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quinta-feira, 16 de março de 2023

O regresso dos eternos pedintes

                                          

Parece que mais uma vez vamos ter de pagar pelos desvarios do criminoso mundo da alta finança.

Pela Europa, o todo poderoso BCE acaba de tomar mais uma medida suicida, aumentando as taxas de juro.

Foi exactamente a forma errada como o Banco Central dos Estados Unidos lidou com o aumento das taxas de juros que levou à bancarrota de vários bancos nesse país, com reflexo na Europa (lembram-se do velho ditado que diz que, quando os EUA se constipam a Europa apanha uma pneumonia?).

Aliás, ainda não percebi a lógica de aumentar as taxas de juro para controlar a inflação.

É que, ao contrário do que costuma acontecer, o actual aumento da inflação não tem origem numa maior concentração de riqueza por parte dos cidadãos ou pelo aumento do consumo devido ao aumento da riqueza, como os “inteligentes” do BCE e da União Europeia nos andam a impingir, mas devido à falta de produtos provocada pelas sanções que, em vez de prejudicarem o infractor, estão a fazer ricochete na economia europeia.

Claro que, nem  a sr.ª Lagarde, nem os burocratas de Bruxelas, se preocupam como o impacto da subida das taxas de juros na vida dos cidadãos que dizem defender, pois nada lhes vai cair em cima, a não ser a falta de vergonha dessa gentinha que nos (des)governa.

Só os grandes especuladores do sistema financeiro vão beneficiar com a situação, como aliás é timbre das decisões dos burocratas de Bruxelas. Estes estão ao serviço do sistema financeiro e não dos cidadãos que dizem representar. Já vimos isto várias vezes.

E, claro, quem vai pagar os maus negócios da alta finança (responsáveis pela grave situação na saúde, na habitação e no consumo vivida pelos cidadãos europeus, negócios esses que têm vindo a aumentar com a ligação desse “mundo”, os dos “famosos” “mercados”, com os negócios, legais uns, ilegais outros, do armamento, da droga, da especulação imobiliária …), vai ser o cidadão comum, com cortes nos salários e pensões, através da inflação, ou com aumento de impostos, e o que mais se verá da “engenharia social” em que essa gente é perita para nos “lixar” a vida.

A ver se, desta vez, não nos deixamos enganar mais uma vez.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

O lixo falacioso despejado pelas agências de rating


As malfadadas agências de rating voltam novamente a ser badaladas.

Pensava que estavam totalmente descreditadas, mas parece que continuam a existir entre nós devotos dessas agências de pirataria financeira.

Parece que essa gente continua a considerar Portugal como “lixo”, uma classificação humilhante  que, mais do que classificar os classificados, classifica os classificadores.

Todas elas elogiam o governo português pela estabilidade e até falam em “melhorias económicas”, “mais forte do que se previa” (Moody´s), mas preferem manter-nos no “lixo” financeiro que eles próprios promovem.

Ou melhor ainda, continuam a manter-nos no “lixo”…mas “com perspectiva estável”!!!! O que será isso de “lixo estável”????

E, mais grave, resolvem enviar recados sobre a composição do governo, como o fez a Moody´s.

Procurei na net as listas de classificação dadas por esses piratas financeiros e descobri algumas situações verdadeiramente caricatas e pouco abonatórias dos ratings vomitados por essa gente.

Se se percebe as classificações de topo, os chamados AAA e AA, o que se segue é uma lista totalmente disparatada.

Por exemplo, para a Stand & Pool ‘s, países como a Estónia, Letónia, Lituânia ou República Checa, ou, pior ainda, Marrocos, Arábia Saudita, Chile, Peru, Marrocos, Colômbia, Tailândia, Uruguai e   Índia, são menos “lixo” do que nós.

A fazerem-nos companhia no “lixo” estão a Rússia, o Azerbeijão, a Indonésia e a Bulgária!!!!

A Fitch não difere muito da anterior, nalguns casos com resultados ainda mais disparatados.

Para estes especuladores, a Arábia Saudita e o Chile até merecem nível A!!!

Menos “lixeira” do que Portugal são, para essa gente, o México, o Kazaquistão, o Azerbeijão, a Bulgária, a Colombia, a Hungria, a Índia, a Indonésia, Marrocos, Namíbia, Panamá, Peru, Filipinas, Roménia, Russia, Tailândia, Turquia e Uruguai.

Tão “lixo” como Portugal são a Costa Rica a Guatemala e a Macedónia.

A Moody’s vai no mesmo sentido.

Para estes especuladores, países como a Malásia, o México, a Arábia Saudita, a república Checa, a Estónia, Letónia e Lituânia, bem como o Botswana,  a Polónia e a Eslováquia conseguem o nível A!!!

Para estes predadores, são menos “lixo que Portugal, países como a Bulgária, a Colômbia, a Hungria, a India, a Indonésia, o Kazaquistão, o Panamá, as Filipinas, a Roménia, a África do Sul, a Tailândia e o Uruguai, enquanto o Azerbeijão, a Costa Rica, a Guatemala, Marrocos, Paraguai, Russia e Turquia nos fazem companhia na “lixeira”.

Com uma classificação menos escandalosa, mas por um caminho parecido, vai a lista a canadiana DBR, que dá um AA ao Chile e classifica como lixo, mas menos lixo que Portugal, o Brasil, a Colombia, a India, o México, a Turquia e o Uruguai…

Descobri, entretanto, que existem pelo menos mais três agências de rating “credenciadas”, uma japonesa e duas chinesas.

As chinesas conseguem ser tão ou mais disparatadas, nas suas classificações, do que as ocidentais.

A agência chinesa Dagong chega mesmo ao desplante de dar uma classificação AA à …Coreia do Norte, ao lado da Alemanha, da Austrália ou do Canadá!!!!(nesta agência Portugal está atrás da Argélia, da Bolívia, da Bulgária, da Colômbia, da Hungria e ao “nível” de uma Nigéria ou de uma Tunísia….!!!!).

A japonesa JCR parece a única que classifica os países com alguma lógica e, talvez por isso, Portugal surge com a classificação de A.

Parece-me perfeitamente disparatado que uma classificação do valor financeiro  e de classificação de investimento de um país não leve em linha de conta os Direitos Humanos e Socias em vigor nesses países, bem como a qualidade de vida e as desigualdades.

É esta a perspectiva do único “rating” credível, aquele que é emitido pela ONU, o chamado índice de desenvolvimento humano.

Neste, Portugal aparece na posição real, em 45º lugar, na “1ª divisão”, entre os classificados, os verdadeiros “AAA”, como países com “Desenvolvimento Muito Elevado”, no mínimo uma “divisão” à frente de muitos dos países que aquelas agências colocam à frente de Portugal.

Não é grave que um bando de especuladores anónimos usem um duvidoso critério para levarem a bom termo a sua tarefa de agiotas.

O grave é que sejam levados a sérios por políticos, economistas, jornalistas  e instituições que, com base naqueles duvidosos critérios classificativos, decidam sobre o destino de populações inteiras.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Barroso, a Goldman Sachs e a Comissão Europeia…zangam-se as comadres…


Uma extensa reportagem publicada na edição de Sábado do jornal Público revela uma série de e-mail comprometedores para Durão Barroso e para as suas relações com a Goldman Sachs.
Ficamos também a saber que essa relação ainda vem dos seus tempos de governante português, mas também que envolve muita gente na Comissão Europeia, ao ponto de se confundirem os interesses daquele sinistro banco, responsável pela aldrabice das contas gregas e pelas medidas de austeridade de que foi um dos principais beneficiários, com as medidas financeiras que a própria Comissão Europeia tomou, muitas por sugestão de responsáveis por aquele banco.

É caso para se dizer que a Comissão Europeia, pelo menos nos tempos de Durão Barroso, funcionou como uma verdadeira sucursal do Goldman Sachs.

Ou seja, se as atitudes de Durão Barroso são eticamente condenáveis, ele não está sozinho nessa atitude no meio dos burocratas de Bruxelas.

O problema é que Juncker não tem moral para acusar Barroso.

Por outro lado, quando Barroso tem de vir a público negar que aquele banco é “um cartel de droga”, vem, implicitamente reconhecer o carácter mafioso daquele banco, aliás bem evidente na reportagem que transcrevemos em baixo.

Também não pega e é repugnante que Durão Barroso venha agora fazer o papel de virgem ofendida, que estaria a ser atacado por pertencer a um pequeno país, o mesmo país que ele ajudou a afundar, primeiro como primeiro-ministro e depois como presidente da Comissão europeias que, através da troika, destruiu a vida de muitos portugueses, tudo para salvar os bancos e servir os objectivos de Goldman Sachs…

É caso para dizer que…zangam-se as comadres e descobrem-se as verdades…do funcionamento da União Europeia..:

“Arquivos da Comissão Europeia revelam que havia proximidade entre Barroso e Goldman Sachs

Por Paulo Pena  

In Público de 24/09/2016

 Os banqueiros faziam chegar “confidencialmente” ao gabinete de Barroso sugestões de alteração às políticas da UE, que os seus conselheiros liam “com grande interesse”. São emails e cartas que mostram como o Goldman se dizia “encantado” com algumas posições de Barroso.

“No dia 30 de Setembro de 2013, Durão Barroso recebeu uma carta de Lloyd Blankfein. “Caro Presidente Barroso”, escreveu o polémico CEO do Goldman Sachs – o homem que numa entrevista comparou o seu trabalho de banqueiro ao “de Deus”. “Muito obrigado por ter conseguido roubar tempo à sua agenda para vir ao Goldman Sachs. Gostei muito da nossa discussão produtiva sobre as perspectivas económicas mundiais.”

“Nessa mesma carta, Blankfein agradece ainda a Barroso por ter participado numa reunião com os “senior partners” do banco. “Sei que eles consideraram a sessão extremamente enriquecedora.” Estes encontros, que não foram tornados públicos na altura, estão descritos num dos 11 documentos (emails, cartas e mensagens) relativos à relação do gabinete do ex-presidente da Comissão Europeia com o banco de investimentos norte-americano entregues ao PÚBLICO depois de um pedido formal ao secretariado-geral da Comissão, em Julho.

“Nesse mês foi revelado que Durão Barroso passaria a desempenhar as funções de presidente não-executivo do Goldman Sachs International, com funções de aconselhamento sobre a estratégia para enfrentar a saída do Reino Unido da União Europeia, o que gerou uma polémica internacional e acusações, ao mais alto nível, na Comissão Europeia. O seu sucessor, Jean-Claude Juncker, anunciou recentemente que Barroso deixaria de ser recebido como ex-presidente da Comissão. Passará a ser um “representante de interesses”, ou seja, um lobbyista. Ainda esta sexta-feira, Durão Barroso disse estar ser alvo de "discriminação".

“Nos documentos do mandato de Durão Barroso arquivados na Comissão Europeia não existe qualquer acta deste encontro na sede do banco norte-americano. Não há, sequer, registos de uma visita ao imponente edifício do n.º 200 da West Street, em Manhattan, nas agendas públicas do presidente da Comissão, esclarece a responsável pelo departamento europeu de acesso a documentos. Não se conhece outra deslocação do presidente da Comissão à sede de um banco de investimentos, para uma reunião discreta e fora da agenda pública.

“Durão Barroso, numa resposta por escrito às perguntas do PÚBLICO, contextualiza: “Fui presidente da Comissão Europeia durante os anos em que a Europa e o mundo viveram uma das maiores crises financeiras da sua história. Naturalmente, mantive contactos institucionais – transparentes e convenientemente registados nos arquivos da Comissão – com as mais variadas entidades políticas, empresariais, sindicais e financeiras. Entre estas encontrei-me, como seria de esperar, com muitos dos principais bancos que operavam no mercado europeu. Tratava-se não só de conhecer o sentimento dos mercados, mas também de passarmos mensagens claras com a posição da Comissão e da União Europeia.”

“Durão Barroso não quis, no entanto, especificar se visitou outros bancos, nem se se reuniu com outros conselhos de administração.

“Os documentos do arquivo da Comissão dão conta de vários encontros de Durão Barroso com representantes do Goldman Sachs (Lloyd Blankfein, Peter Sutherland e Richard Gnodde) nos seus dez anos na presidência, e de alguns outros encontros entre membros do seu staff e dirigentes daquele banco. Porém, este arquivo não é exaustivo. Só a partir do final de 2014 passou a ser regra, na Comissão, a publicidade de todos os encontros de comissários com representantes de instituições ou interesses privados. Logo no primeiro email deste conjunto que o PÚBLICO revela, uma funcionária pergunta se o email com um pedido de reunião de Hank Paulson, então CEO do Goldman, deve ser registado, para constar do arquivo. Uma outra funcionária (não identificada, uma vez que os serviços da Comissão rasuraram os nomes de todos os participantes nesta troca de correspondência que não fossem altos dirigentes ou titulares de cargos políticos) remete a pergunta para um superior hierárquico, com a indicação de que o conselheiro principal de Barroso “é desfavorável” ao arquivamento.

“Ao contrário de Paulson, que saiu do Goldman para secretário do Tesouro de George W. Bush, nos EUA, os responsáveis europeus não doaram o seu telemóvel a nenhum museu, nem tornaram público o registo de chamadas ou as agendas de reuniões. A Europa divulga as reuniões “formais” e “informais” em que participam os seus dirigentes, mas não existe nenhum registo para encontros como o que juntou, lado a lado, Barroso e Peter Sutherland num jogo de futebol, no estádio do Manchester United, a 13 de Março de 2007. O que torna impossível detalhar a frequência dos contactos. Embora não a proximidade.

“Barroso desmente “categoricamente” favorecimento

“Quando Durão Barroso visitou o Goldman Sachs em 2013,  este não era um banco qualquer. Em 2010 tinha sido acusado por fraude pela Securities and Exchange Commission (SEC, o regulador do mercado de capitais norte-americano) e aceitara pagar, para ver o caso arquivado, aquela que era, à data, a maior multa de sempre na história da regulação dos EUA: 550 milhões de dólares. Mas além das responsabilidades apuradas na crise de 2008 – que teria um efeito na crise das dívidas do Sul da Europa –, havia um outro caso que, na altura, agitava Bruxelas. No debate político na Grécia, e nos restantes países europeus, o nome “Goldman Sachs” era tóxico.

“O ex-presidente da Comissão Europeia nega qualquer tipo de relação preferencial com o Goldman Sachs. “É importante sublinhar que se enquadra naturalmente nas competências e deveres do presidente da Comissão a realização de contactos com entidades externas. Mas, ao singularizar-se uma determinada entidade financeira, pode estar a sugerir-se que houve de algum modo uma relação privilegiada. Desminto categoricamente qualquer contacto ou relação especial com qualquer entidade financeira durante o exercício dos meus mandatos na Comissão.”

“De uma forma inédita, o actual presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker, lançou, a 12 de Setembro, uma investigação que pretende apurar se Barroso quebrou alguma norma europeia ao transitar da Comissão para o banco de investimento. Juncker decidiu ainda que Barroso passaria a ser recebido nas instituições europeias como um “representante de interesses” e não como um ex-presidente.

“Estas decisões foram tomadas após a provedora europeia Emily O’Reilly ter solicitado à Comissão um esclarecimento sobre a “aparente arbitrariedade” que o estipulado período de cooling-off, de 18 meses, coloca. É um facto que Barroso cumpriu esse tempo, entre ter deixado as suas funções públicas e ter assumido as novas funções privadas, mas O'Reilly considera que “certos casos não deixam de ser problemáticos apenas porque passaram 18 meses”.

“Além de Juncker e de O’Reilly, também o Presidente francês, François Hollande, fala na necessidade de afastar qualquer dúvida sobre um possível “conflito de interesses” nesta passagem de um responsável europeu para uma instituição financeira: “Já tinha manifestado não apenas perplexidade em relação à escolha profissional de Barroso como também a exigência de que as regras éticas sejam respeitadas e qualquer conflito de interesses afastado”, afirmou Hollande há poucos dias, mostrando agrado pela iniciativa de Juncker.

“Onde acaba o lobbying?

“Os documentos oficiais que o PÚBLICO consultou mostram que o Goldman Sachs acompanhava de perto a actividade da Comissão Europeia. Lloyd Blankfein, por diversas vezes, elogiou as medidas tomadas por Barroso: “Introduziu importantes reformas que vão fortalecer a União Monetária, restaurar a confiança na supervisão bancária da zona euro e separar os bancos do risco soberano” (carta de Setembro de 2013). No entanto, outros dirigentes do banco foram ainda mais longe. Lisa Rabbe, directora executiva do banco (actualmente trabalha num banco suíço), já em Janeiro de 2005, pouco depois da posse da Comissão, afirmava, num email para o conselheiro principal do presidente da Comissão, Jean-Claude Thébault: “o Goldman Sachs está encantado” com algumas políticas do “presidente Barroso” e “pronto a ajudar”.

“A “ajuda” podia ter várias formas. Lisa Rabbe, que tinha a seu cargo o departamento de relações com governos na Europa, exemplifica: “O Goldman Sachs tem contribuído com dados e ideias para a iniciativa da presidência holandesa sobre a redução de barreiras a M&A [fusões e aquisições] de bancos na Europa.”

“Noutro email, de Junho de 2008, a mesma responsável apresentava-se como “antiga colega de António Borges” (que fora director do Goldman Sachs até essa altura e tinha sido nomeado, em 2006, conselheiro de Durão Barroso). A mensagem era dirigida a dois membros do gabinete do presidente da Comissão, o português António José Cabral e o inglês Matthew Baldwin. Desta vez, a representante do Goldman sugeria um encontro com um colega seu, do banco, para falar de vários assuntos, entre eles como “as restrições nas políticas de livre circulação de capitais, trabalho e tecnologia” estavam “a limitar o crescimento da oferta”.

“A actividade de lobbying está regulamentada na União Europeia, e o Goldman Sachs está acreditado na base de dados pública Transparency Register. O banco declara que gastou, em 2015, perto de 1,3 milhões de euros em lobbying na UE. Tem seis representantes registados.

“Um deles é Jenny Cosco, que tem credenciais para abordar deputados e serviços do Parlamento Europeu. Porém, Cosco tinha, também, acesso directo ao gabinete de Barroso. A 5 de Agosto de 2005, a representante do Goldman Sachs enviou, “confidencialmente” (sic), para a presidência da Comissão um relatório com sugestões sobre a legislação em matéria financeira, com a posição do banco sobre as regras que limitam o short selling (venda a descoberto).

“Menos “confidencialmente”, Cosco enviou ainda as posições tornadas públicas pelas associações que agrupam os interesses do sector financeiro (Association for Financial Markets e ISDA) sobre produtos financeiros derivados (CDO, CDS, swaps...). Em resposta, recebeu a garantia, de um funcionário do gabinete de Barroso, de que aquelas posições seriam lidas “com grande interesse”.

“Barroso argumenta que essas abordagens são comuns. “Foi sob a minha liderança da Comissão Europeia que esta promoveu o maior programa de regulamentação do sector financeiro de que há memória. Mais de 40 textos legislativos, propostos pela Comissão, viriam a estabelecer regras e princípios de responsabilização e transparência no sector financeiro, o qual, até então, se encontrava em larga medida fora da regulamentação efectiva dos poderes públicos europeus. É natural que os visados tenham de algum modo procurado transmitir o seu ponto de vista sobre a legislação em preparação pela Comissão. Mas posso garantir que nunca nenhuma entidade financeira me abordou sobre a matéria nem chegou ao meu conhecimento qualquer démarche específica eventualmente feita nesse sentido.”

“Nomeações polémicas de banqueiros Goldman

“Esta troca de correspondência consultada pelo PÚBLICO termina em 2014, com um convite dirigido por Barroso ao número dois de Blankfein, Richard Gnodde, para um pequeno-almoço em Davos, a 24 de Janeiro, à margem do encontro anual do Fórum Económico Mundial, naquela estância suíça. O mesmo convite terá sido dirigido a outros representantes de outras empresas, assegura ao PÚBLICO fonte próxima de Barroso.

“O seu mandato estava prestes a terminar. Ainda durante os previstos 18 meses de hiato, Barroso foi acumulando, com a concordância expressa da Comissão Europeia, várias actividades profissionais. A 5 de Novembro, a Comissão autorizou-o a assumir funções no Fórum Económico Mundial e nas universidades Católica de Lovaina e de Genebra. Um mês depois, nova autorização, desta vez para cargos especificamente não-remunerados: presidente honorário da Cimeira de Negócios Europeia, membro da Fundação Jean Monet, professor honorário do Politécnico de Macau, co-presidente do Centro Europeu para a Cultura, membro do Conselho Internacional da Ópera de Madrid e do conselho consultivo da associação Mulheres no Parlamento. A 16 de Dezembro de 2014, Barroso foi autorizado a integrar os quadros do Instituto de Políticas Públicas de Belgrado, o Conselho de Curadores do Europaeum, o Comité de Directores do grupo Bilderberg, o conselho consultivo da McDonough School of Business da Universidade de Georgetown e a presidência da Fundação UEFA para as crianças. A 15 de Abril de 2015, Barroso recebeu o último lote de autorizações da Comissão para ser professor visitante da Universidade da Califórnia e presidente da Fundação Palácio das Belas Artes em Bruxelas.

“A presidência não-executiva do Goldman Sachs International não carecia de aprovação, por ser assumida mais de 18 meses após o final do mandato. Curiosamente, Barroso passou a ocupar um cargo que fora de um homem por si nomeado conselheiro: Peter Sutherland, que Barroso anunciou em Salzburgo, aos jornalistas, em Janeiro de 2006, que iria ser um dos quatro membros de um restrito painel de consultores especiais para a Energia, ao lado de António Borges, que nessa altura era vice-presidente do Goldman.

“Porventura a mais polémica das nomeações de Barroso no universo de quadros do banco foi a de Otmar Issing para o “Grupo de Alto Nível” que lançou as bases da reforma europeia do sector financeiro. Num relatório de quatro ONG (Corporate Europe, SpinWatch, Lobby Control e Friends of the Earth/Europe), este “grupo de sábios” nomeado pelo presidente da Comissão Europeia é muito criticado: “É composto por pessoas com ligações próximas à indústria financeira, ou a instituições que, em maior ou menor medida, estão implicadas na crise.” O alemão Otmar Issing, consultor do Goldman Sachs, era, nesse relatório, acusado de estar numa situação de “conflito de interesses”, por aconselhar políticas que afectavam directamente a actividade do banco para o qual trabalhava.

“Barroso no entanto orgulha-se da legislação que fez aprovar e o próprio CEO do Goldman não poupou elogios às suas “importantes reformas”. Nas respostas que enviou ao PÚBLICO, o ex-presidente da Comissão recorda que, apesar de tudo, o mundo financeiro não esgotava a sua actividade em Bruxelas: “Para além do relacionamento político ao mais alto nível, nomeadamente com os chefes de Estado do G8 e do G20, tive um elevado número de reuniões com as principais associações empresariais europeias (como as da indústria) e com as principais organizações dos sindicatos europeus e, estes contactos, que parecem não suscitar o mesmo interesse mediático, foram com certeza muito mais frequentes do que aqueles que a Comissão e eu próprio tivemos com entidades financeiras em geral, ou com qualquer banco em especial.”

sexta-feira, 8 de julho de 2016

É isto ( e outras coisas piores) que o Politburo de Bruxelas pretende disfarçar com a ameaça de sanções a Portugal: Deutsche Bank assusta com "alertas já indisfarçáveis"

O Diário de Notícias de hoje anuncia que o Deutsche Bank assusta com "alertas já indisfarçáveis"(clicar para ler).
 
Segundo essa notícia, o FMI " alertou a 30 de junho que o Deutsche Bank apresenta o maior risco para a estabilidade financeira mundial, tendo na altura recomendado ao governo alemão que tenha todas as ferramentas disponíveis para lidar com uma resolução bancária. No mesmo dia, a Reserva Federal divulgou que as subsidiárias norte-americanas do Deutsche Bank e do Santander chumbaram no teste anual de stress daquela autoridade, devido a falhas nos planos de capital e de gestão de risco. E este terá sido um dos catalisadores de uma nova fuga de investidores do banco alemão.
 
"A verdade é que os investidores estão a desfazer-se rapidamente dos papéis do Deutsche Bank, o maior banco da Alemanha e um dos maiores da Europa. Os ativos do Deutsche Bank são quase metade do PIB alemão. Os sinais alarmantes agudizaram-se desde que o banco falhou os testes dos EUA e à medida que se aproxima a data em que terá de se adequar aos novos rácios de capital para os bancos europeus".
 
O Santander, outro dos protegidos dos burocratas de Bruxelas, e o grande beneficiário  com o caso BANIF, que tanto contribuiu para aumentar o deficit português, é o outro banco em causa.
 
Percebe-se a necessidade de desviar as atenções para o incumprimento do deficit em Portugal e Espanha, ainda por cima provocado pela aplicação do próprio remédio imposto pela troika de Bruxelas e pela imposição da desastrosa "solução" BANIF.
 
Os burocratas de Bruxelas, precisam de desviar a atenção do seu próprio falhanço, da incompetência em resolver a crise migratória e o "Brexit", do descalabro do euro e da grave crise financeira que se avizinha.
 
É que quem enche os  bolsos dos burocratas do Politburo de Bruxelas é esse mesmo sistema financeiro que servem e que tem, a liderá-lo, o Deutche Bank.
 
...mais palavras para quê?

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Governo deu indicações para esconder prejuízos do BPN



A Antena 1 divulgou hoje  (clicar para ouvir e ler a notícia) o resultado de uma investigação que pode ser a verdadeira "Bomba Atómica" desta campanha eleitoral.

Segundo essa investigação, o governo, via Maria Luís Albuquerque, que era na altura secretária de estado, deu indicações à Parvalorem para esconder prejuizos do BPN com o objectivo de reduzir artificialmente o défit orçamental de 2012 (leia-se, enganar a troika e os portugueses) em mais de 100 milhões de euros.

Segundo  o desenvolvimento dessa notícia na página on-line do Diário de Notícias ( e que pode ser lida integralmente clicando em baixo) num documento enviado à tutela, "a Parvalorem anunciou que "após o trabalho cirúrgico conseguimos reduzir o valor das imparidades de 577 milhões de euros para 420 milhões de euros".


No mesmo dia, "a empresa recebeu um agradecimento de Maria Luís Albuquerque, referindo que queria uma redução ainda superior, mas a admitir que talvez "não fosse possível melhor".

Se depois disto as próximas sondagens continuarem a dar uma vitória folgada à coligação de direita ou, pior do que isso, se essa vitória se confirmar no Domingo, algo vai muito mal neste país.

Pior que isso, depois do escândalo dos Swaps, à ministra Albuquerque só restará a demissão, seja qual for o desfecho eleitoral.

Governo deu indicações para esconder prejuízos do BPN - Economia - DN

terça-feira, 26 de maio de 2015

Cortes nas Pensões - Maria Luís Albuquerque, uma ministra que diz a verdade no meio de um governo liderado por um mentiroso.


Uma coisa não se pode negar à ministra das finanças, Maria Luís Albuquerque: ser sincera, não fugir à verdade e acreditar sinceramente naquilo que diz.

Ao falar para uma assembleia de “jotinhas”, futuros líderes do país, limitou-se a fazer aquilo que este governo faz bem , que é o de virar portugueses contra portugueses, usando a velha técnica de dividir para reinar.

Segundo a retórica situacionista, quem é o principal inimigo de os jovens não terem emprego ou ganharem salários baixos em trabalhos precários? As gerações mais velhas, que “ocupam” os “bons lugares” que deviam pertencer a essa juventude ou os pensionistas que “consomem” as finanças.

Por isso não é de admirar que, perante uma assembleia rendida e com esse preconceito martelado na cabeça pela propaganda do partido que apoiam, se entusiasmasse e lhe fugisse a boca para a verdade: se continuar a governar este governo vai cortar nas pensões, nas futuras e nas actuais.

Maria Luis Albuquerque limitou-se a dizer a verdade, coisa que caiu muito mal entre muitos dos seus apoiantes em momento eleitoral.

Toda a gente se recorda das promessas de Passos Coelho em relação aos cortes nas pensões, nos salários e aos despedimentos na função pública, na última campanha eleitoral, acabando por fazer exactamente o contrário que prometeu. Só que na altura não tinha ao seu lado Maria Luis Albuquerque para nos esclarecer sobre as suas verdadeiras intenções.

Pode vir agora o motard ministro do trabalho, Mota Soares desmentir a sua colega de governo ou a própria ministra, provavelmente apertada nos bastidores, a tentar desmentir o que disse, que ninguém acredita que esta maioria, se ganhar as eleições e continuar a governar, não vai cortar nas pensões, indo, aliás, ao encontro de uma intenção já ensaiada anteriormente e chumbada pelo tribunal Constitucional.

Mesmo se vier um governo diferente, o actual, numa atitude que desrespeita a vontade do eleitores, já deixou o terreno armadilhado com a apresentação em Bruxelas de uma promessa de cortes de 600 milhões de euros. E claro, o eixo Bruxelas-Frankfurt-Berlim, pouco preocupada com as escolhas democráticas dos cidadãos europeus, pois obedece apenas ao corrupto mercado financeiro que alimenta a sua burocracia, esfrega as mãos de contentamento face a este compromisso feito nas costas dos portugueses.

É óbvio que existe um problema nas pensões, mas foi um problema criado pelo próprio governo da ministra. As medidas de austeridade do memorando, abraçadas pela actual maioria como o seu programa, indo mesmo “além da troika”,  levaram o país a um aumento do desemprego, do emprego precário, das desigualdades, da emigração de jovens qualificados, tudo resultando num aumento de despesas com a segurança social e a uma redução drástica das suas receitas, reflectindo-se tudo isso numa das mais graves crises demográficas da história do país.

Além disso foi este governo que resolveu assumir as pensões privadas dos bancários, com reflexos graves no equilíbrio das contas da segurança social no futuro, comprometendo-se a gerir essas pensões de forma diferente e sem os cortes dos restantes pensionistas.

Foi também este governo que, em vez de fazer uma profunda “reforma estrutural” que criasse um tecto nas pensões (que não deviam ultrapassar os 3 ou 4 mil euros), que fizesse com que  os administradores do banco de Portugal e de outras empresas públicas ou os políticos subvencionados passassem a receber  pensões de acordo com o que de facto descontaram ao  longo da vida, como acontece com os restantes pensionistas, se limitaram a cortes cegos em todas as pensões e tentando, até ao momento sem êxito, (mas, como disse a ministra, tentarão novamente), reduzir pensões já atribuídas a partir de um patamar de 500 euros, tentando aplicar os mesmos cortes a pensionistas que recebem de acordo com o que descontaram de facto, recebendo pensões calculadas de forma mais desvantajosa, e a outros que foram beneficiados com pensões onde as formas de cálculo foram mais benevolentes, para não falar dos privilegiados que receberam pensões, bem acima da média, como políticos e administradores de empresas públicas e da banca.

Numa coisa as afirmações de Maria Luís Albuquerque têm mérito: a partir de agora a questão das pensões tornou-se uma questão fulcral da campanha eleitoral e os partidos concorrentes não podem fugir ao tema.

Espero que todos os trabalhadores, futuros pensionistas e actuais pensionistas estejam atentos  e forcem os candidatos a governantes a esclarecerem o que pensam sobre o tema.



                                                       

quarta-feira, 18 de março de 2015

Confrontos violentos em Frankfurt, na Alemanha, marcam inauguração da nova sede do BCE


A violência é sempre má conselheira.

Mas quando a indignação é grande esta torna-se quase incontrolável.

Ainda por cima se estamos perante instituições anti-democráticas.

Tudo teve origem na inauguração da nova sede do Banco Central Europeu (BCE), uma obra que era para ser inaugurada quase clandestinamente, pois temia-se o que aconteceu, já que a obra custou mais de ....mil milhões de euros.

Estamos pois perante uma obra encomendada por uma instituição sem controle democrático mas que é responsável pela destruição de direitos sociais e pelo empobrecimento generalizado dos cidadãos europeus, defensora da austeridade...para os outros!!!

A indignação gerada pelo acontecimento dessa arrogante instituição foi assim mais forte do qualquer atitude ordeira e racional...é caso para dizer que...estavam mesmso a pedi-las!!!

segunda-feira, 16 de março de 2015

Marc Roche considera caso BES pior que o Lehman Brothers

Os aldrabões da alta finança continuam activos.

A história é contada no livro de Marc Roche, que dedica um capítulo especial à banca portuguesa.

Recomendações? : a prisão dos criminosos e o fim da corrupta ligação entre o mundo financeiro e o da política.

sábado, 6 de dezembro de 2014

À CUSTA DE TANTO VIAJAR PASSOS COELHO OU JÁ NÃO CONHECE O PAÍS ONDE VIVE OU PERDEU-SE NO PAÍS DAS MARAVILHAS: Passos diz que economia estava aprisionada e que "donos do país estão a desaparecer"

Depois de se sair com mais uma das suas alarvidades mentirosas, dizendo que em Portugal "não foi o mexilhão que se lixou" com a crise e a austeridade, saiu-se com outro disparate ao afirmar que, graças ao seu governo "os donos do país estão a desaparecer".


Ficamos assim a saber que, para Passos Coelho, os "donos do país" eram os desempregados que ele provocou com as suas políticas, eram os jovens que ele empurrou para a emigração, eram os pensionistas que viram as suas míseras pensões serem cortadas, eram os trabalhadores a quem ele retirou direitos sociais e cortou vencimentos, ou os cidadãos que sofreram um "brutal aumento de impostos".

Ou o mexilhão que lhe serviram estava estragado ou, à custa de tanto viajar, Passos Coelho já não sabe em que país anda, ou perdeu-se na floresta do País das Maravilhas da Alice.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

A GRANDE FALÁCIA (mais uma...) :Portugal recupera 15 lugares no índice global de competitividade

Ácerca da divulgação de mais um relatório sobre o "índice global de competividade"(
Portugal recupera 15 lugares no índice global de competitividade - PÚBLICO) , jà AQUI escrevemos, em 2009, o que pensamos destes "índices".

Além da autêntica falácia que eles representam, há que recordar que a tão propagada "evolução" da "competitividade" em Portugal foi conseguida, em grande parte, graças à "flexibilidade laboral" e às "reformas" do governo, ou, traduzindo por miúdos, pela desvalorização do trabalho, com cortes salariais e perda de direitos, pelo aumento de impostos, pelo empobrecimento geral da população.

Mesmo assim não deixa de ser curioso que, apesar das tão propagadas "reformas", a classificação de Portugal nesse malfadado índice, o 36º lugar, continua longe do 23º lugar ocupado em 2002, quando os portugueses viviam "acima das suas possibilidades" e o "Estado" estava "controlado" pelas "corporações de sindicatos e profissionais" e os funcionários públicos eram uns "privilegiados"!!!!

Ainda sobre a falácia desse rakings, aqui fazemos nossas as palavras de Santana Castilho sobre a ditadura dos instrumentos de avaliação, aquilo que ele designa como uma versão moderna de fascismo:

“ (…)
“Há hoje um verdadeiro poder oculto, uma autêntica ideologia dominante, que nos invade a vida: para onde quer que nos viremos, somos interpelados por instrumentos de avaliação. Mas as práticas avaliativas, desde que enquistadas em modelos burocráticos e universais, ou são instrumentos de poder e de controlo social, alegadamente para tornar mais eficiente o funcionamento das nossas instituições, ou não passam de modismos improdutivos, macaqueados por uma sociedade que pensa pouco e obedece demasiado.

Na administração pública e no governo do país há uma casta de fundamentalistas da aritmética política que, fazendo da estatística guião e da econometria bíblia, tudo querem reduzir a rankings. Como se o interior das pessoas, os problemas da educação, da saúde ou da justiça, entre tantos que afectam os humanos, fossem assim solucionáveis.

Noutros tempos, os invasores eram combatidos. Na cultura avaliativa que hoje impera, são muitas vezes os «invadidos» que endeusam o conceito e que facilitam e solicitam a acção dos «invasores». Neste contexto, as tecnologias modernas de comunicação e informação assumem particular relevância, pondo todos a observar todos, numa devassa inimaginável da privacidade de cada um e numa actividade de controlo social exercido em cadeia. Os teóricos desta moderna avaliação têm uma propensão monstruosa para tudo gerir com a aplicação de modelos, que reduzem culturas e contextos díspares à mesma escravatura de resultados.


Entendamo-nos. Desde sempre, todos os chefes competentes e todos os chefiados honestos concordaram com a necessidade de avaliar para gerir bem. Mas dificilmente alguém me convencerá de que é útil aplicar medidas de desempenho estereotipadas, normalizadas e gerais a tudo o que é diverso. Ou que se pode tudo medir e tudo indexar a resultados, índices e rankings. É esta cultura de avaliação tendente a constituir-se como autoridade única, radical, que paulatinamente vai unificando práticas, vigiando e suscitando veneração, que contesto. É a relevância que se lhe atribui que repudio. É a passividade da sociedade face a uma certa versão moderna de fascismo que me preocupa”.

(Santana Castilho, "Uma certa versão moderna de Fascismo", Público 27 de Agosto de 2014)

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Para os senhores de Davos: Os 85 mais ricos do mundo têm tanto como a metade mais pobre.

Agora que os poderosos deste mundo se voltam a reunir em Davos, é bom que tenham em atenção os dados recentemente revelados: 

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

…eu, se fosse alemão, também votava na srª Merkel…


Tudo indica que Merkel vai voltar a vencer as eleições legislativas na Alemanha.
 
A dúvida é se mentem a actual maioria, pois espera-se o descalabro eleitoral dos seus aliados “liberais”, e com quem se vai poder aliar depois das eleições.

Seja com for, percebe-se porque é que os alemães continuam a confiar na srª Merkel.

Ela aplica no seu país o contrário daquilo que defende para os países na Europa: aperfeiçoamento do Estado Social; aumento de regalias sociais; aumentos salariais; forte investimento público, tendo como resultado uma das mais baixas taxas de desemprego na Europa e um crescimento superior aos restantes países Europeus.

Ainda por cima, contribuiu, com a imposição de medidas de austeridade aos países do sul, para que as finanças alemãs tenham lucrado mais de 100 mil milhões de euros com os resgates, mantendo o marco…desculpem.., o euro,  com um valor superior ao dólar.

Por último ela manda e desmanda na Europa, vergando a França e a Grã-Bretanha, mantendo os seus “caniches” de estimação à frente da Comissão Europeia , do  BCE e dos governos Grego, Português e Espanhol, não havendo ninguém que se atreva a fazer-lhe frente, até porque, fazendo-o, arriscavam-se a perder os empregos.

Claro que a prazo tudo isso se pode virar contra a Alemanha, principalmente quando a Rússia voltar a contar no plano político e económico, como já começa a acontecer,  e quando a situação financeira chinesa implodir.

Também vai voltar a ser difícil reconquistar a confiança dos europeus na construção europeia, já que a Alemanha criou anticorpos um pouco por toda a Europa, fazendo renascer das cinzas velhos fantasmas.

Ninguém se esquece que a Alemanha destruiu por duas vezes a Europa, no século passado, nem que a Alemanha beneficiou de perdões de dívida, ajudas internacionais e perdões no incumprimento dos défices por duas ocasiões, após a reconstrução do pós-guerra e durante o processo de unificação.

Tudo isso é o contrário da receita que procura impor aos países em dificuldades, esquecendo-se da diferença entre o “Tratado de Versalhes”, que defende para os outros, e o “Plano Mashal” a que recorre sempre que está em dificuldades.

Mas esses problemas ainda estão distantes e por agora a arrogância da srª Merkel encaixa bem no espírito do cidadão médio alemão…para nosso mal!

...já agora leiam este esclarecedor artigo:


Revista Números Rojos » Alemania, la mentira de los minijobs (clique  para ler)

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O CROMO (Mais um) DO FMI: Relator do FMI sobre Portugal destituído em Espanha por falsa autoria .



Já se sabia que o famoso relatório do FMI estava cheio de erros, meias verdades e má-fé, tudo “barrado” com abjectos preconceitos neoliberais.


Uma verdadeira fraude paga pelos contribuintes, obedecendo a um único objectivo, servir de base para o programa de destruição do nosso já de si frágil “Estado Social”.


O que ainda não se sabia era que essa fraude, elaborada de forma fraudulenta, passe a redundância, não tinha por detrás simples “técnicos” que se limitaram a escrever um documento encomendado e bem pago, para justificar o programa ideológico do desumano neoliberalismo “passoscoelhista”,  mas verdadeiras fraudes humanas.


O espanhol que fez parte dessa equipa era um aldrabão, que foi agora apanhado em Espanha. Mas mais que um aldrabão, revelou-se um mercenário da ideologia neoliberal. Ligado ao PSOE, defendia, em artigos pagos a peso de ouro, exactamente o contrário daquilo que assinou no documento sobre Portugal, ou seja, diz aquilo que lhe pedem para dizer e escrever, é tudo uma questão de preço. É preciso reconhecer “lata” a tão “ilustre” cromo!


Aguardam-se cenas dos próximos capítulos e mais revelações sobre os broncos mercenários que elaboraram tão abjecto documento.


Relator do FMI sobre Portugal destituído em Espanha por falsa autoria - PÚBLICO(clicar para ler notícia).

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O "CABO" DO MEDO : a propósito da entrevista de Passos Coelho à TVI

"Não é possível não ir às despesas com pessoal [na saúde e na educação] e às prestações sociais".
Esta é a frase  que marcou a entrevista que Passos Coelho deu ontem à TVI.
Ficamos assim a saber o que é que o primeiro-ministro pensa daquilo que ele designa como "Reforma do Estado" e que nós chamariamos "Contra-revolução neoliberal".
A obsessão ideológica de Passos Coelho fica assim anunciada nessa entrevista.Fugindo à pergunta da entrevistadora sobre se vai cortar nas reformas abaixo do mil euros, essa fuga revela todo um programa. É óbvio que essas pensões vão sofrer cortes, é esta a lógica de todas as atitudes deste governo.
Também ficamos a perceber, pelos silêncios, que a educação e a saúde vão deixar de ser universais e até é provável que  voltem as propinas ao ensino secundário, uma medida que, a concretizar-se, é contraditória com o alargamento do ensino obrigatório até ao 12º anos. 
O mais grave das medidas fica adiado para Fevereiro, mas é evidente a obsessão deste governo contra os funcionários do Estado  que não tenham chegado aí por nomeação política de "boys"e a voragem para entregar os serviços do Estado aos apetites dos privados.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O SR. ULRICH, A BANCA E OS SEUS ACCIONISTAS AGUENTAM PAGAR MAIS PELAS TRANSACÇÕES FINANCEIRAS, PELOS DIVIDENDOS E PELO COMBATE À EVASÃO PARA OS PARAÍSOS FISCAIS? AI AGUENTAM, AGUENTAM!!!




Ontem reagimos a quente às vergonhosas e descaradas provocações proferidas pelo presidente  do BPI, o sr. Fernando Ulrich.

É que, perante tanta desfaçatez e falta de respeito por aqueles que estão a pagar para a crise já não há pachorra para atitudes racionais. Só nos resta cada vez mais a atitude de um Bordalo Pinheiro e mandá-los para o mesmo sítio para onde eles nos costumam mandar, de modo mais velado e “educado”, cada vez que abrem a boca.

A desfaçatez do individuo foi ainda mais escandalosa quando se sabe que ele, e outros como ele, tem responsabilidade pelo sector financeiro que é o principal responsável pela trágica situação do país e, mesmo assim, continuam impunes à crise, quanto  muito levando um ligeiro beliscão aqui ou acolá, mas que não abalam os lucros sempre crescentes da banca, muito à custa da especulação à volta dos juros da dívida e da aquisição de dinheiro barato junto do BCE, beneficiando ainda da maior fatia do bolo do empréstimo que estamos todos a pagar.

De facto, sabe-se que quem compra a dívida portuguesa é, maioritariamente, o “mercado” nacional, o mesmo é dizer, a banca nacional, que beneficia assim dos juros usurários e especulativos desses juros, que o Estado tem de pagar à custa do aumento de impostos e dos cortes salariais nos funcionários públicos.

Percebe-se assim os lucros fabulosos da banca, apesar de vivermos em “crise”, o que é um contra-senso ao histórico deste tipo de situações e só demonstra a falácia desta “crise”.

Uma outra situação que beneficia o sector do qual o sr. Ulrich é um dos rostos conhecidos do mal que causam aos cidadãos e trabalhadores portuguese é a disponibilidade que existe da banca aceder em condições muito benéficas a uma grande fatia do “bolo” do empréstimo da troika, que está a ser pago por todos nós, á custa do aumento de desemprego, ao empobrecimento generalizado de quem trabalha e produz, ao aumento da dos impostos e ao aumento dos níveis de pobreza.

Se juntarmos a tudo  isso a forma como a banca está a estrangular empresas e cidadãos com restrições ao crédito, ainda mais razões nos assistem para perder as estribeiras quando ouvimos esse senhor.

Por isso as afirmações do sr. Ulrich nos merecem o maior desprezo e  os piores  impropérios, pois é preciso muito descaramento par vir em defesa do aumento de austeridade, com o á vontade de quem sabe que os sacrifícios lhe vão passar ao lado, podendo até beneficiar com ela, falando aos portugueses como o falaria o sr. feudal aos seus servos.

A desfaçatez foi ainda mais longe, aos desvalorizar os níveis de desemprego em Portugal e dando a atender que ainda havia espaço para mais  desemprego, comparativamente com o que sucede na Grécia.

Mas a boçalidade do senhor foi ainda mais completa quando desvalorizou as manifestações de violência desesperada na Grécia, como umas meras “montras partidas”. Não gostávamos que a situação portuguesa descambasse para a violência da Grécia, mas, se chegarmos aí, espero que os manifestantes mais radicais se lembrem das palavras do sr. Ulrich e se apliquem nas montras do BPI….

Num ponto estamos de acordo com o sr. Ulrich, um parte do país aguenta mais austeridade, “ai aguenta, aguenta!”. Estamos  a pensar, por exemplo, no sector financeiro.

Recordando aqui algumas propostas apresentadas pela CGTP e outras pessoas e instituições para aumentar a receita do Estado, sem ser à custa dos mesmos de sempre (trabalhadores, pensionistas, empresários produtivos e cidadãos no geral), é caso par afirmar, pegando naquelas palavras:

 - O sr. Ulrich, a banca e os seus accionistas aguentam a criação de uma taxa de 0,25% sobre as transacções financeiras, que permitia arrecadar uma receita fiscal de mais de dois mil milhões de euros? Ai aguentam, aguentam!.

- O sr. Ulrich, a banca e os seus accionistas aguentam a criação de um novo escalão de IRC sobre a banca, que permitia arrecadar mais de um milhão de euros? Ai aguentam, aguentam!

- o sr. Ulrich, a banca e os seus accionistas aguentam uma tributação adicional dos dividendos que permitiam arrecadar mais um milhão e meio de euros? Ai aguentam, aguentam!

- o sr. Ulrich, a banca e os seus accionistas aguentam o combate à fraude a à evasão fiscal, que permitia arrecadar mais dois mil milhões de euros? Ai aguentam, aguentam!

Temos de agradecer ao sr. Ulrich ter-nos levado a  recordar aqui essa proposta da  CGTP que permitiria arrecadar cerca de 6 mil milhões de euros à especulação financeira, um bom contibuto para as necessidades do país …