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terça-feira, 26 de abril de 2016

30 Anos Depois - Recordar Chernobyl (um texto de António Eloy)

(Madrid recorda hoje a tragédia de Chernobyl)

“Foi há 30 anos de Chernobyl

Por António Eloy

 “30 anos após a explosão, a explosão de um reactor, a catástrofe continua.

"Mais de 8 milhões de pessoas (a populacão de Portugal continental) vivem em territórios contaminados da Rússia, Ucrânia e Bielorússia, obrigadas a consumir quotidianamente produtos altamente contaminados.

"Entre essas numerosas crianças sofrem de cancros e leucemias, malformações e patologias cardio-vasculares.

“Os atentados ao património genético são hereditários e as autoridades minimizam descaradamente o número de vítimas, que segundo investigação dos profs Nesterenko e Yablokov, publicados em 2010 pela Academia das Ciências de Nova York já teriam atingido 985 000 (quase um milhão!) de falecimentos prematuros de 1986 a 2004. E o florescimento da natureza, flora e fauna é um mito dados os elevados níveis de contaminação e mutações que está a ocorrer.“

“Recordo como se fosse hoje.

“Estava dia 27 de Abril em Amsterdão, fazia então parte da direcção internacional do movimento ecologista #Friends Of the Earth#, quando nos chegou a notícia do acidente nuclear de Chernobyl que a ditadura soviética tinha procurado escamotear.

 “As radiações já atravessavam a Europa, milhares de pessoas começavam a ser evacuadas, muitas centenas, hoje muitos milhares já estavam, continuam hoje a caminho da morte.

“Em Lisboa tinha começado há alguns dias no mestrado de Economia de Energia um módulo com um técnico do Laboratório Nuclear do então INETI, com o qual tinha tido discussões ágrias, que tinham terminado com um definitivo “- não é possível um reactor nuclear explodir.” Da parte dele.

“Imagine-se a cara o sujeito quando voltei no dia seguinte e a notícia já era tema de todas as notícias.

“Pode, um reactor nuclear pode explodir. Claro que no quadro de uma imprevisível conjugação de circunstâncias todas elas negativas. Mas pode. É possível!

“Neste aniversário pouco mais há para dizer. A nuclear continua a tenta vender-se, continua a comprar mentes e encher bolsos, apesar de ser uma indústria a bordejar a falência, total. Mas será uma falência de muitos, muitos milhões e até lá continua a estrebuchar.

“A nuclear não é económica, não é ambientalmente limpa, seja no início do ciclo, a mineração de urânio, que como sabemos no nosso país ainda tem um legado de destruição ambiental, sofrimento e mortes na família mineira e nas populações das zonas circundantes, seja na produção,e recordemos Almaraz, aqui ao lado, com os problemas contínuos do seu funcionamento, os incidentes e acidentes inúmeros e agora, com o passar do tempo a insegurança crescente, a que o nosso ministro do Ambiente continua a fazer orelhas moucas,
mas não esqueçamos lutas árduas contra a nuclear em Portugal, Ferrel e todas as tentativas de nos colocar nucleares de Trás-os-Montes ao Alentejo, que tiveram oposição determinada, as lutas contra os despejos nucleares no Atlântico ou o cemitério nuclear de alta-actividade radioactiva de Aldeavila.

“Não podemos esquecer também o urânio enriquecido e os mortos, também portugueses no teatro de operações onde esse foi utilizado.

“Em todos esses casos, em todas essas lutas estivemos presentes.

“Hoje aqui deixo este testemunho. Para que não se repita (mas e Fukushima?), para que não se repita mais.

“Para que Chernobyl não se chame Almaraz, algum dia. Encerremos Almaraz e nem uma palavra mais!”

António Eloy, membro do Movimento Ibérico Antinuclear

3o Anos Depois - uma BD recorda "Chernobyl - A zona" de Natacha Bustos e Francisco Sanchéz

BêDêZine: "Chernobyl - A zona" de Natacha Bustos e Francisco...: 3o anos depois dos trágicos acontecimento de Chernobyl, é lançada em Portugal uma Banda Desenhada que ficciona a história de uma família atingida pela tragédia.

terça-feira, 15 de março de 2016

FOI HÁ 40 ANOS . Quando a população de uma pequena aldeia do Oeste, Ferrel, impediu o maior desastre ecológico em Portugal

Foi no dia 15 de Março de 1976 que a população de Ferrel, uma pequena aldeia do concelho de Peniche,veio para a rua manifestar-se para impedir aquele que teria sido o maior desastre ecológico para a região e para o país, a construção de uma Central Nuclear.

O jornal Público,num artigo de Carlos Cipriano recorda AQUI essa luta e as suas consequências.

Acidentes posteriores, como o de Chernobil dez anos depois ou, mais recentemente, o de Fukushima, no Japão, há cinco anos atrás, demostraram a justeza daquela luta.

Infelizmente Portugal está rodeado por centrais nucleares espanholas,uma delas, a de Almaraz, junto ao Tejo, está a entrar numa situação, no mínimo, preocupante, já tendo esgotado o seu tempo útil de vida e sendo motivo crescente de preocupação, como recordava  recentemente um dos pioneiros da luta ecológica em Portugal, António Eloy ("Nuclear, evocação e futuro").

Hoje muitos sentem na pele que os ecologistas,que durante muito tempo, e, infelizmente ainda hoje, foram encarados por certos políticos e comentadores como uns" chatos lunáticos", têm cada vez mais razão e a sua luta é cada vez mais urgente para a salvação do planeta e da humanidade .

Bem haja o povo do Ferral que nos livrou do "mal".

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Faleceu José Delgado Domingues, o "ecologista científico".

(foto do Diário Económico)

Faleceu no passado Sábado José Delgado Domingues,

Para muita gente ele talvez seja um desconhecido, mas para os muitos que se bateram contra  a introdução do "Nuclear" em Portugal, principalmente os habitantes do Ferrel e do Oeste, ele é uma figura de referência.

Foi o seu trabalho e os seus estudos que deram autoridade científica àqueles que contestavam a instalação na costa Oeste da primeira central nuclear em Portugal, e, sempre que o assunto voltava à baila, lá estava Delgado Domingues, um dos mais prestigiado professores do IST, a demonstrar as falácias que os defensores dessa perigosa energia tentavam vender aos nossos políticos.

E tudo isto muito antes de Chernobil  ou Fukushima.

A luta contra o nuclear em Portugal acabou assim por ser uma das poucas lutas populares a conhecer um desfecho favorável à população. contra certos interesses instalados.

Na net podem ser consultados vários textos e estudos de Delagos Domingues, não só sobre o nuclear, mas tambés sobre outros assuntos da chamada engenharia ambiental, àrea onde ele foi igualmente pioneiro em Portugal:

terça-feira, 26 de abril de 2011

No 25º aniversário da tragédia de Chernóbil : o debate - energia nuclear, sim ou não?



O El Mundo recorda hoje a tragédia de Chernobil com um dossier onde compara as vantagens e desvantagens do nuclear.
Quanto a mim, as dúvidas que se levantaram em Portugal há umas décadas, quando se tentou construir no país esse tipo de centrais, continuam na mesma, não se tendo evoluido nas questões de segurança e ambientais, como se viu agora no Japão.
Quem anda muito silencioso é o lobbie nacional do nuclear, que tinha começado a levantar a cabeça em 2009, quando da crise petrolífera, e quando se preparava para voltar à carga neste malfadado ano de 2011.

terça-feira, 15 de março de 2011

O Cartoon da Semana - ...a tragédia também pode ter mão humana...


(clicar na imagem para ler as legendas)

(Autor: ElPepuvin, El País, 14 de Março 2011)

quinta-feira, 1 de abril de 2010

O regresso do nuclear?

O diário “i” noticiou na sua edição de 31 de Março mais um manifesto da “sociedade civil”, assinado por 33 personalidades, a maioria das quais antigos ministros do centrão, maioritariamente da área do PSD, contestando a aposta de José Sócrates nas energias renováveis.

Nas entrelinhas esse manifesto pretende “reabrir” o debate sobre o nuclear, tendo entre os subscritores muitos dos defensores de sempre desse tipo de energia.

Ultimamente, de tempos a tempos, grupos de “notáveis”, individualmente ou em grupo, retomam o tema do nuclear, coma desculpa da poupança energética que essa opção, segundo eles, permitirá.

Uma das falácias dessa gente é a de que não tem existido debate sobre essa opção ou que existirá uma espécie de “complot” que silencia os defensores do nuclear.

Contudo, nenhuma das situações que travaram essa opção energética para Portugal foram alteradas nestes últimos vinte ou trinta anos, a saber, os seus custos (de construção e manutenção), o perigo que representa para as populações vizinhas de uma central nuclear e, principalmente, a produção de resíduos tóxicos radioactivos, sem solução razoável para o seu armazenamento em segurança.

Por isso também não existe nada de novo no debate sobre o nuclear.

Claro que, se um dia se vier a descobrir uma forma “limpa” de produzir esse tipo de energia, então será possível retomar o debate sobre o seu uso.

Sabe-se que Bill Gates está a financiar uma importante investigação para se conseguir a produção de energia nuclear limpa e sem produção de resíduos, estudando-se mesmo a hipótese desses resíduos serem reciclados para produzir mais energia.

Também o êxito recente da histórica experiência do CERN pode dar, a prazo, novas esperanças na utilização limpa desse tipo de energia.

Mas não é nada disto que os defensores cá da terra do nuclear preconizam. O que eles defendem é a instalação das velhas centrais nucleares, obedecendo a obscuros interesses que estão por detrás de tão “desinteressadas” opiniões.

Provavelmente já existe muita gente esfregando as mãos de contentamento pelo êxito dos defensores do nuclear junto da nossa ignorante e temerosa classe política, prontos a vender a obsoleta tecnologia que têm em stock, um pouco à maneira da história dos submarinos…

Ao que parece, contudo, a defesa pura e dura daquela opção energética ainda não conseguiu convencer um número suficiente de decisores económicos e políticos.

Sendo assim mudaram de estratégia.

E a estratégia é desacreditar a opção pelas energias renováveis, sem defenderem directamente a alternativa nuclear, para depois, e se conseguirem convencer uma nova classe política, principalmente ligada a Passos Coelho, que quer parecer original e “inovadora” e usar a contestação a tudo o que “cheire” a José Sócrates, apresentarem como única opção alternativa às “desacreditadas” energias limpas a sua tão “querida” energia nuclear.

Será que Passos Coelho, na ânsia de obter apoios políticos para a sua caminhada em direcção ao poder , vai deixar-se cair no engodo?

A ver vamos, em cenas dos próximos capítulos.