Pesquisar neste blogue

Mostrar mensagens com a etiqueta corrupção ética. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta corrupção ética. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 26 de junho de 2025

NATO, Rutte e Oliveira da Figueira

 

(cartoon de Vasco Gargalo)

“No contexto atual da aposta no rearmamento desenfreado, que fará com que “a Europa pag[ue] em GRANDE, como deve” (nos termos da mensagem que o secretário-geral da NATO enviou a Trump), isto significa vender-nos “o medo como motor económico e, pior de tudo, é fazê-lo passar por uma boa ideia” (Marga Ferré, Público.es, 28.4.2025) e vendê-lo como catalisador da economia, ocultando ou relativizando o que desde o início só os mais descarados assumiram: “O Estado social europeu acabou” e, para pagar o rearmamento, haverá que cortar nas pensões de reforma, porque “não se pode pedir aos jovens que peguem em armas e [ao mesmo tempo] cuidar dos velhos num determinado estilo. Os governos terão de ser mais severos com os idosos”. Ora, como “as democracias ricas precisam de uma crise aguda para desencadear uma verdadeira mudança”, porque “é quase impossível convencer os eleitores a fazerem reformas drásticas enquanto o seu país não estiver a atravessar uma crise aguda” (Janan Ganesh, FinancialTimes, 7.3 e 2.1.2025), o que é preciso é criar essa crise.

“É aqui que entra o securitarismo. “Para criar medo, precisam de um monstro, de um Outro a odiar, de um inimigo ameaçador. Para os portadores do ódio belicista, esse Outro contra o qual se armam, esse inimigo aterrador (seja ele qual for, terrorismo fundamentalista, migrantes, Rússia, Irão, China…) tem um alcance muito vasto e é invulgarmente flexível” (M. Ferré)”.

[Manuel Loff, “Os frutos da política do medo”, in Público de 25 de Junho de 2025].

As duas frases acima transcritas, do artigo de Manuel Loff, resumem tudo o que se tem passado nos últimos dias nas chancelarias ocidentais e no politburo da União Europeia, culminando na vergonhosa bajulação a Trump na cimeira da NATO.

Por muito que nos prometam que os tão badalados gastos militares não vão corroer e destruir as estruturas do “estado social europeu”, é evidente que essa promessa é impossível de cumprir, tendo em conta a percentagem do PIB alocado à defesa. Sé em Portugal, já o sabemos, 2,1% corresponde a mil milhões de euros de gastos públicos anuais, que vão duplicar até aos 5% nos próximos anos, já se percebeu que esse valor não vai surgir do nada, vai implicar cortes, os do costume: pensões, salários, saúde, educação e  direitos sociais.

Ora, se tivermos em conta que o chamado “Estado Social Europeu” era a principal bandeira apresentada pela União Europeia que justificava a sua “superioridade civilizacional”, com a sua destruição ou enfraquecimento pouco restará desse projecto.

Sabemos que há décadas que os sectores financeiros, que dominam a burocracia europeia, procuram devorar em seu proveito o valor desse “Estado Social”, pelo menos desde os tempos da troika, projecto de “cativação” descaradamente e publicamente defendida pela actual responsável para área financeira da Comissão Europeia, a nossa bem conhecida “troikista” Maria Luís Albuquerque, coadjuvada nessa intensão por outra conhecida troikista, Christine Lagarde.

Para a mentira estar completa, também não falta outro conhecido troikista, o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, a confirmar a “necessidade” de destruir o “Estado Social” :” os cidadãos dos países-membros da NATO devem "aceitar fazer sacrifícios", como cortes nas suas pensões, na saúde e nos sistemas de segurança, para aumentar as despesas com a defesa e garantir a segurança a longo prazo na Europa”[afirmação proferida por Rutte no Parlamento Europeu em 12 de Dezembro de 2024], acrescentando: "Hoje apelo ao vosso apoio, a ação é urgente. Para proteger a nossa liberdade, a nossa prosperidade e o nosso modo de vida, os vossos políticos têm de ouvir as vossas vozes. Digam-lhes que aceitam fazer sacrifícios hoje para que possamos estar seguros amanhã" (in Líder da NATO pede aos europeus que "façam sacrifícios" para aumentar despesas com a defesa, na página da Euronews de 12.12.2024).

Essas afirmações são coerentes com a acção política desse troikista, enquanto primeiro-ministro da Holanda (1), de cujo governo fazia parte o nosso conhecido Dijsselbloem, que acusava os europeus do Sul de gastarem dinheiro em “copos e mulheres”.

Não se percebe, contudo, como é que se defende “a nossa liberdade, a nossa prosperidade e o nosso “modo de vida” cortando no Estado Social Europeu, já que tem sido este o principal pilar e o garante da nossa liberdade, prosperidade e “modo de vida” Europeu. Dizem que Rutte é formado em História, mas nunca deve ter lido Churchill que, quando, em plena 2ª Guerra , vendo-se obrigado a fazer duros cortes nas despesas, quando, numa reunião do seu gabinete, “alguém sugeriu que fossem feitas reduções significativas no orçamento da Cultura, Churchill recusou. O argumento: sem cultura "por que é que estamos a lutar?" (leia-se Jornal de Negócios, 30 de Janeiro de 2013).

O mesmo podemos dizer hoje para os defensores de cortes no “Estado Social”. Sem o pilara Social Europeu para que é que vamos lutar?.

Outro lado da moeda é o discurso do medo, também muito explorado pelo mesmo Rutte.

Ainda recentemente, numa deslocação a Portugal, alertava para o perigo de os russos invadirem Lisboa e, noutra ocasião, continuando a defender cortes no Estado Social, ameaçava quem o não fizesse que teria de aprender russo.

Aliás, sobre o “papão” militar russo o discurso é contraditório. Tanto se ridiculariza esse poder, “enfraquecido pelas sanções” e incapaz de controlar a Ucrânia, como se argumenta com a possibilidade de um ataque a um país da NATO nos próximos anos.

Nada aponta para que a Rússia, a menos que seja provocada, ataque um país da NATO, pois, se nem um país enfraquecido como a Ucrânia consegue controlar, sem ser à custa de imensas baixas e custos militares, muito menos teria condições para enfrentar directamente esses países. Aliás, o próprio Putin, surpreendido com a resistência ucraniana, há muito que se deve ter arrependido dessa invasão, embora não o admita.

O que se pretende com a subida do orçamento militar é, por um lado, salvar o sector automóvel europeu, convertendo-o no fabrico de armamento, por outro financiar a industria militar norte-americana, que enfrenta uma profunda crise, com ganhos para o sector financeiro que controla o politburo de Bruxelas.

E esse aumento da despesa militar, não se iludam, só pode ser conseguido à custa do “Estado Social Europeu” e, por arrasto, à custa “da nossa liberdade, da nossa prosperidade e do nosso modo de vida”.

Nos próximos tempos o nosso espaço político, público e comunicacional vai ser invadido por muitos candidatos a “Oliveiras da Figueira”, para nos vender e convencer a comprar toda a tralha armamentista.


(1)O “elucidativo” “currículo” de Rutte, segundo o perfil publicado na Wikipedia:

“Os seus principais objectivos [do governo holandês]  eram cortar a despesa pública, especialmente nos cuidados de saúde, e isentar as grandes empresas de um imposto sobre dividendos, mas mais tarde abandonou-o. Declarou também que "não haverá mais dinheiro para a Grécia" e comprometeu-se a descriminalizar a negação do Holocausto, embora também tenha renunciado a isso.

No contexto da pandemia de COVID-19, opôs-se a que a UE organizasse ajuda financeira aos países mais afectados, antes de aderir sob pressão dos seus aliados europeus.

O seu governo foi criticado em 2020 num relatório parlamentar, num escândalo de bem-estar. Determinados a combater possíveis fraudes, os serviços estatais retiraram benefícios às famílias que a eles tinham direito, enquanto que etnicamente traçavam o perfil dos beneficiários. Cerca de 26.000 famílias perderam injustamente estes benefícios entre 2011 e 2019, de acordo com o relatório, e em alguns casos tiveram de reembolsar os montantes recebidos. Enquanto a esquerda radical e os ambientalistas, alarmados pelos apelos dos pais, apelaram sem êxito a uma investigação já em 2014, os partidos no poder há muito que ignoram a questão. Políticos seniores, incluindo vários ministros em exercício, são acusados de terem optado por fazer vista grossa a disfunções de que tinham conhecimento”.

terça-feira, 14 de novembro de 2023

Demita-se!


No passado Sábado o insuspeito António Barreto escrevia nas páginas do jornal Público:

“(…) Circulam nos jornais, nas televisões e nas redes sociais centenas de transcrições de interrogatórios, de declarações, de despachos confidenciais e de escutas telefónicas. A procuradora-geral da República utiliza formas sibilinas e estranhas à clareza do direito e do respeito pela dignidade das pessoas, com o que desencadeia uma crise política sem precedentes. Se não tiver razão, deve ser banida e afastada [sublinhado nosso].Se tiver razão, tem de mudar de estilo, dado que o actual não é próprio da democracia e da justiça”.

No Domingo a ex-directora do Deparetamento Central de Investigação a Acção Penal, Cândida Almeida criticava igualmente a actuação do Ministério Público liderado pela PGR : "rompendo com todas as normas deontológicas, algu´m informou  a imprensa da existência  do inquérito, não obstante sem suspeitas ou arguidos constituídos", acrescentando que a "justiça da praça pública serve interesses ocultos e entusiasma os pretensiosos e os ignorantes" (Público de 14 de Novembro).

Mais depressa do que se previa, descobriu-se que, o António Costa do comunicado da procuradoria, que a foi a causa da demissão de um governo de maioria absoluta, eleito há pouco mais de um ano, não era o primeiro-ministro.

Entretanto os tribunais não conseguiram provar as acusações mais graves contra os arguidos.

Não ponho as mãos no lume pela maioria desses arguidos, mas quem saiu mal disto tudo foi a justiça e o Ministério Público e, principalmente, a referida Procuradora Geral da República.

Mais uma vez as fugas selectivas de informação para a comunicação social, desta vez, para além de descontextualizadas, mal transcritas, destroem processos de combate à corrupção, lançando no lamaçal presumíveis inocentes ou complicando e arrastando processos de combate à corrupção, que acabam na prescrição ou esquecimento, beneficiando os verdaeiros culpados .

Já agora, investigue-se a origem das fugas ilegais de informação que partem do interior so Ministério Público, esse, sim, um grabe crime de "lesa democracia" e que corroe a confiança na própria justiça.

A responsável máxima por tanta incompetência, que está a ferir de morte a democracia e o Estado de Direito, é a Procuradora Geral da República.

Se lhe restar algum pingo de dignidade e responsabilidade deve seguir a recomendação de António Barreto: Demita-se!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

“Obrigado” Alexandra Reis!

                                   

A partir de agora, quando se discutirem salários, pensões  e a justa remuneração de quem trabalha, nada voltará a ser como dantes.

Vai passar a haver um antes e um depois de “Alexandra Reis”.

O caso Alexandra Reis foi a gota de água que veio desmascarar a lengalenga de comentadores, economistas,  governantes, e instituições europeias, quando algum sindicato, trabalhador ou pensionista revindicam por justiça salarial ou da pensão.

Lembram-se o que muita dessa gente disse quando se discutiu o cumprimento da lei para aumentar as pensões ou os salários?

A velha desculpa do “irrealismo” ou a nova desculpa do “passo à frente da perna” já não  vai pegar.

Também deixa de haver espaço, de uma vez por todas, para medidas de austeridade à custa dos salários e das pensões.

Quando um administrador de uma empresa pública, ao fim de 4 anos de trabalho, de onde sai de forma pouco clara, transitando ao fim de 3 meses para outra empresa pública e desta para um cargo governativo, funções pelas quais já beneficia de chorudo ordenado, ainda recebe uma indemnização de 500 mil euros, e quando se sabe que não foi caso único, e até já houve quem fosse indemnizados com o dobro, não se pode ouvir mais a desculpa do costume do “irrealismo” das revindicações  salariais de quem trabalha.

Ainda por cima num dos países da União Europeia onde os salários e as pensões já são dos mais baixas.

Ainda por cima quando essa empresa pública cortou nos salários dos seus trabalhadores e recebeu ajuda dos contribuintes para se reestruturar.

O que se soube sobre a escandalosa indemnização não é novo, é apenas a ponta do iceberg do que se passa com as administrações de empresas públicas, da banca, que recebeu ajuda pública dos contribuintes para sobreviver, e de muitas grandes empresas privadas em dificuldade, sempre à “mama” da ajuda estatal.

Recordo-me de uma empresa local, em dificuldades, que cortava nos ordenados dos seus trabalhadores, os despedia e acabou por encerrar mas que, durante anos, nas mãos da banca, os administradores nomeados por esta, sempre que chegavam, a primeira coisa que faziam era aumentar os seus próprios salários e renovar a frota automóvel da administração.

Nada do que se passou com Alexandra Reis é novo, mas foi a gota de água para todos, trabalhadores, pensionistas, cidadãos contribuintes,  dizermos basta e deixar de ir na cantiga “austeritária” que nos é vendida por economistas, comentadores,  governantes e instituições europeias.

Nem que seja por termos todos abertos os olhos de vez, até é caso para dizer: “Obrigado Alexandra Reis”!!!

terça-feira, 12 de outubro de 2021

Qual a utilidade, em democracia, das Ordens Profissionais?

 


Anda por aí uma grande polémica sobre uma projecto governamental que, grosso modo, pretende colocar limites à autonomia das ordens profissionais.

O decreto é do PS, mas já se sabe que o PSD se vai abster na sua votação e que a Iniciativa Liberal vai ainda mais longe, ao propor a extinção de 11 das 20 ordens existentes (ler em baixo).

Vê-se assim que esta questão não é uma questão de “esquerda ou “direita”.

Aliás, esta tentativa de retirar o poder, não democrático, detido pelas corporações profissionais, fazia parte do programa inicial da Troika, mas os executantes desse programa, desejando "ir além da Troika", preferiram fazer as "reformas" poupando os poderosos e falando de alto aos "fracos", não se atrevendo a mexer nesse assunto. 

De facto, quanto a mim, as ordens profissionais não passam de reminiscências medievais, recuperadas pelo fascismo, um movimento corporativista, e copiado para Portugal pela ditadura Militar e pelo Estado Novo, que não tem lugar numa democracia estável, ou, quanto muito, não faz mais sentido que uma Maçonaria ou uma Opus Dei.

De facto, a primeira ordem profissional, a dos advogados, foi criada em 12 de Junho de 1926, uma das primeiras medidas acordadas pelo novo regime político, iniciado pela Ditadura Militar, instaurado poucos dias antes daquela data, em 28 de Maio de 1926.

O papel das ordens profissionais na construção do Estado Novo, criado em 1933 a partir dessa ditadura, tornou-se evidente quando iniciou funções, em 1935, um dos pilares do regime ditatorial, a  Câmara Corporativa, seguindo o modelo do fascismo italiano, na qual tinham lugar os representantes da ordens profissionais.

Com o estabelecimento do regime democrático em Portugal, a partir de 1974, não houve coragem para acabar com essa excrescência corporativista num regime democrático.

Talvez o facto de algumas dessas ordens, em determinados momentos da sua história, terem tomado posição contra o regime e na defesa dos presos políticos, como aconteceu com a poderosa Ordem dos Advogados, tenha levado o novo regime a “fechar os olhos” a essa realidade, limitando-se a regulamentar as suas funções.

Diga-se, em abono da verdade, que muitas das ordens se souberam adaptar ao novo regime democrático e desempenham, hoje, um verdadeiro serviço público, como acontece, por exemplo, com a ordem dos Psicólogos, ou junto dos seus profissionais.

Contudo, nos últimos tempos, temos visto três das mais poderosas corporações profissionais, a do Advogados, a dos Médico e a dos Enfermeiros (aos quais se parece juntar agora a dos Arquitectos), abandonarem as suas funções meramente profissionais para se substituírem às funções de sindicatos, de associações patronais e de partidos políticos, e virem a terreiro fazer campanha politico-ideológica, trasvestindo-se muitos dos seus líderes em comentadores políticos, ao mesmo tempo que usam todos os meios para controlar e travar o acesso à profissão por parte dos mais novos e protegem associados com actividades muitas vezes eticamente duvidosa, alguns a enfrentar problemas com a justiça.

Como cidadão, não me esqueço de uma Ordem dos Médico que, ao mesmo tempo que se queixa da falta de médicos , (sem que a tenha visto preocupada com isso quando a Troika e o “ir além da Troika” obrigaram muitos profissionais de saúde a emigrar), critique a abertura de novas escolas médicas e de mais vagas, como se houvesse grande diferença de vocação entre um aluno que entra na faculdade com 17, 18 (ou mesmo 16) valores e outro com 19 ou 20.

Mais do que os valores com que se entra numa universidade, o importante é a qualidade de ensino ministrado nessa universidade.

Também não me esqueço de uma conversa a que assisti numa rádio pública, no inicio da pandemia, quando vários enfermeiros brasileiros que estavam em Portugal se ofereceram para ajudar, e a presidente da Ordem dos Enfermeiros veio opor-se, de forma violenta, ao reconhecimento desses profissionais, mesmo que a título provisório, como se um enfermeiro brasileiro não estivesse habilitado a enfrentar situações muito mais complicada no país de origem do que aquelas que existem em Portugal. Aliás, essa líder da Ordem, militante do PSD e admiradora do líder do Chega, tem vindo a tornar essa ordem num verdadeiro sindicato, desvirtuando aquilo que devia ser uma Ordem Profissional.

Também seria interessante perguntar ao sr. Provedor da Ordem dos Advogados o que tem feito para combater o papel de escritórios de advogados na organização de fugas de impostos para off-shores e em muitas outras negociatas, senão ilegais, pelo menos eticamente reprováveis, levadas a cabo por associados seus, alguns até já tendo exercido importantes funções nessa Ordem.

Por mim, devem ser as Universidades, nalguns casos as escolas profissionais e os politécnicos, a qualificar os profissionais,  a lei a julgar do cumprimento das regras inerentes a cada profissão e o Estado, através de órgãos de controle democrático, a fiscalizar essa qualidade e esse cumprimento.

Não vejo, pelo menos tendo em conta a acção pública dos provedores das ordens acima referidas, qual a utilidade da existência, ou da manutenção do poder social, das referidas ordens, num regime democrático.

“Iniciativa Liberal propõe extinção de 11 ordens profissionais

Por Leonardo Ralha

In O Jornal Económico de 11 de Outubro de 2021

“Um projeto de lei da Iniciativa Liberal propõe a extinção de 11 ordens profissionais, o que seria mais de metade dos 20 atualmente existentes, sendo esse número algo que o partido considera ser “algo inédito e incomparável em países desenvolvidos da União Europeia”. Entre as entidades que desapareceriam caso essa iniciativa legislativa fosse aprovada incluem-se a Ordem dos Economistas, a Ordem dos Contabilistas Certificados, a Ordem dos Despachantes Oficiais e a Ordem dos Revisores Oficiais de Contas.

“Segundo a Iniciativa Liberal, existe uma diferença entre as ordens existentes “nos casos em que a natureza da profissão exige uma prática continuada séria e certificada, relacionada diretamente com os direitos fundamentais dos cidadãos”, e aquelas que o partido considera terem sido constituídas “sem lógica nem critério, a não ser por motivos eleitoralistas de alguns partidos presentes na Assembleia da República”.

“No primeiro grupo encontram-se algumas das principais ordens profissionais portuguesas, como a Ordem dos Advogados e a Ordem dos Médicos. No entanto, mesmo nesses casos o partido advoga mais limites. “Muitas ordens profissionais cuja existência é justificada têm abandonado o seu papel-base e têm-se transformado em corporações de defesa dos interesses instalados nestas profissões, para prejuízo dos novos profissionais e, sobretudo, dos consumidores”, defende a Iniciativa Liberal, que por isso mesmo propõe a revogação da norma que estipula que a cada profissão regulada corresponda apenas uma única associação pública profissional.

“Também é proposta no projeto de lei da Iniciativa Liberal a abolição de regras profissionais que resultem num “obstáculo desproporcional e desnecessário” à livre prestação de serviços, à liberdade de escolha de profissão e à iniciativa privada. Até porque foi permitido na transposição da diretiva comunitária para a legislação portuguesa que os estatutos das ordens profissionais pudessem estabelecer entraves às sociedasdes multidisciplinares. Algo que o partido considera configurar “uma desvantagem competitiva dos profissionais portugueses face aos seus homólogos europeus”.

“A lista total das ordens profissionais que os liberais pretendem ver desaparecer inclui as dos Biólogos, Contabilistas Certificados, Despachantes Oficiais , Economistas, Médicos Veterinários, Notários, Nutricionistas, Revisores Oficiais de Contas, Solicitadores e Agentes de Execução, Fisioterapeutas e Assistentes Sociais”.

segunda-feira, 12 de abril de 2021

A Corrupção é “um lugar estranho”.

 


A leitura da decisão instrutória da “Operação Marquês”, ao contrário do que uma opinião apressada, ignorante, tendenciosa e cega pode fazer crer, foi uma autêntica lição sobre a forma como a grande corrupção em Portugal funciona e como a nossa lei e a  nossa justiça se mostram incapazes de a combater eficazmente.

Mostra também que aquilo que qualquer cidadão comum, gozando de plenas capacidades mentais, identifica como corrupção, está, muitas vezes, protegido pela lei ou pela impossibilidade da prova.

Muito do que consideramos como eticamente reprovável, vulgo “corrupção”, é “apenas” isso, eticamente reprovável, mas está  protegido pela lei ou pelo silêncio.

Aliás, a grande corrupção não é mais nem menos que a “ética do capitalismo” e da “economia de mercado”.

Como diz a voz popular, uma grande fortuna esconde um grande crime.

Olhando para a história do capitalismo, este desenvolveu-se, ao longo dos seus vários séculos de história, com base nos crimes mais hediondos: na pirataria e no saque da propriedade e dos recursos alheios, no esclavagismo, no genocídio, no crime organizado, na guerra, na destruição dos ecossistemas e, mais recentemente, no branqueamento de capitais, na fuga aos impostos, nos negócios de armamento e da droga.

A dificuldade em seguir as movimentações de dinheiro , obtido pela corrupção, agravou-se pela   forma como funciona a globalização e a circulação de capitais, e pela forma como o poder financeiro está, há muito, contaminado pela origem duvidosa da maior parte dos seu capital (branqueamento de capitais oriundo do crime organizado, da especulação financeira , da fuga de impostos, do negócio ilegal de armamento, alimento do terrorismo internacional e de regimes criminosos…), pela manutenção de paraísos fiscais, não deixando de ser “surpreendente” que a própria União Europeia, sempre pronta ao discurso “politicamente correcto” do “ataque à corrupção”, permita a existência, no seu seio, desses mesmos paraísos fiscais, como acontece, por exemplo, com a Holanda, cujos governos estão sempre prontos a defender a retirada de direitos socias aos países pobres da UE e a defender a austeridade dos outros, mas que é um país historicamente fundado nos lucros da pirataria, do esclavagismo e do colonialismo, devendo , actualmente, a sua prosperidade económica à forma como protege as grandes empresas de pagarem impostos no território onde operam, prejudicando países como Portugal. Mas não é caso único no seio da UE.

Infelizmente, as “alternativas” históricas ao modelo capitalista mostraram-se tão criminosas como este, nalguns casos ainda mais corruptas e desumanas.

Uma outra vantagem deste processo é mostrar que, apesar de tudo, a forma como a democracia enfrenta este tema da corrupção é sempre superior ao de qualquer ditadura. Pelo menos os cidadãos sabem agora com que justiça contam e podem agora exercer, com mais coerência, o seu direito de cidadania, que é o de exigir alterações na lei, principalmente no que respeita à obtenção de provas, na alteração ao escandaloso arrastamento dos processos e  ao ignóbil principio da “prescrição” da prova.

Acima de tudo, o cidadão tem o dever de não pactuar com a corrupção, que começa nos actos mais simples do dia a dia e termina no favorecimento de fortunas ilícitas.

Muitos dirão, do alto da sua ignorância e da sua intolerância, que na “ditadura” não havia corrupção.

“Não havia” porque não se podia falar nela, sob ameaça da censura ou de prisão, para além dos corruptos serem protegidos pelo poder, com leis, tribunais e uma polícia politica que obrigava ao silêncio

Mas a ditadura, qualquer uma, é a pior de todas as corrupções, que é a usurpação do poder sobre um país ou um povo, em benefício de uma pessoa, de uma elite, de uma religião, de uma ideologia, de  uma classe ou de um partido.

Por isso, apesar de a decisão instrutória da “Operação Marquês” poder não ser o que esperávamos, embora a história ainda não tenha terminado, ela teve o condão de nos alertar sobre os “caminhos da corrupção”, para as limitações da lei e da justiça no combate à grande corrupção, e para a necessidade de estarmos todos muito mais atentos ao que se passa à nossa volta.

Agora é a vez da cidadania.

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Para que serve a “Ordem dos Médicos”?



Havendo sindicatos, universidades, instituições públicas de saúde e partidos políticos, não percebo muito bem para que servem algumas ordens profissionais.


Em democracia não percebo muito bem a sua utilidade.

Ainda menos quando aquilo que se vê diariamente é fazerem mera propaganda de oposição, nomeadamente no caso das ordens dos médicos e dos enfermeiros, substituindo-se aos sindicatos e aos partidos políticos.

A última queixa do provedor da ordem dos médicos é sobre a  “falta de médicos”.

Não percebo a moralidade dessa queixa, vinda de onde vem, exactamente da mesma pessoa e da mesma ordem que se opõe ao aumento de vagas nas universidades para a formação de médicos, atitude idêntica, aliás, à ordem dos enfermeiros.

Sabe-se que existe uma grande falta de médicos de saúde pública e de médicos de família, principalmente na região de Lisboa e Vale do Tejo, neste caso, e ao contrário das frequentes queixinhas dos autarcas do norte, numa situação ainda pior do que no resto do país, situação que contribuiu para o descontrole a que se assiste na região lisboeta em relação ao Covid-19.

Não se percebe assim a incoerência do dito provedor, com uma mão a fazer a única coisa que sabe fazer, queixinhas contra a falta de médicos, com a outra a impedir o aumento de vagas na formação de médicos.

Quando se precisava de toda a gente a remar para o mesmo lado, temos o provedor da ordem dos médicos a fazer o papel de “Jaime marta soares” da saúde…

…infelizmente não é o único!:

terça-feira, 7 de julho de 2020

Holandeses, Algarve, copos e festas.



Afinal, o repugnante ex-presidente do eurogrupo e ex-ministro das finanças da Holanda, de nome impronunciável, quando falava na vida de “copos e festas” nos países do sul, não se referia aos “indígenas”, mas ao comportamento dos holandeses (… e de ingleses e alemães, podemos acrescentar…), de férias nesses países, como vimos agora no Algarve, falando   talvez por experiência própria.

Admira-me é que a Holanda, um dos países com piores resultados no combate ao Covid-19, não esteja numa lista negra do turismo internacional e os seus cidadãos possam viajar à vontade pelos países do sul , ainda por cima sem respeitarem as regras impostas aos cidadãos desses países.

Ser rico continua a permitir comportamentos acima da lei, no espaço europeu, por parte dos cidadãos desses países, embora a origem da riqueza holandesa seja mais que suspeita, com origem nas máfias financeiras e no desvio de impostos devidos por grandes empresas aos países do sul da Europa, através de um fraudulento sistema de off-shores .

O sucessor, igualmente repugnante, daquele ministro das finanças do governo holandês, propôs, no início da pandemia, e quando as coisas ainda corriam bem no seu país, que se investigassem as dificuldades dos países do sul em combater a epidemia.

Agora, que a Holanda foi dos países com piores resultados, e perante o comportamento irresponsável dos seus cidadão  no estrangeiro, talvez fosse de investigar o próprio comportamento e exemplo dado pelo governo holandês e a sua responsabilidade...na irresponsabilidade dos seus cidadãos!

segunda-feira, 20 de abril de 2020

25 de Abril - Homenagear e comemorar não é festejar



Este não é tempo de festejar, mas é tempo de comemorar e homenagear.

Reina por aí uma grande confusão por causa das “comemorações “ do 25 de Abril e do 1º de Maio.

Ou antes, não existe confusão, a não ser entre ignorantes, mas sim má fé, intolerância e fanatismo (leia-se, a propósito, o que já escrevemos AQUI).

Claro que a forma como o assunto foi abordado por alguns deputados e, principalmente pelo Presidente da Assembleia da República, não foi a mais esclarecedora e contribui para dar argumentos à direita revanchista que viu aqui uma oportunidade para virar o “povinho” contra a legitima comemoração dessas datas.

O que essa direita revanchista soube utilizar com mestria foi a confusão entre “comemoração” e “festa”, entre “comemoração” e “manifestação”, entre algumas pessoas devidamente confinadas e protegidas e a imagem de “multidões”  na rua.

Depois foi usar,.com toda a mestria, que lhe é reconhecida (já elegeu Trump e Bolsonaro por outras bandas) o uso das redes socias, das “fake news” e das “meias verdades”, para encontra apoio na comunicação social, nas redes socias e entre o “povo”, lançando uma campanha de comparações absurdas e demagogicas (entre as comemorações da Páscoa e as do 25 de Abril e 1º de Maio, por exemplo), para lançar uma petição, que, partindo do “repudio” pelas comemorações do 25 de Abril, ensaia uma movimentação mais musculada, no futuro próximo, contra a democracia e a liberdade, à boleia das actuais medidas de excepção, tal como está a ser feito na Hungria ou na Polónia.

O COVID-19 é “amigo” dos candidatos a ditadores e das politicas autoritárias…

Muito provavelmente essa petição vai conseguir o pleno da extrema direita (recorde-se que o CHEGA conseguiu mais de 66 mil votos nas últimas eleições), da direita conservadora do CDS mais 216 mil votos) e algumas franjas do PSD (os “cavaquistas” e os “passos coelhistas”) e franjas de outros partidos de direita e da abstenção.

Ou seja, umas 300 mil assinaturas. Abaixo disso será um desastre para quem lançou a petição (embora o procure disfarçar, porque o número, assim em bruto, parece “impressionante”).

Contudo alguns democratas e alguma esquerda parece terem caído na armadilha da guerra dos números.

Para mim, a melhor argumentação contra aqueles revanchistas é comemorar condignamente a data, seguindo as recomendações sensatas da Associação 25 deAbril, para se comemorar cantando o Hino e da Grândola à janela, às 3 da tarde do 25 de Abril e para que haja bom senso na Assembleia da República, reduzindo ao mínimo o número de presenças (não muito mais  do que aquelas que têm sido as presenças habituais num órgão de soberania que tem continuado a funcionar, porque a democracia não fechou para férias e não seria compreensível o seu encerramento numa altura destas não seria compreensível para os milhares de portugueses que continuam a trabalhar para manter a saúde e o país a funcionar).

Sobre as comemorações do 1º de Maio, falaremos noutra ocasião.

É importante comemorar o 25 de Abril, mas sem dar mais argumentos aos revanchistas da direita.

sábado, 18 de abril de 2020

As “Comemorações” que alimentam a demagogia fanática


Confesso que, inicialmente, também fiquei perplexo quando vi anunciada a realização das comemorações do 25 de Abril e do 1º de Maio.

Pela forma como a notícia foi dada e depois comentada, parecia que íamos ter desfiles de multidões na Avenida e na Fonte Luminosa.

Afinal, tudo não passa de fumaça, lançada pelos do costume, aqueles a quem escrever “25 de Abril” e “1º de Maio” na mesma frase provoca logo um ataque de comichão pelo corpo todo, faz saltar para a frente o braço direito e impede qualquer forma de raciocínio lógico.

Reconheço que a comunicação dessa decisão não foi feita de forma correcta e transparente, dando argumentos a uma certa  direita ressabiada e tristonha com a  forma competente como a presente crise tem sido, até hoje, conduzida pelo governo de Costa e que encontrou agora pretexto para dar prova de vida.

A santa aliança de saudosos do “passos ceolhismo/cavaquismo” ou mesmo do “salazarismo”, juntando-se a todo o tipo de  “neoliberais”, “neoconservadores” e “populistas de extrema direita”, exultou com a oportunidade.

Contudo, analisando a realidade, pelo menos a que é conhecida, todo o argumentario dos ditos cujos cai pela sanita abaixo.

Primeiro argumento da “santa aliança” : “aqui d’el rei que vamos ter 300 velhos juntos na mesma sala”, isto é, deputados da Assembleia da República.

A esquerda, maioritária nessa sala, agradece a preocupação com a sua “saúde”, mas a história não está bem contada.

Em primeiro lugar, apenas vai estar presente um número reduzido desses deputados, e um número ainda mais reduzido de convidados isolados nas galerias. Aqui concordo com o deputado da Iniciativa Liberal, talvez bastasse a presença de um representante de cada partido com assento no Parlamento, mais como exemplo do que por qualquer perigo sanitário que não existe, tal como não tem existido nas várias ocasiões em que o Parlamento se tem reunido durante a crise para tomar decisões, porque, é bom recordar, a democracia não foi suspensa.

Aliás, aqui, se estivessem de boa fé, o argumento até podia ser o inverso: porque é que os deputados não estão a trabalhar regularmente, ao contrário dos muitos portugueses que continuam a trabalhar para salvar, curar, alimentar, proteger e apoiar outros portugueses nas suas mais básicas necessidades?

Segundo argumento da “santa aliança” : “aqui d’ el rei que os portugueses não puderam comemorar a Páscoa e não podem comemorar o 13 de Maio em Fátima e podem comemorar o 25 de Abril e o 1º de Maio”.

Também esse argumento cai por terra, porque não estamos a falar exactamente da mesma coisa.

Em primeiro lugar não se proibiu ninguém de comemorar a Páscoa, proibiu-se as deslocações em massa do estrangeiro para Portugal e dentro do país, no momento do pico da crise na Europa e por cá.

Que eu saiba, as comemorações do 25 de Abril na Assembleia da República e as comemorações previstas para o 1º de Maio não implicam as deslocações em massa de tipo idênticas às da Época Pascal.

Nem vamos ter velhotes a beijar a mesma cruz!!!

Aliás, muitos párocos e bispos realizaram as liturgias nas Igrejas, sem público, tal como vai acontecer na Assembleia da República com o 25 de Abril. Também não vai estar público, apenas um reduzido número de entidades oficiais.

O mesmo risco de deslocação em massa é o que existe para as comemorações do 13 de Maio, já que este não se comemora só com os habitantes de Fátima.

Em segundo lugar, as comemorações católica são organizadas pela Igreja e a decisão e a  forma de as organizar cabe à sua hierarquia, já que vivemos num Estado laico.

Penso mesmo, por aquilo que sei das ditas “comemorações”, que tudo vai implicar menos gente, (respeitando a distancia social ou usando máscaras, numa praça ou junto a um lugar simbólico), do que aquela que ontem esteve às entradas dos hospitais a cantar o hino nacional, numa justa homenagem a auxiliares, enfermeiros e médicos, atitude que não vi ser condenada ( e ainda bem, pois seria ainda mais ridículo) , pois os argumento seriam os mesmos.

Situações de crise como a que estamos a viver é propícia ao fanatismo, à má-fé, à presunção ignorante e à demagogia populista.

Contudo, esperemos que não sejam os políticos e os sindicatos a alimentar esse clima com atitudes irreflectidas e irresponsáveis na escolha da melhor maneira para comemorar o 25 de Abril e o 1º de Maio.

Pela minha parte, porque procuro que o espírito do 25 de Abril e do 1º de Maio sejam comemorados todos os dias, comemoro essa data aqui em casa e espero ver as televisões, a Assembleia da República e os sindicatos a dignificar a comemoração dessas datas.

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Quando a crise é liderada por imbecis



Tudo o que a humanidade precisava neste momento era de líderes mundiais que estivessem à altura da crise.

Infelizmente, os líderes capazes do momento, contando-se pelos dedos da mão, são também os que têm menos poder ou lideram países que pouco podem fazer para “salvar o mundo”.

Lembro-me de um Guterres, que lidera uma ONU debilitada pela crescente irresponsabilidade dos países mais influentes, como os Estados Unidos ou a Rússia.

Lembro-me de um papa Francisco, cuja influência é apenas ao nível da palavra, e que tem de enfrentar, internamente, uma oposição interna ultraconservadora.

Em Portugal tivemos a sorte de termos como líderes, um Costa no governo, um Marcelo na presidência e, a liderar a oposição, um Rui Rio.

Imaginem o que seria se tivéssemos um país governado por um Sócrates ou um Passos Coelho, com um Cavaco na presidência ou, neste momento, um Passos Coelho a liderar a oposição…um autêntico pesadelo!

Infelizmente temos uma União Europeia liderada por incompetentes palavrosos, que pensam as consequências económica da crise de saúde como pensaram a crise financeira de má memória.

Atiram milhões para a mesa, mas em condições dúbias (mas a pagar em dois anos!!!).

No mesmo dia em que o Eurogrupo aprovava esse mal amanhado pacote financeiro, para agradar a “gregos [italianos] e troianos [holandeses]”, a Comissão Europeia publicava um relatório sobre o pós-COVID 19 para Portugal, onde fazia um apelo, se bem que entre linhas (este é ainda o momento da linguagem “politicamente correcta” e de esconder as garras de futuras “troikas”), às soluções “autoritárias” do costume: alertava para os “altos” (!!) salários e “altas”(!!!) pensões, para os “exagerados” (!!!) gasto em saúde e para, “coitado”, o “frágil” sector financeiro português, provavelmente para nos preparar para  aceitarmos mais ajudas para esse sector e para os seus“pobres” accionistas, à custa daqueles mesmos salários e pensões e à custa do investimento em sectores fundamentais como a saúde e a educação, sem esquecer o recurso a um “enorme” aumento de impostos…enfim, a velha receita habitual!

Quando a líder da Comissão Europeia se refere a essas “ajudas” (!!!) comparando-o com o Plano Marshall, a dita senhora não sabe mesmo do que fala, ou então, mais grave ainda, sabe mas tenta atirar areia para os olhos dos incautos.

O Plano Marshall, com todos os seus defeitos, incluía ajudas a fundo perdido, ou com juros baixos e pagos ao longo de várias décadas, exactamente o contrário das “ajudas” até agora prometidas!!!

Mas noutras partes do mundo a situação das lideranças ainda é pior.

O COVID-19 é a crise ideal para governos autoritários ou ditadores, da China, à Rússia, da Hungria à Turquia, das Filipinas à Venezuela….

Mas, pior que ditadores, previsíveis, ou burocratas, politicamente correctos, é atitude totalmente irresponsável e criminosa de líderes populistas como um Trump ou um Bolsonaro.

Os custos humanos das suas decisões erradas são muito maiores que as provocadas pelo terrorismo internacional.

O comportamento de ambos, neste momento, devia conduzir à formação a um Tribunal Internacional de Crimes contra a humanidade, para julgar líderes mundiais que, pela forma como lideram esta crise, provocam a morte de milhares de cidadãos.

E, sem dúvida, aqueles dois líderes estão na primeira fila para serem presentes, no futuro a um tribunal desse tipo.

Até lá, devemos seguir aquilo que os cientistas e organizações como a OMS propõem, mesmo que sejam mais as dúvidas que as certezas.

Os balanços ficam para o fim, mas não devem ser esquecidos.

terça-feira, 7 de abril de 2020

As palavras ocas da Sr. Von Der Lyen.

Na gestão da actual crise do Coronavírus, a actual presidente da Comissão Europeia tem-se destacado pela quantidade de palavras ocas de conteúdo, cheias de bonitos floreados, politicamente correctos.

De concreto, apenas o “aviso”, embrulhado na sua retórica bem falante, de que a “ajuda” com que os países da União Europeia podem contar é um “empréstimo”.

Todos sabemos o que significam os “empréstimos” da União Europeia: mais lucros fabulosos para a banca, que vai buscar dinheiro a taxa zero (ou ainda menos) ao Banco Central Europeu, emprestando-o a juros elevadíssimos e com pagamento de curta duração aos governos que precisam desse dinheiro par enfrentar a crise que se avizinha.

Também a mesma dita senhora “autorizou” os países em dificuldade a ultrapassarem o deficit e a endividarem-se, sem esclarecer que esses países, no futuro, ficarão à mercê da imposição de “reformas estruturais” para não serem penalizados.

E também todos sabemos o que significam essas “reformas estruturais” : salários baixos, cortes nas despesas sociais, cortes nas pensões, aumento de impostos, privatizações de sectores públicos essenciais e imposições predadoras para sujeitar o sector produtivo dos países à especulação financeira.

Tem ainda a mesma senhora o desplante de comparar essa “ajuda” ao  Plano Marshall.

Países como a Alemanha e a Holanda foram dos que mais beneficiaram com esse plano, beneficiando de empréstimos a fundo perdido, a juros baixos e pagos ao longo de várias décadas, tudo o contrário daquilo que sempre foi a ajuda da União Europeia a países em dificuldades ou com deficit de desenvolvimento.

Nada podemos esperar dessa elite de burocratas que destruí alegremente o sector produtivo Europeu, facilitando a sua "deslocalização" para países de mão-de-obra barata e sem direitos, pensando apenas nos lucros do setor financeiro, situação que está na origem da dramática falta de material médico, que tem de vir de países como a China ou a Rússia, a valores especulativos.

Mas o que é que os cidadãos europeus podem espera desses burocratas, a maior parte oriundos do predador sector financeiro ou que para lá irão quando terminarem a sua “comissão de serviço” nas instituições europeias?

Só assim percebemos, aliás, porque é que a União Europeia não fechou as bolsas, mantendo em funcionamento um sector onde se está a gerar um forte movimento especulativo, à custa da epidemia, gerando lucros fabulosos aos especuladores.

terça-feira, 31 de março de 2020

Rui Moreira, o “bolsonaro” português?



Uma coisa e “achar” ou “opinar”,  discordando ou questionando as decisões da Direcção Geral de Sáude ou da Organização Mundial de Saúde , sendo certo que o conhecimento científico reside, no final, ora na OMS, a nível mundial, ora na DGS a nível nacional, organizações que são assessoradas pelos mais reputados cientistas e investigadores .

Uma coisa é uma autoridade pública debater com a DGS determinadas decisões, discordando ou propondo decisões diferentes.


Seria bom que toda a gente percebesse, principalmente as instituições e as autoridades civis, que a máxima autoridade neste momento, para um combate eficaz à pandemia é, a nível mundial, a Organização Mundial de Saúde e, a nível nacional, a Direcção Geral de Saúde.

Infelizmente estamos a assistir às mais diversas atitudes irresponsáveis de líderes políticos mundiais, de Trump a Bolsonaro, ao aproveitamento político de outros, como Órban a aproveitar-se da situação para impor a primeira ditadura efectiva no espaço da União Europeia,  às palhaçadas de outro ditador europeu, o presidente da Bielorrússia, ou às conhecidas afirmações repugnantes do governo holandês.

Por cá, vemos muita gente a tentar pôr-se em bicos do pés,  ou a fazer chicana política, como a bastonária da Ordem dos Enfermeiros.

O que talvez não se esperasse era assistir a um líder político fazer apelos à desobediência como o fez Rui Moreira.

Num momento em que todos deviam a estar a remar para o mesmo lado, quer Rui Moreira ficar para a história como o Bolsonaro português?

sábado, 28 de março de 2020

Investigue-se o governo holandês!


(dados fornecidos pelo Dr. António Fiuza)

O governo holandês, seguindo o exemplo de Trump, Bolsonaro e Johnson, foi um dos países que rejeitou o principio do confinamento, promovendo, até há poucos dias, desrespeitando recomendações da OMS e da comunidade científica, a chamada “aquisição de imunidade colectiva”.

O resultado está a ser desastroso, como se revela pelo quadro acima e pelos dados revelados pela OMS.

Só no dia de ontem houve naquele país um aumento de mil infectados, perfazendo um total de 7 431 casos registados e …434 mortos!.

Sobre a superioridade do seu sistema de saúde em relação a outros países, o número de mortos e a estatística mostra o falhanço total das medidas desse governo.

A incompetência e a irresponsabilidade desse governo, uma aliança da velha direita neoliberal com a direita populista, é evidenciada pelo quadro acima publicado ( retirado de um post do Dr. António Fiúza), que revela a relação entre mortos e o número de habitantes.

Com base nessa relação, a  Holanda é já o terceiro pior caso a nível mundial, só superado pela Itália e pela Espanha, e aqueles dados já estão desactualizados.

É o governo desse país que vem agora dar lições à Espanha e à Itália?

Recorde-se, já agora, que foi uma turista holandesa que iniciou a propagação do vírus na ilha da Madeira, tudo porque a Holanda, já num momento de crise, se negava a impedir as viagens dos seus cidadãos, considerando estar tudo bem.

Provavelmente a Holanda vai precisar da mesma solidariedade que sempre negou aos países do sul.

Mas se houver alguém que deva ser investigado pela sua incompetência, o governo holandês é um deles.

sexta-feira, 27 de março de 2020

O Holandês Repugnante e o fim da União Europeia.


(O rosto da repugnância)

Pela segunda vez, nos últimos 10 anos, vem de um ministro das finanças da Holanda a atitude mais repugnante (subscrevo por baixo a classificação que lhe deu o nosso primeiro-ministro às afirmações desse bandido) em momento de crise.

Queixando-se o governo espanhol de dificuldades orçamentais para fazer frente à tragédia que assolou a Espanha (tal como a Itália e a França…por agora!), aquela aberração, que herdou o lugar de ministro das finanças de outra aberração, o nosso conhecido Jeroen Dijsselbloem, a resposta do “bicho” foi que a Espanha devia ser investigada por essas dificuldades, como se tivéssemosnuma situação normal.

A atitude repugnante desse bandido mostra que a atitude do seu antecessor naquele cargo, e ex-lider do Eurogrupo, durante a crise de 2009, não terá sido uma casual aberração, mas tem por base a maneira de ser holandesa.

A Holanda vive confortavelmente, do ponto de vista financeiro, porque é um dos principais países a beneficiar da fuga de impostos para off-shores com sede nesse país e de todo o tipo de branqueamento de capitais e de fuga de impostos de criminosos de todo o mundo.

A Holanda tem uma elite financeira e politica com pouca ética porque é herdeira de velhos nazis e perseguidores de judeus ( a populaçãoholandesa foi das que mais perseguiu e denunciou judeus durante a segundaguerra e foi o último reduto de nazis, rendendo-se só dias depois da morte de Hitler e da  queda de Berlim), sem esquecer que foram colonos de origem holandesa que inventaram o Apartheid na África do Sul.

A atitude holandesa, face a esta crise, explica porque é que a Itália foi, pela segunda vez, abandonada à sua sorte ( a outra vez foi na questão dos emigrantes) e é um presságio sobre a forma como os burocratas de Bruxelas, onde dominam políticos xenófobos, racistas e arrogantes do norte da Europa, vão solucionar a crise económica provocada pela tragédia desta epidemia.

Se há alguma coisa a ser investigada, depois desta crise, é o modo como a austeridade imposta durante os anos de crise financeira enfraqueceu a resposta dos vários Serviços Nacionais de Saúde a esta epidemia, procurando os responsáveis por essas decisões criminosas, nas instituições financeiras e nos governos da época.

Se dominar o discurso daquele criminoso social, é, muito provável que tudo venha a resultar no fim da União Europeia, porque os cidadãos europeus não vão tolerar novamente uma resposta desumana idêntica à de 2009.

quinta-feira, 12 de março de 2020

O vírus da irresponsabilidade cívica e social.

O vírus da irresponsabilidade cívica e social está a propagar-se a uma velocidade mais rápida do que o próprio novo coronovírus, como se viu há uns dias em Santa Maria da  Feira, numa “festa temática”, “Coronafesta”, realizada num bar da moda, e, ontem, nas praias da linha.

Infelizmente, numa situação de crise, não é só o melhor de cada um que se revela, como vemos todos os dias na atitude esforçada de médicos , enfermeiros e da Direcção Geral de Saúde (DGS), revela também o pior de uma sociedade que se habituou a viver numa festa permanente, aquilo que já alguém chamou de “a ditadura da felicidade”.

Esse vírus da irresponsabilidade tem-se vindo a revelar nos últimos dias em várias ocasiões:

- nos títulos irresponsáveis de tabloide e jornais ditos de referência, ultrapassando por vezes a boataria das redes sociais;

- na forma como algumas figuras e organismos profissionais se colocam em bicos de pés, como acontece com o provedor da ordem dos médicos, dando informações que se sobrepõem às da DGS, ou na preocupação em reivindicar como suas decisões que  são do mais elementar bom senso por parte das autoridades e de  uma classe profissional responsável, como o é a dos médicos e a dos enfermeiros;

- na corrida irracional ao açambarcamento por uma classe média que se habituou ao consumo exagerado de bens, atitude bem caricaturada por um post que anda por aí, ironizando a falta de espaço em casa para guardar os enlatados, por terem os armários ainda ocupados com os galões de gasolina açambarcados durante a greve dos camionistas;

- na forma irresponsável como os “paizinhos”  temem contrariar os “filhinhos” na realização de  excursões pascais de finalistas para zonas altamente contaminadas, opção, aliás, já de si condenável em circunstâncias normais, já que se tornou habitual que os destinos dessas excursões não tenham um carácter pedagógico ou formativo, mas de autênticas orgias de javardisse e álcool;

- por último, como cereja no topo do bolo, na forma como os estudantes se comportaram ontem, encarando o encerramento de universidades e escolas como um período alargado de férias, em vez de encarar essa decisão como a necessidade de se resguardarem do contacto público, numa manifestação de grande irresponsabilidade social e de pura ignorância, fazendo temer o pior com o encerramento apressado de todas as escolas.

É obvio que vivemos em sociedades livres e democráticas, onde todos, pontualmente ou nãos, somos livres de   ser irresponsáveis, mas desde que essa irresponsabilidade não colida com a liberdade e  a responsabilidade dos outros.

Ser irresponsável, neste caso, pode agravar as já difíceis condições de trabalho de médicos e enfermeiros e, em último caso, podem provocar a morte de terceiros, provocando ainda, a prazo, o agravamento de condições sociais, económicas e financeiras que serão pagas por todos.

Sobra a forma responsável e credível como se tem revelado a actuação da Direcção Geral de Saúde, a única entidade que devemos ouvir e a cujas recomendações devemos obedecer.