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terça-feira, 20 de setembro de 2022

Quem tem põe…quem não tem tira (ou – estão-me a ir ao bolso!)

Pessoa amiga, que conhecia alguém que frequentava uma “igreja” evangélica local,  contou-me que esse alguém lhe contou que, no final da “missa”, o “padre” circulava pela “igreja”, com um cesto na mão, a apregoar: “quem tem põe [dinheiro], quem não tem tira”.

Até que, certo dia, alguém resolveu tirar dinheiro do cesto, sendo imediatamente interpelado pelo “padre”, que, fixamente frente a essa pessoa ía repetindo “quem tem põe, quem não tem tira!”, ao que essa pessoa replicou : “mas eu não tenho (dinheiro), por isso estou a tirar!”.

Recebeu de imediato resposta do “padre”: “mas agora tem e por isso tem de pôr o que tirou”.

É assim que eu, como pensionista, me tenho sentido em relação ao actual debate sobre a actualização das pensões.

Tendo antecipado a minha reforma há 8 anos, depois de vários anos com cortes frequentes no ordenado, por imposição da “troika” e do “brutal” aumento de impostos do passos-coelhismo, recebi uma reforma que foi metade daquele que me garantiram quando comecei a trabalhar, com a agravante de ter sido empurrado para essa decisão, para não perder ainda mais e de, mesmo reformado, pagar de IRS e ADSE muito mais do que estava previsto, de acordo com a lei que ainda estava em vigor nos últimos anos da minha carreira.

Até, certo ponto, tudo bem, foi uma decisão minha, fiz contas ao que podia cortar, mas acreditava que a lei iria ser cumprida e não ía, mesmo com o rendimento mais baixo do que aquele que previa a poucos anos do final da carreira, perder o poder de compra que essa pensão me garantia.

Infelizmente vivemos no país onde a lei só é cumprida para “tramar” os cidadão e beneficiar o Estado e os poderosos, pois, quando essa lei beneficia o cidadão comum ( o que trabalha ou vive da pensão), logo se arranjam mil e um argumentos, ou para a não cumprir ou para mudar a lei, geralmente com efeitos retroactivos, se for para tramar o cidadão.

Ora é isso que se passa com a situação da actualização das pensões.

Os cortes que sofremos nos cálculos das pensões, de acordo com a lei de 2005,  são para toda a vida,  mas a lei que calcula a actualização das pensões já não conta para toda a vida.

Desde que me reformei, há 8 anos, a minha reforma nunca foi actualizada, como previa a lei, com o recurso às mais variadas desculpas “económicas”. A primeira vez em que havia possibilidade de cumprir a lei, como acontece agora, esta só é cumprida pela metade, falando-se até na sua alteração para “beneficiar o infractor”.

Note-se que a desculpa para não cumprir a lei, que é a de seguir as recomendações da União Europeia para não aumentar salários nem pensões de acordo com a inflação, não é seguida no que respeita às carreiras dos funcionários da União Europeia, como se lia ontem no artigo “A reforma encapotada da segurança social” do economista Ricardo Cabral, no jornal Público:

“Sabe-se que a Comissão Europeia recomenda aos governos dos Estados- membros que não indexem os salários dos funcionários públicos [ e as pensões] à taxa de inflação, para evitar uma “espiral inflacionista”. No entanto, de acordo com a revista Politico, os funcionários da Comissão Europeia (baseados na Bélgica e no Luxemburgo) vêem os “salários ajustados anualmente para compensar aumentos do custo de vida. Mas este aumento pode ocorrer duas vezes por ano e ser aplicado retroactivamente, se a taxa de inflação sobe acima dos 3% no período de referência, que foi o que ocorreu (…). A indexação é corrigida das alterações ao poder de compra de funcionários públicos em dez Estados-membros da União Europeia”, que perderam 1,1% do poder de compra nesse período (esses dez países não incluem Portugal). Assim, em Junho de 2022, os salários dos funcionários da Comissão Europeia foram aumentados em 2,4%, retroactivamente a janeiro de 2022. E serão aumentados de novo em dezembro de 2022”.

Assim é fácil à União Europeia pedir “sacrifícios” aos seus cidadãos e apoiar o discurso ilegal dos governos em relação à reposição do poder de compra dos trabalhadores e pensionistas.

Não sei porquê, mas tudo isto me faz lembrar a anedota com que comecei esta crónica.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

O lixo falacioso despejado pelas agências de rating


As malfadadas agências de rating voltam novamente a ser badaladas.

Pensava que estavam totalmente descreditadas, mas parece que continuam a existir entre nós devotos dessas agências de pirataria financeira.

Parece que essa gente continua a considerar Portugal como “lixo”, uma classificação humilhante  que, mais do que classificar os classificados, classifica os classificadores.

Todas elas elogiam o governo português pela estabilidade e até falam em “melhorias económicas”, “mais forte do que se previa” (Moody´s), mas preferem manter-nos no “lixo” financeiro que eles próprios promovem.

Ou melhor ainda, continuam a manter-nos no “lixo”…mas “com perspectiva estável”!!!! O que será isso de “lixo estável”????

E, mais grave, resolvem enviar recados sobre a composição do governo, como o fez a Moody´s.

Procurei na net as listas de classificação dadas por esses piratas financeiros e descobri algumas situações verdadeiramente caricatas e pouco abonatórias dos ratings vomitados por essa gente.

Se se percebe as classificações de topo, os chamados AAA e AA, o que se segue é uma lista totalmente disparatada.

Por exemplo, para a Stand & Pool ‘s, países como a Estónia, Letónia, Lituânia ou República Checa, ou, pior ainda, Marrocos, Arábia Saudita, Chile, Peru, Marrocos, Colômbia, Tailândia, Uruguai e   Índia, são menos “lixo” do que nós.

A fazerem-nos companhia no “lixo” estão a Rússia, o Azerbeijão, a Indonésia e a Bulgária!!!!

A Fitch não difere muito da anterior, nalguns casos com resultados ainda mais disparatados.

Para estes especuladores, a Arábia Saudita e o Chile até merecem nível A!!!

Menos “lixeira” do que Portugal são, para essa gente, o México, o Kazaquistão, o Azerbeijão, a Bulgária, a Colombia, a Hungria, a Índia, a Indonésia, Marrocos, Namíbia, Panamá, Peru, Filipinas, Roménia, Russia, Tailândia, Turquia e Uruguai.

Tão “lixo” como Portugal são a Costa Rica a Guatemala e a Macedónia.

A Moody’s vai no mesmo sentido.

Para estes especuladores, países como a Malásia, o México, a Arábia Saudita, a república Checa, a Estónia, Letónia e Lituânia, bem como o Botswana,  a Polónia e a Eslováquia conseguem o nível A!!!

Para estes predadores, são menos “lixo que Portugal, países como a Bulgária, a Colômbia, a Hungria, a India, a Indonésia, o Kazaquistão, o Panamá, as Filipinas, a Roménia, a África do Sul, a Tailândia e o Uruguai, enquanto o Azerbeijão, a Costa Rica, a Guatemala, Marrocos, Paraguai, Russia e Turquia nos fazem companhia na “lixeira”.

Com uma classificação menos escandalosa, mas por um caminho parecido, vai a lista a canadiana DBR, que dá um AA ao Chile e classifica como lixo, mas menos lixo que Portugal, o Brasil, a Colombia, a India, o México, a Turquia e o Uruguai…

Descobri, entretanto, que existem pelo menos mais três agências de rating “credenciadas”, uma japonesa e duas chinesas.

As chinesas conseguem ser tão ou mais disparatadas, nas suas classificações, do que as ocidentais.

A agência chinesa Dagong chega mesmo ao desplante de dar uma classificação AA à …Coreia do Norte, ao lado da Alemanha, da Austrália ou do Canadá!!!!(nesta agência Portugal está atrás da Argélia, da Bolívia, da Bulgária, da Colômbia, da Hungria e ao “nível” de uma Nigéria ou de uma Tunísia….!!!!).

A japonesa JCR parece a única que classifica os países com alguma lógica e, talvez por isso, Portugal surge com a classificação de A.

Parece-me perfeitamente disparatado que uma classificação do valor financeiro  e de classificação de investimento de um país não leve em linha de conta os Direitos Humanos e Socias em vigor nesses países, bem como a qualidade de vida e as desigualdades.

É esta a perspectiva do único “rating” credível, aquele que é emitido pela ONU, o chamado índice de desenvolvimento humano.

Neste, Portugal aparece na posição real, em 45º lugar, na “1ª divisão”, entre os classificados, os verdadeiros “AAA”, como países com “Desenvolvimento Muito Elevado”, no mínimo uma “divisão” à frente de muitos dos países que aquelas agências colocam à frente de Portugal.

Não é grave que um bando de especuladores anónimos usem um duvidoso critério para levarem a bom termo a sua tarefa de agiotas.

O grave é que sejam levados a sérios por políticos, economistas, jornalistas  e instituições que, com base naqueles duvidosos critérios classificativos, decidam sobre o destino de populações inteiras.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Governo deu indicações para esconder prejuízos do BPN



A Antena 1 divulgou hoje  (clicar para ouvir e ler a notícia) o resultado de uma investigação que pode ser a verdadeira "Bomba Atómica" desta campanha eleitoral.

Segundo essa investigação, o governo, via Maria Luís Albuquerque, que era na altura secretária de estado, deu indicações à Parvalorem para esconder prejuizos do BPN com o objectivo de reduzir artificialmente o défit orçamental de 2012 (leia-se, enganar a troika e os portugueses) em mais de 100 milhões de euros.

Segundo  o desenvolvimento dessa notícia na página on-line do Diário de Notícias ( e que pode ser lida integralmente clicando em baixo) num documento enviado à tutela, "a Parvalorem anunciou que "após o trabalho cirúrgico conseguimos reduzir o valor das imparidades de 577 milhões de euros para 420 milhões de euros".


No mesmo dia, "a empresa recebeu um agradecimento de Maria Luís Albuquerque, referindo que queria uma redução ainda superior, mas a admitir que talvez "não fosse possível melhor".

Se depois disto as próximas sondagens continuarem a dar uma vitória folgada à coligação de direita ou, pior do que isso, se essa vitória se confirmar no Domingo, algo vai muito mal neste país.

Pior que isso, depois do escândalo dos Swaps, à ministra Albuquerque só restará a demissão, seja qual for o desfecho eleitoral.

Governo deu indicações para esconder prejuízos do BPN - Economia - DN

quinta-feira, 2 de outubro de 2014