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terça-feira, 16 de julho de 2019

No cinquentenário da Conquista da Lua


Há 50 anos, em 16 de Julho de 1969,  era lançado no espaço o Apollo 11 a caminho da Lua.

 Poucos dias depois, às 20 horas e 17 minutos, hora de Greenwich do domingo 20 de Julho de 1969 o módulo lunar Eagle pousava no Mar da Tranquilidade.

Já passavam das 3 horas da madrugada de 2ª feira dia 22 (ainda 21 nos Estados Unidos) quando se abriu a escotilha para que Neil Armstrong descesse e se tornasse o primeiro homem a pisar a Lua, onde proferiu a célebre frase, “um pequeno passo para o homem, um grande passo para a humanidade”. Minutos depois era a vez de Buz Aldrin sair, enquanto Michael Collins tinha ficado na posição mais ingrata do “retrato histórico”, aguardando o regresso dos seus companheiros na nave que levaria todos de regresso a Terra.

Pertenço a uma das últimas gerações que acompanhou com entusiasmo e esperança a grande epopeia da Conquista do Espaço, aquela que foi talvez a única aventura humana possível, antes da afirmação do sistema neoliberal que começou a destruir o sonho, este e todos os outros, submetendo tudo ao lucro e aos resultados imediatos.

Nasci um ano antes do lançamento do primeiro Sputnicks, feito que iniciou a corrida ao Espaço e ocorrido em 1957.

Alguns anos depois tive oportunidade, numa visita a Moscovo, de olhar, ao longe para um desses Sputnicks, num museu aeronáutico, infelizmente fechado, mas podendo-se vislumbrar através de uma fresta aberta de um gigantesco hangar, que guardava as relíquias do contributo soviético para a conquista do espaço. Era uma pequena bola de metal, rodeada de antenas…

Lembro-me bem de andarmos todos de nariz no ar à procura de Sputnicks…

Hoje, no mundo, ninguém com menos de 55 anos , de certeza com menos de 50 anos, tem qualquer recordação de assistir em directo à chegada de um homem à Lua, pois a última visita ao nosso satélite teve lugar em Dezembro de 1972, com a viagem do Apollo 17. Os poucos astronautas sobreviventes, dos 14 que pisaram a Lua, têm todos mais de 80 anos e em breve, não haverá um único homem vivo que tenha pisado outro planeta.

Lembro-me de, em miúdo, de seguir com entusiasmo cada emissão televisiva, a preto e branco, que transmitia as várias missões que antecederam a chegada à Lua. Escusado será dizer que a nossa televisão apenas cobria o lado norte-americano da aventura, escamoteando o que se passava do aldo soviético.

Naquela madrugada fui acordado pelo meu pai para acompanhar o momento histórico, embora só tenha ido a tempo de ver a descida de Aldrin, enquanto Armstrong já caminhava pela superfície lunar há vários minutos. Imagens inesquecíveis para um puto de 13 anos!

Os astronautas eram os heróis da minha infância e uma das nossas brincadeiras preferidas era imitar as viagens espaciais, onde os astronautas eram as tampinhas dos refrigerantes e os foguetões eram as caixas de fósforos ou, com um bocadinho de sorte, as caixas em metal de comprimidos, que davam um ar mais realista à coisa, enquanto a Lua era o armário mais alto lá de casa.

Depois havia os mais sofisticados, como o meu amigo Carilho, futuro mágico profissional e hoje responsável pela programação dos espectáculos de circo nos Coliseu de Lisboa e do Porto.

Os seus “astronautas”, as tais “caricas” (as tampinhas de refrigerantes), eram envolvidas na “prata” que cobria os chocolates, metidas numa caixa de metal, levadas ao lume num bico de fogão, durante um tempo preciso, para simular o aquecimento da reentrada na atmosfera e depois, se a “carica” não viesse chamuscada, era “recebida” com “pompa e circunstância” e em “festa” pelas restantes “caricas” da sua colecção (cada um de nós tinha um país de “caricas”). Se, pelo contrário, estivesse chamuscada, a missão tinha “fracassado” e procedia-se ao funeral do “astronauta”, com a mesma pompa, acabando no cemitério, o telhado da sua casa.

Há quem compare a aventura da Conquista do Espaço coma as viagens dos descobrimentos.

Foi como uma grande aventura para a humanidade que a minha geração e as mais velhas encararam esses acontecimentos, seguidos avidamente nas páginas dos jornais e tema de discussão às mesas dos cafés.

Era, à época, uma quase impossibilidade, um feito tão irreal como viajar no tempo, conquistar a imortalidade , descobrir o elixir da eterna juventude ou encontrar extraterrestres,  que levou até à ignorância de muitos que ainda hoje colocam em causa a verdade desse feito, porque continuam a não ver para além do próprio nariz.

Um feito mais extraordinário, se tivermos em conta o tipo de tecnologia de então. Muitos de nós não nos atreveríamos hoje a sair à rua se apenas dispuséssemos da tecnologia ao dispor desses astronautas.

Nos tempos actuais, a aventura e o risco que a mesma acarreta, condições essenciais para a evolução da humanidade, deixaram de ser equacionados. Apenas o resultado e o lucro  imediato passaram a interessar, daí a razão para o século XXI se ter tornado o século dos grandes retrocessos culturais, civilizacionais ,socias e até democráticos.

Diz-se que é o sonho que conduz o homem. A humanidade necessita rapidamente de novos sonhos que a unam e a façam evoluir.

Por agora fiquemo-nos pela evocação desse sonho tornado possível pela coragem desses homens,( mais do que norte-americanos ou soviéticos, Homens!),  na mesma década do Maio de 68 que teve como lemas frases como “Sejam Realistas, Peçam o Impossível” ou “A Imaginação ao Poder!”.

Essas desejos cumpriram-se, em parte,  com a chegada do Homem à Lua, apenas um ano depois.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Há 40 anos - O dia em que a humanidade se uniu




Passam hoje 40 anos que o homem pisou solo lunar pela primeira vez.
Pertenço à geração que viveu a sua infância a seguir, com entusiasmo, as emissões em directo, a preto e branco, da RTP, onde se mostravam os lançamentos dos foguetões Saturno que colocaram em órbita as cápsulas do projecto Apolo.
Essas emissões eram entusiasticamente comentadas por Eurico da Fonseca, um homem que nos contagiava a todos.
Sendo então criança, muitas das minhas brincadeiras de então giravam à volta da conquista do espaço, com foguetões feitos de caixas de fósforos, e caricas transformadas em astronautas. Não era tão radical como um amigo meu que colocava os “astronautas” (caricas de garrafas) dentro de uma caixa envolvida em “prata de chocolate”, levava-os ao fogão durante alguns segundos e depois, abrindo a caixa, se as caricas estivessem queimadas a “missão” tinha falhado, e procedia ao “funeral” das caricas, se estivessem intactas, a “missão” tinha sido um “êxito” e o acto era comemorado com pompa e circunstância, sendo os “astronautas” recebidos com um grandioso desfile de caricas.
O entusiasmo pela conquista do espaço ao longo desses anos 60 também se deveu, pela minha parte, ao entusiasmo com que o meu pai seguia esses acontecimentos. Ainda possuo recortes de jornais e revistas desses tempos , que o meu pai comentava com entusiasmo e guardava religiosamente, com uma grande esperança que a conquista do espaço contribuísse para o progresso da humanidade e para a união entre os homens.
Por isso tenho bem presente essa madrugada de 20 de Julho, quando o meu pai me acordou para assistir ao momento histórico que estava a ser transmitido em directo pela RTP.
Lembro-me, entre o espantado, o ensonado e o entusiasmado, do primeiro passeio desses heróis do século XX em solo Lunar.
Infelizmente, poucos anos depois, deixou de se enviar homens à Lua e assim, estranhamente, quase metade da população que hoje vive sobre a terra só conhece esses feitos pelos relatos dos mais velho, aqueles que hoje têm mais de 45 anos, com idade para terem memória desse acontecimento.
Pertenci à geração que, pela primeira vez, viu as fotografias da terra tiradas do espaço e da Lua, revolucionando a imagem que tínhamos do nosso planeta e da nossa dimensão humana.
A minha geração, numa perspectiva universal, viveu em directo três grandes momentos que a marcaram: a Chegada do homem à Lua; a queda do Muro de Berlim e o 11 de Setembro.
Se o último foi uma tragédia, o do meio uma ilusão rapidamente engolida pela voragem do neo-liberalismo, o primeiro foi o mais puro, pela forma como, num único dia, conseguiu unir toda a Humanidade.
Foi, como disse Amstrong, um “pequeno passo para o homem, mas um grande passo para a humanidade”.
Por esse dia, obrigado Neil Armstrong, Edwin 'Buzz' Aldrin e Michael Collins!