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terça-feira, 15 de dezembro de 2015

“Cuidado” com a subida do Salário Mínimo????...ou… cuidado com o Salário Máximo???


Presente numa conferência em Portugal , o conhecido economista e Prémio Nobel Paul Krugman. Interrogado sobre  a subida do salário mínimo em Portugal, considerou-a “problemática” ,  recomendando “cuidado “ na forma de tomar essa medida.

Não é a primeira vez que um dos economistas queridos de certa esquerda portuguesa faz afirmações totalmente disparatadas sobre Portugal e que contradiz a imagem de “economista de esquerda” que alguns lhe atribuem.

De facto, e mais uma vez neste caso,  limita-se a enfileirar na ideologia dominante entre economistas bem remunerados e que recebem fortunas como conferencistas, em defesa da desvalorização do factor trabalho.

Começa a ser nojenta a forma como se debate a subida do miserável ordenado mínimo em Portugal, como se viesse daí um grande escândalo, ao mesmo tempo que se escamoteiam verdadeiros escândalos salariais, como aqueles que são pagos a certos gestores de Bancos e de Empresas Públicas, onde o abjecto caso Sérgio Monteiro é apenas a ponta do iceberg.

Para mim o problema não reside na subida do salário mínimo, mas no valor de certos salários “máximos”, muitas vezes auferidos por gente incompetente, pouco trabalhadora e que apenas beneficia desse privilégio por ter gerido “bem” a sua carreira político-pessoal.

Há muitos anos, jovem adolescente à procura de respostas para o mundo que descobria, lembro-me de ter perguntado ao meu pai qual devia ser a profissão mais bem paga de todas…ele pensou um bocado e respondeu-me: “professor universitário”.

Pessoalmente, e ao longo do tempo, foi-se consolidando a idéia de que o meu pai tinha razão.

Acontece que, em Portugal, um professor catedrático, no topo da carreira, em regime de exclusividade, recebe de salário bruto pouco menos de cinco mil e quinhentos euros (não recebendo muito mais que 3 mil euros depois de efectuados os descontos).

Parece-me evidente que este devia ser o limite de ordenados pagos no sector público e que o privado devia ser fortemente desincentivado de pagar muito mais que esse valor.

Ora, infelizmente não é isso que se passa na banca pública e, principalmente, no Banco de Portugal.

Muitos dos “opinadores” que se mostram muito preocupados com a subida do salário mínimo, auferem muitas vezes muito mais do que o tal professor catedrático, e por isso é imoral o simples facto de opinarem sobre esse assunto, geralmente recomendando os tais “cuidados”.


Por isso, na minha opinião, cada vez que um comentador se refere aos “cuidados” a ter com a subida dos salários dos outros, devia exibir, como na publicidade, junto do texto ou por baixo da imagem televisiva, uma listagem do rendimento por ele auferido, não só para comentar, como  pela sua actividade, para percebermos a que salários abusivos eles se querem referir… 

segunda-feira, 6 de julho de 2015

4 crónicas pela Grécia: Rui Tavares, Viriato Soromenho-Marques, Miguel Esteves Cardoso e Paul Krugman



“Solidariedade contra a chantagem

Por Rui Tavares, in Público de  06/07/2015

“ Os gregos disseram “não”. Contra ventos e marés, com os bancos fechados e as farmácias e supermercados já com problemas de abastecimento, esta foi uma demonstração de coragem e firmeza perante todos os avisos e pressões, chantagens e ameaças, temores e rancores.

“Que “não” disseram os gregos? Os gregos disseram “não” à aplicação de mais um pacote de austeridade. Mas o “não” dos gregos não foi sobre a saída do euro ou o afastamento da União Europeia. Só foi possível que o “não” ganhasse, num país em que 80% das pessoas não quer sair do euro nem da União Europeia, porque o Governo grego conseguiu fazer passar a mensagem de que um “não” no referendo não era um “não” ao euro.

“Esta diferença é relevante porque nos próximos dias vamos assistir a uma enxurrada de comentários dizendo que a Grécia voltou costas à Europa. Já começaram, aliás: o social-democrata alemão Sigmar Gabriel afirmou que o Governo grego queimou as últimas pontes com a Europa e o trabalhista holandês Jeroen Dijsselbloem disse que o resultado do referendo condiciona a presença da Grécia no euro. Pouco me surpreende a atitude deste dois porta-vozes da arrogância institucional da zona euro. São eles, e gente como eles, quem voltou as costas à Europa. São eles quem se apresta a sacrificar um país, primeiro, e todo um projeto de paz e democracia para este continente, depois, no altar das regras burocráticas e mecanismos cegos de uma união monetária mal concebida.

“É preciso fazer barragem a esta atitude revanchista e impedir que ela deite a perder aquilo que, apesar de todas as dificuldades e erros, se construiu na Europa das últimas gerações. Dijssebloem e Sigmar Gabriel perderam uma batalha política contra o Governo grego mas não têm o direito de levar a Europa para um buraco por causa disso. Vários governos europeus fizeram o que fez o grego e vários referendos europeus já deram “não” — na Irlanda, na Dinamarca, na França, na Holanda. Em todos os casos se voltou à mesa de negociações e se fizeram concessões para que os países em causa pudessem continuar no projeto europeu. Os gregos não merecem menos do que isso.

“Esta crise pode acabar amanhã se os mais inflexíveis dos governos europeus entenderem que não é possível exigir mais austeridade a uma economia deprimida e a uma sociedade exaurida. Mas é possível salvar a Grécia e a Europa combinando uma moratória imediata do serviço da dívida grega para os próximos dois anos, uma reestruturação das dívidas excessivas dos países da zona euro e um plano de relançamento económico financiado pelo Banco Europeu de Investimentos. Aí sim, será possível reformar o Estado grego — e o Syriza é provavelmente o partido mais bem colocado para o fazer. Onde o eurogrupo dizia: “Condições primeiro e alívio da dívida depois” é preciso dizer “alívio da dívida já para dar condições de reforma depois”.

“Quem ama a democracia e a Europa não pode deixar a Grécia ser empurrada para a porta de saída da União. Quem ama Portugal, já agora, também não. Nas cimeiras extraordinárias que se seguirão nos próximos dias, o Governo português não pode persistir numa atitude de confronto que, sem resolução desta crise, se poderia voltar contra Portugal mais depressa do que se pensa”.

“Coragem

por VIRIATO SOROMENHO-MARQUES

in Diário de Notícias de 6 de Julho de 2015

“Confesso que não esperava um resultado como aquele que deu à posição negocial do governo grego uma legitimidade tão reforçada. Sobretudo, depois de o BCE ter quase fechado a torneira da liquidez, obrigando os gregos, incluindo os mais idosos, a penarem nas filas dos ATM e dos bancos.

“Depois de todos os dirigentes das instituições europeias terem incitado, com mentiras e ameaças, à votação num sim que decapitaria o governo grego e atrelaria um povo inteiro à incerta clemência dos credores num ato de compreensível, embora lastimável, servidão voluntária. Como Aristóteles nos ensina, a coragem, a capacidade de resistir em vez de se render, é uma virtude. Um bem moral superior.

“Numa Europa governada por gente tão pequena, moral e intelectualmente, a coragem dos gregos - que não é a de um partido, ou de uma ideologia - é um tónico ético e cívico que vai ter impacto em todos os países varridos pela crise.

“ A resposta sobre o futuro da zona euro, e a sua integridade ou fragmentação, está agora do lado do diretório que se reúne hoje em Paris. Veremos se consegue digerir o azedume desta derrota da austeridade sem desperdiçar os dias escassos que a Grécia tem pela frente.

“Se escolherem o caminho da expulsão da Grécia, pelo menos não haverá dúvidas sobre quem fez vibrar o primeiro golpe, que fará desabar com estrondo uma união monetária incapaz de se curar dos seus males genéticos.

“ Talvez tenha chegado a hora, como sugeria Habermas num texto recente, de os povos salvarem a Europa do labirinto onde a cegueira dos atuais líderes a meteu. Mesmo que seja demasiado tarde, um combate por uma causa nobre, que se perde, é mais honroso do que uma vitória que nos rebaixa e envilece”.

"Assim não

 por Miguel Esteves Cardoso

in Público de 6 de Julho de 2015

“A maioria dos gregos disse “não”. Não disse “não” ao euro nem “não” à União Europeia. Foi “não” à maneira como os dirigentes democraticamente eleitos pelos gregos têm sido tratados pela troika.

“A troika pode queixar-se da maneira como se têm comportado os dirigentes gregos. Mas já não pode dizer que eles não têm defendido os interesses da Grécia. A Grécia, numa democracia parlamentar, é uma coisa simples: é a maioria dos eleitores gregos.

“A maioria dos eleitores gregos é a Grécia. E a Grécia disse maioritaria e directamente “não” à troika como disse “sim” aos dirigentes do Syriza que actualmente representa a Grécia.

“A austeridade é uma palavra mentirosa. Significa menos dinheiro e menos serviços sociais para todos. Quanto mais pobre se é, mais se sofre. Na Grécia todos os meses há cada vez mais pobres. A somar a todos os pobres que sempre o foram, há todos aqueles que só recentemente deixaram de o ser.

“Os dirigentes da troika e dos governos da União Europeia têm de ter a coragem e a clareza de deixar de culpar a Grécia e os dirigentes gregos e passar a culpar os próprios eleitores gregos.

“Os eleitores gregos, quando elegeram o Syriza e disseram “não” neste referendo, votaram na esperança de parar o empobrecimento. Não é heróico. Mas é digno por ser humano.

“Claro que os eleitores de cada um dos outros países da União Europeia têm a mesma importância do que os gregos. Os gregos não são nem podem ser especiais. Mas têm de ser considerados iguais. E irmãos.”

O referendo viso por Paul Krugman:

In The New York Times (tradução para espanhol doEl País) , 6 de Julho de 2015

“Tsipras y Syriza han logrado una gran victoria en el referéndum, reforzándose para lo que quiera que venga después. Pero no son los únicos ganadores: diría que Europa, y el concepto de Europa, han conseguido una gran victoria y han esquivado una bala.

“Sé que la mayoría no lo ve igual. Pero pensémoslo así: acabamos de ver a Grecia levantarse contra una campaña de acoso e intimidación, un intento de meter miedo a los griegos no solo para que aceptaran las exigencias de los acreedores sino para que se deshicieran de su Gobierno. Ha sido un momento vergonzoso en la historia moderna de Europa y, de haber prosperado, habría sentado un feo precedente.

“Pero no lo hizo. No tienes que amar a Syriza o creer que saben lo que hacen —no está claro que así sea, aunque la troika lo ha hecho aún peor— para considerar que ha redimido a las instituciones europeas de su peor yo. 

"Si Grecia hubiese sido forzada por el miedo a las consecuencias financieras, Europa habría pecado de tal manera que mancillaría su reputación durante generaciones. Dentro de un tiempo posiblemente recordemos esto como una aberración.

“¿Y si Grecia acaba saliendo del euro? En este momento hay, efectivamente, buenas razones para el Grexit pero, en todo caso, la democracia importa más que cualquier acuerdo monetário”.

domingo, 4 de dezembro de 2011

A Morte do euro, segundo Paul Krugman

Quando entramos na semana que vai iniciar o caminho para o fim do Euro,  Paul Krugman explica às lideranças europeias porque é que, por esta via, o euro vai acabar…e como é que a crise europeia põe em perigo os Estados Unidos 
Matar al euro · ELPAÍS.com (clicar para ler)

terça-feira, 25 de outubro de 2011

DIAS DO FIM DA EUROPA 4 Paul Krugman escreve sobre a crise Europeia


No dia anterior a mais uma inutil cimeira europeia, vale a pena ler o artigo de Paul Krugman hoje publicado no El Pais.