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terça-feira, 10 de outubro de 2017

Portugal a arder : - investigue-se!


A época de incêndios em Portugal iniciou-se este ano muito mais cedo do que o habitual, e de forma trágica, e está a prolongar-se muito para além do habitual, como se viu pela situação desta semana.

Se existe uma causa genérica para essa situação, atribuída às alterações climatéricas e a um ano de seca prolongada, estas foram potenciadas por erros cometidos, ao longo de décadas, na gestão da floresta portuguesa.

Não é preciso ser especialista para enumerar algumas delas:

- a grande alteração desse tecido florestal, com a introdução em larga escala de uma espécie como o eucalipto, que se tornou dominante, muitas vezes plantado em locais inadequados. Desde que me lembro, e desde que existem movimentos ambientalistas em Portugal que somos alertando para os perigos da plantação excessiva do eucalipto, pela facilidade como o fogo se propaga nas zonas onde existe essa espécie, pela própria violência dos fogos nesse cenário, assim como pela destruição em massa de outras espécies, vampirizadas pelo eucalipto, para além de secarem os terrenos onde são plantados;

- a falta de meios adequados à nova realidade florestal, associada à desertificação humana das zonas do interior, ao abandono dos que ficam nessas zonas à sua sorte e à redução de forças de prevenção e vigilância, é outra das situações que potencia a dimensão desses fogos;

- a falta de civismo, ainda muito enraizada na população, como o simples facto de atirar beatas pelas janelas dos automóveis, fazer queimadas fora da lei, lançar foguetes em locais desapropriados, transformar as florestas em lixeiras ou a falta de tratamento das matas também contribuem para uma situação cada vez mais trágica;

- a mão criminosa de muitos, num contexto legal permissivo e pouco rigoroso, muitas vezes com motivações obscuras que ficam por investigar, é outro motivo para a rápida propagação de muitos incêndios.

Mas existe um outro motivo, raramente abordado, que são os interesses que, implícita ou explicitamente, beneficiam com esta situação.

Um deles prende-se com o incentivo que as grandes empresas de celulose têm vindo a dar à plantação de eucaliptos. A responsabilidade dessas empresas e dos seus accionistas em relação à grave situação da floresta portuguesa raramente é investigada, até porque essas empresas envolvem interesse poderosos (bancos, jornais, políticos…).

Não me posso esquecer de uma situação que observei em Agosto passado: aí, uns dias antes de 10 de Agosto, e depois do governo, na sequência da tragédia de Pedrogão Grande, ter avançado com um projecto de lei para limitar a plantação do eucalipto e apressar a aprovação de um projecto de ordenamento florestal, uma determinada empresa, cotada em bolsa, uma das maiores celuloses existente em Portugal, ameaçava sair de Portugal se esse projecto avançasse.

Dias depois desta notícia iniciou-se o período de grandes fogos que durou semanas, interrompido por pouco tempo em Setembro e que regressou em força nestes primeiros dias de Outubro.

O que me chamou a atenção é que, poucos dias depois do inicio desses incêndios, as acções em bolsa dessa empresa, e de outras do sector, ter conhecido uma subida acentuada, mostrando assim a relação directa entre os incêndios e o lucro dessas empresas, à custa do facto de possuírem em armazém uma matéria prima que se torna rara, ao mesmo tempo que conseguem reduzir o preço pelo qual compram madeira queimada aos particulares vitimas dos incêndios ( baixa de preço que também foi noticiada na comunicação social de Setembro).

Pode ser coincidência ou mero oportunismo económico, mas qualquer investigação sobre a tragédia deste ano devia ter em conta a investigação sobre esses empresas.

Aguardamos, pois, com expectativa, essa investigação.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

OS HERÓIS DE AGOSTO



(FOTO: LUSA)

Ao retomarmos a actividade deste blog, não podíamos deixar de iniciar este novo ciclo com uma referência àqueles que foram os heróis de Agosto, os Bombeiros Portugueses.


Eles foram o exemplo de abnegação, solidariedade e coragem de que este país, devastado pelas chamas e pela política, anda a precisar.


Cinco Bombeiros portugueses pagaram com a vida e muitos outros sofreram ferimentos graves pelo seu esforço para salvarem pessoas e bens e pagaram caro o desleixo de muitos, a mente doentia e criminosa de alguns e a falta de visão de outros tantos em relação à desertificação do país e à (falta de) tratamento adequado da floresta portuguesa.


De realçar o papel do actual ministro da administração interna, incansável em acompanhar os bombeiros nestes dias terríveis, contrastando com o oportunismo político do primeiro-ministro e o silêncio ruidoso do presidente da República.


Quando os fogos terminarem é importante que se faça um balanço da tragédia que se abateu sobre Portugal e se tomem as medidas corajosas que são necessárias para recuperar e cuidar do que resta do nosso sector florestal.


Até lá, manifestemos toda a nossa solidariedade para com os nosso valorosos bombeiros.

segunda-feira, 21 de março de 2011

DIA MUNDIAL DA FLORESTA E DA ÁRVORE: Contibua para reflorestar Portugal.

DIA DA ÁRVORE:... (3).(clicar sobe a frase)
A clicar em cima, está a contribuir para a reflorestação de uma das zonas mais fustigadas pelos incêndios de Verão. Uma louvável iniciativa do Jornal de Notícias

sábado, 21 de março de 2009

No Dia Mundial da Poesia e da Floresta, a Árrvore na Floresta da Poesia...

Hoje é o Dia Mundial da Poesia e o Dia Mundial da Floresta (e, também, o Dia Mundial do Sono),por isso resolvemos assinalar essa dupla comemoração com a divulgação de um poema, da autoria do poeta holandês M. Vasalis, retirado da obra Rosa do Mundo – 2001 poemas para o futuro, editada pela Assírio e Alvim em 2001.
Foi essa monumental edição dirigida pelo meu amigo Manuel Hermínio Monteiro, que nos deixou há tempo demais.
Serve também a publicação deste poema para evocar, com saudade, a memória do Hermínio, transmontano de gema, um apaixonado pela natureza e pela poesia.

A UMA ÁRVORE NO VONDELPARK

Uma árvore de longas tranças verdes foi derribada.
Suspirou como uma criança, numa murmuração,
enquanto caía, cheia ainda de ventos do verão.
Eu vi a carreta em que era puxada.

Oh, como Heitor no carro da vitória, um jovem moço,
cabelos arrastando e um perfume de juventude
que de belas feridas lhe escorria,
a jovem cabeça ainda sadia,
o tronco indomado ainda, garboso.

M. Vasalis (1909 – 1998) (Holanda)

(Trad. Fernando Venâncio
In Rosa do Mundo – 2001 poemas para o futuro, ed. Assírio e Alvim, 3ª ed., Lisboa 2008, direcção editorial de Manuel Hermínio Monteiro, Pág. 1495)

No Dia Mundial da Floresta: Richmond Park - Londres



No Dia Mundial da Floresta: Richmond Park - Londres