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terça-feira, 29 de abril de 2025

O DIA DA RÁDIO, ou, “Onde estavas no 28 de Abril?”


Sou fã da rádio como meio de comunicação, desde que me lembro.

Foi a ouvir rádio que descobri que havia mundo para além da minha casa.

Um gosto minoritário, mas que ontem se tornou “viral”, como agora se diz.

Ficou provado que, no tão apregoado “Kit de sobrevivência”,  só interessa recorrer ao analógico, desde o rádio de pilhas, às pilhas, passando pelo fogão a gaz, fogareiros e lamparinas  a petróleo (como os velhos candeeiro Hipólito), velas, fósforos e isqueiros, máquinas fotográficas de rolo…e já agora algum dinheiro “vivo” no bolso.

Ligados ao mundo por um velho rádio a pilhas, veio-nos à memória outros momentos em que a rádio era o único meio de seguir acontecimentos em directo, como aconteceu no 25 de Abril.

Acrescente-se a isto o jornalismo de excelência da estatal Antena 1.

Quem só agora descobriu esse canal radiofónico, aconselho a segui-lo ao longo do dia, descobrindo aí não só a reportagem, o directo e a opinião que, fugindo à cassete dos “grandes” canais televisivos, é exemplo de liberdade de informação, de  rigor informativo e pluralismo.

As gerações mais novas não se vão esquecer tão cedo deste dia e, principalmente, do conforto que foi seguir nesse meio “antiquado” e várias vezes acusado de “absoleto” no mundo da “alta tecnologia” digital que nos domina, as únicas notícias lhe chegavam.

Quando um dia lhes perguntarem, “onde estavas no 28 de Abril”, provavelmente a primeira resposta que lhes vai ocorrer é “ a seguir as notícias pelo velho rádio a pilhas do meu pai (ou avô)”.

Ontem foi mais um extraordinário DIA DA RÁDIO.

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

Em defesa da comunicação social pública


Começo a minha manhã informativa a ouvir a Antena 1, no carro, durante o dia, continuo na Antena 1, por vezes vou à 3 ou à 2, à noite circulo entre a RTP 3 e RTP 2.

Fora da comunicação pública consulto os jornais, as rádios e as televisões que mais se aproximam de um serviço público, isto é, mais pluralistas nas opiniões, que fazem reportagem jornalística, que remam contra a maré dos top´s na divulgação “opinativa”, artística, cultural e musical, tais como os jornais Público, Diário de Notícias e Jornal de Letras, as rádios M80 e Radar, e, raramente, alguma informação e debate na CNN Portugal….o resto, com raras e honrosas excepções, é sempre mais do mesmo ou a voz do dono (dos grandes interesses financeiros, políticos e empresariais, que lhes pagam para isso).

Por isso parece-me cada vez mais importante a existência de uma informação e divulgação variada, pluralista, cuidada, tolerante, na política, na cultura, na vida social, que invista na reportagem, tudo o que, mesmo com erros e limitações, só a comunicação social pública, principalmente a RTP , Antena 1 e a LUSA vão fazendo, tudo o que, infelizmente, está cada vez mais ausente dos órgãos de comunicação social privados, apenas preocupados com audiências, em agradar aos “donos”,em correr atrás da cloaca das redes socias, em divulgar o que uma opinião pública cada vez mais anestesiada e acrítica pretende consumir.

Por isso, é preocupante o que se anuncia por aí para limitar o financiamento, logo o trabalho de qualidade, dos órgão de comunicação social públicos, no fundo uma forma indirecta de "censura".

Esperemos que seja apenas um devaneio passageiro. Mas devemos estar atento aos desenvolvimentos.

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

SIC “apanhada” em excesso de velocidade, ou, uma SIC cada vez mais “radical”!!!


No afã de procurar reportagens cada vez mais populistas, a SIC não tem problema em violar a lei…para mostra violações da lei.

A SIC ( e outros canais que vão atrás do “estilo” arrogante e agressivo desse canal) não se coíbe de confundir “reportagem” com perseguição “pidesca”.

Esse canal de “informação” escolhe os seus alvos de forma selectiva e parcial, recorrendo a todos os meios, de forma impune, e adoçando tudo com  uma narrativa moralista.

Numa reportagem difundida no principio desta semana, o objectivo foi perseguir um dos ódios de estimação desse canal e dos donos dele, o ministro Pedro Nuno Santos (outro dos alvos selectivos tem sido o ministro Eduardo Cabrita), para o “apanhar” em excesso de velocidade.

Não tenho simpatia especial por esses ministros, muito pouca pelo segundo, mas os fins não justificam os meios.

Deram-se mesmo ao trabalho de calcular uma viagem que Pedro Santos fez entre duas localidades, para mostrar o excesso de velocidade da comitiva oficial, ou seja, num percurso, quase todo feito em auto estrada ou via rápida, a deslocação foi feita uma média ligeiramente superior a 135Km/hora.

Para dar uns ares de “objectividade”, recorrendo aos manuais das escolas de jornalismo, a reportagem foi ver a lei e esta permite que as comitivas oficiais se desloquem sem limite de velocidade, tal como acontece com serviços de urgência e com os carros de polícia.

Como tinham de encontra alguma coisa que justificasse a reportagem, lá descobriram que a comitiva ministerial, em certos troços do percurso, desligava ou não usava a sinalização de urgência a que a lei obriga.

Só que, para o fazerem, os jornalistas tiveram de, eles próprios, violar a lei, deslocando-se em excesso de velocidade, que os mesmos, não sei se por ingenuidade se por pura arrogância e sentido de impunidade, resolveram exibir e filmar, mostrando o registo de velocidade do automóvel em que os mesmos se deslocavam, chegando mesmo a ultrapassar o carro do ministro.

Contudo “esqueceram-se” de um pormenor!!

Os “jornalistas” não estão incluídos na excepção da lei.

Ou seja, o ministro violou, parcialmente, a lei num ponto, ao não assinalar, ocasionalmente, o serviço de urgência.

Já os “jornalistas” violaram toda a lei, já que estão sujeitos às regras do comum dos condutores.

Por menos do que isso já eu tive de pagar uma multa de 200 euros, fiquei com dois pontos a menos na carta e ainda tive a carta cativada por 6 meses, com pena suspensa (era uma noite de chuva, ía a 110Km numa via dupla, de cerca de 100 metros, com separador central, de aceso a uma auto-estrada, com uma unica saida para um posto de gasolina, onde havia um radar e um sinal, escondido por um arbusto, indicando um limite de 70 Km/hora...) .

Quem violou a lei, de forma gritante, e ainda por cima exibido-o impunemente, foram os “jornalistas” da SIC!!

Espero que esse afã moralista, em perseguir ministros, para os apanhar em falta, continue tão empenhado quando, um dia destes, que espero que venha longe,  tivermos ministros da cor política dos donos da SIC.

E já agora, uma prova da “objectividade” desse “jornalismo” seria perseguir, do mesmo modo pidesco, Carlos Moedas, Cavaco Silva, Paulo Rangel, Rui Rio ou Passos Coelho, quando estes se deslocam para cerimónias publicas ou oficias!!!

quarta-feira, 12 de maio de 2021

Quem Estragou a Festa, pá!!???


Aquilo a que assistimos ontem, no exterior do Estádio de Alvalade, foi lamentável, a todos os níveis e levanta várias interrogações.

Sem distanciamento, com máscaras mal colocadas ou sem elas, com comportamentos a roçar o puro vandalismo, milhares de adeptos puseram em causa todas as medidas sanitárias recomendadas.

Veremos qual a situação epidemiológica na Grande Lisboa daqui a 15 dias, para percebermos melhor as consequências desse comportamento.

Existem, à partida, vários responsáveis pela grave situação a que assistimos ontem:

- em primeiro lugar a claque “Juventude leonina”, conhecida por agir acima da lei e de forma impune, com comportamentos arruaceiros no seu historial( tal como outras claques de outros clubes), instalando ilegalmente um sistema de som e imagem de grandes dimensões, quando um simples evento de rua tem grandes dificuldades em ser autorizado, nas actuais circunstâncias;

- em segundo lugar, as autoridades, em última instância o Ministro da Administração Interna, que, tendo olhos para ver como qualquer cidadão que passasse pelo local a partir das 15 horas ou visse as imagens televisivas, tiveram mais do que tempo para por cobro à situação ou, no mínimo, criar condições de segurança sanitária para os festejos. Aliás, só agiram na pior altura, no intervalo do jogo, quando já não era possível controlar a situação, a não ser da forma violenta e desproporcionada como acabou por acontecer ;

- em terceiro lugar, as televisões que, ao desculpabilizarem e desvalorizarem a dimensão da situação, “incentivaram” os adeptos a deslocarem-se em massa ao local;

- em quarto lugar, alguns “epidemiologistas” e comentadores , que se prestaram a essa desculpabilização e a essa desvalorização. Curiosamente alguns desses “especialistas” foram os mesmo a indignar-se com a realização das comemorações do 25 de Abril, do 1º de Maio, da Festa do Avante ou do Congresso do PCP. Contudo, qualquer comparação com estes eventos é puro absurdo, já que estes tiveram lugar de forma ordenada, com regras rigorosas de controle sanitário e com o distanciamento devido, em alturas,  pelo menos nalguns casos, em que a situação era menos grave;

- em quinto lugar, mas beneficiando da cumplicidade e complacência das entidades acima referidas, o comportamento arruaceiro de alguns adeptos, provocando a polícia e que muito contribuiu para o desfecho violento desses festejos.

E já agora, onde param os indignados das redes socias, sempre tão prontos a destilar o veneno da sua intolerância contra o 25 de Abril, o 1º de Maio, a Festa do Avante ou o Congresso do PCP??

Depois do que vimos ontem, o que dirão os organizadores de Festivais, os trabalhadores e empresários dos Circos, os donos de carrocéis, os donos de discotecas e bares?

De certeza que qualquer destes eventos se pode realizar em melhores condições de segurança sanitária do que os festejos de ontem.

Se a culpa voltar a morrer solteira, preparem-se para o que pode vir a seguir!!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

A SIC e o Carnaval de Torres ou...uma forma subtil de fazer Censura


 A Censura tem sido uma presença constante no Carnaval de Torres (ver AQUI o que escrevemos sobre o tema).

Costumamos estar habituados a uma censura feita "à descarada" e escapa-nos, muitas vezes, a censura mais subtil, muitas vezes exercida nos bastidores.

O que aconteceu este ano enquadra-se neste último caso.

Como todos sabem, o Carnaval de Torres deste ano ficou-se pela inauguração de um monumento, que procurou homenagear os profissionais que têm estado na linha da frente, para combater a epidemia ou manter o país em funcionamento (talvez com um esquecimento mais notado, o da actividade dos professores nesta conjuntura).

Para além do monumento, a crítica social e política habitual neste Carnaval foi, de forma inteligente, incluída no écran de um conjunto de "telemóveis" gigantes, uma referência ao meio de comunicação mais usado pelos cidadãos, obrigados ao confinamento e ao distanciamento físico.

A SIC, no passado dia 12 de  Fevereiro, realizou uma reportagem onde deu grande destaque aos "cartoon´s" incluídos num dos lados do tais "telemóveis" gigantes (ver AQUI) .

Ao visionarmos a reportagem, confirmámos o que já desconfiávamos, que não iriam mostrar  um desses "cartoon´s", aquele que reproduzimos em cima.

Porque é que não nos espantámos? Porque no dia em estivemos a fotografar o tal monumento estava lá uma equipa da RTP  (uma jornalista e um operador de Câmara) e, ainda antes de percebermos o alvo da conversa, ouvimos a jornalista a dizer para o operador :"vamos lá ver se nos deixam passar isto".

O "isto" era o mesmo "cartoon" "censurado" na reportagem da SIC.

Ou seja, o poder da SIC é tal na comunicação social que até  condiciona as opções editoriais de outros orgãos de comunicação.

E qual o motivo do subtil acto de censura, na televisão que se acha a campeã da liberdade de informação? Uma alusão à SIC, à TVI e à CMTV como metáfora de uma esquina de prostitutas.

Claro que é um acto subtil de censura, o de optar por  não reproduzir um cartoon de Carnaval, quando a reportagem reproduz quase todos, disfarçado de "opção editorial", uma forma civilizada e legal de censura em democracia, mas revelador da forma como se condiciona a informação nalguns órgãos de comunicação social, e até do poder corporativo de um classe profissional como a dos jornalistas.

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

A entrevista "fofinha" de Sousa Tavares a André Ventura.

 


Na passada 2ª feira a TVI 24 iniciou uma série de entrevistas, conduzidas por Miguel Sousa Tavares, aos candidatos à Presidência.

Para respeitar a ordem crescente da representação parlamentar, o primeiro entrevistado foi André Ventura e a coisa não correu muito bem (ver comentário à mesma AQUI).

De facto Sousa Tavares mostrou-se, mais uma vez, mal preparado e muito condescendente com André Ventura.

Conhecido pela sua agressividade, a roçar a boçalidade e má criação, nos seus comentários e nas entrevistas, principalmente quando tem pela frente alguém de quem não gosta, desta vez viu-se um Sousa Tavares que deixou Ventura à vontade, sem usar o contraditório ou sem questionar aspectos polémicos e até abjectos do discurso do líder do Chega.

O próprio Ventura, tipo esperto, usou muitas vezes argumentos dos comentários populistas do próprio Sousa Tavares para defender as suas miseráveis idéias e calar Sousa Tavares, acrescentando (tratando-o por tu) "como o Miguel sabe" ou "como o Miguel diz".

há muito tempo que questionamos as qualidades jornalísticas de Sousa Tavares.

Embora escreva bem, revela-se quase sempre mal preparado, preconceituoso, parcial, roçando o balofo, nas opiniões que escreve, vivendo muito da fama do passado, granjeada pela sua colaboração na revista "Grande Reportagem".

Veremos se, nas próximas entrevistas, Sousa Tavares vai ser tão "fofinho" e condescendente como foi com André Ventura na passada 2ª feira.