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quarta-feira, 14 de setembro de 2016

(Barroso, um nojo de politico):"Por Favor, não nos confundam com o sr. Barroso"

Durão Barroso tem vindo a comportar-se, na sua longa vida política, como o estereótipo de tudo aquilo que mais abominamos na vida política : o carreirismo e o oportunismo, para além do abuso da  paciência cívica dos cidadãos cumpridores e trabalhadores, ao tomar atitudes que atingiram negativa e dramaticamente a vida desses mesmos  cidadãos e contribuíram para desprestigiar uma instituição, como a União Europeia, que tanto sacrifício exigiu para ser construída.
Durão Barroso está ligado a alguns dos mais negros episódios da história recente, como a célebre cimeira das Lajes, que conduziu o mundo para o desastre actual, e o programa de austeridade imposto aos cidadãos trabalhadores e honestos da Europa para salvar  e manter o corrupto sistema financeiro europeu.
A sua incompetente passagem pela presidência da Comissão Europeia contribui igualmente para a decadência do projecto europeu e para o arrastar do criminoso processo dos refugiados.
Não é por isso de espantar a sua grande falta de escrúpulos em aceitar o emprego no mafioso grupo financeiro que dá pelo nome da Goldman Sachs.
O que é de espantar é a reacção do politburo de Bruxelas, nomeadamente do sr. Juncker, o sr. “Luxleaks”.
….gente eticamente corrupta que critica outro eticamente corrupto…tem mil anos de …corrupção ética!!!????

(Em baixo transcrevemos a notícia editada pelo "Diário de Notícias" de hoje):
 
"Trabalhadores públicos das instituições europeias esperam que Barroso "entenda que errou". Durão "vai trabalhar para o outro lado".
 
"Os funcionários europeus vieram demarcar-se do "gesto" de Durão Barroso ao aceitar um cargo no banco que consideram responsável pela crise que se abateu sobre a Europa. Em declarações ao DN, um dos funcionários do grupo informal que lançou uma petição para que o português perca todas as regalias do cargo que exerceu em Bruxelas pede "por favor" para não serem confundidos com o ex-presidente da Comissão Europeia.
 
"O que queremos é dizer às pessoas, por favor, não pensem que somos todos como o nosso ex-presidente. Já chega sofrermos pela má reputação do trabalho que se faz em Bruxelas. Somos acusados de trabalhar para os grandes grupos ou para os lobistas, mas também temos pensamento próprio e também somos cidadãos europeus e consideramos que há coisas que não podem ser feitas", considera o funcionário da Comissão.
 
"O grupo que junta "trabalhadores públicos de todas as instituições europeias" espera que "Barroso entenda que errou ou que o Goldman Sachs perceba que talvez não seja bom [contratar] essa pessoa que tem sido amplamente denunciada".
 
"Numa carta enviada ontem ao atual presidente da Comissão Europeia, Durão alega que levantar "questões de integridade" sobre a sua contratação para o Goldman Sachs são "afirmações sem fundamento e completamente sem mérito" e, além do mais, "são discriminatórias" contra ele e "contra o Goldman Sachs, uma firma regulada que opera no mercado interno".
 
"Porém, os funcionários dizem--se "chocados" e consideram que "o gesto de Durão Barroso é uma traição aos interesses europeus e às instituições europeias".
 
"Estamos profundamente chocados com esta mudança e com este desejo em particular de trabalhar para um banco privado internacional, que esteve no centro da crise do subprime que, na realidade, levou centenas de milhares de milhões de cidadãos europeus a ter problemas económicos e sociais", afirma o funcionário que, sob anonimato, aceitou falar com o DN.
 
"Saber que o homem que foi nosso presidente durante dez anos e por quem nós demos plenamente o nosso trabalho vai agora trabalhar para o outro lado... não podemos aceitar", afirma o funcionário da Comissão, acrescentando que "o Goldman Sachs tem sido o inimigo do bem-estar europeu e da construção europeia".
 
"Barroso defende-se das acusações dizendo que, do ponto de vista legal, foi "extremamente cuidadoso para assegurar o estrito cumprimento das regras da Comissão", quando aceitou o contrato. "Fui para o Goldman Sachs 20 meses após o fim do meu mandato, um período que excede o alargado período de nojo de 18 meses (antes 12 meses) instituído por mim durante a minha presidência", escreve o antigo presidente da Comissão.
 
"No entanto, os funcionários esperam que "o relatório do comité de ética", lançado pelo presidente Jean--Claude Juncker, no âmbito deste caso, se traduza na "conclusão de que algumas medidas têm de ser adotadas contra o senhor Barroso".
 
"Rangel ataca Juncker
 
Já o PSD continua a sua defesa do seu ex-líder, em Portugal e na Europa. O vice-presidente do Partido Popular Europeu Paulo Rangel defendeu ontem que não se pode transformar a ida de Durão Barroso para o Goldman Sachs numa "questão política" e que a Comissão Europeia não pode "ter estados de alma, tem de se restringir às leis".
 
"Num ataque à comissão de Junker, Rangel denuncia uma "perseguição pessoal" e uma "fulanização" que é igualmente uma "discriminação", pois "já vimos episódios destes com Mário Monti, com Romano Prodi, com Neelie Kroes e com outros e que após um período de nojo foram para atividades privadas e, nalguns casos, na mesma empresa em que está Durão Barroso e não houve nenhuma destas reações".
 
"Rangel acusa Juncker de estar a ceder aos "populismos de extrema-direita e de extrema-esquerda" e a alimentar "telenovelas" que só servem interesses de "partidos como o da senhora Le Pen ou como o Bloco de Esquerda".
 
"O eurodeputado do PSD alerta também para uma "coincidência muito infeliz de timings". Rangel denuncia que o apoio público manifestado pelo chefe de gabinete de Juncker a uma eventual candidatura de Georgieva coincide com a tentativa de "enfraquecer uma candidatura portuguesa [à ONU], que é neste momento a mais forte".
 
"Para Rangel, a Comissão Europeia "tomou a iniciativa de encorajar uma candidatura da senhora Georgieva e na mesma semana existe a tentativa de procurar apoucar a imagem de um português que teve, até agora, o cargo internacional mais relevante nas vésperas de outro português ter outro."

quarta-feira, 29 de junho de 2016

A Grande Palhaçada :Juncker, ontem, para Farage no Parlamento Europeu: "O que está aqui a fazer?" (E, sr . Juncker, o que está você ainda fazer na Comissão Europeia?) :

Juncker para Farage, ontem no Parlamento Europeu: "O que está aqui a fazer?" (clicar para ler).

O desespero está instalado no seio das instituições europeias.
 
Ontem foi a vez do Parlamento Europeu.
 
O sr. Juncker , demonstrando uma grande falta de respeito pela decisão democrática, mesmo se errada, dos britânicos, dirigiu-se a um deputado ainda em funções, essa outra aberração com pernas que dá pelo apelido de Farage, e perguntou-lhe o que estava ali a fazer.
 
Só que desta vez Farage esteve à altura dos acontecimentos e gelou os burocratas de Bruxelas, defendendo-se dizendo algumas verdades:
 
"É engraçado que, há 17 anos, quando eu disse que queria liderar uma campanha para tirar os britânicos da União Europeia, todos aqui se tenham rido de mim. Bem, agora não vejo ninguém a rir", deixando " uma previsão aqui hoje: o Reino Unido não será o último Estado membro a sair da UE." , fazendo ainda uma acusação: "Agora sei que nenhum de vós teve alguma vez um emprego digno desse nome, trabalhou em negócios, trabalhou no comércio, criou um único posto de trabalho."
 
Costuma-se dizer que quem semeia ventos colhe tempestades e seria bom perguntar também ao sr. Juncker , o homem que lesou outros estados europeus com um esquema malhoso de fuga aos impostos para beneficiar o seu país, no Luxleaks, um escândalo abafado pelo próprio parlamento europeu, o que é que ele ainda estava ali a fazer???

quarta-feira, 17 de junho de 2015

A Demagogia de Juncker


Jean Claude Juncker declarou ontem que "no que diz respeito à Grécia, eu não quero saber do governo grego. Preocupo-me, isso sim, com o povo grego, e em particular a parte mais pobre da população grega, que está a sofrer mais do que outros na UE, devido ao ajustamento que teve que ser posto em prática".

Essa declaração é de um cinismo atroz, vinda do mesmo homem que liderava o Eurogrupo à época em que foi imposto à Grécia um pesado programa de austeridade que agravou as condições de vida e atingiu principalmente a parte da população grega mais vulnerável, exactamente os mais pobres, e que lançou na pobreza quase 50% dos pensionistas e elevou o desemprego para mais de 25%.

Essa declaração envergonha todos os europeus que sustentam com os seus impostos a Comissão Europeia e devia envergonhar o presidente dessa comissão, o mesmo homem que, participando no governo luxemburguês durante 20 anos, ora como primeiro-ministro, ora como ministro das finanças, permitiu que 300 grandes multinacionais fugissem ao pagamento de impostos noutros países europeus, entre os quais a própria Grécia, agravando a situação financeira desses países, que tiveram depois, por essa e outras situações de fraude generalizado no sector financeiro da zona euro, de recorrer ao “resgate” que conduziu as suas populações para o empobrecimento . (a propósito, parece que esse “Luxemburgo Leaks”, que envolvia Junckers, foi convenientemente abafado…).

É ainda de uma enorme falta de respeito para com o povo grego que escolheu exactamente o seu governo, em eleições livres e democráticas, para inverter as danosas condições socias para onde foram conduzidos por cinco anos de aplicação das mesmas “reformas” que a troika (isto é, Comissão Europeia, FMI e BCE)  pretende continuara a aplicar nesse país, e não só.

De pouco serve Juncker tentar fazer de polícia bom, declarando na mesma ocasião que não é a favor de um aumento do IVA nos medicamentos e na eletricidade, "e o primeiro-ministro (Alexis Tsipras) sabe-o", tendo mesmo sugerido alternativas , como por exemplo "um corte modesto no orçamento de Defesa, e isso poderia ser facilmente feito", pois, insistiu, considera que obrigar a Grécia a aumentar os preços dos medicamentos e da eletricidade "seria um grande erro".

Ao rematar com a afirmação "Acho que o debate na Grécia e fora da Grécia seria mais fácil se o governo grego dissesse exatamente o que a Comissão, sendo uma das três instituições envolvidas, está realmente a propor", acabou por confessar nas entrelinhas que as outras duas instituições (BCE e FMI) da troika pensam de modo diferente, isto é, querem mesmo o tal aumento no IVA, como pretendem  também continuar a penalizar as pensões mais baixas e continuar o mesmo programa desumano de austeridade .

Então, se é assim tão bem intencionado,  era contra o BCE e o FMI que a sua voz se devia erguer. Mas a coragem de enfrentar os poderosos interesse financeiros instalados na União Europeia não é propriamente o seu modo de actuar. Ninguém chega onde ele chegou mordendo na mão do "dono".

É mais fácil continuara a culpar o governo grego pelo falhanço das negociações.

E, sendo Juncker, apesar de tudo, uma  das poucas figuras com alguma decência que ainda restam na liderança das instituições europeias, dá  para perceber o que não será o tipo de gente que enxameia a burocracia europeia e  o tipo de gente que os cidadãos europeus têm pela frente, ou, citando um ditado português, "se é assim na montra, imagine o que vai dentro da loja!".

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Antoine Deltour, um Herói do nosso tempo a precisar do apoio e ajuda de todos os cidadãos europeus ( ele denunciou a falta de ética no LuxLeaks  e está agora a contas com a justiça do Luxemburgo)


Rui Tavares dedica a sua crónica no Público desta Segunda-Feira "Ao Delator Desconhecido", entretanto revelado pelo jornal Libération: LuxLeaks : «J’ai agi par conviction, la cohérence était d’assumer».

Trata-se de Antoine Delatour, um jovem de 28 anos, antigo trabalhador da empresa de consultoria PWC (PricewaterhouseCoopers), empresa especializada  em esquemas legais "facilitadores" da fuga de grandes empresas multinacionais ao pagamento de impostos, o esquema que está em caso no LuxLeaks.

Como já aqui referimos e Rui Tavares recorda, o Luxemburgo, durante o governo de Jean-Claude Juncker, actual presidente da Comissão Europeia, montou um esquema legal que permitiu a grandes empresas multinacionais, a operar na Europa, fugirem ao pagamento de impostos em vários países da UE, ente eles Portugal, calculando-se que, por ano, muitos  desses países, muitos sujeitos a um severo programa de austeridade imposto pela Comissão Europeia e iniciado com a colaboração do Eurogrupo, quando era liderado por Juncker, perderam, em impostos não cobrados a essas empresas, mais de um milhão de milhões de euros (...por ano!!!), enquanto o Luxemburgo, de Juncker, lucrou imenso com o negócio.

Para além de toda a imoralidade da situação, numa altura em que a própria União Europeia impõe aos cidadãos europeus um programa de empobrecimento e perda de direitos, com a desculpa de não haver dinheiro, não só é grave que Juncker continue impávido e sereno no seu cargo, com o apoio do "centrão" à escala europeia, como se continue a impor um programa de austeridade aos cidadãos da Europa.

Mas, o mais caricato de tudo, é que um tribunal luxemburguês, como refere também Rui Tavares, abriu um processo de investigação, não para apuramento do esquema de corrupção ética do seu governo, mas para condenar o autor da fuga de informação que permitiu que se soubesse do esquema.

Sabe-se agora que o "dealtor" é um jovem francês, Antoine Deltour.

O que vai acontecer agora é que, quem vai ser condenado pela situação vai ser este jovem que agiu como qualquer pessoa de bem devia agir,denunciando um esquema imoral de roubo legal de bens que deviam pertencer aos cidadãos da Europa e que foram usados em proveito de um Estado que apenas produz esquemas financeiros de ética duvidosa.

Num mundo a precisar de "Heróis" e farto de "vilões" (como os que enxameiam as instituições europeias e financeiras), Antoine Deltour é um verdadeiro herói dos nossos tempos.

É tempo de os cidadãos europeus abrirem os olhos e tudo fazerem, não só para proteger e defender Deltour do ataque que vai sofrer por parte do poder da Comissão Europeia e das grandes multinacionais que beneficiaram com o esquema, como virar o feitiço contra o feiticeiro e começarem a questionar a burocracia e os políticos que lideram a Europa, apenas em benefício do corrupto sistema financeiros.



quinta-feira, 13 de novembro de 2014

O Respigo da Semana – A crónica de José Vítor Malheiros sobre o esquema de fuga legal a impostos, organizado por Juncker e pelo governo luxemburguês ao longo de mais de uma década:


O esquema legal seguido no Luxemburgo para permitir a grandes empresas multinacionais fugirem ao fisco noutros países da EU, e que foi conduzido durante mais de uma década por Juncker, custou, por ano, cerca de um bilião de euros a menos nos cofres de vários Estados europeus, sete vezes o orçamento da União Europeia durante sete anos. Só Portugal, num único ano, 2009, perdeu com esse esquema cerca de 12 mil milões de euros!!!

É sobre esse tema que se debruça a crónica de José Vítor Malheiros, ontem publicada no jornal Público e que escolhemos com “respigo da semana”:


As fraudes legais, a oligarquia legal e o primado da lei

por JOSÉ VÍTOR MALHEIROS in Público de  12/11/2014

"A maior notícia dos últimos dias foi a revelação da existência de um gigantesco esquema de evasão fiscal montado pelas autoridades fiscais do Luxemburgo em benefício próprio e de centenas de grandes empresas multinacionais. Este esquema permitiu poupar às empresas milhares de milhões de euros em impostos e roubar a mesma quantidade de dinheiro ao erário público dos países onde estes impostos deveriam ter sido pagos.

"Que o Luxemburgo é um paraíso fiscal é algo sobejamente conhecido. O que é verdadeiramente espantoso neste esquema – revelado por um grupo de mais de 80 jornalistas do International Consortium of Investigative Journalists (ICIJ) – é a sua dimensão, a complexidade das transações realizadas e o grau de organização e de rotina atingido pela operação.

"Entre as mais de 340 empresas cujas operações de evasão fiscal foram reveladas por esta investigação, conta-se a IKEA, Pepsi, Federal Express, a consultora Accenture, os laboratórios Abbott, a seguradora AIG, a Amazon, Blackstone, Deutsche Bank, Heinz, Morgan Chase, Burberry, Procter & Gamble, Carlyle Group e a Abu Dhabi Investment Authority, para mencionar apenas algumas das mais conhecidas. As operações estão documentadas em 28.000 páginas de documentos oficiais a que os jornalistas tiveram acesso.

"Uma das coisas mais relevantes nestas revelações é que elas envolvem um total de transacções da ordem das centenas de milhares de milhões de dólares (leu bem), realizadas entre 2002 e 2010, a que deveriam corresponder pagamentos de impostos na ordem dos milhares de milhões de dólares. De facto, as empresas chegavam a pagar taxas efectivas inferiores a um por cento sobre os lucros – um valor que, apesar de irrisório, representava (representa) um prodigioso maná para o Estado luxemburguês.

"Outro elemento que nos faz pensar é que todos estes casos descobertos pelo ICIJ dizem respeito, exclusivamente, a clientes da empresa de consultoria financeira PricewaterhouseCoopers. Como é provável que outras empresas de contabilidade proporcionem este serviço luxemburguês aos seus clientes, percebemos que, apesar de gigante, esta montanha representa apenas a ponta do icebergue e que o total envolvido nestas evasões fiscais escapa à nossa imaginação.

"Há inúmeras coisas chocantes nesta história. Uma delas é o facto de se tratar de um esquema sancionado pelo Estado luxemburguês e não de uma falcatrua perpetrada apenas pelas empresas. O Governo luxemburguês, liderado pelo actual presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, assinava com as empresas acordos secretos para ganhar um euro por cada dez ou vinte euros que as empresas deixavam de pagar nos seus países, comportando-se como uma espécie de receptador de bens roubados e violando assim a mais elementar lealdade entre Estados-membros da UE.

"Estes acordos secretos com as empresas não eram feitos por uns governantes corruptos, com o fim de meter uns cobres ao bolso, e que agora vão ser atirados para a cadeia. Estes acordos eram legais. Secretos, para não enfurecer os outros Estados-membros, mas legais. Legais à luz da lei luxemburguesa e legais, juram os dirigentes luxemburgueses, à luz das normas europeias. Porquê legais à luz das normas da UE, que (em teoria) proíbe todas as ajudas a empresas que possam enviesar a concorrência? Porque, respondem os luxemburgueses com ar seráfico, “todas as empresas eram tratadas da mesma maneira”. Qualquer empresa que quisesse fugir aos impostos encontrava no Luxemburgo uma mão amiga.

"A legalidade desta pouca-vergonha coloca-nos um problema. O problema é que nos habituámos a definir a lei como o último refúgio da equidade e da justiça e a considerar o primado da lei como uma característica essencial das democracias. Mas o que acontece quando a lei apenas defende os mais fortes? O que acontece quando a lei é não um instrumento para proteger os mais fracos dos abusos dos mais fortes, como devia ser, mas um instrumento para proteger os abusos dos mais fortes e para subjugar os mais fracos? O que acontece quando a lei é iníqua, desumana?

"Vivemos no mundo um ataque aos direitos, à liberdade e à igualdade também no plano legal. Não são apenas as leis (ou os acordos secretos) que permitem que os ricos não paguem impostos. São as leis que reduzem os direitos dos mais fracos, que reduzem os apoios sociais, que criminalizam os protestos, que impedem as greves, que criminalizam os sem-abrigo.


"As leis tornaram-se demasiado complexas, a sua produção quase secreta e a sua alteração quase impossível. É duvidoso que um milésimo da população da UE soubesse em que consistia o Tratado Orçamental antes de ele ser assinado. Vivemos, na UE, numa camisa-de-forças legal, composta por tratados que ninguém discutiu nem aprovou, e que poucas pessoas sabem que consequências terão. Podemos alterá-los? Em teoria, sim. Mas apenas em teoria. E se a lei se estivesse a tornar um instrumento de ditadura?"

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Comissão Europeia : Depois do incompetente Barroso, o "éticamente corrupto" Juncker ? revelado esquema escandaloso que envolve o Luxemburgo, de gigantesca fuga a impostos na União Europeia


O governo do Luxemburgo montou um esquema, ao longo da última década, e que continua em vigor, que permite a grandes empresas multinacionais fugirem ao pagamento de impostos em países europeus.

O esquema foi hoje denunciado numa investigação do ICIJ (The Internacional Consortin of Investigation Journaists) e divulgada pelo  LE MONDE  e pelo THE GUARDIAN , entre outros jornais que fazem parte daquele colectivo (podem clicar sobre os nomes ICIJ, Le Monde e The Guardia para lerem os respectivos dossier, documentos e apoiso audio-visuais sobre o tema).

O actual presidente da Comissão Europeia é o principal responsável político pela montagem desse esquema no Luxemburgo, já que, como Primeiro-ministro daquele país entre 1995 e 2013 assinou os acordos com as empresas envolvidas.

A prática é, ao que parece, legal, sendo também usada na Irlanda, na Holanda, no Reino Unido, em França e na Alemanha, mas é éticamene reprovável, pois, por um lado, apenas beneficia um escasso número de grandes empresas multinacionais, as únicas que têm poder financeiro para desenvolver juridicamente esse esquema e, por outro, desviou dezenas de milhões de euros dos cofes dos estados europeus, numa altura em que se exige aos cidadãos da Europa cada vez mais austeridade, não só através de cortes salarias e cortes nos seus direitos, mas também através de um aumento da carga fiscal.

Quando a "crise" é usada para justificar todos os cortes no chamado Estado Social, é, no mínimo escandaloso a existência de um esquema de fuga a impostos, montado de forma legal, com o conhecimento e colaboração de políticos, com Juncker, com responsabilidades políticas na direcção dos destinos dos cidadãos europeus.

Mais uma prova da forma como o poder político se deixa manobrar pelos grandes interesses económicos e financeiros, com grandes custos sociais e contribuindo para desacreditar o próprio modelo democrático.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

No Dia em que Juncker substitui Barroso, sabe-se do pacto secreto de Merkel para destruir direitos socias: El Pacto de Competitividad europeo: la nueva arma de Merkel para imponer políticas neoliberales


Durão Barroso foi ontem formalmente substituido por Jean-Claude Juncker à frente do Conselho da Europa, após o  nome deste ter sido confirmado pelo Parlamento Europeu.

Pela primeira vez a presidência do Conselho da Europa resulta da escolha dos eleitores nas últimas eleições europeias, o que é, em princípio, um bom sinal para o futuro democrático da União Europeia.

Um outro sinal positivo é a saida daquele que foi o pior e mais incompetente de todos os presidentes da comissão europeia, Durão Barroso, mais preocupado em agradar aos mercados financeiros do que aos interesses dos cidadãos da União e,ainda por cima, o homem de mão da srª Merkel.

Pelo contrário, Jean-Claude Juncker, apesar de alinhar com o neoliberalismo dominante na Europa, fez, apesar de tudo, a diferença, sendo uma das vozes críticas contra as políticas austeritárias impostas por Merkel e Barroso a países como Portugal.

Contudo, a tomada de posse da Juncker fica desde já manchada com a notícia, ontem divulgada, sobre um secreto "Pacto de Competividade", forjado mais uma vez nas costas dos Europeus, pela srª Merkel e com o aval da anterior comissão Europeia (com Barroso e Rhen à cabeça).

Segundo essa notícia e esse documento secreto, ontem denunciado pelo jornal espanhol Publico, Merkel pretende impor a toda a Europa as políticas de austeridade levadas à prática em Portugal e na Grácia, reduzindo salários, acelerando privatizações do sistema público, destruindo direitos sociais, fortalecendo o poder do grande patronato e do sistema financeiro.

A srª Merkel tem como modelo social para a Europa, excluindo dele a Alemanha e os países nórdicos seus aliados desse pesadelo social, o modelo chinês que ela tanto admira, como se confirma pelas suas frequentes visitas àquele paraíso financeiro e económico dos neoliberais, pouco sensibilizados para a falta de direitos humanos e sociais daquela nação...o que interessa são os negócios (tal como cá, em ponto mais pequeno, com  a forma como o nosso sistema financeiro lida com o corrupto governo angolano).

A forma como Juncker irá lidar com esse pacto anti-europeu vai ser a prova de fogo do novo Conselho Europeu. Se o apoiar, frustará mais uma vez um futuro de estabilidade social na Europa e mostrará mais uma vez que os políticos europeus têm um discurso para as eleições e têm outra prática quando chegam ao poder, abrindo caminho para o populismo e o extremismo anti-democrático.

Juncker é a última oportunidade para a Europa voltar ao caminho do progresso social, ambiental e económico que é desejado pela maioria dos cidadãos europeus.

Se não enfrentar as intenções anti-socias e, a prazo, anti- democráticas e anti-europeias, de Merkel e dos seus mercados financeiros, Juncker frustará mais uma vez  o sonho de construção de uma Europa próspera, socialmente equilibrada, com responsabilidades ambientais,  pacífica e democrática.

Se falhar, está aberto o caminho para a destruição do modelo social europeu, para a destruição da democracia tal como a conhecemos e para a tomada de poder da extrema-direita, do que resultará, a prazo, o regresso do clima de guerra e destruição que marcou a Europa na primeira metade do século XX.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O “Sinistro” Schãuble, o “Pateta” Juncker e o “Lambe-botas” Gaspar.



Quem acreditava que agora é que a União Europa encarrilava pelo eixo da igualdade de tratamento dos seus membros e regressava á solidariedade que esteve na base do êxito da sua construção, perdeu ontem todas as ilusões, após as cínicas afirmações do sinistro ministro das finanças alemão, que “desaconselhou” Portugal de recorrer às vantajosas condições recentemente negociadas com a Grécia, afirmando, como um cínico e sinistro aviso para os seus empregados no eurogrupo e em Portugal: “eu não gostaria de ser comparado com a Grécia”.

Os empregados apressaram-se, para agradar ao seu senhor, a desmentir o que tinham dito dias antes.

O mais patético dos desmentidos foi proferido pelo presidente do eurogrupo,  Jean-Claude Juncker. Este, tendo declarado dias atrás, que os países, como Portugal e a Irlanda, iam beneficiar das mesmas regras que tinham sido decididas para a Grécia, no sentido de atenuar os efeitos da austeridade, vem agora desculpar-se, perante o “puxão de orelhas” que lhe deu o ministro alemão, que as suas palavras foram mal interpretadas, e que terá respondido daquela maneira porque foi “surpreendido” por jornalistas portugueses “num canto escuro” e em “condições desconfortáveis”, tendo “percebido mal a pergunta porque nem sequer a ouvi”!!!.

Também o  olheirento Gaspar  se apressou a desmentir o que tinha dito no parlamento português dias antes, na sequência das afirmações de Juncker, tendo então dado sinais que pretendia aproveitar as condições mais favoráveis para Portugal abertas por essas afirmações.
Tal como aquele aluno lambe botas, sempre preocupado em agradar a todo o custo ao professor, Gaspar já veio declarar que também as suas afirmações no Parlamento tinham sido “descontextualizadas de forma pouco cuidada” e tinham sido um mal entendido.

Se os portugueses ainda acreditaram que era desta que o nosso governo ia bater o pé junto das instituições europeias para salvar o país do desastre para onde as medidas de austeridade nos estão a conduzir, terão agora perdido todas as ilusões.

O único objectivo deste governo é executar sem pestanejar as ordens da Alemanha, que vão conduzir-nos inevitavelmente para a situação da Grécia, e, pelo caminho, aproveitar a desgraça para empobrecer o país, desvalorizar o trabalho e destruir direitos socias.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Recondução de Juncker no Eurogrupo, um sinal de esperança ou apenas alguém a fazer o papel de “polícia bom” ?.


Jean-Claude Juncker é um dos poucos burocratas decentes que sobra entre um bando de incompetentes e irresponsáveis que têm vindo a minar a credibilidade do projecto Europeu nos últimos anos.

Talvez porque falava de forma diferente, criticando, embora de forma indirecta, o modelo autoritário e de austeridade imposto por Merkel, Olli Rehn, Barroso, e Draghi aos cidadãos europeus, já se “conspirava” para o afastar do cargo, colocando no seu lugar o sinistro ministro das finanças da Alemanha.

A mudança política em França e a situação da Itália e da Espanha vieram a baralhar a estratégia da senhora Merkel e dos funcionários que para ela trabalham na Comissão Europeia e, esta madrugada, a srª Merkel e a sua estratégia sofreram um novo revês com o prolongamento do mandato de Juncker para dirigir o Eurogrupo.

Espera-se agora que Juncker venha a ser coerente com afirmações recentes e se coloque ao lado daqueles que querem recuperar os princípios de uma Europa dos cidadãos, mais democrática e solidária, capaz de se bater por aquilo que a diferenciava ainda não há muito tempo do resto do mundo, que era o seu modelo que conjugava os direitos humanos com os direitos sociais.

Senão o fizer, até porque tem aliados para o fazer, Juncker vai desbaratar o seu capital de simpatia e arriscar-se-à a ficar para a história como o “polícia bom” que disfarça a maldade dos “polícias maus” que lideram a Europa e que a conduziram para o descalabro.

terça-feira, 7 de junho de 2011

QUANDO A CONSCIÊNCIA PESA; INVENTAM-SE TEORIAS DA CONSPIRAÇÃO: Jean-Claude Juncker afirma que foi ameaçado de morte



A União Europeia está cheia de líderes idiotas como este, com a mania da perseguição...quem não tem a consciência tranquila inventa teorias da conspiração....