quarta-feira, 26 de abril de 2017

Portugal visto do espaço: A Melhor homenagem ao 25 de Abril

O astronauta francês Thomas Pesquet resolveu comemorar o 25 de Abril colocando duas fotografias na sua página do Twitter.
Escreveu o cientista francês que "habitualmente costuma fazer zoom sobre Portugal" e por isso "nada melhor que uma vista de conjunto" de Portugal, tirada uns dias antes, "para celebrar a Revolta dos Cravos e a sua mensagem democrática".
Além dessa imagem de conjunto incluiu também uma imagem de Lisboa,
Foi talvez a melhor homenagem feita ao 25 de Abril em mais um aniversário da data:
 
 

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Entre Le Pen e Macron...venha o Diabo e escolha...mas, já agora,...escolha Marcon!


Le Pen não engana ninguém.

Dela já sabemos o que pretende e ao que vem.

O problema é Macron, embora não exista alternativa para quem queira evitar a chegada da extrema-diraita ao poder a não ser pôr uma mola no nariz, tapar os olhos, engolir um gigantesco sapo… e votar em Macron… e depois deinfectar muito bem as mãos…

Macron é um produto do poder financeiro que tem destruído o projecto europeu, um aliado do sr. Schauble e do louco holandês que manda no Eurogrupo…mas, enquanto o pau vai e vem…folgam as costas…o mesmo é dizer, antes Macron que Le Pen….uma vitória de Macron pode dar tempo para a Europa repensar o seu caminho e para tentar afastar a extrema-direita do poder…

O sr. Macron é um demagogo, um ultra neoliberal, um politico aldrabão….mas Le Pen é bem pior…por isso…vá lá amigos franceses, mais uma vez ganhem coragem e votem no mal menor….

Não sei se o facto de aparecerem agora os rostos dos tristes líderes das instituições europeias a darem o seu apoio eufórico ao sr. Marcon é boa publicidade….mas tenho a esperança que os franceses, não será por isso, ao verem os rostos do mal europeu ao lado do senhor Macron que  vão deixar de votar no Macron…

Antes uma democracia miserável do que uma ditadura criminosa!!!!

sexta-feira, 21 de abril de 2017

O Daesh entra na campanha eleitoral em França


Os bandidos do Daesh são uns monstros, mas não são parvos.

Ontem à noite entraram na campanha eleitoral francesa.

Quando a candidatura da extrema-direita de Marine Le Pen começava a entra em queda livre, colocando-se já a hipótese de nem passar à segunda volta, o Daesh veio dar uma mãozinha à senhora.

A poucas horas das eleições, o Daesh vem reforçar a retórica de Le Pen e ajudá-la a chegar à segunda volta, isto se ela não ganhar logo à primeira, pois ainda existem 30% de indecisos e, por mim, não tenho muitas dúvidas que a maioria do indecisos não manifestam a sua intenção apenas por vergonha de se assumirem como apoiantes da extrema-direita.

Pela minha parte, se fosse francês, votava em Mélénchon, já que Macron e Fillon são “mais do mesmo”, e a Europa precisa de ideias novas e de mudar a ideologia “austeritária”, defendida pelo corrupto Fillon e pelo “Blair” francês, o sr. Macron.

Numa segunda volta, contra Le Pen, votaria contra ela, engolindo o sapo se for Macron, em qualquer candidato, menos se este for o sr. Fillon.

Neste caso votaria em branco pois, entre o racismo de Le Pen ou os programa anti-social e austeritário de Fillon…venha “o diabo e escolha”…

sexta-feira, 7 de abril de 2017

A Fotografia da Semana

(Foto de Martin Divisek/EPA)
 
O relojoeiro Petr Skar em trabalhos de manutenção no celebre e centenário relógio astronómico de Praga.

O Cartoon da Semana


quarta-feira, 5 de abril de 2017

A Confissão de um “populista"


 
Parece que agora está na moda aplicar o chavão de “POPULISTA” a todos os que criticam as instituições europeias e o caminho “austeritário” que estas nos impõem.

Parece que é “POPULISTA” exigir que as instituições europeias e os seus lideres respeitem os direitos sociais que estão na base do próprio êxito que deu prestigio à União Europeia e que fez dela um modelo a ser seguido, e que eles agora querem limitar e destruir em nome da “austeridade” e das “reformas estrururais”.

Parece que é “POPULISTA” defender a igualdade de salários para as mesmas tarefas e as  pensões nas mesmas condições, nos países da União Europeia que usam a mesma moeda.

E, já agora, parece que é “POPULISTA” defender a existência de um ordenado mínimo digno  em todos os países da União Europeia.

Parece que é também “POPULISTA” criticar a existência de paraísos fiscais no seio da União Europeia e exigir a sua extinção e a penalização exemplar às empresas e cidadãos europeus que delas  se servem para fugir ao justo pagamento de impostos.

Parece ainda que, considerar criminosos os privilégios dos burocratas de Bruxelas, criticar o descalabro na construção da moeda única e os benefícios de que goza o poder financeiro, face à austeridade imposta aos cidadãos europeus, também é “POPULISMO”.

Não deixa de ser curioso que o programa socialmente extremista, xenófobo e racista do verdadeiro “populismo” (que, a bem dizer, é um eufemismo do velho fascismo de sempre) seja adoptado por respeitáveis políticos e partidos “europeístas”, que assim o legitimam, com a desculpa de o poderem assim combater eleitoralmente, ao mesmo tempo que misturam no mesmo saco o velho e reacionário populismo e todos os que criticam a actual política europeia, esta sim a verdadeira responsável pelo crescimento eleitoral do actual populismo.

Ao que parece, é “POPULISTA” exigir que os governos cumprem as suas promessas e governem tendo como objectivo o bem estar dos seus cidadãos e o combate às desigualdades sociais.

Ou, como diz o cartoon que escolhemos para ilustrar este texto, é “quando os governos se tornam impopulares que surgem os populistas”…

terça-feira, 4 de abril de 2017

As Baratas tontas que lideram a União Europeia e o sr. Dijsselqualquercoisa….


Parece que agora, para as baratas tontas que, para nossa desgraça e miséria, lideram a União Europeia, o sr. Dijsselbloemoulácomosechama tornou-se o bode expiatório de década e meia de destruição do projecto europeu.

Claro que, se precisarem, eu também contribuo para “bater no ceguinho”. Aliás o sr. Dijsselqualquercoisa nunca me enganou e até há muito tempo que o aponto como um dos “rostos do mal” que assolaram esta triste Europa e muito tem contribuído para a destruição e descaracterização de um belo projecto de cidadania e democracia, em nome da rendição a obscuros interesses financeiros.

Mas, o que não deixa de ser curioso, é que os lideres das duas principais famílias políticas europeias só agora se tenham apercebido do “monstro” que apoiaram e puseram à frente do moribundo e antidemocrático “eurogrupo”.

Já se esqueceram da forma como aplaudiram e apoiaram as atitudes dessa louco holandês quando este humilhava diariamente os países do sul?

Agora que essa triste figurinha do “trabalhismo”(????) holandês deixou cair a máscara e sofreu uma humilhante derrota eleitoral é fácil e “politicamente correcto” desancar no homenzinho.

Mas seria bom que se lembrassem que essa figurinha foi até há pouco tempo o rosto das politicas “austeritárias”, da humilhação dos países do sul, do ataque e destruição aos direitos socias, da defesa dos salários baixos, da submissão ao poder financeiro que tanto contribui para desacreditar o projecto europeu junto dos cidadãos da Europa e que têm atirado muitos eleitores para os braços da extrema direita populista.

E, mais ainda, que todas essas “reformas estruturais” que têm conduzido a Europa para o desastre, executadas e preconizadas pelo sr. Dijssalbloem, têm sido alegremente e despudoradamente apoiadas pelos partidos do centrão europeu que agora se mostram tão chocados com a boçalidade do dito senhor.

Seria bom recordar que, atacar e criticar o dito figurão, implica a autocritica desses partidos à sua própria atitude face ao rumo recente da União Europeia e têm de incluir na “àgua do banho” do projecto Europeu, não só o dito sr., mas também toda a trupe da troika, do BCE, da Comissão Europeia, com especial destaque para a herança da presidência Barroso, para as aldrabices financeiras do sr. Juncker, para a boçalidade do patrão do dito senhor, o irrascível Wolfgang Schäuble, (aliás, o grande inspirador das acções do holandês da brilhantina), ou para o seu braço direito nisto tudo, o sr. Moscovici.

Será que estão assim tão empenhados em mudar alguma coisa, ou tudo não passa de, como se diz por cá, entre “copos e mulheres”, pura “tesão de mijo”???.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

A história dos irmãos comunistas que salvaram a capela de Nossa Senhora


Fui hoje apresentado a um velho militante comunista, natural de uma aldeia do concelho de Torres Vedras, mas que saiu deste concelho poucos anos depois do 25 de Abril, tendo vivido num concelho do Alentejo, no qual chegou a desempenhar o cargo de vereador.

Não vou aqui identifica-lo, nem a ele nem à aldeia onde se passou  a saborosa história que ele me contou, e que vou tentar reproduzir aqui.

Ele e os irmãos já eram comunistas antes do 25 de Abril e, na sua noção muito peculiar de comunismo, procuraram contribuir para melhorar as condições de vida dos habitantes de uma aldeia que vivia isolada, no topo de uma serra, das muitas que enxameiam este concelho, sem estrada, sem àgua e sem luz.

Para isso estiveram na origem da criação de uma Comissão de Melhoramentos ( já que no regime anterior não se podiam designar pelo “revolucionário” nome de Comissão de Moradores) e tentaram tomar várias medidas para atenuar a dureza do isolamento dos aldeões, homens do campo que trabalhavam nas terras das quintas próximas.

Começaram por construir a sede da Comissão, equipada com uma televisão, que funcionava com gerador, para que os seus habitantes, que não tinham luz em casa, pudessem ter alguns momentos de lazer no intervalo da sua dura labuta diária.

Depois tentaram melhorar os caminhos de acesso, quer à então vila, quer à aldeia sede de freguesia vizinha, para facilitar a deslocação para o trabalho e para a escola, levar a àgua à aldeia, nas difíceis condições de uma aldeia situada num sitio bastante alto, trabalho que encontrou uma situação mais favorável após o 25 de Abril, altura em que se tornou também possível fazer chegar a iluminação à aldeia.

Conhecendo o carácter dinâmico dos irmãos comunistas, e apesar de não professar das suas ideias, uma prima deles, devota da Nossa Senhora padroeira da aldeia, pediu-lhes que usassem os seus conhecimentos e a sua capacidade de trabalho para salvarem a capela que corria sérios riscos de derrocada.

Estes prontificaram-se a ajudar, em parte porque ajudar os vizinhos estava na sua noção se “comunismo”, em parte para desmentir a ideia que muitos faziam do seu comunismo, e, em parte, porque tinha circulado a notícia, talvez falsa, segundo a qual uns comunistas do norte do país tinham deitado a baixo uma outra capela.

Contudo, eles propuseram que não fossem eles a surgir publicamente como autores da iniciativa, porque, por um lado muitos desconfiavam dos irmãos “comunistas”, e, por outro, para salvar a capela e construir um  muro de protecção, era preciso derrubar umas árvores e construir um muro na propriedade de um rico proprietário local, pouco dado a colaborar com comunistas.

E foi assim que propuseram à prima que, juntamente com a esposa do irmão que nos contou a história e outras duas devotas da aldeia, formassem uma comissão de mulheres da Igreja que angariassem fundos para obra e se deslocassem ao tal proprietário a  pedir para que ele deixasse cortara as árvores, cujas raízes estavam a destruir as paredes da capela, e permitisse a construção do muro que evitasse a queda eminente do edifício.

O tal proprietário foi convidado a visitar a capela. Este, ao entrar, e depois de se ajoelhar perante a imagem da Santa, anuiu em fazer tudo o que pudesse para “salvar a Nossa Senhora”.

Após conseguirem o apoio do dono das terras junto à capela, os quatro irmãos comunistas angariaram materiais e voluntários, arrancaram as árvores que estavam a arruinar a capela e construíram um grande muro para proteger um dos raros monumentos da aldeia, símbolo da sua identidade.

Foi com apreensão que esperaram pelo inverno pois, se algo corresse mal e a capela, apesar da obras que eles conduziram, sofresse alguma ruina, diriam sempre que foram os “comunistas” que não fizeram nada para a salvar ou, pior ainda, tinham sabotado a obra.

Para alegria de todos, a capela, não só sobreviveu a esse inverno, como hoje, 40 anos depois, e para orgulho do meu interlocutor, continua de pé sem a mais leve beliscadura.

O “irmão comunista” que hoje, à mesa de um café, me contou esta história, conta reunir esta e outras histórias da sua aldeia, mas não resisti a antecipar-me e contar este pequeno episódio.
(Parte da História que contámos pode ser vista AQUI)

sexta-feira, 31 de março de 2017

A Foto da Semana

(Fotografia de Kevin Frayer/Getty Image)
Um mecânico de bicicletas de Pequim no meio de bicicletas para reparar.

quarta-feira, 29 de março de 2017

“Brexit” ou “Eurexit”?



A Grã-Bretanha assume hoje a sua saída da União Europeia, um processo que ainda vai demorar cerca de dois anos a concretizar-se plenamente.

Embora todas as análises considerem que vai ser a Grã-Bretanha a sofrer as piores consequências pela decisão, nada garante que assim seja.

Os países mais desenvolvidos da Europa estão fora da União Europeia, com são o caso da Noruega e da Suiça.

Por sua vez o único país que conseguiu ultrapassar a crise financeira e resolve-la de forma adequada e a favor dos cidadãos foi outro país que está fora da União Europeia (EU), como foi o caso da Islândia (que, aliás, desistiu do processo de adesão à União Europeia).

Por isso não é liquido que, a médio prazo, a Grã-Bretanha não venha a beneficiar da sua saída da EU.

Aliás, penso que é esta hipótese que mais preocupa os burocratas do Politburo de Bruxelas, pois uma Grã-Bretanha que a prazo venha a crescer e a melhorar as suas condições socias e económicas seria um “mau exemplo” para os burocratas de Bruxelas e podia entusiasmar outros países, sujeitos ao garrote “austeritário” de Bruxelas, a rebelarem-se a exigirem, ou um novo rumo para a Europa ou a saída da organização.

É essa preocupação que justifica a atitude de alguns desses burocratas, procurando hostilizar os britânicos e tornar a separação uma separação altamente litigiosa e conflituosa, dificultando ao máximo a saída, pois precisa que esse acto sirva de exemplo a qualquer tentativa de rebeldia no seio da EU.

Claro que os motivos que levaram a Grã-Bretanha a sair não são bons motivos, mas, se o resultado for o contrário do que é vaticinado por comentadores e políticos fiéis à ortodoxia de Bruxelas, o “Brexit” pode transformar-se, a prazo, num “Eurexit”.

"Brexit" em cartoon´s

terça-feira, 28 de março de 2017

Contra as "troikas" a o Politburo de Bruxelas, Eu, EUROPEU me confesso


A minha cultura, as minhas memórias, os meus valores e as minhas convicções são todas “europeístas”.

Nasci num país que ligou a Europa ao mundo, nem sempre pelas melhores razões e raramente da forma mais humana.

Nasci num país e fui criado num regime que copiou os tiques e os métodos de uma ideologia que nasceu na Europa, o fascismo  ( como nasceram na Europa o anarquismo, o liberalismo, a democracia, o comunismo, a social-democracia...).

Nasci num país e fui criado num regime que, na minha juventude, era ainda a última encarnação de uma atitude europeia face a outros povos, uma regime colonialista que sonhava com a preservação de um Império.

Nasci num país que tinha como religião oficial o cristianismo e onde a Igreja, para o bem e para o mal, tinha um poder imenso sobre os valores incutidos e o quotidiano de todo um povo.

Nasci e vivi num  país outro que lutou pelo ideal democrático e liberal ou partilhou ideologias alternativas ao Estado Novo, todas, para o bem e par o mal, criadas e fomentadas no espaço Europeu.

Muito da cultura que me incutiram na infância e na juventude, ora como modelo, ora com contraponto a esse modelo, foi toda ela uma cultura europeia ou “ocidental”, na musica, na literatura, no cinema, na banda-desenhada, nas artes plásticas…
 
Por isso não alinhei na euforia provinciana à volta da adesão a um dos modos possíveis de ser Europeu, pertencer à então CEE, como aconteceu em 1986.

Na altura existiam outros organismos parecidos, a EFTA, mais a norte e dominada pela Grã-Bretanha, e da qual o Estado Novo salazarista tinha sido um estado fundador e o COMECON, o equivalente económico nos estados do leste da Europa, ditaduras ditas “democracias populares”, lideradas pela União Soviética.

Curiosamente a EFTA ainda existe, formado apenas por 4 países, mas que são os países mais prósperos da Europa, a Noruega, a Islândia, a Suiça e o  Liechtenstein.

Para mim sempre pertencemos, para o bem e para o mal, à história, cultura e sociedade Europeias, um conjunto mais vasto e abrangente e culturalmente mais diverso e rico do que a actual União Europeia.

Por isso também não embarco na actual confusão reinante de rotular toda e qualquer crítica à deriva anti-democrática e anti-social reinante nas decisões tomadas pelas instituições “europeias”, como sendo “populismo” ou “eurocepticismo”.

Criticar o modelo “austeritário” imposto pelo politburo de Bruxelas, criticar a falta de democracia reinante nas instituições europeias, ou criticar as desigualdades crescentes provocadas pela forma como o “euro” foi implementado,  não é ser “euroceptico” ou “populista”, mas é, pelo contrário, alertar para os verdadeiros perigos que um projecto, com uma origem generosa de defesa na abertura de  fronteiras, no combate às  desigualdades sociais e na garantia de direitos sociais humanos e políticos, está a correr às mãos da actual elite que a dirige, cativada pelo corrupto poder financeiro.

De facto, é essa mesma deriva “austeritária” e “financista” que leva a fenómenos como o “Brexit” e está a gerar e a dar força ao verdadeiro populismo, que tem um nome que muitos temem pronunciar: neo-fascismo.

Criticar e encontrar alternativas a essa deriva da União Europeia, protagonizada por instituições burocratizadas  e reféns do poder financeiro,   e pelas suas actuais elites coniventes com  esse poder, é a única maneira de salvar um projecto que tem potencialidades para melhorar a vida dos cidadãos europeus e para se tornar uma verdadeira alternativa que, como o fez noutras alturas, combine a democracia e a liberdade com o combate às desigualdades sociais e a manutenção de direitos sociais, universais e humanistas.

Continuar na deriva actual, isso sim é condenar o projecto europeu à sua destruição e abrir caminho às derivas “populistas” xenófobas e neo-fascistas, fazendo a Europa regressar às suas guerras fratricidas de sempre.

Por isso, parem de me chamar “populista” e “eurocéptico” cada vez que defender uma Europa mais justa e humana, ou criticar a deriva “austeritária” imposta pelo “politburo” de Bruxelas.

Ser Europeu é defender a democracia, a liberdade, a justiça social e os direitos socias.

sábado, 25 de março de 2017

As única palavras lucidas no 60 º aniversário do projecto europeu


Dos burocratas do politburo de Bruxelas hoje reunidos em Roma, para comemorar um projecto que eles andam entretidos a destruir, pouco mais se espera que retórica e fotografias de circunstâncias.

As únicas palavras que os cidadãos europeus, vítimas dessa gente, gostariam  de ouvir foram proferidas por alguém que não pertence à triste liderança da União Europeia, e foram estas:

“O primeiro elemento da vitalidade europeia é a solidariedade. O espírito de solidariedade é hoje, e mais do que nunca, necessário, perante as forças centrifugas e a tentação de reduzir os ideais fundadores a práticas económicas e financeiras (…).Quando uma instituição perde o seu sentido de direcção e deixa de olhar para a frente, entra em regressão e, se ele se prolongar, morre”.

Não, a frase não foi dita por um “perigoso esquerdista” ou por um “perigoso eurocéptico”.

Foi dita por um dos únicos lideres lúcidos do ocidente, o papa Francisco, ontem ao receber os burocratas da União Europeia.

Será que eles  as perceberam???

O Respigo da Semana : "Em Roma já não sobra nada" por Francisco Louçã


"Em Roma já não sobra nada
por Francisco Louçã
Djisselbloem parece ser tudo o que a União Europeia tinha para dar. Tem sido ele quem faz, pois é uma marreta de Schauble, que cuida do controlo político sobre o euro através dessa instituição sem regras, o Eurogrupo. É ele, o dogma de uma política económica destruidora. É ele, a transumância política entre socialistas e a direita, nesse nevoeiro em que se tornou a “governança” europeia. Ou, como escrevia Viriato Soromenho Marques, europeísta lúcido, esta gente é a figuração de “um dos problemas europeus, sem remédio aparente, o défice de competência política e o excesso de cabotinismo que reina no fervilhar das chancelarias”.

A esse cabotinismo respondeu António Costa com um ultimato em tempo certo: demita-se, ou o euro não tem futuro. Só que pode parecer ou exagerado ou ambíguo. Se Djisselbloem sair, e vai sair dentro de alguns meses para salvar as aparências, outro virá para um caminho que poderá ser semelhante. O que é que então quer dizer que o euro não tem futuro – é por ter um cabotino à frente do Eurogrupo (a obedecer à Alemanha) ou é por seguir uma política cabotina (que a Alemanha impõe)? No dia da triste festa de Roma, não creio que haja outra pergunta.

Será então que o ministro holandês se limitou a exagerar os seus preconceitos, em contraste com a frieza equilibrante dos burocratas europeus, nada dados a exageros? A experiência diz que não. Afinal, tivemos a Grécia (vendam as ilhas, dizia um ministro alemão). Afinal, temos Guenther Oettinger, o comissário europeu promovido para dirigir o Orçamento e que exigia que os países endividados ficassem com a bandeira a meia haste (além de outras aleivosias racistas). Afinal, temos Juncker, que afirma que a França deve ser isenta das obrigações dos Tratados por ser a França. Se portanto nos perguntamos se Dijsselbloem é simplesmente uma anedota que se pode descartar com o abanar da mão, a prudência pede que se olhe para a floresta e não só para a árvore: o homem foi simplesmente a voz do governo europeu.

Terá sido por isso mesmo que Sampaio já se tinha erguido, aqui no PÚBLICO, contra o caminho do desastre: uma “corrida para o abismo”, com o “ponto de não retorno” do Brexit, tudo agravado pela inviabilidade de 10-15 anos de austeridade impostos pelo Tratado Orçamental aos países periféricos, a que ainda acresce a “gestão desastrosa” da questão dos refugiados e “uma clara acumulação de dificuldades, problemas mal resolvidos e alguns estrondosos insucessos” e, em consequência, “o esboroamento a olhos vistos da confiança na União Europeia, nas suas instituições e nos seus líderes”. O “esboroamento”, nada menos.

Mais, acrescentava o ex-Presidente, isto não vai ser corrigido: “o pior é que, de facto, ninguém parece acreditar que Bruxelas (ou Berlim) tenha qualquer iniciativa nos próximos meses para responder à crise da eurozona, para alterar a ortodoxia financeira dos credores ou para criar as condições institucionais e orçamentais que tornem possíveis programas de reforma nas economias mais frágeis”. O teste está a ser feito na Cimeira que decorre este fim de semana em Roma: haverá palavras de circunstância sobre o atentado de Londres e sobre os 60 anos da fundação, enquanto os cinco cenários de Juncker serão misericordiosamente enterrados e não haverá nada sobre como deve a União superar a desunião e o desprezo pela vida dos desempregados, ou dos trabalhadores, ou dos jovens. Afinal, o dijsselbloismo tem triunfado sem oposição nas cimeiras europeias.

Claro que em Portugal, apesar da indignação espraiada até entre os partidos de direita contra “as mulheres e os copos”, ainda sobrou a brigada conservadora que veio defender Dijsselbloem. Helena Garrido já tinha dito que o chefe dele, Schauble, tinha razão, aliás os chefes têm sempre razão e, se anuncia que vem um resgate, é porque sim e até é um favor que nos faz. Camilo Lourenço, um homem do CDS, alinhou imediatamente com Dijjselbloem, que andava tudo a exagerar e no fundo o homem tem razão.

José Manuel Fernandes reconhece, pesaroso, que a frase é “infeliz”, para logo também concluir que tem razão. Mais ainda, entusiasmado com a ideia, Fernandes ensaia no Observador a sua própria versão do dijsselbloemês, advertindo-nos paternalmente: “a próxima vez que um filho vosso (ou um irmão) que está em riscos de chumbar o ano vos vier pedir dinheiro para ir ‘com a malta’ para ‘a noite’ na véspera de um exame decisivo, passem-lhe logo o cartão do multibanco e o respectivo código, não vá ele acusar-vos de ‘moralismo’ e ‘preconceitos’, talvez mesmo de ‘xenofobia’, porventura de ‘racismo’ e ‘sexismo’. Como sabem, assim ele irá longe na vida”. Este catálogo de pecados é maravilhoso e serve para explicar porque é que Dijsselbloem, no fim das contas, é como o nosso pai quando cuida de nós e não cede à tentação de nos deixar ir para a “noite”. Os conservadores continuam a lastimar a falta do Diabo, que vinha e não veio, e ficam-se por agora pela certeza de que “copos e mulheres” ou os “copos” e a “noite” na “véspera de um exame decisivo” nos levam pelo caminho da condenação aos infernos.
 
Ainda não perceberam que de inferno sabemos todos muito, vivemos a caminho dele desde que Passos Coelho nos explicou que, com a troika, precisamos mesmo de empobrecer – sem “copos” e sem “mulheres”, diria o presidente do Eurogrupo."

quinta-feira, 23 de março de 2017

A Banalização do Terror


A Europa foi, ontem, alvo de mais um ataque terrorista.

Londres foi desta vez o alvo, mas sentimos que este tipo de ataque, sem necessidade de grandes recursos, executado por um fanático isolado, pode acontecer em qualquer grande cidade da Europa e do mundo.

A repetição e sequência deste  tipo de ataques levante, desde logo, três questões: em primeiro lugar, o terrorismo corre o risco de se tornar uma coisa banal, com o qual temos de viver no dia a dia das grandes cidades; em segundo lugar, começa a ser questionável se o tipo de tratamento que a comunicação social dá a este tipo de actos terroristas não é ele mesmo gerador desse tipo de actos, pelo espectáculo feito à sua volta e pela capacidade de multiplicação de imitadores que o espectáculo pode provocar, pelo o desejo de “15 minutos de fama” e de visibilidade que essa actuação permite à causa jhiadista ou  à mera  irrelevância da vida de um louco solitário; em terceiro lugar a diferença de tratamento que se dá quando o ataque terrorista é em solo europeu ou vitima europeus  e ocidentais, em relação à pouca atenção que merece um ataque, por vezes muito mais violento ou mortífero, quando tem lugar, quase diárimanete, em África ou no Médio-Oriente e vitima “apenas” africanos e àrabes.

A publicidade é o principal objectivo desses actos de terror, e por isso era importante repensar a forma como esses acontecimentos são divulgados.

Um outro problema é todo um conjunto de questões que vou colocando aqui de cada vez que se repete mais um acto bárbaro como o que ensombrou ontem a cidade de Londres e que continuam sem resposta: quem financia o Daesh?; quem os arma?; como é possível que a internet continue a funcionra como centro de divulgação e recrutamento para a causa jhidaista? qual o papel de países como a Turquia, um país da NATO, e da Arábia Saudita, um aliado tradicional do “ocidente”, já para não falar no papel ambíguo de Israel, no meio de tudo isto?...

Em recente documentário exibido num canal por cabo, julgo que no “Odisseia”, levantava-se alguma ponta do véu, confirmando-se o papel da Turquia na canalização de matéria processada pelo “Estado Islâmico”, como o petróleo e o algodão, que estão na base de parte do seu financiamento, negócio com o qual lucram muitas empresas ocidentais ligadas o petróleo e à industria têxtil, não sendo de estranhar se todos nós, quando colocamos gasolina no carro ou compramos roupa não estamos indiretamente a financiar o Daesh.

… e já para não falar no envolvimento, directo ou indirecto, do sector financeiro mundial e da industria de armamento no “apoio” ao Daesh, como, noutros tempo ou noutras áreas geográficas, “apoiam” ditaduras e a degradação social, desde que o lucro fácil esteja garantido.

Por isso é bom que a repetição de actos terrorista não  nos levem a  banalizar esse mal e a deixar de tentar perceber e exigir saber quem está por detrás dessa gente.

Por agora, o populismo de extrema direita é o beneficiário mais visível da barbaridade desses actos…mas não é o único…

…Dêem menos espectáculo e investiguem mais, senhores jornalistas!!

Mais um dia de terror na Europa nas primeiras páginas da imprensa































Cartoon's e desenhos contra o terror em Londres