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quinta-feira, 16 de abril de 2020

Obrigado Dr.ª Graça Freitas.


Sei que não é politicamente correcto elogiar Graça Freitas, o alvo preferencial da má-língua e da boçalidade de comentadores arrogantes e ignorantes, de autarcas e políticos que procuram um bode expiatório para a forma incompetente como reagiram à crise, de jornalistas em busca do título fácil e bombástico e de especialistas em “picologia”.
Ainda por cima, quando vivemos numa época em que a comunicação social vai a reboque das redes sociais, dominadas estas por “opinadores” e “especialistas” de tudo, onde a opinião do mais arrogante e boçal ignorante tem o mesmo peso de um cientista, de um investigador ou de um sábio.
Graça Freitas cometeu um único erro, ser sincera, dar o braço a torcer quando se enganou, tudo o que, aliás, se espera de alguém que conhece a fundo a área a que se dedica e tem provas dadas nessa área.
Por tudo isso faço minhas as palavras publicadas por Luís Osório, que aqui transcrevo integralmente:
“CARTA A GRAÇA FREITAS
Por Luís Osório
(Comunidade Cultura e Arte)
“Não nos conhecemos. Na verdade, não me parece sequer que nos tenhamos cruzado em alguma circunstância. Mas tenho-a visto (eu e certamente a larga maioria dos portugueses) todos os dias a dar a cara pela evolução da pandemia no nosso país.
“Posso imaginar a pressão diária, mas apenas imaginar. Sem dúvida que se nota o cansaço, está mais magra, impossível não o notar. Dá-me ideia, admito desde já a especulação, que se irrita com algumas das críticas que lhe têm sido feitas, pressinto-lhe o enfado.
“É exatamente por isso que lhe escrevo.
“Quero dizer-lhe que, face às circunstâncias, está a correr bem. Não ligue mais do que a conta à cólera da maledicência e à ignorância atrevida. Nunca se esqueça de que Portugal é o país de onde saíram os navegadores, mas também é o país em que ficaram os velhos do Restelo a dizer mal dos navegadores.
“Imagino que a irrite muito.
“De repente, a sua história e percurso não servem para nada.
“Todo o trabalho de dedicação à saúde pública; a revolução que fez no sistema de vacinação português; as centenas de médicos a quem influenciou com as suas aulas na Faculdade de Medicina; o trabalho de sapa que permitiu que o seu antecessor brilhasse; os elogios internacionais pelo seu contributo nas reuniões do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças.
“Não, Dra. Graça Freitas, esqueça.
“Para muitos comentadores, autarcas ou agitadores de redes sociais isso não interessa nada. De repente, são todos especialistas no que a senhora estuda há quarenta anos. São imunologistas, matemáticos, físicos e tudo o resto de que se faz o cardápio do grupo de trabalho que lidera.
“Errou várias vezes. Teve de alterar previsões. Disse uma coisa nuns dias e teve de se desdizer noutros. Imprudentemente falou demasiado cedo de situações que acabaram por não se concretizar – atenção que em política os murros na mesa nunca se anunciam, dão-se simplesmente. Por vezes falou com demasiada certeza, o que nunca é avisado.
“Mas pergunto-me se poderia ser de outra maneira? Existia alguém que pudesse antecipar o que iria acontecer antes de acontecer? Existiu algum precedente que pudesse ajudar a antecipar? Sei que não. E isso obrigou a navegar à vista, a corrigir em mar alto, a tentar que a viagem prosseguisse com o mínimo de danos.
“Ao ouvir determinadas pessoas a gritarem-lhe ao ouvido imagino o que seria se não estivesse a cumprir os objetivos. Imagino o que seria se Portugal tivesse os mortos (em proporção) de Espanha, Itália, Inglaterra ou França. Imagino o que seria se Portugal não fosse elogiado pelo New York Times, se o El País não nos definisse como os “suecos do sul” ou se tantos investigadores não estivessem a elogiar-nos pelo trabalho feito nesta primeira fase da pandemia. O que seria, Graça? Consegue imaginar?
“Sei que gosta de cuidar das suas orquídeas, li algures. Aposto que também gostará de Confúcio que tratava as orquídeas com paixão e zelo. Gabava-lhes a beleza e a delicadeza. E foi Confúcio quem, muito a propósito, nos deixou a frase definitiva: “O que sabemos, saber que o sabemos. Aquilo que não sabemos, saber que não o sabemos: eis o verdadeiro saber”.

terça-feira, 31 de março de 2020

Rui Moreira, o “bolsonaro” português?



Uma coisa e “achar” ou “opinar”,  discordando ou questionando as decisões da Direcção Geral de Sáude ou da Organização Mundial de Saúde , sendo certo que o conhecimento científico reside, no final, ora na OMS, a nível mundial, ora na DGS a nível nacional, organizações que são assessoradas pelos mais reputados cientistas e investigadores .

Uma coisa é uma autoridade pública debater com a DGS determinadas decisões, discordando ou propondo decisões diferentes.


Seria bom que toda a gente percebesse, principalmente as instituições e as autoridades civis, que a máxima autoridade neste momento, para um combate eficaz à pandemia é, a nível mundial, a Organização Mundial de Saúde e, a nível nacional, a Direcção Geral de Saúde.

Infelizmente estamos a assistir às mais diversas atitudes irresponsáveis de líderes políticos mundiais, de Trump a Bolsonaro, ao aproveitamento político de outros, como Órban a aproveitar-se da situação para impor a primeira ditadura efectiva no espaço da União Europeia,  às palhaçadas de outro ditador europeu, o presidente da Bielorrússia, ou às conhecidas afirmações repugnantes do governo holandês.

Por cá, vemos muita gente a tentar pôr-se em bicos do pés,  ou a fazer chicana política, como a bastonária da Ordem dos Enfermeiros.

O que talvez não se esperasse era assistir a um líder político fazer apelos à desobediência como o fez Rui Moreira.

Num momento em que todos deviam a estar a remar para o mesmo lado, quer Rui Moreira ficar para a história como o Bolsonaro português?

quinta-feira, 26 de março de 2020

COVID-19 : Registo por concelhos


A Direcção Geral de Saúde começou a divulgar, no seu site, os dados relativos aoCoronovírus de acordo com a sua distribuição por concelho.

O facto de não se indicar casos num concelho, não quer dizer que não se tenha havido, porque, até ontem, esses casos eram enviados para hospitais de referência fora de muitos desses concelhos.

É assim que se explica os "zero" casos em T. Vedras. De facto já foram registados pelo menos 4 casos, mas os mais graves, até ontem íam para Lisboa e estão nos números deste concelho.

Tive ontem a confirmação, por parte de fonte segura que até ontem foi assim (zero casos no nosso hospital) situação que será alterada a partir de hoje, como se sabe, pois começam hoje a ser recebidos nos centros de saúde de cada concelho os novos casos.

Os dados  indicados pela DGS referem-se aos internados e confirmados, e até ontem. Será interessante seguir a partir de agora os casos oficiais por concelho.

É provável que a partir do relatório de amanhã os dados já sejam mais claros.

Veremos se acontece, em Torres Vedras, o histórico, isto é, uma situação sempre menos grave do que em Lisboa (com a excepção do caso da Pneumónica em 1918) , tanto assim que a nobreza, que aqui tinha propriedades,  e a própria coroa (já que T.Vedras era terra de rainhas) se refugiavam neste concelho quando as pestes assolavam Lisboa.

Boa sorte para todos, nas semanas que se preveem complicadas!