terça-feira, 25 de novembro de 2014

“História” da Corrupção ética da politica portuguesa – do “cavaquismo” ao “socratismo” (com “remake” no “passoscoelhismo”).


Tudo começou quando a entrada de Portugal na então CEE coincidiu com o início de cerca de 10 anos de consulado cavaquista.

A chegada de Cavaco ao poder coincidiu com a entrada em barda de “uma pipa de massa” em Portugal de fundos europeus para “desenvolver” o país, ao mesmo tempo que se iniciava a privatização de grande parte da banca e de grandes empresas estatais que controlavam “sectores estratégico”.

A chegada de Cavaco coincidiu também com a teoria do “capitalismo popular” iniciado uns anos antes na Grã Bretanha com Margaret Thatcher, que tinha por cá grandes admiradores, entre ao quais o “nosso” Cavaco.

Os bancos recém privatizados precisavam de aumentar capital e nada melhor do que controlar os fundos europeus e os investimentos, canalizando-os para o lucro fácil e imediato, participando activamente na privatização e controle das empresas estatais ligadas aos sectores estratégicos, beneficiando do “boom” da construção civil, fomentando o capitalismo popular através do facilitismo com que se distribuíam cartões de crédito ou empréstimos para a compra de carro e casa.

Era o tempo dos novo- ricos, construídos com os fundos europeus, que se exibiam nos seus jipes e carros topo de gama, as suas mega casas, as férias em praias paradisíacas da moda.

O país, embora tenha investido na educação, na saúde e num esboço de “Estado Social”, acabou por esbanjar a maior parte da “pipa de massa” europeia em projectos megalómanos e em auto-estradas que desenvolveram, de forma desproporcional, o sector da construção civil, ao mesmo tempo que destruía o sector dos transportes públicos e o aparelho produtivo nacional, destruindo os  sectores da industria e da agricultura e desertificando o interior do país.

Era o tempo em que se ridicularizavam as actividades ligadas à agricultura e à industria, enquanto se endeusava a terciarização do país.

A cereja no topo do cavaquismo foi idealizar a Expo 98, enquanto já se sonhava com Jogos Olímpicos e outros eventos mundiais e que desembocaria, no início do século XXI, no descalabro financeiro que foi o Europeu de 2004.

Foi neste clima eufórico de capitalismo popular e de fundos sem fim que a política se tornou uma actividade facilitadora de grandes negócio, onde as ligações cada vez mais estreitas entre a alta finança e a política deixou de ter qualquer limite ético.

A assembleia da República e os governos passaram a servir os interesses das grandes fimas de advogados, dos grandes bancos, das grandes empresas de construção civil, por onde circulavam, em roda viva, políticos do centrão.

Era o tempo do conveniente “fim das ideologias”, dos políticos profissionais gerados nas “jotas”, dos “jobs for the boys” .

O primeiro governo de Guterres ainda tentou remar contra a maré, mas rápidamente soçobrou aos “boys” do PS que não queriam ficar fora da festa.

E foi um desses “boys” gerados nas “jotas” e no poder autárquico que veio a “elevar” ainda mais alto o ideal cavaquista, que entretanto já havia contaminado o PS.

Chamava-se José Sócrates e foi mais um produto da comunicação social (como o tinha sido o seu antecessor, Pedro Santana Lopes), comprovando aquela máxima segundo a qual a televisão até conseguiria eleger um sabonete para presidente da República.

Bem falante, sabendo “passar a imagem”, manipulando com mestria  a justiça e uma comunicação social cada vez mais dependente do grande poder financeiro, Sócrates conseguiu impor um modelo de governação que mostrava que o mundo dos negócios não era apanágio da direita e que a “esquerda” podia lidar e agradar aos grandes interesses financeiros e fazer o trabalho da direita na destruição dos direitos sociais, na destruição da influência sindical e no combate à influência de sectores profissionais “privilegiados”.

Era o tempo dos “varas”, dos “pina moura”, dos “constâncios”.

Para isso contou com a conivência e colaboração de toda uma máquina de propaganda implantada na comunicação social de referência, com comentadores que faziam passar a imagem de que os direitos eram um privilégio, que os funcionário públicos eram preguiçosos, que os trabalhadores portugueses viviam acima das suas possibilidades, enfim, que era preciso impor um modelo de austeridade para “modernizar” a sociedade.

A “crise financeira” inventada pela grande finança europeia, o roubo colectivo mais bem organizado  da história, acabaria por prescindir dos serviços de Sócrates e impor ao país um governo mais subserviente , que assumisse de forma mais activa e entusiástica um programa de austeridade que permitisse uma mais rápida transferência de capital para a grande finança, e impusesse um modelo de empobrecimento do país que Sócrates já não tinha capacidade para executar.

E é assim que chegamos ao dia de hoje, onde Sócrates se torna no bode expiatório conveniente e politicamente correcto para que essas políticas se possam continuar a concretizar…mas isso é outra história à qual voltaremos.

No essencial, do cavaquismo ao socratismo, o que aconteceu é que se perderam todas as referência éticas e culturais que permitiam criar um cordão sanitário entre o mundo dos grandes negócios e a um ideal de uma política ao serviço da sociedade.

E , neste aspecto, Sócrates não é o único culpado nem o principal actor!!!!

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