “reforma estrutural”, mesmo
desafiando a racionalidade das decisões, como aconteceu na Grã-Bretanha e agora
na Itália…
…continuem pois cegos, surdos e mudos…e vão ver onde tudo isto vai
parar…
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União Europeia
quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
Recordando Ettore Scola (1931-2016)
O cineasta italiano Ettore Scola faleceu ontem aos 84 anos.
Foi uma dos realizadores mais importantes do cinema italiano, tendo realizado mais de 40 filmes, alguns deles no âmbito do cinema documental e tendo ganho quase todos os prémios do cinema mundial, em Cannes, em Berlim e em Veneza, para além de um Globo de ouro. Só lhe ficou a faltar um Óscar.
Scola, que se formou em direito, desde cedo se ligou ao cinema e começou como argumentista aos 22 anos, em 1953.
Em 1964 realizou o seu primeiro filme , "Fala-se de mulheres", mas foi na década de 70 que realizou os seus filmes mais conhecidos, "Feios, Porcos e Maus", em 1975, e "Um Dia Inesquecível", este último com Sophia Loren e Marcello Mastroiani, em 1977.
Para muitos o seu melhor filme foi "O Baile" de 1983.
O último filme que realizou foi dedicado a Fellini, "Que estranho chamar-se Fellini", de 2014.
Infelizmente a maior parte dos seus filmes dos últimos 30 anos são praticamente desconhecidos em Portugal, situação que se deve ao domínio quase absoluto de uma ou duas distribuidoras, enfeudadas ao cinema norte-americano, e ao encerramento de quase todas as salas de cinema independente, bem como da rendição da programação televisiva, com a honrosa excepção do segundo canal da RTP, ao cinema popularucho e d mau gosto.
A forma como a União Europeia abandonou o sector cultural à voragem dos grandes interesses financeiros também não é estranho à falta de divulgação do cinema europeu.
Pode ser que agora alguma televisão ou um dos raros projectos de divulgação do cinema independente se lembre de exibir a obra de Scola.
AQUI ,AQUI, AQUI e AQUI podem ler o que, respectivamente, os jornais Público, Diário de Notícias, Le Monde e Libération escreveram sobre o cineasta.
FEIOS PORCOS E MAUS:
UM DIA INESQUECÍVEL:
O BAILE:
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Itália
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
A TROIKA FOI DERROTADA EM ITÁLIA....
O resultado das eleições italianas reflectem o grande
descontentamento nesse país, que é “só” a terceira economia da União Europeia,
em relação ao modelo económico-social que a Comissão Europeia, a srª Merkel e o
BCE tentaram impor aos seus cidadãos, sob a direcção do seu capataz local, o
sr. Monti.
Este, aliás, e o seu movimento, foram os grandes derrotados
nestas eleições.
O resultado reflecte bem o nível de descontentamento na
sociedade italiana, com os movimentos populistas de Berlusconi , por um lado, e
Grillo, por outro, a somarem mais de 50%
dos votos e a esquerda, que nunca se soube demarcar das políticas de
austeridade de Monti, a “sofrer” uma vitória de Pirro, já que, para poder
governar, só o pode fazer aliando-se a um desses dois.
Que a srª Merkel se tenha apressado a ameaçar os italianos "avisando-os" de que as medidas de austeridade e as “reformas” são o único
caminho “possível”, e para continuar, só revela o desespero e a falência do modelo que a dita senhora
pretende impor à Europa, com as suas “tropas” do BCE e da Comissão Europeia e
os seus “gauleiter” espalhados por vários governos (como acontece em Portugal)
e bancos europeus.
Mas o mais grave é que haja já quem considere a necessidade
de recorrer a um novo acto eleitoral. Esta é de facto a “democracia” daqueles
que acham que, quando os resultados não agradam aos seus objectivos, há que
continuara a insistir em novos actos eleitorais, até estes lhes darem o
resultado que lhes interessa. Foi assim na Grécia, tem sido assim em vários
referendos sobre tratados europeus.
Os “mercados”, já se viu pela maneira como reagem a actos
eleitorais adversos aos seus negócios e pelo modo como admiram o “modelo
chinês”, que querem impor na Europa, não se dão muito bem com a democracia.
A srª Merkel e a anti-democrática Comissão Europeia, não
parecem, igualmente, lidar muito bem com a vontade democrática e continuam a
ignorar os graves sinais, para a unidade e para a paz social na Europa,
quechegam de todos os lados. Quando perceberem a porcaria que construíram para
os cidadãos europeus para salvarem os seus “mercados” será tarde demais.
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domingo, 24 de fevereiro de 2013
domingo, 1 de julho de 2012
sexta-feira, 29 de junho de 2012
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