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terça-feira, 28 de abril de 2020

Esta é a “solidariedade” das Instituições Europeias !!: Quando “O crime compensa”:



A notícia devia ter merecido aberturas de telejornal e títulos de primeira página.

Infelizmente passou quase despercebida numa página interior ( a página 30…!!) do jornal “Público”  da passada 6ª feira de 24 de Abril, inserida na crónica “Esquinas” da responsabilidade do jornalista António Rodrigues.

A notícia é bem reveladora do tipo de ajuda que se pode esperar por parte das Instituições Europeias e da hipocrisia da retórica dos principais representantes dessas instituições.

Mas antes, convém transcrever esse texto, inserido naquela crónica, subintitulado “O crime compensa”:

“A União Europeia vai dar à Hungria e Polónia, no âmbito da Iniciativa de Investimento de Resposta ao Coronavírus, muito mais dinheiro que à Itália e Espanha, os Estados-membros mais afectados pela doença.
“Os Governos de Viktor Orbán e de Mateusz Morawiecki que tudo têm feito para corroer as suas democracias e os alicerces da Europa comunitária, vão ser assim recompensados com fatias maiores dos 37 mil milhões de euros, mesmo que o primeiro tenha usado a pandemia para passar a governar por decreto como o “ditadorzinho” que Jean-Claude Juncker lhe chamou um dia e o segundo tenha insistido em levar por diante as eleições presidenciais de 10 de Maio, pondo todas as pessoas a votar por correio, só porque as sondagens são mais favoráveis agora ao Partido da Lei e Justiça de Jaroslaw Kaczynszki.
“ Pelos cálculos feitos pela European Stability Iniative, citados esta semana pelo New York Times, Itália, que tem mais de 187 mil casos e 25 mil mortos pela pandemia, tem direito a 2,3 mil milhões de euros, ou 0,1% do seu PIB, enquanto a Hungria, com cerca de 2300 casos e 239 mortos, consegue 5,6 mil milhões de euros, equivalente a 3,9% do seu PIB. A Espanha, o país europeu com mais casos – acima de 213 mil –, consegue uma verba que equivale apenas a 0,3 do seu PIB”.

Pouco podemos acrescentar a essa triste notícia.

Vê-se assim, por um lado a desigualdade de tratamento que se adivinha no futuro, quando for necessário relançar a economia e apoiar os cidadãos europeus das consequências da crise, onde vai pesar a teoria do “espaço vital” alemão, a xenofobia dos países nórdicos e a vontade de governos agiotas como o  holandês.

A Hungria e a Polónia são mais importantes para esses interesses do que a situação dos países do centro e do sul.

Por outro lado, revela-se naquela atitude, toda a plenitude da retórica hipócrita dos líderes europeus, quando, por um lado vêm com o discurso “politicamente correcto” contra a deriva antidemocrática na Polónia e na Hungria e, com a outra mão, recompensam esses países.

Como diz o articulista, o crime compensa.

Assim se começa a ver como vai funcionar a tão apregoada “solidariedade” europeia!

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