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segunda-feira, 20 de abril de 2020

25 de Abril - Homenagear e comemorar não é festejar



Este não é tempo de festejar, mas é tempo de comemorar e homenagear.

Reina por aí uma grande confusão por causa das “comemorações “ do 25 de Abril e do 1º de Maio.

Ou antes, não existe confusão, a não ser entre ignorantes, mas sim má fé, intolerância e fanatismo (leia-se, a propósito, o que já escrevemos AQUI).

Claro que a forma como o assunto foi abordado por alguns deputados e, principalmente pelo Presidente da Assembleia da República, não foi a mais esclarecedora e contribui para dar argumentos à direita revanchista que viu aqui uma oportunidade para virar o “povinho” contra a legitima comemoração dessas datas.

O que essa direita revanchista soube utilizar com mestria foi a confusão entre “comemoração” e “festa”, entre “comemoração” e “manifestação”, entre algumas pessoas devidamente confinadas e protegidas e a imagem de “multidões”  na rua.

Depois foi usar,.com toda a mestria, que lhe é reconhecida (já elegeu Trump e Bolsonaro por outras bandas) o uso das redes socias, das “fake news” e das “meias verdades”, para encontra apoio na comunicação social, nas redes socias e entre o “povo”, lançando uma campanha de comparações absurdas e demagogicas (entre as comemorações da Páscoa e as do 25 de Abril e 1º de Maio, por exemplo), para lançar uma petição, que, partindo do “repudio” pelas comemorações do 25 de Abril, ensaia uma movimentação mais musculada, no futuro próximo, contra a democracia e a liberdade, à boleia das actuais medidas de excepção, tal como está a ser feito na Hungria ou na Polónia.

O COVID-19 é “amigo” dos candidatos a ditadores e das politicas autoritárias…

Muito provavelmente essa petição vai conseguir o pleno da extrema direita (recorde-se que o CHEGA conseguiu mais de 66 mil votos nas últimas eleições), da direita conservadora do CDS mais 216 mil votos) e algumas franjas do PSD (os “cavaquistas” e os “passos coelhistas”) e franjas de outros partidos de direita e da abstenção.

Ou seja, umas 300 mil assinaturas. Abaixo disso será um desastre para quem lançou a petição (embora o procure disfarçar, porque o número, assim em bruto, parece “impressionante”).

Contudo alguns democratas e alguma esquerda parece terem caído na armadilha da guerra dos números.

Para mim, a melhor argumentação contra aqueles revanchistas é comemorar condignamente a data, seguindo as recomendações sensatas da Associação 25 deAbril, para se comemorar cantando o Hino e da Grândola à janela, às 3 da tarde do 25 de Abril e para que haja bom senso na Assembleia da República, reduzindo ao mínimo o número de presenças (não muito mais  do que aquelas que têm sido as presenças habituais num órgão de soberania que tem continuado a funcionar, porque a democracia não fechou para férias e não seria compreensível o seu encerramento numa altura destas não seria compreensível para os milhares de portugueses que continuam a trabalhar para manter a saúde e o país a funcionar).

Sobre as comemorações do 1º de Maio, falaremos noutra ocasião.

É importante comemorar o 25 de Abril, mas sem dar mais argumentos aos revanchistas da direita.

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