Tenho alguma dificuldade em entender a necessidade de organizações secretas no seio de regimes democráticos.
Claro que reconheço o papel histórico da Maçonaria na luta pela liberdade e pela democracia. Conquistada a liberdade e a democracia a Maçonaria tem toda a legitimidade para continuar a existir, mas devia fazê-lo às claras, com transparência.
Também sei que existem pelo menos duas grandes famílias maçónicas em Portugal, o Grande Oriente Lusitano e a Grande Loja Regular de Portugal e que esta segunda tem sido mais permeável a escândalos e oportunismos, como o demonstrou o caso da Universidade Moderna e agora o desta loja Mozart49.
Além disso nenhuma delas pode controlar as diversas lojas que lhe estão associadas ou as malfeitorias que alguns oportunistas fazem à sombra do poder e prestígio dessas instituições.
Toda a gente tem direito às suas convicções religiosas e ideológicas, mas, num estado de direito, essas convicções não se podem sobrepor à legalidade.
O que não é admissível é que se use a velha “cunha”, levada ao extremo nos casos agora divulgados, para distribuir cargos públicos, influenciar decisões políticas, distribuir favores empresariais, de forma clandestina e ilegal.
Em abono da verdade, já não há pachorra para tanta ganância pelo poder, pelos negócios e pelo dinheiro, usando-se abusando-se da influência de poderes clandestinos, de gente sem rosto que domina organizações cujo poder de influência sobre a generalidade da vida dos cidadãos se sobrepõe ao poder legitimo da lei e da democracia, sejam esses poderes as agências de rating, o directório Merkozy, o clube Bilderberg, o Goldman Sachs ou as nossas Opus Dei e as várias lojas maçónicas.
É caso para perguntar, quem tem medo da legitimidade democrática?
Quem é quem nos jantares da Loja Mozart (fotogaleria) - Expresso.pt (clicar para ver).
