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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Acaba de sair o 4º volume de "Álvaro Cunhal - uma biografia política" de José Pacheco Pereira




Acaba se ser editado o 4º volume da Biografia de Álvaro Cunhal da autoria do historiador José Pacheco Pereira.

Tivemos ocasião de ler os três primeiros volumes dessa obra monumental e esperamos em breve iniciar a leitura deste novo volume.

Daquilo que lemos dos volumes  anteriores esta é, não só a mais completa e bem documentada biografia de Álvaro Cunhal, como a obra mais completa sobre a história da oposição ao Estado Novo, já que o autor não se limita à figura de Cunhal, mas analisa, com base em muita documentação inédita e até então desconhecida, tudo o que gravitava à volta de ´Álvaro Cunhal
E o que gravitava à volta de Álvaro Cunhal não era apenas o PCP e a Internacional Comunista, mas práticamente toda a oposição que com ele de perto privou.

Tive a oportunidade de confrontar o rigor da obra de Pacheco Pereira com a prova viva de um velho, e entretanto já falecido, militante do PCP que viveu  a história desse partido, na prisão e na clandestinidade e me comprovou a veracidade de tudo o que está escrito nesta monumental obra.

Só foi de lamentar, até agora, que o próprio PCP nunca tenha facultado o acesso de Pacheco Pereira ao seu arquivo ou que Álvaro Cunhal sempre se tivesse recusado a ser entrevistado pelo historiador. 

Mas as grandes qualidades de Pacheco Pereira como investigador conseguiram ultrapassar e contornar essa lacuna, ao ponto de o próprio Álvaro Cunhal em vida e os responsáveis do PCP nunca desmentirem ou encontrarem motivo para desacreditar a obra histórica que agora conhece a edição do seu 4º volume.

Para além de ser impossível fazer a história do século XX português ( e até europeu) sem consultar esta obra, ela própria inclui um vasto manancial de documentação e de orientação bibliográfica imprescindível para  qualquer investigação séria sobre a época.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

No dia do aniversário de Álvaro Cunhal, recordamos um espisódio curioso: A primeira entrevista de Álvaro Cunhal ao Expresso

(uma rara fotografia de Álvaro Cunhal na tropa, por volta de 1939 - Fonte: blogue Estudos Sobre o Comunismo, de Pacheco Pereira).

Goste-se ou não da sua ideologia ou da sua personalidade, Álvaro Cunhal é uma figura incontornável da história portuguesa.
Quando hoje passa mais um aniversário sobre o seu nascimento, aqui recordamos uma história pouco conhecida, a da sua primeira entrevista ao Expresso, que acabou, obviamente, cortada pela censura.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Breve encontro com Álvaro Cunhal

Tendo passado ontem o 5º aniversário da morte de Álvaro Cunhal, e comemorando-se em Agosto o 25º aniversário do seu texto “O Partido com Paredes de Vidro”, hoje disponibilizado em edição digital, não quero deixar de evocar aqui essa figura da história contemporânea portuguesa.

Pessoalmente tive a oportunidade de, por duas curtas e raras ocasiões, ter privado de perto com Álvaro Cunhal.

Numa ocasião fui contactado pelo núcleo local do PCP para orientar e realizar uma visita pelo núcleo histórico de Torres Vedras para um convidado muito especial. Esse convidado era o próprio Álvaro Cunhal, presente em Torres Vedras para uma reunião com a secção local daquele partido.

Não sendo militante, mas mantendo uma relação cordial com militantes locais do PCP, aceitei o desafio e, numa data que agora não me recordo, ao longo de cerca de duas horas, “passeei” Álvaro Cunhal pela zona antiga de Torres Vedras.

Ao longo da visita mostrou-se reservado e distante, mais por timidez e humildade do que por qualquer espécie de atitude de superioridade e arrogância.

Cunhal revelou-se sempre atento às minhas indicações, questionando-me com humildade sempre que algo lhe merecia mais atenção.

Voltaria a cruzar-me com Álvaro Cunhal, quando ele se deslocou a esta cidade para participar num conjunto de colóquios que contaram também com a presença de Mário Soares e Marcelo Rebelo de Sousa.

Tendo-lhe pedido um autógrafo na folha de um dos seus romances, este acedeu, aparentemente com algumas reservas. Fez um rabisco no livro difícil de decifrarpor quem não saiba a sua origem, e manteve a mesma atitude tímida e humilde, que se podia confundir com uma certa distância e frieza.

Tal como Soares, Marcelo Rebelo de Sousa ou Freitas do Amaral, Álvaro Cunhal foi um dos últimos exemplos de uma geração de políticos cultos, coerentes com as suas convicções e capazes de inovar perante as adversidades e de se afirmarem como exemplo de atitudes políticas, o tal tipo de políticos de que Portugal, a Europa, e o Mundo em geral, precisam cada vez mais, sejam quais foram as suas convicções políticas.

domingo, 3 de janeiro de 2010

No 50 Aniversário da Fuga de Peniche


(reprodução da primeira página da edição clandestina do Avante de Janeiro de 1960, anunciando a fuga de Álvaro Cunhal e outros dirigentes comunistas do forte de Peniche)


Segundo a edição de hoje do Diário de Notícias, referindo-se ao cinquentenário da fuga de vários comunistas da prisão de Peniche, no dia 3 de Janeiro de 1960, os "comunistas que não conseguiram escapar da prisão foram os primeiros a sofrer as represálias e interrogatórios".

Refere ainda o mesmo texto da edição on-line desse diário que a "evasão de Álvaro Cunhal, Joaquim Gomes, Carlos Costa, Jaime Serra, Francisco Miguel, José Carlos, Guilherme Carvalho, Pedro Soares, Rogério de Carvalho e Francisco Rodrigues foi um drama para Salazar, sofrido quase em silêncio nos primeiros dias. A fuga não foi noticiada e só se tornou do conhecimento nacional com o passar de muitas semanas. A excepção na imprensa nacional foi o órgão oficial do PCP, o Avante!, que na edição de 16 de Janeiro titula bem grande: "O nosso povo saúda a libertação de Álvaro Cunhal e dos seus companheiros". Reflexo da reacção imediata da PIDE, o subtítulo de o Avante! é claro: "Defendamo-los das investidas do inimigo!". E não era para menos pois o que estava escrito no artigo partidário era muito próximo da realidade: "Salazar mobilizou todo o seu aparelho repressivo (...) para tentar recapturar os fugitivos. "


(Plano de Fuga)

"A seguir à fuga do Forte de Peniche, o efectivo policial esquadrinhou o País em busca dos dez militantes do PCP. A PIDE liderava a rusga nacional e todas as forças de cariz policial participavam em detenções e interrogatórios, revistas de casas suspeitas e uma repressão como nunca acontecera, de modo a conseguir recapturar os evadidos. Os primeiros a sofrer foram os comunistas que ficaram em Peniche, a família do GNR conivente foi interrogada mas as pistas foram insuficientes para descobrir o paradeiro dos dez.

"A planificação meticulosa da evasão permitiu que os fugitivos fugissem rapidamente do local. Álvaro Cunhal passou essa noite na casa de Pires Jorge, em São João de Estoril, onde permaneceria por algum tempo. Após várias mudanças de residência, conhece, numa das casas do partido que o escondem, Isaura Moreira, com quem terá uma filha, Ana, no dia de Natal desse ano. Permanece clandestino por dois anos, trocando de casa frequentemente - Sintra, Ericeira, Amadora, Coimbra e Porto -, em 1961 é eleito secretário- -geral e no ano seguinte exila-se em Moscovo e depois em Paris. Regressará a Portugal no dia 30 de Abril de 1974".

A fuga, que teve lugar nesse dia, foi um golpe violento desferido contra o regime do Estado Novo, atingindo principalmente o orgulho da PIDE.

Concorde-se ou não com a ideologia comunista, é bom recordar que em Portugal, aqueles que mais sofreram na luta em defesa da liberdade foram os comunistas. Sofreram tanto ou mais que aqueles que, nos países ditos comunistas, lutavam também pela liberdade, embora em nome de ideologias diferentes..