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terça-feira, 14 de março de 2017

João Abel Manta, o cartoonista do 25 de Abril com exposição em Torres Vedras

BêDêZine: João Abel Manta, o cartoonista do 25 de Abril: João Abel Manta, nascido em 1928, filho de pintores e formado em aquitectura, homem da oposição a Salazar, destacou-se como um dos mais importantes cartoonistas portuguese da segunda metade do século XX. Os seus trabalhos vão estar em Torres Vedras a partir do próximo dia 18 de Março... (clicar para ler mais).

Exposição de Cartoon´s de João Abel Manta em Torres Vedras

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

…tenham lá calma!…O PREC está morto e enterrado.


Sinceramente, pensava que o PREC estava morto e enterrado , que era coisa da  história e do passado, feito de mil historias para contar a filhos e netos.

Aliás, a história que por aí se conta do PREC é apenas uma parte da história, contada pelos “vencedores” e por muitos que querem fazer esquecer o seu passado nesse período, pois estiveram , então, na liderança , à direita ou na extrema-esquerda, do que de pior então se fez (seria curioso ver onde estão hoje os que atearam fogo à embaixada de Espanha, cercaram a assembleia da república, tomaram de assalto a Rádio Renascença e o “República”, os “ferro-em-brasa” da UEC, da JCP, da AOC ou do MRPP,  aqueles outros que andaram a por bombas nas sedes dos partidos da esquerda, assassinaram o Padre Max e outros militantes de esquerda, ou andaram a boicotar os comícios do PCP acusando-o de “social-fascista”, “burguês”, “traidor à revolução”, “revisionista” e “ colaboracionista” com os “partidos burgueses” – PS e PSD , acusando-o, enfim,  de ser muito “moderado”!!!!!) .

Nem o PREC foi aquela história  para assustar criancinhas que por aí se conta. Foi um processo previsível num país que saia de quase cinquenta anos de ditadura e treze de guerra colonial, num período de crise económica internacional, bem pior que a actual, e no meio de uma das fases mais acesas da “guerra-fria”.

No meio de tudo isso até se pode dizer que correu  tudo muito bem, quase sem mortos, sem cair numa ditadura, sem guerra civil. Talvez porque quem tutelava a revolução era um grupo de jovens militares onde a amizade contava mais que as divergências politico-ideológicas, secundados por líderes político (Álvaro Cunhal, Mário Soares, Sá Carneiro, Freitas do Amaral…) com uma envergadura que foi irrepetível na geração seguinte (a actual).

No fundo, o PREC aconteceu porque ,citando Sophia de Mello Breyner Andresen, vivia-se “a madrugada” esperada, o “dia inicial inteiro e limpo” que  emergiu “da noite e do silêncio”, onde  “livres habitamos a substância do tempo”, e todos  procurávamos um rumo para esse país novo, entre a segurança dos dogmas na moda e a aventura de criar tudo de novo.

No fundo, quem viveu o PREC teve o privilégio de ter vivido , num mesmo tempo, todos os tempos do século XX, a Revolução Russa, as Festas da Libertação do nazi-fascismo, o Maio de 68, e, por antecipação, a queda de todos os Muros.

Claro que o PREC foi vivido e percepcionado de forma diferente conforme se pertencesse:

-  a   uma juventude mais ou menos esclarecida,  que tinha tudo pela frente , libertando-se da perspectiva de ter de ir para a guerra ou de emigrar para fugir ao destino que o regime deposto lhe tinha traçado;

-  aos  “velhos” oposicionistas, que trouxeram para o PREC a suas velhas rivalidade da clandestinidade;

- aos acólitos do Estado Novo, que beneficiaram, participaram ou colaboraram na ditadura deposta e perderam os seus privilégios de classe e políticos;

-  aos envolvidos directamente nas decisões políticas da época, que viveram no "centro do furacão";

- aos muitos espoliados da descolonização tardia e apressada, inevitável nas circunstancias políticas, nacionais e internacionais, da época ;

-  à “maioria silenciosa” da população iletrada, pobre , rural e católica, habituada a obedecer e calar, receosa das mudanças, “educada” no servilismo salazarista.

Cada um desses “grupos” tem uma imagem diferente do PREC, que não foi um processo linear, coerente, estruturado, calculado, programado por qualquer mente malévola, como muitos pretendem fazer crer.

Mas o PREC foi irrepetível e quem pretende fazer comparações destes nossos tempos com esses tempos só o pode fazer por uma das seguintes razões ou por todas elas: por desonestidade intelectual, por ignorância, por má-fé, por intolerância , por fanatismo ideológico ou para espalhar o medo.

Aliás, se alguma coisa houve de tão radical como naqueles tempos, mas de sinal contrário, foram os último dez anos de governação “socrática” e “passoscoelhista”, destruindo a já de si periclitante classe média, retirando direitos sociais fundamentais aos trabalhadores, rompendo compromissos com os cidadãos, desrespeitando a Constituição, submetendo o social ao financeiro, impondo a propaganda de um novo “totalitarismo” do “caminho único”, “sem alternativa”, destruindo a capacidade de criar, imaginar e melhorar o mundo que nos rodeia.

Se houve radicalismo nos últimos tempos foi o da propaganda neo-liberal e o da direita que se radicalizou, destruindo o centro político.

Curiosamente, como agora se revelou, os mitos e os fantasmas do PREC não foram desenterrados pela esquerda, que, como se vê, já tem essa história resolvida, mas pela direita que, como se vê, continua presa a mitos do passado, talvez porque muitos dos seu actuais ideólogos e propagandistas no comentário político-económico e nas “redes socias”  tenham participado no lado negro desse PREC e estejam agora preocupados em limpar a imagem negativa que se lhes colou, pelos menos por parte dos muitos que ainda conhecem  e não esquecem o seu percurso…

Por isso, mais do que desenterrar os velhos “fantasmas” do PREC, a actual situação política pode contribuir para enterrar em definitivo esses fantasmas.

O que vem aí é uma incógnita, mas o PREC está morto e enterrado.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Quando o actual momento político traz ao de cima o que há de pior no comentário jornalístico

Costuma-se dizer que “é na curva das estradas que que vê quem é bom condutor”.

O actual momento político tem trazido ao de cima o que há de pior (e, menos, de melhor) na política nacional e, principalmente, no comentário jornalístico.

A histeria da direita e dos seus comentadores de serviço (os pequenos “gobelzinhos”, como aqui lhes costumamos chamar) tem ultrapassado as raias do bom senso e do bom gosto e tem trazido ao de cima muita da retórica anticomunista que pensávamos morta e enterrada.

À histeria dessa gente junta-se o uso e o abuso das meias-verdades, da má fé, da simples intolerância, da pura mentira, da “mera” distorção da realidade, dos velhos ódios de estimação pessoais e, quase sempre, da pura ignorância .

aqui assumi muitas críticas ao PCP , mas isso não me tem impedido de dar o meu voto ou o meu apoio conjuntural a esse partido, em parte porque, objectivamente, nalguns momentos da nossa história política, foi o único partido que defendeu, com firmeza e coerentemente,  aqueles que vivem do seu trabalho e os mais fracos da sociedade portuguesa , batendo-se com firmeza pela justiça social neste país, combatendo e denunciando o aumento da pobreza e da das desigualdades provocadas pelo “austeritarismo” imposto pelas instituições antidemocráticas da União Europeia.

No fundo tem sido dos pouco partidos, na companhia do Bloco de Esquerda ou do Livre, a manter viva a verdadeira chama da social-democracia.

Sim, da social-democracia...

A social-democracia, convém recordar, defende a justiça social, combate as desigualdades, defende quem trabalha contra os interesse do corrupto sistema financeiro, tudo lutas que, parecendo ultrapassadas nos finais do século XX, voltam a ser necessárias neste miserável início do século XXI.

Hoje, esses princípios, em vez de serem defendidos pelos partidos que se dizem herdeiros dessa social-democracia, que foi responsável pelos anos de prosperidade, paz e desenvolvimento que a Europa conheceu na segunda metade do século XX, e pela construção dos alicerces do estado social que hoje está a ser desmantelado pelas antidemocráticas instituições europeias, são renegados por esses partidos, renegando toda a sua história e participando convicta e alegremente na destruição dessa Europa, entregando o seu destino aos corruptos interesses financeiros.

Além disso, ao contrário da história da maior parte dos partidos comunistas da Europa, que sujaram as mãos na construção de violentas ditaduras no leste, renegando igualmente as suas raízes e os seus objectivos, dando origem a corruptos sistema políticos, de que são exemplo, nos nossos dias, Angola ou a China, para não falar na tenebrosa caricatura da Coreia do Norte, o Partido Comunista Português cresceu na luta contra uma ditadura e na consolidação de uma democracia, revelando-se um força política credível a nível autárquico.

Claro que, como em todo os lados, existem erros, injustiças, retóricas ridículas (a célebre “cassete”), gente execrável, e, pessoalmente, podia nomear muitas divergências em relação ao programa político desse partido.

Mas a forma primária como alguns comentadores têm vindo a encher páginas de jornais, com destaque para os “talibãs” do neoliberalismo do Observador, ou o espaço televisivo, com retóricas de puro fanatismo anticomunista primário, já começa a cansar e não augura nada de bom nem positivo para o futuro do combate ao “austeritarismo”, para além de trazer ao de cima a verdadeira natureza da maior parte da nossa comunicação social e da nível onde navega a nossa “liberdade de imprensa”…

O irrascível e pré-histórico José Milhazes foi um dos que foi mais longe no primarismo da retórica anticomunista no jornal online Observador.

O jornalista Paulo Pena submeteu essa retórica à “Prova dos Factos” e o resultado é, para além de uma grande lição de jornalismo e de interpretação de texto, o interessante “estudo”, ontem editado pelo Público, e que reproduzimos em baixo:

“PROVA DOS FACTOS

Por PAULO PENA, in  “Público” de  12/10/2015

“O PCP nunca se demarcou do estalinismo e do leninismo?

“O jornalista José Milhazes afirmou que o PCP continua a ver Estaline e Lenine como “timoneiros do povo”. Terá razão?

“A FRASE

“O Partido Comunista Português, ao que eu saiba, nunca se demarcou dos hediondos crimes cometidos por Lenine e Estaline, continua a ver nestes dois carrascos “timoneiros do povo”, sempre foi fiel e servo do Partido Comunista da União Soviética até ao fim deste.”

“O CONTEXTO

“Esta frase foi publicada num artigo de opinião do jornalista José Milhazes no jornal online Observador. O título: “Não quero participar a segunda vez no mesmo filme” sobre a possibilidade de um acordo entre PS, PCP e BE para viabilizar um possível Governo em Portugal. Como se trata de uma opinião, procuramos analisar a veracidade de um dos pontos da argumentação, tendo em conta uma latitude de interpretações que não se esgota num mero “sim” ou “não”. Uma demarcação política, como aquela que Milhazes sugere faltar ao PCP, é sempre relativa. Depende de quem avalia a demarcação. Para uns, uma demarcação será sempre insuficiente, para outros, uma mera distanciação já será uma demarcação bastante. Tentemos olhar para esta questão com distância: Haverá sempre quem considere que alguém não se demarcou suficientemente de um facto embaraçoso. A nossa vida política tem disto inúmeros exemplos.

“Mas para responder à pergunta desta Prova dos Factos existem várias fontes disponíveis. O PÚBLICO contactou para isso vários historiadores portugueses, especialistas em História do PCP. Estas são as principais conclusões. A primeira crítica do PCP a Estaline surgiu no V Congresso do partido, na clandestinidade, em 1957, na sequência da “desestalinização” promovida por Nikita Krushov. O PCP, na altura, vivia um “desvio de direita”, que Cunhal viria a “corrigir”, depois da sua fuga de Peniche, em 1961. Mas isso são outras histórias… É o próprio Cunhal que, no seu livro Partido com Paredes de Vidro retoma a crítica: “O V Congresso, realizado em 1957, estimulado também pelo desvendar do culto da personalidade de Stáline e de todas as suas negativas consequências, instituiu normas de democracia interna e inseriu-as nos Estatutos do Partido então aprovados." (p.88). Pode-se alegar que a crítica a Estaline é mitigada. Cunhal, mais uma vez, em 1990, já depois da queda do Muro de Berlim, deu uma entrevista mais clara. Os entrevistadores, do Independente, eram Miguel Esteves Cardoso e Paulo Portas. Sobre Estaline, Cunhal disse o seguinte: “Eu não vou aqui propor ou sugerir a leitura, mas eu escrevi muitas páginas sobre a caracterização do estalinismo. O estalinismo é isto, e isto, e isto. E uma coisa que não queremos e que repudiamos. O estalinismo como ideologia, como acção política, como organização do Estado, como organização do partido, como intervenção antidemocrática interna ou externa do partido. Naturalmente que rejeitamos. Aliás, há um país muito acusado de métodos estalinistas, a Roménia. Já nós, os comunistas portugueses, tínhamos grande dificuldade de contactos com o Partido Comunista Romeno.”

“Outra questão, completamente diferente, é a da relação do PCP com Lenine. Neste caso, o partido não só se continua a afirmar como “marxista-leninista”, como não concordará com a expressão “hediondos crimes” usada pelo jornalista. Porém, no mesmo livro de Álvaro Cunhal, existe uma crítica à “infalibilidade” das referências comunistas: “Mas ser leninista não consiste em endeusar Lénine, em utilizar cada frase de Lénine como verdade universal, eterna e intocável, em substituir a análise pela citação, em responder aos acontecimentos através de afirmações de Lénine, mesmo quando se trata de novos fenómenos que Lénine não conheceu no seu tempo, em abafar, com a transcrição de textos e com a presença dominadora do nome e da efígie e da autoridade desse nome e dessa efígie, a investigação, a análise e o espírito criativo no estudo e interpretação dos novos fenómenos .” (pág.140).

“OS FACTOS

“Para o PCP, a “demarcação” bastante faz-se quando o partido afirma que “tem a sua própria concepção de socialismo e o seu próprio projecto para a edificação em Portugal de uma sociedade socialista”. O que significa que não vê em Lenine ou Estaline, ou Castro, ou qualquer outro modelo de sociedade socialista, um exemplo a seguir. Pelo contrário, o PCP afirma ter objectivos que se “diferenciam e distanciam” dessas práticas. No seu programa “Uma Democracia Avançada no Limiar do Século XXI”, o partido demarca-se da experiência da URSS e do antigo “bloco de Leste”. “Nesses países (…) acabou por instaurar-se (…) um "modelo" que violou características essenciais de uma sociedade socialista e se afastou, contrariou e afrontou aspectos essenciais dos ideais comunistas.” Exemplos disso? “Um poder excessivamente centralizado nas mãos de uma burocracia (…) a acentuação do carácter autoritário do Estado (…) uma economia excessivamente estatizada (…) um centralismo burocrático baseado na imposição (…) confusão das funções do Estado e do partido (…); “um distanciamento entre os governantes e as massas, o uso indevido do poder político, o abuso da autoridade, a não correspondência da política e das realidades com os objectivos definidos e proclamados do socialismo, desvios e deformações incompatíveis com a sua natureza.”

“EM RESUMO


“Cada um fará a sua interpretação, à luz das suas próprias convicções, se a demarcação face a Estaline é proporcional à gravidade dos crimes conhecidos do ex-líder soviético. Mas neste caso, parece indiscutível que houve um repúdio público do PCP e do seu histórico líder Álvaro Cunhal sobre aquele período histórico. Uma situação diferente é a de Lenine. Aí, o PCP continua a defender o seu legado teórico, embora procure distanciar-se de qualquer “culto da personalidade”. Ou seja, a expressão “timoneiros do povo” não é aplicada a nenhum dos dois por nenhum documento do PCP. Quanto ao “seguidismo” em relação à União Soviética, essa ainda é uma matéria controversa na historiografia”.