quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Operação Marquês- a justiça fica-lhes tão bem.

(Cartoon de Vasco Gargalo - Revista Sábado)

Depois de 4 anos de investigação chegou-se finalmente à acusação.

Agora, o que todos os cidadãos devem exigir, é que a justiça seja célere e clara, não deixando escapar ninguém, não deixando qualquer dúvida sobre inocência ou culpabilidade.

A mim, o que me espantou não foi a “qualidade” da gente envolvida, mas o facto de nunca se ter ido tão longe noutros casos de corrupção politica, como no caso BPN.

As ligações quase mafiosas entre o poder financeiro e o poder político, envolvendo também empresários, e gozando da conivência de alguma comunicação social (o próprio BES chegou a financiar “féria de sonho” a dezenas de jornalistas da área económica, como se soube AQUI), eram de há muito conhecidas e ganharam dimensão com a afluência a Portugal de milhões em fundos estruturais e europeus, aliando-se a um certo espírito “novo-riquista” de uma classe politica, alojada no chamado “centrão” e à sombra do maná desses fundos.

Todo o percurso biográfico de Sócrates encaixa perfeitamente nesse novo tipo de políticos formados no “centrão” e no cavaquismo, que gerou dezenas de casos nas últimas décadas, muitos dos quais ficando-se pela superfície ( casos BPP e BPN), outros nem sequer avançando (tecnoforma), mas que eram o resultado lógico desse “nova mentalidade”, políticos esses que colocavam no topo da sua vaidade um qualquer título académico forjado ou  comendas distribuídas entre amigos em solenes cerimónias (leia-se, aproposito, o que AQUI escrevi em 2014 e AQUI em 2016).

Além disso, casos como o de Sócrates revelam-se exemplares, mesmo na Europa, pois não são muito diferentes de muitos outros mal esclarecidos envolvendo, só para citar alguns de memória, um Tony Blair, um Juncker ou um Rajoy, com a diferença de que estes morreram no ovo de uma justiça muito dependente do poder politico e financeiro.

Esperemos que este caso e o seu consequente julgamento faça escola, não só na história da justiça portuguesa, mas como modelo a seguir numa Europa que se deseja renovada.

Nós, os cidadãos, que pagámos para a festa, não vos largaremos, nem um momento, até que seja feita justiça, uma justiça que deve ser também pedagógica, para que todos os novos candidatos a Sócrates, em Portugal ou por essa Europa fora, saibam que não estão acima da lei.

Que se faça justiça, e de forma célere!


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