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quinta-feira, 20 de março de 2025

O Novo "nazifascismo"


Não deixa de ser curioso.

Os Estados Unidos e a Rússia (herdeira da antiga União Soviética, que então incluía a Ucrânia), foram os principais responsáveis pela derrota do nazi-fascismo no século XX.

Os judeus,  os povos do leste e da antiga União Soviética foram os que mais sofreram como a violência do nazismo.

Os judeus fundaram Israel como consequência da violência que sobre eles se abateu com o Holocausto.

E o que vemos hoje?

Estados Unidos,  Rússia, Ucrânia e Israel,  nesse passado “antifascista” os principais combatentes ou vitimas do nazi-fascismo, são hoje os responsáveis pela disseminação, a nível mundial, dos ideais da extrema-direita, um novo "Nazismo", com várias vertentes e variantes, nalguns casos combatendo-se entre si, adaptado aos dias de hoje (a Rússia de Putin, algumas milícias e batalhões  ucranianos, os Estados Unidos de Trump e Israel de Nethanyhu).

Uma total e preocupante inversão e desrespeito pelo  passado histórico dessas nações e povos.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

terça-feira, 18 de abril de 2023

Falar de paz é “estar ao serviço de Putin"??


..tanta gente “ao serviço de Putin”!!!: Guterres, o papa Francisco, Macron…e agora Lula!

Não deixa de ser curioso o terrorismo intelectual exercido pelas redes socias, pelos “comentadeiros” televisivos ou pela maior parte da classe política, sobre aqueles que acham que a paz é a melhor solução para acabar com uma guerra criminosa e mortífera, como aquela que está a decorrer na Ucrânia.

Defender a paz não é negar o direito de justa defesa de um povo agredido, nem o de levar a tribunal os responsáveis pelos crimes de guerra cometidos (de ambos os lados), nem o de condenar publicamente quem violou o direito internacional ao invadir um país soberano.

Contudo, o objectivo último é chegar o mais rapidamente possível a uma situação negociada que conduza à paz no terreno dessa guerra.

Sabemos que existem, na comunidade internacional, dois pesos e duas medidas, como vimos noutras guerras recentes ou que continuam, como na questão palestiniana, na destruição da Jugoslávia, na invasão do Iraque e do Afeganistão, na destruição do Líbano, da Síria,  da Líbia, e do Íemen, nas muitas guerras de África, com o desenvolvimento recente registado no Sudão.

Mas o objectivo final deve ser sempre o de obter a paz.

Claro que no caso da Ucrânia a questão é complexa, até porque não se pode beneficiar o infractor russo, residindo aqui uma das dificuldades em obter a paz.

Qualquer paz negociada deve ter no centro os interesses ucranianos em manter e recuperar territórios ilegalmente ocupados pelo invasor, alguns desde 2014.

Mas, com realismo, alguns desses territórios não podem ser recuperados nos anos (ou décadas) mais próximos.

Com realismo, a reconquista total dos territórios ocupados só será possível numa guerra ainda mais violenta, eventualmente com a entrada da NATO nessa guerra, com todas as consequências que isso acarreta para a paz no mundo e, mesmo, para a sobrevivência da vida humana.

Por isso é irrealista que, a curto ou médio prazo, a reconquistar do Donbass ou da Crimeia seja possível sem um banho de sangue, muito pior do que aquele vivido pela Ucrânia até hoje.

Isto não quer dizer que a situação no Donbass ou na Crimeia não tenha de ficar em aberto numa futura negociação, criando condições, quer para a futura autonomia desses territórios no seio do Estado Ucraniano, quer para um futuro referendo onde esses territórios possam decidir democraticamente o seu futuro (regiões autónomas dentro da Ucrânia, repúblicas integradas na Federação Russa ou mesmo a sua independência).

Um referendo desses, com todas as garantias, só pode ocorrer com acordo internacional, envolvendo a ONU, num futuro em que a Rússia tenha abandonado a sua politica imperialista e autocrática, e num futuro em que uma Ucrânia de facto democrática respeita a população russófona do seu território.

Todas essas condições parecem por agora impossíveis, mas tem de ficar em aberto em qualquer futura negociação de paz, sob o risco dessa mesma paz ser de pouca dura.

Por isso, mesmo com ambiguidades, falta de clareza, até de forma desajeitada ou injusta  para com uma das partes, é bom que, no meio do reforço da linguagem bélica dominante, que não vai levar a lugar nenhum, a não ser a mais destruição e sofrimento humano, a grandes negócios com a indústria do armamento, a um futuro cargo chorudo na estrutura da NATO, continuem a existir vozes a falar de paz.

Falar de paz, nos dias de hoje, é cada vez mais um dos últimos actos de coragem e sensatez, no meio do desvario geral provocado por esta guerra criminosa. 

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

21 de Setembro - Dia Internacional da Paz

                                     
Não deixa de ser tragicamente irónico que hoje, dia 21 de Setembro, seja o “Dia Internacional da Paz”, declarado como tal pala ONU, exactamente no dia em que só se fala em guerra, devido a mais um panfletário e belicista discurso do ditador Putin.

A minha esperança é que o feitiço se vire contra o “feiticeiro” (Putin) e o povo russo se levante de vez contra a guerra.

O grave é que os povos, muitas vezes, levam tempo a acordar, como aconteceu em Portugal, onde só “acordou” após 13 anos de uma guerra injusta, e não se pode estar tanto tempo à espera que os russos “acordem, até porque, o que se perfila para substituir Putin é ainda pior.

Além disso, o agravante da situação actual é que estamos a falar de uma potência nuclear.

Claro que o discurso belicista do outro lado também tem ajudado à festa, principalmente por parte da NATO e dos Estados Unidos, que aproveitam a situação para “vender” o seu “produto” e “entalar” a União Europeia.

Pior ainda, a dificuldade em resolver esta situação é que esta guerra não pode ter vencedores nem vencidos, mas também não pode acabar a beneficiar o infractor (a Rússia de Putin).

No meio disto, as únicas personagens com “tino” e capazes de fazer alguma coisa pela humanidade (o papa Francisco e o secretário-geral da ONU, António Guterres) não têm qualquer poder de intervenção.

Paradoxalmente, a “esperança” de pôr cobro ao conflito e evitar mais destruição reside em países como a China e a Turquia, ambos governados por regimes ditatoriais e autocracias que não são muito mais recomendáveis do que o regime criado por Putin.

No fundo, no fundo, deviamos continuar a insistir na defesa da paz, mas uma paz que não pode ser defendida à custa da Ucrânia e do seu povo.

A “curva” está cada vez mais apertada, mas costuma-se dizer que é nas “cusrvas apertadas” que surgem os grandes “condutores”.

Não vislumbro nenhum “condutor” capaz de ultrapassar a “curva”, mas cada um de nós pode tentar dar uma “forcinha” na defesa da paz, para que, mesmo em tempo de guerra, não se perca de vista esse grande objectivo da humanidade ou, depois da “guerra”…não haverá humanidade!

sexta-feira, 13 de maio de 2022

A Rússia de Putin e Israel dos ortodoxos…a mesma “luta”?!!


Semanas antes de Putin ter invadido a Ucrânia com o seu exército, a Amnistia Internacional acusava Israel de crimes de guerra contra os Palestinianos.

Dias depois, descobriam-se crimes de guerra das tropas russas contra ucranianos, denunciados por várias organizações, entre elas a Amnistia Internacional.

No início da invasão, Israel surgia como “interlocutor” de Putin para as “negociações”, mas Lavrov, com a sua desastrada declaração sobre as “origens judaicas” de Hitler, ia estragando o clima de “boas relações”.

Putin, ignorando os crimes que o seu exército tem vindo a cometer na Ucrânia e recusando-se a, no mínimo, um “pedido de desculpas” aos ucranianos, apressou-se a fazer um raro pedido de desculpas ao Estado de Israel, e a tensão entre os dois governo, o israelita e o russo, parece ter abrandado.

No famoso e teatral desfile da “vitória”, lá estava na tribuna de honra, um bem visível representante da comunidade judaica, não sei se da Rússia,  se representante do Estado de Israel.

Pode parecer estranho esta “proximidade” entre os dois Estados nesta altura.

Agora ficámos a perceber (mais uma vez) a razão de tanta “proximidade”.

Os métodos de tratamento de palestinianos pelo Estado de Israel e os métodos de tratamento dos ucranianos pelo exército russo, não são assim tão diferentes.

Ambos usam argumentos parecidos, a “desnaziificação” e o combate ao “antissemitismo”, para perseguirem e matarem, respectivamente, ucranianos e palestinianos.

Claro que os Palestinianos, como os Ucranianos também têm as “suas culpas no cartório”, a Palestina tem os terroristas do Hamas e os ucranianos os terroristas do Batalhão Azov.

Mas a forma como foi barbaramente executada a jornalista palestiniana do AlJazeera Shiren Abu Akleh pelo exército israelita, bem como a tentativa de acusar os palestinianos e tentar desacreditar o testemunho de outros jornalistas, lembra o método usado por Putin para desacreditar os testemunhos dos crimes de guerra russos na Ucrânia.

Não se pense que a forma como a jornalista foi abatida é caso isolado na Palestina, às mãos de Israel. O número de jornalistas palestinianos mortos pelos israelitas já ultrapassa os vinte.

É caso para dizer: Palestinianos e Ucranianos, a mesma luta; Putin e o Estado de Israel…os mesmos métodos!

segunda-feira, 9 de maio de 2022

Putin é “comunista”?


Em tempos de extremos e dominados pela “cloaca das redes sociais” , são muitas as asneiras que “vemos, ouvimos e lemos e não podemos ignorar”, escritas por aí.

Algumas são compreensíveis, quer pela revolta e indignação que nos atinge a todos, face à criminosa invasão de um país soberano, a Ucrânia, por uma potência nuclear e autoritária como a Rússia, e face à violenta destruição de alvos civis e aos indesmentíveis crimes de guerra cometidos pelos invasores (ou"danos colaterais", se o tema fosse outra guerra iniciada ou apoiada pela NATO ou pelos Estados Unidos...mas essa é outra "história"!!!).

Mas alguns raiam a mera propaganda política, oportunismo ideológico ou, pior ainda, falaciosa ignorância e má fé, como a de considerar que Putin é “comunista”, e, com isto, trazer ao de cima o mais primário anticomunismo que estava bem escondido nas entranhas de muitos.

Claro que se pode dizer que, por cá, o PCP foi o principal responsável por essa reacção, pela ambiguidade demonstrada, até hoje, em relação ao seu posicionamento perante a invasão russa, que desrespeitou toda a comunidade internacional e o direito internacional, acentuada pela inconcebível e desastrosa reacção da líder parlamentar, Paula Santos, ao discurso do presidente Zelensky no Parlamento Português, uma nódoa, a juntar a muitas outras dos últimos tempos, no património histórico do próprio PCP.

A melhor desmontagem da argumentação do PCP deve-se a José Pacheco Pereira, num artigo publicado no jornal Público no passado dia 23 de Abril (“PCP : ocultar que há um agredido e um agressor”).

Há quem diga que “o PCP se pôs a jeito”, e com isso iniciar ou justificar a campanha contra o PCP,  mas essa é uma posição idêntica àqueles que tentavam “justificar” o ataque às Torres Gémeas como o facto de “os Estados Unidos se terem posto a jeito”, ou justificar o ataque terrorista em Paris como o facto de o “Charlie Hebdo se ter posto a jeito”.

Como nada justifica os ataques terroristas, também as posições do PCP não justificam a campanha anticomunista que vai por aí, principalmente na “cloaca das redes sociais”, vendo em Putin um “comunista”, até porque o PCP nunca apoiou o ditador russo, criticando-o até há muito mais tempo que críticos recentes desse regime.

Claro que, em política “o que parece é”, uma verdade que devia ser conhecida por um partido com uma vida politica tão longa.

Se as criticas à NATO ou aos Estados Unidos podem ser pertinentes, o que é um facto é que, neste caso, o que está em causa não é mais uma invasão ilegítima ou criminosa da NATO, dos Estados Unidos ou dos seus aliados (Israel, Arábia Saudita…), mas estamos perante uma invasão ilegítima e criminosa da Rússia, injustificável e condenável, “mesmo” que Putin fosse “comunista”.

A “santa ignorância” sectária que grassa para os lados do PCP não é muito diferente da “santa ignorância” sectária dos extremos opostos.

Apelidar Putin como “comunista” como justificação para recorrer a todo o argumentário do mais primário anticomunismo, acaba por prestar um mau serviço à justa causa ucraniana.

Uma das atoardas mais ridículas, ignorantes e falaciosas que vi por aí foi fazer um link para um discurso de Jirinovsky no Parlamento russo, onde ele acusa o comunismo pelos crimes que são conhecidos do tempo da guerra civil e do stalinismo, link apresentado como um manifesto contra o “comunista” Putin.

O que quem partilhou e divulgou esse vídeo desconhece, ou finge desconhecer, é que Jirinovsky, falecido há poucos dias, foi um dos mais fervorosos apoiantes da invasão da Ucrânia.

Recorde-se que, entre outras coisas, Jirinovsky defendia o regresso do velho Império Czarista, do…Alasca (!!!) até à Polónia, defendia a negação da Ucrânia como nação e  a divisão deste país pela Rússia, pela Polónia e pela Roménia.

Tendo falecido cerca de um mês depois da invasão da Ucrânia, ainda foi a tempo de afirmar que o dia 24 de Fevereiro (data do inicio da invasão) tinha sido o dia mais feliz da sua vida e que o ano de 2022 era o ano em que a Rússia ia “voltar à grandiosidade” (veja-se a referência a esse patético líder do maior partido de extrema-direita na Rússia, representado na Duma por 21 deputados, no jornal Público de 10 de Abril: – “in Memoriam – O expoente ultranacionalista russo que previu a invasão da Ucrânia”).

Um dos argumentos usados por Putin para enganar os incautos e para propaganda interna, num país onde acabou de vez a liberdade de expressão e onde acabou de vez a imprensa livre, onde impera a verdadeira “verdade única”, é o de que iniciou “ uma operação militar especial” para “desnazificar” a Ucrânia.

Sabendo-se a influência de grupos nazis e fascistas junto do poder ucraniano, sabe-se também que um dos objectivos do presidente Zelensky, no seu mandato, era reduzir o poder desses grupos, reintegrando alguns deles no exército para os controlar e combatendo politicamente o seu discurso, reduzindo a sua representação parlamentar para quase nada.

Mas mesmo que o “nazismo” fosse um problema mais grave, era uma questão que só dizia respeito aos próprios ucranianos resolver.

Aliás, a invasão russa veio permitir o renascimento e o fortalecimento desses grupos terroristas, como o célebre Batalhão Azov, entre outros.

E que dizer dos criminosos batalhões de Tchetechenos e do Grupo Wagner, este último a guarda pretoriana de Putin, uma espécie de SS dos nossos tempos, responsáveis pela maior parte dos crimes de guerra que tem tido lugar na Ucrânia?

Aliás, Putin não pode dar qualquer lição de “moral” e de “antinazismo”, já que, no seu próprio país, apoia mais de 10 organizações assumidamente nazis e fascistas, que desfilam publicamente frente ao Kremlin, todos os dias 4 de Novembro, data que era a da celebração da Revolução de Outubro, mas que Putin substituiu pelo Dia da Unidade Nacional de origem czarista.

Não nos devemos esquecer também que, na guerra civil que dura desde 2014 no leste da Ucrânia, , se do lado ucraniano combatem grupos de extrema direita, do lado russo combatem 4 organizações fascistas apoiadas pelo Kremelin, em maior número do que a sinistra Brigada Azov.

Há que recordar também todo o tipo de apoios que Putin tem dado a organizações e partidos de extrema-direita na Europa e nos Estados Unidos.

Mesmo que Putin, por vezes, tente recuperar alguma retórica dos tempos da União Soviética, não o faz por razões ideológicas mas, como em relação à 2ª Guerra, por puro “fervor nacionalista”. Aliás, o único líder soviético que Putin nunca criticou foi Stalin.

Ainda recentemente, no discurso onde tentou justificar a invasão da Ucrânia, criticou violentamente Lenine, a União Soviética e Krutchev por terem “dado” uma unidade política à Ucrânia no sei das Repúblicas Soviéticas.

O objectivo de Putin não é o de reconstruir a União Soviética, mas o de reconstruir o Império czarista, para além de outros objectivos de politica internacional que não pretendemos, porque não temos conhecimento suficiente para isso, analisar aqui.

Se juntarmos a tudo isto o facto de os principais ideólogos lidos e citados por Putin serem autores russos do século XIX ou do inicio do século XX (como Serguei Soloviev ou  Ivan ìllin), que defendiam teorias ultra nacionalistas ou fascista e nazis, muitos deles vivendo exilados após a revolução, mas recuperados pelo actual regime russo, então ainda é mais evidente que Putin não é “comunista”.

Lamento, por isso, “desiludir” os dois lados extremos da barricada, os que se indignam contra Putin porque acham que ele é a “encarnação do mal comunista” (não os vi tão indignados noutras guerras criminosas!!), e os que, no minímo, hesitam em condenar a barbaridade das tropas de Putin na Ucrânia porque acham que ele pretende reconstruir o “paraíso comunista na terra”.

quinta-feira, 21 de abril de 2022

O Rumo constrangedor do PCP…até à derrota final!!


Não sendo esta a primeira vez que aqui critico atitudes do PCP, esta é uma das que faço de forma mais “dolorosa”.

Tem sido constrangedor seguir algumas das atitudes do PCP durante os últimos tempos, reveladoras, no mínimo, de um grande desnorte e, no máximo, de um grande desrespeito pelo seu passado em Portugal.

Sem esquecer a sempre incompreensível retórica em defesa de regimes abomináveis e corruptos, como o da Venezuela, o de Angola ou o da Coreia do Norte, ou o misticismo à volta do fracassado modelo soviético, a sua actual atitude em relação à criminosa invasão da Ucrânia pelo imperialismo fascista russo, raia a mais gritante insensibilidade humanista.

A sua irracional interpretação da história mundial e da vida internacional era “desculpada”, perdoada e desvalorizada pela sua história nacional, a luta contra a ditadura (a única que houve em Portugal nos últimos cem anos), a defesa dos mais fracos, dos direitos sociais e dos trabalhadores, valores geralmente “desvalorizados” pelos outro partidos democráticos, para além de uma imagem de competência na gestão autárquica, de defesa da cultura nacional e popular, que tinha o seu momento alto na Festa do Avante, de negociante credível, de possuir quadros incorruptiveis ao poder financeiro, apesar de alguns casos pontuais que beliscavam essa imagem.

Nos momentos cruciais da recente história democrática portuguesa, soube colocar-se do lado certo da história, tentando travar ou controlar os excessos do PREC, recusando participar na aventura do 25 de Novembro, evitando assim uma guerra civil ou um golpe militar, apoiando e defendendo activamente a construção de uma Constituição democrática, “engolindo o sapo” votando em Mário Soares, para travar uma candidatura revanchista de direita e, mais recentemente, apoiando a formação da “geringonça”, para travar um dos períodos mais negros na tentativa de destruição de direitos sociais em Portugal, ensaiado à sombra do “ir além da Troika”.

Mas todo esse capital de simpatia à esquerda e de respeito à direita começou a ser desbaratado nos últimos tempos, primeiro com uma atitude de arrogante desafio às medidas sanitárias de combate à pandemia, depois com o irresponsável chumbo do orçamento para 2022, que acabou com a “geringonça”, dando uma maioria absoluta ao PS, abrindo o parlamento à extrema-direita e enfraquecendo o peso da esquerda nesse órgão de poder democrático.

Mas o pior estava para vir.

O PCP, que se intitula um partido anti-imperialista, tem-se recusado a condenar, de forma clara, o mais ignóbil ataque do pior e mais violento Imperialismo do momento, o imperialismo russo, contra uma nação soberana e independente como a Ucrânia;

O PCP, um partido que tanto gosta de exibir os seus pergaminhos antifascistas, só vê fascistas do lado ucraniano, esquecendo-se de ver que o regime de Putin é o modelo politico actual que mais se aproxima do ideário fascista, bebendo muita da sua ideologia em “pensadores” fascistas russos dos anos 20-30 e que tinha como um dos principais aliados internos o recentemente falecido Jirinovsky, líder da extrema-direita da Duma e anticomunista primário, sem esquecer o apoio financeiro e politico dado por Putin a toda a extrema direita populista europeia e norte-americana;

O PCP, que tanto fala em paz, sempre pronto a condenar as escaladas militares quando elas partem dos Estados Unidos ou da NATO, revela uma preocupação selectiva pela paz, ao recusar-se a condenar, com a mesma veemência, os crimes de guerra, a destruição de edifícios civis, de hospitais e escolas, perpetrados pelo exército russo em solo da Ucrânia;

O PCP, que tanto diz defender a soberania nacional, tem demonstrado, no mínimo, uma grande dificuldade em condenar o ataque da Rússia à soberania ucraniana, situação, aliás, que não começou no passado dia 24 de Fevereiro, mas que teve início em 2014;

O PCP, que tanto gosta de defender o povo contra as “agressões” do “grande capital”, recusa-se a condenar, de forma veemente, a pior agressão que se pode fazer contra um povo, a agressão militar contra civis, aquela que a Rússia, um dos mais selvagens regimes capitalistas actuais, sustentado por corruptos oligarcas da grande finança internacional, está a executar em solo ucraniano.

Para coroar essa atitude miserável, o PCP tomou a decisão de se ausentar do parlamento quando o presidente da Ucrânia discursar nesse órgão de soberania.

Pessoalmente não alinho no endeusamento de Zelensky, que tem pontos negros na sua biografia, teve algumas atitudes irresponsáveis, como a de se fazer acompanhar no seu discurso ao parlamento grego por um líder do tenebroso Batalhão Azov,  a de humilhar o Presidente alemão ou lançar “alfinetadas” ao presidente Macron, contribuindo para minar a sua imagem num momento em que já se sabia que este ía enfrentar Marine Le Pen na segunda volta.

Mas Churchill também não era um personagem muito recomendável antes da 2ª Guerra, tendo até manifestado simpatia por Mussolini, mas as circunstâncias da história transformaram-no num herói.

Goste-se mais ou menos de Zelensky, o que é um facto é que ele tomou uma atitude corajosa em defesa do seu povo, surpreendendo mesmo os mais fiéis dos seus apoiantes, recusando-se a sair do país, como lhe propôs o presidente norte-americano logo no primeiro dia da invasão;

Goste-se mais ou menos de Zelensky, o que é um facto é que ele é o representante legitimo de um povo que está a ser martirizado por uma invasão criminosa e ilegal.

Por isso, como representante do martirizado povo ucraniano, que tão bem tem sido apoiado e recebido pelo povo português , como respeito por esse povo, exigia-se a um partido que se diz defensor da paz, preocupado com o sofrimento dos povos e anti-imperialista que, no mínimo, estivesse presente no parlamento para ouvir o representante desse povo.

É, no mínimo, constrangedor ver um partido como o PCP, com um história de 100 anos, rumar assim, ingloriamente, para uma grande derrota final!

segunda-feira, 4 de abril de 2022

A Guerra é sempre um crime de Guerra.


Quem começa uma guerra é o primeiro responsável por todos os crimes que nelas se cometem, mesmo que não sejam cometidos por quem a iniciou, porque uma guerra é sempre um crime de guerra.

Quem começou a guerra na Ucrânia foi a Rússia de Putin.

A 1ª Guerra foi iniciada pelos Impérios Centrais e foi uma guerra de Impérios, mas foi o Império Alemão que a iniciou, e por isso foi a principal responsável pelos crimes e pelas consequências dessa guerra.

A 2ª Guerra foi iniciada por Hitler, ao invadir a Polónia e, tendo cometido os maiores crimes, o maior de todos “à margem da Guerra”, o Holocausto, o regime nazi foi o primeiro e único responsável pelos maiores crimes de guerra que nela se cometeram, mesmo pelos crimes praticados pelos aliados, como Dresden, Hiroxima e Nagasaki, porque quem começa a guerra é responsável por todos os crimes.

No caso da Ucrânia, quem começou a guerra foi Putin, mesmo usando argumentos falaciosos, como o de “desnazificar” a Ucrânia e responder ao “genocídio” em Donbass.

Mesmo que a Ucrânia fosse governada por “nazis”, era um problema da própria Ucrânia. Como se sabe, este argumento não é verdadeiro e, se de facto existem nazis na Ucrânia e este país tem sido o paraíso para o treino de milícias “nazis” de todo o mundo, apoiantes dos terroristas do Batalhão Azov, este é um problema que tinha de ser resolvido pelos ucranianos. Além disso, os apoiantes desse movimento são minoritários e a extrema-direita tem apena um deputado no parlamento (pior estão muitos países da União Europeias…).

A própria Rússia abriga e apoia milícias terroristas e de extrema-direita, como os tristemente célebres “tchetchenos” , “sírios” e “ Batalhão Wagner”, sem esquecer o financiamento e apoio de Putin à extrema-direita europeia e norte-americana.

Quanto ao “genocídio”, houve crimes de ambos os lados, na região de Donbass desde 2014, mas se Putin tinha provas de “genocídio”, devia apresenta-las nas instituições internacionais, embora, como o sabemos desde o Iraque, seja fácil forjar provas falsas. Mas era nas instituições internacionais, como na ONU, que essas questões, a existirem, deviam ser analisadas e criminalizadas.

Quanto à desculpa de, com esta guerra, travar o “cerco” da NATO feito à Rússia, esta guerra só veio reforçar o poder e a influência dessa organização militarista, que até deve estar “agradecida” ao “favor” que Putin lhe fez.

Contudo, se olharmos para o que se tem passado nestes quase dois meses de guerra, quem se tem comportado como verdadeiro nazi e genocida tem sido a força militar russa, sem esquecer o “argumentário” de Putin, digno de um genocida e de um fascista.

Mesmo que existam crimes perpetrados por milícias ucranianas, ou mesmo que parte da destruição indiscriminada de alvos civis também possa ser provocada pelo abate de helicópteros, aviões e misseis russos, abatidos pelos ucranianos, pois estes têm de cair em qualquer lado e de forma totalmente descontrolada, a responsabilidade por toda a destruição de guerra e por todos os crimes é sempre de quem começou esta guerra criminosa, violando o direito internacional.

Aquilo que os ucranianos e os jornalistas que os acompanham têm encontrado no território à volta de Kiev, abandonado pelo exército russo, mostra a crueldade perpetrada pelos ocupantes russos sobre as populações civis indefesas, evidenciando, sem qualquer dúvida, verdadeiros crimes de guerra.

Vêm agora os russo tentar atirar areia para os olhos da opinião pública, negando esses crimes evidentes e acusando os próprios ucranianos por eles.

“Esqueceram-se”, “apenas” de um pequeno pormenor. A maior parte dos corpos encontrados foram executados há muitos dias, com sinais de tortura, quando esses territórios estavam ocupados pelo exército russo e, para se cometerem esses crimes, só podem ter sido cometidos, no mínimo, com a conivência dos ocupantes pois, se ao chegarem lá, esses crimes já tivessem sido cometidos, teriam denunciado a situação logo na altura.

É urgente que especialistas e técnicos independentes, ligados à ONU e a outras organizações internacionais, entrem imediatamente nos territórios libertados para recolherem todas as provas desses crimes, para levar a tribunal os responsáveis pelos mesmos, sem que existam quaisquer dúvidas sobre os seus executores.

Se essa entrada for dificultada, também pelos ucranianos, então os russos vão invocar a contaminação de provas e os criminosos vão conseguir escapar.

Sem confundir o direito de defesa militar, por parte do agredido, a Guerra é sempre um crime de guerra e quem a inicia é sempre o maior criminoso.

Putin e o seu governo não podem sair impunes desta guerra.

quarta-feira, 9 de março de 2022

Onde Fica a PAZ?

As Guerras começam, mas nunca se sabe como acabam.

Com mais ou menos mortos, com genocídios e crimes de guerra, destruição de culturas, patrimónios, economias e, de muita, muita gente inocente, as guerras acabam um dia e, quando elas acabam, faz-se o balanço, julgam-se (ou não) os culpados, reconstrói-se e…toda a gente promete a PAZ eterna!

Esta Guerra, contudo, pode acabar com a humanidade, por isso não se pode transformar numa “terceira Guerra Mundial”, ou a 4ª Guerra, como vaticinou Einstein, vai ser com paus e pedras!

Quem começou esta guerra, que não restem dúvidas, foi a Rússia de Putin, que já tinha dado os primeiros passos nesse sentido em 2014.

A história não começou no dia 24 de Fevereiro, mas, a partir desse dia, num claro desrespeito pelo Direito Internacional, pela integridade de um Estado soberano, pela comunidade internacional e, o mais grave, pelo direito do povo ucraniano viver em paz e escolher o seu destino, foi nesse dia que Putin se transformou em criminoso de guerra, que é preciso travar.

Putin já tinha mostrado do que era capaz na Geórgia e na Síria, mas a comunidade internacional, principalmente neste último caso, fechou os olhos, pois o “inimigo” era "comum", o islamismo e o “Estado islâmico”, mesmo que, na realidade, o “terrorismo” islâmico tenha sido apena o pretexto para Putin ensaiar o seu arsenal militar, um pouco à imagem do que Hitler fez na Guerra Civil de Espanha.

Também na retórica “justificativa” para a guerra, Putin aprendeu com as justificações e os actos idênticos dos Estados Undos e da NATO, na ex-Jugoslávia, no Iraque, no Afeganistão, na Líbia, muitos deles em violação do Direito Internacional ou com a mesma violência contra populações civis….

De facto, o “ocidente” e os Estados Unidos, como potência única de então, ao recusarem-se reformar a ONU e tornar a NATO uma força da manutenção da paz, após a queda da União Soviética, levar-nos-ia, mais tarde ou mais cedo, com Putin ou outro déspota militar, a uma situação sem saída, como aquela em que nos encontramos.

A ONU devia ter alargado o Conselho de Segurança a mais países, acabado com o direito de veto e aumentando o poder da Assembleia Geral, mas os Estados Unidos e os seus aliados não o quiseram, agindo mesmo à margem dessa instituição, enfraquecendo-a.

A NATO devia ter-se transformado numa força de manutenção da paz, sob liderança do Conselho de Segurança da ONU.

Se essas duas reformas se tivessem dado, hoje teríamos a criação de uma zona de exclusão aérea na Ucrânia, para proteger civis, com plena legitimidade e sem por em perigo a paz mundial ou poder provocar uma 3ª Guerra Mundial, como será o caso, nas actuais circunstâncias, se essa decisão for assumida pela NATO, única força militar internacional em condições de o fazer.

Também teríamos, se essas reformas se tivessem efectuado a devido tempo, a possibilidade de ter no terreno uma força de manutenção da paz, legitimidade pela ONU.

Sendo assim, o povo ucraniano fica entregue à sua sorte, pois a alternativa, para além de uma hipotética revolta russa contra Putin, mas que não será para já, é uma 3ª Guerra Mundial.

Não nos podemos esquecer, também, que foi a NATO que se opôs, em 2017, a uma resolução da ONU que visava limitar a expansão de armamento nuclear, atitude que facilitou a vida ao próprio Putin, que agora ameaça o mundo, a seu belo prazer, com uma guerra nuclear.

No imediato, o que é urgente é proteger a Ucrânia da agressão russa e impedir uma guerra descontrolada.

Mas, no futuro, tem de se voltar a pôr a PAZ Mundial em primeiro lugar, reforçando o papel da ONU, combatendo o rearmamento, e perseguindo a venda ilegal de armas.

Aliás, já se houvem por aí as costumeiras vozes oportunistas que, desta vez, não falam em "ir alé, da Troika", mas em ir "além da guerra", defendendo o sacrificio do Estado Social em nome do reforço das despesas com "defesa".

Esquecem-se da velha máxima de Churchil, em plena Guerra Mundial: quando alguns dos membros do seu governo defendiam cortes na cultura e noutras medidas sociais, para reforçar o orçamento militar de defesa, aquele interrogou-os: "então se cortamos na cultura, para que nos serve fazer esta guerra ?". 

Essa máxima pode ser adapatada para responder às vozes que procuram aproveitar-se da situação actual, para aumentarem a despesa militar, defendendo cortes definitivos no bem estar social, para a financiar.

Em tempo de guerra é também importante que surjam vozes pela paz, que travem o ímpeto belicista de alguns, o qual, se for deixado em roda livre, vai gerar, no futuro, novos Bin Laden´s.

O povo ucraniano tem o direito de se defender da criminosa agressão russa, mas o mundo tem de se preparar para a paz que se há-se seguir a esta guerra, pela qual Putin é o principal responsável, paz essa que vai implicar o reforço da ONU e o desmantelamento definitivo de arsenais militares.