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domingo, 18 de novembro de 2018

"Miura" de Miguel Torga , o melhor manifesto anti-tourada.


"Fez um esforço. Embora ardesse numa chama de fúria, tentou refrear os nervos e medir com a calma possível a situação.
Estava, pois, encurralado, impedido de dar um passo, à espera de que lhe chegasse a vez! Um ser livre e natural, um toiro nado e criado na lezíria ribatejana, de gaiola como um passarinho, condenado a divertir a multidão!
Irreprimível, uma onda de calor tapou-lhe o entendimento por um segundo. O corpo, inchado de raiva, empurrou as paredes do cubículo, num desespero de Sansão.
Nada. Os muros eram resistentes, à prova de quanta força e quanta justa indignação pudesse haver. os homens, só assim: ou montados em cavalos velozes e defendidos por arame farpado, ou com sebes de cimento armado entre eles e a razão dos mais...
Palmas e música lá fora. O Malhado dava gozo às senhorias...
Um frémito de revolta arrepiou-lhe o pêlo. Dali a nada, ele. Ele, Miura, o rei da campina!
A multidão calou-se. Começou a ouvir-se, sedante, nostálgico, o som grosso e pacífico das chocas.
A planície!... O descampado infinito, loiro de sol e trigo... O ilimitado redil das noites luarentas, com bocas mudas, limpas, a ruminar o tempo... A fornalha escaldante, sedenta, desesperante, que o estrídulo das cegarregas levava ao rubro.
Novamente o silêncio. Depois, ao lado, passos incertos de quem entra vencido e humilhado no primeiro buraco...
Refrescou as ventas com a língua húmida e tentou regressar ao paraíso perdido.
A planície...
Um som fino de corneta.
Estremeceu. Seria agora? Teria chegado, enfim, a sua vez?
Não chegara. Foi a porta da esquerda que se abriu, e o rugido soturno que veio a seguir era do Bronco.
Sem querer, cresceu outra vez quanto pôde para as paredes estreitas do cárcere. Mas a indignação e os músculos deram em pedra fria.
A planície... O bebedoiro da Terra-Velha, fresco, com água limpa a espelhar os olhos...
Assobios.
O Bronco não fazia bem o papel...
Um toque estranho, triste, calou a praça e rarefez o curro.
Rápida e vaga, a sombra do companheiro passou-lhe pela vista turva. Apertou-se-lhe o coração. Que seria?
Palmas, música, gritos.
Um largo espaço assim, com o mundo inteiro a vibrar para além da prisão. Algum tempo depois, novamente o silêncio e novamente as notas lúgubres do clarim.
Todo inteiro a escutar o dobre a finados, abrasado de não sabia que lume, Miura tentava em vão encontrar no instinto confuso o destino do amigo.
Subitamente, abriu-se-lhe sobre o dorso um alçapão, e uma ferroada fina, funda, entrou-lhe na carne viva. Cerrou os dentes, e arqueou-se, num ímpeto.
Desgraçadamente, não podia nada. O senhor homem sabia bem quando e como as fazia. Mas por que razão o espetava daquela maneira?
Três pancadas secas na porta, um rumor de tranca que cede, uma fresta que se alargou, deram-lhe num relance a explicação do enigma da agressão: chegara a sua vez.
Nova picada no lombo.
- Miura! Cornudo!
Dum salto todo muscular, quase de voo, estava na arena.
Pronto!
A tremer como varas verdes, de cólera e de angústia, olhou à volta. Um tapume redondo e, do lado de lá, gente, gente, sem acabar.
Com a pata nervosa escarvou a areia do chão. Um calor de bosta macia correu-lhe pelo rego do servidoiro. Urinou sem querer.
Gritos da multidão.
Que papel ia representar? Que se pedia do seu ódio?
Hesitante, um tipo magro, doirado, entrou no redondel.
Olhou-o a frio. Que força traria no rosto mirrado, nas mãos amarelas, para se atrever assim a transpor a barreira?
A figura franzina avançou.
Admirado, Miura olhava aquela fragilidade de dois pés. Olhava-a sem pestanejar, olímpica e ansiosamente.
Com ar de quem joga a vida, o manequim de lantejoulas caminhava sempre. E, quando Miura o tinha já à distância dum arranco, e ainda sem compreender olhava um tal heroísmo, enfatuadamente o outro bateu o pé direito no chão e gritou:
- Eh! boi! Eh! toiro!
A multidão dava palmas.
- Eh! boi! Eh! toiro!
Tinha de ser. Já que desejavam tão ardentemente o fruto da sua fúria, ei-lo.
Mas o homem que visou, que atacou de frente, cheio de lealdade, inesperadamente transfigurou-se na confusão de uma nuvem vermelha, onde o ímpeto das hastes aguçadas se quebrou desiludido.
Cego daquele ludíbrio, tornou a avançar. E foi uma torrente de energia ofendida que se pôs em movimento.
Infelizmente, o fantasma, que aparecia e desaparecia no mesmo instante, escondera-se covardemente de novo por detrás da mancha atordoadora. Os cornos ávidos, angustiados, deram em cor.
Mais palmas ao dançarino.
Parou. Assim nada o poderia salvar. À suprema humilhação de estar ali, juntava-se o escárnio de andar a marrar em sombras. Não. Era preciso ver calmamente. Que a sua raiva atingisse ao menos o alvo.
O espectro doirado lá estava sempre. Pequenino, com ar de troça, olhava-o como se olhasse um brinquedo inofensivo.
Silêncio.
Esperou. O homem ia desafiá-lo certamente outra vez.
Tal e qual. Inteiramente confiado, senhor de si, veio vindo, veio vindo, até lhe não poder sair do domínio dos chifres.
Agora!
De novo, porém, a nuvem vermelha apareceu. E de novo Miura gastou nela a explosão da sua dor.
Palmas, gritos.
Desesperado, tornou a escarvar o chão, agora com as patas e com os galhos. O homem!
Mas o inimigo não desistia. Talvez para exaltar a própria vaidade, aparentava dar-lhe mais oportunidades. Lá vinha todo empertigado, a apontar dois pequenos paus coloridos, e a gritar como há pouco:
- Eh! toiro! Eh! boi!
Sem lhe dar tempo, com quanta alma pôde, lançou-se-lhe à figura, disposto a tudo. Não trouxesse ele o pano mágico, e veríamos!
Não trazia. E, por isso, quando se encontraram e o outro lhe pregou no cachaço, fundas, dolorosas, as duas farpas que erguia nas mãos, tinha-lhe o corno direito enterrado na fundura da barriga mole.
Gritos e relâmpagos escarlates de todos os lados.
Passada a bruma que se lhe fez nos olhos, relanceou a vista pela plateia. Então?!
Como não recebeu qualquer resposta, desceu solitário à consciência do seu martírio. Lá levavam o moribundo em braços, e lá saltava na arena outro farsante doirado.
Esperou. Se vinha sem a capa enfeitiçada, sem o diabólico farrapo que o cegava e lhe perturbava o entendimento, morria.
Mas o outro estava escudado.
Apesar disso, avançou. Avançou e bateu, como sempre, em algodão.
Voltou à carga.
O corpo fino do toureiro, porém, fugia-lhe por artes infernais.
Protestos da assistência.
Avançou de novo. Os olhos já lhe doíam e a cabeça já lhe andava à roda.
Humilhado, com o sangue a ferver-lhe nas veias, escarvou a areia mais uma vez, urinou e roncou, num sofrimento sem limites. Miura, joguete nas mãos dum zé-ninguém!
Num ímpeto, sem dar tempo ao inimigo, caiu sobre ele. Mas quê! Como um gamo, o miserável saltava a vedação.
Desesperado, espetou os chifres na tábua dura, em direcção à barriga do fugitivo, que arquejava ainda do outro lado. Sangue e suor corriam-lhe pelo lombo abaixo.
Ouviu uma voz que o chamava. Quem seria? Voltou-se. Mas era um novo palhaço, que trazia também a nuvem, agora pequena e triangular.
Mesmo assim, quase sem tino e a saber que era em vão que avançava, avançou.
Deu, como sempre na miragem enganadora.
Renovou a investida. Iludido, outra vez.
Parou. Mas não acabaria aquele martírio? Não haveria remédio para semelhante mortificação?
Num último esforço, avançou quatro vezes. Nada. Apenas palmas ao actor.
Quando? Quando chegaria o fim de semelhante tormento?
Subitamente, o adversário estendeu-lhe diante dos olhos congestionados o brilho frio dum estoque.
Quê?! Pois poderia morrer ali, no próprio sítio da sua humilhação?! Os homens tinham dessas generosidades?!
Calada, a lâmina oferecia-se inteira.
Calmamente, num domínio perfeito de si, Miura fitou-a bem. Depois, numa arremetida que parecia ainda de luta e era de submissão, entregou o pescoço vencido ao alívio daquele gume".

Miguel Torga, Os Bichos

terça-feira, 25 de outubro de 2016

A Vida de Marine Le Pen em Banda Desenhada

BêDêZine: Director do Charlie Hebdo lança BD sobre Marine Le...: O cartoonista Riss (Laurente Sourisseau), actual director do Charlie Hebdo, lançou recentemente um álbum de Banda Desenhada onde retrata a vida da candidata da extrema-direita (clicar para ler mais).

segunda-feira, 11 de abril de 2016

O Respigo da Semana : "Offshores:não é uma questão fiscal, é uma questão de democracia", por José Pacheco Pereira


Offshores: não é uma questão fiscal, é uma questão de democracia

Por JOSÉ PACHECO PEREIRA in Público 09/04/2016

Se queremos salvar a democracia no século XXI, o problema do dinheiro anónimo, escondido, fugido e protegido algures é objectivamente mais dissolvente do que os tiros de uma Kalashnikov nas ruas de Bruxelas.

“Nas suas declarações sobre as revelações (mais confirmações do que revelações) dos chamados “Documentos do Panamá”, Marcelo Rebelo de Sousa foi ao âmago da questão quando disse que o problema dos offshores era um problema de democracia. E é.

“Os offshores são, antes de tudo, do crime, da lavagem de dinheiro, da fuga ao fisco, uma questão que significa para as democracias a perda de um princípio básico — o de que o poder político legitimado pelo voto e pelo primado da lei se sobrepõe ao poder económico. Por isso, tratar a questão dos offshores apenas como sendo de natureza fiscal e andar às voltas por aí é já um mau ponto de partida.

“A questão que muitas vezes é iludida é que não existe uma única razão económica sólida para que hajam offshores. Para que é que eles servem para a economia, para a produção, para o emprego, para a indústria, para o comércio, para o investimento limpo? Nada. Tudo aquilo para que os offshores servem é para esconder dinheiro e os seus proprietários, para esconder a origem do dinheiro, através de um conjunto de fachadas anónimas que depois vão desaguar aos grandes bancos sediados na Suíça ou em Londres.

“O que os políticos europeus dizem, quando confrontados com esta realidade, ou com os escândalos periódicos, como o actual com os documentos da Mossack Fonseca, é que não podem fazer nada e que o que podem fazer fazem. Por detrás desta declaração de impotência — eu estou a falar de políticos democráticos — está o retrato da captura ocorrida nas últimas décadas, e agravada pela crise de 2008, da política em democracia pelos interesses financeiros globais, pela banca, pelos “mercados”. Sim, porque uma das faces semivisíveis dos offshores são os biliões que circulam em fundos e outros tipo de operações financeiras e bancárias, a que nós chamamos os “mercados”, o Deus ex machina que faz mover os países como marionetas.

“Podem fazer alguma coisa? Podem fazer tudo. Repito: podem fazer tudo. E acrescento: mas não querem. Podem fazer tudo, mas não querem — esta é a frase que melhor resume o “problema para a democracia”. E não querem por dois motivos. Um de fraqueza política, — a maioria dos políticos europeus são gente frágil à frente de países fragilizados, uma combinação de que resulta uma imensa fraqueza para lidar com interesses poderosos, como são os que estão por detrás e pela frente dos offshores. O outro é a hegemonia nos partidos de direita, e em muitos socialistas subservientes, de uma mistura entre ideias sobre a economia, sobre o Estado, sobre as empresas, sobre a governação dos países, que corresponde ao “pensamento único” que tem presidido à política da Comissão Europeia, do Eurogrupo, aos partidos do PPE, e que tem levado a cabo a política de Schäuble e dos alemães e de alguns outros países seus aliados.

“Este segunda razão é do “podem, mas acham bem”, e essa aparece como de costume nos mais rudimentares defensores dos offshores que pululam na nossa direita mais radical, nos jornais, nos blogues e nas redes sociais. Eles são reveladores, porque têm a imprudência de dizer aquilo que os de cima da cadeia alimentar pensam, mas não podem dizer. E todos ficaram imensamente incomodados com os “Documentos do Panamá”, porque é “deles” e dos seus que os “documentos” falam. E correram logo a dizer que era uma questão com Putin e não com o capitalismo. Ou seja, os offshores são mais uma perversão do comunismo e do socialismo e dos “oligarcas”, como gostam de chamar aos poderosos do “outro lado”. E então é ler como os offshores são uma resposta à tirania fiscal dos Estados “socialistas”, ou uma digna resposta da liberdade económica do dinheiro e das empresas para fluir para todo o lado sem barreiras. Sem dúvida, admitem, que há crimes e lavagem de dinheiro, mas são pechas menores dos offshores. O essencial é que eles são mais uma manifestação normal da liberdade económica e da luta contra a prepotência dos Estados e das políticas “socialistas” dos altos impostos. Isto vem de quem fez o “enorme aumento de impostos”, retirou aos contribuintes qualquer protecção face aos abusos do fisco e só é “liberal” na bandeirinha da lapela. Pobre da “mão invisível” que foi possuída pela família Adams.

“Também nos offshores se verifica a escassíssima vontade dos políticos europeus, que tem à sua cabeça institucional o senhor Juncker, que tem no seu currículo ter feito enquanto primeiro--ministro do Luxemburgo todo o tipo de acordos ilegais, insisto, ilegais, à luz das regras europeias, destinadas a levar para o seu país empresas que aí encontravam um paraíso fiscal protegidas pelo segredo de Estado. Ou no caso do Reino Unido, em que dezenas de offshores estão em territórios sob soberania britânica.

“O problema como sempre é o dos alvos e dos intocáveis. Ou melhor: defender por todos os meios os “intocáveis” de serem tocados e impedir que os alvos deixem de ser alvos. O objectivo da política do “ajustamento”, policiada pelas instituições europeias sem estatuto democrático como o Eurogrupo, ou pelo FMI, em consonância com os “mercados”, foi proteger o sistema bancário, os “mercados”, o dinheiro que “flui” e, sem o dizer, no mesmo pacote vão os offshores “contra os quais nada se pode fazer”. E o melhor atestado de ineficácia da múltipla legislação europeia tão gabada nas suas intenções de dar “transparência” ao sistema financeiro e combater a corrupção é o que revelam estes “Documentos do Panamá” e muitas outras estimativas sérias: o dinheiro que vai para os offshores é cada vez mais. Ponto.

“A solução da questão dos offshores é simples, se tivermos vontade para a aplicar. E desconfiem de quem venha com muitas complexidades e complicações, é sempre mau sinal. Insisto, não é muito complicado: trata-se de comparar o dinheiro dos offshores com o dinheiro dos terroristas. Um rouba, em grande escala, Estados e povos, o outro mata. Um mata à fome em África, outro nas ruas de Paris ou em Nova Iorque. Um destrói economias, poupanças, classes médias criadas com muitos anos e esforços para progredir, outro escraviza povos e reduz a ruínas países já muito pobres. É uma comparação que admito ser excessiva, mas, se partirmos dela, talvez possamos compreender (ou não) por que razão aquilo que se admite em termos de recursos de investigação, penalizações duríssimas, confisco de bens do crime ou da droga, ou da corrupção ou da fuga ao fisco, e se aplica ao dinheiro do terrorismo, se pode aplicar ao dinheiro ilegal dos offshores. Ah! Já estou a ouvir em fundo: “Mas muito desse dinheiro é legal.” Ai é? Então, qual é o motivo por que em vez de estar inshore vai para os offshores?


“Deixem-se por isso de falsos espantos e falsas surpresas. Tudo o que está nos “Documentos do Panamá” não é novidade para ninguém. Como não é novidade para ninguém o discurso de “não se pode fazer nada”. Mas, se queremos salvar a democracia no século XXI, o problema do dinheiro anónimo, escondido, fugido e protegido algures numa caixa de correio humilde de uma casa nas Ilhas Caimão, ou num cacifo acolchoado de um luxuoso escritório de advogados no Panamá é objectivamente mais dissolvente do que os tiros de uma Kalashnikov nas ruas de Bruxelas. Faz-nos pior, porque os tiros são-nos exteriores, são do “inimigo”, e os biliões das Ilhas Virgens são de dentro, dos “amigos””.

quarta-feira, 4 de março de 2015

CHARLIE HEBDO – o regresso à “normalidade”


O jornal Charlie Hebdo voltou à normalidade das suas edições semanais, com a edição do nº 1179 daquele semanário humorístico e político, no dia 25 de Fevereiro.

Voltando em força analisando a vida política, social e cultural da França e do mundo, com humor e profundidade crítica, esta edição ainda reflecte a procura de identidade após o atentado de que foi alvo.


(a situação em França e na Europa a merecer destaque dos cartoonistas do Charlie Hebdo)

Não se julgue que o “Charlie Hebdo” é um “mero” jornal humorístico. Os cartoon´s servem em muitos casos para ilustrar interessante artigos de comentário político, crítica ou reportagem sobre várias temáticas, tratados, com irreverência, mas de forma séria.

É assim que publicam uma reportagem intitulada “Djhidaistas e Muçulmanos no divã”, tendo por base a entrevista com  dois psicanalistas , onde se interrogam, entre outros temas, sobre as razões de os muçulmanos serem alérgicos à representação da imagem do profeta.

Interessantíssima é igualmente a crítica de cinema ao filme “Sniper Americano”.

Mas é a situação na Grécia que merece maior destaque na situação internacional, com uma entrevista ao ministro das finanças grego Yanis Varoufakis e um artigo intitulado “Syriza é o futuro da Europa”.

Este último artigo levanta, aliás várias questões sobre a construção do projecto Europeu.Nesse artigo chama-se a atenção para a forma como o dogma Alemão e da construção europeia que considera que deve ser a democracia a submeter-se à vontade dos mercados e não aquilo que devia ser, exactamente o contrário desse dogma, que é o que o novo governo grego procura por em prática. Na Europa imposta pela Alemanha e por Bruxelas não “é o povo que escolhe a economia que o rege, mas a economia que impõe os partidos que mais lhe convêm”. Para a autora do artigo, Angélique Kourounis, “a ditadura dos mercados substituiu a ditadura do proletariado”.

Ao colocar assento na decisão democrática dos povos, contra a vontade dos mercados, Tsipras está a salvar a Europa.




Outros assuntos internacionais merecem igualmente destaque, como a situação Ucraniana, tendo aliás um cartoon sobre este tema sido alvo da ira do governo de Moscovo.

( o  cartoon que desagradou a Moscovo)


É o regresso do Charlie Hebdo no seu melhor. 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

BêDêZine: Robert Crumb presta homenagem ao Charlie Hebdo

BêDêZine: Robert Crumb presta homenagem ao Charlie Hebdo, "m...: Robert Crumb, o pai do gato Fritz , um dos mais importantes autores da Banda Desenhada norte-americana presta homenagem aos seus colegas do Charlie hebdo com um  cartoon provocador...se não é possivel mostrar o rosto do profeta..então mostre-se o  ......

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

O "Profeta" entre "cães" "infiéis"


Foi difícil mas consegui!!!!

Estava há uma semana à espera e lá fui um dos cinco felizes contemplado na minha cidade (um entre 500 em Portugal) com um exemplar do número histórico do Charlie Hebdo.

Deixei-o à guarda das minhas fiéis cadelas.

Só me custou 3 euros, mas já vi por aí, em leilões da net, a ultrapassar os mil euros...é mesmo uma preciosodade, mas o melhor é o conteúdo...

Vai ser um fim-de-semana em cheio!

Siné em entrevista ao Paris Match

BêDêZine: Siné em entrevista ao Paris Match , homenageando ...: Siné évoque Charlie Hebdo - "Charb, c'était le meilleur de sa génération"  (clicar para ler entrevista)

BêDêZine: Recordar o acto criativo dos cartoonistas assassinados...

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

O Cartoon Da Semana ou o absurdo do fundamentalismo religioso

Um dos melhores cartoon´s de homenagem ao Charlie Hebdo, onde se revela o absurdo da argumentação fundamentalista contra a representação humorística de símbolos religiosos.

Charlie-Hebdo, uma história politicamente incorreta.


BêDêZine: Charlie-Hebdo, uma história politicamente incorrecta...: Charlie-Hebdo apareceu pela primeira vez nos quiosques em 23 de Novembro de 1970, herdando a equipa e a irreverência do L’Hebdo Hara-Kiri...

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

BêDêZine: O Mundo do Cartoon e da Banda Desenhada presta homenagem ao Charlie Hebdo

BêDêZine: O Mundo do Cartoon e da Banda Desenhada presta hom...: O mundo do cartoon e da banda desenhada está em choque com o crime bárbaro cometido contra os cartoonistas e os jornalistas do histórico Charlie Hebdo...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Primeiras Páginas contra a Barbárie:



As primeiras páginas da imprensa mundial de ontem foram ocupadas com as notícias sobre o bárbaro atentado contra o Charlie Hebdo.

Sabe-se hoje que alguma imprensa cedeu ao terror, recusando-se a reproduzir alguns cartoon's e  imagens do Charlie Hebdo.

Estiveram neste caso jornais e revistas de referência como o New York Times, Washington Post, o Telegraph, o Times, o Financial Times, ou agências como a Reuters e a Associated Press, ou televisões como a CBS, a CNN ou a Fox, entre outras.

A cobardia paga-se caro.

Felizmente que a maioria da imprensa internacional soube respeitar, sem complexos, o espírito do Charlie Hebdo, como se pode ver em baixo.















quarta-feira, 19 de setembro de 2012

A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA E O DIREITO A RIR


"Nem Maomé nem Deus precisam que os defendam; o deus que os extremistas veneram tem medo. Não é omnipotente nem confiante, o que prova o quanto eles ignoram a sua religião
(Azis Abu Sarah, palestiniano, director executivo do Centro de Religiões Mundiais, Diplomacia e Resolução de Conflitos da Universidade George Mason de Washington).

"Os muçulmanos em sociedades relativamente livres, como a Turquia, ou sob regimes mais opressivos, como o Irão, têm uma tradição rica de cinema, cartoons políticos e sátira. Muitos jornalistas e comediantes pagam o preço por defenderem a liberdade de expressão. São essas pessoas que merecem estar na ribalta e não os que fazem propaganda ao ódio"
(Omid Safi, professor de estudos islâmicos da Universidade da Carolina do Norte).

Estas duas afirmações foram retiradas da excelente repostagem de Margarida Santos Lopes, hoje editada no Público, intitulada "A violência dos muçulmanos é um insulto ao islão?", onde se analisa a origem da atual onda de violência que grassa no mundo muçulmano contra um obscuro filme que foi colocado nas redes sociais e que tem por detrás da sua realização gente e organizações da extrema-direita norte-americana.

Essas afirmações podem aplicar-se igualmente à ameaça que paira sobre as cabeças dos cartoonistas e humoristas do irreverente semanário Charlie Hebdo que hoje publca uma edição que procura abordar com o humor de sempre a situação provocada com aquele filme, incluindo novas caricaturas de Maomé.

Mais uma vez é o direito ao humor e à liberdade de imprensa que está em causa com essas ameaças.

É caso para dizer que hoje todos somos cartoonista do Charlie Hebdo.

El semanario satírico 'Charlie Hebdo' publica nuevas caricaturas de Mahoma | Medios | elmundo.es (clicar para ler).

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Um Blog do Charlie Hebdo

Depois de ter sido alvo de um ataque terrorista, depois do seu site ter sido atacado por hackers e da sua página no facebook ter sido bloqueada e inundada por ameaças islamitas, eis que o Charlie Hebdo renasce na rede, com um blog, que contou com o apoio do jornal Liberation e da Wordpress.
Uma forma de manifestar apoio à causa da liberdade de imprensa e aos corajosos cartoonistas e jornalistas do Charlie Hebdo, é consultar esse blog AQUI.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Somos Todos Charlie Hebdo...


Tudo se preparava para ser “apenas” mais uma edição bem humorada e irreverente do “Charlie Hebdo”.
A ideia era celebrar “de forma adequada” a vitória dos islamitas moderados nas eleições da Tunísia, “convidando” para dirigir esta edição o “próprio” Maomé. Aliás o jornal satírico intitulou-se, nesta edição Sharia Hebdo (um semanário da lei islâmica).
Ao que parece, o simples anuncio dessa edição não agradou aos sectores mais radicais do islamismo, que não tiveram com meias medidas, pegando fogo, esta madrugada, com o arremesso de cocktails molotov , ao edifício onde estavam os exemplares que seriam colocados hoje à venda.
Os que viam nas revoltas do norte de África e na morte de Bin Laden a vitória definitiva do islamismo moderado sobre o terrorismo islâmico, viram as suas ilusões esboroarem-se mais uma vez (ainda não o tinham percebido com a morte de Kadafhy?).

Actos intolerantes como este são condenáveis. Quem começa por incendiar livros (neste caso revistas) acaba sempre...a incendiar pessoas...
Fujam daqueles que não têm sentido de humor… 
Podem ler uma reportagem sobre o assunto em baixo: