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segunda-feira, 12 de abril de 2021

A Corrupção é “um lugar estranho”.

 


A leitura da decisão instrutória da “Operação Marquês”, ao contrário do que uma opinião apressada, ignorante, tendenciosa e cega pode fazer crer, foi uma autêntica lição sobre a forma como a grande corrupção em Portugal funciona e como a nossa lei e a  nossa justiça se mostram incapazes de a combater eficazmente.

Mostra também que aquilo que qualquer cidadão comum, gozando de plenas capacidades mentais, identifica como corrupção, está, muitas vezes, protegido pela lei ou pela impossibilidade da prova.

Muito do que consideramos como eticamente reprovável, vulgo “corrupção”, é “apenas” isso, eticamente reprovável, mas está  protegido pela lei ou pelo silêncio.

Aliás, a grande corrupção não é mais nem menos que a “ética do capitalismo” e da “economia de mercado”.

Como diz a voz popular, uma grande fortuna esconde um grande crime.

Olhando para a história do capitalismo, este desenvolveu-se, ao longo dos seus vários séculos de história, com base nos crimes mais hediondos: na pirataria e no saque da propriedade e dos recursos alheios, no esclavagismo, no genocídio, no crime organizado, na guerra, na destruição dos ecossistemas e, mais recentemente, no branqueamento de capitais, na fuga aos impostos, nos negócios de armamento e da droga.

A dificuldade em seguir as movimentações de dinheiro , obtido pela corrupção, agravou-se pela   forma como funciona a globalização e a circulação de capitais, e pela forma como o poder financeiro está, há muito, contaminado pela origem duvidosa da maior parte dos seu capital (branqueamento de capitais oriundo do crime organizado, da especulação financeira , da fuga de impostos, do negócio ilegal de armamento, alimento do terrorismo internacional e de regimes criminosos…), pela manutenção de paraísos fiscais, não deixando de ser “surpreendente” que a própria União Europeia, sempre pronta ao discurso “politicamente correcto” do “ataque à corrupção”, permita a existência, no seu seio, desses mesmos paraísos fiscais, como acontece, por exemplo, com a Holanda, cujos governos estão sempre prontos a defender a retirada de direitos socias aos países pobres da UE e a defender a austeridade dos outros, mas que é um país historicamente fundado nos lucros da pirataria, do esclavagismo e do colonialismo, devendo , actualmente, a sua prosperidade económica à forma como protege as grandes empresas de pagarem impostos no território onde operam, prejudicando países como Portugal. Mas não é caso único no seio da UE.

Infelizmente, as “alternativas” históricas ao modelo capitalista mostraram-se tão criminosas como este, nalguns casos ainda mais corruptas e desumanas.

Uma outra vantagem deste processo é mostrar que, apesar de tudo, a forma como a democracia enfrenta este tema da corrupção é sempre superior ao de qualquer ditadura. Pelo menos os cidadãos sabem agora com que justiça contam e podem agora exercer, com mais coerência, o seu direito de cidadania, que é o de exigir alterações na lei, principalmente no que respeita à obtenção de provas, na alteração ao escandaloso arrastamento dos processos e  ao ignóbil principio da “prescrição” da prova.

Acima de tudo, o cidadão tem o dever de não pactuar com a corrupção, que começa nos actos mais simples do dia a dia e termina no favorecimento de fortunas ilícitas.

Muitos dirão, do alto da sua ignorância e da sua intolerância, que na “ditadura” não havia corrupção.

“Não havia” porque não se podia falar nela, sob ameaça da censura ou de prisão, para além dos corruptos serem protegidos pelo poder, com leis, tribunais e uma polícia politica que obrigava ao silêncio

Mas a ditadura, qualquer uma, é a pior de todas as corrupções, que é a usurpação do poder sobre um país ou um povo, em benefício de uma pessoa, de uma elite, de uma religião, de uma ideologia, de  uma classe ou de um partido.

Por isso, apesar de a decisão instrutória da “Operação Marquês” poder não ser o que esperávamos, embora a história ainda não tenha terminado, ela teve o condão de nos alertar sobre os “caminhos da corrupção”, para as limitações da lei e da justiça no combate à grande corrupção, e para a necessidade de estarmos todos muito mais atentos ao que se passa à nossa volta.

Agora é a vez da cidadania.

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Calma! Sócrates ainda não se safou! (...antes pelo contrário...ou ...aprendendo com Al Capone!)


Não tendo seguido em pormenor a sessão de hoje da leitura do  processo contra José Sócrates, houve duas ou três coisas que, mesmo assim, percebi e ficaram evidentes:

- a total incompetência do Ministério Público pela  forma como investiga os crimes de corrupção de colarinho branco. Já tinha sido assim como BPN e com o caso dos “Submarinos”, aconteceu agora com a “operação marquês”;

- a total incompetência do juiz Carlos Alexandre na forma como conduziu a acusação, acusando primeiro e procurando as provas depois e deixando escapar partes do processo para a comunicação social, que é o contrário do que uma investigação competente deve fazer. Claro que ia dar buraco, como ficou hoje evidente;

- Ivo Rosa fez aquilo que era possível fazer para salvar ainda alguma coisa do processo, que foi eliminar o que é impossível provar ou estava contaminado pela incompetência do Ministério Público e de Carlos Alexandre, mantendo as acusações com fundamento, mesmo que menos espectaculares. Foi assim que os Estados Unidos conseguiram apanhar Al Capone;

- Sendo quase impossível provar crimes de corrupção, Ivo Rosa, de forma inteligente, manteve a suspeita social desses crimes cometidos por José Sócrates, o que, aliás muito irritou o suspeito. Com isso, retirou a Sócrates qualquer hipótese de sair “limpo” e voltar à vida política. Desta forma, com subtileza, Ivo Rosa prestou um grande serviço ao país;

- Ficou provada a existência de crimes graves cometidos pelo arguido, mas que já prescreveram, devido, mais uma vez, à incompetência do Ministério Público e do juiz Carlos Alexandre, pela forma com este conduziu o processo, mas também devido a esse absurdo princípio da “prescrição”, usado por quem pode pagar a advogados astutos para arrastar processos. Neste campo, algo de urgente tem de mudar na justiça, se querem preservar a sua credibilidade.

Ao contrário do que uma opinião apressada e sectária pode julgar, José Sócrates não se safou e agora, perante a solidez da acusação, mesmo que seja menos espectacular e mais restrita, vai ter mais dificuldade em escapar à justiça.

terça-feira, 5 de novembro de 2019

SÓCRATES VAI-SE “SAFAR”!?!!!?



Que não restem dúvidas: nutro por José Sócrates e tudo o que ele representa o maior desprezo intelectual e político.

Sempre exprimi aqui tudo o que penso da “chico espertíce”, do oportunismo político e da falta de ética  que os anos da governação Sócrates representaram. Basta explorar o nosso tag “anti-Sócrates”.

Fi-lo numa época em que as suas políticas antissociais, o seu desprezo pelos professores, a sua bajulação pelo mundo da alta finança, a sua cedência aos ditames de uma União Europeia entregue às políticas de austeridade (pouco depois levadas ao limite por outra figurinha de triste memória, Passos “ir além da Troika” Coelho), eram incensadas e apoiadas com entusiasmo pela maioria dos comentadores e economistas do sistema, os mesmos que depois apoiaram com entusiasmo as medidas  desgraçadas da Troika, e que agora procuram sacudir Sócrates do “capote” .

Sócrates e Passos Coelho foram as duas faces da mesma moeda que tanto sofrimento causou neste país.

Contudo, essa “chico espertice”, esse oportunismo político e essa falta de ética e sentido de Estado na forma de fazer política, não só não são crime, como foram a base do cavaquismo, surgido nos anos de 1980, atitude que tanto fascinou e modelou toda uma geração de políticos formados nas “jotinhas” do centrão.

Contudo, sempre torci o nariz ao modo como foi conduzido o processo de acusação contra José Sócrates, a “Operação Marquês”.

Não porque tenha qualquer dúvida sobre os seus processos de actuação desonestos eticamente reprováveis, já revelados pelo próprio noutras circunstâncias, na forma como, junto de autarquias da Beira Interior, ainda antes de ser conhecido, deu cobertura a verdadeiras aberrações urbanísticas, ou no caso Freeport, nunca devidamente esclarecido.

O que me levantou dúvidas foi todo o modo como o processo foi conduzido, com uma prisão em directo na comunicação social, com o juiz que conduziu todo o processo até há pouco tempo mais interessado em comportar-se como uma estrela dos media e como comentador político, do que em fazer uma investigação célere e eficaz sobre as trafulhices de Sócrates, sem esquecer as fugas constantes de informação sobre o processo, que muito devem envergonhar o nosso sistema judicial, ao mesmo tempo que queimavam a validade das provas.

Mais preocupado em dar  espectáculo e dirigir um processo político, o herói da nossa extrema-direita, o juiz Carlos Alexandre, acabou por contaminar todo o processo, e agora, pelo que parece, Sócrates já pode sorrir.

O nosso Ministério Público devia ter aprendido com a forma como prenderam Al Capone.

Este não foi preso pelos seus crimes ou roubos, mas por fuga aos impostos.

Ou seja, um  criminoso inteligente, como o é José Sócrates, não deixou provas dos seus crimes financeiros e das suas obscuras negociatas, mas terá deixado rasto nos pequenos pormenores.

Infelizmente em vez de um Eliot Ness tivemos um Juiz Carlos Alexandre.

Se o juíz Carlos Alexandre, quisesse mesmo fazer justiça, em vez de exibir o espectáculo da sua vaidade pessoal, tinha construído um processo mais sólido , menos complicado, indo directo às acusações que podia provar, avançando logo para tribunal, em vez de criar um mega processos, onde se misturam acusações  fáceis de provar, com situações, talvez as mais mediáticas, difíceis de provar legalmente.

Primeiro reuniam-se as provas e depois prendia-se. O que se fez com Sócrates foi o contrário. Primeiro prendeu-se, com base em suspeitas previsíveis, iguais às que se podem apontar  a muito do políticos da “geração centrão”, e depois foi à procura de provas, atrás do “disse que disse” de uma comunicação social ávida de escândalos.

O resultado só podia ser desastroso, queimando a investigação nas labaredas dos títulos sensacionalistas do “Correio da Manhã”.

E assim  chegámos à situação actual.

Espero estar enganado, mas pelo que se vai sabendo, Sócrates vai safar-se desta e até se pode dar ao luxo de processar quem o acusa de falta de ética.

Perdem a democracia, a justiça e  os valores éticos.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

José Sócrates e Passos Coelho: “destinos” diferentes, mas a “mesma” luta!!



Um dia, quando se escrever a História do país no primeiro quartel do nosso Século, os anos de governação de José Sócrates(2005-2011) e de Passos Coelho (2011-2015) serão recordados como um dos períodos mais negros da democracia portuguesa.

Ambos, de forma diferente, com estilos e politicas diferentes, demonstraram a mais elementar falta de respeito para com as instituições e para com os cidadãos portugueses.

Nunca antes, pelo menos em democracia, os portugueses conheceram um tão longo período de retrocesso social e económico.

Felizmente, pelo menos por agora, estamos livres da influência politica de tão aberrantes personalidades, o primeiro a braços com a justiça e o segundo lutando por não cair no esquecimento.

Quando já nos estávamos a habituar ao silêncio de tão aberrantes personalidades politicas, eis, senão quando, com um intervalo de 24 horas, ambas dão prova de vida, opinando sobre o mesmo assunto, a nomeação da nova Procuradora Geral da República.

Embora as suas opiniões fossem em sentido contrário uma da outra, ambas vão no sentido de desacredita aquela instituição, fundamental no quadro constitucional e democrático português.

Opinando em sentido contrário, ambos usam argumentos que legitimam o mais reles populismo quanto à forma de julgar as instituições e o seu funcionamento.

Os argumentos usados por ambos, embora de  sentido contrário, recorrem a um estilo arruaceiro, que faz “escola” nas redes sociais e na propagação das “fake news” que tão bem serve o mais primário populismo antidemocrático.

Para Sócrates, a forma como a justiça descobriu e desmontou as aldrabices em que se envolveu e tanto custaram aos portugueses, não passou de uma cabala promovida pela anterior PGR, Joana Marques Vidal.

Tal ataque só contribui para lançar todo o tipo de suspeitas sobre a substituição dessa PGR, dando argumentos à direita, que tanto tem usado e abusado da politização de tal substituição.

Para Passos Coelho, a substituição de Joana Marques Vidal é uma cabala, de sentido contrário, levada a cabo para acabar com o trabalho desta procuradora na luta contra a corrupção.

Esquecesse-se Coelho da forma como foi poupado, durante o mandato desta procuradora, no caso, agora arquivado, da “Tecnoforma”, ou foi poupado o seu braço direito no caso dos “submarinos” e “panduro”!!!.

Os dois arruaceiros políticos deviam ter vergonha na cara e lembrarem-se que, em democracia, não existem homens ou mulheres providenciais e que o trabalho do PGR não é um trabalho isolado ou individual, mas levado a cabo por toda uma instituição.

Ambos, com as suas arruaças, embora de sentido contrário, prestam um grande contributo para tentar desacreditar uma instituição, já de si sob suspeita, pilar fundamental de um regime democrático, que é a Justiça.

Talvez fosse bom recordar a esses políticos que, em comum, têm um de estilo arruaceiro, que a nova PGR é uma pessoa de confiança pessoal de Joana Marques Vidal e continua a ter consigo uma vasta equipa de investigadores que, com certeza, vão continuar a combater a corrupção, principalmente aquela que envolve altas figuras politicas.

Talvez seja isto que incomoda tão aberrantes políticos!

quinta-feira, 10 de maio de 2018

A “Origem”



Quando é que começou esta onda de corrupção envolvendo políticos do “centrão” (ou do “arco do poder”)?

Vão lá atrás, às privatizações da banca e dos grandes sectores de actividade, feitas à pressa, em troca de favores (“eu dou-te o banco, tu dás-me um lugar para mim ou para um boy meu”). Investiguem os envolvidos, os grandes accionistas, os responsáveis pelas leis favoráveis feitas à medida, os “conselhos de administração” (havia um ministro de um governo PSD, hoje responsável por uma grande empresa de comunicações, que se gabava de administrar….13 empresas!!!!).

Vão lá atrás, ao início da chegada em “barda” dos fundos europeus, usados por “empresas” criadas à pressa por quem controlava o poder politico (o “cavaquista” logo à partida…mas outros se seguiram, culminando no “socratismo”…) e distribuído de acordo com leis feitas à medida, elaborada por conhecidos escritórios de advogados, onde trabalhavam ( e trabalham) conhecidas figuras da politica do “centrão”.

Vão lá atrás, às concessões de pontes e auto-estradas, às concessões Público-privadas, aos grandes eventos que desbarataram fundos europeus, vejam quem lucrou, quem administrou e geriu….

Vão lá atrás, ao mundo do futebol, a grande máquina de lavar dinheiro, onde circulam em promiscuidade conhecidos políticos, jornalistas, autarcas, dirigentes de associações profissionais….

Vão lá atrás, ao vasto mundo das autarquias, das empresas municipais, dos concursos feitos à medida de boys e girls, esse autêntico “centrão dos pequeninos”…

Vão lá atrás, aos boys e girls nomeados para as administrações públicas,  com salários e condições com que os verdadeiros funcionários públicos nem sonham…

Vão lá atrás, à história das universidade privadas e dos politécnicos, muitas delas feitas para empregar políticos no desempego, outras para “ajeitar” currículos de “jotinhas” candidatos à carreira politica...

Depois cruzem todos esses dados, todas as histórias de vida dessa gente, e talvez descubram que Sócrates é “apenas” uma gota no oceano.

Recentemente um estudo da CGTP mostrava que o salário mínimo em Portugal, se tivesse em conta a inflação e a produtividade, com base na realidade de 1974, devia estar hoje nos 1400 euros.

A diferença entre os 585 actuais e os 1400 onde devia estar, vão encontra-la no bolso daquela gente…

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Manuel Pinho, entre "promotor" do populismo e "coveiro" da democracia


Manuel Pinho é mais um que tem muito que explicar, (ver AQUI reportagem da Visão), contribuindo com mais um prego para o caixão da democracia e para promover o populismo, com o seu oportunismo e falta de vergonha cívica...é caso para dizer...com "amigos" destes o sistema democrático não precisa de inimigos...

Mas Manuel Pinho e o governo que o promoveu não são os únicos que devem uma explicação ao "povinho" (já para não falar no que terá de responder em tribunal) .

Ele é fruto dos tempos do “centrão” que “produziu”, primeiro à sombra do cavaquismo e depois do socratismo, casos como o BPN, o BPP,o BES, Caixa Geral de Depósitos, Tecnoforma, e tantos outros que nos conduziram à bancarrota e abriram caminho ao oportunismo populista do “ir além da Troika” do “passos-coelhismo”.

Deve-se a Pinho uma das frases mais escabrosas da história da democracia, quando, numa visita de negócios à China, apontou como uma das “vantagens” para se investir em Portugal a nossa “mão-de-obra barata”.

O tempo das negociatas entre banqueiros e políticos, e dos jogos de influência entre grandes empresários e ministros, que circulam do poder politico para o poder económico e vice-versa, com uma perninha como “visitor teacher” numa qualquer universidade, a quem devem favores e que forma as elites financeiras que nos conduziram à situação actual, deve ser definitivamente enterrado, para bem da democracia e para enterrar de vez o oportunismo populismo que se espalha como um vírus à sombra destes casos que, mais do que de politica, são casos de policia.

domingo, 22 de abril de 2018

A SIC ao serviço de …José Sócrates (!!!???).



Pela minha parte não tenho qualquer dúvida sobre a falta de ética de José Sócrates.

Também acredito que muitas das acusações que se conhecem contra ele são verdadeiras.

Sobre o que penso de José Sócrates, basta explora os nossos tags sob a designação de “anti-Sócrates”, publicado desde que este blog nasceu, em 2008.

Já me questiono é sobre a mediatização do caso.

Aquilo que vi nas reportagens da SIC não mostra nada de novo em relação ao que já se sabia.
A única diferença reside no apelo ao mais reles voyeurismo para aumentar audiências, explorando o mais abjecta tentação do populismo “anticorrupção”. Também já aqui desmascaramos esta tentação num nosso post anterior.

A única coisa de novo foi uma visita às casas de luxo onde viveu José Sócrates em Paris, facto conhecido, mas que agora ganha contornos de “casa dos segredos”.

A outra coisa foi assistir à divulgação ilegal dos interrogatórios, cujo conteúdo já era há muito conhecido, com a diferença que agora assistimos aos mesmos ao vivo, com se de uma telenovela se tratasse.

Aliás, uma jornalista gabava-se e assumia em directo, na SIC, a ilegalidade que cometeu, mas justificava-a com o “interesse público”.

Sempre detestei aqueles que justificam o mau-gosto, a mediocridade e a ilegalidade em nome daquilo que eles acham que é “O gosto do povo” ou como o “interesse público”, como se os jornalistas estivessem acima da lei…

Se, para mim, essas reportagem apenas serviram para aumentar audiências, num canal que atravessa graves dificuldades financeiras, para José Sócrates serviu para se agarrar à ilegalidade do acto e desacreditar a justiça, como já começou a fazer.

Pela minha parte, distingo três coisas: a antipatia que sempre nutri por José Sócrates; a corrupção ética dos actos de José Sócrates (não muito diferente de outros políticos do “centrão”); a necessidade de um julgamento honesto, transparente e fundamento sobre os actos de corrupção de que é acusado.

Não sendo comparável o tipo de ilegalidades de que é acusado José Sócrates que, a provarem-se, devem resultar em penalização exemplar, com o tipo de ilegalidades da SIC, ambas partem de uma mesma origem: a generalizada falta de ética que os envolve a todos, políticos acusados e jornalistas e, até ver, a própria justiça.

Quanto a mim, involuntariamente, ao gabar-se da ilegalidade da divulgação dos interrogatórios, cujas imagens só podem ter sido obtidas com a conivência dos juízes envolvidos, os jornalistas da SIC prestaram um bom serviço a José Sócrates.

Mesmo que esteja queimado politicamente, talvez Sócrates consiga safar os seus milhões e o seu estilo de vida, porque, agora quem fica em cheque é o próprio tribunal, que, além de ter de demonstrar que não pactuou com a ilegalidade da SIC, terá agora de apressar a investigação e o julgamento para mostrar que não resolveu facilitar a vida aos jornalistas porque se encontra num impasse no que se refere à prova dos crimes.

Seguem-se cenas dos próximos capítulos…

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Basta gritar “corrupto” para ser corrupto?



As redes sociais proliferam de acusações de Corrupção e de debates sobre quem é mais ou menos corrupto, com frases pequenas, cheias de insinuações e insultos, esquecendo-se de um pormenor: a presunção de inocência.

Mas para os demagogos que proliferam nas redes sociais pouco interessa a verdade ou a mentira e muito menos a discussão serena.

Uma comunicação social sensacionalista, misturada com uma classe politica despida de valores éticos e uma ignorância generalizada são o terreno fértil para a proliferação de demagogos e populistas.

Claro que foi uma geração de políticos, formados nas “jotas” e na manipulação de fundos europeus, oportunistas de carreira, exibindo a vaidade para disfarçar o vazio de ideias e sempre prontos a fazer favores a qualquer negociante engravatado a nadar em dinheiro, que deu o mote aos demagogos que dominam as redes sociais.

Claro que a corrupção é um grave problema nas democracias actuais. É mesmo um perigo, a prazo, para a própria sobrevivência da democracia.

Claro que não existe uma “corrupção de direita” e uma “corrupção de esquerda”, nem a corrupção do meu “amigo” é melhor que a do meu “inimigo”.

Os “gritadores” das redes socias, “impolutos”, sempre prontos a apontar  a “corrupção do vizinho” e a desculpar a “corrupção lá de casa” dividem-se em  grupos:

-aqueles que confundem campanhas de desinformação com verdade dos factos. Antes de alguém ser julgado, encontra escarrapachado todo o processo nas primeiras páginas dos jornais sensacionalistas. Apesar de dar uma má imagem da justiça portuguesa e dos jornalismo que assim actua, tudo vale para vender jornais e para um qualquer juiz ganhar protagonismo mediático. Mesmo que se venha a ser provada a inocência, o visado acaba ali a sua vida pessoal;

-aqueles que nivelam igualitariamente o presidente  da junta que faz um favor a um amigo, o vereador que passa por cima da burocracia  para acelerar uma obra necessária, um ministro que desvia fundos públicos ou toma decisões para favorecer uma empresa para onde vai trabalhar quando abandona a politica, até ao burocrata de Bruxelas que toma decisões que prejudicam os cidadãos para salvar bancos corruptos. Tudo isto é condenável, mas nem tudo pode ser colocado ao mesmo nível;

- aqueles que confundem “corrupção” com o que é eticamente condenável. Uma situação pode ser eticamente condenável, mas pode ser legal. Toda a austeridade que sofremos para salvar bancos e banqueiros “corruptos” era eticamente reprovável…mas era legal. O problema aqui reside muitas vezes na ambiguidade da lei, que protege o grande corrupto, que tem dinheiro para arrastar processos até à sua prescrição e para pagar a bons advogados que o “safem”, enquanto o “pequeno” corrupto acaba desfeito nas malhas da lei;

-aqueles que acham que a culpa é da democracia e que “antigamente” (leia-se, por cá, no tempo de Salazar) é que era bom. Esquecem-se que muito daquilo que é condenável em democracia, não o era em ditadura. Salazar construi o seu domínio alimentando uma oligarquia financeira e económica por meios que, à luz das leis actuais, seriam crime de corrupção, desculpando ou silenciando a corrupção dos seus apaniguados e impondo-se aos tribunais que, em qualquer ditadura, seja qual for a sua cor politica, não são independentes da decisão dos ditadores.
E se, mesmo assim, o “caso” se tornasse público, lá estavam a Censura e a PIDE prontas a actuar para silenciar o “escândalo”. Na ditadura, ao contrário da democracia, “não existe” corrupção, nem pobreza, nem crime, porque tudo isso era proibido de divulgar, principalmente se, em causa, estivessem partidários da ditadura, na Salazarista ou noutra qualquer. A diferença é que, apesar de tudo, em democracia os tribunais, apesar de todas as pressões, ainda são independentes e não existe censura e tudo, mesmo o que pode ser mentira ou não provado, acaba no conhecimento público.
Mesmo aqueles que defendem que o ditador nunca foi rico, esquecem-se de que este, para além de proteger os corruptos do regime, não se tinha de preocupar com o dinheiro para pagar as suas contas, alguém pagava por ele. Aliás o ditador preocupava-se mais com a manutenção do poder do que com o dinheiro. E que maior acto de corrupção existe do que aquele que o manteve no poder, sem controle democrático, construindo leis e uma Constituição para o perpetuar no poder e ao seu regime, e que submeteu o país à miséria mais abjecta, um país que apresentava níveis de saúde e educação do terceiro-mundo e obrigou o país a uma guerra sem fim e desgastante, situações que ainda hoje todos estamos a pagar?

No Portugal democrático a corrupção não tem cor politica, embora atinja mais as formações politicas que estão próximas do poder, o chamado centrão.

A grande corrupção politica no Portugal democrático começou com o cavaquismo e a forma como foram geridos os fundos europeus que então chegaram em “barda” a Portugal. Não por acaso, quase todos os ministros desse tempo acabaram envolvidos nos grandes processos de corrupção (o BPN foi apenas a ponta do iceberg), embora se tenham “safo” quase todos graças à demora dos tribunais e à influência que exerceram sobre o poder judicial.

A grande corrupção politica agravou-se no tempo de Sócrates, estando ainda a decorrer processos sobre a actuação desse politico.
A mim não me surpreendeu a situação judicial de Sócrates. Não tenho grandes dúvidas sobre a sua falta de ética e sobre os crimes de que é acusado. O que me surpreende é como, usando os mesmos critérios para criminalizar esse antigo primeiro-ministro, não existem outros políticos do centrão  a contas com a justiça. Neste caso parece que estamos perante um caso de justiça selectiva. Outros aspecto estranho neste caso é a demora em levar esse politico à barra do tribunal, pois aquilo que veio a público já tinha dado vários processos. Aqui parece-me que o interesse não é fazer justiça mas usar um processo para fazer politica partidária. E não me venham falar na independência da procuradora, Joana Vidal. Desde que a vi “desfilar”, em pleno passos-coelhismo, numa Universidade (?) de Verão da JSD, que ficou tudo dito sobre a sua independência!!!

O governo de Passos Coelho não melhorou a situação. Além do constante espezinhar ilegal da Constituição para agradar aos “mercados” do corrupto poder financeiro, também têm vindo a público vários processos que o envolvem ou a ministros seus, mas que têm sido silenciados ou acabando prescritos, como o caso dos “submarinos” (este vindo do tempo de Durão Barroso), o caso dos vistos Gold, o “apagão” das finanças ou os esquecidos casos dos “Panama Papers” e da  Tecnoforma!!!!

Mas, muitas vezes, os grandes corruptos nem são os rostos mais conhecidos. Estes mantem-se muitas vezes no anonimato, manipulando a politica, as finanças e a economia. Basta consultar as listas de grandes devedores ao fisco ou dos que recorrem aos paraísos fiscais, onde proliferam os ilustres desconhecidos, alguns deles, acredito, testas-de-ferro de gente mais conhecida.

A corrupção existe, é o grande cancro da democracia, mas não se resolve com gritaria histérica, com sectarismo ou, ainda menos, com uma ditadura.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

O Grupo Bilderberg e os “trabalhos” de Rui Rio


Está cumprido o desígnio, traçado para Portugal, pelo influente e semissecreto Grupo Bilderberg em 2008 (sobre este grupo, leia-se o que escrevemos AQUI).

Esse grupo, conhecido por reunir os políticos, jornalistas , empresários e economistas mais influentes do mundo e acusado pelos seus detractores de funcionar como uma espécie de máfia que decide os destinos do mundo, e que costuma convidara e lançar figuras da sua confiança na vida politica, convidou em 2008 duas figuras, então de segundo plano nos respetivos partidos : António Costa e….Rui Rio.

Portuguesas, só costumam ser convidadas figuras do PS ou do PSD. Paulo Portas foi a única excepção.

Portugal tem direito a três convidados, escolhidos até 2015 por Pinto Balsemão, nada mais nada menos que o patrão dos órgãos de comunicação social que mais influencia têm em Portugal na “formatação” da opinião pública e, por isso, com poder para vender políticos com quem vende sabão…

Em 2015 Balsemão foi substituído na tarefa junto daquele grupo por Durão Barroso. O que é um facto é que nunca mais se ouviu falar nas reuniões daquele grupo.

Quando em 2008 António Costa e Rui Rio compareceram naquela reunião especulou-se sobre o destino que o grupo reservava àquelas figuras, falando-se na facilidade de entendimento entre eles para reforçar um bloco central em Portugal.

António Costa é hoje primeiro-ministro, mas talvez em circunstâncias não previsíveis por aquela elite de gente influente, dando-nos alguma esperança de que aquela gente pode ser contrariada democraticamente e os seus objectivos podem ser travados pelas circunstâncias da história,  apesar de todos os poderes manipulatórios que aquele grupo e outros do género (maçonarias , Opus Dei…) têm ao seu dispor.

Mas é um facto que os objectivos da “geringonça” estão praticamente cumpridos, que estamos a pouco mais de um ano de eleições legislativas, que os desentendimentos entre aliados no governo começam a ser frequentes e que um certo estilo “socrático”,  que estava adormecido no PS, começa a reerguer-se.

Ora, a imprevisível eleição de Rui Rio para liderar o PSD  parece surgir num momento chave para iniciar a reconstrução do centrão após as próximas eleições legislativas, até porque a “geringonça” está no limite do equilíbrio entre as imposições da burocracia de Bruxelas e o programa social da esquerda.

Claro que Rui Rio não tem o seu lugar seguro e também existe alguma imprevisibilidade na sua manutenção, já que o “passoscoelhismo” controla o grupo parlamentar e as estruturas do partido.

Rui Rio arrisca-se, caso não obtenha um bom resultado eleitoral, a ser um líder a prazo, abrindo caminho a um regresso triunfal de Passos Coelho e/ou de alguém que lhe seja próximo.

Mas, se as coisas correrem de "feição", com o aval do Presidente da República, que também já esteve em Bilderberg, corre-se o risco de assistirmos ao regresso do famigerado “centrão” de má memória, que nos conduziu à bancarrota “socrática” e ao “austeritarismo” troikista do “passoscoelhismo” e à vitória da estratégia antissocial daquele influente grupo de “opinião”.

Oxalá estejamos errados!


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Operação Marquês- a justiça fica-lhes tão bem.

(Cartoon de Vasco Gargalo - Revista Sábado)

Depois de 4 anos de investigação chegou-se finalmente à acusação.

Agora, o que todos os cidadãos devem exigir, é que a justiça seja célere e clara, não deixando escapar ninguém, não deixando qualquer dúvida sobre inocência ou culpabilidade.

A mim, o que me espantou não foi a “qualidade” da gente envolvida, mas o facto de nunca se ter ido tão longe noutros casos de corrupção politica, como no caso BPN.

As ligações quase mafiosas entre o poder financeiro e o poder político, envolvendo também empresários, e gozando da conivência de alguma comunicação social (o próprio BES chegou a financiar “féria de sonho” a dezenas de jornalistas da área económica, como se soube AQUI), eram de há muito conhecidas e ganharam dimensão com a afluência a Portugal de milhões em fundos estruturais e europeus, aliando-se a um certo espírito “novo-riquista” de uma classe politica, alojada no chamado “centrão” e à sombra do maná desses fundos.

Todo o percurso biográfico de Sócrates encaixa perfeitamente nesse novo tipo de políticos formados no “centrão” e no cavaquismo, que gerou dezenas de casos nas últimas décadas, muitos dos quais ficando-se pela superfície ( casos BPP e BPN), outros nem sequer avançando (tecnoforma), mas que eram o resultado lógico desse “nova mentalidade”, políticos esses que colocavam no topo da sua vaidade um qualquer título académico forjado ou  comendas distribuídas entre amigos em solenes cerimónias (leia-se, aproposito, o que AQUI escrevi em 2014 e AQUI em 2016).

Além disso, casos como o de Sócrates revelam-se exemplares, mesmo na Europa, pois não são muito diferentes de muitos outros mal esclarecidos envolvendo, só para citar alguns de memória, um Tony Blair, um Juncker ou um Rajoy, com a diferença de que estes morreram no ovo de uma justiça muito dependente do poder politico e financeiro.

Esperemos que este caso e o seu consequente julgamento faça escola, não só na história da justiça portuguesa, mas como modelo a seguir numa Europa que se deseja renovada.

Nós, os cidadãos, que pagámos para a festa, não vos largaremos, nem um momento, até que seja feita justiça, uma justiça que deve ser também pedagógica, para que todos os novos candidatos a Sócrates, em Portugal ou por essa Europa fora, saibam que não estão acima da lei.

Que se faça justiça, e de forma célere!


quinta-feira, 22 de junho de 2017

Investigue-se!!!


O que é que Durão Barroso, Manuel Dias Loureiro, Oliveira e Costa, Santa Lopes, Bagão Félix, António Costa, Souto Moura, PT, BPN, BES, têm em comum?

- a  negociação de uma parceria público-privada que adjudicou, por mais de 500 milhões de euros, um sistema de comunicações integradas que tinha em vista facilitar as comunicações em caso de grandes catástrofes (ler AQUI).

Nos casos mais graves, pelo menos desde 2013, o sistema falhou estrondosamente e, sabe-se agora, uma nova falha pode estar na origem da tragédia na EN 236.

Diga-se, em abono da verdade, que, dos nomes acima referidos, António Costa, durante o seu curto mandato como ministro da administração interna no governo de José Sócrates, foi o único a duvidar daquele negócio. Não sendo especialista pediu pareceres a “especialistas” (procuradoria Geral da República, IGF, ANACOM, Instituto de Telecomunicações e Instituto Superior Técnico!!!!????) e todos concordaram com aquele negócio, pelo que António Costa acabou por concluir o negócio iniciado no governo de Santana Lopes (mas já adoptado de forma “experimental” pelo governo de Durão Barroso).

No meio de tudo isto está um tal Daniel Sanches, ministro da administração interna do governo Santana Lopes, homem de confiança de Loureiro dos Santos, um “boy” do PSD.

Diga-se também, em abono da verdade, que os dois únicos partidos que na Assembleia da República levantaram dúvidas sobre aquele negócio foram o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português…
Investigue-se até às últimas consequências!!!

terça-feira, 14 de março de 2017

Afinal as acusações a Sócrates existem ou não???!!!!


Sou daqueles a quem José Sócrates nunca inspirou um pingo de confiança.

Sócrates, o político, muito antes de ter sido badalado pelas más razões que agora vão sendo conhecidas, sempre representou, para mim, o pior da política: um político carreirista, deslumbrado pelo poder e pelo dinheiro, um exemplo acabado do célebre queirosiano Conde de Abranhos adaptado ao século XXI e às novas tecnologias.

Por isso nenhuma das acusações que vieram a lume contra ele me surpreenderam.

O que me surpreendeu foram duas coisas:

em primeiro lugar, não sendo o percurso de José Sócrates muito diferente do percurso de tanto político do centrão formado na abundância de fundos europeus e no crescente domínio do mundo financeiro sobre a política , surpreende-me que, até hoje, apenas sobre ele recaiam as atenções da justiça e dos media… “Cadé “ do Cavaco do BPN, do Coelho da Tecnoforma ou do Portas dos submarinos, para não recuar mais no tempo????;

em segundo lugar, fico estupefacto que a justiça esteja a trabalhar a contra-relógio esta semana, até à próxima 6ª feira, para o poderem acusar!!!! Mas afinal o homem esteve tanto tempo preso sem haver já suficientes provas para o acusarem? …e , passado este tempo todo, continuam sem ter acusações suficientes para o levarem a tribunal????

Parece-me bem que esta história anda mal contada, ou porque já se aperceberam que, para o acusarem, têm de acusar meio mundo do regime político do centrão, ou que, graças ao bom trabalho de alguns gabinetes de advogados que trabalham para o Estado, tudo aquilo que é eticamente condenável no mundo dos negócios em que se moveu Sócrates é perfeitamente legal e escapa à justiça, ou porque existem valores ainda mais altos ( a nível da União Europeia?)  que podem ser atingidos se acusarem Sócrates, ou um pouco de tudo isto...

Continuo a aguardar “cenas dos próximos capítulos”….

sábado, 24 de setembro de 2016

Eu , José Sócrates...e outros!


Falo das trafulhices económico-socias do governo de Passos Coelho…logo alguém me responde: - E o Sócrates!!!???.
Falo nas trafulhices políticas de Durão Barroso…logo alguém me responde: - E o Sócrates!!!???.
 
Vamos lá a perceber uma coisa: O Sócrates foi “só” quem abriu as portas ao programa social neoliberal que Passo Coelho executou com a desculpa da Troika.
 
Lembro-me na altura de muitos do que agora usam e abusam de Sócrates como arma de arremesso serem os mesmos que , então, elogiavam o programa “corajoso”  de ataque aos “privilegiados” da “classe média”(os professores, os médico e os funcionários públicos em geral), ou o inicio da retirada de direitos socias a quem trabalhava, elogiando a “coragem” de Sócrates em enfrentar os “interesses corporativos” (!!!!) dos sindicatos e os cortes a eito nas pensões, também iniciados no tempo de Sócrates e agravados no tempo de Passos Coelho.
 
Sócrates é “apenas” o caso mais mediático de vários casos que envolvem as negociatas de políticos com o mundo da alta finança, de   políticos que se servem da política para enriquecerem em troca de “favores” a amigos.
 
Mas isto não é apanágio exclusivo de Sócrates mas  de toda uma geração de políticos.
 
Por isso muito me tenho admirado que, depois de tantos casos conhecidos e de tantos bancos falidos, apenas José Sócrates esteja a merecer a atenção da comunicação social e da investigação criminal e da justiça. E pergunto-me, sem por as mãos no lume por José Sócrates, se o caso Sócrates não está a ser apenas usado como arma de arremesso político, para desviar as atenções de outra gente.
 
E para que não restem dúvidas, podem ler, seguindo o meu tag “anti-sócrates” , tudo aquilo que aqui escrevi quando muitos que agora o usam como arma de arremesso eram admiradores escrupulosos das suas políticas anti-sociais.
 
José Sócrates já esta a contas com a justiça...mas outros também lá deviam estar e ainda continuam por aí a debitar opinião...e afazer negócios...

terça-feira, 25 de novembro de 2014

“História” da Corrupção ética da politica portuguesa – do “cavaquismo” ao “socratismo” (com “remake” no “passoscoelhismo”).


Tudo começou quando a entrada de Portugal na então CEE coincidiu com o início de cerca de 10 anos de consulado cavaquista.

A chegada de Cavaco ao poder coincidiu com a entrada em barda de “uma pipa de massa” em Portugal de fundos europeus para “desenvolver” o país, ao mesmo tempo que se iniciava a privatização de grande parte da banca e de grandes empresas estatais que controlavam “sectores estratégico”.

A chegada de Cavaco coincidiu também com a teoria do “capitalismo popular” iniciado uns anos antes na Grã Bretanha com Margaret Thatcher, que tinha por cá grandes admiradores, entre ao quais o “nosso” Cavaco.

Os bancos recém privatizados precisavam de aumentar capital e nada melhor do que controlar os fundos europeus e os investimentos, canalizando-os para o lucro fácil e imediato, participando activamente na privatização e controle das empresas estatais ligadas aos sectores estratégicos, beneficiando do “boom” da construção civil, fomentando o capitalismo popular através do facilitismo com que se distribuíam cartões de crédito ou empréstimos para a compra de carro e casa.

Era o tempo dos novo- ricos, construídos com os fundos europeus, que se exibiam nos seus jipes e carros topo de gama, as suas mega casas, as férias em praias paradisíacas da moda.

O país, embora tenha investido na educação, na saúde e num esboço de “Estado Social”, acabou por esbanjar a maior parte da “pipa de massa” europeia em projectos megalómanos e em auto-estradas que desenvolveram, de forma desproporcional, o sector da construção civil, ao mesmo tempo que destruía o sector dos transportes públicos e o aparelho produtivo nacional, destruindo os  sectores da industria e da agricultura e desertificando o interior do país.

Era o tempo em que se ridicularizavam as actividades ligadas à agricultura e à industria, enquanto se endeusava a terciarização do país.

A cereja no topo do cavaquismo foi idealizar a Expo 98, enquanto já se sonhava com Jogos Olímpicos e outros eventos mundiais e que desembocaria, no início do século XXI, no descalabro financeiro que foi o Europeu de 2004.

Foi neste clima eufórico de capitalismo popular e de fundos sem fim que a política se tornou uma actividade facilitadora de grandes negócio, onde as ligações cada vez mais estreitas entre a alta finança e a política deixou de ter qualquer limite ético.

A assembleia da República e os governos passaram a servir os interesses das grandes fimas de advogados, dos grandes bancos, das grandes empresas de construção civil, por onde circulavam, em roda viva, políticos do centrão.

Era o tempo do conveniente “fim das ideologias”, dos políticos profissionais gerados nas “jotas”, dos “jobs for the boys” .

O primeiro governo de Guterres ainda tentou remar contra a maré, mas rápidamente soçobrou aos “boys” do PS que não queriam ficar fora da festa.

E foi um desses “boys” gerados nas “jotas” e no poder autárquico que veio a “elevar” ainda mais alto o ideal cavaquista, que entretanto já havia contaminado o PS.

Chamava-se José Sócrates e foi mais um produto da comunicação social (como o tinha sido o seu antecessor, Pedro Santana Lopes), comprovando aquela máxima segundo a qual a televisão até conseguiria eleger um sabonete para presidente da República.

Bem falante, sabendo “passar a imagem”, manipulando com mestria  a justiça e uma comunicação social cada vez mais dependente do grande poder financeiro, Sócrates conseguiu impor um modelo de governação que mostrava que o mundo dos negócios não era apanágio da direita e que a “esquerda” podia lidar e agradar aos grandes interesses financeiros e fazer o trabalho da direita na destruição dos direitos sociais, na destruição da influência sindical e no combate à influência de sectores profissionais “privilegiados”.

Era o tempo dos “varas”, dos “pina moura”, dos “constâncios”.

Para isso contou com a conivência e colaboração de toda uma máquina de propaganda implantada na comunicação social de referência, com comentadores que faziam passar a imagem de que os direitos eram um privilégio, que os funcionário públicos eram preguiçosos, que os trabalhadores portugueses viviam acima das suas possibilidades, enfim, que era preciso impor um modelo de austeridade para “modernizar” a sociedade.

A “crise financeira” inventada pela grande finança europeia, o roubo colectivo mais bem organizado  da história, acabaria por prescindir dos serviços de Sócrates e impor ao país um governo mais subserviente , que assumisse de forma mais activa e entusiástica um programa de austeridade que permitisse uma mais rápida transferência de capital para a grande finança, e impusesse um modelo de empobrecimento do país que Sócrates já não tinha capacidade para executar.

E é assim que chegamos ao dia de hoje, onde Sócrates se torna no bode expiatório conveniente e politicamente correcto para que essas políticas se possam continuar a concretizar…mas isso é outra história à qual voltaremos.

No essencial, do cavaquismo ao socratismo, o que aconteceu é que se perderam todas as referência éticas e culturais que permitiam criar um cordão sanitário entre o mundo dos grandes negócios e a um ideal de uma política ao serviço da sociedade.

E , neste aspecto, Sócrates não é o único culpado nem o principal actor!!!!

sábado, 25 de outubro de 2014

Máfia à portuguesa (não mata mas mói..) : Crónica do fim do império: Ascensão e queda dos Espírito Santo (1ª parte)

O jornal Público iniciou a semana passada um trabalho de investigação sobre a história da "ascensão e queda" do Império da Família Espírito Santo, desde os finais da década de 90 até à actualidade.

Percebe-se que a construção desse Império tem contornos verdadeiramente mafiosos, ao estilo do "Padrinho", com a diferença de não ter sido necessário matar para lá se chegar.

Bastou comprar políticos, jornalistas, economistas e advogados.

Ficamos a saber o que fazem, no mesmo "saco de lacraus" da "família" nomes como Artur Santos Silva, João Rocha, Sousa Sintra, Luís Filipe Vieira, José Manuel Durão Barroso, Cavaco Silva, Marcelo Rebelo de Sousa, António Pires de Lima e a gente do "Compromisso Portugal", os irmãos Horta e Costa, Paulo Portas, Manuel Pinho, Miguel Frasquilho, Nobre Guedes, Temo Correia, Mexia, José Sócrates, Zeinal Bava, Miguel Relvas, Passos Coelho, Duarte Lima, José Eduardo dos Santos, ou orgãos de imprensa como o Diário de Notícias, Jornal de Notícias, TSF, Jornal de Negócios e Expresso, ou clubes de futebol como o Benfica, o Sporting e o Porto, entre tantos outros ...

Todos eles, num determinado momento, ou sempre, de forma mais ou menos evidente, "dormiram na cama" ou "comeram à mesa" do "padrinho" Salgado, fazendo favores à "família"...

O caso anedótico é o de Manuel Pinho, o ministro de Sócrates, aquele do dedo em riste, que, depois de não ser necessário ao "padrinho", foi colocado numa "prateleira dourada" recebendo um ordenado de 35 mil euros mensais para não fazer nada...

Isso, e muito mais pode ser lido nessa reportagem, cuja primeira parte pode ser consultada em baixo.

Para amanhã o jornal Público promete a segunda parte, a referente aos acontecimento do ano corrente.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

A JUSTIÇA AFINAL FUNCIONA : Contratar irmão de Paulo Pedroso custou a Lurdes Rodrigues 30 mil euros e pena suspensa

Alguns casos recentes, como a condenação dos arguidos do processo “Face Oculta” ou, agora, a condenação da antiga ministra da educação Maria de Lurdes Rodrigues, por violar, enquanto exerceu o cargo , os “princípios da livre concorrência, legalidade, transparência e boa gestão dos dinheiros públicos” no caso do contrato de João Pedroso para elaborar um trabalho, que podia ser executado por qualquer funcionário do ministério, mas pago a peso de ouro, apesar de nunca ter sido concluído, dão-nos alguma esperança em relação ao funcionamento da justiça em Portugal.

A reacção da antiga ministra à pena suspensa que lhe foi aplicada revela todo o desespero da arguida e a sua falta de postura de Estado, talvez porque estivesse habituada a uma postura arrogante e prepotente que assumiu enquanto ministra da educação.

Assim como outros diabolizam o tribunal Constitucional por incompetências próprias, a antiga ministra lança graves acusações ao funcionamento da justiça, esquecendo-se que tudo aquilo por que foi acusada se provou em tribunal.


Apenas um senão: não deixa de ser curioso que, quando o PS está no poder a justiça leva a condenação os crimes que envolvem gente do PSD (BPN, Isaltino Morais…) e quando é o PSD a estar no poder vemos condenados agentes políticos do PS….

Contratar irmão de Paulo Pedroso custou a Lurdes Rodrigues 30 mil euros e pena suspensa - PÚBLICO(clicar para ler artigo)

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Costa versus Seguro, ou o PS na "era do vazio"...

Os debates até agora realizados entre os dois “candidatos a primeiro-ministro” do PS têm sido muitos “esclarecedores”, exactamente porque.... não esclarecem nada.!!!

Sobre aquilo que ambos irão fazer de diferente em relação ao actual governo, ficamos a saber o mesmo…: um escuda-se no ataque pessoal e na defesa da honra perdida (Seguro); outro em frases vagas e vazias (como a defesa do “empreendedorismo jovem” e outras “ideias” que querem dizer coisa nenhuma, mas estão na moda…) e numa distante (quase arrogante) postura de estado, de quem acredita  que vai ser o próximo primeiro-ministro de Portugal (Costa).

Seguro tem a seu favor apenas o facto de ser o que melhor se demarca da trágica herança socrática.

Costa “promete” continuar a política de Sócrates, mas "melhorada", uma espécie de “polícia bom” dessa triste herança política do PS.

No essencial o PS continua igual a si mesmo…a versão portuguesa da irrelevância ideológica, política e social, rendida ao neoliberalismo da moda, da “social-democracia” europeia.

No dia em que se comemora mais um aniversário da morte de Salvador Allende, um dos últimos verdadeiros socialistas, talvez fosse bom que os candidatos à liderança do PS…dissessem qualquer coisa de socialista…

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Conheça os responsáveis das PPP

O relatório agora divulgado mostra para onde vai o nosso dinheiro, como se organiza a roubalheira generalizada, a favor da alta finança, das grandes empresas e do bem estar dos "boys" deste país, à custa dos cortes salariais e  da destruição de direitos dos cidadãos e de quem trabalha.

Segundo o jornal Público de hoje, as PPP custam o equivalente a dez anos de subsidios de férias pagos pelo Estado...sim, leu bem...DEZ ANOS!!!! 

O caso das PPP's é apenas um ponta do iceberg dessa roubalheira generalizada que começou com o Cavaco, continuou com o Sócrates e atinge o seu "máximo esplendor" com o Coelho, que se cruza no BPN, nas administrações de empresas públicas, nos favores a grandes empresas privadas, na distribuição dos fundos europeus...até quando? 

A paciência tem limites, como se vê na Grécia, na Turquia ou no Brasil...