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sábado, 22 de dezembro de 2018

“Coletes Amarelos” – quem são os derrotados.



Do total fracasso, a roçar o ridículo, da manifestação dos “coletes amarelos”, não saíram apenas derrotados os seus promotores.

Em primeiro lugar saiu derrotada a extrema-direita portuguesa, ficando à mostra a sua verdadeira dimensão.

Em segundo lugar, saiu derrotada a bazófia de utilizadores das redes sociais, (tão caladinhos agora) que pensavam que bastava destilar ódio, intolerância e demagogia, em doses cavalares, para conseguir mobilizar os portugueses.

Em terceiro lugar saíram derrotados os que andavam a apregoar a decadência da mobilização sindical, acreditando que bastava gritar contra tudo e contra todos para conseguir mobilizar manifestantes.

Em quarto lugar saiu derrotada a comunicação social, sempre tão pronta a desvalorizar reivindicações sindicais, profissionais e sociais, mobilizando desta vez grande parte do seu espaço para amplificar uma manifestação de dimensões ridiculas, mostrando-se quase tão desesperada com o resultado da manifestação como os próprios promotores.

Mas sairão igualmente derrotados, a prazo, aqueles que, perante o fracasso desta manifestação, pensam que tal desaire significa que muitas das reivindicações e protestos, usados de forma demagógica e oportunista pelos promotores, não têm um fundamento de verdade.

A democracia ganhou esta batalha contra a demagogia, mas tem muitas outras batalhas pela frente.

A democracia é frágil e, se quer sobreviver, tem de combater eficazmente as desigualdades, a corrupção, a pobreza e todo o tipo de injustiças sociais, ou a demagogia ganhará espaço para voltar com mais força.

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

A “Mensagem” de Macron (com o aval da UE): “Querem redução de impostos e aumento de ordenado? Partam montras e incendeiem carros”!!!



O “populista” do “centro”, Macron, deu ontem uma machadada final no que restava da sua credibilidade ao anunciar subidas de salários na ordem dos…cem euros!

Recordo aqui o “escândalo” que foi (e ainda é), no seio de toda a burocracia de Bruxelas e no pessoal do sector financeiro europeu, e entre comentadores de serviço, quando em Portugal o governo anunciou um misero aumento num misero salário mínimo, que ronda agora os 600 euros.

Em França, um país que tem a mesma moeda que Portugal e que está sujeita às mesmas “obrigações” impostas por Bruxelas, o “populista do centro” Macron, ao “estilo Maduro”, anuncia uma subida de 100 euros no salário mínimo (que por lá ronda uns 1 400 euros) e as anteriormente virgens ofendidas de Bruxelas mantêm-se em total silêncio.

Além disso, todas as medidas anunciadas por Macron, e que vão ser financiada pelo Estado francês, vão fazer disparar o deficit e a dívida francesa para níveis que vão ultrapassar as imposições do PEC.

A credibilidade de Bruxelas fica assim, igualmente posto em causa.

Com que autoridade podem agora exigir cumprimento de deficits a países com salários, pensões e direitos miseráveis como em Portugal, face às promessas de Macron?

Poro outro lado, com que credibilidade se podem manifestar contra o orçamento italianos, se se mantiverem em silêncio face ao anuncio de Macron?

A mensagem de Macron, com o aval do silêncio das instituições financeiras da União Europeia , só quer dizer uma coisa: quando os cidadãos europeus quiserem salários justos, pensões acima do miserável e manter direitos “devem ir para a rua partir montras e queimar carros”, pois só assim é que os burocratas de Bruxelas aceitam aumentar o deficit e a dívida.

Afinal, ao que parece, para salvar “amigos” é possível desrespeitar o deficit e até há dinheiro para aumentar salários e pensões, ao mesmo tempo que se baixam impostos!

É caso para dizer: “Força Itália”!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Nem Macron, nem Le Pen…nem, muito menos, os mais extremistas “coletes amarelos”!



Costuma-se dizer que é nas  curvas apertadas que se destacam os bons condutores.

Frase que se pode aplicar aos políticos: é nas curvas apertadas da história que se revelam os grandes políticos.

Existem alguns grandes exemplos: Churchill na 2ª Guerra, De Gaulle no Maio de 68, Mandela na África do Sul, ou Gorbachev na União Soviética…e não me lembro de muitos mais.

Infelizmente para a França, e a prazo para a Europa, Macron revelou-se um politico incapaz de enfrentar os graves conflitos sociais que o seu país enfrenta.

Ao querer tornar-se o menino bonito da Europa da austeridade, dominada pelo poder financeiro, sonhando substituir Merkel como líder do projecto europeu, revelou-se, pela forma como tem lidado com os “coletes amarelos”, um politico medíocre e incapaz, uma ténue sombra da líder alemã.

Macron domina na retórica, mas revelou-se incapaz de perceber que a França vive, há décadas, uma grave crise social e de identidade, que explodiu agora em violência com base numa reivindicação quanto a nós injusta: contestar o aumento de impostos sobre o uso do gasóleo (quando outros países, com a Alemanha, anunciaram a proibição, a prazo, do uso desse combustível, uma das formas de travar o desastre ambiental para onde caminhamos a passos largos).

Essa reivindicação é injusta, mas Macron mostrou-se incapaz de explicar a necessidade de travar o uso do gasóleo e até, a prazo do automóvel a gasolina e, em vez de se revelar um politico hábil, regou o fogo com gasolina, e o resultado, lamentável, está à vista.

Não percebeu que, por detrás do pretexto do aumento de impostos sobre o gasóleo, está uma realidade social cada vez mais perigosa.

Os próprios “coletes amarelos” conseguiram aproveitar o destaque dado ao seu movimento para juntar 41 reivindicações, todas de grande justiça do ponto de vista social, mas Macron não respondeu a uma única delas, mantendo-se fiel ao programa “austeritário” e anti social com o qual pretende agradar aos burocratas de Bruxelas e ao corrupto mundo financeiro europeu.

Rapidamente o moribundo movimento de Le Pen encontrou neste movimento o colete de salvação e colou-se à revolta, como se alguma vez, chegada ao poder, pudesse garantir as 42 reivindicações dos “coletes amarelos” (hoje reveladas no jornal “Público”) todas elas contrárias aos princípios e ideologia da extrema-direita francesa.

Por isso não será de estranhar que, por detrás da violência vivida Sábado em Paris, estivessem conhecidos elementos da extrema-direita, dando assim um grande contributo para desviar as atenções para as legitimas reivindicações dos “coletes amarelos”, colando-os à violência gratuita habitual nas manifestações, em França, da extrema-direita, que contaram com o apoio irresponsável de grupúsculos de extrema-esquerda, para permitir a Macron aparecer como o equilibrista, que afinal não é.

Deixando-se infiltrar por provocadores extremistas, o justo movimento dos “coletes amarelos” corre o risco de se descredibilizar junto da opinião pública e de reforçar o discurso de “ordem” da extrema-direita.

As próximas manifestações dos “coletes amarelos” terão de ser uma esmagadora manifestação cívica, isolando os provocadores. Caso contrário ficam à mercê da estratégia da extrema-direita francesa e contribuem para reforçar Macron na aplicação das medidas antissociais que ele preconiza, conduzindo a França, e a prazo o que resta do “europeísmo”, para um abismo sem saída.